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Caso de comandante da Guarda Municipal de Vitória morta pelo ex-companheiro reforça que agressões não escolhem classe ou profissão, alertam especialistas.
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NotíciasTranscrição
00:00E agora a gente volta a falar, né, dessa tragédia, gente, a morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória,
00:07a Deise Barbosa, que chocou todo o Espírito Santo, mas também acende um alerta muito importante.
00:14A violência contra a mulher, infelizmente, faz parte da realidade de muitas capixabas.
00:21A gente traz casos assim, diariamente, é todo dia, em todos os telejornais.
00:27Mulheres agredidas, mulheres violentadas, mulheres mortas.
00:31É muito triste, independentemente da profissão, da posição que ocupa, da história, do bairro onde mora.
00:37E é sobre isso que a gente quer conversar hoje, com informação, com orientação,
00:43mas principalmente caminhos para a gente mudar esse cenário,
00:46porque muitas vezes você que está assistindo a gente aí é vítima de violência e não consegue sair desse ciclo.
00:52Então a gente está aqui hoje recebendo ao vivo um grupo de mulheres que atuam diretamente na proteção,
00:58na justiça, no acolhimento, para um bate-papo que é muito necessário e muito importante.
01:05Eu estou aqui com um time de peso, viu, gente?
01:07Meninas, muito obrigada pela presença.
01:10Eu estou aqui com Renata Bravo, que é advogada especialista em direitos das mulheres,
01:15capitão Andressa, do Corpo de Bombeiros,
01:17Gracimere Gaviorno, vice-prefeita da Serra, ex-delegada, secretária de defesa da Serra também.
01:23E também estou com Laís Araújo, que é comandante da Guarda Municipal da Serra.
01:28Bem-vindas.
01:29Obrigada.
01:30Bom dia, meninas.
01:31É um dia triste, certamente, né?
01:33Para todas nós, vocês que estão aí mais à frente também, em contato.
01:39E a gente precisa falar sobre esse assunto.
01:42É triste, mas a gente tem que conversar sobre isso.
01:44Deixa eu começar aqui com a Gracimere, a senhora que há tantos anos já está aí nessa linha de frente
01:51desse combate.
01:52Quando a gente vê histórias como essa, que chocam, mas que infelizmente fazem parte da nossa rotina.
02:00O que que normalmente vem antes desse final trágico?
02:05O que que você observa ao longo aí da sua trajetória, que a gente pode falar que antecede esse momento
02:11tão triste?
02:11O dia não é exatamente bom, né?
02:15A gente ainda está vivendo esse luto da Deise.
02:19E os sinais que apontam é que, muito embora a Deise não tenha comentado com as pessoas a respeito da
02:27violência que se revelou que ela sofria em virtude de um relacionamento abusivo,
02:31Na maioria das vezes, o que a gente verifica é que o feminicídio é o último caso.
02:38Antes disso, vem uma série de violações e a gente tem normalizado isso, né?
02:44Achando que é brincadeira, às vezes uma fala mal colocada, uma agressão verbal, um apelido que é colocado nessa mulher.
02:57Muitas vezes você vê que a Deise era uma profissional de segurança.
03:00Então, se você tem uma profissional de segurança chegando em casa, o que que essa pessoa ouve?
03:06Olha, ele está pensando que isso aqui é lá a sua guarda, é a sua delegacia, é o seu quartel,
03:11né?
03:11O homem, quando chega nos espaços de decisão que ele ocupa uma posição de comando, ele é visto como alguém
03:18que se destaca de forma anérgica.
03:21E a mulher, ela é invisibilizada, ela é descredibilizada e ela sofre vários tipos de ataque.
03:28E a violência não escolhe profissão, não escolhe classe social.
03:33Na maioria das vezes, as mulheres em situação de comando, em posto de comando, elas não verbalizam essa violência que
03:40elas sofrem,
03:41porque quando elas verbalizam, elas são mais descredibilizadas e elas são julgadas pelas violências que sofrem.
03:50Então, talvez isso possa ser, a Deise não está aqui para nos falar, mas talvez tenha sido um dos motivos
03:56pelo qual ela não verbalizou isso, né?
03:59O que a sociedade trabalha assim? Ah, mas como é que essa mulher, nessa posição de comando, está sofrendo violência?
04:06Não dá conta nem da sua própria casa, né?
04:09Então, esse é o sentimento que a gente tem.
04:11E quando a gente fala da segurança, é o caso da Deise, a gente teve as semanas passadas aí um
04:17coronel, uma soldada.
04:18Na Bahia, nós tivemos uma delegada assassinada pelo seu noivo, né?
04:23Em São Paulo, nós tivemos um promotor matando a sua esposa.
04:27Então, nós vimos que mesmo nas profissões, onde a gente tem que combater a violência, a gente também tem casos
04:34violentos.
04:35Isso é muito triste.
04:36É muito triste.
04:37Eu posso...
04:37Claro, por favor.
04:38Graça Mery traz uma coisa, acho que a mais importante, né?
04:42Também que a gente fala.
