00:00Um dos muitos papéis que nós mulheres exercemos é, né, muitas de nós, é a maternidade.
00:06E a maternidade, ela nos desafia em lugares diferentes e também nos traz habilidades
00:10para lidar com o lado profissional, com os outros lados da nossa vida.
00:14E hoje a convidada que eu tenho aqui é uma convidada com quem eu já falei muitas vezes
00:18sobre esse lado profissional e hoje a gente vai trazer essa falta da maternidade
00:22porque Dani Cachiche, ela veio vestida de maternidade, ela veio acompanhada com a filha dela
00:27aqui para o evento Tempo de Mulher. E Dani, que prazer mais uma vez estar com você,
00:31te ouvir um pouco. Obrigada a você por...
00:33Prazer conversar contigo.
00:34Prazer é meu. E eu queria trazer essa frase, mãe suficientemente boa.
00:40Mãe suficientemente boa pra quem? Pros filhos, pra sociedade, pra você mesma
00:46que já entendeu que você dá conta o suficientemente dentro das próprias escolhas.
00:51Pra quem que você quer ser essa mãe suficientemente boa?
00:54Então, você sabe, essa é uma frase de um pediatra e psiquiatra britânico que chama
01:00Donald Winnicott. E teve gente que interpretou mal essa frase achando que
01:05ah, então você não tem que ser uma boa mãe. Pelo contrário, essa frase, ela na verdade
01:10ela incentiva que as mães, elas não sejam as mães perfeitas. Porque uma mãe boa,
01:16não necessariamente a mãe perfeita, mas é a mãe que tá disponível suficientemente
01:21do tempo que ela pode, que entende essa relação humana entre mãe e filha, que entende que
01:28a gente não vai tá sempre, o tempo inteiro, mas quando a gente tá, a gente tem que tá
01:32com qualidade. E eu acho que, sendo executiva e tendo a minha filha completando 18 anos
01:38daqui a pouquinho, me fez refletir muito sobre a maturidade ou a maioridade da maternidade.
01:45Quando a minha filha vai fazer 18 anos, eu vou fazer 18 anos como mãe. E eu fiquei pensando
01:50muito nisso, assim, me pegou de um jeito que eu falei, uau, eu entrei na minha maioridade
01:55como mãe. E eu fico pensando naquela Daniela há 18 anos atrás que nunca imaginou que aquilo
02:00fosse me transformar tanto. E eu acho que quando a gente fala de licença-maternidade no mundo
02:05executivo, a gente fala pouco sobre o papel da liderança. Quando você se torna mãe,
02:12mãe, você desenvolve competências que eu acho que nunca ninguém, o mundo executivo
02:17não vai te ensinar. A gente tem que tomar decisões sem ter todas as respostas, a gente
02:23tem que aprender a liderar no caos, a gente tem que, muitas vezes, ser muito resiliente
02:28ao mesmo tempo ser muito sensível. E eu acho que tem duas coisas que me marcam muito nessa
02:33trajetória de mãe, que é a vulnerabilidade e a força. Elas podem andar juntas. E eu acho
02:40que a maternidade é muito sobre isso, sobre a gente estar o tempo intervulnerável, porque a gente
02:44vai ser uma mãe só suficientemente boa, não totalmente boa. E, ao mesmo tempo, é uma força
02:51muito grande. Então, eu fico... A gente fala pouco sobre a licença-maternidade como um espaço
02:57de ajudar a mulher a criar competências que vão ajudar ela na liderança do mundo executivo.
03:03A gente sempre pensa como a mulher afastada do ambiente de trabalho.
