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  • há 2 meses
Terceiro episódio revela que Ministério Público denunciou três membros de famílias influentes em Vitória pelo estupro e assassinato de Araceli

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00:12A menina foi mantida em cárcere privado no bar franciscano até o domingo, dois dias depois de seu desaparecimento.
00:21Nesse tempo, segundo o promotor, a menina foi mantida sob efeito de entorpecentes e submetida a violências sexuais.
00:29O processo teve idas e voltas. Mais de 300 testemunhas foram ouvidas.
00:34Acabou a vida da minha família.
00:35A impunidade, cara. Estragou a nossa vida toda, sabe? Estragou a família.
00:43A gente custou a juntar os cargos de novo, sabe o que é?
00:46É, um bom tempo, 50 anos. E ainda repercute. E ninguém foi punido, né?
00:53Foram apontados, mas não foi. Não teve desfecho.
01:21Um dos casos de maior repercussão do Espírito Santo chega ao arquivamento de uma impunidade,
01:28porque não se chegou a uma solução definitiva.
01:32E isso que acontece até hoje, né? A impunidade ainda faz presente ainda hoje.
01:37O assassinato de Araceli teve ingredientes que chocaram todo o país.
01:42Era uma criança com menos de nove anos que cursava o primário
01:45e foi morta por asfixia mecânica feita pela mão do assassino.
01:49Os três principais acusados pelo assassinato da menor foram Paulinho Elal,
01:53Dante de Brito Michelini e Dante de Barros Michelini.
01:56O início da investigação foi desastrosa.
02:00E isso prejudicou muito o resultado que teria posteriormente.
02:06Como que se tivesse começado de uma forma mais forte, mais evidente,
02:11com a apuração mais rigorosa, sem a interferência tanto de outras pessoas,
02:18acredito que teria uma chance de uma elucidação mais forte desse crime.
02:23Esse era um quadro. Repressão, censura, que vão dar base a essa impunidade,
02:29a esse silêncio, que marca todo o período da ditadura militar
02:33e também, no caso específico, esse caso tão dramático do assassinato da criança.
02:39O Dante Michelini, pai, pesa a acusação de haver mantido a menor em cárcere privada
02:46dois dias no sótão do seu bar em Camburi.
02:51Contra os dois, o Elal e Dante Filho, pesa contra eles a acusação
02:56de haverem os dois ministrado a infeliz e desditosa menor substância tóxica
03:03e haverem ainda, de maneira violenta, mantido congresso carnal com a infeliz menina.
03:11Foi um caso muito rumoroso no Espírito Santo.
03:14Foi um dos processos judiciais de maior extensão, de volume mesmo.
03:18São mais de 30 volumes, mais de 12 mil páginas.
03:22Foram mais de 300 depoimentos.
03:23Araceli Cabreira Crespo desapareceu no dia 18 de maio de 1973,
03:29depois que saiu da escola São Pedro na Praia do Suá, às 4h10 da tarde.
03:34Dias antes, assegura a denúncia,
03:36Paulo Elal mandara Marislei Fernandes Muniz,
03:39acusada de toxicomania e prostituição,
03:43entregar a Araceli um sorvete,
03:45com a recomendação de dizer que era um presente do tio Paulinho.
03:49Em outro dia, Marislei teria visto no Mustang branco de Paulo Elal
03:53uma boneca destinada a Araceli.
03:55Com esses presentes, diz o promotor,
03:58foi sendo preparado o rapto
03:59e afastadas as possíveis suspeitas e desconfianças da menina.
04:03Paulinho Elal, que antes, na verdade, não se conhecia.
04:07Todas as investigações sobre o assassinato da menor Araceli Cabreira Crespo
04:11estão nestes 29 volumes de aproximadamente 7 mil folhas.
04:15Não teve solução, é uma coisa que ganhou a notoriedade impressionante,
04:21saiu da Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil,
04:24tudo quanto é jornal do país, mas não teve, no final não teve nada.
04:29E ninguém cobrou nada.
04:30Só saiu uma notícia, olha, o crime prescreveu, encerrou o processo,
04:33ele foi declarado inocente.
04:35Dantinho e Paulo Elal frequentavam o bar da parada de ônibus
04:38segundo depoimentos mencionados na denúncia.
04:41E Dantinho foi visto muitas vezes passando com um carro amarelo diante do colégio.
