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Você vale pelo que produz ou pelo impacto que causa na vida dos outros?

Nesta edição do Economia & Negócios, Patricia Chaccur e José Inácio Pilar discutem o "Mattering" e Saúde Social.

Entenda como o desejo profundo de importar para alguém, seja na família, nos negócios ou com clientes, impacta nosso bem-estar, saúde social e conheça o caso real que inspirou Nicole Kidman.

Em O Antagonista, você encontra um jornalismo de investigação, com análises precisas e opiniões sem concessões.

Acompanhamos de perto os bastidores da política, da economia e as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Aqui, você confere na íntegra nossos programas: Papo Antagonista, com Madeleine Lacsko; Meio Dia em Brasília, com José Inácio Pilar e Wilson Lima; Narrativas; Café Antagonista; LadOA!; e o Podcast OA!, com convidados influentes em diversas áreas.

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Transcrição
00:11Olá, está começando mais uma edição do Economia e Negócios, este programa que está aqui para te
00:20trazer todas as novas tendências, tecnologias e tudo que é discutido e que afeta a sua vida
00:26como consumidor e como pessoa. Eu sou José Inácio Pilar e você é nossa querida Patrícia Chacur, tudo bom?
00:33Olá José Inácio, tudo ótimo e você? Olá Antagonistas.
00:37Muito obrigado pela sua audiência e já que você está assistindo nosso programa já deixa aquele clique,
00:42aquele joinha que é sempre muito bem-vindo, se inscreva no canal e ative o sinalzinho de notificação
00:48porque aí é sempre que tiver um novo Economia e Negócios você vai ficar sabendo.
00:52É só clicar gente, não tem que preencher nada, é muito simples e fácil.
00:56Mas vamos direto ao que interessa.
00:58Bom, você que está acompanhando aqui o nosso programa já sabe, se você não sabe, eu te conto agora.
01:04Nós estamos falando aqui muito sobre o SXSW, o festival que ocorreu um tempo atrás agora recentemente
01:13nos Estados Unidos, no Texas, que traz todas as novas tendências que já aqui discutimos bastante.
01:20falamos sobre inteligência artificial, falamos sobre terceirização emocional, falamos sobre até o mercado de trabalho com robôs, tudo isso.
01:30Mas também tem um lado humano que foi muito, muito, muito bem abordado nesse SXSW,
01:38que nossa querida Patrícia Chacul estava lá em loco fazendo a cobertura, acompanhando todas as declarações, fazendo entrevistas,
01:49alinhavando o conteúdo e é exatamente um dos conteúdos que foi abordado lá,
01:54numa palestra da Jennifer B. Lawrence, não, Wallace, Jennifer Lawrence é atriz, Jennifer B. Wallace,
02:02que importa muito, que é justamente fazer diferença, você fazer diferença e que as coisas que você faz, façam diferença.
02:13Como assim, Patrícia?
02:16Então, Inácio, como você falou, o SXSW é um festival que fala muito de inovação, de tendências,
02:22onde a gente vê ali o que vai estar acontecendo nos próximos dois, três anos.
02:26E a palestra de abertura sempre dá o tom do festival.
02:31E a Jennifer Wallace fez a palestra de abertura com esse tema que você citou agora, que é o mattering,
02:37para mostrar como as pessoas estão muito preocupadas com essa parte mais humana.
02:42A gente trouxe nos episódios anteriores toda a parte de tecnologia do festival.
02:47E para quem não assistiu, recomendo que assistam.
02:49E ela abordou essa coisa muito humana, que é o mattering,
02:53que é, numa tradução aqui adaptada, seria você ser importante, sentir-se importante para o outro,
03:03sentir-se importante para alguém e também fazer algo de importante pelo outro.
03:08Então, a importância das relações.
03:11Exatamente. E não é importante dizer, ah, eu sou importante de ego, de poder.
03:16Não é essa abordagem, né?
03:18Não, não, nada disso.
03:19Mas o interessante é que ela começou a palestra dela mostrando uma foto da Pizza Hut.
03:24Nós temos a imagem.
03:25A gente vai colocar a imagem da Pizza Hut.
03:27E existem algumas Pizza Hut nos Estados Unidos que reproduziram esse visual dos anos 80, 90.
03:37Olha, que nostálgico.
03:39E tem pessoas que estão viajando horas para irem até essas Pizza Huts aí, que estão espalhadas.
03:45Isso foi até uma matéria do New York Times.
03:48Outra coisa que ela mencionou foi que ela tem visto hoje, e a gente também tem visto,
03:53que os jovens estão muito interessados por uma vida mais analógica.
03:57Então, meu filho, por exemplo, pediu de presente, ganhou recentemente, uma máquina fotográfica de filme.
04:03Sei.
04:04E as pessoas estão comprando aqueles telefones de disco, de antigamente.
04:10Então, ela citou esses exemplos para falar que estamos vivendo uma época de nostalgia.
04:17E ela relaciona essa nostalgia com a necessidade que as pessoas têm de se sentirem importantes para o outro.
04:25Por isso que ela fala, as pessoas estão indo até essa Pizza Hut, porque elas querem se lembrar da época
04:30em que elas sentavam em volta daquela toalha xadrez vermelha e branca.
04:35E o outro estava realmente ouvindo, porque o outro não estava com o telefone celular na mão.
04:42Então, essa nostalgia traz essa coisa do desejo das pessoas de se sentirem realmente conectadas.
04:48E realmente, sem a tecnologia no meio, né?
04:53Eu achei isso bem legal.
