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Nessa edição, trazemos casos reais de pessoas que usam a inteligência artificial como terapeuta, amigo e até amor da vida! Até quanto é seguro confiar na tecnologia para assuntos emocionais íntimos e delicados?

Com trecho da entrevista com Rodrigo Bressan, psiquiatra, neurocientista, professor da UNIFESP, PhD e professor visitante do King’s College London.

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#ia #ceo #trabalho #empoderamento #negocios #economia

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Transcrição
00:12Olá, está no ar mais uma edição do nosso Economia e Negócios.
00:17Eu sou José Inácio Pilar, ela é a Patrícia Chacur e vamos trazer hoje um assunto muito
00:23interessante que é relacionado à apresentação que a Patrícia Chacur acompanhou no SXSW
00:32lá nos Estados Unidos mais há um tempinho atrás.
00:36Mas por que esse assunto é tão interessante?
00:38Esse assunto que eu ainda não falei qual é.
00:40Porque ele é um dos três pontos da chamada força de convergência, não é força de
00:46convergência, três convergências que a, digamos assim, futurista é uma especialista
00:52em tendências futuras, MWeb falou por lá.
00:55Nós já falamos aqui de um outro programa sobre a força de trabalho ilimitada.
01:00Se você não sabe do que a gente está falando, dá uma olhadinha na nossa playlist que lá
01:04você vai encontrar a explicação e mais do que isso, as implicações para você dessa
01:09força de trabalho ilimitada.
01:11Mas agora a gente vai falar sobre a terceirização emocional.
01:15O que é a terceirização emocional?
01:18Mas antes disso, vamos falar um pouco, Patrícia, sobre o SXSW e a MWeb.
01:26Olá, Inácio.
01:27Olá, antagonistas.
01:29Prazer estar aqui novamente.
01:31Então, o SXSW é o maior festival de inovação do mundo, que reúne cerca de 300 mil pessoas
01:39durante 9, 10 dias em Austin, no Texas.
01:43E ele é um festival que mistura cinema, música e palestrantes.
01:49E todos esses palestrantes falam muito sobre o futuro.
01:52Então, eu falo que no SX a gente começa a entender o que vai estar acontecendo nas
01:56nossas vidas daqui a dois, três anos.
01:59E a MWeb, como você já mencionou, é a futurista mais badalada dos Estados Unidos,
02:05que realmente aconselha grandes empresas, aconselha grandes CEOs nos seus negócios.
02:11E a palestra dela é sempre a mais esperada.
02:13E esse ano, como você também mencionou, ela citou três convergências que vão moldar
02:17a nossa sociedade.
02:18Já estão moldando a nossa sociedade.
02:20Exato.
02:20E hoje a gente vai falar dessa terceirização emocional, que é o fato de estarmos cada vez
02:26mais, mais, delegando a inteligência artificial às nossas questões emocionais.
02:32Então, se antes, se na minha geração, eu, adolescente, levavam fora do namorado e ia chorar
02:39com a minha mãe, hoje, provavelmente, essas meninas estão se aconselhando com um bote.
02:46Com alguém ali, um amigo que elas criaram numa IA.
02:52Um amigo virtual.
02:54Um amigo virtual.
02:54Aliás, a gente tem até a imagem da Emweb, justamente durante essa palestra dela, a gente
02:59pode colocar no ar, só para ilustrar quem é a Emweb, caso você ainda não conheça,
03:03você vai saber um pouco da aparência da Emweb, durante justamente essa palestra, aqui
03:08está ela, em que ela contou para a Patrícia e para quem mais estava presente lá no evento
03:14do SXSW, sobre essas três convergências.
03:17E o interessante dessa terceirização emocional é que ela oferece muitas oportunidades, mas
03:25muitos riscos.
03:27Se a gente for pensar, existe, por exemplo, o fantasma de, por ser uma inteligência artificial,
03:35nunca vai ter algo diferente daquilo que ele recebeu o script para falar.