04:46No dia 18 de maio, continuou o promotor,
04:49Paulo Elal dirigiu-se para o ponto de ônibus
04:52em companhia de Marislei no Mustang branco.
04:54Marislei desceu e disse a Araceli
04:57que o tio Paulinho a chamava para levá-la em casa.
05:01Segundo Marislei, Araceli saiu correndo e entrou no carro.
05:05Os dois lhe disseram adeus.
05:08Mais tarde, no mesmo dia,
05:11Araceli foi vista por Almerinda dos Santos Pereira,
05:14cozinheira do bar franciscano,
05:16que pertence à família Micheline.
05:18Estava encostada na parede do bar,
05:20de uniforme, comendo pipoca.
05:22Nós ficávamos aqui em cima,
05:25mas o franciscano tinha tipo uma casa embaixo.
05:28E lá que ficavam as carotadas, a turminha deles, né?
05:33Na denúncia, o promotor menciona referências
05:36que existem no processo ao fato de Araceli
05:39haver sido levada agonizante ao hospital infantil
05:42e à clínica Jesus Menino.
05:44Em seguida, o corpo da criança, já morta,
05:48teria sido levado para um prédio das proximidades.
05:51Mais tarde, quando surgiram queixas de mau cheiro,
05:54Paulo Elal e Dantinho Micheline,
05:56assegura o promotor, lançaram o corpo
05:59em um saco de tamanho grande,
06:01colocaram-no no porta-malas de um carro amarelo
06:04e o atiraram em um local ermo,
06:06perto do hospital infantil.
06:08Vocês podem imaginar como que essa história,
06:11ela teve confrontos, confrontos de ideias,
06:14pessoas que faziam testemunho, retornavam,
06:17voltavam atrás do próprio testemunho, né?
06:20E como que isso impacta, né,
06:22a vida das pessoas que estão ligadas ao tema.
06:24Serão mesmo eles, os assassinos?
06:27O perito Carlos Éboli, já falecido,
06:30mas responsável por uma das muitas reviravoltas
06:33sofridas pela história,
06:35tinha opiniões claras e definitivas
06:37sobre a história toda.
06:39O crime, disse Éboli à comissão parlamentar de inquérito,
06:43não foi cometido por uma pessoa só.
06:46As pessoas que o cometeram
06:48eram de inteligência média para cima,
06:50tinham recursos para manter o corpo da vítima oculto
06:54durante muito tempo
06:55e para dificultar o trabalho posterior da polícia.
06:58Teve uma CPI do Casaraceli,
07:00e tinha um deputado lá chamado Clério Falcão,
07:02não sei se você é um folclórico e tal,
07:05e o cara, ele que dominava essa história,
07:07ele defendia bem.
07:09Ele era o único, assim,
07:10que tinha uma certa posição mais independente, né,
07:13que ele puxava e acusava os rapazes mesmo e tal,
07:17mas o resto da Assembleia estava com as elites, entendeu?
07:21Da época.
07:22Todos os fatos, assegura o promotor,
07:25eram do pleno conhecimento do pai de Dantinho,
07:28Dante de Barros Michelini,
07:30dono do bar franciscano.
07:32Segundo a denúncia,
07:34Dante tudo fez para dificultar,
07:37desviar e prejudicar as investigações policiais,
07:40valendo-se de suas ligações com algumas pessoas
07:43da cúpula da polícia,
07:45como o capitão Manuel Araújo.
07:47Dante foi conversar na polícia com o Manel Nunes,
07:54o Araújo,
07:56que era um militar,
07:58e naquela época, muito comum isso,
08:01assumir delegacia,
08:03superintendente,
08:05parece que Dante foi lá,
08:07se não me falha a memória,
08:09renovar o porto de arma.
08:10E ele estava com o escrivão ouvindo
08:13uma testemunha
08:15do caso Horaceli.
08:18E o jornalista lá fora,
08:20aí ele mandou dizer,
08:22estou ouvindo a testemunha do caso Horaceli.
08:24Depois já atendo ele.
08:26Quando sai, sai ele e Dante,
08:28o cara pá!
08:29Dante ouviu no caso Horaceli.
08:31Eles chegaram a ser presos em 1977.
08:34Em 1980 foram condenados.
08:36A sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça.
08:39Dante e Dantinho Michelini
08:40deram uma entrevista exclusiva
08:42à TV Gazeta de Vitória.
