Neste episódio do Ladoa!, Madeleine Lacsko recebe William Borghetti, especialista em neurocomunicação, para uma conversa profunda sobre como o funcionamento do cérebro dita o ritmo das nossas interações sociais e familiares. Borghetti explora as bases biológicas do comportamento humano, revelando como processos neurológicos muitas vezes invisíveis influenciam a forma como interpretamos sinais, reagimos a conflitos e construímos laços de confiança.
O debate aborda a importância de entender a "lógica biológica" da fala e da escuta, oferecendo uma nova perspectiva para quem busca superar barreiras de comunicação e melhorar a qualidade da convivência diária. É uma aula sobre como a ciência pode nos ajudar a ser mais conscientes nas nossas trocas, transformando a maneira como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor.
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#WilliamBorghetti #Neurocomunicação #MadeleineLacsko #LadoA #Neurociência #Comportamento #Comunicação #SaúdeMental #Relacionamentos #DesenvolvimentoPessoal #Ladoa! #CiênciaDoComportamento
O debate aborda a importância de entender a "lógica biológica" da fala e da escuta, oferecendo uma nova perspectiva para quem busca superar barreiras de comunicação e melhorar a qualidade da convivência diária. É uma aula sobre como a ciência pode nos ajudar a ser mais conscientes nas nossas trocas, transformando a maneira como nos relacionamos com o mundo ao nosso redor.
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Categoria
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DiversãoTranscrição
00:00:02E o nosso convidado de hoje é William Borghetti, um apaixonado por neurociência e papo reto.
00:00:10Fundou o Instituto de Neurocomunicação e a Comunidade Descomplicando a Adolescência,
00:00:17para os pais não pirarem com os tímidos.
00:00:20Mestre em cognição pela UFABC e pós em neuro pela PUC do Rio Grande do Sul,
00:00:28tem mais de 80 milhões de views em seus vídeos e sempre aparece em podcasts, rádios e TV.
00:00:37Ele também é mentor do Saber Ampliado, ao lado de Mário Sérgio Cortella e Leandro Karnal
00:00:44e decifra cérebros com muita ciência e tom humor.
00:00:49William Borghetti, um prazer enorme ter você aqui no Lado A.
00:00:55Que bom, que bom ter você aqui.
00:00:56Estou muito feliz, inclusive eu tenho um vídeo de apresentação que eu pego vários programas que eu fui
00:01:02com pessoas apresentando e falando o meu nome e você é uma delas.
00:01:05Então já vou utilizar esse corte aqui agora dessa nova apresentação, atualizar,
00:01:10porque fazia tempo que a gente não gravava, né?
00:01:12Não é? E o seu tema é tão interessante, tão fundamental para os dias de hoje.
00:01:21O que que é? Explica primeiro para o povo o que que é neurocomunicação.
00:01:26Muito bom.
00:01:26O que que é isso? No que isso difere da comunicação em si?
00:01:29Muito bom. É assim.
00:01:32Neuro vem de neurociência, né?
00:01:34Ou seja, é a conexão entre comunicação e neurociência.
00:01:37A neurociência, ela tem uma característica bastante interessante que é assim.
00:01:42Poucas pessoas estudam neurociência como fim.
00:01:45Como assim, a pessoa que está olhando o neurônio lá no microscópio.
00:01:51A neurociência, normalmente, ela é aplicada a algo.
00:01:54Ou seja, a neurociência da liderança.
00:01:57Então como é que a liderança, você entender o cérebro funcionando, você lidera melhor.
00:02:02Neurociência na educação, neurociência na arquitetura.
00:02:05Hoje tem uma área que está bombando, assim, que é a neuroarquitetura.
00:02:08Ou seja, um arquiteto que entende de comportamento e projeta ambientes melhores
00:02:14porque ele entende o comportamento das pessoas que estão ali.
00:02:17E aí eu peguei a ideia da neurociência para a comunicação.
00:02:21Ou seja, por que que a gente tem medo de falar em público?
00:02:24Por que que as pessoas performam menos quando elas estão com medo?
00:02:28Às vezes você conhece pessoas incríveis que fazem um trabalho incrível.
00:02:30que você colocou lá na frente do cliente e ela não consegue falar.
00:02:33Aí você fala, não é falta de conhecimento.
00:02:36Tem uma coisa aí acontecendo.
00:02:38Então a forma com que eu falo, como que tons e palavras e formatos,
00:02:43eu consigo trabalhar e entender esse cérebro
00:02:46e fazer com que eu me comunique melhor
00:02:49quando eu entendo o teu comportamento, o comportamento de quem está nos ouvindo.
00:02:53E você desenvolve, vamos dizer, um conteúdo muito interessante
00:02:58sobre o público mais difícil, que não, não é fanático político,
00:03:06é mais difícil que esse.
00:03:07Mais difícil.
00:03:08Mais difícil que é o adolescente.
00:03:12Pois é.
00:03:13O adolescente.
00:03:15Essa coisa do adolescente ser chamado de aborrecente,
00:03:20isso é cultural, isso é cerebral?
00:03:23Porque eu vejo que, por exemplo, em culturas orientais não se fala tanto disso.
00:03:28Qual que é a...
00:03:28O que que é a cabeça do adolescente?
00:03:31O que que é esse problema que se fala tanto hoje?
00:03:33É que assim, falar mal de adolescente não é moda hoje, né?
00:03:37Então, assim, você tem textos que dizem assim,
00:03:40o jovem não respeita regras,
00:03:43o jovem não sabe se sentar à mesa,
00:03:45o jovem é movido por impulsos sexuais.
00:03:48E aí você vai ver quem escreveu Aristóteles há 2.500 anos.
00:03:51Então não é novidade meter o pau no adolescente,
00:03:54porque, porra, o jovem de hoje, aqui no meu tempo, aquela coisa toda.
00:03:58Sempre brinco.
00:03:59Começou a frase com no meu tempo, já errou.
00:04:02Já está desatualizado, já foi, né?
00:04:06Então, assim, todas as gerações, elas têm o que contribuir.
00:04:12Porque quando a gente pega a construção de uma sociedade,
00:04:16você precisa valorizar aqueles que foram,
00:04:18os que construíram, quando tudo era mato, né?
00:04:21Então você pega, imagina assim, a construção de uma cidade igual São Paulo lá,
00:04:25quando São Paulo não era São Paulo, né?
00:04:28O Rio de Janeiro era aquela coisa gigantesca,
00:04:31a sede do império, aquela coisa.
00:04:32E alguém abriu a mata aqui, fez o negócio.
00:04:35Devemos honrar essas pessoas, mas, assim, não dá pra viver de história.
00:04:39Não dá pra viver de passado.
00:04:41Então tem que ter a nova geração.
00:04:43O que as novas gerações vão fazendo?
00:04:45Inclusive a música lá da Elis Regina, né?
00:04:48Que o Belchior escreveu, é você que ama o passado e que não vê,
00:04:51que o novo sempre vem.
00:04:52Então quando eu caio naquela ideia, a geração que eu nasci é melhor,
00:04:56naquele tempo que era bom, é um pensamento enviesado,
00:05:00porque o mundo não para.
00:05:01As coisas vão se atualizando.
00:05:03Tem coisas horrorosas da geração atual, da geração Z, se a gente puder chamar,
00:05:07que a geração Z já tá ficando velha, né?
00:05:09Já tem geração Z com 30 anos.
00:05:12Gente, mas só no papel, né?
00:05:14Porque a geração Z, quando eles chegam com 30, é que ele fez 15.
00:05:18É, é, é uma coisa.
00:05:20Só que são coisas, olha que interessante, por exemplo,
00:05:23a geração Z é a geração na história que menos consome álcool.
00:05:28Mentira!
00:05:28É, é.
00:05:29Tanto que você tem um movimento agora até da própria,
00:05:32aquela, não sei se pode falar, mas aquela grande empresa que vende cerveja no Brasil,
00:05:36de, assim, o que a gente faz porque o jovem não consome?
00:05:40E os velhos vão morrendo, né?
00:05:41Vai acabar o cliente.
00:05:43Então, assim, o consumo de álcool é muito menor por populações da geração Z.
00:05:49Só que olha que interessante, a geração Z já tá com 30 anos,
00:05:53o primeiro da geração Z tá com 30, o último tá com 15, né?
00:05:56Esse período.
00:05:57A geração de trás é a alfa.
00:05:59E a beta já nasceu, porque nasceu em 2025, começou, já tem a geração beta nascida.
00:06:05Eu falo pro galera da geração Z, sabe como é ruim você ser tripudiado,
00:06:10todo mundo rico, o Enzo não sabe fazer nada, tá?
00:06:13Sabe isso?
00:06:14Daqui a pouco você tá falando pra geração alfa.
00:06:16Porque no meu tempo, porque, então, assim, é horrível a gente ser...
00:06:21Só que, por exemplo, você pega as empresas, eu venho lá do ABC, né?
00:06:25Então, o ABC lá é o berço metalúrgico, aquela coisa toda das empresas.
00:06:29Então, uma pessoa entrava pra trabalhar numa metalúrgica com 15 anos,
00:06:33quando ela tava com 45, ela tava aposentada.
00:06:36Então, não tinha três gerações trabalhando junto.
00:06:39Era, no máximo, ali, duas.
00:06:41Hoje, você tem pessoas com 60 anos fluindo, com inteligência, com disposição, trabalhando.
00:06:48Tem as tias lá, gominho, com 60, né?
00:06:52E tem a galera de 15 trabalhando no mesmo espaço.
00:06:55O jovem aprendiz entrando, mas alguém com 60 anos.
00:06:58Tem quantas? Quatro vezes, né?
00:07:00Quatro vezes a idade.
00:07:03Então, é uma geração diferente.
00:07:05É uma geração que nasceu, metade da geração Z, nasceu com internet no smartphone.
00:07:11Porque a gente tem internet há algum tempo, mas aquela internet no smartphone...
00:07:14Eu falo pra molecada que a gente entrava na internet, eles dão risada, né?
00:07:18É, eu vejo muito pai falar pro filho assim, sai da internet.
00:07:23Não escuro de comunicação.
00:07:25Que, aliás, a gente faz também, juntos.
00:07:27Quando o pai fala pro filho, sai da internet.
00:07:29Eu falo, gente, não diga pro seu filho, sai da internet, porque ele não entende.
00:07:32Ele não entende o conceito de entrada e saída.
00:07:35Ele não entende isso como possibilidade lógica.
00:07:37Isso.
00:07:38A internet, não tem entrar e sair da internet.
00:07:40A internet tá o tempo todo...
00:07:41Isso, pais, não percebem.
00:07:43E aí, você vê uma coisa interessante, provavelmente, quem tá nos assistindo.
00:07:47Eu nunca passei um dia na minha vida sem energia elétrica e sem geladeira.
00:07:52Então, passei todas as dificuldades, mas era um nível que tinha geladeira e energia elétrica.
00:07:58Eu não sei viver sem geladeira.
00:08:00Se acabarem as geladeiras do mundo agora, lascou.
00:08:03Eu não sei o que...
00:08:03Eu não sei como manter um bife.
00:08:05Ah, mas você vai aprender.
00:08:06Sem ser na geladeira.
00:08:08Você aprende.
00:08:09Sim, mas você entende que assim...
00:08:10Mas é um aprendizado muito difícil.
00:08:12Tipo assim, mano, o que faz sem geladeira?
00:08:14Sem chuveiro elétrico?
00:08:15Sem essas coisas que a gente já nasceu, já tinha.
00:08:18Eu quero fazer esse paralelo com...
00:08:21O smartphone, pra quem tem 20 anos, já tava aqui.
00:08:26Não tem como sair da internet.
00:08:28Ou é normal...
00:08:29Por exemplo, eu tenho uma enteada de 16.
00:08:31Quando eu falo pra ela assim...
00:08:32Ah, tal hora vai passar um filme.
00:08:34E ela fala assim...
00:08:35Mas por que eu esperaria até tal hora pra ver o filme?
00:08:38Tipo, não faz o menor sentido.
00:08:40O que pra gente era muito normal.
00:08:42Ficar lá esperando pra gravar, gravar música.
00:08:45Hoje você tem o streaming e tal.
00:08:48Você tem acesso a isso a qualquer momento.
00:08:50E a gente precisa entender que para eles o mundo é desse jeito.
00:08:55Então, essa tua frase até eu vou absorver nas minhas falas.
00:08:59Que é...
00:09:00Não existe sair da internet.
00:09:02Não existe esperar o horário do filme.
00:09:04Então, é diferente.
00:09:05Não vou nem fazer juízo de valor do que é melhor ou pior.
00:09:08Mas é diferente.
00:09:09A grande questão é...
00:09:12Existe uma parada que é o viés de disponibilidade.
00:09:15Então, o que é o viés de disponibilidade?
00:09:16Eu tenho um todo.
00:09:18E uma...
00:09:19Só que eu só enxergo uma parte.
00:09:21É como se eu falasse assim, ó.
00:09:22Essa sala é vermelha.
00:09:24Não sei se dá pra ver aqui.
00:09:25Tem um livro vermelho aqui perto de mim.
00:09:28Então, eu falasse assim...
00:09:29Esta sala é vermelha.
00:09:31Porque a minha visão é limitada.
00:09:32Aqui, porque eu só tô vendo isso aqui.
00:09:34Então, por exemplo...
00:09:36Você já viu aquele jovem que vai com a mãe agora fazer entrevista de emprego?
00:09:40Gente, eu ouvi falar isso.
00:09:42Mas assim...
00:09:44Olha, eu sei que é querer pôr a culpa no jovem.
00:09:46Mas essa mãe...
00:09:47Isso.
00:09:49Porque ele...
00:09:50O jovem tem menos experiência de vida que ela.
00:09:53E a obrigação de educar é dela.
00:09:56Uma mãe ou pai que pega uma pessoa de 17 anos e fala...
00:10:00Eu vou na entrevista de emprego com você.
00:10:02Eu não sei o que uma pessoa dessa merece.
00:10:05Que acha que tá fazendo bem.
00:10:06Mas essa superproteção só tá fazendo mal.
00:10:08Mas é muito egoísmo.
00:10:11É muito egoísmo.
00:10:12Porque não tá pensando no filho.
00:10:14Exatamente.
00:10:15A nossa superproteção parece uma coisa bonita, né?
00:10:19Eu vou lá, eu vou acompanhar, eu vou levar.
00:10:21Mas assim, só faz mal.
00:10:22Um cérebro nunca vai aprender a fazer algo que outro tá fazendo por ele.
00:10:27A gente tem uma tendência ao vagabundismo quando alguém faz pra gente.
00:10:31Pra que que eu vou pegar um ônibus se alguém me leva e me traz?
00:10:35Pra que que eu vou aprender a fazer um arroz?
00:10:36Se o arroz tá prontinho lá, eu sento e como.