04:54É, porque a tecnologia hoje em dia, você que está em casa sabe disso, porque está assistindo a gente através
04:59de um aparelho tecnológico,
05:01seja no seu celular, no seu tablet ou na sua smart TV.
05:05É muito interessante você ter isso em mente, porque até filmes antigos, eu estava assistindo outro dia,
05:11eu não vou lembrar qual que era, era um filme dos anos 60, 70.
05:17E o fato é o seguinte, era um filme de espionagem, mas não tinha celular.
05:22Então, a pessoa tinha que chegar a um telefone, tinha que ser no orelhão, mas não era qualquer orelhão,
05:27tinha que ser um orelhão que também não ficasse exposta aos possíveis perigos.
05:32E aí, tem toda essa questão, ele estava num jantar, onde ele estava absorvendo as informações daquela outra pessoa que
05:38ele estava conversando,
05:39e aí tinha que sair para repassar.
05:42Hoje em dia não tem isso, hoje em dia é o primeiro que tem escuta via satélite, tem um monte
05:46de coisa,
05:47mas tudo isso para mostrar que até os filmes eram influenciados pelas tecnologias da época,
05:53e eram influenciados também por justamente esse sentimento de pertencimento.
05:58Você vê uns filmes, por exemplo, Férias Frustradas, é um clássico dos anos 80,
06:02você que talvez tenha um pouco mais de 40, vai lembrar desse clássico da Sessão da Tarde,
06:07onde a família toda viajar junto, não tinha um no tablet, outro no celular,
06:13todo mundo, era a família tendo que se entreter, todo mundo tendo que conversar,
06:16e isso que levava ao espírito de pertencimento de família.
06:21E isso traz também uma coisa muito interessante, que é a questão da autoestima,
06:27que talvez as pessoas confundam com o método, e não é, não é autoestima,
06:32e também não é uma métrica de sucesso, é de se sentir valorizado.
06:37Valorizado por quem? Por quem você está na mesa.
06:40Se a pessoa está com você na mesa, mas você está vendo que ela só fica no celular,
06:43respondendo WhatsApp, vendo videozinho, ah, mas está no mudo,
06:48ela não está com você, você não se sente muito importante.
06:51Isso acontece, sobretudo, para as novas gerações, que muitas vezes se sentam
06:56num lugar e fica todo mundo, cada um no seu celular, todo mundo.
07:00Eu vejo muitos casais, eu saio com a minha mulher de vez em quando a gente vai em restaurantes,
07:04e aí a gente vê em casal, casal sentado, cada um com o celular na frente,
07:08e não tem conversa.
07:10E eles são casados, eles são um casal.
07:13Imagine para pessoas que ainda não têm essa métrica de saber o que é ser um casal,
07:17ainda não têm essa consciência, como os mais jovens.
07:21E aí com isso vai gerando um vazio psicológico, porque você não se sente
07:26pertencente àquela realidade que você está, com quem você está conversando,
07:30e você também sente que a pessoa que está lá também não te dá até dessa importância.
07:35Você não se sente importante para ela, e você sente que ela também
07:38acaba não sendo tão importante para você, porque você não sabe mais tanto sobre ela,
07:42porque ela não fala mais, ela fica lá entretida.
07:45E isso nos leva a um outro tipo de métrica, e essa é antiga.
07:49Todo mundo conhece, todo mundo que fez escola, todo mundo que, enfim,
07:53já passou por qualquer tipo de educação formal, sabe que é a questão de tirar nota alta.
07:59Você só importa se você tira nota alta, você só importa conforme o seu desempenho.
08:05Isso muitas vezes também no campo profissional.
08:08Você é medido só pelo que você produz, o quanto você produz, com que rapidez.
08:13E aí você fala, puxa, tá bom, claro que isso é importante.
08:16Estamos num mundo real que ninguém vai te contratar, porque você é um cara, uau, super legal.
08:21Mas a questão é, será que a pessoa se sente esvaziada na própria faculdade, no próprio colégio?
08:28Você chega em casa, tirou uma nota ruim, descem além em você.
08:33Isso também esvazia, sobretudo, essas novas gerações, não?
08:37Esvazia muito, Inácia. E você falou uma coisa importante, você falou que se você não se sente valorizado,
08:41isso traz questões psicológicas para você.
08:44E a Jennifer explica isso muito bem, porque ela fala que o importar, o metering, né,
08:50que é o que ela estuda muito, é essencial e é uma questão da nossa evolução.
08:56Então, as pessoas, né, os nossos ancestrais precisavam importar ali dentro daquela comunidade,
09:03eles precisavam ser importantes, eles precisavam também fazer alguma coisa para aquela comunidade,
09:08por uma questão de sobrevivência, inclusive.
09:11Então, isso está registrado em nós, entendeu?
09:15Por isso que é tão essencial você cultivar esses relacionamentos para você realmente se importar com o outro
09:22e para que os outros se importem com você.
09:24Exato. Aliás, mostra essa imagem aqui, achei muito legal essa imagem que a gente colocou,
09:27porque é isso, né, os jovens ficam assim, todo mundo com o seu celular, no seu universo,
09:33absolutamente assoberbados com as TikToks, Instagram, sabe-se lá mais o quê,
09:37a gente não é exatamente o padrão da geração Z para saber o que eles ficam,
09:42mas eu acho que TikTok e Instagram, a gente cobre bastante disso já.
09:45E aí, com isso, as pessoas começam a ficar se sentindo esvaziadas, inúteis, de certa forma,
09:52se não performar muito bem.
09:55E isso também tem, isso não é só uma realidade para estudantes, para jovens, para adolescentes, não.
