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  • há 2 dias
A exploração da margem equatorial brasileira é considerada estratégica tanto para a segurança energética quanto para uma transição energética justa. Esta é a avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy. Em entrevista ao Grupo Liberal, Ardenghy destacou o potencial econômico da região e a capacidade técnica do Brasil para conduzir a atividade de forma responsável.

Repórter: Gabi Gutierrez

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Transcrição
00:00Olá, leitores e internautas de Oliberal, meu nome é Gabi Gutierrez e sou repórter de política e economia
00:05e hoje a gente conversa com o presidente do IBP, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Roberto Ardengui.
00:14Seja muito bem-vindo, obrigada por conversar com a gente.
00:17Assim, a gente já começa falando sobre o debate da transição energética que tem ganhado cada vez espaço aqui no Brasil
00:24e também na discussão global, diante dessas metas climáticas e toda essa conversa que tem sobre as reduções de emissão, enfim.
00:33E na avaliação do IBP, qual deve ser o papel do setor de óleo e gás nesse processo
00:39e como conciliar a exploração desses recursos com a transição energética considerada justa e responsável?
00:48Olá, Gabi. Um prazer estar com vocês do Liberal e poder discutir e dialogar sobre um tema tão importante
00:56que é o tema da segurança energética, da transição energética, que é um tema fundamental não só para o Brasil,
01:02mas também no contexto mundial.
01:05E aí, Gabi, o meu primeiro comentário é que não existe essa aparente contradição.
01:11As pessoas hoje, infelizmente, tendem a ver ou imaginar um clima de flafru, ou grenal.
01:21Eu não sei como é que é aí em Belém, qual é a principal...
01:24Aqui é o Repar.
01:25Repar, então.
01:27Mas isso não existe, porque primeiro que o petróleo, ele é a principal fonte energética do mundo.
01:35Tudo, eu estou olhando aqui atrás de você e estou vendo várias coisas que devem ter sido feitas usando o petróleo.
01:42A mesma coisa aqui no meu escritório, no dia a dia das pessoas, eu brinco aqui que todo dia de manhã
01:49eu abro a minha lojinha aqui do petróleo e vem aí o dono do caminhão, o dono do navio, o dono do avião,
01:57o dono do carro de aplicativo, o pessoal que precisa movimentar um barco.
02:04E todo mundo pedindo pelo combustível.
02:08O pessoal que quer fazer o plástico, o pessoal que quer fazer o fertilizante,
02:1385% dos fertilizantes da amônia e da oreia no mundo são feitos a partir do gás natural.
02:20Então, ele é absolutamente fundamental.
02:22O que a gente tem que falar, o que é muito importante, é o compromisso com essa agenda da descarbonização.
02:28É claro que a gente vai fazer uma transição lenta e gradual dos combustíveis fósseis,
02:34isso já está acontecendo em alguns segmentos, já existe hoje uma entrada muito forte,
02:40por exemplo, já das energias renováveis, da solar, da energia eólica.
02:47A própria energia nuclear hoje está bastante de moda, como energia também com característica de menor emissão de CO2.
02:57Então, nós vamos ver o mundo transicionando, mas a transição tem que ser, como você até mencionou na sua pergunta,
03:03uma transição justa, uma transição equilibrada, onde o petróleo ainda vai ter uma importância.
03:09Então, a margem equatorial, a possibilidade da gente continuar explorando o petróleo no Brasil,
03:15é muito importante, porque o mundo ainda vai demandar muito o petróleo.
03:20Existe um estudo da Agência Internacional de Energia,
03:23hoje o mundo consome 99 milhões de barris por dia, a nível global,
03:30e esse número vai chegar em 2028 em 106 milhões de barris.
03:35Então, veja que está aumentando a demanda de petróleo.
03:37E o nosso compromisso é continuar oferecendo essa energia,
03:41que ela é muito importante até para a economia brasileira,
03:44gera muito emprego, gera muita renda, mas de uma maneira responsável.
03:48Uma maneira responsável, tanto do ponto de vista operacional,
03:51garantir que essa atividade seja feita de uma maneira muito rígida,
03:56do ponto de vista de não ter vazamentos, de não ter nenhum problema operacional,
04:00e também com a redução da emissão de CO2.
04:03Isso aí a gente atinge através de muita tecnologia.