00:10:38Nós temos uma tendência a isso.
00:10:40A gente não vai...
00:10:42O menino...
00:10:42Sim, você tá falando isso...
00:10:43Eu lembrei de um vídeo.
00:10:44Desculpa te interromper, mas é um vídeo que viralizou.
00:10:47Tem uma mulher de RH que faz vídeos.
00:10:50E aí ela coloca conversas reais, claro, ocultando quem são as pessoas.
00:10:54E teve um que é assim.
00:10:55O menino falou assim, olha, eu vou faltar hoje porque o carro da minha mãe quebrou.
00:11:03Aí ela fala assim, e não tem ônibus daí até aqui?
00:11:07Aí ele, tem, mas eu não sei pegar ônibus.
00:11:10E ele fala isso pra mulher da RH.
00:11:12Tipo, é o...
00:11:14Mas aí eu convido pra uma reflexão assim.
00:11:18Quantos jovens da geração Z pegam ônibus todo dia e vão trabalhar e fazem e tal?
00:11:24Só que o que vira notícia é esse.
00:11:27Entende?
00:11:28Entendo.
00:11:29Eu tô dentro de várias multinacionais trabalhando com muita geração Z.
00:11:33E aí você conversa com a RH e fala, sabe aquela história que a mãe vem?
00:11:37Alguma mãe já veio aqui e a pessoa fala, nunca ouvi falar disso.
00:11:41Nunca aconteceu.
00:11:42Só que um que acontece ganha a mídia.
00:11:46É o que sai lá pra falar.
00:11:48É o que vira notícia.
00:11:50E aí a gente pega e coloca aquela pecha assim.
00:11:53Geração Z leva a mãe pra fazer entrevista.
00:11:55Mas esse é o caso extremo.
00:11:57Por isso que é o viés de disponibilidade.
00:11:59Eu só tô enxergando para aquele que eu...
00:12:03Tá saindo do normal.
00:12:05Você tem um filho adolescente, você sabe bem que pra você e pra ele é um absurdo você acompanhar ele
00:12:10numa entrevista de emprego.
00:12:12Sim.
00:12:12E se você conversar com a imensa maioria dos pais de adolescente, também é absurdo.
00:12:16Só que um vira notícia.
00:12:19E de uma coisa, como se fosse a culpa de uma geração inteira,
00:12:23sendo que, na minha opinião, quem errou foi a mãe.
00:12:26Exatamente.
00:12:27Por quê?
00:12:28Como é que você vai esperar que um jovem que está em formação, um adolescente que está em formação,
00:12:34ele tenha as próprias convicções e ele resolva os problemas da vida sem que um adulto se responsabilize por aquilo.
00:12:41Não tem como um jovem tomar...
00:12:43Ele pensar e falar assim, não, eu vou fazer isso, eu vou fazer isso que é certo.
00:12:46É orientação dos pais, dos professores, dos adultos que cercam.
00:12:51Então, é igual um conflito que existe assim.
00:12:55É muito comum pais reclamarem da escola e professores, escola e coordenação reclamarem dos pais.
00:13:01Sábado, eu tive a oportunidade de fazer uma palestra para pais, professores e alunos na mesma sala.
00:13:07E aí eu falei assim, de quem que é a culpa do ensino do Brasil ser péssimo para baixo, assim?
00:13:15O Brasil, para ficar péssimo no ensino, ele precisa melhorar bastante.
00:13:18De quem que é a culpa?
00:13:20Aí fica aquela carinha de gol contra, né?
00:13:22Como é que é agora?
00:13:23Como é que eu falo do professor com ele aqui do lado?
00:13:25Como é que eu falo que é do pai?
00:13:27E aí eu falo assim, primeiro a gente tem que entender a diferença de culpa e responsabilidade.
00:13:32E aí eu gosto de usar um exemplo assim.
00:13:34Você abriu a porta da sua casa e tem um bebê no chão.
00:13:37Abandonaram um bebê.
00:13:38É tua culpa que aquele bebê está ali?
00:13:40Não.
00:13:41Mas é tua responsabilidade.
00:13:42Você não pode fechar a porta e deixar ele lá no frio.
00:13:44Então, assim, é a diferença de culpa e responsabilidade.
00:13:47É culpa do professor que o ensino do Brasil é horrível?
00:13:51Não é culpa dele.
00:13:52É culpa do pai?
00:13:54É culpa do governo?
00:13:55É culpa?
00:13:56Não.
00:13:56Mas é responsabilidade de todo mundo.
00:13:59Então, você que é pai, você que é mãe, você que é professor, você que é coordenador,
00:14:03você que é secretário de educação, você que é ministro da educação,
00:14:07todo mundo tem responsabilidade nisso.
00:14:09Então, quando um falha, você está tirando a tua responsabilidade.
00:14:14Então, você que é pai e fala assim, eu levo na escola e lá eles não dão jeito no meu
00:14:19filho.
00:14:19Está errado.
00:14:20Você também tem responsabilidade.
00:14:22E o professor que fala assim, a responsabilidade é dos pais.
00:14:25O aluno tem que chegar um anjo aqui e eu só vou ensinar geografia para ele.
00:14:30Está errado?
00:14:31Tem que trabalhar com essa matéria-prima.
00:14:33Então, num primeiro momento é, todo mundo tem responsabilidade,
00:14:37a gente precisa orientar a crianças e jovens como sempre foi.
00:14:42Nunca o mundo mudou.
00:14:43Só que a grande diferença é, o mundo, como um todo,
00:14:48ele está muito mais fácil de viver em 2025 do que em 1925.
00:14:53Exato.
00:14:53Então, assim, você pega, por exemplo, é muito comum,
00:14:56eu sou neto de uma avó analfabeta.
00:15:00Quantas pessoas hoje, de 40 anos para baixo, de 50 anos para baixo,
00:15:03você conhece que são analfabetas?
00:15:05Raro.
00:15:06Tipo assim, é muito raro.
00:15:08Só que era um problema muito vivo no Brasil dos anos 50.
00:15:14Todo mundo era analfabeto.
00:15:16Mas, gente, ainda nos anos 80, a gente convivia com pessoas da família
00:15:21e com quem tinha comércio, quem tinha empresas com empregados,
00:15:25empregados, que assim, era a pessoa analfabeta de você precisar escrever.
00:15:30Eu não sei se as pessoas estão vendo a gente, jovens, entendem o que nós estamos falando,
00:15:33que é o analfabeto.
00:15:35Porque a gente tem muito analfabeto funcional.
00:15:37Funcional não.
00:15:38Não, analfabeto não reconhece letra.
00:15:40Ele não sabe que letra é A, que letra é B, que letra é C.
00:15:44Não sabe assinar o nome.
00:15:45Porque lembra quando a gente ensinava alguém a assinar o nome?
00:15:48Assinar o nome.
00:15:49Você já teve essa oportunidade?
00:15:50Até o famoso que a pessoa...
00:15:52Para a pessoa não ter mais que pôr a digital.
00:15:54Que falava, assina por extensa.
00:15:56Ela fazia assim com o dedo.
00:15:57Lembra isso.
00:15:58A gente ensinava a gente a escrever o nome.
00:16:01O próprio nome.
00:16:02O próprio nome.
00:16:02Só o primeiro de letra de forma.
00:16:04Era a maior alegria da vida da pessoa.
00:16:06Isso existia muito até os anos 80.
00:16:09Isso era muito comum.
00:16:10Pessoas analfabetas.
00:16:11Quando você vai para a geração anterior,
00:16:14que seriam os nossos bisavós,
00:16:16o grande problema era, por exemplo, a mortalidade infantil.
00:16:20Quantos casos tem assim?
00:16:21Ah, não vingou.
00:16:23Tinha 20 filhos, morria 8 e era assim.
00:16:27Fazia muito porque morria mesmo.
00:16:28Criança morria.
00:16:29Quando a gente pensa hoje numa morte de uma criança,
00:16:31é uma coisa, um fato absurdo hoje.
00:16:34Uma criança morrer, assim,
00:16:37pô, morreu, não vingou.
00:16:38Isso não existe mais.
00:16:39Então você vê que o mundo vai se transformando.
00:16:42E quando ele vai se transformando,
00:16:43a prioridade, o problema que eu estou passando, é outro.
00:16:48Então muda o problema.
00:16:50Então assim,
00:16:51a geração de hoje é mais frágil que a geração anterior?
00:16:54Com toda certeza.
00:16:56Ela é mais frágil no sentido de,
00:16:57o mundo é mais fácil de viver.
00:16:59Eu não preciso mais me preocupar com mortalidade infantil,
00:17:03com esse tipo de coisa.
00:17:05Só que,
00:17:05se você vai andando pra trás,
00:17:07sempre vai piorando.
00:17:09Então assim,
00:17:09o meu pai, ele viu energia elétrica,
00:17:11ele tinha 13 anos.
00:17:13Ele viu uma televisão,
00:17:14ele olhou atrás pra ver se,
00:17:16como é que as pessoas estão aí dentro.
00:17:18Sabe essa coisa,
00:17:20o caipira, né?
00:17:21Meu pai é do interior de São Paulo,
00:17:22chegou em São Paulo em 70,
00:17:23viu a Copa do Mundo na televisão,
00:17:25e ficou olhando e falou,
00:17:25mano, como que é isso?
00:17:27Que mágica as pessoas dentro dessa caixinha, né?
00:17:31Aí quando você vai,
00:17:32então quando ele olha pra minha geração,
00:17:34ele fala,
00:17:34fraco,
00:17:35frouxo,
00:17:37nunca teve que, né?
00:17:38Nunca,
00:17:39nunca tomou um banho gelado,
00:17:41nunca,
00:17:41sempre teve geladeira,
00:17:42sempre teve essas coisas.
00:17:44Quando você vai pra geração anterior do vô,
00:17:46o vô fala,
00:17:47é,
00:17:48eletricidade,
00:17:48eu fugi de guerra.
00:17:50Você sabe o que é fugir de uma guerra?
00:17:51É você se enfiar num navio,
00:17:53atravessar um oceano,
00:17:54fugindo de uma guerra?
00:17:55Aí você vai pro bisavô,
00:17:56eu vou falar,
00:17:57pois eu fiquei na guerra.
00:17:59Eu não fugi da guerra,
00:18:00eu tive que guerrear lá.
00:18:02Então se você olha o mundo pra trás,
00:18:04esses dias eu tava falando sobre anestesia.
00:18:07Anestesia é uma coisa comum,
00:18:09eu vou arrancar o dente,
00:18:09chega ali,
00:18:10anestesia,
00:18:10anestesia tem faz 100 anos.
00:18:12O mundo tem 200 mil anos,
00:18:16e o homo sapiens, né?
00:18:18A gente tá falando de 200 mil anos,
00:18:20100 anos tem anestesia.
00:18:21Toda essa galera aqui, mano,
00:18:23arrancava,
00:18:24tinha que tomar pinga e morder
00:18:26um toco de madeira pra arrancar um dente.
00:18:28A gente vê no filme,
00:18:29arranca a perna lá,
00:18:30a pessoa berra, grita.
00:18:32Então assim,
00:18:33nossa,
00:18:33o mundo é muito mais gostoso de viver.
00:18:35E isso faz com que as pessoas vivam
00:18:37sem problemas
00:18:39que existiam antigamente,
00:18:41que foram erradicados.
00:18:43Agora,
00:18:43a geração é fraca,
00:18:45às vezes o moleque não sabe nada,
00:18:47tal,
00:18:47é a mesma coisa
00:18:48que a geração anterior
00:18:49sempre falou.
00:18:50Uma coisa que hoje tem,
00:18:52e é um fato,
00:18:53e que a gente precisa olhar,
00:18:54é assim,
00:18:55primeiro o acesso
00:18:56ilimitado de informação,
00:18:58que por um lado
00:18:59é muito maravilhoso
00:19:00a gente poder estudar
00:19:01e ter acesso à internet,
00:19:03mas é perigoso
00:19:04porque a gente não sabe a fonte,
00:19:06né?
00:19:06É uma coisa complexa.
00:19:08E uma geração
00:19:10que
00:19:12apanhou dos pais,
00:19:13a nossa geração,
00:19:14a nossa geração,
00:19:15a mãe catava a xícara,
00:19:16atacava o chinelo,
00:19:17batia com mangueira,
00:19:18é uma geração
00:19:19que era normal isso daí.
00:19:22E a nossa geração,
00:19:23ela foi pra um outro extremo.
00:19:25Ela acha que ela tem que ser
00:19:26coleguinha do filho.
00:19:28Sabe assim,
00:19:29eu preciso que o meu filho
00:19:30goste de mim
00:19:31em todos os momentos.
00:19:32E não é ser amigo, tá?
00:19:34Porque amigo,
00:19:35eu sempre falo assim,
00:19:36você tem que ser amigo
00:19:37do seu filho.
00:19:38Se puder,
00:19:39é o melhor amigo.
00:19:40Aí tem gente que fala assim,
00:19:41ah, mas aí meu filho
00:19:41vai bater na minha cara.
00:19:43Não.
00:19:43Aí eu falo,
00:19:43que tipo de amigo
00:19:44você anda ter?
00:19:46O que é um amigo?
00:19:48Às vezes,
00:19:49mas às vezes,
00:19:52a convivência das pessoas
00:19:54é com gente muito tóxica,
00:19:57é com gente muito beligerante,
00:20:00e a pessoa transforma
00:20:02os próprios filhos nisso.
00:20:03Quando a pessoa tem medo
00:20:05do seu,
00:20:06ah, o seu filho vai,
00:20:07meu filho vai bater na minha cara,
00:20:09meu filho vai falar assim,
00:20:09é porque ele estiver fazendo isso também.
00:20:11Pois é.
00:20:12Porque ele já,
00:20:13é como se você,
00:20:16isso é uma opção.
00:20:17Então eu penso assim,
00:20:18bater na cara da minha mãe.
00:20:20Não existe essa opção.
00:20:21Essa opção é uma opção
00:20:22que eu nunca levantaria a hipótese.
00:20:24Agora,
00:20:25se isso acontece,
00:20:27faz total sentido isso,
00:20:29então eu trago como uma hipótese.
00:20:31Então assim,
00:20:32pra mim o amigo
00:20:33é aquele que você fala assim,
00:20:34cara,
00:20:35ah,
00:20:35vou largar da minha mulher
00:20:37pra ir pra festa.
00:20:38O cara fala,
00:20:38é um idiota fazer isso aí.
00:20:39Exato.
00:20:40O coleguinha,
00:20:41aquele isso,
00:20:42vamos pra festa,
00:20:43esse não deve ser.
00:20:44Agora,
00:20:45amigo do teu filho
00:20:46ter um problema grave,
00:20:48a gente tava conversando
00:20:49nos bastidores,
00:20:49coisas que o teu filho te conta,
00:20:52que não,
00:20:53tipo assim,
00:20:54ele não contaria pra você
00:20:55se ele não confiasse muito,
00:20:57tipo,
00:20:57eu posso contar isso
00:20:58pra minha mãe,
00:20:59porque eu sei que a minha mãe
00:21:01vai me dar a melhor orientação.