10:00Isso também chega no ambiente profissional, né, Patrícia?
10:03Sim, sim. E também, porque, claro, porque se você só é avaliado pelo seu desempenho positivo,
10:09isso acaba te deixando, é muito pressionado, e as pessoas que não conseguem atingir tudo aquilo
10:17também se sentem muito desvalorizadas, principalmente nas estruturas em que você só é reconhecido
10:26quando você acerta, as pessoas também ficam com medo de errar, enfim, e acaba baixando o índice de produtividade,
10:32de engajamento, de iniciativa, de interesse, e isso acaba gerando uma rotatividade muito grande dos funcionários,
10:39que é também negativo para as empresas.
10:40Agora, tem um outro ponto interessante que ela mencionou, é que as pessoas que estão prestes ou desejando tirar a
10:50própria vida,
10:51foi feita uma pesquisa com essas pessoas, e a palavra que aparecia era inútil, a pessoa se sentia inútil.
10:59Então, isso demonstra o quanto você se sentir importante para alguém, afeta, inclusive, a sua saúde mental.
11:08Sim, e é interessante você falar dessa questão da pessoa se sentir inútil, porque muitas vezes as pessoas atrelam a
11:15se sentir útil
11:16no sentido, de repente, de algo de grandeza, mas qual vai ser o meu legado, o dia que eu não
11:20estiver mais aqui,
11:21daqui a quantos anos vão se lembrar mais de mim, não vão mais se lembrar,
11:24e as pessoas às vezes acham que é uma questão de deixar um legado do ponto de vista físico,
11:29ah, construir um império, construir uma empresa com milhares de empregados,
11:34criei uma tecnologia disruptiva, serei um Steve Jobs no meu segmento,
11:39porque todos vão falar de mim por décadas e séculos, de repente, depois que eu morrer,
11:45imperadores romanos, cujos nomes a gente se lembra, Adriano, Nero, também, pelo motivo não tão positivo,
11:51mas enfim, eles são pessoas que entraram na história,
11:54então eu não sou útil, não fiz nada importante, não vou entrar na história,
11:58e não é disso que a gente está falando, Patrícia, a gente está falando de se sentir útil,
12:02é, tá, eu estou aqui trabalhando na minha empresa, estou aqui fazendo os relatórios,
12:06mas como é que isso afeta quem está consumindo isso,
12:10até que ponto isso é tangível na vida de quem está vendo,
12:13será que essas planilhas que não acabam nunca, de fato, pesam a favor da vida de alguém,
12:19trazem alguma facilidade, esse trabalho que eu tenho,
12:22está tirando das costas de alguma pessoa, esse trabalho, por isso a vida dela é melhor,
12:27muitas vezes as pessoas precisam se sentir com essa imagem,
12:32a gente tem até uma imagem de um gráfico, na verdade não é um gráfico,
12:36são dois números, acho que 48% das pessoas que se sentem engajadas,
12:42aí está, até isso daí é da palestra da Jennifer, viu, eu coloquei um print lá,
12:4848% das pessoas que se sentem reconhecidas, tanto no seu trabalho,
12:53quanto o seu trabalho por quem consome ele, portanto não é só o seu chefe,
12:58os seus pares, entenderem o que você faz é importante,
13:02mas para você ver que isso aterriza no consumidor,
13:05quem compra o seu serviço, quem contrata aquela empresa que você trabalha,
13:1048% menos procura de novos empregos,
13:14então aquela coisa tipo, ah, não está bom, eu vou,
13:17será que naquele lado é melhor, será que aquela empresa vai me valorizar mais,
13:21será que lá eu vou ser mais feliz, 48% menos de procura de empregos,
13:26e cinco vezes mais engajado do programa,
13:30então você não está lá só para cumprir tabela,
13:32cinco horas caiu caneta, não, você está lá com um coração,
13:37você está lá com um pertencimento, você está lá com um objetivo de vida,
13:41e isso faz toda a diferença, porque inclusive uma das coisas que ela fala na palestra dela,
13:46é que esse sentimento, agora vamos só falando do campo profissional,
13:50mas também serve para quem é estudante, você leva para casa,
13:53você sai do trabalho se você não se sente com pertencimento,
13:56reconhecido no ponto de vista da utilidade do que você faz,
14:00tanto para os seus pares quanto para o mercado,
14:02você chega em casa e isso se arrasta, isso afeta a sua família,
14:05a sua convivência, na mesa de jantar o clima pesa,
14:08você fica talvez com a paciência mais curta,
14:11eu fiz esse infográfico aí,
14:15o ciclo virtuoso do mattering,
14:18quando você se sente valorizado, você tem mais segurança emocional,
14:21que gera uma melhor conexão, e esse reconhecimento gera tudo,
14:26e para o outro lado, isso agrega valor dentro do seu trabalho,
14:29seja o seu trabalho, você como estudante,
14:31porque você sente que está contribuindo, você está ajudando o próximo,
14:34está alcançando não só as suas metas,
14:36mas ajudando os outros a alcançarem as metas dele,
14:39e quando eu digo meta, não é necessariamente de empresa,
14:42é meta da vida,
14:43aquela pessoa que contratou você vai conseguir atingir aquilo que ela quis,
14:47com o serviço que você está prestando,
14:48com o produto que você está produzindo,
14:50produzindo, tudo isso é muito importante também,
14:53né?