08:44E qual a sua participação no caso Horaceli?
08:48Nenhuma.
08:50Não participei de nada, absolutamente.
08:53Já que você não participou,
08:54então como é que você explica
08:56todas essas acusações?
08:58Eu não tenho como explicar.
09:01Não participei, não poderia explicar, né?
09:04Como você conheceu o Paulo Elau?
09:06Eu conheci o Paulo Elau apenas de vista.
09:11O relacionamento pessoal aconteceu aqui dentro,
09:15da cela.
09:16O senhor conheceu Horaceli Cabreira Sanches?
09:21Não, senhor.
09:22O senhor conhece, senhor Paulo?
09:24Um outro acusado?
09:28Dante, quebrito Michelini, o Tatimba?
09:31Não, eu conheço a família Michelini de nome,
09:34conhecia de nome a família Michelini.
09:35Sim.
09:36Agora ele não conhece.
09:37Como que a criança,
09:39ela foi vítima e revitimizada ao longo do tempo,
09:42ao longo da história?
09:43Ela era uma menina muito bonita, né?
09:47Tinha cabelos longos,
09:48uma menina muito bonita.
09:50Porém, assim,
09:52o que eu lembro dela, assim,
09:53era uma menina, assim, como eu era.
09:56Segundo o promotor,
09:57Araceli era uma criança precoce,
10:00fisicamente desenvolvida.
10:01Aparentava mais de 10 anos.
10:04E passou a ser desejada
10:05por Paulo Elau e Dantin Michelini,
10:08que, nos termos da denúncia,
10:10passaram a cobiçá-la
10:11e disputá-la para suas façanhas e orgias.
10:15Isso não é só nas testemunhas.
10:17A própria promotoria,
10:19parte da imprensa,
10:21foram vários grupos
10:24que tocam nesse assunto.
10:26Como que era um corpo desenvolvido,
10:28que ela não tinha namoradinhos,
10:31qual a ideia de uma criança
10:33permear esse ambiente da sexualização.
10:36Falavam que ela tinha uma estatura maior,
10:38mais desenvolvida, quer dizer,
10:40pelo tempo que ela morou
10:42próximo à minha casa,
10:45ela não tinha.
10:47Ela tinha as perninhas mais grossas,
10:49por ser mais...
10:50mais...
10:52mais...
10:53mais gordinha, né,
10:54do que eu.
10:55Uma menina de...
10:58seis, sete, oito anos,
11:01não tem nem...
11:02não tem seis, não tem nada, né,
11:05é criancinha.
11:05A Araceli,
11:07ela foi vítima de violência
11:09também pós-morte, né,
11:11a ideia de que
11:12uma criança de oito anos
11:14é ainda vítima de violência,
11:16de uma sexualização,
11:18de falar do corpo dela,
11:20de como que ela era.
11:21Eu lembro de um episódio,
11:23assim, até...
11:25bem engraçado,
11:26tipo,
11:28eu,
11:29mas outra amiguinha,
11:30a gente estava...
11:31acho que a gente
11:33estava brincando
11:34numa serralheria,
11:35assim,
11:35em frente de uma casa
11:36de um parente dela,
11:38aí ela passou
11:40e ela usava
11:41os vestidinhos assim,
11:42aquelas crianças
11:42usavam as calcinhas
11:43meia frouxas, né?
11:45Aí a gente chamou,
11:46falou,
11:46Araceli,
11:47calcinha de coador.
11:49Aí ela virou pra gente
11:50e falou assim,
11:51é...
11:52eu lembro dessa frase
11:53como se fosse hoje.
11:54Ela falou,
11:55ó,
11:56eu não sou igual a vocês,
11:57não,
11:58eu sou criança,
11:59vocês são metidinha mocinha.
12:0150 anos depois
12:02a gente...
12:04a gente avançou
12:05em algumas coisas,
12:07mas em muitas,
12:08né,
12:09ainda a gente não avançou.
12:11É uma criança,
12:13mas isso acontece
12:13com as mulheres,
12:15né,
12:16a sexualização,
12:18a ideia de que
12:19é uma responsabilidade dela.
12:20O caso Araceli,
12:22ele tem início
12:22em 1973,
12:24mas os desdobramentos
12:26do caso
12:26que se estendem
12:27por vários anos
12:28seguintes,
12:29até que finalmente
12:30chegam ao julgamento,
12:31depois a anulação
12:32do julgamento
12:33dos supostos
12:35homicidas.
