00:00Bom, primeiro que tratar desses impactos, a primeira coisa que a gente precisa fazer é eliminar a desinformação.
00:09É tão importante tratar esse assunto com responsabilidade, pois uma desinformação pode criar uma perda de oportunidades,
00:23talvez muitas delas até meio irrecuperáveis.
00:26É claro que precisamos, sim, esclarecer, mostrar realmente o que realmente causa impacto, quais são os impactos,
00:35e a partir daí criar as medidas mitigadoras.
00:38O mundo inteiro tem hidrovias e tem as hidrovias como um ativo econômico, geopolítico, extremamente bem estruturado,
00:52implantado e interação com as comunidades locais, o mundo inteiro.
00:59Então, não é possível que só aqui não há capacidade de se repetir boas práticas que no mundo estão consolidadas.
01:07Essa é a nossa visão.
01:08É claro que, inclusive, bem a propósito, estamos com um grupo de especialistas, envolvendo, inclusive, as universidades,
01:16especialistas do setor de navegação, buscar conhecer o mais profundo possível sobre o tema.
01:26Defender as hidrovias não se trata de uma questão econômica.
01:31Ela tem uma questão econômica, sim, ela tem uma questão de oportunidade empresarial, sim,
01:36mas para nós tem um desdobramento socioambiental importantíssimo sobre a navegabilidade de forma democrática, universal,
01:47não só para atender as traders, não só para atender as exportações.
01:53Nós precisamos, nós entendemos a importância de cadeias produtivas sólidas,
01:58cadeias produtivas que tragam emprego formal,
02:01cadeias produtivas que estão solidificadas em atividades legais,
02:07para que isso seja também elemento para combater uma atividade ilegal que tem proliferado.
02:15Então, este é o entendimento nosso, enquanto representantes da indústria,
02:22e vamos amadurecer, estamos dispostos a dialogar com quem quer que seja,
02:28para poder desmistificar, às vezes, ou equívocos, ou de forma de mais intenções
02:37em propagar narrativas falaciosas, mentirosas, que depois de jogada ao vento,
02:43é difícil, toma-se muito tempo para poder recuperar e desfazer essa narrativa, no mínimo, tendenciosa.
02:56Acho que, hoje, é um grande impeditivo, porque, ao fim e ao cabo,
03:03em que pese a uma legislação extremamente rigorosa que nós estamos sujeitos,
03:08é importante que se mantenha esse rigor,
03:13entendemos que a licença social para operar, ela toma uma conotação sem igual.
03:20Isso é muito justo, é muito válido, legítimo, e é um grande ponto de crescimento, de amadurecimento,
03:28porque provoca a participação.
03:31E aí, ao momento que se coloca a participação, e se coloca a sentar à mesa,
03:36comunidades tradicionais, ribeirinhos, sociedade civil em geral, academia, empresários,
03:43por mais difícil que possa parecer no primeiro momento,
03:46por mais reativo que alguns discursos possam estar,
03:50de certo que, com o tempo e com o exercício do diálogo,
03:56de certo que vai se encontrar soluções,
03:59pois o mundo tem se mostrado assim, basta entender a história,
04:04basta querer, basta ter a intenção, realmente, de convergir, de consentir,
04:09e, como eu disse ontem, abrir mão de verdades absolutas, parciais,
04:15em prol de uma verdade coletiva, de uma verdade consensuada,
04:20uma verdade que traga benefícios a todos.
04:22O Pará, como eu disse há pouco, é realmente uma província mineral
04:25e tem, dispõe de reservas que nos colocam como um dos principais atores
04:34nesse futuro próximo e como, estrategicamente, muito importante
04:40nessa corrida pelos minerais críticos.
04:45Eu estive participando recentemente de um congresso de mineração no Canadá
04:50e tive a oportunidade de ser brindado com uma aula de um especialista sobre o assunto
04:55que mostrou especificamente o que vai ser com o mercado do cobre.
05:03O Pará é um grande produtor e tem, dentro do nosso estado,
05:07grandes reservas, vai se tornar, talvez, o principal produtor de cobre.
