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  • há 7 semanas
O presidente da Federação das Indústrias do Pará (FIEPA), Alex Carvalho, avalia 2025 como um ano de desafios e avanços para o setor produtivo do Estado e afirma que 2026 será decisivo para a consolidação de uma agenda de desenvolvimento industrial no Pará. Em entrevista exclusiva ao O Liberal, ele defende a preparação antecipada para a reforma tributária, destaca a importância da bioeconomia na geração de emprego e renda e critica a discussão sobre a adoção da escala 6×1, considerada inoportuna para o atual cenário econômico.

Repórter: Gabi Gutierrez
Repórter fotográfico: Thiago Gomes

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Transcrição
00:00Bom, queria primeiro que você fizesse um balanço, uma análise sobre como foi esse ano produtivo de 2025 para Belém e para o Pará.
00:08Sim, acho que tanto produtivo quanto talvez um dos anos mais desafiadores das nossas vidas.
00:16Seja como cidadão, seja como cidadão paraense, todos os desafios que a nós foram postos e todas as superações.
00:23Acho que é um ano de grandes superações, não só pela COP30, mas por tudo que ela proporcionou como um exercício de preparação para o evento,
00:35mas também conquistar espaço, ter mais vez, ter mais voz e fazer com que essa voz pudesse representar, de fato, anseios e diretrizes para, aqui no caso da indústria,
00:51nós continuamos a ter um papel determinante no desenvolvimento socioeconômico, trazendo cada vez mais as componentes de conscientização ambiental.
01:05Então, um breve retrospecto é uma transformação de desafios em superação e hoje, ao fechamento do ano, um sentimento de dever cumprido.
01:17Assim como, numa perspectiva muito positiva de dar continuidade a um processo que é dinâmico, necessário e que a gente possa encontrar como ponto de convergência
01:30o equilíbrio entre a agenda de sustentabilidade ambiental, de responsabilidade social e desenvolvimento econômico.
01:37A gente mal sai de um desafio e já encontra tantos outros pela frente.
01:40E ano que vem é um ano também que traz atenção, nossos olhares.
01:48Obviamente, vamos ter uma eleição em 2026, uma eleição majoritária.
01:55Isso a gente sabe que acaba impactando no ambiente econômico, mas trazendo um pouco para o recorte do Estado do Pará,
02:03nós temos alguns sinais que são bastante favoráveis.
02:09Nós temos hoje, ao fechar de 2025, uma interação mais fortificada com o setor público em geral,
02:19sempre de forma respeitosa, transparente, com defesa de interesses setoriais e industriais,
02:25mas sempre pautados naquilo que é realmente melhor para o desenvolvimento socioeconômico do nosso Estado.
02:32Temos sinais de avanço significativos.
02:36Acho que 2026 pode consolidar uma agenda de desenvolvimento que vai proporcionar a otimização, por exemplo,
02:46de uma bioeconomia extremamente rica e que pode se transformar num grande vetor de geração de empregos,
02:54de geração de renda, convertendo esses bioativos, bioinsumos, em processos de industrialização dentro do nosso território.
03:05Pensar uma política de atração de investimentos que possa não só amplificar a cadeia produtiva industrial do nosso Estado,
03:13fortificando, diversificando e, fundamentalmente, trazendo agregação de valores a todos os segmentos envolvidos.
03:21Isso é o que a gente acredita como a grande transformação do nosso Estado.
03:27Se, por um lado, somos a principal potência do Brasil nos insumos agropecuários, na produção agropecuária,
03:37nós ainda temos posição tímida sob o aspecto da capacidade de internalizar a industrialização.
03:43Então, criar modelos, facilitar e incentivar a atração de investimentos industriais e a agregação de valor dentro do nosso território
03:54passa a ser, de uma forma mais acelerada, a grande expectativa para 2026.
04:00Lembrando que, em 2032, teremos uma nova regra sobre o aspecto tributário, que vai nivelar a todos de igual maneira.
04:07Se nós não tivermos, até lá, uma estruturação que permita que a gente seja capaz de competir,
04:16nós vamos sofrer uma perda significativa da capacidade de competitividade e, com isso,
04:23temos um risco de perder grandes indústrias, um grande número de indústrias,
04:27e, ao perder em grandes números de indústrias, perderemos um grande número de empregos também.
04:31Então, é um trabalho que temos tempo para poder dar conta do recado e executar bem este serviço, essa missão.
04:40Então, e nós entendemos que há, no governo do Estado, uma sensibilidade, uma intenção de fortificar essa agenda
04:50para que a gente chegue lá, chegue pronto para esse novo estado da arte que vai ser implantado a partir de 2032.
04:58Nós, em 2026, falo aqui de primeira mão, vamos lançar um programa, vamos chamar o Mapa do Caminho até a Reforma Tributária.
05:09O que cada um precisa entender como indústria, como setor industrial, a todos os envolvidos,
05:17sejam CEOs das empresas, C-level das empresas, sejam contadores, advogados,
05:25mas fazer um amplo debate de preparação, de preparação para esperar chegar em 2032 e aí nós entendemos o que fazer.
