- há 10 horas
Planejamento financeiro tardio e inflação imobiliária pesam na decisão de buscar independência.
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NotíciasTranscrição
00:00Morar sozinho tem sido um sonho cada vez mais adiado pelos jovens brasileiros.
00:06O pessoal não tá com pressa de sair da casa dos pais, não.
00:09Dados mostram que o número de pessoas entre 25 e 34 anos vivendo com os pais
00:15aumentou em 137% em 10 anos. Bastante coisa, né?
00:21Ó, o alto custo de vida, tá tudo muito caro, insegurança financeira e até novas prioridades
00:27ajudam a explicar esse fenômeno, que tem nome, tá? É conhecido como geração canguru.
00:34Você já ouviu falar? Pois é, a gente vai entender os impactos dessa escolha
00:39na vida familiar e emocional dos jovens e de toda a família.
00:43E a gente então agora vai bater um papo aqui com a Manuela Messias Farias, que é pedagoga
00:50e com a Clislaine Oliveira, que é psicóloga. As meninas estão aqui hoje pra gente falar sobre esse assunto.
00:56Bem-vinda, meninas. Bom dia.
00:58Bom dia. Muito obrigada pelo convite.
01:00Obrigada a vocês pela presença.
01:02Obrigada pela oportunidade.
01:04Obrigada, gente. A Manu, que é pedagoga, tem 29 anos, né, Manu?
01:09E mora com a mãe, Manu.
01:12Como é que é essa decisão de você ainda permanecer na casa da sua família aos 29 anos?
01:18A minha relação, graças a Deus, é uma relação super tranquila, né? A minha família toda sempre foi muito unida.
01:26Não só eu tenho irmãos também. Eu não tenho pressa ainda pra sair de casa.
01:33Não tem previsão, Manu?
01:34Não, não tem.
01:35A gente tá mostrando as fotos da sua com a sua família.
01:37Não tem previsão ainda.
01:39E é uma relação muito gostosa, né?
01:43Meus pais, assim, eu tenho uma estrutura familiar muito boa.
01:47Bom.
01:47Na questão de educação, na questão de diálogo, sempre teve muito diálogo.
01:54E meus pais sempre deixaram a gente muita vontade, né, pra saber o que que a gente quer fazer, como
02:02que a gente vai constituir nosso futuro.
02:05Então, assim, é uma decisão, assim, mais de... além de conforto, né?
02:11Eu me formei em pedagogia, mas eu não... ocorreram várias coisas na minha vida que fizeram pra eu optar ainda.
02:20Eu ainda não tô dando aula, mas eu trabalho junto com minha mãe em casa.
02:24Ela possui um ateliê.
02:25Ah, legal.
02:26Né? Que a gente faz acessórios pra noivo e tudo.
02:28Quem era o braço direito da minha mãe era o meu pai.
02:31Só que meu pai agora está fora.
02:32E a gente tem essa parceria muito grande.
02:35Então, eu fui crescendo com o trabalho da minha mãe.
02:38E ajudo muito ela.
02:40Gosto, né, de ajudar.
02:43É... de ter essa companhia.
02:45Minha mãe tem a minha maior parceira.
02:47Tudo que eu posso... me abrir muito com ela.
02:51Isso é muito importante.
02:52Ontem mesmo eu tava desabafando.
02:53Então, assim, é aquela coisa que é uma amizade, um apoio maternal muito gostoso.
03:02Isso não só da minha mãe, como do meu pai também, da minha avó.
03:06E eu... pra mim morar sozinha ainda, eu não decidi porque eu quero constituir ainda a minha independência financeira.
03:14E tudo.
03:15Então, assim, até eu constituir isso, eu prefiro ficar com meus pais.
03:20Certo.
03:20É o meu apoio emocional.
03:22Eu não me sinto ainda pronta 100% pra morar sozinha.
03:26Mas aí, pra mim morar sozinha, eu quero constituir primeiro alguns sonhos, alguns projetos meus.
03:31E até mesmo eu prefiro sair e ter alguém, um companheiro, pra constituir, assim, uma família.
03:40Mas é nessa parceria mesmo, de casa e tudo.
03:44Minha mãe me dá super liberdade, eu tenho meus amigos.
03:47Eu posso sair e tudo.
03:49Meus pais.
03:49Claro que eu vou dar satisfação, mas a gente mora tudo junto, numa família.
03:53Tem a preocupação, né, de pai, que é normal.
03:55Sobre isso, eles sempre, nós três somos irmãos, assim, sempre deu essa liberdade, a gente sempre é livre pra tomar
04:06nossas decisões.
04:07E eles vão apoiando.
04:08O que é bom, o que é bom, o que não é bom, eles não conseguem.
04:11E a nossa relação é assim.
04:12Que legal, Manu.
04:14Que incrível saber, né, que é uma relação ali de companheirismo, né, e de apoio.
04:21Você com sua mãe, sua mãe com você, seu pai também.
04:26Clis, depoimento da Manu, acho que tá muito inserido nesse contexto também da geração canguru, né.