03:39E isso é especialmente atraente para uma nova geração de pessoas que ainda não têm
03:45esses soft skills, essas habilidades sociais, pessoas que ainda estariam, por serem jovens,
03:51formando a sua personalidade, entendendo como funcionam as dinâmicas sociais, os relacionamentos,
03:58amizades, namoros, tudo.
04:00Tudo isso é um pouco assustador para todo jovem, para toda criança, todo adolescente.
04:05E é justamente essa nova geração que está sendo mais, digamos assim, seduzida por
04:11essa tecnologia.
04:12Seduzida, né?
04:12Porque os relacionamentos reais, eles geram muito atrito, muita fricção.
04:17É difícil você ter um relacionamento, não só emocional, também no trabalho.
04:22Você fala uma coisa, a pessoa entende outra.
04:25Então, quer dizer, exige todo um jogo de cintura, uma negociação.
04:30E quando você está se relacionando com a IA, não tem atrito nenhum.
04:34Ela só te coloca para cima.
04:36Ela só te elogia.
04:38Ela só te valoriza.
04:39É muito mais fácil.
04:41Então, muitas pessoas estão usando a IA para amizade, para namoro e até para terapia.
04:48E isso é um risco gigantesco para a nossa sociedade.
04:51Vamos falar disso.
04:52Vamos colocar a tabela da geração Z, que é justamente a geração que hoje já tem
04:58mais, digamos assim, impacta, tem sido mais impactados.
05:02São os nascidos entre 1997 e 2012.
05:06E veja só esses resultados, né, Patrícia?
05:09Não, os dados são assustadores, né?
05:11Quer dizer, 49% dos jovens dessa geração já tiveram um relacionamento significativo
05:18com uma inteligência artificial, por relacionamento significativo, desculpa.
05:23Não significa apenas namoro.
05:26Pode ser uma amizade.
05:28Eles têm, muitos têm o que eles chamam de um IA companion, um companheiro, né?
05:34O que antigamente para as crianças era o amigo imaginário, né?
05:38Sim, eu já tive.
05:39Agora, eu não tive, sabia?
05:41Eu tive.
05:42Agora, eles têm.
05:43Então, ou uma amizade ou realmente um namoro com a IA.
05:47E o outro dado assustador é que 37% admitem que poderiam, sim, se apaixonar por uma IA.
05:56Isso é muito preocupante.
05:58E aí a gente fala, nossa, gente, mas que coisa mais maluca, que disruptivo.
06:02Mas que coisa doida.
06:03Estamos em 2026 chegando nessa situação.
06:06Então, como a gente sabe, a arte imita a vida e às vezes a arte antecipa a vida.
06:12Em 2013, teve um filme que justamente abordava essa situação, que chamava Her, que foi estrelado
06:20pelo Joaquim Phoenix e que tinha uma inteligência artificial.
06:24Aqui está Joaquim Phoenix falando com o computador e a inteligência artificial o encantou.
06:31Ele se apaixonou pelo computador, que não atrapalhava nada ter a voz da Scarlett Johansson.
06:36Ajudou, né?
06:37Exato.
06:38Talvez se fosse com a voz da Nair Belo fosse um pouco menos encantador.
06:42E eu adorava a Nair Belo.
06:44Vamos deixar claro aqui nenhum tipo de comentário derogatório.
06:47Mas o fato é que, portanto, isso foi antecipado.
06:50Em 2013, tivemos aí o Joaquim Phoenix falando sobre isso.
06:56E aí você fala, nossa, mas que visionário que foi o diretor, o Spike Jonze.
07:01O Spike Jonze, então, antecipou essa tendência das inteligências artificiais se tornando algo.
07:08Dos namoros, né?
07:08É, relacionamento, namoro, casamento, tudo isso.
07:12Será que ele estava tão à frente mesmo disso, Patrícia?
07:16Olha, a Esther Perel, que é uma psicoterapeuta também maravilhosa, que sempre vai ao SXSW.
07:23Aliás, as duas pessoas que eu mais gosto de ouvir lá são a Amy Webb e a Esther Perel.
07:28Ela levou o Spike Jonze para uma sessão justamente para falar sobre esse filme.