05:35O ponto de equilíbrio que vai trazer a solução para mitigar esse risco de evasão industrial do Estado do Pará
05:44é que a gente enderece bem a regulamentação dos fundos de compensação,
05:51a aplicação desses recursos para que a gente possa converter isso em captação de investimentos,
05:57de ampliação da base industrial e manutenção da base que aqui temos hoje.
06:04Tudo que estiver envolvido dentro dessa jornada, vamos dizer, ou deste mapa do caminho,
06:10vai ser debatido até lá. A ideia é que a gente já inicie isso em 2026,
06:16faça uma profunda discussão e aprendizagem.
06:21E aprendizagem de encontrar, não sei se é um mapa do caminho,
06:24o melhor caminho para se chegar lá e se enxergar bem,
06:28protegendo não só a indústria paraense, mas o encadeamento produtivo,
06:33valorizando o encadeamento produtivo que a gente pense de forma integral e não segmentada.
06:39A intenção não é pensar o papel da indústria, mas como a indústria é o ponto de chegada,
06:45a partir da indústria, o que se passa a ter a partir de então é a comercialização
06:50e a entrega dos produtos para o consumidor final,
06:53o que é que precisa ser entendido para que toda essa esteira produtiva seja viável
06:58e que o máximo possível esteja internalizado no Estado do Pará?
07:02A indústria do Pará, ela se destaca no nível nacional, em 2025,
07:09como um dos Estados que mais houve crescimento nos números de empregos,
07:14na geração de empregos dentro do nosso Estado.
07:17Particularmente aqui, para a nossa realidade, a Constituição Civil teve uma contribuição significativa,
07:23por óbvio, dado ao nível de concentração de investimentos, principalmente em 2025,
07:29para poder atender a demanda da COP30.
07:32Mas também, na esteira desse crescimento, o mercado imobiliário também se mantém aquecido
07:38e é paradoxal, porque em níveis de taxas de juros tão altas como estão,
07:47ter uma resultante positiva é de muito de se comemorar.
07:51O que é que nós esperamos para pensar no 2026?
07:57Para manter esse nível de destaque da indústria paraense,
08:02nós precisamos, sim, incrementar e acelerar setores que são decisivos,
08:11por resultados numéricos.
08:12A mineração é um deles, a Constituição Civil é outro segmento bastante impactante,
08:17mas entender uma pluralidade de setores que ainda estão invisibilizados e potencializados.
08:27Eu digo isso remetendo à bioeconomia.
08:30Bioeconomia, nós não temos dados econométricos que pudesse,
08:33que nos traga com certeza a garantia de quanto que a bioeconomia incrementa no PIB do Estado.
08:41Também faz parte de um projeto da Federação entender melhor esses números
08:45para poder, a partir daí, não só buscar diretrizes, construir diretrizes
08:50para que se possa entender esse mercado, mas as potencialidades.
08:562025, ao fechamento deste ano, nós temos muito, sim, a comemorar,
09:04mas temos muito ainda a crescer.
09:06A despeito das questões macroeconômicas, eu tenho muita esperança que em 2026 a gente ainda tenha um bom ano.
09:19Talvez não tão bom em aspectos de geração de emprego,
09:23em níveis não tão altos quanto se conseguiu em 2025.
09:29Mas, de certa forma, por tudo que se criou de atrativos em Belém,
09:38de tudo que se criou como colocando o Estado do Pará em evidência,
09:43há uma nítida percepção de que muitos daqueles preconceitos que tinham com relação a investir no nosso Estado
09:51estão sendo superados.
09:52A COP nos ajudou muito, a COP30 nos ajudou muito para romper barreiras.
09:56Uma delas é do preconceito.
09:57Então, me parece que vai ser um ano de colheita,
10:03no sentido de muito do que se viu,
10:07o que o mundo viu aqui durante a COP30,
10:09muito do que se...
10:11É diferente da impressão que se tinha.
10:14Se nós conseguirmos fazer uma conversão
10:17dessa mudança de mindset,
10:20do interesse externo para trazer investimentos para o nosso Estado,
10:24de até mesmo empreendedores locais,
10:26de terem um impulso, um impulsionamento para poder empreender seus negócios,
10:31nós vamos conseguir iniciar uma nova era,
10:35uma nova área de desenvolvimento econômico sustentável.
10:38Isso nos traz um olhar, não só para o 2026,
10:42mas um início de um novo momento.
10:45Nós fomos impactados por conta das estremecidas no âmbito geopolítico.
10:53Tivemos um tarifácio, tivemos um rearranjo no mercado global.
10:57E isso proporcionou, digamos assim, uma oscilação.
11:03Entende-se que há uma tendência momentânea
11:07de ter mais equilíbrio,
11:11de ter mais uma previsibilidade.
11:14Mas, se não houver nenhum outro ponto de desacerto,
11:21a tendência é que a gente recupere.
11:24Eu me refiro, por exemplo, ao açaí.
11:27É um produto bastante importante para a pauta de exportação do nosso Estado.