04:43Por um lado, tem essa naturalização das violências, de todas as formas de violência contra as mulheres,
04:50e que é isso, né?
04:51O feminicídio é o ato extremo, o ato último.
04:53E que a gente precisa também passar o recado de que o homem agressor, infelizmente, ele não vai vir com
05:01uma etiqueta,
05:02com escrito na peça que ele é violento, que ele é errado, que ele é agressor.
05:07São homens comuns.
05:09São nossos pais, maridos, companheiros de farda, colegas que, na maioria das vezes, são muito legais,
05:17mas que são autores de violência doméstica.
05:21Então, é muitas vezes difícil para as pessoas ao entorno entenderem,
05:26nossa, mas como que fulano praticou isso?
05:29Como que ele teve coragem?
05:30Porque ele é tão bom, ele é tão bom chefe, tão bom companheiro,
05:34mas, infelizmente, os homens todos, eles são potenciais agressores e homens autores de violência.
05:42A gente precisa falar sobre os agressores, a violência diz sobre quem eles são.
05:47Agora, eu queria falar também aqui com a Capitão Andressa e com a Comandante Araújo também,
05:51vocês perderam uma colega de farda, né, gente?
05:55Imagino que deve estar sendo muito difícil.
05:56Estavam sempre juntas ali, em ocorrências, em projetos, em ações de combate.
06:02Como é que foi para vocês, meninas, receber essa notícia?
06:06Um impacto muito forte, né?
06:07Olha, foi duro, devastador. Por quê?
06:11Porque ela era uma pessoa que lutava por essa causa.
06:15Vitória tinha alcançado índices brilhantes sobre a liderança dela.
06:18É lógico que é o trabalho da força de toda a guarda municipal, mas sobre a liderança dela.
06:23Então, quase um ano e meio sem feminicídio.
06:25É verdade, gente.
06:26E ela perderam a vida justamente pela estatística, pelo aquilo que ela lutava, que ela acreditava, que ela combatia.
06:36E muitas vezes a gente acha que a pessoa não vai ser capaz.
06:39Eu acho que na cabeça dela, ali envolvida naquela situação, ela acha que ele não vai ser capaz de cometer.
06:46E, nossa, o coração da gente fica devastador, porque ali era uma líder, era uma mulher, era uma mãe.
06:54Nós que somos mães de meninas.
06:56A filha dela, oito anos, sete, oito anos.
06:59Então, nossa, devastador.
07:01Acho que acabou com o nosso dia.
07:03E a gente deseja ali muita força para a família, para os profissionais da guarda, para todos que trabalham com
07:09ela,
07:09todos que tinham contato, porque ela é sempre alegre, com aquele sorrisão dela, firme, postura firme,
07:14porque ela sempre teve essa postura firme, mas sempre sorridente e alegre, levantando a energia de todo mundo.
07:20Com certeza.
07:21Comandante geral, vocês trabalham, estão na mesma missão, né?
07:24Estavam na mesma missão, né?
07:24É isso, Bruna.
07:25A gente recebeu, assim, essa notícia com muita dor, também com muita surpresa.
07:31E a segurança pública, eu digo, não só do Estado do Espírito Santo, mas também, nível Brasil, está de luto.
07:36É, verdade.
07:37A Deise era uma parceira, realmente, né?
07:41A Landa também, que é comandante de Vila Velha, a gente tinha um vínculo muito forte,
07:44que a gente fala que a gente era o trio, né?
07:46O trio do comando aqui do Estado do Espírito Santo, o trio feminino.
07:50Então, a gente trocava muita informação.
07:52A Deise, ela tinha esse ponto forte, que era a defesa das mulheres.
07:57Então, a gente pensa, né?
07:58Uma mulher na segurança pública, que cuida de tantas outras pessoas,
08:02às vezes, não teve a condição de cuidar dela a si própria.
08:05Então, a gente fica assim, como que ninguém percebeu?
08:08Como que a gente não recebeu nenhum alerta?
08:10Então, a gente pensa, eu, como força de segurança pública,
08:14nós, eu digo para as mulheres também da segurança pública,
08:17nós cuidamos tanto das pessoas, às vezes, não temos,
08:20às vezes, a condição, ou a insegurança, ou a vergonha, às vezes, até de pedir um socorro.
08:25É vergonha, né?
08:26Uma vergonha, até.
08:28A gente cuida de tantas pessoas, como a gente não tem capacidade de pedir uma ajuda,
08:32às vezes, pela vergonha, também, de se mostrar fraca, né?
08:35Sim.
08:36Como a delegada Gracimere disse, a gente tem acompanhado aí diversas violências contra a mulher,
08:41teve a soldado, né?
08:42A Gisele também.
08:43É, muito triste também.
08:44Teve esse feminicídio, o caso na Bahia.
08:47Então, isso tem assustador e precisa ser dito também.
08:50Como você disse, trazer os homens para parte, né?
08:54Por essa luta contra o feminicídio.
08:56Porque eles fazem, eles são partes desse processo.
09:00Então, assim, a gente precisa realmente discutir e realmente entender,
09:05trazer soluções concretas.
