00:01Antes só do que mal acompanhada, né?
00:05Nenhum de reserva?
00:06Ah, um japonesinho, pra sei lá, um amorzinho de vez em quando.
00:10Não, nem de vez em quando.
00:13Homem só me traz problema, sabe?
00:15Cansei deles, tô meio ojeriza pelo gênero masculino.
00:19Tô muito bem sozinha, bem demais.
00:22Há quanto tempo você não dá?
00:23Pelo menos uns beijos.
00:27Sei lá.
00:28Ah, acho que desde que eu terminei com o Peter holandês, lembra?
00:32Fui fazer umas reportagens na África.
00:34Ah não, Juliá, isso daí deve ter mais de três anos, não é possível.
00:39Como não?
00:41Sexo não é tudo não, sabia?
00:43Não, tudo não, só 96%, sabia?
00:51Você sabe por que que eu vim?
00:54Saudades dessa irmãzinha.
00:56Também, claro.
01:00Beth, por que que você não respondeu os telefonemas do Alex, hein?
01:04Ah, eu não paro em casa, Juliá.
01:07Mas você não sabe que o papai tá fazendo um tratamento novo?
01:10Ai, daí.
01:11Quantos tratamentos ele já não fez nesses 18 anos, viu?
01:14Mas um tratamento agora chega a ser palhaçada.
01:17Palhaçada, Beth?
01:19Eu não acredito no que eu tô ouvindo.
01:21Você acha palhaçada tentar curar o papai?
01:24Ah, meu Deus, você é muito mais neurótica do que eu pensava.
01:27E você ou é burro ou é cega.
01:29Não tem mais cura, Juliá.
01:31Eu estive lá, eu conversei com o médico da última vez, há dois anos atrás.
01:34Dois anos, Beth?
01:35Quer dizer que você não vê o papai há dois anos?
01:38É você que passou cinco anos, sei lá, sem ver o Brasil.
01:41Que história é essa agora?
01:42Bater uma culpa, é?
01:43Me poupa, Juliá.
01:44Eu moro no Japão, Beth.
01:46Você tem alguma noção de onde fica o Japão?
01:48Que nosso pai morreu.
01:49Você tá há duas horas no Rio de Janeiro.
01:51Morreu.
01:52Não fala isso, Beth.
01:53Olha, quando eu tiver uma herança pra dividir, você me chama que eu vou.
01:56Não repete mais isso, tá?
02:01E nem você nunca mais se atreva a me bater.
02:03E nem você nunca mais se atreva a me bater.
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