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A técnica que utiliza o mosquito Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia para impedir a transmissão da dengue é considerada complementar à vacinação, e não substituta. Enquanto a vacina protege diretamente o indivíduo, a soltura dos mosquitos ajuda a reduzir a circulação do vírus no ambiente. O método funciona ao introduzir a bactéria Wolbachia no mosquito, impedindo que o vírus da dengue se desenvolva dentro do inseto. Quando liberados na natureza, esses mosquitos se reproduzem com os selvagens e transmitem a bactéria às próximas gerações, reduzindo gradualmente a população capaz de transmitir a doença. A estratégia é vista como autossustentável e de longo prazo, mas leva cerca de dois anos para atingir os resultados máximos em uma comunidade.

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Transcrição
00:00O uso de mosquitos anti-dengue é apenas uma das estratégias para combater a doença no Brasil.
00:06A técnica usada com sucesso em 15 nações encontra dificuldade para expansão aqui no nosso país.
00:12Acompanhe na reportagem de Júlia Firmino.
00:15Em uma biofábrica em Curitiba, no Paraná, são criados mosquitos anti-dengue.
00:21Uma medida que se mostrou eficaz contra a doença, mas que esbarra em limites para avançar no Brasil.
00:28O método é mantido em segredo.
00:30No local, funciona o maior criadouro dos chamados volbitos do mundo.
00:35É assim que os pesquisadores apelidaram a Aedes aegypti inoculados com a volbáquia,
00:42uma bactéria que impede os mosquitos de desenvolver o vírus da dengue.
00:46O pesquisador Luciano Moreira explica que esses mosquitos são liberados em áreas urbanas,
00:53onde, em questão de meses, substituem os mosquitos que transmitem a dengue.
00:57É um método natural, autossustentável, porque a gente faz a implementação e não precisa mais voltar.
01:04E é seguro, porque a volbáquia não passa para as pessoas, não vai causar doença para a pessoa,
01:10não vai causar nenhum problema para o meio ambiente e nem para outros animais.
01:15Luciano Moreira começou a testar a técnica em 2011.
01:20No ano passado, ele foi reconhecido como um dos dez cientistas de maior destaque do mundo pela revista Nature.
01:26Nesse ano, o pesquisador foi listado entre as cem pessoas mais influentes da revista Time.
01:32Depois desse período de liberação e estabelecimento da volbáquia em campo,
01:38a gente não precisa mais voltar.
01:40Passam-se mais de dez anos e os mosquitos com volbáquia continuam ali.
01:44Segundo Luciano, a violência é outro fator que dificulta a ampliação da iniciativa.
01:49No Rio de Janeiro, por exemplo, trabalhamos na região norte do município,
01:55onde tem muitas favelas, muitas comunidades que a violência não deixava chegar e liberar mosquitos.
02:03Isso acho que é importante colocar.
02:04Então, quando você não consegue fazer essa liberação estruturada por cerca de quatro, seis meses,
02:13os níveis de volbáquia não chegam onde deveriam chegar.
02:17Diretor do projeto no Paraná, o pesquisador Gabriel Silvestre,
02:20diz que o trabalho só funciona se houver apoio em diversos níveis.
02:24Nós sozinhos não fazemos nada novamente.
02:27Então, a estratégia foi, através das instituições públicas que existem naquele território,
02:32seja unidades de saúde, escolas, serem nossos multiplicadores.
02:37Então, não éramos nós andando pelas ruas distribuindo panfletos ou falando sobre o método.
02:41Nós íamos até as unidades, treinamos os agentes comunitários de saúde,
02:46que já são pessoas conhecidas naquele território.
02:48Em Niterói, no Rio de Janeiro, e Campo Grande, onde há estudos científicos sobre o uso de mosquitos antidengue,
02:55o número de casos da doença chegou a cair 89% em algumas áreas.
03:00Mas, para funcionar, a população também precisa ajudar.
03:03Antes de liberar qualquer mosquito, passamos cerca de três ou quatro meses apenas informando a população.
03:09Então, são muitas palestras, muitos treinamentos, capacitações,
03:12para que a população, de fato, entenda e aceite, ali no final das contas, aquilo acontecendo no seu território.
03:18Em 2024, o Brasil foi o país mais afetado pela dengue, com mais de 6 mil mortes.
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