00:21:03Eu já tive casos,
00:21:04como eu falei,
00:21:05tem uma enteada
00:21:05de quase 16,
00:21:06de colegas ali dela,
00:21:08amiguinhas da escola,
00:21:10que vão lá,
00:21:11que frequentam ali
00:21:12a casa dela,
00:21:13de chegar e falar assim,
00:21:14por exemplo,
00:21:15eu tenho vergonha
00:21:16de falar pra minha mãe
00:21:17que eu menstruei.
00:21:19E falar pra minha namorada.
00:21:21Contar esse tipo de coisa.
00:21:23E ela orientou,
00:21:24levou na farmácia,
00:21:25comprou,
00:21:25ensinou como usa,
00:21:26fez todo o processo.
00:21:27Mas não era ela
00:21:28que tinha que fazer isso.
00:21:31Eu vejo isso,
00:21:33às vezes,
00:21:33da falta de diálogo,
00:21:37a falta de diálogo
00:21:39de um lado
00:21:39e o excesso
00:21:41de exposição
00:21:42de filho
00:21:43em rede social
00:21:44de outro.
00:21:45A gente viu
00:21:45o negócio do Felca aí.
00:21:47Exatamente.
00:21:48Você sabe que
00:21:49a minha posição
00:21:50sobre criança
00:21:51em rede social
00:21:52é radical.
00:21:54Eu sou contra.
00:21:56Contra.
00:21:57Botar fotinho
00:21:58do filho,
00:21:59botar...
00:22:00Eu sou contra.
00:22:01E vocês podem
00:22:01pesquisar outros países.
00:22:02Nos Estados Unidos,
00:22:03é normal.
00:22:04Põe a foto da família
00:22:05e um emoji
00:22:06no rostinho da criança.
00:22:08E isso é uma coisa
00:22:09também assim,
00:22:09os dados da criança
00:22:10não te pertencem, amor.
00:22:11Você pariu,
00:22:12é outro ser humano.
00:22:13É dele o dado.
00:22:15Não é seu.
00:22:15Não é a continuidade.
00:22:16É, não é a continuidade.
00:22:17Porque aqui tem até...
00:22:18Outro dia eu vi
00:22:18uma influencer,
00:22:19a Virginia,
00:22:19falando...
00:22:20Não, são meus filhos
00:22:21e eu uso do jeito
00:22:21que eu quiser.
00:22:21Não é assim que funciona, não.
00:22:23Que é teu, é teu,
00:22:23que é do seu filho,
00:22:24é do seu filho.
00:22:25E aí, uma outra coisa
00:22:26que eu penso é o seguinte.
00:22:28Eu não conheço ninguém
00:22:30que nasceu sendo exposto
00:22:32desse jeito pro mundo
00:22:34e hoje tem 40, 50 anos
00:22:36pra eu saber se deu certo.
00:22:37Pois é.
00:22:38Por que que meu filho
00:22:38que vai ser cobaia?
00:22:39Pois é.
00:22:40E a gente vê aqueles casos,
00:22:42os casos clássicos,
00:22:43Michael Jackson,
00:22:45Macaulay Culkin,
00:22:46esses que já nascem,
00:22:47já são artistas,
00:22:48o cara é tudo doido
00:22:49da cabeça.
00:22:51Então...
00:22:51Simoninho,
00:22:52uma menina toda bonitinha,
00:22:54toda fofinha.
00:22:55Entende?
00:22:56E porque, assim,
00:22:57é muito pesado
00:22:59essa carga,
00:23:00essa exposição.
00:23:01E aí a gente começa
00:23:02a ver casos,
00:23:03como foi lá o caso
00:23:04do Ítalo lá
00:23:06e do que o Felca expôs,
00:23:08que quem levava
00:23:09as crianças e os adolescentes
00:23:11até lá
00:23:11eram os próprios pais.
00:23:13Que era quem deveria
00:23:14estar cuidando.
00:23:16Ah, tem uma oportunidade,
00:23:17o meu filho é um artista,
00:23:19ele toca um instrumento,
00:23:20ele é um ator
00:23:20e tem uma oportunidade
00:23:21dele participar
00:23:22de uma novela
00:23:23ou hoje em dia
00:23:24de uma coisa no YouTube
00:23:25e tal.
00:23:25Tá bom,
00:23:26eu vou lá
00:23:26e quero saber o que é,
00:23:27vou estar junto.
00:23:29Grava aí que eu vou sentar aqui
00:23:30e vou ficar assistindo.
00:23:31Pô, é meu filho.
00:23:32Eu preciso cuidar.
00:23:34Não adianta soltar na rua, né?
00:23:37Você precisa dar autonomia,
00:23:39precisa fazer,
00:23:39obviamente,
00:23:40mas você vai soltando
00:23:41no conta-gota.
00:23:42Ah, eu quero ensinar meu filho,
00:23:44eu levo ele na Praça da Cé,
00:23:45largo ele lá e falo,
00:23:45se vira pra voltar pra casa
00:23:46com oito anos.
00:23:47Isso não faz bem.
00:23:49Mas isso também não é
00:23:50dar um celular na mão.
00:23:51É a mesma coisa
00:23:51que você largar o filho
00:23:52na Praça da Cé.
00:23:53É a mesma coisa.
00:23:54Porque o maníaco
00:23:56que a gente tem medo
00:23:57na rua,
00:23:57não vamos deixar
00:23:58andar sozinho de noite,
00:24:00lá, lá, lá.
00:24:00O maníaco,
00:24:01ele também tá na internet.
00:24:03A internet é uma
00:24:04representação do mundo.
00:24:05Então é aquela velha história.
00:24:06A doutora Vanessa Cavalieri,
00:24:08que é a juíza lá
00:24:09da Vale Infância e Juventude do Rio,
00:24:11ela fala,
00:24:11você sabe que tem uma festa
00:24:13ali do outro lado da rua
00:24:14que tem pedófilo,
00:24:15matador, assassino,
00:24:16drogado,
00:24:17louco,
00:24:18abusador,
00:24:18você sabe que tá ali.
00:24:19Se eu fico aí na festa,
00:24:20o que você vai falar?
00:24:21Nunca.
00:24:22Nunca vou permitir.
00:24:23Pois é,
00:24:24ele tá na internet
00:24:24onde tem tudo isso.
00:24:25E ele tá andando
00:24:26sem freio.
00:24:28E o que é mais assustador,
00:24:29Madá,
00:24:31a gente pensa
00:24:32que o abusador,
00:24:33essa coisa,
00:24:34o crime,
00:24:35ele tá na deep web,
00:24:37que você tem que ser
00:24:38um hacker pra entrar
00:24:39e que é um lugar
00:24:40muito obscuro da internet.
00:24:42Não.
00:24:43Tá no Google.
00:24:44Se você escrever coisas,
00:24:46eu não quero falar a palavra
00:24:47que pode derrubar
00:24:48a nossa live,
00:24:49mas se você escrever
00:24:50palavras absurdas
00:24:51no Google
00:24:53normal,
00:24:54aparecem
00:24:55coisas lá
00:24:56absurdas.
00:24:57Pornografia,
00:24:58então,
00:24:58você pode escrever
00:24:59qualquer uma que você quiser
00:25:00que ele te direciona.
00:25:02Até coisa de
00:25:04expressão que seja
00:25:05de gastronomia
00:25:06ou de não sei o que,
00:25:07tem umas
00:25:08que os moleques
00:25:09fazem até de brincadeira
00:25:10pra você pesquisar
00:25:11alguma coisa
00:25:12que é o nome
00:25:12de um prato,
00:25:13vamos dizer,
00:25:13de culinária.
00:25:14As primeiras páginas
00:25:16é tudo pornó.
00:25:17Pornografia.
00:25:18Então,
00:25:18pra você ver
00:25:19que esse é o tipo
00:25:21de coisa
00:25:21que a internet
00:25:22e o mundo moderno
00:25:23ele bagunçou,
00:25:25ele tem um lado
00:25:26negativo
00:25:27que é
00:25:27a acessibilidade
00:25:30a tudo isso
00:25:30é absurda.
00:25:32Porque o menino
00:25:33lá pra ver
00:25:34uma mulher
00:25:35de sutiã
00:25:36ele ia olhar
00:25:36na revistinha
00:25:37que vendia
00:25:38lá
00:25:39das representantes
00:25:40lá,
00:25:40lembra?
00:25:40Revista de lingerie
00:25:42os moleques roubavam
00:25:43as revistas de lingerie.
00:25:45Era o,
00:25:45nossa,
00:25:46eu me lembro uma vez
00:25:47que levaram na escola
00:25:48uma playboy
00:25:49da Sheila Carvalho.
00:25:51Tipo assim,
00:25:51era o único acesso,
00:25:53aí a gente
00:25:53arrancou a página,
00:25:55cada um catou
00:25:56uma página.
00:25:57E aí eu cheguei
00:25:58pra ver a minha página,
00:25:59tava ela
00:26:00de biquíni,
00:26:02uma foto dela
00:26:02de biquíni,
00:26:03e do outro lado
00:26:04uma propaganda,
00:26:04aquelas entrevistas
00:26:05que tinha na playboy
00:26:06e falei,
00:26:07porra,
00:26:07peguei bem a página
00:26:08que não tinha.
00:26:08Não tinha mulher velada.
00:26:09Não tinha nada.
00:26:10Você tá falando isso,
00:26:12meus irmãos,
00:26:13meus irmãos
00:26:14trabalham com vendas
00:26:15até hoje.
00:26:17Eram muito bons
00:26:18disso.
00:26:19São muito bons
00:26:20de vendas.
00:26:22Meu pai
00:26:22era um grande
00:26:23vendedor,
00:26:24nessa época
00:26:24de playboy,
00:26:25o que que eles faziam?
00:26:26Eles fizeram
00:26:28uma parceria,
00:26:29vamos dizer assim,
00:26:30quando eles tinham
00:26:30uns 12 anos,
00:26:31tá?
00:26:3210, 12 anos,
00:26:32nós estudamos
00:26:33em colégio de freira.
00:26:34Fizeram uma parceria
00:26:35com os pedreiros
00:26:36de uma obra
00:26:37lá do lado.
00:26:40Compravam
00:26:40playboy,
00:26:41que eles guardavam
00:26:42no colégio de freira,
00:26:43num buraco.
00:26:44Olha!
00:26:45Eles compravam
00:26:45a playboy
00:26:46e vendiam
00:26:46por página.
00:26:47Então, assim,
00:26:49só se descobriu
00:26:50isso em casa
00:26:51quando um apareceu
00:26:52com skate.
00:26:54Que loucura, né?
00:26:55Apareceu com skate,
00:26:56de onde você
00:26:57tinha esse skate?
00:26:57Porque ele comprava
00:26:58playboy, sei lá,
00:26:5910 reais
00:27:00e vendia
00:27:01cada página
00:27:022 reais.
00:27:04Mas era isso.
00:27:05Mas, assim,
00:27:05não vamos dizer
00:27:06que tá certo,
00:27:07não se deve dizer
00:27:08que tá certo, né?
00:27:09Mas você pensa assim,
00:27:10é uma engenhosidade
00:27:11maravilhosa.
00:27:12É uma criança,
00:27:13um adolescente
00:27:14olhando pra um problema
00:27:15e achando
00:27:16uma solução.
00:27:17Sim.
00:27:17Não é verdade?
00:27:18Mas, assim,
00:27:19hoje,
00:27:20essa mesma
00:27:21engenhosidade
00:27:22existe,
00:27:23mas não a dificuldade.
00:27:24Exatamente.
00:27:25Tem um conceito,
00:27:26até no estudo
00:27:27de consumo
00:27:28de pornografia,
00:27:29tem um conceito
00:27:30que chama
00:27:30AAA, né?
00:27:32Que é
00:27:33acessibilidade,
00:27:34anonimato
00:27:35e affordable,
00:27:36que é uma coisa
00:27:37barata de se...
00:27:38É, tipo,
00:27:39é um preço...
00:27:40Affordable é custeável,
00:27:42pagável, né?
00:27:42É, pagável,
00:27:43é um custo
00:27:43muito acessível, né?
00:27:45Então,
00:27:45quando você pensa
00:27:46o anonimato,
00:27:48então o cara
00:27:48tinha que ir lá
00:27:49na banca,
00:27:50tinha que chamar
00:27:50o pedreiro
00:27:51e o pedreiro falava
00:27:51mas por que você
00:27:52quer uma playboy?
00:27:53Era um negócio
00:27:53meio envergonhado.
00:27:54Tinha aquela casinha
00:27:55na locadora,
00:27:56o cara pegava
00:27:57três fitas lá
00:27:58com aquela
00:27:59capa absurda, né?
00:28:01De pornografia,
00:28:02como chama?
00:28:03Explícita
00:28:03e você tinha que chegar
00:28:04na minazinha lá
00:28:05do cadastro lá
00:28:07e mostrar...
00:28:08E todo mundo
00:28:08que entrava
00:28:09na salinha...
00:28:10Tô com vergonha...
00:28:10A locadora inteira
00:28:11via que a pessoa
00:28:12entrou na salinha,
00:28:13todo mundo sabia
00:28:14quem consumia por novo.
00:28:15Então você tinha
00:28:16essa questão
00:28:16que você não conseguia
00:28:18ter anonimato,
00:28:20a acessibilidade
00:28:20era complexa,
00:28:22sair da sua casa,
00:28:23ir na locadora,
00:28:23ir na banca de jornal,
00:28:25ir atrás,
00:28:26então essa acessibilidade
00:28:27e o afford,
00:28:28você tinha que investir
00:28:29um dinheiro,
00:28:29você tinha que alugar
00:28:30e tudo mais.
00:28:30Então hoje você tem
00:28:31anonimato total,
00:28:33você consome pornografia
00:28:34em total anonimato,
00:28:35você tem acessibilidade
00:28:37em qualquer lugar,
00:28:38eu tô com meu celular
00:28:39agora conectado
00:28:40no 5G,
00:28:41eu abro e acesso
00:28:42qualquer tipo
00:28:43de pornografia,
00:28:44até mesmo as proibidas,
00:28:46né?
00:28:47E gratuito,
00:28:49na imensa maioria
00:28:50das vezes.
00:28:51Você nem tem
00:28:51que investir nada,
00:28:52a não ser uma conexão
00:28:54com a internet,
00:28:54que às vezes você tá
00:28:55no Wi-Fi de alguém.
00:28:56Então você vê que
00:28:57essa dinâmica,
00:29:00ela muda
00:29:01o comportamento.
00:29:03Sim.