12:36São tomados
12:37depoimentos,
12:38surgem contradições
12:39e falta de provas.
12:40Nos jornais,
12:41quilômetros de linhas
12:42são escritas
12:43sobre o caso Araceli,
12:44mas as dúvidas
12:45são muitas.
12:46O processo chega
12:47à justiça
12:48e vai se avolumando.
12:49O judiciário
12:49também conseguiu
12:51empurrar muito
12:52pra frente
12:53e acabou dando
12:55em nada.
12:55No final,
12:57né,
12:57a injustiça
12:58prevaleceu.
12:59No caso
12:59da Araceli
13:00tem outros ingredientes.
13:01Além dela ser
13:01uma criança
13:03da periferia,
13:04os pais dela
13:05eram estrangeiros.
13:06A própria mãe dela
13:07foi alvo
13:08da desinformação
13:09na época
13:10pelo fato
13:10da mãe dela
13:11ser estrangeira,
13:12ser boliviana.
13:13Então circularam
13:13vários boatos
13:15que ligavam
13:16esse crime
13:16a alguma coisa
13:17associada
13:18ao tráfico
13:19de drogas.
13:20Mas independente
13:21do que ocorre,
13:23do que ocorreu,
13:24é que,
13:25quer dizer,
13:26é uma situação
13:28dramática,
13:28um negócio
13:29que não se resolveu,
13:30né?
13:31Quer dizer,
13:31a justiça
13:31não teve capacidade
13:32de dar agilidade
13:34necessária,
13:36né?
13:36Quer dizer,
13:37aí é tipo
13:38da coisa
13:38que a gente
13:39pode dizer
13:40que a justiça
13:41tarda e falha.
13:42O processo passou
13:43para o juiz
13:44Paulo Copolillo.
13:45Ele gastou
13:45cinco anos
13:46para estudar
13:47o processo,
13:48escreveu
13:48uma sentença
13:49de 700 páginas
13:50e absolveu
13:51os acusados
13:51por falta de prova.
13:52Todo mundo
13:53está agradecido
13:54a essa
13:56fagulha divina
13:58que iluminou
13:59o nosso juiz.
14:02Mas todo mundo
14:03sabe do peso,
14:04que continua ainda,
14:06das críticas
14:07que ainda
14:08continuam a ser feitas,
14:10das ofensas,
14:11das agressões.
14:12Não tenha dúvida
14:13porque a opinião pública
14:14não acompanhou
14:16devidamente.
14:18Ela não tem
14:18conhecimento técnico.
14:20Ela não sabe
14:21extinguir uma coisa
14:22da outra.
14:24então vai ficar
14:25eternamente.
14:27Não se investigou
14:27mais ninguém
14:28praticamente.
14:29A Araceli
14:30foi morta
14:31várias vezes,
14:32infelizmente.
14:33Ela foi morta
14:34a primeira vez
14:35em 1973.
14:36Ela foi morta
14:37depois,
14:38uma segunda vez,
14:39quando as forças
14:40de segurança pública
14:41no Espírito Santo
14:42foram incapazes
14:43de finalizar
14:44esse inquérito.
14:46lembrando que
14:47a necrópsia
14:48do corpo
14:48da Araceli
14:49só foi feita,
14:50se eu não me engano,
14:51três anos depois
14:52da morte da Araceli.
14:53Os seus
14:55supostos
14:56homicidas
14:56foram levados
14:57ao julgamento
14:58décadas depois.
15:00Então é uma
15:00terceira forma
15:01de matar,
15:02de exterminar
15:03essa criança
15:04da periferia.
15:04O juiz explicou
15:06para a imprensa
15:06que Araceli
15:07provavelmente
15:08foi vítima
15:08de um crime
15:09sexual simples
15:10no qual
15:11usaram
15:11uma provável
15:12dose excessiva
15:13de barbitúrico.
15:14O caso
15:14está para ser
15:15arquivado.
15:16Não haverá
15:16mais punição,
15:17nem mesmo
15:18que o culpado
15:19confesse.
15:19Fazemos um trabalho
15:20hoje tão forte
15:21em cima
15:22de uma produção
15:23de prova
15:24pela inteligência
15:25que não há necessidade
15:27de que ele confesse
15:28o crime.
