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  • há 2 horas
Décadas após o fechamento dos pavilhões mais sombrios daquele que ficou conhecido como o holocausto brasileiro, as paredes do Hospital Colônia de Barbacena, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais, deixaram de ser apenas um memorial da barbárie para se tornar o epicentro de uma batalha jurídica histórica. Ações judiciais individuais, agora fortalecidas por um inquérito civil conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF), buscam a responsabilização civil do Estado e a reparação financeira e existencial para uma parcela invisível de vítimas: os filhos das mulheres internadas à força no que foi o maior manicômio do Brasil, marcado pelas graves violações aos direitos humanos.

Imagens: Arquivo/EM; Arquivo Público Mineiro;
Reportagem: Melissa Souza/EM
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Transcrição
00:00Décadas após o fechamento dos pavilhões mais sombrios daquele que ficou conhecido como o Holocausto Brasileiro,
00:06as paredes do Hospital Colônia de Barbacena, no Campo das Vertentes, em Minas Gerais,
00:11deixaram de ser apenas um memorial da barbárie, para se tornar o epicentro de uma batalha jurídica e histórica.
00:17As ações judiciais individuais, agora fortalecidas por um inquérito civil produzido pelo Ministério Público Federal,
00:23buscam a responsabilização civil do Estado e a reparação financeira e existencial para uma parcela invisível de vítimas.
00:31Os filhos das mulheres internadas à força no que foi o maior manicômio do Brasil,
00:37marcado pelas graves violações aos direitos humanos.
00:40Com a abertura desse inquérito civil e a divulgação através dos veículos de rede,
00:45algumas das vítimas nos procuraram para compreender o que poderia ser feito dentro dessa perspectiva.
00:54Onde nós iniciamos a habilitação dentro do inquérito civil do Ministério Público Federal, aqui em Belo Horizonte,
01:01para começar a cooperar com o Ministério Público Federal na investigação do ocorrido lá dentro do hospital.
01:08E é muito importante dar a voz a essas vítimas, porque algo nos chama a atenção,
01:14que é muito importante nós trazermos à tona, que a vida das vítimas, o Estado destruiu a vida das vítimas
01:23na infância,
01:24na adolescência, na vida adulta, e agora que eles estão criando coragem de buscar uma reparação,
01:31o Estado, nós estamos enfrentando diversos obstáculos, sejam eles processuais, psíquicos, para conseguir buscar essa reparação.
01:42Os castigos aplicados rotineiramente na colônia desenham um cenário de crueldade institucionalizada.
01:48Relatos médicos e prontuários da época detalham a aplicação indiscriminada da eletroconvulsioterapia,
01:54os temidos eletrochoques, sem o uso de anestésicos.
01:57Dentre todas as histórias está a de Débora, que nasceu em 23 de agosto de 1984 dentro do hospital.
02:04A mãe biológica, Sueli Aparecida Resende, era uma jovem epiléptica,
02:09que foi deixada por sua família na adolescência e jogada em hospitais psiquiátricos,
02:14até ser despejada em Barbacena.
02:16O pai de Débora foi José Malaquias, internado por ter crises esquizofrênicas.
02:21Com apenas 10 dias de vida, ela foi entregue por meio de uma adoção à brasileira.
02:25Uma sessão ilegal, acobertada pela direção do hospital a um casal de funcionários da instituição.
02:31Débora cresceu dentro do hospital, já que os pais trabalhavam lá, e recorda que sentia uma certa incompletude.
02:38Em casa, ouviu os relatos dos pais sobre a rotina de choques e contenções que aplicavam nos internos,
02:44sem imaginar que uma daquelas figuras desumanizadas era sua própria mãe.
02:48O inquérito civil em andamento no MPF investiga as violações de direitos fundamentais ocorridas no Hospital Colônia,
02:56fornecendo subsídios probatórios fundamentais para que dezenas de filhos de ex-internas
03:01ingressem com ações de reparação por danos morais e existenciais crônicos.
03:06A reportagem do Estado de Minas entrou em contato com o Estado brasileiro
03:09e não obteve retorno até o fechamento dessa matéria.
03:13Já a Advocacia-Geral do Estado informou que se manifestará nos autos do processo.
03:17Em nosso site, você encontra a reportagem completa da repórter Melissa Souza sobre o assunto.
03:23O link da matéria está aqui embaixo.
03:25Siga a gente no WhatsApp e nas redes sociais, e receba notícias importantes diretamente em seu celular.
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