04:05Então, acho que essa é a primeira visão que a gente gostaria de dividir com vocês.
04:12O senhor falou sobre a margem equatorial, e esse é um tema que tem gerado muita expectativa
04:16aqui para o setor produtivo, enfim, aqui para o nosso Estado.
04:22E quais são hoje as projeções mais realistas do setor em relação à exploração dessa área,
04:27e que impactos econômicos e sociais também, claro, podem ser esperados para cá para o Estado,
04:34na visão do IBP?
04:36Olha, é claro que nós estamos falando de uma atividade ainda que a gente chama exploratória.
04:41Isso quer dizer que a gente tem que primeiro identificar a existência de petróleo e de gás,
04:46que a gente chama dos hidrocarbonetos, e que essa quantidade seja uma quantidade relevante.
04:53Há estimativas, e eu vou reforçar essa palavra, estimativas, feitas pela Agência Nacional do Petróleo,
05:01que aquela região ali da Foz do Amazonas poderia conter até 30 bilhões de barris de petróleo.
05:08Então, essa seria uma estimativa possível do que poderia estar lá localizado.
05:13É claro que a gente tem que fazer a perfuração, a Petrobras já iniciou,
05:17como operadora do bloco, já há cerca de 90 dias a perfuração.
05:24Essa atividade está prevista a durar seis meses.
05:28Então, a primeira coisa é essa.
05:31Se a gente realmente identificar uma reserva relevante, uma acumulação, como a gente chama,
05:38aí nós vamos partir para a questão do desenvolvimento desse campo.
05:42Então, o desenvolvimento já vai trazer muita atividade econômica.
05:47Nós vamos preparar o campo, nós vamos encomendar equipamentos, preparar os portos e os aeroportos,
05:54gerar toda uma atividade já econômica muito grande, como acontece aqui, por exemplo, no Rio de Janeiro,
06:00onde o Norte Fluminense, aqui a região de Macaé, de Campos,
06:04tem uma atividade gigantesca conectada com essa indústria.
06:07Essa é uma indústria que emprega muito, sabe, Gabi?
06:10Ela emprega todos os tipos de pessoa, desde uma pessoa que está fazendo,
06:15trabalhando numa cozinha industrial para fornecer alimentação para as equipes que estão fazendo atividade,
06:22até um engenheiro super especializado que vai coordenar uma campanha de perfuração ou de produção.
06:29Então, há espaço para todo mundo e nós somos muito otimistas.
06:33Agora, o nosso otimismo é cauteloso, né, Gabi?
06:35Porque, é como eu disse, nós temos que primeiro encontrar o petróleo e garantir que ele está lá debaixo da terra
06:41para a gente poder fazer essa atividade.
06:44E, assim, hoje, quais são os principais desafios para que exista o avanço?
06:50Claro, é preciso confirmar que existe esse petróleo aqui na região,
06:56mas quais são hoje os principais desafios para o que vocês enxergam dentro dessas estimativas,
07:04para o avanço dos projetos e o que ainda precisa ser destravado,
07:08não só aqui na região, mas no país, de maneira geral,
07:12para que a gente avance de maneira segura e responsável nessa fronteira exploratória, vamos dizer assim.
07:19É, o primeiro desafio, claro, é um desafio de você manter a atividade exploratória, né?
07:26Então, por exemplo, nós temos hoje, tomamos conhecimento de algumas ações judiciais, né,
07:31que querem interromper hoje a perforação do poço, né?
07:36Isso é uma coisa que nos preocupa, porque esse processo levou 11 anos sendo licenciado, né?
07:42A Petrobras e as empresas que participaram desse processo apresentaram ao Ibama todas as garantias, né?
07:50E atenderam todas as exigências que foram colocadas, então, é um processo, assim, que é muito, ele é muito completo, né?
07:59É um processo de licenciamento onde não só as garantias foram asseguradas,
08:05mas também as compensações, né, foram feitas, né, para essa atividade.
08:09Então, a gente tem muita segurança de que nós estamos fazendo uma campanha perfuratória,
08:15que talvez seja a campanha perfuratória mais segura, que foi realizada em águas ultraprofundas até hoje,
08:23tendo em vista a mobilização de barcos de apoio, de toda a atividade, as equipes de manutenção,
08:2924 horas por dia, 365 dias por ano, nós temos equipes preparadas para qualquer eventualidade,
08:36estamos usando uma sonda de última geração, né, que a gente chama sonda de sexta geração,
08:42uma sonda que ela é posição dinâmica, né?
