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  • há 1 dia
Familiares, amigos e integrantes do Movimento pela Vida (Movida) realizaram, na manhã deste domingo (31), um ato na Praça da República, em Belém, para cobrar justiça em casos de suposta negligência médica que resultaram em mortes. A mobilização reuniu parentes de vítimas, entre elas Bernardo Cavalleiro de Macedo, de 23 anos, cuja morte é alvo de questionamentos da família sobre a conduta adotada durante o atendimento médico, e Jamilly Vitória de Araújo Cordeiro, de 20 anos, que morreu junto com o bebê que esperava após atendimento para parto no Hospital Beneficente Portuguesa.

REPORTAGEM: GABRIEL PIRES
IMAGENS: WAGNER SANTANA

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Transcrição
00:00Sim, eu era esposa da Jamile, pai da Jasmine.
00:04Normalmente, em dias de domingo, a gente vinha aqui, sabe, pra passear com ela grávida, esperando a nossa filha, né?
00:12E tivemos o nosso sonho interrompido, sonho de paternidade, de maternidade, companheirismo.
00:20Tivemos o nosso sonho interrompido por negligência desse hospital beneficente português.
00:26A gente tá em busca de novas informações, né? Estamos esperando o laudo vindo do ML.
00:34No dia, o que ocorreu foi uma fatalidade, né?
00:38Pra mim, eles mostraram incapacidade ao fazer o parto da Jamile, fizeram manobras invasivas durante o parto, fizeram corte, empurraram
00:48a barriga dela.
00:50O que levou à fatalidade da minha mulher e da minha filha.
00:53E hoje a gente tá aqui buscando por justiça, mais um dia, né, que é difícil.
00:59Quase um mês da partida das duas.
01:02E a gente tá aí buscando por justiça, o que a gente quer. Justiça.
01:06Pra gente é muito importante, né, porque é difícil acordar e ter que, sabe, pensar.
01:14Ela podia estar aqui, a nossa filha podia estar aqui, a gente podia estar vivendo bem, feliz.
01:22É doloroso ter que buscar justiça todo santo dia, ter que compartilhar tudo pro caso não ficar apagado, pra não
01:31sair da mídia.
01:32Ter que relembrar o que aconteceu todo santo dia é o que mais dói.
01:39Olha, o Bernardo era um jovem de 23 anos. O Bernardo perdeu a vida de uma forma brutal e completamente
01:47evitável.
01:49O Bernardo não precisava estar numa mesa de cirurgia, na mesa de cirurgia que ele estava.
01:53Ele foi submetido a um procedimento como se fosse um procedimento urgente, que não era um procedimento eletivo.
01:59O Bernardo foi entubado sem nenhum exame pré-operatório.
02:04Ele foi entubado sem nenhum cuidado nem zelo.
02:09Durante esse procedimento, os médicos mutilaram o Bernardo.
02:13O Bernardo sofreu lacerações da traqueia, das vias respiratórias e perfuração do pulmão.
02:19Nós não sabíamos que o Bernardo seria entubado.
02:22O médico nos enganou.
02:23O médico nos afirmou que o Bernardo ficaria com perda de capacidade respiratória,
02:30que o Bernardo teria sequelas gravíssimas se não fizesse isso.
02:32E depois do acontecido, nós viemos descobrir que nada disso era verdade, que era tudo mentira.
02:37O Bernardo foi colocado naquela mesa de cirurgia sem nenhum cuidado, sem nenhum zelo, sem nada.
02:45E para piorar, depois de mutilarem, eles decidiram, eles tomaram decisões que levaram a morte do Bernardo.
02:52Porque o médico errar e acontecer, isso pode acontecer em um procedimento.
02:58Uma cirurgia, ela não, assim, existe possibilidade de as coisas não saírem como a gente esperava.
03:05Mas o médico poderia ter resolvido.
03:07Ele poderia ter consertado aquele erro.
03:11Eles optaram por não fazer.
03:12Foram escolhas que eles fizeram.
03:14Eles optaram por não consertar, não resolver o problema.
03:18Eles resolveram passar esse problema para a UTI.
03:22A mãe do Bernardo estava esperando por ele ir no quarto.
03:25O protocolo seria, ele faria um procedimento de 50 minutos, o procedimento durou 5 horas.
03:30E ele voltaria para o apartamento com a mãe, ficaria em observação e iria para casa.
03:33Ele passou a tarde inteira lá, 6 horas da tarde mais ou menos,
03:36e avisaram para a mãe que ela podia ir embora e que ele iria para a UTI.
03:40E lá disseram que era isso, que era normal, que o protocolo seria esse e tal.
03:43E dispensaram, não deixaram nem ela visitar.