04:33Interessantíssimo a Manu ter falado aqui que não se sente pronta pra sair, só vai sair quando ela tiver atingido
04:39ali determinadas metas financeiras, né, enfim, metas de vida.
04:44E é isso que a gente vem observando, né, em um aumento dessa geração da Manu, né, Clis?
04:51Sim, e isso é muito importante, como a Manu falou, como ela tem essa parceria com a mãe, isso também
04:58impede da mãe sofrer a síndrome do ninho vazio, né.
05:01Então, hoje em dia, vamos dizer assim, na metáfora do passarinho, os passarinhos ainda querem mais o aconchego ali, aquela
05:07parceria.
05:08Porque dessa forma, eles vão conseguir se estabilizar financeiramente, completar os estudos, se especializar, né, concluir os seus objetivos de
05:17carreira e assim ter mais estabilidade pra entrar no campo ali, né, da independência.
05:24Então, acaba que, é claro, cada um tem ali os seus objetivos pessoais e não se deve acomodar nisso, porque
05:31muitas vezes começa assim, ah, tá bom assim, e fica acomodado ali.
05:35Ah, e vai ficando.
05:36E vai ficando.
05:37Que é confortável, né, gente? É uma delícia.
05:39É, chegar em casa, a comidinha tá pronta, muitas vezes tem aquela parceria, né, a mãe fica mais em casa,
05:44o filho trabalha.
05:45Então, é muito cômodo, como ela falou também, né, a Manu disse que quer um parceiro pra depois, né, sair
05:52de casa.
05:52E hoje, nós estamos vendo muito esse tipo de configuração.
05:56Pessoas, né, que saem do ninho e procuram um parceiro pra dividir as contas, muitas vezes, né, um a ajudar
06:03o outro ali.
06:04Então, hoje, se há a ambiguidade, de que forma?
06:10Eu quero minha independência, mas eu não quero a responsabilidade total, eu quero ter alguém ali pra me ajudar nisso.
06:18Sim.
06:18Né, então, acaba que eles escolhem ficar no ninho quando se há uma boa parceria e quando não se há
06:25essa parceria, porque às vezes acontece, né, de não ter uma boa convivência, sai do ninho,
06:30mas escolhe um parceiro que muitas vezes não se assume de forma integralmente como parceiros pra dividir as contas.
06:37Então, muitas vezes, ao invés de ter essa responsabilidade, prefere ficar no ninho.
06:40E isso é muito bom, por quê?
06:42Sair pra passar perrengue, né, que a gente tava falando aqui.
06:45E o medo, o grande medo é a síndrome de ansiedade, de não dar certo, né, então a maioria acaba
06:53se encontrando de que forma?
06:55Eu vou sair e se não der certo, aí eu vou ter que voltar pra casa dos meus pais, vou
06:59ter que regredir.
07:00É verdade.
07:00Só que isso não é uma regressão, né, é sim uma experimentação, olha, eu estou indo, mas se acontecer alguma
07:07coisa, os pais estão ali, os pais protegem, os pais estão pra acolher mesmo.
07:12Então, a mensagem é não tenha medo se isso te faz bem, né, evoluir, sair do ninho, não tenha medo.
07:20Mas se te faz bem ficar e pra ambos está ótimo, não tenha também aquele receio, porque tem muito aquela
07:27comparação com os outros da mesma idade, da mesma faixa etária.
07:34Um julgamento, né?
07:34Um julgamento.
07:35Manu tava falando que já recebeu críticas, né, Manu?
07:37Já recebi muitas críticas quando tava fazendo estágio na parte de pedagogia, então, assim, tem muitas professoras, muitas mães ali,
07:47então, quando eu falava assim, você mora com os pais e tudo, você namora ou não, era aquela coisa, assim,
07:54absurda.
07:55Não, meu filho, eu tinha uma professora que falava, meu filho quando fizer 18, 20, eu quero que ele vá
08:01embora, me deixa livre, já cumpri minha missão.
08:04Então, eu falei, legal, então, eu era incomum no meio do grupo social ali da escola.
08:10Então, eu via muitas questões de críticas, né, então, hoje eu, tipo assim, já fiquei naquele conflito, mas hoje eu
08:19me dou bem, né, eu tenho um irmão mais velho, por exemplo, que a gente sempre morou, os irmãos, minha
08:26avó, a gente mora tudo junto,
08:28e ele hoje tem 32 anos e agora ele saiu de casa, constituiu a parceria dele, trabalha, tá feliz, tá
08:39vivendo essa nova experiência, mas agora ele pegou a independência dele, a gente tem esse diálogo gostoso, tudo, né, então,
08:47assim, mas ele saiu tardio.
08:49Também saiu agora recente, né?