00:29:04Então quando você fala assim,
00:29:05ah, cara,
00:29:06você imagina assim,
00:29:07um menino
00:29:12bilionário,
00:29:13um filho do imperador,
00:29:14assim,
00:29:15qual que era o acesso
00:29:15dele de pornografia
00:29:17há 100 anos atrás?
00:29:18Vamos nem falar pornografia,
00:29:20que era uma coisa
00:29:20que nem tinha,
00:29:21mas vamos pensar assim,
00:29:22acesso a olhar
00:29:23uma mulher nua.
00:29:24Era uma coisa
00:29:25muito extrema,
00:29:27do, nossa,
00:29:28tipo assim,
00:29:29um evento da vida.
00:29:30Hoje qualquer menino
00:29:31tem muito acesso,
00:29:33assim,
00:29:33um acesso absurdo,
00:29:34que você arrasta
00:29:36a barra
00:29:38pro outro lado.
00:29:39Eu fui dar uma palestra
00:29:40esses dias numa escola
00:29:41que eu estudei,
00:29:42na escola pública
00:29:42que eu estudei
00:29:43tinha mil adolescentes.
00:29:45Ah,
00:29:46quer falar pra mil
00:29:46adolescentes?
00:29:47Então tem que ser louco,
00:29:49tem que chegar lá
00:29:50e falar uns absurdos lá,
00:29:52a pessoa fala,
00:29:52ô,
00:29:53esse tio é legal,
00:29:54e aí você conseguiu
00:29:55colocar o conteúdo.
00:29:57Quando acabou,
00:29:58e eu falei muito
00:29:58sobre consumo de pornografia,
00:30:00eu falei sobre orgasmo,
00:30:01eu falei sobre cocaína,
00:30:02eu tenho que mandar
00:30:03uns temas na tampa,
00:30:05assim,
00:30:05pra pegar atenção.
00:30:07E aí quando acabou,
00:30:08o menino veio me procurar
00:30:09e falou assim,
00:30:09professor,
00:30:09eu queria conversar com você
00:30:11de um problema
00:30:12que eu tenho.
00:30:13Aí eu falei,
00:30:14pode me contar.
00:30:15Ele falou,
00:30:15eu tenho disfunção erétil.
00:30:17Eu falei,
00:30:18mas quantos anos você tem?
00:30:18Ele falou,
00:30:1914.
00:30:20Aí eu falei,
00:30:21como é que é isso,
00:30:23né?
00:30:23Que a gente,
00:30:2414 tem que estar no talo,
00:30:26tem que estar o hormônio bombando,
00:30:28o funcionamento sexual
00:30:30tá no ápice.
00:30:32E aí ele falou pra mim,
00:30:34porque eu consumo
00:30:34muita pornografia,
00:30:36tipo,
00:30:363,
00:30:374 vezes
00:30:37todo santo dia.
00:30:39Todo santo dia.
00:30:40Então você tem
00:30:42uma questão
00:30:42de dessensibilização,
00:30:45eu já peguei casos
00:30:46com 15,
00:30:4720 vezes no dia
00:30:49e você não consegue
00:30:51se masturbar
00:30:5215 vezes no dia
00:30:53sem consumo de pornografia.
00:30:56No natural.
00:30:57Não dá.
00:30:58Mas o consumo de pornografia,
00:30:59ele fica renovando aquilo
00:31:01e a tendência é
00:31:03piorando a pornografia.
00:31:04Então é um casal,
00:31:05daqui a pouco 3,
00:31:06daqui a pouco 4,
00:31:07daqui a pouco tem violência,
00:31:08daqui a pouco tem
00:31:09com animal,
00:31:10com criança,
00:31:11você vai piorando o nível
00:31:12pra poder te dar
00:31:13o mesmo prazer.
00:31:14que é igual o consumo
00:31:15da droga.
00:31:16Sim.
00:31:17Dá pra fumar um baseadinho
00:31:18pra sempre ficar,
00:31:19né,
00:31:19e pirar.
00:31:20Tem que aumentar
00:31:21ali a questão.
00:31:24Outra coisa,
00:31:25quando ele se relaciona
00:31:26com uma menina real,
00:31:28a menina real
00:31:29tem um corpo
00:31:30celulite,
00:31:32pelo,
00:31:33cheiro,
00:31:34né,
00:31:34pessoas reais.
00:31:35Ele não tem
00:31:36uma ferramenta
00:31:37bonitona,
00:31:38daquela igual do ator,
00:31:39o abdômen trincado
00:31:41e ele marreta
00:31:42por 3 horas seguidas
00:31:44lá,
00:31:45aquilo não é real.
00:31:46E eu até brinco com ele,
00:31:47eu falo,
00:31:47sabe quando o Harry Potter
00:31:48voa?
00:31:49Aquilo não voa.
00:31:50É o filme
00:31:51que o cara faz edição.
00:31:52O filme pornô
00:31:53é a mesma coisa.
00:31:54Aquilo lá
00:31:55não existe.
00:31:56Só que se pra ele
00:31:58a referência é aquilo,
00:31:59quando ele conhece
00:32:00uma menina na vida real,
00:32:01ele brocha.
00:32:03Ele não se sente
00:32:04estimulado por aquilo.
00:32:05O cérebro fala,
00:32:06para,
00:32:07isso aqui não é,
00:32:08isso aqui tá muito ruim.
00:32:09Legal é aquilo lá
00:32:10com 8 mulheres
00:32:11e aquele ponta cabeça
00:32:12e aquela coisa
00:32:13muito louca.
00:32:14então isso,
00:32:16a internet,
00:32:17a vida moderna,
00:32:18ela é muito perigoso.
00:32:20O consumo de pornografia
00:32:21é muito perigoso.
00:32:22Eu vi outro dia um vídeo
00:32:24da Billie Eilish
00:32:27falando,
00:32:29porque ela quis fazer um alerta
00:32:30e ela contando
00:32:31uma experiência pessoal dela,
00:32:33o que que o consumo
00:32:35de pornografia fez
00:32:36no cérebro dela.
00:32:37a gente tá falando
00:32:39mais pornografia
00:32:40e meninos,
00:32:41mas a Billie Eilish
00:32:44acendeu uma luz enorme
00:32:45porque as meninas
00:32:47também estão nisso.
00:32:48Também,
00:32:48também.
00:32:49Esse caso que eu te falei
00:32:50de 15 vezes aí,
00:32:51a gente recebeu
00:32:52meninos e meninas.
00:32:55Meninos e meninas.
00:32:57É bem lembrado isso,
00:32:59né?
00:32:59A gente tem esse estigma
00:33:01do menino
00:33:01consumir pornografia,
00:33:03mas as meninas também.
00:33:04E uma coisa que,
00:33:05assim, né?
00:33:06Por um lado,
00:33:07a sexualidade feminina
00:33:09hoje,
00:33:10ela ainda é um tabu,
00:33:11mas é muito menos
00:33:12do que 50 anos atrás.
00:33:14A nossa avó
00:33:15de masturbação,
00:33:16ela jogava o rosário
00:33:17na gente, né?
00:33:18Não se falava.
00:33:19Já tem mais pra fazer
00:33:20exorcismo.
00:33:22Já achou o padre
00:33:23Quevedo
00:33:24pra tirar o diabo, né?
00:33:27Então,
00:33:27hoje você fala,
00:33:28você conversa
00:33:29sobre isso e tal.
00:33:31Mas ainda é um estigma.
00:33:33Só que, assim,
00:33:34o desejo,
00:33:35principalmente nessa entrada
00:33:37da adolescência
00:33:38que tem todo esse fervor,
00:33:39é de meninos e meninas, né?
00:33:41Então,
00:33:41consome pornografia,
00:33:42tem toda essa questão.
00:33:44Mas, assim,
00:33:44é muito perigoso.
00:33:46Como é que a gente
00:33:47faz?
00:33:49Eu sei que é perigoso,
00:33:50eu sei que tá disponível,
00:33:51eu sei que tá lá.
00:33:52Eu só tenho um jeito,
00:33:53vou se orientar.
00:33:54Você dizer que aquilo,
00:33:56fala assim,
00:33:56cara, eu não vou dizer pra você,
00:33:57não faz, não vê,
00:33:58é porque, né?
00:34:01Se funcionasse,
00:34:02não tinha ladrão,
00:34:03não tinha nada,
00:34:04a gente não pode roubar, tá?
00:34:05Tudo bem,
00:34:05estamos combinados,
00:34:06não tem ladrão.
00:34:07Mas é dizer pra dizer assim,
00:34:08ó,
00:34:08eu vou te explicar o mecanismo.
00:34:11Uma vez eu fiz um trabalho,
00:34:13eu dei aula muito tempo
00:34:14no ensino médio,
00:34:15primeiro, segundo,
00:34:16terceiro ano do médio.
00:34:17E eu fiz um trabalho
00:34:18com ele sobre soft porn.
00:34:20Então,
00:34:21o que que é o soft porn?
00:34:22É esse pornôzinho leve
00:34:23da rede social.
00:34:24Decote,
00:34:25o cara com a sunga,
00:34:26com a madeira de lado,
00:34:29aquela coisa que,
00:34:30ela não é uma,
00:34:32explícito,
00:34:32mas ela te,
00:34:33te dá um gatilho,
00:34:35né?
00:34:36E aí,
00:34:37eu fiz um experimento com eles
00:34:38que foi o seguinte,
00:34:39eu falei,
00:34:39você vai fazer o seguinte,
00:34:41vocês vão fazer um trabalho,
00:34:42você vai fazer o trabalho
00:34:43durante todo o final de semana.
00:34:45Ah,
00:34:46professor,
00:34:46fazer trabalho no final de semana.
00:34:48Eu falei,
00:34:48é,
00:34:48porque eu sou um professor implacável,
00:34:51eu dou trabalho de final de semana,
00:34:53né?
00:34:54Qual que é o seu trabalho?
00:34:55Mexer na rede social.
00:34:57Aí,
00:34:57você vai brincar na rede social,
00:34:59o final de semana inteiro.
00:35:00Só que o que que eu quero que você faça?
00:35:02Toda vez que aparecer pra você
00:35:04uma imagem sedutora,
00:35:07erótica,
00:35:07picante,
00:35:08um decote,
00:35:09uma menina de biquíni,
00:35:11um cara de sunga,
00:35:12você só vai anotar assim,
00:35:14um,
00:35:15dois,
00:35:16você só vai anotar.
00:35:17Abre lá seu bloco de nota
00:35:18e só fala,
00:35:19tive mais um e tal.
00:35:21E aí,
00:35:21os alunos vêm assim,
00:35:22num final de semana,
00:35:22num sábado,
00:35:23tipo,
00:35:24120 vezes,
00:35:26apareceram imagens rolando feed,
00:35:28imagens eróticas para menores de idade,
00:35:30eu tô falando de alunos de 14,
00:35:3215 e 16 anos.
00:35:33De 15 a 17, né?
00:35:35De 15 a 17 anos.
00:35:37Então,
00:35:37não é o pornozão proibido,
00:35:39aquele que você entra e fala,
00:35:40você tem mais de 18 anos,
00:35:42até brinco com eles,
00:35:43né?
00:35:43Vocês entram naquele site
00:35:44e aí você vê,
00:35:45só pode mais de 18 anos,
00:35:47aí vocês fecham.
00:35:48Uma vez que vocês não têm 18 anos,
00:35:49vocês saem.
00:35:50Eu sei que vocês fazem isso, né?
00:35:52Aí fica aquele constrangimento e tal.
00:35:54Então, assim,
00:35:56vai entrar,
00:35:56vai acessar,
00:35:57tudo bem,
00:35:57mas o que que eu quero que você entenda?
00:36:00tem um mecanismo querendo te pegar.
00:36:02E você é um idiota
00:36:03se você entrar no mecanismo
00:36:05que tá querendo te pegar.
00:36:06Então, por exemplo,
00:36:07na minha rede social,
00:36:08quando aparece esse tipo de conteúdo,
00:36:10eu coloco lá assim,
00:36:11não tenho interesse.
00:36:12Clico nas três bolinhas,
00:36:13coloco não tenho interesse.
00:36:15Não tenho interesse.
00:36:16Porque eu sou um anjo de candura,
00:36:18uma pessoa iluminada,
00:36:19acho lindo,
00:36:19acho maravilhoso.
00:36:20Só que eu sei o que que tá acontecendo.
00:36:22Eu sei qual que é o mecanismo.
00:36:24Quando saiu o threads
00:36:25do Instagram,
00:36:27eu fiz a minha conta
00:36:28e eu não sigo ninguém
00:36:29no threads.
00:36:30Eu não,
00:36:31eu não,
00:36:31eu tenho seguidores,
00:36:32mas eu não sigo ninguém.
00:36:33Então,
00:36:34o conteúdo é um conteúdo aleatório,
00:36:36que ele vai mandando
00:36:37pra ver se o algoritmo
00:36:38quer,
00:36:39quer me entender.
00:36:41O que que ele manda?
00:36:42Só soft porn.
00:36:44Por causa do seu perfil,
00:36:45é homem da sua idade,
00:36:47ele manda soft porn?
00:36:47Ele fala assim,
00:36:48cara,
00:36:48vou mandar uma mulher de biquíni,
00:36:49não tem como ele não gostar.
00:36:51Agora,
00:36:52essa geração também,
00:36:53você tá falando isso do soft porn?
00:36:55Outro dia,
00:36:55não sei se eu tava dando aula,
00:36:57eu não me lembro bem a situação,
00:36:59mas assim,
00:37:00a gente também tem uma geração de pais
00:37:03que foram criados vendo soft porn
00:37:07como se fosse programa infantil,
00:37:09porque assim,
00:37:09programa da Xuxa,
00:37:10domingo à tarde,
00:37:11soft porn,
00:37:12banheira do Gugu,
00:37:13soft porn.
00:37:15Hoje,
00:37:15as coisas que a gente tem,
00:37:17por exemplo,
00:37:17Anitta,
00:37:18não é música,
00:37:18é soft porn.
00:37:20A Luísa Sons,
00:37:21a Luísa Sonsa
00:37:21no...
00:37:22Soft porn.
00:37:23Agora,
00:37:23no Detal?
00:37:24Então,
00:37:24é soft porn.
00:37:26Cara,
00:37:26é uma...
00:37:27E a gente tem uma geração
00:37:29que cresceu vendo soft porn
00:37:31como se fosse programa infantil,
00:37:33eu fiz,
00:37:33acho que um vídeo,
00:37:34que era a xuxalização
00:37:35da sociedade brasileira.
00:37:37Então,
00:37:38acho que os pais
00:37:39não percebem qual é o problema,
00:37:41porque eles falam,
00:37:41não,
00:37:41eu vi a banheira do Gugu
00:37:43e não tenho problema nenhum.
00:37:45E aí eu falo,
00:37:46querido,
00:37:46será que você não tem nenhum problema?