08:45Então, são poucas no mundo que fazem esse trabalho e aí esse equipamento foi escolhido
08:50pela Petrobras para fazer a perfuração, sem contar toda a estrutura que está em volta da sonda hoje
08:55para atender helicópteros ali no Ayapoc, né, aviões em Belém,
09:01dois centros de despilotização de animais, um no Ayapoc e o outro também aí em Belém do Pará.
09:10Então, primeiro, essa parte do licenciamento foi tudo, tudo atendido,
09:16nós não vemos motivo para que essa atividade não continue.
09:19Além disso, né, Gabi, nós temos uma empresa do nível e do conhecimento da Petrobras,
09:24que é um luxo, um país como o Brasil tem uma empresa, a Petrobras nos últimos 10 anos
09:29recebeu 5 prêmios mundiais, né, por tecnologia e pelos seus projetos em águas profundas e ultra profundas.
09:38Então, nós estamos falando, como a gente chama, de um operador de altíssima capacidade, né?
09:43E isso é uma coisa confortante quando você tem uma empresa desse tamanho com esse compromisso, né,
09:49uma empresa que tem a história da Petrobras fazendo esse trabalho.
09:53Então, esse é o primeiro desafio, superar agora essa fase de discussões mais ligadas
09:59à áreas jurídicas, judiciais, né, que a gente espera que a gente possa completar
10:04essa campanha exploratória e que daqui a gente possa anunciar que, se Deus quiser, é uma descoberta.
10:08O Pará, para além da margem equatorial, o Pará tem se posicionado como protagonista
10:14nessa agenda energética, né, e tanto no debate ambiental, quanto também nesse potencial
10:22de, enfim, de achar essa nova fonte de petróleo, enfim, de novos investimentos
10:30e oportunidades também de trabalho.
10:33E o que vocês enxergam, para além disso, como eu falei, da margem equatorial,
10:39vocês do setor de óleo e gás enxergam que esse setor pode trazer para a economia
10:46em termos de geração de emprego, arrecadação, desenvolvimento social, regional?
10:54Eu acho que o primeiro elemento importante nessa discussão é a questão da logística, né?
11:02Ora, essa é uma indústria, Gabi, que mobiliza muitos equipamentos, equipamentos
11:07de grande porte.
11:09Só para você ter ideia, uma árvore de Natal, a gente chama de árvore de Natal, né,
11:14porque ele é um equipamento cheio de válvulas, né, então ele parece uma árvore
11:19de Natal, né, quando você olha esse equipamento.
11:22Essa árvore de Natal, ela é colocada na boca do poço para controlar toda a vazão
11:28e o fluxo de petróleo, de gás, né, de água do poço.
11:34Ou seja, o equipamento hoje é de altíssima tecnologia, né, e ele tem, Gabi,
11:41a altura de um prédio de seis andares.
11:44Isso é um dos equipamentos que a gente vai colocar lá nos poços, caso seja positivo,
11:51porque, então, esses equipamentos têm que ser transportados, têm que ser montados
11:55no esporte, tem que ser feita a manutenção, né, nós vamos colocar lá milhares de quilômetros
12:01de dutos, né, de tubos, né, tubos com costura, sem costura, vamos colocar lá flexíveis, né,
12:09vamos colocar uma plataforma de produção, né, que vai ficar puxando o petróleo e o gás
12:14dos poços e fazendo a preparação do petróleo e do gás, né.