14:54É, e eu achei bacana também quando ela falou que,
14:57quando, na pesquisa, quando ela perguntava para as pessoas,
15:01me fale um momento em que você se sentiu relevante para alguém,
15:05e as pessoas nunca respondiam sobre as grandes conquistas da vida,
15:11não respondiam, ah, no dia do meu casamento,
15:13ou no dia que eu ganhei um prêmio muito especial,
15:16as pessoas respondiam com momentos do cotidiano,
15:20então, na verdade, são nos pequenos momentos em que a gente pode se sentir valorizado pelo outro,
15:25e ela deu até um exemplo de um funcionário de uma grande empresa
15:31que recebeu uma premiação muito importante,
15:34e recebeu uma placa lá, um reconhecimento muito importante,
15:38e também os amigos dele entraram no palco e levaram para ele um pote de M&M,
15:43e aquilo para ele foi muito marcante,
15:46porque ele se sentiu visto e valorizado por aquela equipe, né?
15:49Por aqueles amigos,
15:50porque todas as tardes ele corria para comer uns M&Ms,
15:54era uma rotina dele,
15:57e aí na hora ele falou que ele se sentiu mais querido e mais importante
16:04ao receber o pote de M&M do que com a própria premiação.
16:07É, porque a premiação fala sobre o trabalho dele,
16:10o M&M fala sobre ele,
16:12a essência de quem é.
16:13Exato.
16:14E você, você já se sentiu, digamos assim,
16:17momentos que você já se sentiu reconhecida,
16:19que você já se sentiu mattered, né?
16:21Sim.
16:21Usando esse termo em inglês.
16:22É, eu quero citar dois momentos aqui.
16:25Um foi no trabalho e o outro na vida pessoal.
16:27Então, no trabalho,
16:31eu produzi, quando eu trabalhava na Nike,
16:33quando eu liderava a comunicação na Nike,
16:35nós produzimos um reality show.
16:37E, obviamente, a Nike não é uma produtora,
16:40então nós contratamos uma produtora para fazer esse programa.
16:43E eu acabei ficando extremamente envolvida,
16:46era um reality show sobre futebol,
16:48e eu fiquei extremamente envolvida,
16:49e eu ajudei nos roteiros,
16:51eu ficava na ilha de edição até de madrugada,
16:53eu fiquei na filmagem reality show estilo Big Brother,
16:57assim, a gente confinou alguns garotos
16:59que queriam ser jogadores de futebol,
17:01e eu fiquei ali junto com eles o tempo todo e tal.
17:04E quando terminou o programa e foi um sucesso,
17:08eu recebi um prêmio,
17:09a Nike tinha uma premiação interna,
17:11e eu fui premiada num evento global da empresa,
17:13que me deixou muito feliz,
17:15mas o que mais me marcou foi que a produtora,
17:19que eu contratei,
17:20me deu de presente uma cadeira de diretor com o meu nome atrás.
17:24Que legal!
17:25Então, isso pra mim foi um baita reconhecimento,
17:28porque eu me senti realmente importante,
17:31eu senti que realmente eles perceberam
17:33que eu agreguei muito pra aquela produção,
17:35então isso me marcou.
17:36E outra coisa que me marcou muito foi
17:39uma vizinha minha,
17:41que num momento difícil que eu tava passando,
17:44ela veio me trazer um presente, enfim,
17:49e ela tocou a campainha da minha casa
17:52com duas taças de vinho na mão,
17:54uma pra mim e uma pra ela,
17:56e um presentinho,
17:57eu tava indo viajar,
17:58e ela fez um kit pra eu usar no avião,
18:00com sprayzinho pro rosto,
18:02ela criou lá umas coisas bacanas,
18:04uma máscara e tal,
18:05e veio me trazer.
18:07E eu achei aquilo assim de uma delicadeza,
18:10e realmente eu senti essa coisa
18:12da gente importar para o outro,
18:14porque não é todo mundo que tá disposto
18:18a pensar no seu vizinho,
18:21na sua vizinha,
18:22a levar um mimo,
18:23a fazer um gesto de atenção e de carinho,
18:27eu tava num momento bem difícil,
18:29vivendo o luto da perda do meu pai,
18:32e aquilo foi muito marcante pra mim.
18:35Que bacana.
18:36Eu tenho uma que eu lembro,
18:38que olha só,
18:39foi um dia que eu fui demitido
18:41de um trabalho,
18:42e eu fui demitido não porque
18:44eu tinha feito alguma coisa errada,
18:46mas porque a empresa que eu tava,
18:48eu tava fechando.
18:49Ela tava,
18:50ela enfim,
18:51não prosperou,
18:52vamos dizer assim,
18:53e aí todo mundo tava sendo mandado embora,
18:55porque a empresa ia deixar de operar daquele jeito,
18:57távamos devolvendo o escritório,
19:00etc.
19:00E,
19:02desde aquele dia,
19:03isso já faz,
19:04deixa eu ver,
19:07nove anos,
19:07mais ou menos,
19:08desde aquele dia,
19:10o antigo dono dessa empresa,
19:11ainda mantém contato comigo,
19:13sempre quer fazer projetos juntos,
19:14a gente sempre faz,
19:15a gente sempre conversa,
19:16a gente sempre se aconselha comigo,
19:18eu com ele,
19:19e é uma coisa que mostra que eu não fui um funcionário que pronto,
19:24acabou e foi.
