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  • há 2 dias
Moradores de Mosqueiro, distrito administrativo de Belém, denunciam a precariedade da saúde pública na ilha, um dos destinos turísticos mais procurados do Pará e que recebe visitantes de diversas regiões do Estado e de fora dele. Os relatos apontam dificuldades no atendimento do Hospital Geral de Mosqueiro e nos postos de saúde da ilha, incluindo falta de exames, demora em transferências, ausência de medicamentos e carência de estrutura para atender pacientes em estado grave.

Reportagem: Dilson Pimentel

Imagens: Ivan Duarte

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Transcrição
00:00O meu pai é um problema grave que ele está, ele começou pela próstata, então daí foi agravado por rim,
00:08por fígado,
00:09passou um problema no fígado dele, mas o problema dele mais complicado é no rim,
00:15é no rim porque ele já está indo para uma fase daqui, ele está inchando demais.
00:20Aí sabe o que acontece para a gente? É uma tortura.
00:22Ele já está aqui há quanto tempo?
00:25Já está quase um mês.
00:27A senhora quer que ele seja transferido o mais rápido possível?
00:30Porque cada dia que eu passo aqui, é como se ele estivesse balançando aos poucos, sabe?
00:35Porque ele não conseguiu falar direito, ele só olha para a gente e começa a chorar querendo ir para casa.
00:42Qual é a idade do seu pai?
00:44Ele fica de 75.
00:45O que o hospital fala para a senhora?
00:47Isso, fala aquilo que a gente já sabe, que o caso dele é grave,
00:51e a última vez que a médica veio aí, ela falou, e eu falei sobre o leito que está lá
00:57em aberto, lá na central,
00:59ela disse que o estado dele é meio difícil, né?
01:03Ele saiu agora, que era para a gente ficar mais próximo deles,
01:07porque é o que mais a gente tem que fazer agora.
01:10Quase assim, dizendo que se ele tivesse já, não tivesse mais chance.
01:14Ou seja, para que vocês se conformarem...
01:17É, eu coloco essas palavras que eu já disse, né?
01:19O problema dele não fica e tal também, aí é complicado para a gente.
01:24Ficar todo dia ouvindo uma resposta crítica, né?
01:28Porque não é a favor para a gente, nem para ele.
01:31Porque aí ele olha para a gente, a gente não sabe o que falar,
01:34não sabe o que dizer para ele, a gente está confortável,
01:36sabe dizer que a gente vai sair daí, vai ficar melhor, né?
01:39E é isso, a gente fica sempre esperando, né?
01:43Porque a última palavra é de Deus.
01:45Então, a gente está na expectativa, né?
01:47A gente já corre para todo o contexto,
01:48a gente tem pessoas conhecidas, né?
01:50Da minha patroa que trabalha na Assembleia,
01:52correndo atrás dos deputados para ver quem é que consegue.
01:56Mas até agora, parece assim que está dando tudo para trás.
02:00Nada para frente.
02:02Será que pode falar o nome do seu pai?
02:04É, Antônio Carlos Prutalde.
02:06É muito complicado, né, a gente viver nessa situação que a gente está,
02:10porque aí a gente vê muita gente saindo de transferência, né?
02:13E aí o papai vai ficando.
02:14Por exemplo, hoje foi o senhor.
02:16Mas o dele era outro caso.
02:18Mas aí cada vez que passa, vai só transferindo,
02:21as pessoas, o meu pai vai ficando, vai ficando.
02:23Nas últimas internações, a primeira,
02:25ele foi numa quarta-feira e voltou na sexta.
02:28Aí a segunda, ele saiu na segunda e voltou na sexta-feira.
02:33Aí depois, de novo.
02:36Aí depois, numa sexta-feira, tudo é assim, sabe?
02:38Os finais de semana.
02:39Aí ele está lá.
02:40Tem vezes que ele, a semana retrasada, ele conseguia falar.