00:37:49Vê bem se você quer
00:37:50esse mesmo destino seu
00:37:52pro seu filho?
00:37:52É que é aquela história, né?
00:37:54Ah,
00:37:54eu sou dos anos 90,
00:37:56não tinha esse negócio
00:37:56de bullying e tudo sei o que,
00:37:58eu apanhei da minha mãe
00:38:00e tudo funciona?
00:38:01Eu falo,
00:38:01lógico,
00:38:02a nossa geração,
00:38:03gente,
00:38:03só tem pessoas bem da cabeça,
00:38:04tudo maravilhoso,
00:38:06tudo saudável.
00:38:08Pessoas de 35 a 50,
00:38:10só tem gente saudável mentalmente, né?
00:38:12Porque apanhou da mãe
00:38:13e não acondicionou nada.
00:38:14Sofreu bullying,
00:38:15não acondicionou nada.
00:38:16Cara,
00:38:16é difícil a pessoa
00:38:17que não toma remédio,
00:38:19que consegue,
00:38:21assim,
00:38:21faz uma pesquisa
00:38:22pra você ver uma hora.
00:38:23Junta um,
00:38:24tá numa festa,
00:38:25tem 50 pessoas,
00:38:26faz uma pesquisa.
00:38:27Quem aqui dorme normal?
00:38:29Normal.
00:38:30Deita numa cama e dorme
00:38:31e acorda no outro dia cedo.
00:38:32Você vai ver que 10%
00:38:34consegue dormir.
00:38:36Você não precisa fazer nada,
00:38:37é só você deitar lá
00:38:38e o teu sistema faz o resto.
00:38:40As pessoas não conseguem dormir
00:38:42sem uso de remédio,
00:38:43e eu não tô falando
00:38:44de geração Z não, tá?
00:38:45De Y, de X.
00:38:47Não consegue dormir,
00:38:48não consegue se alimentar direito,
00:38:51não consegue...
00:38:52Assim,
00:38:52o básico da vida,
00:38:53o funcionamento básico
00:38:55de um corpo humano.
00:38:56E essa geração
00:38:57cria outra
00:38:58e a gente fica apontando.
00:39:00Fica apontando.
00:39:00E é o que você falou,
00:39:02dessensibiliza a questão sexual,
00:39:04por exemplo,
00:39:04nesse caso que a gente
00:39:05tá falando,
00:39:06e fala assim,
00:39:06ah, a gente assistia lá
00:39:08de domingo e tal
00:39:09e tudo bem.
00:39:10E aí você perde
00:39:11a sensibilidade.
00:39:12E isso faz muito mal.
00:39:14Só que agora a internet,
00:39:15ela pegou aquilo
00:39:16e transformou num explícito,
00:39:18numa coisa assim,
00:39:20absurda.
00:39:21E nesse lugar,
00:39:22é onde vem abusador,
00:39:24que é aquele conteúdo
00:39:25que você tem feito
00:39:28maravilhosamente bem,
00:39:29porque você é uma voz importante
00:39:31pra conscientizar
00:39:32essas pessoas
00:39:32e falar assim,
00:39:33cara,
00:39:34tem muito maluco no mundo.
00:39:36No mundo tem muito maluco.
00:39:38E eles estão na internet.
00:39:40Então as pessoas da internet
00:39:41e as pessoas da vida real,
00:39:42né?
00:39:43Quando eu me divorciei,
00:39:45eu entrei no Tinder
00:39:46e conheci umas meninas lá
00:39:48e minha mãe falava assim,
00:39:49William,
00:39:49cuidado com essas meninas
00:39:50da internet.
00:39:52Eu falo,
00:39:52mãe,
00:39:52você já parou pra pensar
00:39:53que pra ela,
00:39:54o menino da internet
00:39:54sou eu?
00:39:55Pra mãe dela?
00:39:57Não tem a menina da internet,
00:39:59é a menina da balada,
00:40:00do trabalho,
00:40:01da vida real
00:40:03que tá na internet.
00:40:04Só que o que você falou,
00:40:05nossa,
00:40:05eu amei a sua frase
00:40:06do entrar na internet.
00:40:08Eu nunca tinha feito
00:40:09essa reflexão
00:40:09e não tem, né?
00:40:12Pra eles é como
00:40:14você vê os gráficos
00:40:15hoje de...
00:40:16Onde você conheceu
00:40:18o seu relacionamento amoroso?
00:40:20Aí eles pegam um gráfico
00:40:21tipo dos anos 40,
00:40:22que era família
00:40:24indicando
00:40:24e o gráfico
00:40:25ele vai invertendo.
00:40:27Hoje, tipo,
00:40:2770% dos relacionamentos
00:40:29você conhece na internet.
00:40:30Eu conheci minha namorada
00:40:31no Happen,
00:40:32que é um Tinder
00:40:34genérico,
00:40:35série B.
00:40:36Mas é uma coisa
00:40:38que a gente vê também
00:40:40que, por exemplo,
00:40:41com pais.
00:40:42Eu vejo que a tendência
00:40:44dos pais
00:40:44com filho na internet
00:40:46é o quê?
00:40:47Ou entrega um celular
00:40:48na mão
00:40:49e tem mãe
00:40:50que chega pra mim
00:40:50e fala assim,
00:40:51não, mas eu vou invadir
00:40:52a privacidade dela.
00:40:54Eu falo, amor,
00:40:54ela tem 12 anos.
00:40:56É sua responsabilidade.
00:40:58Para de criar conversinha
00:40:59pra fugir
00:41:00da sua responsabilidade.
00:41:01Porque seu filho
00:41:02vai ficar bravo com você?
00:41:03Vai.
00:41:04Você tem que falar,
00:41:05vai ficar bravo o Dani
00:41:06se eu sei o que é melhor
00:41:07pra você?
00:41:07E vai chorar,
00:41:08vai experimentando.
00:41:09Eu não tô nem aí.
00:41:10E acabou.
00:41:11Só que assim,
00:41:12ou eles largam mão
00:41:14ou viram uma coisa assim,
00:41:16não vai mais entrar
00:41:17na internet de jeito nenhum.
00:41:18que é onde o extremo,
00:41:20é o extremo de você falar assim,
00:41:23eu sou rígido ao extremo
00:41:24ou eu sou liberal ao extremo.
00:41:26E às vezes a mesma pessoa oscila.
00:41:28É.
00:41:29Entre as duas coisas.
00:41:31Ou liberal ao extremo
00:41:32ou rígido ao extremo.
00:41:33Porque na verdade,
00:41:34porque eu acho que as pessoas
00:41:35não sabem o que fazer, né?
00:41:36Exato.
00:41:37Eu até brinco
00:41:38quando os adolescentes falam assim,
00:41:39eu tô na palestra com os pais
00:41:41e eu falo assim,
00:41:41e o adolescente,
00:41:43ele acha que a gente, né?
00:41:45A gente não sabe o que fazer.
00:41:47Ele acha.
00:41:48E que ele não escute
00:41:49que ele tá certo, né?
00:41:50Que a gente realmente
00:41:51não sabe o que fazer.
00:41:53Então, é preciso
00:41:54o equilíbrio nesse caso assim.
00:42:00Você entra na internet,
00:42:02você acessa a internet,
00:42:03ela entra na internet
00:42:04e já denuncia a nossa idade, né?
00:42:06Eu falo,
00:42:07eu falo internauta.
00:42:09Internauta.
00:42:10Amigo internauta.
00:42:11Amigo internauta.
00:42:12Eu ainda sou dessa época.
00:42:14Vinha um CD
00:42:15que a gente comprava
00:42:16minutos de internet
00:42:17e depois da meia-noite
00:42:18um pulso.
00:42:19Jovem.
00:42:20O pulso é uma coisa.
00:42:22Não, meu pulso
00:42:22eu só desistia.
00:42:24Cobrava por pulso.
00:42:25Mas assim,
00:42:26por exemplo,
00:42:27você quer ter rede social?
00:42:29Tudo bem.
00:42:30Com 16 anos.
00:42:32Mas eu vou te acompanhar.
00:42:34Eu quero saber
00:42:35quem você segue.
00:42:36Hoje existem
00:42:37muitas ferramentas
00:42:38de mecanismo.
00:42:39E eu te falo,
00:42:40o adolescente,
00:42:40ele dá um nó
00:42:41na ferramenta
00:42:42de controle, tá?
00:42:45Mas isso, olha,
00:42:46no e-book
00:42:46que eu publiquei,
00:42:47as pessoas falam,
00:42:48não,
00:42:49é só colocar o app
00:42:50não sei o que.
00:42:51Meu filho,
00:42:52tem criança que acabou
00:42:53assassinada
00:42:53e tinha porcaria do app.
00:42:56Eles dão uma burla.
00:42:57Eu lembro uma vez,
00:42:58olha isso.
00:42:59Muitos anos atrás.
00:43:00É o teu irmão
00:43:01vendendo a página
00:43:02da Playboy
00:43:02no mundo de hoje.
00:43:04Eles dão um jeito.
00:43:05Mas é a coisa
00:43:07de achar
00:43:09que você tem controle.
00:43:10Porque você
00:43:11não tem o controle.
00:43:13Você tem
00:43:14a responsabilidade
00:43:15de instruir.
00:43:17E de deixar
00:43:18a porta aberta
00:43:18porque assim,
00:43:19vão fazer merda?
00:43:20Vão.
00:43:21Mas tem que saber
00:43:22se fizer merda
00:43:23e o tempo
00:43:23pra quem recorrer.
00:43:24E tem uma coisa
00:43:25importante nisso
00:43:26que é assim, ó.
00:43:27É da natureza
00:43:28do adolescente
00:43:29transgredir regra.
00:43:31É da natureza.
00:43:32Ah, o meu filho
00:43:33não transgredir regra.
00:43:34Ele tira nota
00:43:34boa na escola.
00:43:35Ele respeita
00:43:36todo mundo.
00:43:36Ele não levanta voz.
00:43:38Ele tira 10.
00:43:39Leva no médico.
00:43:41Ele não tá natural.
00:43:44Porque transgredir regra
00:43:45é da juventude.
00:43:46É da adolescência.
00:43:47É de você falar assim,
00:43:49por que que não pode?
00:43:50Quem nunca, né?
00:43:52Na nossa adolescência.
00:43:53Eu vou mudar o mundo.
00:43:54E a política.
00:43:55Por isso, inclusive,
00:43:56na nossa outra conversa lá,
00:43:58a gente conversou muito assim,
00:43:59isso é um prato
00:44:00cheio pra grupos políticos.
00:44:02É.
00:44:02Trazer o jovem.
00:44:04Jovem, vamos mudar o mundo
00:44:05através dos nossos ideais.
00:44:08E aí, os véios
00:44:09que estão nisso,
00:44:10eles estão porque
00:44:11eles sabem que
00:44:11isso dá dinheiro,
00:44:13dá poder.
00:44:14Mas quem vai lá
00:44:15tomar a borrachada
00:44:16da tropa de choque
00:44:17não é véio.
00:44:18É o jovem.
00:44:18Eu preciso de jovem
00:44:20pra manter a máquina
00:44:21funcionando.
00:44:22Então, isso é um prato
00:44:23cheio
00:44:24pra questões políticas,
00:44:26grupos extremistas
00:44:27e essa coisa toda.
00:44:28como é que um grupo
00:44:29extremista
00:44:32orienta
00:44:33ou convence
00:44:35um jovem
00:44:36a pegar uma arma
00:44:36e atacar uma escola?
00:44:37Como é que um grupo...
00:44:38É na briga,
00:44:39na porrada?
00:44:39Colimento,
00:44:40pelo conhecimento.
00:44:41Sua família
00:44:42não te entende.
00:44:43Ninguém te dá moral, né?
00:44:44Mas aqui a gente sabe
00:44:46que você tem um futuro glorioso.
00:44:47Confio tanto em você
00:44:48que eu vou te dar uma arma.
00:44:50Agora você vai ser respeitado.
00:44:53Aquela organização criminosa
00:44:54que atua nos presídios
00:44:55de São Paulo, né?
00:44:56Que a imprensa fala assim
00:44:57pra não falar o nome.
00:44:59Quando a pessoa foi presa,
00:45:00o cara tá dormindo
00:45:01num chão de cimento gelado lá.
00:45:03Ele chega lá
00:45:04e dá uma bica no cara?
00:45:05Não.
00:45:06Vou te dar um colchão.
00:45:08Tua família
00:45:09tá precisando de alguma coisa?
00:45:10O que eu posso te ajudar?
00:45:11Você tá precisando de advogado?
00:45:13Você tá precisando de comer?
00:45:14Você vai comer a comida azeda aí?
00:45:16Não, eu vou te arrumar
00:45:17uma comida da hora.
00:45:18Colimento, amor, carinho.
00:45:20E aí traz pro lado.
00:45:21Então assim,
00:45:22as organizações criminosas
00:45:24estão sendo muito mais eficazes
00:45:26que a gente
00:45:26nesse quesito.
00:45:28Então é assim, ó.
00:45:30Você orientar seu filho,
00:45:31seu amigo,
00:45:32tá junto,
00:45:33contribuir,
00:45:35tira a chance
00:45:36dele ser abusado
00:45:38por um maluco?
00:45:39Não.
00:45:39Mas reduz muito
00:45:41a probabilidade.
00:45:42porque comportamento humano
00:45:43a gente não trabalha
00:45:44com sim ou não, né?
00:45:46Você faça isso
00:45:47que acontece isso.
00:45:49Não existe.
00:45:50Comportamento humano
00:45:50você trabalha com probabilidade.
00:45:53Então assim, por exemplo,
00:45:54se chegar um bandido,
00:45:56um, sei lá,
00:45:58como chama lá,
00:45:58um atirador
00:45:59num lugar
00:46:00e começar a dar tiro,
00:46:0299% das pessoas
00:46:03vão sair correndo.
00:46:04Mas vai ter um louco
00:46:06que vai pular em cima dele.
00:46:07Então você não tem como
00:46:08prever comportamento.
00:46:10Você prevê probabilidade.
00:46:12Então assim,
00:46:13muitas vezes
00:46:14a única pessoa
00:46:16que dá atenção
00:46:17pra aquela criança
00:46:18ou pra aquele adolescente
00:46:19é o abusador.
00:46:20É o único
00:46:21que dá atenção.
00:46:23Então essa criança
00:46:24ela é vulnerável
00:46:25e ela fala assim,
00:46:25sua mãe não gosta de você.
00:46:26Que absurdo.
00:46:27Você é tão legal.
00:46:28Você é tão bonita.
00:46:30Você é tão bacana.
00:46:31E não sei o quê.
00:46:32E aí a menina fala,
00:46:33nossa,
00:46:33ninguém nunca me elogiou.
00:46:35Ninguém nunca me ouviu.
00:46:36Ninguém nunca me deu atenção.