08:51Saiu, tá bem, então, assim, isso não atrapalhou os desejos dele, sempre, a gente sempre tem aquela coisa, assim, eu
09:00trabalho junto com minha mãe, então, a gente, na minha casa sempre foi criado com muito, assim, um ajuda o
09:06outro, né, então, essa parceria, tipo assim,
09:09hoje eu ajudo muito minha mãe, que os pais também, né, já coloca a gente no mundo, já faz tudo
09:14pra gente, porque a gente não pode retribuir, então, eu tenho muito esse carinho, esse respeito com meus pais, meus
09:21irmãos também são assim, então, assim, sempre aquela coisa de nada foi cobrada, surgem as coisas naturalmente, porque a gente
09:29tem essa coisa do diálogo, ó, a gente ajuda ali, o pai ajuda aqui, então, não tem que reclamar, só
09:36tem que agradecer a Deus, a família que eu tenho.
09:38Que bom, isso é muito importante, porque nem todas as famílias têm a atitude da família aqui da Manu, né,
09:45Ciclis, tem família que, assim como a colega dela aí, falou, ó, fez 18, 19, 20 anos, vai embora, que
09:51ela não tem mais filho pequeno, não, e é importante entender esses contextos familiares também, porque muitas vezes a pessoa
09:57não tá pronta pra sair financeiramente, psicologicamente, e acaba sentindo um pouco dessa pressão, tipo, ó, aqui já não tá
10:06mais legal, tô sentindo que eu tô incomodando,
10:08não tô conseguindo apoiar financeiramente minha família, dividir as contas, tô virando um peso, e aí a pessoa acaba saindo
10:16num contexto também meio complicado, né, Ciclis?
10:18Sim, aí acaba saindo num conflito com a família, isso não é bacana, não é legal, né, então, por quê?
10:25Tá com conflito com a família, aí sai nas pressas, ah, então eu vou, e sai sem se programar.
10:32Aí saiu, aí tem aquela preocupação, poxa, eu não tenho uma boa relação com minha família. Então, assim, o segredo
10:37é não se comparar, os pais também têm o papel de preparar os filhos,
10:42porque a super proteção não é bom pros filhos, né, então sempre pensar a longo prazo, se preparar, cada um
10:48ter a sua tarefa desde cedo em casa pra que,
10:50quando ele morar sozinho, ele não sentir essa falta de, ai, tinha tudo, a pessoa que fazia tudo pra mim,
10:57não, né, é claro, carinho, amor, mimar é bom,
11:02mas também preparar pro mundo, preparar pra independência, preparar financeiramente, de que forma?
11:09É, ensina a estudar, a buscar o conhecimento financeiro pra saber até onde pode gastar ou não, a importância de
11:19ter esse limite, né,
11:22mas muitas vezes os pais, a própria configuração de família já não tem essa organização financeira.
11:27Então, mesmo que ela não tenha, se preocupe em mostrar pro seu filho que ele precisa quebrar esse ciclo, né,
11:34e aí, dessa forma, ele vai conseguir sim, voar, vai conseguir alcançar os seus objetivos sem precisar de ter esse
11:41constrangimento,
11:42de sofrer ali aquela pressão, aquele empurrão pra fora, né, e isso não é legal, não faz bem pra saúde
11:49mental,
11:50tanto dos pais, que fica sofrendo também, quanto dos filhos.
11:54Por outro lado, quando os pais são pais jovens, aí tem muito esse empurrão,
11:59e até mesmo, tem pessoas do meu ciclo social que eu fiquei muito preocupada,
12:05falei, meu Deus, os filhos vão, todos casarem, vai ficar a síndrome do ninho vazio.
12:09Eles estão aproveitando, que não aproveitaram.
12:11Feliz, tá vindo, viajando.
12:12Sim, mas não teve esse empurrão, sabe, enquanto estava ali, aquele amor e não teve nada disso.
12:19Então, assim, foi muito leve, como a Manu falou, os pais dela deixam ela muito leve pra escolhas dela.
12:24Então, assim, o segredo é, tenha o seu objetivo em mente, muito bem escrito ali, muito bem assertivo, pra quê?
12:32Pra, se caso, acontecer qualquer crítica em relação a você, em relação ao seu objetivo,
12:40que não te afete emocionalmente, porque as pessoas, elas vão criticar porque elas não convivem, não sabem.
12:47A realidade delas não é a mesma da sua.
12:49Então, assim, sempre tenha em mente, a realidade dela não é a mesma da minha.
12:52Eu sei o que eu tô passando, eu sei como é a minha relação.
12:56Então, assim, tenha o seu objetivo em mente, trace o seu objetivo e foque nele.
13:01Porque quando você dá ouvido ou se compara com outras pessoas, aí vem o sofrimento psíquico.
13:06E é o que nós estamos aqui pra alertar e também deixar claro de que não é errado, né?
13:13O errado é o sofrimento, tanto dos pais, da família, quanto dos filhos.
13:19Com certeza.
13:21Crisleine, psicóloga, Crisleine Oliveira, obrigada, meninas, pela participação.
13:24Obrigada a você.
13:24Manu também, sucesso, viu, na sua vida em família, na sua carreira.
13:29Obrigada.
13:29Obrigada por compartilhar a sua história com a gente.
13:32Obrigada, até a próxima, meninas.
13:34Obrigada, até a próxima.
13:34Valeu.
13:35E aí
13:36E aí
13:37E aí
13:39E aí
13:39E aí
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