03:06E eu fiquei pensando muito nisso, assim. Eu tenho dois filhos e, às duas vezes, eu entendi
03:13que aquilo me tornou melhor como líder no ambiente de trabalho. Então, a maternidade, ela tem um papel
03:19para mim. Foi muito importante, é muito importante. E eu sempre pensei que eu não vou ser a melhor,
03:27eu não vou estar 100% do tempo, mas quando eu tiver, eu vou estar ali entregue. Eu acho que
03:32isso é ser mãe
03:32suficientemente boa. Sim, eu quero pegar essa carona, dividir, assim, um breve momento que aconteceu
03:37comigo essa semana. Eu estava conversando com uma colega, que é... Tive uma proposta para fazer uma
03:42atividade de trabalho, uma viagem de trabalho. E coincidiu da viagem ser, no mesmo final de semana,
03:46de uma atividade importante para a minha filha. E aí, só que era uma atividade de trabalho que eu gostaria
03:51muito de fazer, que era importante e fazia sentido para mim. E aí, eu rapidamente dei o sim. E eu
03:58na
03:58terapia, a terapeuta falou, mas você não quer pensar com mais calma? Eu falei, não, eu já decidi que faz
04:02sentido para mim. Eu estou sofrendo, eu chorei junto com a minha filha quando a gente entendeu que era na
04:06mesma data. Porém, faz sentido. Como que você, assim, né, de mãe para mãe, me dá aqui um colo nesse
04:12momento? Assim, né, como que a gente faz nessas situações da vida em que a gente escolhe por algo que
04:16a
04:16gente... Não necessariamente a gente está escolhendo naquele momento pelo filho, né? A gente está
04:20escolhendo porque no todo, na mulher, na mãe, que é um todo também, faz sentido, né? Como
04:26equilibrar essas emoções dentro da gente, Dani? Eu acho que... Eu sempre trabalhei com o que era
04:31negociável e não negociável para mim. Então, tinha algumas coisas que eram negociáveis e algumas não. E eu
04:36já tive vários momentos como esse. A primeira coisa que eu fazia, mesmo quando eles eram muito pequenos,
04:42eu conversava com eles. Eu falava, olha, se eu pudesse, eu gostaria de ter as duas coisas. Eu não vou
04:48conseguir ter as duas coisas. E para a mamãe, a mamãe é uma mãe melhor quando ela trabalha, quando
04:53ela se realiza. Eu vou ser uma mãe melhor para vocês porque eu faço tudo isso e eu gosto do
04:58que eu
04:58faço. Então, eu vou ali, aí eu volto e numa próxima eu vou estar com você. Ou será que alguém
05:05pode
05:05fazer um vídeo na hora e me mostrar e eu vou entrar e vou dar beijo um pouquinho antes e
05:11falo
05:11boa sorte. Eu acho que a tecnologia hoje nos permite estar tão presente muitas vezes. Então,
05:16eu sempre conversei com eles. Mesmo hoje, quando às vezes eu tenho que fazer uma viagem, eu falo,
05:21nossa, eu preferia tanto estar aqui com vocês, mas eu tenho que viajar. Então, eu vou e depois eu
05:25volto. E tem uma coisa que eu faço até hoje e eu fazia desde que eles eram muito pequenos.
05:30Todo lugar novo que eu ia, eu filmava o lugar. Eu filmava as ruas, eu filmava as pessoas,
05:35eu filmava e mandava para eles, para eles verem como era os diferentes lugares que eu ia. Porque
05:41eles perguntavam, mas tem cama nesse lugar que você vai? Quando eles eram pequenininhos. E eu acho
05:46que foi um jeito de dividir também. Eu acho que é legal que você esteja fazendo uma decisão
05:54porque para você profissionalmente é bom. Você não vai ser uma mãe pior. Você não vai deixar de ser
05:59uma mãe presente. Nesse momento você não estava. E a gente como mãe, a gente não vai estar
06:05100% do tempo. E é bom que eles aprendam que vão ter momentos que minha mãe vai estar e
06:09vão ter momentos
06:10que minha mãe não vai estar. Eu acho que isso é um pouco do que o Winnicott fala, assim,
06:14a gente não pode ser perfeito porque o mundo não vai ser perfeito para os nossos filhos.
06:19E eu acho esse dilema e ao mesmo tempo essa reflexão muito poderosa.
06:24Que legal. E a gente volta para o que você falou no começo da qualidade. Quando estivermos,
06:27que seja um tempo de qualidade. Que eles
06:29desfrutem, a gente desfrute e vai ficar
06:31tudo bem. Dani, obrigada.
06:33Eu sei que você tem uma agenda aqui super disputada
06:36aqui no Tempo de Mulher. Obrigada mais uma vez.
06:38Obrigada a você. E para você que nos acompanhou,
06:40continue acompanhando. Siga a Dani Cachiche
06:42que sempre traz também ali
06:44conteúdo inspirador, um pouco da
06:45vivência dessas viagens que ela faz, dessas trocas.
06:48Eu ali fico consumindo, sempre aprendo
06:50muito com ela. E fique ligado aqui
06:52também no Terra que a gente vai trazer mais entrevistas
06:54com outras mulheres incríveis para você.
06:59Obrigada.
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