00:46:37Ninguém nunca me orientou.
00:46:38E uma coisa,
00:46:40a delegada Liza Andréa,
00:46:41que faz um trabalho lá no NOAD,
00:46:43a Polícia Civil de São Paulo
00:46:45faz um trabalho lindo
00:46:46no NOAD.
00:46:47É verdade.
00:46:48Núcleo de observação
00:46:49e alguma coisa digital.
00:46:51Agora me faltou o A.
00:46:53E assistência digital,
00:46:54alguma coisa assim.
00:46:55Então eles entram
00:46:56nessas comunidades do Discord,
00:46:57nas panelas lá,
00:46:59e fazem uma investigação
00:47:02lá de dentro.
00:47:02Então eles sabem
00:47:03o que acontece.
00:47:03já salvaram mais de 130 meninas
00:47:06que participaram do tal
00:47:08estupro virtual lá, né?
00:47:09E a delegada Liza Andréa
00:47:11que encabeça isso,
00:47:12ela faz um trabalho
00:47:14magnífico, assim,
00:47:14que é importante de registrar.
00:47:16Aliás,
00:47:16é uma baita convidada
00:47:17pra você trazer aqui.
00:47:18Verdade.
00:47:19Verdade.
00:47:20Maravilhosa.
00:47:22Ela fala uma coisa
00:47:23que é muito importante,
00:47:24que ela fala assim,
00:47:25o abusador,
00:47:26ele tem tempo.
00:47:28Ele não precisa
00:47:29a vítima hoje.
00:47:30Ele faz cevando.
00:47:32Ele dá um presente.
00:47:33ele faz um elogio.
00:47:35A gente mesmo,
00:47:37adulto, vivido,
00:47:38quando chega alguém
00:47:38que elogia,
00:47:39reconhece o nosso trabalho,
00:47:41fala que legal,
00:47:42pô, você é incrível e tal,
00:47:43a gente vai baixando a guarda.
00:47:45É normal,
00:47:46é natural do humano
00:47:47o reconhecimento
00:47:48ser uma coisa
00:47:49que nos deixa bem
00:47:50e faz a gente
00:47:51dar uma baixadinha na guarda.
00:47:52Imagina uma menina
00:47:53de 12 anos,
00:47:54imagina uma menina
00:47:55de 7 anos
00:47:55que ela já tem caso lá
00:47:57de meninas que foram abusadas,
00:47:59fizeram estupro virtual no Discord
00:48:00lá,
00:48:00foram vítimas de estupro virtual.
00:48:027 anos.
00:48:03Pô, com 7 anos,
00:48:05assim,
00:48:07não dá pra tirar
00:48:08a responsabilidade da família,
00:48:10mas você tá me falando isso,
00:48:11eu,
00:48:11outro dia,
00:48:13eu tava dando entrevista
00:48:15num podcast,
00:48:16que nós aqui também,
00:48:17nós somos um arroz de festa
00:48:18de podcast.
00:48:19chamou nós,
00:48:20né,
00:48:20vamos,
00:48:20velho.
00:48:21Sabe o Jim Carrey
00:48:22no Super,
00:48:23no Todo Poderoso,
00:48:24que ele fala
00:48:24sim pra tudo?
00:48:25É,
00:48:26então é,
00:48:26nós somos um arroz de festa.
00:48:28Tava lá num podcast,
00:48:30o cara tava falando
00:48:31de relacionamentos,
00:48:33aí eu falei pra ele o seguinte,
00:48:34eu falei,
00:48:35olha,
00:48:37relacionamento,
00:48:38partiu pra violência física,
00:48:41seja o homem contra a mulher,
00:48:42que é muito mais comum,
00:48:44ou a mulher contra o homem,
00:48:46que é mais raro,
00:48:47mas existe,
00:48:48acabou.
00:48:49Pode ser que essa pessoa
00:48:50tenha um outro relacionamento,
00:48:52que dê certo se ela se tratar,
00:48:54mas assim,
00:48:54aquele relacionamento,
00:48:56não tem mais como.
00:48:57Não tem mais como resgatar.
00:48:58E no meu caso,
00:48:58por exemplo,
00:49:00xingou,
00:49:01acabou.
00:49:02Acabou.
00:49:03Eu não tô falando de debate,
00:49:04debate duro,
00:49:06conversa dura,
00:49:06mas você é uma isso,
00:49:09acabou.
00:49:10E na minha casa,
00:49:11não tem isso,
00:49:11meu filho nunca viu isso
00:49:13na vida dele.
00:49:14Eu falei isso,
00:49:16nossa,
00:49:17choveu a homarada,
00:49:19então você quer destruir,
00:49:21não sei quantas mil famílias,
00:49:23vai num condomínio ver,
00:49:25não sou eu que tô destruindo,
00:49:27a família já tá destruída
00:49:28e tá destruindo a vida do filho.
00:49:29eu só tô relatando um fato,
00:49:31e assim,
00:49:32tem que ser implacável,
00:49:35não,
00:49:35agressão,
00:49:36quanto que pode de agressão,
00:49:37qual que é a tolerância?
00:49:38Zero.
00:49:39Sim.
00:49:40Ah,
00:49:40teve 0.01,
00:49:42já não serve.
00:49:43Não pode haver agressão,
00:49:45não pode haver ofensa.
00:49:47Então,
00:49:48quando você tem essa medida implacável,
00:49:50ela é importante.
00:49:52E outra,
00:49:52o adulto da relação,
00:49:54quando você tá lidando com um adolescente,
00:49:56ele precisa dar exemplo.
00:49:58Então,
00:49:59quando o pai quebra a mãe dentro de casa,
00:50:01ou ofende a mãe dentro de casa,
00:50:02principalmente o menino,
00:50:04ele acha que aquilo é o normal,
00:50:06é a referência.
00:50:07Então,
00:50:08tudo bem,
00:50:08eu chegar na minha colega da sala de aula
00:50:10e xingar ela de alguma coisa,
00:50:11ou pegar no braço dela,
00:50:13ou empurrar,
00:50:14porque a agressão também,
00:50:15o socão,
00:50:16ele não começa,
00:50:17vai de 0 a 100, né?
00:50:19Ele não começa o socão.
00:50:20É um aperto,
00:50:21é um belisco,
00:50:23é um...
00:50:23Isso em escola.
00:50:24Isso,
00:50:25eu tava até outra de uma discussão disso em casa,
00:50:27de pegar a menina pelo braço,
00:50:29assim,
00:50:29e que deu o maior afuá,
00:50:31e o menino nem entendia o que ele tinha feito de errado.
00:50:33Eu falei,
00:50:34meu filho,
00:50:34meu filho,
00:50:35ele deve ver o pai dele fazendo com a mãe dele todo dia.
00:50:38Uma referência.
00:50:39Por isso que ele não entendeu,
00:50:40porque às vezes,
00:50:41quando dá o rebu na escola,
00:50:43que junta todas as famílias,
00:50:45a família,
00:50:45nossa,
00:50:46não sei como ele chegou nisso,
00:50:48em casa,
00:50:49tudo mentira.
00:50:50Ele vê o pai fazer com a mãe,
00:50:52então ele vai pra diretoria,
00:50:54ele nem sabe o que ele fez de errado.
00:50:56A minha enteada,
00:50:58que,
00:50:58como eu disse,
00:50:58vai fazer 16 anos,
00:51:00mas quando ela tinha uns,
00:51:01talvez 14 ou 13,
00:51:04ela tinha um namoradinho,
00:51:06e um dia eu cheguei lá na casa dela
00:51:08e ela tava no quarto triste,
00:51:10lá chorando,
00:51:11não sei o que,
00:51:11e aí eu fui lá conversar com ela.
00:51:14Até foi interessante que eu bati na porta,
00:51:17aí ela,
00:51:17pode entrar,
00:51:18eu falei,
00:51:18e aí,
00:51:18tudo bem?
00:51:19Sua mãe falou que você tá triste,
00:51:20quer conversar?
00:51:21Ela falou,
00:51:21não,
00:51:21não quero.
00:51:22Vamos fazer o seguinte,
00:51:23eu vou te dar um voucher da conversa.
00:51:25Quando você se sentir à vontade,
00:51:27eu quero me colocar disponível pra você,
00:51:29mas não quero te forçar a falar no momento que você não quer,
00:51:32né?
00:51:32A gente não faz isso com adultos,
00:51:34né?
00:51:34Mas dá,
00:51:35quer conversar?
00:51:35Não,
00:51:36vai conversar sim.
00:51:37Senta aí,
00:51:38vamos conversar,
00:51:38né?
00:51:39Aí ela me procurou um outro momento e falou,
00:51:42ah,
00:51:42eu quero conversar sobre aquilo.
00:51:43O que que aconteceu?
00:51:43Ela falou assim,
00:51:44ah,
00:51:44eu cheguei,
00:51:45eu fui,
00:51:46o namoradinho era da escola,
00:51:47eu fui pra escola e tava com uma blusinha,
00:51:49era dia da educação física,
00:51:50sei lá,
00:51:51e tava com decote.
00:51:53E ele brigou comigo porque eu tava usando decote,
00:51:56né?
00:51:57E ela perguntou,
00:51:58o que que você acha?
00:51:59Eu falei assim,
00:51:59ó,
00:52:00quem vai decidir o teu namorado,
00:52:02não sou eu,
00:52:03é você.
00:52:04Quem vai decidir as pessoas,
00:52:05que você se relaciona e o limite
00:52:09de tolerância que você tem com esses assuntos,
00:52:12é você.
00:52:12Mas já que você tá pedindo a minha opinião,
00:52:14eu vou te dizer o que eu penso,
00:52:15e não é o que você tem que fazer.
00:52:17Eu só quero que você pense sobre isso.
00:52:19Você já viu eu proibir a tua mãe de usar alguma roupa?
00:52:22Você já viu essa cena?
00:52:24Ela falou,
00:52:24não.
00:52:25Falei,
00:52:26então assim,
00:52:26não se proíbe uma pessoa de usar roupa.
00:52:29Eu posso assim,
00:52:30sua mãe quer usar essa roupa,
00:52:31eu não concordo e a gente termina.
00:52:32Eu posso não concordar e tudo bem,
00:52:36eu vou viver minha vida.
00:52:37Agora você proibir uma pessoa?
00:52:39Falei,
00:52:39outra coisa,
00:52:40você tem 14 anos?
00:52:42Se o menino tá fazendo isso,
00:52:44um namoro de 14 anos,
00:52:45você não imagina o que vai virar isso no futuro.
00:52:47Porque o problema,
00:52:50ele vai aumentando.
00:52:52É aquela velha história.
00:52:53O seguidor que vem na tua página por polêmica,
00:52:56se você não aumentar,
00:52:58se você se mantiver na polêmica,
00:53:00ele não fica.
00:53:01O ser humano,
00:53:02a dopamina,
00:53:03ela é insaciável.
00:53:04Isso é demais.
00:53:05Então quando vem a menina que faz o biquíni
00:53:09e traz seguidores por causa disso,
00:53:11ela só usa o biquíni,
00:53:12o seguidor para de seguir.
00:53:14Ela tem que usar uns top léss,
00:53:16e daqui a pouco o OnlyFans lá,
00:53:18e tem que subir a carga.
00:53:20Então assim,
00:53:21ele não vai parar no decote.
00:53:23Saiba disso.
00:53:24E isso é uma coisa que eu vejo
00:53:27muitas pessoas confundirem.
00:53:31Aquilo,
00:53:31não,
00:53:31tá falando pro seu bem.
00:53:33Não,
00:53:34não tá falando pro bem de ninguém.
00:53:36Tá falando porque quer ter controle sobre você.
00:53:39Exatamente.
00:53:40E você corte.
00:53:42Essas coisas por trás da linguagem,
00:53:46eu acho que as pessoas deixam passar batido,
00:53:49não percebem,
00:53:50não põem limite.
00:53:52Aquilo vai crescendo,
00:53:54e elas ficam engolidas por isso.
00:53:57Perfeitamente.
00:53:57E hoje com rede social,
00:53:59William,
00:53:59eu acho que vai mais rápido.
00:54:00É que você potencializa por um bilhão isso.
00:54:03Você tá falando com a pessoa o dia inteiro.
00:54:05Então vai escalando mais rápido o abuso.
00:54:08Exatamente.
00:54:09E tem uma coisa disso,
00:54:10é bem bacana isso que você trouxe,
00:54:12porque quando você,
00:54:16você permite uma coisa,
00:54:18ele se assentou num novo degrau.
00:54:20Exato.
00:54:21Ele precisa subir,
00:54:22pra se assentar de novo.
00:54:24Então essa coisa assim,
00:54:25ah,
00:54:27o abusador,
00:54:28o estelionatário,
00:54:29todo esse tipo de gente,
00:54:31ele sempre vai ser legal,
00:54:33ele sempre vai ser gentil,
00:54:34ele sempre vai ser educado.
00:54:35Sempre.
00:54:36Mas aí tem aquele,
00:54:38aquele pontinho,
00:54:40né,
00:54:40que sai da curva.
00:54:41Então ele empurra a fronteira,
00:54:42um golinho assim.
00:54:43Ele empurra a cerca um pouquinho.
00:54:45Pô,
00:54:45ninguém falou nada,
00:54:46tudo bem.
00:54:47O que eu vou fazer pra empurrar de novo?
00:54:49E tem essa coisa da paixão,
00:54:51essa coisa que a gente não vê,
00:54:52que no adolescente tá aprendendo,
00:54:54é até compreensível,
00:54:56mas a gente vê isso em relações adultas.
00:54:58Relações amorosas adultas.
00:55:00Esses dias eu vi um meme muito bom,
00:55:02que era assim,
00:55:03começo do namoro,
00:55:04né,
00:55:04o cara todo piadista,
00:55:06fazendo zoeira,
00:55:07e a menina falava assim,
00:55:08é um menino, né,
00:55:10olha como é lindo,
00:55:10a alegria dele,
00:55:12tudo ele faz brincadeira,
00:55:13ele faz piada,
00:55:14ele leva a vida de uma forma muito leve.
00:55:17Aí tipo,
00:55:1710 anos de relacionamento,
00:55:19ele fala,
00:55:19esse idiota tudo faz piada,
00:55:21não sabe ter uma conversa séria, né,
00:55:23porque o mesmo comportamento
00:55:25quando tem aquela paixão,
00:55:27aquela busca,
00:55:28ele é bonitinho.
00:55:29E aí,
00:55:30isso aí é uma brincadeira,
00:55:31obviamente,
00:55:32mas assim,
00:55:32por exemplo,
00:55:32ciúme.
00:55:34Ai, que bonitinho,
00:55:35ele tem ciúme de mim, né,
00:55:36porque ele me ama.
00:55:38Então no começo,
00:55:38o ciúme é bonitinho,
00:55:40não, eu gosto de você,
00:55:41eu quero te proteger,
00:55:42e tal, tal, tal.