19:25Página virada,
19:26ah,
19:26você é legal,
19:27pronto,
19:28página,
19:28não,
19:29ele,
19:29inclusive,
19:29hoje tem uma vida profissional muito bem sucedida,
19:34ele é uma pessoa que continua muito atuante,
19:37mas continua voltando pra conversar comigo,
19:40pra se aconselhar comigo,
19:41pra me chamar pra trabalhar com ele,
19:43então,
19:44isso mostra esse reconhecimento de quem eu sou,
19:46não só pelo que eu trabalho,
19:48pelo que eu fiz,
19:49que eu,
19:49graças a Deus,
19:50fiz um trabalho muito bom,
19:51mas também pela minha convivência,
19:54por quem eu sou,
19:54por como eu penso,
19:55isso me valoriza muito,
19:58eu me sinto muito reconhecido por isso,
20:00inclusive,
20:00uma coisa curiosa,
20:02com todo mundo que eu trabalhei,
20:04até hoje eu mantenho boas relações de amizade,
20:05todos os meus ex-chefes,
20:07eu tenho boas relações,
20:09sendo que eu pedi pra sair de todos eles,
20:11menos esse daí,
20:12todos eles,
20:13eu tenho boas relações,
20:15eventualmente faço alguns trabalhos ainda com alguns deles,
20:17quando tem,
20:17quando cabe,
20:18quando é conveniente pra ambos os lados,
20:21o que mostra que realmente...
20:23Isso diz muito sobre você, né, Inácio?
20:24Eu gosto de pensar que sim.
20:26E você,
20:27você que está assistindo a gente,
20:28coloca aqui embaixo nos comentários,
20:30algum momento,
20:32que não te exponha,
20:33naturalmente,
20:34que você se sentiu reconhecido,
20:37e aí não estamos falando do ponto de vista profissional,
20:39valorizado.
20:39Isso,
20:40valorizado,
20:41que você importa pra vida de alguém,
20:43ou que alguém importa pra sua vida,
20:46escreve aqui embaixo nos comentários,
20:47já deixa o seu like,
20:48se você ainda não deixou a sua curtida,
20:50o seu joinha no nosso programa,
20:52se inscreve no nosso canal,
20:54e também,
20:54vamos continuar o programa,
20:56mas ainda dá tempo de você também salvar o link do programa de hoje,
20:59e mandar pra aquele seu grupo de amigos,
21:01de parentes,
21:01no seu WhatsApp,
21:03pra que mais gente conheça,
21:04o Economia e Negócios,
21:06com a Patrícia Chacur,
21:07e comigo.
21:08Agora,
21:09já que estamos falando da Jennifer Wallace,
21:12vamos colocar a imagem dos livros dela,
21:14ela tem dois livros que ela fez,
21:16nunca o suficiente,
21:18esse, obviamente,
21:18como a gente viu,
21:19tem tradução pro português,
21:20é um best-seller,
21:22e esse,
21:22Mettering,
21:23que é justamente o tema que a gente está abordando hoje,
21:25que, ao que consta,
21:26não tem ainda a versão em português,
21:29também está aí,
21:30para você que está nos assistindo.
21:32É,
21:32fica a dica pra quem quiser se aprofundar no tema.
21:35Exato,
21:35e das repercussões do tema,
21:37como a gente falou,
21:38é na vida pessoal,
21:39é na vida de estudante,
21:40de jovens,
21:40é na vida profissional,
21:42de várias formas,
21:43com muitos exemplos,
21:44é bem bacana.
21:45Mas teve uma outra palestra,
21:46muito importante lá também,
21:48que foi da Kesley Killian.
21:50É Killian?
21:51Sim, Kesley Killian,
21:52que é uma cientista social,
21:54que falou sobre a saúde social.
21:58Ah!
21:59É muito interessante,
22:00ela fala que a saúde social é o pilar perdido,
22:04o pilar esquecido da saúde,
22:06porque nós damos muito valor para a saúde física,
22:09muito valor para a saúde mental,
22:10mas ninguém pensa na saúde social.
22:13e ela,
22:14nas pesquisas dela,
22:15comprovou que a saúde social é primordial para a nossa saúde integral.
22:22É interessante,
22:23ela começou inclusive a fala dela,
22:25fazendo uma provocação,
22:27ela perguntou para as pessoas,
22:30quantas vezes você esteve com quem você ama no último ano?
22:34Que não sejam as pessoas que moram com você.
22:36Se você já mora com a pessoa,
22:38se você não está com ela,
22:39tem alguma coisa muito errada.
22:40Mas 20% das pessoas nos Estados Unidos
22:45só estiveram com a pessoa que ama e que não mora com você
22:48uma ou duas vezes ao ano.
22:50Uma ou duas vezes ao ano.
22:52Eu acho que isso também tem muito do fato dos americanos,
22:55tem aquela coisa de...
22:56Tem a ver com a cultura americana.
22:57Exato, você terminou o colégio,
22:59você vai às vezes para outra cidade,
23:00vai para o estado,
23:01vai embora para a faculdade,
23:01em outro lugar.
23:02E só vê no Thanksgiving, né?
23:03E só vai para casa no Thanksgiving,
23:04é típico, a gente vê isso nos filmes, né?
23:06Exato.
23:06Tem muito a ver com a cultura deles.
23:08Mas aqui também, né?
23:09Se a gente for parar para pensar,
23:11quantas vezes no último ano
23:13nós vimos as pessoas que importam para nós,
23:16que não são do nosso ciclo familiar muito próximo
23:21ou que não são da nossa convivência diária
23:24obrigatória no trabalho.
23:25A gente precisa fazer esse exercício mesmo.
23:28Hoje mesmo, quando eu sair daqui,
23:29eu irei a um happy hour da minha turma da faculdade
23:32que se encontra uma vez por mês.
23:34Que legal.