07:34Porque ali no filme ele tem um relacionamento com a Scarlett Johansson.
07:38A voz dela, pelo menos.
07:40E a Esther Perel é uma psicoterapeuta especialista em terapia de casal.
07:45E há pouco tempo ela teve um paciente que veio fazer uma sessão de terapia com ela
07:51para falar que ele estava apaixonado por uma IA.
07:55Então, ela disse que ela já teve várias primeiras vezes como psicoterapeuta em terapia de casal.
08:02Por exemplo, ela já teve a primeira vez em que ela fez uma sessão sobre poliamor.
08:08Ela deu lá uma série de exemplos de relacionamentos modernos.
08:12E dessa vez foi a primeira vez dela com um casal que era um humano e um bot.
08:20A Astrid é o nome da namorada do paciente dela.
08:25Então, como ela teve essa experiência, ela falou,
08:27bom, vou convidar o Spike Jonze, que foi o visionário que antecipou tudo isso lá 13 anos atrás.
08:33E esperava-se muito dessa sessão.
08:36Porque ela, né, puxa, como é que você imaginou?
08:40Como é que você enxergou o futuro?
08:42E ele falou, não, não foi nada disso.
08:45Na verdade, ali, aquele é um filme sobre a solidão.
08:49Então, era a solidão do personagem, né, do Joaquim Phoenix.
08:52Realmente bem melancólico.
08:54Bem melancólico, né.
08:55O Spike Jonze percebeu um início do uso de gadgets, né,
09:01e das pessoas se comunicando.
09:03Na verdade, o filme, até, numa das primeiras cenas, tem um momento desses telefonemas que tinha sex line, né,
09:12que você ligava pra uma pessoa.
09:14Tinha teleamizade.
09:15É, exato.
09:17Então, ele faz uma referência a isso.
09:18Ele, vendo esse movimento, ele extrapolou pra esse universo.
09:22Mas eu fui assistir o filme novamente agora,
09:25e, realmente, ali, ele previu muita coisa.
09:30Você assistir hoje, é impressionante.
09:33Principalmente os videogames que ele usa, que são de realidade aumentada, exato, imersivos e tal.
09:40Mas ele falou, não, eu não tava prevendo nada.
09:42Eu tava simplesmente falando sobre um indivíduo muito solitário
09:47e a expansão da consciência dele.
09:50Esse era o objetivo.
09:51E a conversa deles não rendeu muito.
09:54E foi um pouco decepcionante.
09:56Agora, eu tenho uma curiosidade pra contar, né,
09:58porque o Spike Jonze é muito tímido.
10:03E quando eu trabalhava na Nike,
10:06nós o contratamos pra dirigir um dos nossos filmes.
10:10E ali, né, pra nós, ele era um cara que estava bombando e tal.
10:15Foi super bacana tê-lo no set de filmagem.
10:17Mas ele era muito calado, muito fechado.
10:21Geralmente, o diretor tá sempre chamando os criativos e os clientes,
10:26no caso, eu era cliente, né, trocando uma ideia.
10:29Olha, por aí, vocês estão contentes, vocês não estão contentes, né?
10:32E geralmente é um trabalho feito em conjunto.
10:35Mas ele não.
10:36Ele ficava super na dele.
10:38Ele mal falava conosco.
10:41Então, na hora que eu vi que a conversa dele com o Externo rendeu,
10:44eu acho que é da personalidade dele.
10:46Ele é mais introspectivo.
10:47Aí que tá isso que eu ia perguntar.
10:48Se ele é introspectivo ou se ele simplesmente é daqueles que, tipo,
10:52ah, estou aqui fazendo um trabalho, não quero intimidades,
10:55não quero fazer aproximações.
10:57Mas eu acho que é da personalidade.
10:59O que nos faz pensar que essa questão do personagem do Joaquim Fênix,
11:03talvez tenha mais dele.
11:03Seja uma projeção dele mesmo.
11:05Tenha mais dele do que algumas pessoas poderiam pensar.