03:45O Bernardo já deu entrada na UTI, já no exame de raio-x que foi feito na entrada.
03:50Esse exame já testava, porque ele estava cheio de ar dentro.
03:54Vocês nem viram mais ele?
03:55Não, não vimos.
03:56Depois disso, nós não tivemos mais contato com o Bernardo.
03:59Ele deu entrada na UTI por volta das 6 horas da tarde, que inclusive é o horário de visita.
04:03Mas mesmo assim, proibiram a mãe de ver.
04:05A médica que recebeu ele na UTI, para nossa surpresa, quando nós recebemos os documentos,
04:11ela notou no prontuário que ela tentou o contato com os médicos,
04:13porque ela não estava prevista ainda dele para a UTI.
04:16Ou seja, ele não fez um procedimento que iria para a UTI.
04:18Ele foi para a UTI porque aconteceram essas intercorrências e eles mandaram para a UTI.
04:22E ela perguntou para o Bernardo.
04:24O Bernardo ainda grogue, ainda saindo de uma anestesia geral,
04:29ele foi perguntado para ele o que tinha acontecido com ele, por que ele estava ali.
04:34E ela não sabia nem que cirurgia tinha sido feita,
04:37ela não sabia o que ele tinha e não sabia se tinha acontecido alguma intercorrência.
04:42Ela não tinha nenhuma informação.
04:43Mas mesmo assim, ela recebeu o Bernardo,
04:47pegou um raio-x que já mostrava esse pneumomediastina, esse ar na cavidade,
04:52não entendeu o que estava lá e isolou o Bernardo na UTI.
04:57Saiu, trocou o plantão.
04:59No próximo plantão, o médico que entrou fez um copia e cola,
05:04pegou todas as informações que ela colocou, colocou no prontuário dele,
05:06o que ela já tinha anotado, o que ela tinha tentado, o contato com os médicos,
05:09tudo o que ela fez.
05:10E na madrugada ele anota, às duas e pouco da manhã,
05:12que o Bernardo começou a passar muito mal, passar grave.
05:15Fizeram um novo raio-x.
05:17Esse novo raio-x, a gente sabe dos raios-x,
05:19porque foi feita uma junta médica da Sociedade Paraínsa de Radiologia,
05:22que atestou esse ar, o pneumomediastino.
05:26No segundo raio-x, o corpo do Bernardo já estava tomado de ar.
05:30Ele estava já completamente cheio de ar, já ameaçando a vida dele.
05:35E o médico anota no prontuário que ele iria fazer, entubá-lo.
05:40Anota que encontrou coágulos sanguíneos nas vidas respiratórias,
05:43ou seja, sangue na garganta.
05:47Você só tem sangue se você tem ferimentos.
05:49Então o médico não entender isso é assustador.
05:52E o exame de raio-x já mostrava a situação que o Bernardo estava.
05:57E mesmo assim ele entubou.
06:00Quando ele entubou o Bernardo, o que aconteceu?
06:02A compressão mecânica encheu o corpo dele mais de ar
06:05e ele teve uma parada cardiorrespiratória e faleceu.
06:10O Bernardo perdeu a vida de uma forma absurda,
06:13porque isso poderia ter sido evitado.
06:15Os médicos poderiam ter resolvido esse problema.
06:18Eles tiveram chance para fazer isso.
06:20Eles escolheram não resolver.
06:21Eles transferiram o problema para a UTI e tiraram, e se isolaram.
06:26Eles ficaram inacessíveis.
06:28Eles não atenderam ligações.
06:29Eles desligaram os telefones.
06:32Os médicos, todos os dois plantonistas da UTI,
06:35relatam que tentaram contato e não tiveram sucesso.
06:37Então deixou os colegas no escuro.
06:41Esses médicos vão ser julgados agora pelo Conselho Regional.
06:44O julgamento deles está marcado para amanhã.
06:46Amanhã eles serão julgados.
06:48Nós temos esperança, nós temos certeza que eles vão ser condenados.
06:52Porque isso é uma violação gravíssima do Código de Ética Médica.
06:56Não passar para o colega, não passar para a UTI,
06:59não acompanhar o paciente.
07:00Isso é uma clausa ética grave.
07:03E foi o que eles fizeram.
07:04É uma negligência grave.
07:06E foi o que levou o Bernardo ao óbito.
07:09Justiça!
07:11Justiça!
07:13Justiça!
07:14Justiça!
07:15Justiça!
07:16Justiça!
07:16Justiça!
07:17Justiça!
07:18Justiça!
07:18Justiça!
07:19Justiça!
07:20Justiça!
07:21Justiça!
07:22Justiça!
07:22Justiça!
07:22Justiça!
07:22Justiça!
07:22Justiça!
07:22Tchau.
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