12:19Isso aí gera uma atividade, assim, portuária, né, e de logística muito grande, né,
12:25então, acho que o primeiro desafio que teremos na região do Arco Norte, né,
12:30aí eu falo do Amapá, falo do Pará, até do Maranhão, né, e os estados que estão ali
12:36perto da margem equatorial, é o desafio da gente preparar toda a logística dos portos, né,
12:43evidentemente que o uso dos aeroportos vai ser muito grande também, porque nós estamos
12:47falando primeiro de equipamento que está no mar, né, então ele tem que ser abastecido, né,
12:52todo dia, então nós vamos levar equipes e vamos trazer, isso é um trabalho também
12:56que praticamente funciona 24 horas, né, aqui no Rio de Janeiro, por exemplo,
13:01só para você ter ideia, o L ponto de uma cidade chamada, que é da região aqui
13:10do Norte Fluminense, né, é Farol de Santo Tomé, ele é o terceiro L ponto mais movimentado
13:17do Brasil, né, uma cidadezinha lá do interior do Rio de Janeiro, onde tem maior quantidade
13:23de pousos e decolagem de helicóptero, o terceiro maior do Brasil logo depois dos aeroportos
13:27de São Paulo, então, só para você ter ideia do movimento, isso gera emprego, gera o motorista
13:34de van que tem que levar e trazer as pessoas, os hotéis da região que são ocupados por essas
13:39equipes, a alimentação que eles têm que ter, então, a limpeza dos equipamentos, a própria
13:47roupa, né, do pessoal que trabalha, que tem que ir volta da plataforma e que tem que ser
13:53lavada industrialmente, né, então, para a gente começar a falar, nós vamos desdobrar
13:58isso em milhares de fontes de emprego e de renda, né, então, o desafio é essa preparação,
14:05será que hoje os estados do Arco Norte, né, será que o Pará, será que o Amapá está
14:11preparado para esse desafio?
14:13Eu acho que não, eu acho que a gente, eu tenho falado isso, tive a oportunidade de
14:17fazer, inclusive, reuniões aí na Fiepa, né, onde a equipe da Fiepa é muito preocupada
14:23também com esse aspecto e querendo saber como é que essa atividade irá se desenvolver
14:28para poder apoiar os empresários para se prepararem.
14:31A gente não quer, sabe, Gabi, trazer nem pessoal, nem mão de obra e também a menor
14:38quantidade de equipamentos possíveis de outros lugares do Brasil, tudo que puder
14:42ser produzido, né, em Belém, puder ser produzido no Pará, puder ser produzido no Amapá,
14:48em Macapá, em Santana, onde for, isso será uma prioridade das empresas, né, mesmo porque
14:56é muito melhor a gente usar mão de obra local, né, do que trazer uma, importar uma
15:00mão de obra de outra parte do Brasil.
15:02Então, nós vamos ter um desafio muito grande também no treinamento técnico da mão de
15:07onda, vamos precisar de serralheiros, nós vamos precisar de soldadores, de, do pessoal
15:14que vai fazer alpinismo industrial, né, para poder montar essas estruturas, né, mecânicos,
15:21né, então, só para citar uma das profissões que vão aumentar muito a demanda, caso a
15:28gente realmente identifique essa reserva lá.
15:32Certo, e o senhor falou sobre essa preparação e o senhor acredita que ainda tem um caminho
15:37longo pela frente, né, então, para o Pará e para os demais estados aqui, vizinhos, o que
15:43o senhor acredita que falta para a gente se preparar para poder receber esse polo de
15:51oportunidades, né, e de investimentos aqui no estado?
15:55Olha, nós estamos muito surpreendidos e positivamente surpreendidos com a maneira como as lideranças
16:04locais, né, estão nos procurando e estão discutindo isso também dentro da sociedade,
16:12tanto do Pará quanto especialmente do Amapá.