11:08Pois é, passando-se os anos, tivemos aí, portanto,
11:12uma extrapolação do que a gente viu no filme dele.
11:18Por quê?
11:19Porque já tem gente que namora com inteligência artificial.
11:23A gente viu o caso da Astrid no podcast da Esther,
11:28que a Patrícia acabou de mencionar.
11:30Mas tem gente que casou com a IA.
11:32Como assim?
11:33Casou.
11:34Vamos ver aí a imagem da Iurina.
11:36A Iurina casou.
11:38Ela é uma japonesa de 32 anos que casou com inteligência artificial.
11:44Note que ela está ao lado dela, em cima da mesinha lateral, tem a IA,
11:48que ela criou a imagem de um personagem que ela era superfã.
11:52Temos a outra imagem agora também do casamento dela,
11:56onde ela está usando a tecnologia aumentada,
12:00talvez menos avançada em relação ao que algumas pessoas imaginavam no filme Her,
12:04mas de toda forma, para que o casamento dela com o personagem,
12:09que hoje é uma realidade, digamos assim, eletrônica, pudesse acontecer.
12:16E eu não vi muita gente presente lá naquele casamento.
12:19Pelo menos nas fotos que eu vi, não tinha muita gente sentada nas cadeiras.
12:22Quem sabe os convidados também fossem virtuais.
12:26Mas tudo isso, por quê?
12:28Porque cada vez mais gente está usando essa tecnologia.
12:31Veja que interessante aqui.
12:34Segundo dados da agência de comportamento Talk Inc.,
12:39uma estimativa do UOL mostra que mais de 12 milhões, só de brasileiros,
12:4412 milhões de brasileiros já utilizam a ferramenta de inteligência artificial
12:48para fazer terapia.
12:51terapia com chat GPT.
12:54O que é que você acha dessa?
12:56Aí é uma questão complexa, Inácio, porque assim, a gente sabe que a terapia,
13:02pouca gente tem acesso, né?
13:04Existe uma questão de custo.
13:06É algo que custa.
13:08Então, a nossa primeira impressão é, puxa, que bacana, vamos poder democratizar isso, né?
13:13Dar mais acessibilidade.
13:15Mas, até que ponto a gente pode confiar numa IA para te dar conselhos?
13:20Até porque nós acabamos de comentar que a IA só te badala, a IA só te põe para cima.
13:24Eu me irrito com o meu chat GPT diariamente, porque ele fica me badalando.
13:29Eu falo, chega, vamos, né?
13:30Menos, menos, menos.
13:31Isso é muito cansativo.
13:32Então, se você não tem muito discernimento, né?
13:35E outra, o papel do terapeuta é justamente te provocar, né?
13:40Te, então, assim...
13:41E analisar coisas que, por exemplo, a tecnologia não tem como ver se o seu tom de voz, a sua
13:48hesitação, se você franze o senho, se você fica nervoso, se você está mexendo
13:53a mão, se você está batendo o pé no chão.
13:55Todos esses sinais que alimentam a análise de um bom psicoterapeuta, de um psicólogo,
14:01um psiquiatra ou um psicanalista, passam batido da tecnologia que está lá para te
14:07agradar, te proporciona, mas nem sempre te põe para cima.
14:11Às vezes, é uma armadilha literalmente mortal.
14:16Nós vamos colocar um trechinho aqui da entrevista que nós fizemos com o psiquiatra Rodrigo Bressan,
14:20que fala justamente sobre os perigos da IA.
14:25Como eu falei, a IA também pode ser útil em outras facetas, mas esse trecho ele fala
14:30especificamente sobre os perigos da IA.
14:33Vamos ver esse trechinho.
14:35Nós vimos um dado, Rodrigo, que 49% dos jovens da geração Z já tem um IA Companion,
14:43quer dizer, um amigo de IA, seja para amizade, ou seja para aconselhamento, ou para relacionamento
14:49amoroso.
14:50Esse número é muito alto.
14:53E essa turminha da geração Z acabou de sair da pandemia, onde já houve um isolamento
14:58social e já houve essa dificuldade de desenvolver essas habilidades socioemocionais.
