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  • há 2 dias
A população de Belém e de outros municípios do Estado do Pará tem agonizado na espera por atendimento no Hospital Pronto-Socorro Mário Pinotti, localizado na travessa 14 de Março, no bairro do Umarizal, em Belém. Vários relatos de familiares de pacientes, servidores e órgãos públicos apontam que o atendimento tem piorado no hospital. Uma das situações recentes mais graves foi a suspensão do atendimento de neurocirurgiões no PSM da 14. Pacientes que necessitam de cirurgias graves e delicadas no cérebro morrem sem atendimento em leitos espalhados pelos corredores. Eles reclamam ainda da falta de estrutura, medicamentos, leitos e do mau cheiro pelos corredores do hospital.

Reportagem: Vito Gemaque

Imagens: Wagner Santana

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Transcrição
00:00Cara, ele tá esperando um leito que é pra ele ser operado, é tipo, é o pulmão dele, só tá
00:05esperando uma transferência, aí só que já tá o que, uns 10 dias aqui já, e tipo, lá em cima,
00:13lá no cima, não tem nem cadeira de roda, o elevador esses dias tava até quebrado, e a galera não
00:21tem como é que fala, é recurso, recurso tem aliás, né, a galera não faz nada por isso daí, mano,
00:28porque prefere dar show por aí do que botar duas cadeiras de roda no andar, eu acho que um show
00:35que a gente não desse por aí e botasse 10 cadeiras de roda, estaria muito melhor do que show por
00:39aí, a gente não vive de cultura, a gente vive com saúde, saúde é o que importa mais pra nós,
00:44cultura, só pra encher o dinheiro dos outros por aí, nós estamos aqui morrendo, tá doida?
00:50Tá no quarto hoje, mas só que, olha, como aconteceu lá, entraram lá na sala lá e pediram as cadeiras,
00:55falaram que o trocate, que vai vir amanhã, dia vem cadeira nova e os acompanhantes ficam, não tem, ficam em
01:03pé lá, fica aleatório lá, isso é, como é um matadouro, é um matadouro.
01:08Até que a galera, tem gente que quer trabalhar, a galera daí tem bastante atenção, mas só que tipo, acho
01:16que é o recurso que a galera não disponibiliza, não tem esse recurso, somos de Belém mesmo.
01:27O rapaz que tá lá do lado, que é de Canaã, Canaã lá do lado, mas esse é de Belém,
01:32pô, ele começou a se sentir mal, já teve uma queda e bateu o pulmão dele, tá inflamado, agora ele
01:37tá esperando uma encaminhação pra operar, só tipo, cadeira de roda, cadeira pra acompanhante não tem, tipo de remédio, essa
01:44atenção, a galera dá bastante essa atenção, mas só que tipo, a espera sempre vai ser longa, né, mas aí
01:52não tem como o paciente ficar muito tempo aí,
01:56e o acompanhante também, pô, e espero que nunca me falte, mas, ah, que é broca daí, papai, eu não
02:03comi dois dias aí, mano, e agora eu quero ver mais um pouquinho de tempero, que antes era brancona, tinha
02:10nadinho, tem muita coisa pra melhorar, mano.
02:13Mas, eu acho que era mais oito, faz nove horas, é por aí assim, aí pegaram, deixaram ela lá na
02:18maca, no corredor, tipo um bicho, ela tá ali tipo um bicho, não atenderam ela, e quando foram atender, já
02:24foi hoje, de manhã, que atenderam ela,
02:27e fizeram o exame, é quando foi quatro horas da tarde, aí falaram que tinha que dar um jeito de
02:33levar ela, mandaram chamar toda a família, toda a família veio,
02:36aí falaram que tem que levar ela, porque não tem mais jeito, porque deu derrame cerebral, aí ela não, só
02:43um lado que tá funcionando dela, mas não deram remédio, não deram nada pra ela,
02:48ela tá lá, jogada na cama lá, entendeu, aí a minha tia que tá aí, meus tios, como é que
02:52a gente vai deixar ela jogada, e eles falaram que eles não podem fazer mais nada,
02:56se a gente quiser levar, a gente leva, a gente leva ela pra ela morrer em casa mesmo.
03:03Eles falaram que não tem neuro, que tão tudo, que não tão aí, porque não pagaram, não sei o que,
03:08é o que eles falam.
03:09Mas eu quero que você chegue aí dentro e entre, eu quero que você veja como tá, de imundice.
03:14Como é que tá a situação aí dentro?
03:15Tem um mundo, imundo, fede que só tem gente que tá jogada até no chão, bem dizer, os pacientes jogados
03:21no chão lá, a família, tudo o que eles não olham.
03:25Você entra e você vai ver, do jeito que tá.
03:27Tá um falso mesmo, uma porcaria tá, porque agora, olha, minha avó tá aí, eles não tão fazendo nada, eles
03:32que não vão nem dar remédio pra ela,
03:34como é que o hospital, eles desvam e deixam ela morrer mesmo, porque com tudo ela já tá, porque com
03:40tudo ela tá batendo o coração dela, entendeu?
03:43Mas eles não tão fazendo nada, tá lá jogada.
03:47Como é que ela tá, ela tá assim, a gente tá falando alguma coisa?
03:49Não, ela não tá falando nada, ela só mexe com o lado da mão, a gente coloca, a mão ela
03:54aperta, ela aperta o lado da mão,
03:57mas abre o olho, ela não abre, ela não se mexe mais, só o lado, o lado direito dela,
04:04parou, aí ela só mexe com isso aqui.
04:07Diz que falaram que eles não podem dar transferência, porque o, como é, a central do leito não vai aceitar,
04:14porque devido ela ser velha, né?
04:16Aí diz que falaram que dão mais preferência pra pessoa mais nova.
04:21Entendeu? Vão dar preferência pra pessoa mais nova, porque a pessoa que não tá, que tá precisando mais do que
04:26ela.
04:26Foi isso que o meu tio escutou.
04:29Então, diz que falaram que eu quero que você entre aí e você veja a imundícia aí dentro, a imundícia
04:33aí dentro.
04:34Tem pessoas lá que chegam e ficam no banco, a gente, como vai levar ela, fica lá, esperando,
04:40bem dizer, como ela disse, morrer.
04:42A gente, pra falar a verdade, não sabe nem o que fazer nessas horas, porque, como dizem,
04:46olha, agora minha tia vai ficar lá dentro com ela, aí minha outra tia já vai, entendeu?
04:50E até, como eles falaram, que ela vai ficar lá, até ela morrer e, ou então, se a gente quiser,
04:57a gente tem que levar pra casa, eles não dão nem possibilidade de uma ambulância pra poder levar ela.
05:02Eles falaram que não pode.
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