05:13E no mundo inteiro já há pesquisas que o cobre é um mineral crítico
05:19necessário para muitas coisas, inclusive o que nós estamos fazendo aqui,
05:22sendo filmados, falando ao telefone.
05:25E por aí vai, sem se falar da energia elétrica, sem se falar de aquecimento,
05:30por uma série de razões, mas, fundamentalmente, o cobre já se sabe
05:35que o que se produz é menos do que a demanda que ela vai apresentar daqui a 2040.
05:42Ou seja, e depois as reservas mundialmente vão decair.
05:48Então, existe uma janela de oportunidades.
05:51E o Brasil tem perdido esse timing de se apropriar melhor dessas janelas de oportunidades.
05:59Eu digo isso para minerais críticos, eu digo isso para a margem equatorial,
06:02que nós estamos há anos patinando, por quantas vezes de caprichos.
06:08Eu não estou falando de zelo, extremo zelo, com relação às questões ambientais.
06:12Existe um limite para tudo.
06:14E quando se transcende limite, é muito complicado, porque a sociedade toda paga um preço muito alto
06:20pela perda de oportunidade.
06:22Talvez as autoridades competentes precisam revisitar seus conceitos, suas ideologias,
06:29e tentar harmonizar mais, e atribuir esses limites, e respeitar mais esses limites,
06:34porque tudo que transcende, aquilo que exagera, acaba havendo um prejuízo, e o prejuízo é coletivo.
06:42Então, seja na agenda de minerais críticos, seja nas oportunidades do próprio Pará,
06:47me perdoe, desviar um pouco do foco dos minerais críticos,
06:52mas nós temos aqui os biocombustíveis também com um grande potencial.
06:56Se nós estamos sofrendo, todos nós sofrendo com o preço dos combustíveis nas bombas,
07:02nos postos de gasolina, sabemos que isso advém de um conflito, de uma guerra,
07:07que é recorrente, cada vez mais recorrente, esses conflitos.
07:10E hoje nós temos o etanol, temos o biodiesel, que podem ser anteparos
07:16para que toda a sociedade se proteja mais, o Brasil se mantenha mais protegido
07:20de instabilidades advindas de conflitos, advindas de guerras,
07:25advindas de questões de tarifácio, geopolíticas.
07:29Então, as oportunidades estão aí.
07:31Nós precisamos realmente sentar a mesa e discutir com transparência,
07:35com a capacidade, com a vontade de querer convergir.
07:40Porque o reativismo, o antagonismo, não está fazendo bem para o nosso Estado,
07:46e não vai fazer nunca. Essa é a nossa percepção.
07:48A província de Carajás, ela tem mapeada uma possibilidade fantástica de crescimento
07:55e atender grande parte dessa demanda que, num período curto a médio,
08:01estão aí já estabelecidas como fato, realidade, demanda vai existir.
08:07Ou nós aceleramos esses processos e aí uma sugestão é que haja um pacto
08:14entre público, setor público e privado, empresas e setor público, secretarias, licenciadores,
08:20que façam pacto para fazer um plano estratégico de atendimento
08:24para que nós sejamos capazes de atender essa demanda,
08:27não deixar para que outros atendam.
08:29O mundo, como eu disse há pouco, vai precisar da produção, do concentrado de cobre.
08:34Nós temos. Nós vamos abrir mão para que outros ofereçam ao mundo
08:38ou nós vamos aproveitar essa necessidade e internalizar a riqueza
08:43e fazer com que isso prolifere outras cadeias produtivas,
08:48por exemplo, da bioeconomia, que o recurso advindo dessa atividade
08:52possa estimular e incentivar outras cadeias produtivas
08:56que o Pará também é pródigo e tem a capacidade de crescer.
09:00Então, a oportunidade, como eu disse, não quero ser repetitivo,
09:03está diante dos nossos olhos.
09:05Basta que nós sejamos competentes, inteligentes e estratégicos
09:09para poder nos apropriar disso da melhor maneira possível.
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