15:08Então imagina, vem agora uma IA em cima desses quatro anos de isolamento.
15:12O que vai acontecer com essa geração?
15:14É interessante, porque a pandemia foi quase que um experimento sobre questões humanas,
15:22especificamente em questões de saúde mental.
15:24Porque para o jovem, pensando no jovem, ele foi retirado da escola, que é um lugar de
15:32convivência.
15:34Começou a conviver de um jeito virtual.
15:36Se jogava muito e eles jogavam e conversavam entre si, ou tinham trocas em grupos e tal.
15:44Mas a escola em si foi perdida.
15:47E foi muito interessante.
15:49Eu não conseguia prever o impacto nesses jovens.
15:54Eles perderam um pouco de português e matemática, mas a principal coisa que eles perderam foi a habilidade
16:01de se relacionar.
16:02Então, quando eu vou na escola, eu aprendo a ser cidadão.
16:06Eu preciso respeitar uma fila, esperar a hora de falar, ser frustrado, ter raiva de alguém
16:11que me incomodou e me controlar, gostar de uma menina e ela não me querer.
16:16Você tem que lidar com frustrações sociais.
16:20A gente tem que aprender a conviver em sociedade.
16:23Isso é uma habilidade básica para o funcionamento de uma sociedade.
16:28Se você tira, isso piora muito.
16:30Então, na volta às aulas, isso ficou muito claro.
16:33Os jovens não ficaram um ano, seis meses depois, mais seis meses e tal.
16:38E o impacto já foi enorme.
16:41Mas, se você tem algo como essas AI's, que viram amigos, conselheiros e tal.
16:47Companhias, né?
16:48AI companion, né?
16:50Companheiras.
16:50Mas, eu não sei exatamente qual é a melhor tradução.
16:53Eles começam a funcionar quase que em paralelo com tudo que vai acontecendo na sua vida.
16:59Então, ele vira o principal interlocutor, que é um interlocutor que não te frustra.
17:04Que não vai falar que você está fazendo errado, que você está chato, que você está insuportável.
17:09Não dá para funcionar assim.
17:10Vai dormir cedo, porque não interessa que vá dormir cedo.
17:13Não interessa que continue ali.
17:15Então, isso vai ter um impacto, mas ninguém sabe exatamente qual vai ser o impacto.
17:21Porque ele vai estar no desenvolvimento.
17:23A gente consegue imaginar o que vai acontecer, parecido com a mídia social que a gente usa atualmente.
17:31Então, ah, eu fiquei viciado no Instagram.
17:33Tá bom, mas você tem um equipamento para lidar com o Instagram que foi montado muito antes, como adulto.
17:39Quando você é jovem e começou a funcionar a partir do Instagram, você é absolutamente...
17:45O seu sistema de recompensa fica montado assim.
17:48A gente monta o sistema de recompensa no desenvolvimento humano.
17:54Na fase da adolescência, ele é extremamente...
17:57É uma janela de montagem do sistema de recompensa que é assim.
18:01Eu tenho um estímulo, um apetite muito alto e eu tenho que frear os meus impulsos.
18:06É com isso que as mídias sociais fazem todo um jogo para criar dependência.
18:13Essa montagem, se ela é distorcida, você tem uma chance muito maior de ficar dependente no futuro.
18:18Isso vale para qualquer droga.
18:19Álcool, tabaco, maconha, cocaína, qualquer outra droga.
18:23Porque o seu sistema de recompensa está em construção.
18:27Quando você está mais velho e toma contato com a droga ou qualquer um desses estímulos...
18:31Você tem um comparativo.
18:32Você tem um freio mais potente.
18:35O cérebro está estruturado de um jeito que ele para antes.
18:38Então, para um jovem agora parar de usar a mídia social é muito mais difícil do que alguém que aprendeu.
18:44Porque eles não sabem o que é não ter.
18:46Exato.
18:46E porque eles foram treinados como natural ter.
18:50Então, é automatizado aquela coisa de vai, vai, vai, muda.