16:17com algumas coisas também no Maranhão, né, a gente vê as lideranças estaduais muito
16:22mobilizadas, querendo entender a dimensão, querendo saber qual é a demanda, essas perguntas
16:27que você está fazendo, eles estão fazendo também para nós, mas como é que vai funcionar,
16:32o que você precisa, que tipo de pessoa a gente vai precisar treinar, que tipo de empresário,
16:38quais são os investimentos, quais são as áreas, qual é o calado que você precisa
16:42para colocar uma base offshore, né, e aí a gente tem feito muitas interações, a gente
16:50organizou mais ou menos uns três meses atrás uma visita aqui no Rio de Janeiro de uma equipe
16:59do governo do estado do Amapá, participou aqui do evento chamado OTC Brasil, que é uma
17:07feira que nós organizamos todos os anos, tivemos um instante grande do Amapá e discutimos muito
17:12a margem equatorial, tivemos apresentações, nós tivemos também uma reunião aí na Fiepa, né,
17:18o presidente Alex Carvalho nos recebeu aí com a sua equipe, fizemos um seminário também
17:23que tinha mais de 240 pessoas, né, onde nós também explicamos isso, né, como é que vai funcionar
17:30essa atividade, caso a gente realmente descubra essa reserva, então a gente vê o estado,
17:37os estados muito mobilizados, isso nos dá segurança e nos dá tranquilidade, né,
17:43porque o pior cenário que haveria para nós seria a gente ter que, vamos dizer assim,
17:48atrasar o desenvolvimento, né, de um eventual sistema de produção, porque o estado não pode,
17:55não pode, não atende em termos de mão de obra ou em termos de locais, mas a gente acha que isso
18:01não vai acontecer, pelo contrário, a gente vê um enorme entusiasmo, né, das autoridades locais,
18:08tanto também do ponto de vista dos governos estaduais, o governo do Amapá, o governo do Pará
18:15tem sido também objeto de um diálogo muito grande conosco, então isso é muito positivo e a gente
18:21a gente acha que vai ser uma mudança de paradigma dentro dos estados, se a gente conseguir descobrir
18:29uma reserva relevante de petróleo, já tem descobertas importantes na Guiânia, já tem descobertas
18:35importantes no Suriname, então acho que é legítimo a gente imaginar que uma parte desse petróleo
18:41esteja aqui do lado brasileiro, Deus é brasileiro, né, Gabi, então acho que ele deixou um pouquinho aqui,
18:46talvez tenha deixado até, quem sabe se não é a parte maior aqui do nosso lado, né?
18:50É, a gente vai ter que aguardar, né? E agora assim, na sua avaliação, o ambiente
18:58regulatório brasileiro hoje é competitivo frente aos outros países que são produtores
19:04ou ainda, não sei se seria bem essa palavra, mas assim, ainda intimida os investidores?
19:12É, o Brasil é um país complexo, né, mas nós temos felizmente uma estrutura regulatória
19:18bem assentada, né? Nós temos, por exemplo, um órgão regulador, que é a Agência Nacional
19:22do Petróleo, Gás e Biocombutíveis, né? Nós temos a atividade do Ministério das Vindas
19:29e Energia, como existe o CNPE também, que é o Conselho Nacional de Política Energética,
19:34que fixa as diretrizes. Nós temos o IBAMA, né, que está sempre dialogando conosco e colocando
19:41todas as questões ligadas ao licenciamento e o IBAMA tem dado muitas licenças também,
19:47deu a licença aí para a gente perfurar na margem equatorial. Então, essa parte é uma
19:52parte bem estruturada e as empresas se sentem, vamos dizer assim, confortáveis, né, em fazer
20:00os investimentos no Brasil. Tem um tema que nos preocupa um pouco, que é a questão
20:03tributária, né? Porque hoje, para você ter ideia, de cada três barris de petróleo
20:08que eu produzo no Brasil, dois barris são direcionados para impostos e taxas, né?
20:14Esse setor, além de pagar os impostos normais, PIS, COFINS, Imposto de Renda, ICMS, ISS,
20:22eu pago ainda o ROET e para campos de grande produção ainda pago com um imposto específico
20:29que chama-se participação especial. Então, a tributação é muito alta, como eu disse,
20:34de cada três barris, dois barris são direcionados para impostos. Então, nós não temos mais espaço
20:40para aumentar essa tributação. A gente vê alguns movimentos, volta e meia
20:44no Congresso, né, a nível, mesmo também muitas vezes do governo estadual,
20:49não é o caso aí da região norte, esses movimentos são mais localizados aqui
20:54no Rio de Janeiro, do Espírito Santo, em São Paulo, querendo se aumentar ainda mais
21:00a tributação. Ora, se a gente fizer isso, nós fizemos um estudo aqui no IBP e nós vamos
21:06perder a competitividade para outros países, né? Então, como eu falei, o Suriname está
21:11aqui do lado, né? E está lá com descobertas importantes. A Goiânia já está produzindo
21:16500 mil barris de petróleo. A Argentina também, na parte sul do Brasil, também está desenvolvendo
21:23muito bem a sua produção de gás natural. Na frente do Brasil, lá na África, temos a Namíbia,
21:29que tem descobertos relevantes, temos a Nigéria, temos a Angola, temos Moçambique.
