00:00Hoje, nós temos um CAPS Grão-Pará sucateado.
00:05Ele nasceu de manifestações da reforma do tratamento psiquiátrico.
00:12O sucateamento veio, esse familiar fazia o tratamento em manicômio.
00:19Quando passou a ser tratado pelo CAPS, mudou totalmente.
00:23Ele não precisou mais das internações, passou mais de 15 anos sem ser internado.
00:28Com o sucateamento, ele agora voltou a ser internado no hospital de clínicas.
00:33O que é que se vê? Um CAPS que foi referência, tem nome, tem azelar, não pode ficar extinto.
00:42E a volta dos manicômios é uma coisa que nós rejeitamos, porque é uma experiência familiar,
00:47é uma experiência do usuário. Hoje em dia, ele se sente assim, entregue.
00:53E ele fica, outra vez, tendo as crises e tendo sem necessidade da família colocá-lo de novo nos hospitais.
01:02Se o CAPS tivesse sido dado o prosseguimento à missão dele, não haveria, nem deve haver mais manicômio.
01:11Tem que ser o tratamento com liberdade, humanizado, com equipe multidisciplinar, como sempre foi a missão do CAPS.
01:17Agora estão, de alguma forma, o Estado está abandonando esse trabalho, que o CAPS deveria estar apresentando para a sociedade,
01:29para os usuários, dando a segurança para a família de que eles não vão ter que isolar o seu familiar
01:37dentro de um hospital.
01:39Eu tenho transtorno de ansiedade, cuido aqui no CAPS desde março de 2023.
01:45Quando eu cheguei aqui para o CAPS Grão-Pará, já estava de uma forma precária as condições do prédio em
01:54si.
01:55Então, alguns serviços que eram oferecidos quando eu cheguei por aqui,
02:00já foram, não são mais oferecidos por conta da não estrutura física.
02:05O prédio tem muito mofo, o prédio tem cupim, tetos desabando.
02:12Então, não oferece condições para que nós tenhamos aquilo que tinha antes,
02:17que eram os passeios, que eram as atividades extra de atendimento,
02:21não só o atendimento psiquiátrico como psicológico,
02:25como atividades aqui dentro de terapia ocupacional em grupo,
02:29que faz muito bem para a gente.
02:31Eu digo que o CAPS me salvou e continua me salvando.
02:35Então, como é que eu, que tenho esse transtorno,
02:38não só eu, como todas as pessoas que cuidam de saúde mental,
02:42ficarão se os CAPS deixarem de existir?
02:45Onde nós vamos nos cuidar?
02:47Sabemos que os serviços particulares são caríssimos,
02:51não temos condições, por isso o SUS oferece.
02:54Só que o SUS oferece e o Estado e o município não estão dando o respaldo que o SUS precisa.
03:04Não está tendo manutenção nenhuma.
03:07Então, o que eu entendo é que o projeto é de acabar.
03:10Eles têm um projeto para acabar com o cuidado da saúde mental via SUS.
03:17Só pode ser isso, porque tem aí agora um monte de residências que são particulares
03:24e que é o retorno para os manicômios.
03:27Gente, a gente já andou para frente.
03:29Isso é um retrocesso.
03:31Como é que a gente chegou até aqui e agora a gente está voltando para o manicômio?
03:36Isso é inadmissível.
03:39Eu, enquanto usuária, sou só uma pessoa, mas o mundo vive com a saúde mental comprometida.
03:48Isso é uma questão mundial.
03:50Então, a gente precisa, sim, olhar para a saúde mental como prioridade da prioridade.
03:56Ela precisa ser a prioridade da prioridade, porque com a saúde mental,
04:01as coisas fluem melhores nas vidas da gente.
04:04Nenhum passo atrás, manicômio nunca mais.
04:09Nenhum passo atrás, manicômio nunca mais.
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