18:54Está aí Rodrigo Bressan, cuja entrevista você pode assistir na íntegra, na nossa playlist, em algum momento oportuno.
19:03Não sabemos se já está no ar ou não.
19:05Depende, porque eu não sei que hora você está vendo esse programa.
19:07Esse programa daqui é um programa que pode ficar sendo assistido por meses e anos a fio, porque o tema
19:12é atemporal.
19:14Então, veja lá a entrevista também com o doutor Rodrigo Bressan.
19:18Mas tudo isso que a gente está falando, a gente falou sobre o ponto de vista de comportamento.
19:22Mas também tem um lado econômico de tudo isso, que eu separei aqui justamente por quê?
19:29Porque existem aplicativos para fazer terapia.
19:33Temos, por exemplo, o aplicativo, deixa eu pegar aqui o nome, Síngulo.
19:38Vamos colocar então o aplicativo Síngulo, que é um aplicativo que existe brasileiro criado para você fazer um acompanhamento emocional.
19:46Não vou nem usar a palavra terapia, porque pode ter implicações mais complexas.
19:51Então, vamos colocar esse exemplo aqui.
19:54Lá fora, também tem um outro chamado Therapy AI.
19:59Aí você vê que tem todo um template onde você mostra como é que está o seu humor, como é
20:04que você está se sentindo.
20:05Tudo isso voltado para quem está procurando o apoio emocional, procurando um norte, digamos assim.
20:14Por outro lado, essas novas tecnologias também têm agora uma faceta que busca ajudar os terapeutas em si.
20:25De repente, uma tecnologia ajuda o terapeuta a entender melhor, a fazer o management da sua agenda.
20:33Manager, ele pareceu meio pedante, né?
20:35Fazer, enfim, o gerenciamento da sua agenda.
20:39E tem aí o Talkspace.
20:41O Talkspace é especialmente interessante porque os algoritmos dele prometem que consegue identificar mudanças de humor
20:51conforme ele analisa as trocas de mensagens escritas entre o terapeuta e o seu paciente.
21:00E com análise nesses padrões, mudanças de humor, sugerir respostas terapêuticas.
21:06Além disso, ele também tem recursos, como eu falei, de agendamento com inteligência artificial e acompanhamento automatizado
21:14que melhoraria o engajamento do cliente e a continuidade do tratamento.
21:18Porque tem muito paciente que quando a coisa começa a cutucar no vespeiro, ela desiste da terapia.
21:24Exato.
21:25Também tem aqueles que continuam, né?
21:26Que não fazem terapia, frequentam a terapia.
21:30Mas tudo isso a gente vai falar em outra ocasião.
21:31Mas o importante também disso, portanto, é a consequência econômica.
21:37Afinal, é economia e negócios.
21:40Por quê?
21:41Porque se a gente tiver cada vez mais usando esses aplicativos, chat GPTs,
21:47quem garante que em algum momento, não muito distante,
21:50essas tecnologias não vão mapear o estado de espírito das pessoas,
21:55perceber os momentos de vulnerabilidade, os assuntos em que ela está mais, digamos assim, receptiva
22:02e colocar um malho de venda para um aplicativo diferente, para um produto, para um serviço.
22:09E aí, portanto, você pode ser mapeado emocionalmente.
22:13Emocionalmente.
22:13Exato.
22:14Isso já acontece hoje com o algoritmo só de você falar alguma coisa, né?
22:17Pois é.
22:17Você menciona que você quer ir para a Grécia e você começa a receber um monte de ideias aí,
22:23de roteiros para a Grécia.
22:24Agora, na hora que eles também puderem te captar emocionalmente.
22:28Na intimidade.
22:28Na intimidade.
22:29Isso vai ser ainda mais perturbador.
22:31E sobre os aplicativos, Inácio, é interessante a gente citar
22:34que esse ano, em fevereiro, em Nova York, no Valentine's Day,
22:38houve um encontro de uma empresa chamada Eva.
22:42É um aplicativo chamado Eva, onde você entra e você cria o seu namorado, namorada virtual.