02:44Agora ele já não está conseguindo falar direito, né?
02:46Quais são os problemas que vocês enfrentam aqui no Hospital Geral de Mosqueiro?
02:51O Hospital de Mosqueiro, a dificuldade é muito grande.
02:56Faz duas semanas que eu perdi meu primo aqui.
02:58E quando a gente precisou do apoio do hospital, a gente quase não teve nada.
03:04Quando a gente encarou a realidade de frente, a gente viu a dificuldade da saúde que está Mosqueiro.
03:10Porque meu primo, ele entrou com forte dor de cabeça e ele precisava urgentemente fazer uma tomografia.
03:15Que no hospital não tem esse recurso.
03:18E aí o estado dele veio a ser muito grave e ele precisava de uma transferência com leito de UTI.
03:25Para ele estar fazendo esse exame.
03:29E depois de uma semana que a gente conseguiu, através de correr para o Ministério Público.
03:34Só assim que a gente conseguiu um leito em Belém de UTI.
03:37Sabe que é muito difícil de achar um leito desse.
03:39E quando a gente encontrou, quando a gente conseguiu leito, já foi tarde demais.
03:44Porque ele passou uma semana internado aqui.
03:46Então o hospital daqui, ele não tinha estrutura para receber um paciente desse.
03:51E o tempo que a gente passou, quando a gente conseguiu, já foi tarde demais.
03:56Quando a gente conseguiu a transferência dele, quando ele deu entrada lá em Belém, no hospital, no Abelardo Santo.
04:03Ele veio a falecer.
04:04Ele não aguentou nem fazer a tomografia que ele precisava fazer.
04:08Além desse problema, quais são as outras dificuldades que vocês enfrentam?
04:12Demora no atendimento?
04:13Demora no atendimento, é medicação.
04:16Às vezes, nossos filhos, eu particularmente, porque as minhas filhas ficam doentes.
04:20Eu não gosto de trazer porque não tem uma medicação.
04:25Então, não é só aqui no hospital.
04:27É nos portinhos de todo Mosqueiro também que vem enfrentando essa dificuldade de atendimento, de medicação, de tudo.
04:34Qual é o apelo que a senhora faz para as autoridades para melhorar a vida de vocês?
04:40O que nós, moradores daqui de Mosqueiro, nós, moradores, que estamos aqui todos os dias, precisa desse hospital.
04:48É que esses governantes, que esses políticos, olhem para o Mosqueiro.
04:52Que eles, prestem mais atenção, que aqui a gente precisa, quantas pessoas estão morrendo com dificuldade, que não tem um
05:06equipamento certo, um atendimento bom.
05:11Tem problema de fila, de demora no atendimento?
05:19Eu sei que não é culpa de muitos, tem muitos médicos bons aqui.
05:26Enfermeiro também, mas eu não sei o que acontece.
05:30Eu não sei o que acontece com o atendimento daqui.
05:33Se vocês tiveram que fazer um protesto para conseguir leito com conhecido de vocês, como é que foi isso?
05:40A gente resolveu fazer o protesto, porque a gente esperou seis dias, esperamos pela juíza, assinou tudo, corremos com todos
05:47os amigos que a gente pude, mas não conseguimos o leito.
05:50A nossa única opção foi fechar o portal de Mosqueiro, para poder ter um resultado.
05:56Foi que quando a gente fechou o portal, eles prometeram que meio dia a ambulância vinha buscar ele e conseguiram
06:02o leito para ele.
06:02A gente esperou até quatro horas da tarde, mentiram para a gente, não veio.
06:06A gente tornou fechar o portal de novo.
06:08Depois de quatro horas, aí tornaram daqui e já vinha a ambulância.
06:12Foi que quando foi mais seis e meia, a gente conseguiu, porque foi que a ambulância veio para a gente
06:16liberar o portal, né?
06:17Porque se a gente não fizesse isso, a gente não ia conseguir nada.