11:31E ele sofreu as oscilações ao longo do ano.
11:34Então, com essa estabilidade momentânea que a gente vê,
11:37se isso perdurar em 2026,
11:39a gente tende a ter um ano bom para exportações da cadeia do açaí.
11:44Refiro ao açaí, mas tem uma série de outros produtos também
11:47que fazem parte da pauta de exportação,
11:52produtos florestais, produtos advindos de madeira,
11:55de manejo florestal sustentável.
11:58Então, são insumos industriais do nosso Estado
12:03que têm uma importância significativa.
12:05Não só pela geração de emprego,
12:07a indústria paraense atingiu a marca de 250 mil empregos diretos.
12:13Nós crescemos, nós temos um crescimento mais diversificado,
12:22o que ainda é um desafio.
12:24E acho que também, olhando o copo meio cheio,
12:28estamos muito próximos de virar a chave,
12:30de nos libertar pouco a pouco
12:34de sermos uma indústria majoritariamente extrativista.
12:39Um dos exemplos que eu, certamente, preciso registrar
12:45e até por ter participado efetivamente,
12:50nós tivemos uma ideia em 2024 de lançar um manifesto.
12:56Um manifesto que chamou-se Jornada COP+.
13:00Mas entendendo que a COP seria um evento
13:05e o mais significando o futuro após a COP.
13:09Então, entendendo a COP como um ponto de transformação,
13:13um grande ponto, um grande turning point.
13:17E essa jornada, ela ganhou forma, ganhou corpo,
13:22ela se multiplicou, se multiplicou e mais de 180 pessoas atuando
13:27de vários setores, seja do terceiro setor, da academia,
13:32do setor empresarial.
13:33Uma interação de dez eixos temáticos,
13:38cinco deles específicos e cinco transversais.
13:41Comunicação, por exemplo, e a de golpe, isso da nossa região,
13:44fez parte da transversalidade.
13:46Infraestrutura também fez parte da transversalidade,
13:49porque como se pensar em bioeconomia
13:51se a gente não tem uma infraestrutura adequada
13:53para poder criar uma logística que seja minimamente competitiva?
13:56Por que não pensar em infraestrutura como um ativo social?
14:00Porque a infraestrutura adequada,
14:02ela permite que nossos alunos das comunidades rurais
14:05tenham acesso à educação de qualidade,
14:07conectividade, acesso à internet,
14:10ter a capacidade de criar uma rede de cultura, de educação.
14:14São questões básicas que tudo isso são transitórias
14:18dentro do aspecto da infraestrutura.
14:20A partir disso, pensar em questões específicas,
14:24como a bioeconomia, como a transição energética.
14:29Estamos diante de um potencial da exploração da margem equatorial.
14:34Se nós encontrarmos que há reservas de petróleo,
14:38ótimo para o Brasil e melhor ainda para a nossa região,
14:41para o nosso Estado.
14:42E já defendendo que os recursos advindos dos royalties
14:47precisam e necessariamente precisam estar direcionados
14:51ao fortalecimento do futuro.
14:54Do futuro que é a nossa riqueza, a nossa bioeconomia.
14:58Transformar isso em ativos com escala,
15:00com escala e que possa coexistir.
15:04Atividade econômica com conservação ambiental.
15:07Então, pensar também os desafios da transformação digital.
15:12Nós precisamos competir com o mundo, de igual para igual.
15:15Temos capacidade de ser, não só um problema para o Brasil,
15:20temos a capacidade de ser solução para o Brasil.
15:22Creio que nesta jornada que eu me refiro,
15:26trouxe não só muito conteúdo dos caminhos possíveis,
15:29não por acaso entregamos,
15:31por ocasião da Semana do Clima em Nova Iorque.
15:35Nós entregamos ao presidente André Correia do Lago
15:37as diretrizes para uma economia de baixo carbono.
15:40Nós nos colocamos como partícipes desse processo de transformação,
15:46como colaboradores daquilo que é uma agenda global.
15:50Mas não abrimos mão de dizer que, enquanto o Brasil não entender,
15:55o Brasil como nação,
15:57entender que recortes regionais passam a ser guetos ou ambientes segregados,
16:04nós não vamos conseguir nos posicionar como podemos ocupar um espaço relevante
16:10no aspecto mundial,
16:12liderando a agenda de sustentabilidade e a agenda climática.
16:15Ao invés de olhar para dentro e criar os potenciais,
16:19nós ainda estamos, de forma imatura e perversa,
16:25segregando a nós mesmos.
16:26Então, nos colocamos de forma com muita altivez
16:32à defesa de uma integração nacional verdadeira,
16:36que nós tenhamos a Amazônia integrada ao Brasil de uma vez por todas.
16:40A infraestrutura passa a ser um grande diferencial,
16:43competitivo e comparativo,
16:45para que o Brasil ocupe, na agenda de sustentabilidade,
16:49na agenda de clima, na agenda geopolítica,
16:51uma posição relevante e muito estratégica,
16:54para que possa defender sua soberania e seus interesses como nação.
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