00:01Olá, estou aqui no Mansueto Almeida, dispensa apresentações, secretário do Tesouro,
00:07ela está como economista-chefe do BTG, participando aqui com a gente no Pedra Azul Summit.
00:12Mansueto, eu queria saber do senhor o seguinte, como você está enxergando essa PEC da transição,
00:18quais são os riscos que estão aí no debate?
00:21Vamos lá, eu acho que todo mundo entende a necessidade de uma PEC de transição,
00:25de algum tipo de perdão na largada para o governo gastar um pouco mais para cumprir com alguns dos compromissos,
00:32como por exemplo o aumento do Bolsa Família, muito importante.
00:35Só que a gente está falando aí de algo na casa de 50, 70 bilhões no máximo, não é algo
00:40de 200 bilhões.
00:41Então acho que essa PEC de transição, o valor dela tem que ser muito menor e temporário,
00:48por um ano, para o governo poder definir qual será a nova regra fiscal do Brasil,
00:51porque é importantíssimo o Brasil ter uma nova regra fiscal e sinalizar que pelo menos até o final do próximo
00:57governo
00:58a gente consegue estabilizar e depois daí reduzir a dívida pública.
01:01Então acho que esse waiver no primeiro ano, primeiro, temporário, segundo, um valor muito menor,
01:0650, 70 bilhões e depois de uma nova regra fiscal, para aí sim a gente ter certeza que vai terminar
01:12o governo
01:12com a dívida pública estabilizada. Eu acho que esse é o desafio.
01:14Esse é o mundo ideal, mas já estamos falando em um gasto de 200, mais de acima de 200 bilhões
01:20e a proposta que está lá é por tempo indeterminado. Fala-se em quatro anos.
01:25Qual o risco que a gente está correndo aí se passar algo para quatro anos e com 200 bilhões de
01:31furo de teto?
01:32Então se for isso, a gente vai começar um governo com crescimento do gasto real do governo federal de mais
01:37de 6%.
01:38Se for uma expansão tão forte, a gente pode ter um problema de inflação.
01:43Um problema de inflação, o Banco Central não vai cortar a taxa de juros.
01:46O Banco Central pode até aumentar a taxa de juros. Isso vai prejudicar o crescimento.
01:51Isso vai encarecer o custo do empréstimo das firmas e reduzir o investimento.
01:55Então se for quatro anos com perdão fiscal de 200 bilhões, expressão do gasto de 200 bilhões
02:01a cada ano de forma permanente, a gente vai ter um problema de inflação.
02:04A gente vai ter um problema de risco fiscal. Juros vão ficar muito altos.
02:08Então eu espero que isso não aconteça. Eu espero que o novo governo, que tem pessoas muito competentes,
02:12chegue à conclusão que, olha, isso foi uma proposta inicial, é exagerado e a gente vai recuar.
02:16Então eu espero que isso aconteça e a gente não fique com esse gasto tão grande
02:20que foi essa primeira proposta que foi divulgada essa semana e enviada para o Congresso Nacional.
02:24O senhor acredita? O senhor tem muitas conexões. O senhor acredita que é possível revisitar?
02:31O senhor acha que foi mandada uma proposta maior justamente para negociar?
02:35Ou o senhor acha que é muito difícil essa renegociação e o que de fato o governo quer
02:40é esse gasto a mais que pode terminar com mais inflação, que não é bom para ninguém, inclusive para os
02:46mais próprios?
02:46Então, qualquer governo, no início de governo, ele quer ter a confiança do mercado,
02:50ele quer juros em queda, ele quer a inflação controlada para o país investir mais e crescer mais.
02:55Então eu acho que os mercados deram sinais que, olha, se for um gasto tão grande,
03:00os investidores vão ficar com receio, a inflação vai voltar.
03:02Então eu acho que o governo, ele vai se escutar os investidores, os mercados, o Congresso Nacional,
03:08diferentes políticos e eu espero, eu acho que deve ter um recuo, tá?
03:12Então eu espero que, assim, olha, o governo, que tem pessoas muito inteligentes, políticos, experientes,
03:16eles chegarão a uma conclusão que, olha, não dá para fazer isso, isso tem um risco muito grande,
03:21vamos fazer algo mais comedido.
03:22Isso é essencial, porque, novamente, se a gente começar um governo novo,
03:26que além do orçamento do próximo ano, a gente aumenta a despesa em 200 bilhões de reais,
03:30o risco da inflação subir é muito alto.
03:33Para terminar, bom, o governo não começou ainda, mas já começou.
03:37É possível, diante do que está colocado, ser otimista com o Brasil de 2023 e dos próximos quatro anos?
03:44Olha, é possível, porque o mundo emergente todo está passando por problemas muito sérios.
03:48Alguns locais com guerra e outros locais com problema de inflação, sem ter Banco Central independente,
03:53e outros com problema de problemas sociais, sem ter uma rede de assistência social como o Brasil.
03:58Então o Brasil está muito bem posicionado e é um país que nos últimos seis anos fez reformas muito importantes,
04:04dentre as quais reforma da Previdência, reforma trabalhista, independência do Banco Central.
04:08Então se o governo começa com os sinais corretos, tem tudo para a gente ter um início de quadriênio muito
04:15positivo.
04:16Mas o governo precisa fazer o dever de casa.
04:18E o que é o dever de casa?
04:19Compromisso com reformas, por exemplo, reforma do Estado, reforma tributária,
04:23compromisso com a agenda fiscal e compromisso com a agenda do meio ambiente.
04:26O governo deixou muito claro o compromisso com a agenda do meio ambiente.
04:29Tem que mostrar qual é a nova estratégia de equilíbrio fiscal e o compromisso com reformas.
04:33Se o governo der os sinais corretos, nesse mundo emergente que está tão complicado,
04:37o Brasil sai muito bem posicionado.
04:39Assueto, muito obrigado.
04:40Eu que agradeço.
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