21:35Então, é um mercado global, né, Gabi? Então, quando uma empresa de petróleo, ela faz
21:40análise, que a gente chama do portfólio, e ela vê quais são os incentivos para produzir
21:46petróleo em determinado país ou não, ela sempre está comparando o Brasil com outros
21:51países. Então, a gente tem que ter muito cuidado com isso, porque a gente não pode
21:54afugentar o investidor, nós temos, não basta ter uma quantidade relevante de petróleo,
22:01nós temos também que ter condições adequadas para que o investimento seja feito. E aí
22:06nós estamos falando de bilhões de dólares, né? Não é pouco dinheiro, não, que as empresas
22:11mobilizam, né? E tem um detalhe, né, Gabi? A gente primeiro mobiliza muito dinheiro, em
22:17média, você leva de seis a oito anos para começar a produzir a primeira gota de petróleo.
22:24Então, vamos imaginar, se Deus quiser, que essa sonda que está perfurando petróleo
22:29hoje lá na margem equatorial tenha uma descoberta, né? Uma descoberta relevante, né?
22:35Ora, a partir agora de dezembro de 2025, nós estamos falando do primeiro óleo ali por
22:41dezembro de 31, 32, né? Enquanto isso, você vai estar desembolsando dinheiro, desembolsando,
22:48colocando equipamento, encomendando a unidade produtora, colocando lá toda a árvore de
22:56Natal, fazendo os poços, né? Perfurando, colocando todos os tubos, né? Que a gente chama
23:02de equipamento sub-si, né? Só para depois começar a produzir petróleo. Ou seja, é um setor
23:10que exige muita tranquilidade e muita estabilidade regulatória e fiscal.
23:16Excelente. E voltando ao assunto da transição energética, o gás, né? Saindo um pouco do
23:22petróleo e indo para o gás natural, tem sido apontado como um combustível de transição.
23:28Então, como é que o IBP enxerga o papel do gás na matriz energética brasileira nos
23:33próximos anos? Especialmente para regiões que ainda enfrentam desafios de acesso à
23:39energia, em desenvolvimento industrial.
23:43É verdade, Gabi. O gás, ele é muito relevante e muito nobre, né? Porque o gás, ele é o
23:49petróleo já em forma gasosa, né? É um petróleo que, vamos chamar assim, evoluiu, né?
23:55Porque o petróleo começa a carvão, passa para a líquida e depois ele acaba em forma
24:00gasosa. Então, como ele tem essa característica, ele primeiro emite menos que o petróleo, 25%
24:07em média, em termos de emissão de CO2, e 40% menos que o carvão. Além disso, o gás natural,
24:15ele tem um uso muito amplo, né? Ele pode servir, por exemplo, para a energia elétrica, né?
24:21Ele pode gerar energia. Então, você bota um gerador a gás, né? E você gera energia e
24:27aquela energia pode entrar na rede e ser distribuído, né? Para qualquer lugar. Se a gente tiver,
24:33inclusive, a conexão da rede com a rede nacional, teoricamente, você pode produzir energia no
24:39Amapá ou no Pará e levar essa energia até o Rio Grande do Sul, né? Então, muito importante
24:44essa molécula possa, que pode transitar a partir da energia gerada pelo gás natural.
24:49O segundo elemento é que são os outros usos do gás. Veja só, o Brasil importa 85% do
24:57fertilizante que consome, né? E a ureia e a amônia são feitas diretamente do gás natural.
25:03Então, se você tiver uma produção de gás, você pode ter uma planta de fertilizante
25:08gerando a amônia e a ureia, reduzindo o custo desse produto que hoje é importado, né?
25:14E garantindo a segurança alimentar do Brasil, porque não existe agricultura sem os
25:21fertilizantes, né? Nitrogenados e amônia e ureia são os dois principais, né?
25:27E o terceiro é a indústria petroquímica, né? Que ela é usada para tudo, né?
25:34Em qualquer ambiente. Imagina um hospital sem uma seringa de plástico para fazer uma...
25:40ou um catéter para fazer algum tipo de procedimento num paciente, né?
25:46A bolsinha lá que se usa para colocar o soro. Tudo isso é petróleo, né?
25:51Foi produzido a partir da indústria petroquímica e hoje a indústria petroquímica,
25:57ela está cada vez mais usando o gás natural como sua fonte de insumo, né?