15:28Na verdade,
15:29o processo penal
15:31brasileiro
15:31dá o direito
15:32a essas pessoas
15:34de mentir,
15:35de ficarem calados.
15:37É direito dele
15:37de produzir
15:39a defesa dele.
15:40Tem o direito
15:40de não produzir
15:41prova
15:42contra si mesmo.
15:43Isso está pactuado.
15:45Então nós
15:45trabalhamos
15:46em cima
15:47de evidências,
15:49de inteligência,
15:50de provas
15:51científicas.
15:52Então,
15:53por mais que ele diga
15:55não foi eu,
15:55não foi eu,
15:55mas nós temos recursos
15:57hoje de provar
15:58que é
15:58e as condenações
15:59estão saindo.
16:00É tentar entender
16:01também como
16:01que a estadura militar
16:03influenciou
16:04no Brasil todo
16:05e o Espírito Santo
16:05teve um caso específico
16:08desse caso em si,
16:09mas outros
16:10que a forma de violência
16:11foi muito forte.
16:13De certa maneira,
16:13a gente pode apontar
16:14o período
16:14da ditadura militar
16:16como o período
16:17da consolidação
16:19dessa impunidade
16:20no nosso país
16:21e no nosso Estado.
16:22Eu não tenho condições
16:23de falar a respeito
16:24de se houve alguma coisa
16:25que interferiu
16:26na investigação
16:27ou não.
16:27O que eu posso te dizer
16:28é que naquela ocasião,
16:30em 1970,
16:31ano 73,
16:33a investigação
16:34era muito rudimentar,
16:35era o homem
16:36então somente.
16:37Você não tinha
16:37naquela ocasião
16:39hoje os recursos
16:40tecnológicos
16:41que nós temos.
16:42Então era a investigação
16:43mesmo,
16:43era o feeling
16:44do policial.
16:45A gente sempre desconfiava
16:46da informação oficial,
16:49porque a informação
16:50oficial
16:51ela sempre
16:53estava
16:53um pouco
16:55conspurcada,
16:56entendeu?
16:56Estava manchada
16:57de alguma coisa,
16:58de algum outro interesse
17:00que tentava sempre
17:01encobrir.
17:01Eu não posso tecer
17:03comentário a esse respeito,
17:05seria até
17:05livrando a minha parte,
17:07mas o que eu posso
17:07lhe dizer é que
17:08naquela ocasião,
17:10mesmo assim,
17:11você tem indício,
17:13você tem indicação
17:14de duas autorias.
17:15Então,
17:15eles conseguiram chegar
17:18a dois supostos autores
17:20que foram até a júri
17:21no primeiro júri
17:22e depois foram absorvidos
17:23no segundo júri.
17:24Então eles chegaram,
17:25ok?
17:26Mas, obviamente,
17:27se tivesse os recursos
17:29que nós temos hoje,
17:30a prova seria muito
17:31mais contundente,
17:32muito mais forte,
17:34aí não tem como
17:35contestar.
17:36O caso Araceli
17:37foi a pedra no sapato
17:39da polícia
17:39e da justiça
17:40do Espírito Santo.
17:41A opinião pública
17:42sempre acompanhou
17:43tudo muito de perto
17:44e com muito interesse.
17:45A imprensa
17:46também teve papel marcante,
17:47mas apesar de tudo
17:48que foi escrito,
17:49de tudo que foi dito
17:50e da recente decisão
17:51da justiça
17:52de absorver
17:53os principais acusados,
17:54duas dúvidas
17:55ainda ficam no ar.
17:56Quem matou Araceli
17:57e por que matou?
18:09Por que lembrar
18:10do caso
18:10de 50 anos?
18:13Você se colocar
18:14no lugar
18:14do outro
18:15perdendo um filho
18:16dessa forma,
18:17da forma bruta
18:18como foi,
18:18essa menina foi
18:19morta.
18:20Eu tinha filhos
18:21também,
18:22e a gente nunca imagina
18:24depois de uma hora
18:25de ver.
18:28O que que leva
18:29uma pessoa
18:29a cometer
18:30um crime desse?
18:32Uma criança.
18:33Eu acho que a gente
18:34não pode esquecer
18:34a série.
18:35e a gente não pode esquecer
19:04de ver.
19:05Eu acho que a gente
19:32Legenda Adriana Zanotto
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