23:35Então, eu acho que são mecanismos super importantes
23:37para você se manter conectado a essas pessoas.
23:40Porque senão a rotina vai engolindo a gente.
23:42E a gente passa mesmo,
23:43quando você for perceber,
23:44você passou um ano sem ver pessoas
23:46que realmente importam para você, né?
23:48É, vou dar um exemplo também concreto
23:50que é real.
23:52Eu lembro muito da minha infância,
23:54os famosos almoços de domingo
23:57na casa do meu avô e da minha avó.
23:59E, naturalmente, eles, em algum momento, se foram.
24:02E acabou isso.
24:04Não tem mais.
24:04Agora, de vez em quando, tem na casa de um primo,
24:07na casa de um tio.
24:09Sendo que eles hoje são os tios e tias daquela época,
24:12hoje são os avôs e avós.
24:14Mas se perdeu muito.
24:16Antes, a gente batia cartão.
24:17Quase todo domingo era na casa do meu avô e avó
24:20para a gente se ver.
24:21E era a família toda, amigos.
24:23Eram umas 30, 40 pessoas
24:25todo domingo na casa da minha avó.
24:27Isso se perdeu.
24:28E não é uma questão da minha família.
24:30Pode reparar que a sua família, também,
24:31quando se une, não é esse número todo.
24:33E até quando se reúne,
24:35infelizmente, também a gente vê os mais jovens
24:37lá na tela do celular
24:39ou de um tablet entretidos entre eles
24:42a leios, praticamente alheios
24:46a tudo que acontece lá fora.
24:49Mas é isso.
24:50Agora, já que a gente está falando
24:52sobre geração Z
24:54e também a questão de tecnologia.
24:57Eu acabei de dar o exemplo dos almoços familiares
25:00que, mesmo sendo muito menos numerosos,
25:02ainda tem a concorrência do mundo eletrônico.
25:05Os jovens estão recorrendo cada vez mais
25:08à inteligência artificial
25:09até para preencher um pouco desse vazio.
25:12Para preencher esse vazio.
25:13E isso é bastante preocupante.
25:16Nós falamos sobre isso
25:17no programa da terceirização emocional.
25:20Quem não assistiu, eu recomendo que assista.
25:23E a Kaisley Killam falou que a saúde social,
25:27agora, a importância da saúde social
25:30foi reconhecida até pela OMS
25:32no relatório em junho de 2024.
25:34Ou seja, são pesquisas realmente que fazem todo sentido.
25:38E a OCDE publicou um dado
25:42dizendo que as pessoas solitárias,
25:45as pessoas que não têm conexões,
25:47não têm relacionamento,
25:48que não sentem esse pertencimento,
25:49porque toda essa conexão
25:50traz para você a sensação de pertencimento,
25:54elas têm 53% mais chance de morrer
25:57de qualquer causa.
25:58Então, a falta da saúde social
26:02é um risco de saúde comparável
26:06à diabetes e tabagismo.
26:08Impressionante.
26:09Pois é.
26:09O que nos leva a uma outra vertente
26:12aqui que, digamos,
26:14que é um metering extremo,
26:15num momento extremo da vida das pessoas,
26:18que é o das doulas.
26:20Mas não as doulas que talvez você conheça,
26:22que são aquelas que acompanham
26:23uma gestante no momento do parto,
26:26do pré-parto,
26:26os momentos anteriores ao parto.
26:28São as doulas que acompanham as pessoas
26:30no momento que elas estão
26:32para partir deste mundo.
26:34Existe isso.
26:35Isso é uma tendência
26:36que está começando a se difundir
26:38cada vez mais,
26:39porque é um momento
26:41de extrema vulnerabilidade.
26:43Assim como a pessoa, imagino,
26:44é que eu só posso imaginar,
26:45a mãe está extremamente vulnerável
26:48no momento do parto,
26:49a pessoa que está indo embora
26:50e que talvez não tenha
26:52a disponibilidade de parentes próximos
26:54o tempo inteiro,
26:55também está num momento
26:57de extrema vulnerabilidade,
26:58e tem que se sentir justamente
27:00pertencidas,
27:02acolhidas nesse momento
27:03e começa a surgir essa figura.
27:06E isso não é uma coisa
27:07de qualquer um.
27:09Isso até está trazendo
27:11um discurso,
27:12está trazendo para o debate
27:13de figuras públicas
27:15que se interessaram por isso.
27:17Sim, a própria Nicole Kidman
27:19acaba de declarar
27:20que ela foi se especializar
27:22para ser uma doula da morte,
27:24porque ela passou pela morte
27:27da mãe dela recentemente,
27:28que foi muito difícil para ela,
27:29e ela fala que ela sentiu
27:32que eles não puderam dar
27:34tanta atenção para a mãe dela,
27:36estar tão próximos,
27:37tão presentes,
27:37então ela quer evitar
27:39que isso aconteça
27:40com outras pessoas.
27:41Agora, essa questão
27:42dessa preocupação
27:46em relação à morte
27:48tem já um nome
27:49que é Death Wellness,
27:51que é o bem-estar da morte.
27:54E é um novo mercado
27:55que está surgindo.
27:56Lá no SGSW
27:58aconteceram várias palestras
28:00sobre essa coisa
28:02do bem-estar.
28:02Tinha que aconteceram
28:03vários falecimentos,
28:04não foi não.
28:05Olha, aconteceram vários falecimentos,
28:06a gente acompanhou.
28:07e é uma foto da Nicole
28:09com a mãe dela,
28:10mas é um novo mercado surgindo,
28:12assim como o da saúde social.
28:14Também é uma nova economia surgindo.