00:55:43Daqui a pouco,
00:55:43não tá saindo de casa,
00:55:44daqui a pouco tá...
00:55:46E aí...
00:55:46É atuação fatal,
00:55:47daqui a pouco ela tá com a faca
00:55:48atrás de você.
00:55:50E aquela...
00:55:50Eu tive caso na minha família
00:55:52de moça,
00:55:54tô te falando,
00:55:54moça que tinha ciúme,
00:55:57do namorado,
00:55:58namorada era da minha família,
00:55:59ela tinha ciúme,
00:56:00tinha ciúme,
00:56:00tinha ciúme,
00:56:01e no começo achavam muito bonitinho,
00:56:03nossa,
00:56:03ela adora ele,
00:56:04a sogra.
00:56:05Nossa,
00:56:06ela adora ele,
00:56:07não sei o quê.
00:56:07eu sei que anos depois,
00:56:09ele não aguentou,
00:56:11essa coisa que ele...
00:56:12Aí não pode falar com um amigo,
00:56:14aí não pode,
00:56:14não sei onde,
00:56:15aí não quer que vá na faculdade,
00:56:16aí não sei o quê.
00:56:17Eu sei que essa moça acabou sendo presa
00:56:19com uma faca escondida no jardim da casa dele.
00:56:23Eu tenho um caso pra te contar,
00:56:24que eu tive um relacionamento
00:56:26que a menina forjou um suicídio.
00:56:29Como forjou um suicídio?
00:56:30Você conta tudo.
00:56:31Como forjou um suicídio?
00:56:33Eu conheci a menina no Tinder,
00:56:36e enfim,
00:56:36a gente ficava,
00:56:38e era muito legal e tal,
00:56:39eu tinha me divorciado,
00:56:41né,
00:56:42então eu tava morando sozinho e tal,
00:56:43tava no Tinder lá,
00:56:44na festa,
00:56:45e conheci a menina.
00:56:46E aí,
00:56:47ela ficava,
00:56:49mas assim,
00:56:49era a menina que eu ficava no Tinder,
00:56:51não tinha relacionamento,
00:56:52quando tinha um namoro.
00:56:53E aí chegou um momento que era isso.
00:56:55É, por exemplo,
00:56:56ela me ligava na sexta-feira à noite,
00:56:57e eu não atendi,
00:56:59porque eu não tava nem com outra mulher,
00:57:01nada disso.
00:57:02Eu não atendi.
00:57:03Sei lá,
00:57:04dirigindo,
00:57:04eu tava no metrô.
00:57:06E ela começou assim,
00:57:07por que você não me atende sexta-noite?
00:57:08Você tá achando que eu sou idiota?
00:57:10Você tá achando que eu não sei o quê?
00:57:11Até o dia que ela foi na porta da minha casa.
00:57:15Aí baixou, né,
00:57:16sou de mal lá, né, mano?
00:57:18Não fica dando esse tipo de vazão,
00:57:21e eu falei pra ela,
00:57:22se você vier na porta da minha casa,
00:57:24sem a minha autorização,
00:57:25você vai arrumar um grande problema na tua vida.
00:57:28Não faça isso.
00:57:29Que é o não permitir,
00:57:30porque você fala assim,
00:57:31ah, tá vindo,
00:57:32nossa,
00:57:32e ela...
00:57:32Coitada,
00:57:33ela deve estar sofrendo.
00:57:34E ela era de Santos.
00:57:36Ela vinha de Santos.
00:57:37Ela não vinha, tipo assim,
00:57:38de Santo André pra Mauá,
00:57:39na porta da minha casa.
00:57:40Ela vinha de Santos.
00:57:41Que pra quem não é de São Paulo,
00:57:42é coisa de uns 80 quilômetros,
00:57:44mas tem que subir a serra.
00:57:45Um puta pedágio,
00:57:46uma rodovia complicada, né?
00:57:49E ela veio,
00:57:50e aí eu desci,
00:57:52falei pra ela,
00:57:53falei,
00:57:53você não vem,
00:57:53não faça isso,
00:57:54não sei o quê,
00:57:55tá, tá, tá.
00:57:55Ela falou,
00:57:55eu vou dormir na porta da tua casa.
00:57:58Eu falei,
00:57:58fio,
00:57:58aqui não é Santos não,
00:57:59porque a gente dorme na praia, né?
00:58:00Quem Mauá os caras sequestram,
00:58:02toca fogo no carro,
00:58:03não dorme aqui.
00:58:05E entrei pra minha casa,
00:58:06deixei ela lá na rua.
00:58:08Enfim,
00:58:09aí ela falou que ficou lá na frente,
00:58:11não sei o quê.
00:58:12Quando foi no outro dia,
00:58:13uma pessoa entrou em contato comigo,
00:58:15pelo WhatsApp,
00:58:16um WhatsApp de DD13,
00:58:17que era o WhatsApp lá do litoral,
00:58:19e falou que tinha acabado de voltar
00:58:21do enterro dela.
00:58:23Que ela se suicidou,
00:58:24mas que antes ela deixou uma carta pra mim,
00:58:28e que não sei o quê e tal.
00:58:29Eu entrei num desespero,
00:58:31assim,
00:58:32eu não me lembro na minha vida
00:58:33de ter tido um desespero parecido,
00:58:35assim.
00:58:36Que é muito pesado
00:58:37uma pessoa se suicidar por causa de você, né?
00:58:39Mesmo que você não tenha culpa nenhuma,
00:58:41é uma coisa que você não quer na sua vida.
00:58:42Sim, mas assim,
00:58:43você vincular você,
00:58:44seu motivo de alguém tirar a própria vida,
00:58:46é uma coisa...
00:58:48Horrorosa.
00:58:49Eu fiquei desesperado.
00:58:52Desesperado,
00:58:52desesperado.
00:58:54E aí,
00:58:55só que é tipo assim,
00:58:57a gente,
00:58:57quando na neurociência,
00:58:58a gente fala que tem o sistema límbico emocional
00:58:59e o córtex pré-frontal,
00:59:01e um módulo outro,
00:59:02quem que ganha?
00:59:02Quem tá falando mais alto?
00:59:04Então,
00:59:04meu emocional,
00:59:06naquele momento,
00:59:06ele tava dominando,
00:59:07meu cérebro.
00:59:08Eu tava com o coração disparado,
00:59:10eu tava...
00:59:10Sabe aqueles filmes
00:59:11que o cara fica andando
00:59:12no estacionamento
00:59:13de um lado pro outro?
00:59:14Eu tava no estacionamento
00:59:15de um prédio andando
00:59:15de um lado pro outro
00:59:16e eu não sabia o que fazer.
00:59:17O que você faz
00:59:18quando você sabe
00:59:19de uma notícia dessa?
00:59:20Aí,
00:59:20um neurônio
00:59:21do meu córtex pré-frontal
00:59:23falou,
00:59:23escuta!
00:59:25Vamos tentar.
00:59:26E o emocional lá
00:59:27não deixava.
00:59:28E ele falou,
00:59:29escuta,
00:59:29deixa eu só dar uma informação.
00:59:30Ele fez uma pequena conexão
00:59:31que eu falei,
00:59:33essa menina é muito louca,
00:59:34ela sai de Santos
00:59:35pra vir na porta da minha casa.
00:59:38Será?
00:59:39Aí me veio o será.
00:59:41Aí eu peguei
00:59:42e comecei a ligar
00:59:43nos IML
00:59:46da baixada.
00:59:47E eu contava,
00:59:48eu falava,
00:59:48eu tenho uma amiga
00:59:49que parece que ela faleceu
00:59:50e eu tô aqui querendo informação,
00:59:52eu sou de São Paulo e tal.
00:59:53E as pessoas do IML
00:59:54muito gentilmente
00:59:55solícitas me...
00:59:57Olha,
00:59:57eu tô vendo aqui
00:59:58em Praia Grande
00:59:59e não aconteceu.
01:00:01Eu tô vendo aqui
01:00:01no céu
01:00:01em Bertioga
01:00:03e eu fui ligando
01:00:05nas cidades.
01:00:05Aí eu conheci um cara
01:00:06de Santos
01:00:08que ele falou
01:00:09que quando tinha
01:00:10a morte violenta,
01:00:11quando era homicídio
01:00:12ou suicídio
01:00:13ou morte violenta,
01:00:14que tinha que passar
01:00:15por Santos.
01:00:15Santos é meio
01:00:16que a matriz ali,
01:00:18então os casos violentos
01:00:19iam pra uma central
01:00:20porque tinha que ter
01:00:21uma liberação
01:00:22de legista,
01:00:23né?
01:00:23Porque como envolve
01:00:24investigação,
01:00:25esse tipo de coisa.
01:00:27E ele falou pra mim,
01:00:28eu te garanto
01:00:29que essa pessoa não...
01:00:30Ela pode ter falecido
01:00:31em São Paulo,
01:00:32no interior de São Paulo.
01:00:33No litoral de São Paulo
01:00:35ela não faleceu.
01:00:36E aí eu descobri
01:00:36que ela tinha inventado.
01:00:41Gente!
01:00:42Tá louco, né?
01:00:43Porque a gente fica pensando,
01:00:44antes da internet,
01:00:46pra alguém
01:00:48manipular outra pessoa assim,
01:00:50tinha que ser
01:00:51um mastermind.
01:00:54Não, que é isso.
01:00:54Tinha que ser...
01:00:55Hoje,
01:00:56você democratizou
01:00:58a manipulação.
01:00:59Hoje os malucos
01:01:00estão com muitas ferramentas.
01:01:01E aí como é que eu
01:01:02me certifiquei, né?
01:01:04Uma vez ela estava
01:01:05na minha casa
01:01:06e acabou a bateria
01:01:07do celular dela,
01:01:08ela pediu
01:01:08o meu celular
01:01:09pra ligar
01:01:10no trabalho.
01:01:12E assim, viu?
01:01:13Menina muito bem sucedida
01:01:14financeiramente,
01:01:15falava três idiomas,
01:01:18tinha um bom emprego,
01:01:19não era assim
01:01:20uma coitadinha, não, viu?
01:01:21Pessoa muito bem esclarecida.
01:01:23E ela falou,
01:01:24eu preciso ligar no escritório,
01:01:25acabou a minha bateria
01:01:26pra avisar aqui e tal,
01:01:27você pode me prestar
01:01:28seu telefone.
01:01:28E ela ligou.
01:01:29E eu me lembrei
01:01:30desse número
01:01:31que estava lá
01:01:32nas chamadas.
01:01:33E aí quando eu liguei,
01:01:35ela,
01:01:36fulana de tal,
01:01:37bom dia.
01:01:38Era ela?
01:01:39Aí eu tipo,
01:01:40desliguei
01:01:40e falei assim,
01:01:41bom, pelo menos
01:01:42ela não vai mais
01:01:43me encher o saco, né?
01:01:44Uma vez que ela morreu,
01:01:45mas eu fiquei muito tranquila
01:01:47de saber que era só
01:01:47uma invenção
01:01:48da cabeça dela.
01:01:50E aí, sei lá,
01:01:52seis meses depois,
01:01:53assim,
01:01:53ela me chamou.
01:01:54É, ressuscitou.
01:01:55Me chamou,
01:01:56foi um milagre.
01:01:57Que milagre, né, gente?
01:01:59Que coisa.
01:02:00Ela ressuscitou,
01:02:01olha, parabéns.
01:02:02Muito bom.
01:02:03Nossa, que milagre.
01:02:04Dirceu, milagre, Dirceu.
01:02:06Já liga pra dona Dita.
01:02:08Agora,
01:02:08como é que a gente faz?
01:02:10Porque assim,
01:02:11a nossa geração
01:02:11tem a dificuldade
01:02:12de ter nascido
01:02:13numa época sem internet.
01:02:15A gente ainda
01:02:16tá entendendo tudo isso.
01:02:17Nós pegamos a transição
01:02:19do mundo analógico
01:02:20pro mundo digital.
01:02:21Só que nós temos
01:02:22a obrigação,
01:02:24porque nós temos
01:02:25a obrigação
01:02:26de guiar
01:02:28as futuras gerações
01:02:29nisso.
01:02:30Aí as pessoas falam,
01:02:31não, mas eu não tenho como.
01:02:32O mundo não quer saber
01:02:33se você tem como.
01:02:34É sua obrigação.
01:02:36Ponto.
01:02:37Você tem que guiar
01:02:38as futuras gerações.
01:02:39Ah, mas eu não tenho filho.
01:02:40Você tem sobrinho,
01:02:41tem filho de amigo,
01:02:43tem enteado.
01:02:44É nosso papel.
01:02:45É um papel
01:02:46que a gente tem que assumir.
01:02:48Um método
01:02:48que eu tenho feito
01:02:49que eu até queria
01:02:49te perguntar.
01:02:50Na internet
01:02:51tem muita coisa
01:02:52que não presta.
01:02:53Mas tem muita coisa
01:02:54que presta.
01:02:54Sim.
01:02:55E eu acho que a gente
01:02:56fica proibindo
01:02:57o adolescente,
01:02:59eu tiro por mim.
01:03:00Não, funciona.
01:03:01porque tudo
01:03:02que me proibia
01:03:04era precisamente
01:03:06o que eu ia
01:03:07mostrar
01:03:07que eu ia fazer.
01:03:09Lembra que eu falei
01:03:09que é da natureza
01:03:10a transgressão da regra?
01:03:11Então se a regra
01:03:12está ali,
01:03:13ela precisa transgredir.
01:03:15Só que,
01:03:16por exemplo,
01:03:17eu faço pesquisa
01:03:18os seus vídeos,
01:03:20vídeos de pessoas
01:03:21que falam sobre
01:03:22como funciona o cérebro,
01:03:25funcionamento do cérebro
01:03:26e algoritmos,
01:03:29vídeos para métodos
01:03:30mais eficazes
01:03:31de aprendizado
01:03:32do conteúdo
01:03:33da escola.
01:03:34Só um parêntese aí,
01:03:35o maior contratante
01:03:36de neurocientista
01:03:37hoje no mundo
01:03:37são as Big Techs.
01:03:38Exato.
01:03:39A indústria farmacêutica,
01:03:41não é?
01:03:41É Big Tech.
01:03:42E Big Tech
01:03:43tem mais
01:03:43neurocientista,
01:03:44psicólogo,
01:03:45psicólogo social
01:03:46e psiquiatra
01:03:47do que programador.
01:03:48E do que
01:03:49o mercado de saúde.
01:03:51Ele contrata mais
01:03:52que o mercado de saúde
01:03:53porque exatamente
01:03:53eu preciso entender
01:03:55o funcionamento
01:03:56que alimenta
01:03:57e o que vai
01:03:58continuar acontecendo.