26:04Então, é tudo de bom, o gás também. Então, o ideal, sim, é claro que essa reserva lá tenha também
26:13uma quantidade relevante de gás natural, porque aí a gente vai produzir petróleo e gás natural.
26:19Legal. E agora, para a gente finalizar, olhando a médio e longo prazo,
26:25como é que o senhor enxerga o futuro do setor da energia no Brasil?
26:28Lógico, não só de modo geral, mas fazendo um recorte regional aqui para a gente do norte
26:37e para o estado do Pará. E qual mensagem o IBP gostaria de deixar para o futuro
26:44dessa pauta tão importante que é a energia, a transição energética no nosso país
26:51para a humanidade, de forma geral?
26:53Bom, eu acho que o importante é, primeiro, uma mensagem de tranquilidade.
26:58Eu queria assegurar para vocês que essa indústria é uma indústria muito comprometida
27:02com uma agenda, primeiro, de segurança operacional.
27:06Veja, Gabi, que todos os dias, aqui na frente do Rio de Janeiro e de São Paulo,
27:10onde está o pré-sal brasileiro, nós produzimos 3 milhões de barris de petróleo.
27:15Aqui na frente, na frente de Búzios, na frente de Angra dos Reis,
27:20na frente de Paraty, na frente do Guarujá, que são regiões muito conhecidas
27:25no Brasil inteiro, todos os dias, à meia-noite, terá saído 3 milhões de barris
27:30sem que uma gota tenha sido derrubada no mar.
27:34Então, isso é muito importante.
27:35Então, essa é a tecnologia que nós vamos levar e que já estamos levando lá
27:42para a margem equatorial com essa garantia.
27:44A gente não fala que não pode acontecer um acidente, isso aí pode acontecer
27:48porque isso aí é da vida.
27:51Agora, e se acontecer esse acidente, nós temos toda a estrutura montada
27:56para fazer a remediação de uma maneira muito eficiente.
28:01Como eu disse para você, esse equipamento que foi colocado lá pela Petrobras
28:05é o equipamento de mais alta tecnologia com toda a segurança.
28:09Então, uma mensagem de tranquilidade para as pessoas entenderem
28:13que nós não estamos agindo de forma irresponsável, mas de forma muito responsável.
28:18Depois, o compromisso da descarbonização, como eu disse.
28:22O petróleo brasileiro, ele é um petróleo já descarbonizado.
28:27Hoje, o Brasil produz um petróleo que emite um terço da média mundial.
28:33Então, quando você produz um petróleo no mundo hoje,
28:36você normalmente emite 25 quilos de CO2.
28:39Ora, aqui no pré-sal, que produz 75% do petróleo do Brasil,
28:43nós fazemos o mesmo barril de petróleo com 10 quilos de CO2.
28:4825 na média mundial, 10 quilos no Brasil.
28:51Então, estamos conseguindo produzir um petróleo descarbonizado
28:54e esse é um petróleo muito importante,
28:57porque é um petróleo que vai ter mais resiliência,
29:00ele vai durar mais na transição energética.
29:02Porque à medida que você vai fazendo a transição energética
29:06e eventualmente reduzindo o consumo de petróleo,
29:10o petróleo que vai ficar até o final é o petróleo mais descarbonizado.
29:14E isso a gente pode oferecer para o mundo.
29:16Então, essa é uma vantagem do petróleo brasileiro,
29:20que a gente quer levar para a maior gecatorial.
29:22Porque isso é tecnologia.
29:23A redução das emissões de CO2 se faz com o uso intensivo
29:28de algumas tecnologias que já são dominadas no Brasil.
29:31Então, nós vamos também ter essa pegada da descarbonização,
29:35da sustentabilidade para essa indústria que a gente vai tentar desenvolver
29:39aí no norte do Brasil.
29:40Excelente.
29:42E agradeço, presidente, pela sua disponibilidade,
29:45pela sua paciência aqui com a gente.
29:47E a você que acompanhou a nossa entrevista até aqui.
29:50Para ler essa entrevista na íntegra,
29:52é só acessar oliberal.com
29:54e também nos nossos jornais impressos,
29:57O Liberal e Amazônia.
29:59Até a próxima.
29:59Legenda Adriana Zanotto
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