06:19O menino tinha morrido aí, como morreu os dois na semana antes, porque a gente não conseguiu o leito.
06:25Então a nossa única opção foi ter feito isso.
06:27Você falou que aconteceu com o primo seu, né?
06:30Foi, meu primo Edneu morreu numa semana antes, porque teve um AVC e o problema foi na cabeça e não
06:36conseguimos também leito.
06:38Quando conseguimos, foi tarde demais, não teve jeito para ele, mas ele morreu aí.
06:41Agora, Rose, isso mostra a situação precária da saúde aqui em Mosqueiro.
06:45Infelizmente, o Mosqueiro está largado, abandonado.
06:48Às vezes a diretora de lá diz que tem que entrar em acordo, mas todo tempo é esse acordo que
06:53eles nunca resolvem nada, né?
06:55O senhor vai procurar um remédio, o senhor não tem.
06:58O senhor vai procurar fazer um exame, também não tem.
07:00Verdade que não tem nada, não tem nada.
07:02Nada que o senhor procure um médico, o senhor tem que livrar de adoecer, porque não tem, senão o senhor
07:06vai morrer.
07:07Como está acontecendo, que muitos morrem, o senhor tem um conhecido alguém, o senhor ainda resolve alguma coisa.
07:11Mas se o senhor não tem, o senhor vai morrendo lá.
07:13Isso, você está falando do Hospital Geral de Mosqueiro?
07:16O Hospital Geral de Mosqueiro, quanto os postos de saúde, que tem Caranaduba, que tem o Maracajá, né?
07:22Que tem os outros daqui, que a gente não tem nada.
07:23Não tem apoio de médico, nem medicação, nem nada.
07:27E nesse caso, o que os pacientes têm que fazer? O que os usuários têm que fazer?
07:31Os usuários, para manter o paciente, nós temos que comprar as coisas para mandar para dentro do hospital,
07:36porque se a gente não compra, eles não têm.
07:37E mesmo o senhor comprando o material, como aconteceu do desse Pedro,
07:41que a gente comprou o material para ele, tudo de higiene, limpeza,
07:45e o menino chegou praticamente podre, com infecção, no hospital, porque não faziam a higiene dele no hospital, né?
07:51É mesmo a gente comprando o material, não faziam.
07:55O Pedro, a senhora cita, que é conhecido como Pedroca.
07:58É, o Pedroca, que sofreu o acidente, que passou seis dias aí, que ele chegou no hospital,
08:02numa beneficência com muita infecção e fedorento, porque tinha o material que a gente comprou
08:08e não faziam a limpeza que devia ser feita no menino.
08:11Por isso vocês fizeram o protesto?
08:12Por isso a gente fez o protesto para tentar salvar ele, ele se encontra em coma,
08:16porque está esperando a resposta dele agora, né?
08:19Porque ele fez a biocirurgia lá, mas se a gente não faz isso, eu acho que ele já tinha morrido
08:23já fazia tempo.
08:24E o que vocês estão pensando? Vocês estão pensando se organizar no momento?
08:27Se não ter, mas se não ter uma coisa, uma resposta, né?
08:31Que a gente está esperando, ver se a gente fez esse protesto, ver se melhora alguma coisa.
08:35Se não melhorar, a gente vai fazer uma mobilização de novo, Mosqueiro,
08:39porque não é justo o Mosqueiro só procurar em nosso tempo de eleição.
08:42Quando chega fora de eleição, abandona o povo aqui.
08:45Não é só a saúde que nós estamos perdidos, nós estamos perdidos.
08:48Ruas não prestam, rolas não prestam.
08:51Tem lugar que o senhor não consegue passar, como o Bonfim.
08:55Eles fazem capa nas principais vias, mas nas ruas é abandonado.
09:00Mesmo nas vias que são públicas, como o Banho do Sol, como uma via muito grande,
09:04é toda buracada, não presta.
09:07Transcrição e Legendas Pedro Negri
09:12Amém.
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