01:03:59Mas eu faço isso,
01:04:01eu pesquiso
01:04:02e vou dando
01:04:03os conteúdos
01:04:06falando
01:04:06vê isso aqui,
01:04:08vê isso aqui,
01:04:09vê isso aqui.
01:04:10Que aquela coisa
01:04:10meio do funcionamento
01:04:11do cérebro igual dieta.
01:04:13Não fala o que
01:04:14você tem que cortar,
01:04:15fala assim,
01:04:15você tem que comer
01:04:16três porções de legumes,
01:04:17três porções de não sei o que,
01:04:18depois disso aqui
01:04:19você come o que você quiser.
01:04:20Perfeito.
01:04:21Então eu tenho feito isso
01:04:22e tem dado muito certo
01:04:24porque também arruma
01:04:25o algoritmo dele.
01:04:27O algoritmo dele
01:04:28vai procurando
01:04:29essas coisas.
01:04:31Pra mim,
01:04:31isso é um método
01:04:32que funciona,
01:04:33mas eu já tenho
01:04:34em casa um bom ambiente,
01:04:36diálogo,
01:04:37enfim.
01:04:37É uma ferramenta
01:04:38que funciona
01:04:39num contexto,
01:04:40você tem todo
01:04:41um contexto
01:04:41e essa ferramenta
01:04:42funciona.
01:04:43Mas você sabe,
01:04:44Madá,
01:04:45é assim,
01:04:46é muito louco
01:04:47porque às vezes
01:04:48os pais vêm perguntar
01:04:49assim pra mim,
01:04:50o que eu faço a mais?
01:04:52O que eu preciso
01:04:52fazer a mais?
01:04:53E eu falo,
01:04:54você precisa fazer
01:04:54a menos.
01:04:56Sabe aquela coisa
01:04:57básica do
01:04:58escutar o que ele
01:04:59tem pra dizer?
01:05:00Sim.
01:05:01Eu sempre falo
01:05:01uma coisa assim,
01:05:02se você fizesse um Enem,
01:05:04não você,
01:05:05Madá,
01:05:05você,
01:05:06espectador.
01:05:07se você fizesse
01:05:08um Enem
01:05:09do teu filho,
01:05:10a prova
01:05:11do teu filho,
01:05:12então o que que vai ter
01:05:13perguntando na prova?
01:05:15O que que ele gosta
01:05:16de música,
01:05:17o que que ele gosta
01:05:17de cinema,
01:05:18o que que ele pensa
01:05:19sobre religião,
01:05:20sobre sociedade,
01:05:21sobre política?
01:05:22O que que o seu filho
01:05:23pensa sobre as coisas?
01:05:24Quanto você tiraria
01:05:25nessa prova?
01:05:27E é a hora que os pais
01:05:28ficam muito constrangidos
01:05:29e falam,
01:05:29não sei,
01:05:30não tem ideia.
01:05:32Se você fosse comprar
01:05:33um CD,
01:05:34Dirce,
01:05:34vamos comprar um CD.
01:05:37Vamos lá
01:05:37cobrar um CD
01:05:38do menino.
01:05:39De que que era?
01:05:41Então assim,
01:05:42como é que você
01:05:42quer se conectar
01:05:43com alguém
01:05:43que você ao menos
01:05:45conhece a preferência?
01:05:46E aqui,
01:05:47sem juízo de valor,
01:05:47dá preferência.
01:05:48Até pra você orientar
01:05:50sobre outra preferência,
01:05:51você precisa saber
01:05:52que ele tem
01:05:53uma preferência
01:05:53por aquilo.
01:05:54A doutora Lizandra
01:05:55mesmo,
01:05:56ela conta que
01:05:56quando ela invade
01:05:58a casa do invasor
01:05:59igual a série adolescência,
01:06:02que a polícia
01:06:03entra e estoura,
01:06:03a polícia de São Paulo
01:06:04faz isso, tá?
01:06:05O cara lá tá...
01:06:06Eu tenho um amigo
01:06:08da Polícia Civil do Rio,
01:06:10o Rafa de Martins,
01:06:11que ele me manda
01:06:13os vídeos
01:06:13de quando ele invade
01:06:14a casa dos vagabundos.
01:06:17Cara,
01:06:17você entra...
01:06:19Teve um que ele me
01:06:20mandou os vídeos,
01:06:21porque ele falou,
01:06:21mas não é possível
01:06:22essa família.
01:06:23O filho era agressor,
01:06:24ele comandava a panela
01:06:25do Discord,
01:06:26de estupro virtual.
01:06:27E a família,
01:06:28mas ele fica no quarto dele,
01:06:29ele é tão bonzinho,
01:06:30ele não sei...
01:06:31Só que ele me mostrou,
01:06:33ele me mandou um vídeo
01:06:34dos sinais
01:06:36na parede do quarto.
01:06:37Aí eu falei,
01:06:38pô,
01:06:38essa gente não viu,
01:06:40assim,
01:06:41esses sinais
01:06:42todos escritos na parede,
01:06:43tem curiosidade.
01:06:44E ele dá algum sinal,
01:06:45só que aí a pessoa
01:06:45não consegue ler.
01:06:47Então, assim,
01:06:48ah, também não sai do quarto,
01:06:49tá sempre não sei o quê,
01:06:50tá sempre na madrugada,
01:06:51tá sempre...
01:06:52Tipo assim,
01:06:52não tem alguém orientando.
01:06:55Então,
01:06:56esse trabalho
01:06:57que é feito,
01:06:58então,
01:06:58quanto que você conhece
01:07:00do teu filho?
01:07:00Porque também tem isso
01:07:02que é uma coisa...
01:07:02É legal você trazer
01:07:03esse ponto que é,
01:07:05todo mundo tem o filho
01:07:06vítima.
01:07:07Ninguém tem...
01:07:08Ninguém é pai
01:07:08do filho agressor.
01:07:10Sempre é vítima.
01:07:11É igual quando conta
01:07:12história de bullying, né?
01:07:14Você fala assim,
01:07:14ah, na infância...
01:07:15Todo mundo sofreu bullying
01:07:15na infância.
01:07:16Ninguém fazia bullying.
01:07:17Ninguém fez nunca.
01:07:17É uma matemática
01:07:18que não cabe.
01:07:19Por quem que fazia?
01:07:21Será que era um
01:07:22que fazia de todo mundo
01:07:23e todos nós
01:07:24somos vítimas
01:07:25de um monstro, né?
01:07:28Ou quando eu pergunto assim,
01:07:29quem aqui
01:07:30já se sentiu invejado
01:07:32por um parente,
01:07:33por um familiar,
01:07:35por um amigo?
01:07:36Todo mundo já foi invejado.
01:07:38Eu falo,
01:07:39quem aqui é invejoso?
01:07:40Aí ninguém levanta,
01:07:41eu falo,
01:07:41ufa,
01:07:42os invejosos
01:07:43estão todos lá fora.
01:07:44Aqui nós temos
01:07:45uma casta, né?
01:07:47Muito bonita
01:07:48de pessoas que não têm inveja.
01:07:50Os invejosos
01:07:50estão lá fora.
01:07:52Então, assim,
01:07:52entender que o seu filho
01:07:54ele também
01:07:55agride
01:07:57verbalmente,
01:07:58ele também
01:07:58comete bullying,
01:08:00porque é da natureza.
01:08:02Você soltou
01:08:0310 adolescentes lá,
01:08:05o pau tora, né?
01:08:06O negócio fica
01:08:06maluco.
01:08:07Por isso a importância
01:08:09de você
01:08:09acolher quem sofre
01:08:11o bullying,
01:08:12dar toda a orientação,
01:08:13dar todo
01:08:14o amor,
01:08:15o carinho
01:08:16e atenção
01:08:17a quem sofre o bullying,
01:08:18mas é preciso também
01:08:19acolher o agressor.
01:08:20o agressor
01:08:21também tem que ser
01:08:22entendido
01:08:22de onde que ele tirou
01:08:23que aquilo ali
01:08:24é uma boa prática.
01:08:26E aí é onde você descobre
01:08:27dentro de casa.
01:08:29Então, quando
01:08:30eu estava falando
01:08:31da Liz André,
01:08:32quando ela
01:08:33pega esse caso,
01:08:34é exatamente isso que você falou.
01:08:35Mas ele é um menino
01:08:36bonzinho,
01:08:37um menino nerd, né?
01:08:39Porque também tem
01:08:39essa coisa que
01:08:41quando eu dei
01:08:42uma palestra
01:08:42com a Liz André
01:08:43e uma pessoa
01:08:43da plateia
01:08:44perguntou assim,
01:08:44esse estupro virtual
01:08:46ele se transforma
01:08:47em estupro real?
01:08:48Ela falou,
01:08:48é muito raro.
01:08:50Tem casos,
01:08:51mas não é o padrão.
01:08:52Por quê?
01:08:53Ele é um moleque
01:08:54que ele não tem
01:08:54a menor habilidade social.
01:08:56Mas na internet
01:08:57ele é gigante.
01:08:58O nick dele
01:09:00é gigante.
01:09:01Então,
01:09:01ele faz
01:09:02o negócio virtual.
01:09:04No mundo real
01:09:04ele é um menino
01:09:05bobo.
01:09:07Ele não consegue
01:09:08ter essa dinâmica
01:09:09na vida real.
01:09:10Mas na internet
01:09:11ele é gigantesco.
01:09:13Então,
01:09:13esses pontos
01:09:15eles precisam
01:09:16ser falados
01:09:17entendidos
01:09:18que às vezes
01:09:19o nosso filho
01:09:20é o agressor.
01:09:21Às vezes o nosso filho
01:09:22eu me lembro
01:09:22uma vez
01:09:23um caso da Larissa
01:09:24que ela tipo
01:09:25deu um,
01:09:25enfim,
01:09:26não vou expor aqui
01:09:27mas foi um problema
01:09:28de adolescente
01:09:29deu um B.O. lá
01:09:31e assim,
01:09:32coitadinha, né?
01:09:33Levaram pro mau caminho
01:09:34e aí depois
01:09:35de alguns anos
01:09:36ela falou,
01:09:36eu que
01:09:38cabeçava o rolê.
01:09:39Eu que era
01:09:40o problema.
01:09:42Então,
01:09:42é pra gente entender
01:09:43que é importante
01:09:44a gente acolher,
01:09:45a gente dar as orientações
01:09:47mas a gente entender
01:09:48também que
01:09:48os nossos filhos
01:09:49ou quem a gente
01:09:50é o responsável
01:09:51não é o alecrim dourado
01:09:53que sabe todas as coisas
01:09:54faz tudo de bem
01:09:55e que é só uma vítima, né?
01:09:57É,
01:09:57e pra gente
01:09:58parar de pedir
01:09:59perfeição dos filhos
01:10:00dizer a eles
01:10:01olha,
01:10:01tá tudo ok
01:10:02dizer que você não tá bem
01:10:03que você precisa
01:10:05melhorar em alguma coisa
01:10:06eu queria que você desse
01:10:07uma dica
01:10:08como que a pessoa
01:10:09começa a ver
01:10:10esse conteúdo
01:10:11onde que as pessoas
01:10:12te acham
01:10:13pais que querem
01:10:14saber melhor
01:10:15gente que quer
01:10:16se relacionar melhor
01:10:17com a molecada
01:10:18da geração Z
01:10:19onde é que o povo
01:10:20te acha, William?
01:10:21Eu tô em todas
01:10:22as redes sociais
01:10:23Instagram,
01:10:24TikTok,
01:10:25Facebook,
01:10:26Orkut
01:10:27Orkut,
01:10:28se segue
01:10:29ele lá na comunidade
01:10:30do Orkut
01:10:31Eu tinha
01:10:31comunidade
01:10:32do Orkut
01:10:34Então tô em todas
01:10:35as redes sociais
01:10:36William Berghetti
01:10:37o nome ruim
01:10:37pra escrever
01:10:38então se colocar
01:10:40neurocomunicação
01:10:41lá na lupinha
01:10:41do Instagram
01:10:42me acha
01:10:42mas a dica final
01:10:44assim, Madá
01:10:45é uma dica
01:10:46às vezes
01:10:46parece até boba
01:10:47e simples
01:10:48mas ela é a mais eficaz
01:10:50escutar
01:10:52tem muito adolescente
01:10:53que fala pra mim
01:10:54assim
01:10:55professor
01:10:55eu não consigo
01:10:56escolher o sabor
01:10:57da pizza
01:10:57que a gente vai comer
01:10:58no sábado
01:10:59eu não tenho
01:11:00relevância alguma
01:11:01na menor
01:11:02das decisões
01:11:03você tá usando
01:11:05o tênis que eu quero
01:11:06a roupa que eu quero
01:11:07você vai fazer
01:11:07o que eu quero
01:11:08uma criança de 5 anos
01:11:09isso é prudente
01:11:11inclusive
01:11:11você escolheu
01:11:12o que ela vai comer
01:11:12o que ela vai vestir
01:11:13pra alguém de 15, 16
01:11:14não tem a menor relevância
01:11:16de escolher nada
01:11:17então quando você escuta
01:11:18você consegue entender
01:11:20alguns processos
01:11:21e falar
01:11:21ah tá
01:11:21aqui eu vou usar alicate
01:11:23aqui eu vou usar
01:11:24chave de fenda
01:11:25sabe
01:11:26você ouve o problema
01:11:27e pega a ferramenta
01:11:28adequada pra aquela situação
01:11:29então assim
01:11:31um recado
01:11:32que a gente puder deixar
01:11:33é
01:11:33escute
01:11:34escutar de fenda
01:11:35de ouvir né
01:11:35ouvir a gente
01:11:36ouve uma palma
01:11:37escutar
01:11:38é ouvir com atenção
01:11:39com intenção
01:11:40né
01:11:41o interessado
01:11:42é interessante
01:11:42então você pergunta
01:11:44da vida
01:11:44você escuta
01:11:45você dá atenção
01:11:46e você vai descobrir
01:11:47muitas coisas
01:11:48e o que for legal
01:11:49você potencializa
01:11:50e o que não for legal
01:11:51você ajusta
01:11:52pede pra refletir
01:11:53e traz essa ideia
01:11:54então escutar
01:11:54é a melhor
01:11:55das ferramentas
01:11:56Lado A
01:11:57vai chegando ao final
01:11:58recebemos aqui
01:11:59o William Borghetti
01:12:00bom
01:12:01por hoje é isso pessoal
01:12:03mas lembre-se
01:12:04o Lado A
01:12:05é transmitido
01:12:06toda quarta-feira
01:12:08às oito horas da noite
01:12:09veja alguns dos nossos
01:12:11outros episódios
01:12:12dessa e da temporada passada
01:12:14tem muita coisa boa
01:12:16não
01:12:17eu
01:12:17não
01:12:17não
01:12:20eu
01:12:26eu
01:12:27eu
01:12:27eu
01:12:30eu
01:12:32eu
01:12:46Obrigado.
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