28:16A Kaisley Killam falou
28:18que nós vamos ver
28:19cada vez mais empresas
28:20e startups
28:23criando produtos
28:24que reúnam as pessoas,
28:26que unam as pessoas
28:27na vida real,
28:28mas enfim,
28:28acontece ali na vida virtual
28:31para marcar esses encontros
28:32e tal.
28:33Então são dois novos mercados
28:35que estão surgindo.
28:36O da saúde social
28:37e esse do bem-estar
28:39no momento da morte.
28:42Aliás, é interessante
28:43você falar isso,
28:44só fazendo uma amarração.
28:45Há uns 20 e tantos anos atrás
28:47eu fiz intercâmbio
28:48para a Holanda.
28:49E lá eu fiquei
28:50numa casa de família
28:52e a minha mãe host,
28:55minha mãe hospedeira,
28:57digamos aqui,
28:57que estava me recebendo,
28:59a profissão dela
29:00era justamente acompanhar
29:01as pessoas
29:02nos seus estertores,
29:03nos seus momentos finais
29:04de vida.
29:05Ela era especial,
29:06ela não tinha esse nome
29:07de doulas da morte,
29:09ela era uma pessoa
29:10que ficava acompanhando
29:11pessoas que já estavam
29:12nos momentos finais
29:14dos tratamentos paliativos,
29:16então ela ficava lá
29:17dando esse tipo de apoio,
29:19claro,
29:19envolvia alguns outros cuidados,
29:21imagino,
29:21de higiene,
29:22esse tipo de coisa,
29:23mas não era nada a ver
29:24com enfermeira,
29:25com enfermagem,
29:26esse das doulas
29:27que a gente está falando
29:27também não é essa,
29:29não tem nada
29:29de conteúdo médico,
29:31é um acolhimento.
29:33E eu estou falando
29:33de uma coisa
29:33de vinte e tantos anos atrás
29:35que lá na Holanda,
29:36portanto,
29:37já é uma realidade.
29:38Agora está virando tendência.
29:40Pois é,
29:41mas a gente não vai
29:41ficar falando só
29:42de coisas lúgubres,
29:44vamos terminar
29:44com algo mais leve,
29:47algo mais sonhador,
29:48algo que inclusive
29:49de um diretor de cinema
29:50que acho que todo mundo
29:51aqui conhece e gosta,
29:53que é o Stephen Spielberg,
29:54que também estava
29:55na SXSW.
29:57Também esteve lá,
29:58Inácio,
29:58e foi muito bacana
30:00porque ele foi entrevistado
30:04e aí na hora
30:05que ele entrou no palco,
30:08eles passaram um clipe
30:10com cenas
30:11dos principais filmes dele.
30:13E naquele momento
30:14eu me dei conta
30:15do quanto ele participou
30:16da minha vida,
30:17porque a gente passa,
30:18a gente olha
30:20esses trailers
30:21dos filmes dele
30:21e a gente vê
30:22a nossa vida passando ali,
30:24porque a gente começa
30:24a se lembrar dos momentos.
30:26Então acho que qualquer pessoa
30:27que tenha mais de 45 anos,
30:2940 anos...
30:29Não nosso.
30:30Teve.
30:31Não nosso.
30:33Na hora que olhar
30:35um clipe
30:36com todos os trailers
30:37do Spielberg
30:38vai falar,
30:38nossa,
30:38eu estou vendo
30:39a minha vida
30:39passando na tela,
30:41desde ET,
30:42Tubarão,
30:42enfim,
30:43tantos outros.
30:44Sim, empurralado.
30:45E aí
30:47a fala do Spielberg
30:48foi muito bacana,
30:51porque ele,
30:53um cara
30:54que tem uma criatividade
30:55absurda,
30:56que a gente não tem
30:57nem como questionar,
30:58mas ele falou ali
30:59muito sobre o aspecto
31:01da humanidade.
31:04Ele falou
31:05que a melhor amiga dele
31:07é a intuição.
31:08Eu até vou ler
31:09a frase que ele disse,
31:11porque eu achei
31:11muito bacana,
31:12eu não quero nem errar.
31:14É uma tradução livre,
31:15claro,
31:15mas ele fala assim,
31:16em vez de ouvir
31:17a voz alta
31:18do meu cérebro,
31:19escuto os sussurros
31:20da minha intuição.
31:22Ela é a minha melhor amiga.
31:24E isso é uma batalha,
31:26porque as vozes altas
31:27do cérebro
31:28estão sempre ali
31:29dominando a gente,
31:30mas você tem que deixar
31:31um espaço para a intuição.
31:32E com essa intuição,
31:33ele entrou no set
31:34de filmagem,
31:35tanto de resgate
31:36do soldado Ryan,
31:38quanto de lista
31:38de Schindler,
31:39sem storyboard.
31:41Ou seja,
31:41ele só sabia
31:42que páginas do roteiro
31:44ele tinha que cobrir
31:46naqueles dias,
31:47mas ele entrava
31:48completamente livre,
31:49ouvindo a intuição
31:50e dirigindo os atores
31:52e tal.
31:52Ele falou que,
31:53obviamente,
31:53ele não podia fazer isso
31:54nas produções
31:55que tinham muitos
31:56efeitos especiais,
31:57que são produções
31:58muito caras,
31:58onde tudo tem que estar
31:59muito cronometrado
32:01e tudo muito acertado
32:03antes de você ir
32:03para o set de filmagem,
32:05mas nesses outros filmes
32:07ele preferia
32:08seguir a intuição.
32:09Que bacana.