22:50E aí eles fizeram, na noite, né?
22:5214 de fevereiro, fecharam um restaurante onde os clientes do aplicativo foram lá para jantar
23:00com os seus namorados de Iá, né?
23:04Com o celular, né?
23:06E interagia ali no...
23:07Olha que loucura.
23:08Pois é.
23:08Isso traz outra consequência econômica.
23:10Ao que me consta, celular não come, não toma vinho, não viaja, não paga passagem aérea.
23:17Os relacionamentos, portanto, virtuais, em eles sagrando, as companhias virtuais,
23:22vão ter impactos econômicos, por exemplo, em restaurantes, em hotéis, em companhias aéreas.
23:28Tudo isso que hoje um casal vai com os seus programas, seja no começo da relação,
23:33seja durante a relação, tudo isso vai ser impactado.
23:36Porque a pessoa pode preferir ficar em casa.
23:38Não precisa ir no restaurante e, se for, vai ser uma pessoa só.
23:42Também pode ter impactos na natalidade.
23:45Existem muitos países que têm um problema de natalidade.
23:48Está nascendo cada vez menos criança.
23:50Imagine se agora tivermos mais essa competição para a natalidade.
23:54Isso vai ter questões econômicas gravíssimas.
23:57Sem falar no comprometimento dos soft skills das pessoas, né?
24:02Total, né? Porque é o que nós mencionamos aqui, né?
24:04Na medida que você se relaciona com o Maia, você elimina todo o atrito das relações pessoais,
24:09que é trabalhoso, né?
24:11Dá trabalho, você tem que discutir, você tem que se alinhar, você tem que negociar, né?
24:16Seja com o seu namorado, com o seu marido, com o seu chefe, com o seu amigo,
24:20tudo exige uma certa negociação.
24:22E as pessoas vão se acostumando cada vez mais a não ter que passar por isso.
24:26E a ter os relacionamentos muito fáceis e muito sem atrito.
24:29E aí como é que fica a convivência em sociedade?
24:31E também traz custos.
24:33Você vai ter cada vez mais uma nova geração,
24:36partindo da premissa que essa questão realmente cresça exponencialmente,
24:40como parece ser o caso.
24:42Cada vez mais você vai ter uma geração que não sabe lidar com colegas de trabalho,
24:46gerenciar processo, gerenciar equipe,
24:49ser gerenciado por um superior, hierárquico,
24:53enfim, todas essas matizes vão trazendo impactos econômicos, sociais,
24:58e não vou nem falar emocionais, que foi a base do nosso programa.
25:02Bom, eu acho que com isso a gente cobriu bastante esse aspecto muito interessante
25:08que a Amy Webb trouxe nessa provocação do SXSW, né?
25:12Isso, a Amy e a Esther, né?
25:13É verdade.
25:14Com essa sessão aí, com esse analisando dela,
25:18que tem de fato uma relação com a IA.
25:21E é interessante, não mencionei isso,
25:24ele começou esse relacionamento,
25:26ele não criou a Astrid, que é a namorada dele hoje,
25:31para ser uma namorada.
25:32Ele criou para que ela fosse uma agente,
25:34porque ele queria mudar de país.
25:36E ele queria que ela o ajudasse a planejar essa mudança de país.
25:40E ele acabou se apaixonando por ela e ela por ele.
25:43É, ou ela por ele.
25:44É, enfim.
25:45O campo da reticência aqui, né?
25:47Pois é, isso cabe a você descobrir.
25:48Você acredita que a IA pode se apaixonar de volta?
25:52O que é paixão?
25:53A máquina pode ter esse tipo de, entre aspas, sentimento?
25:57Tudo isso, escreva aqui embaixo nos comentários do nosso programa,
26:00que a gente quer saber,
26:02porque a gente ainda vai falar mais sobre inteligência artificial
26:04aqui no Economia e Negócios.
26:07Patrícia, nos vemos no programa que vem?
26:08Nos vemos.
26:09Até lá, pessoal.
26:10Tchau, tchau.
26:11Tchau, tchau.
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