32:10E uma das coisas
32:11que eu gosto
32:12do Spielberg
32:12é que mesmo nos filmes
32:13mais recentes dele,
32:14ele mantém
32:15um tempo
32:16que não é tudo
32:17mais lento,
32:18mais curtido,
32:19mas não é arrastado,
32:20é mais curtido.
32:21Você tem muitos filmes
32:23de hoje em dia
32:23que são todos clipados,
32:24parece um vídeo
32:25de TikTok gigante,
32:27e isso é intencional,
32:28justamente para atrair
32:29a atenção
32:30de um público
32:31que está se acostumando
32:32com essa realidade
32:32de TikToker.
32:33Mas os filmes
32:34do Spielberg
32:35têm uma preocupação
32:36de, às vezes,
32:38até educar
32:38quem ainda não está
32:39acostumado
32:40ou já se desacostumou
32:41do ritmo de um filme,
32:43porque é igual música.
32:44Música
32:45não é só o som,
32:46são silêncios
32:47entre os sons.
32:48E o filme também
32:49é isso.
32:50De repente,
32:50é alguma cena
32:51de ação,
32:52mas depois tem que ter
32:52um momento de silêncio,
32:54de cenas mais lentas,
32:55até para você absorver
32:56aquilo que você viu,
32:58as ideias
32:58que foram contidas,
33:00e aí se preparar
33:01para o próximo salto
33:02de ação
33:03que vem a seguir.
33:04Então,
33:04esse equilíbrio,
33:05poucos diretores
33:07ainda mantêm,
33:08eles,
33:08Corsese,
33:09enfim,
33:10todos os da velha guarda
33:11ainda conseguem,
33:12e espero que muitos
33:13dos novos também.
33:14Christopher Nolan,
33:15entre aspas,
33:16nova geração,
33:16que também consegue fazer isso,
33:18mas isso é muito bacana.
33:20Aliás,
33:21qual o seu filme favorito
33:22do Spielberg?
33:24Queria saber.
33:24O Spielberg?
33:25Peguei essa,
33:26não foi combinado.
33:27Não,
33:27não foi combinado.
33:29O resgate do soldado Ryan
33:31foi muito impactante
33:32para mim,
33:33sim.
33:34Para mim,
33:35é contatos imediatos
33:37de terceiro grau.
33:39Eu adoro isso.
33:39Ele vai lançar mais um filme
33:41de ficção científica
33:42agora em junho,
33:43é o Disclosure Day.
33:44Eu estou muito ansioso,
33:45porque ele fala desses assuntos
33:47com muito respeito,
33:49esses assuntos de contatos
33:51extraterrestres.
33:52Você acredita em Edessa?
33:53Eu acredito que não estamos
33:55aqui sozinhos.
33:57Eu acredito,
33:58eu não acredito em Edessa,
33:59porque os Edessa mentem muito.
34:01Não,
34:01estou brincando.
34:02Que piadinha infame.
34:04Mas,
34:05vamos então arrematar.
34:06Então,
34:07o seu filme favorito
34:08é o resgate do soldado Ryan?
34:10O resgate do soldado Ryan.
34:11O meu contato imediato
34:12de terceiro grau.
34:13E o seu?
34:13Você que está em casa,
34:14escreve aqui embaixo
34:15nos comentários,
34:16qual o seu filme favorito
34:18do Steven Spielberg
34:20que eu quero saber.
34:21Olha,
34:22mais de 50 anos de carreira,
34:23tem muita opção
34:24para você escolher.
34:25tem o Jurassic Park,
34:26lista de Schindler,
34:27soldado Ryan,
34:28o resgate do soldado Ryan,
34:29contato imediato
34:30de terceiro grau.
34:31Tem vários gêneros.
34:32E tem tubarão.
34:33E tem tanto aí,
34:34você pode escolher
34:36Minority Report,
34:37inteligência artificial.
34:39Eu tenho uma memória legal
34:40com tubarão,
34:40porque eu passava férias
34:43no Guarujá,
34:44e lá o porteiro do cinema
34:46fazia a vista grossa
34:47e deixava toda a garotada
34:48entrar.
34:49Então,
34:49foi a primeira vez
34:49que eu vi um filme proibido
34:51para a minha idade,
34:51foi tubarão.
34:52porque o porteiro
34:54liberava
34:54para a gente entrar.
34:56Mas você sabe
34:56que foi muito emocionante
34:58ver o Spielberg
34:59pessoalmente
35:00e na hora
35:02que terminou
35:03a palestra dele,
35:04a sala inteira
35:06aplaudiu de pé.
35:07Eu frequento
35:08já o festival
35:08para o SGSW
35:09há alguns anos,
35:10eu nunca tinha visto
35:11algum palestrante
35:13ser aplaudido
35:14de pé,
35:14como eu vi.
35:15O Spielberg
35:16realmente causou
35:17uma comoção gigantesca.
35:18Muito bacana.
35:19E tudo porque ele fala
35:20justamente da importância
35:21da conexão humana,
35:22de você importar
35:24com o que está acontecendo
35:25com quem está
35:25em volta de você.
35:27Os filmes dele
35:27fazem isso,
35:28falam sobre isso,
35:29e nós falamos isso
35:31também hoje
35:31aqui no nosso
35:33Economia e Negócios.
35:34Espero que você tenha gostado.
35:35Já deixa a sua curtida,
35:36o seu like,
35:37se inscreva no canal
35:38se você ainda não se inscreveu
35:39e até o programa
35:41que vem.
35:42Até mais.
35:43Tchau, tchau.
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