09:07Porque, infelizmente, isso aconteceu com a Deise ontem.
09:11Hoje vai ocorrer, amanhã vai ocorrer com outros tipos de mulheres.
09:14Isso é o que mais deixa a gente triste, né?
09:15Então, isso deixa a gente muito abalado, triste e é isso.
09:19Pois é.
09:20Sabe que a Landa ontem falou bem assim, amanhã é outro dia.
09:24É, eu vi.
09:24E eu fiquei refletindo sobre se amanhã é outro dia e outras mulheres serão mortas, né?
09:30E trazer o homem para essa discussão é muito importante para nós.
09:35Mas, em 2003, a gente estava comentando agora há pouco, a Serra, na época, a gente não falava em Lei
09:45Maria da Penha,
09:46não existia Lei Maria da Penha ainda.
09:48E a juíza Hermínia, que estava lá na Serra, liderou uma iniciativa que era um grupo reflexivo para homens.
09:57Porque ela entendia que não adiantava separar esse homem do lar.
10:01Ele ia fazer outra vítima, ele ia encontrar outra mulher e a gente ampliaria o número de vítimas.
10:06E quando eu chefei a Polícia Civil, em 2015, a gente teve oportunidade de revisitar essa iniciativa, né?
10:14Na época, o doutor Hermínia trabalhou esse grupo reflexivo, eu era delegada da Mulher na Serra.
10:19E a gente viveu, no início de 2015, violências muito chocantes também no Espírito Santo contra a mulher.
10:26Mulheres assassinadas dentro do ônibus, em Colatina, né?
10:29Estava falando com a Juliana aqui.
10:30A Ju estava falando.
10:31Nessa mesma época, uma mulher foi assassinada no ônibus em Colatina, uma mulher foi assassinada no ônibus em Flechal.
10:38E a gente trouxe essa iniciativa, criando o programa Homem que é Homem.
10:44Essa iniciativa, que acabou também se espalhando pelo Brasil, motivou uma modificação na Lei da Maria da Penha
10:51para que os juízes e os juízes pudessem encaminhar os agressores vítimas de violência para refletirem sobre a diferença de
10:58gênero,
10:59sobre a sua responsabilidade na construção de uma sociedade de paz.
11:04E a gente teve oportunidade de ter uma redução nessa progressão da violência.
11:10Porque, como a gente falou no início, o feminicídio, ele é a última parte.
11:18E é importante que a gente tenha começado a contar o feminicídio, porque até 2015 a gente não contava
11:23que as mulheres eram mortas em virtude da sua situação de gênero, né?
11:28E hoje a gente já começa a contar isso.
11:30E a gente teve que viver, até pouco tempo,
11:33Eu falo que no Brasil a gente tinha licença para matar a mulher, porque o STF teve que declarar há
11:39pouco tempo
11:40que não se poderia utilizar em juízo a tese da legítima devesa da honra putativa ainda,
11:46aquela que o homem imaginava que a sua honra estivesse sendo agredida.
11:50Então, quanto mais a gente visualiza, a gente estava conversando assim,
11:56nós somos otimistas em relação às políticas públicas.
11:59A gente, claro, hoje a gente está muito estressido, consternado,
12:03porque a Deise era uma querida, conhecida de todas nós,
12:06trabalhamos juntas no enfrentamento à violência contra a mulher,
12:09mas nós já enfrentamos, já conseguimos alcançar muita coisa.
12:17A gente viveu, está vivendo no Brasil, infelizmente, um aumento da violência contra a mulher,
12:22o Espírito Santo teve uma pequena redução,
12:24a gente precisa trabalhar ainda mais, mas o que a gente tem que entender é que
12:29cada vez que a voz de uma mulher for silenciada, principalmente com o feminicídio,
12:34todas as outras vozes femininas se levantarão para que a gente enfrente essa questão que nos atinge a todas.
12:43E continuar ecoando a voz da Deise, porque ela era uma voz forte,
12:47que dava voz às outras mulheres, e a gente continuar ecoando a voz dela.
12:50E é importante a gente falar também, Bruna, da questão da educação dos meninos.
12:56Ensinar respeito com as mulheres, ensinar o amor.
12:59Lá, novinho.
13:00Ensinar como tratar uma mulher sobre o respeito, sobre o amor,
13:05porque isso vai reverberar lá na frente.
13:06É o que vai reverberar lá na frente.
13:09É sobre os comportamentos.
13:10É o nosso papel enquanto pais, enquanto sociedade, né, gente?
13:12Com certeza.
13:13Agora, Renata, a gente está falando aqui, né, já do ponto extremo,
13:18que é o feminicídio, de agressões, mas normalmente não começa assim.
13:22Quais os sinais que esse agressor ele vai dar para essa namorada,
13:27para essa colega de trabalho, para essa esposa,
13:30para essa ex-namorada de que vai chegar, de que não está legal,
13:36de que já está cometendo a violência?
13:38É, tem muita gente que entende que existe um escalonamento, né?
13:43Claro que a gente não pode também pensar, olha, está aqui até chegar no feminicídio.
13:49Muitas vezes acontece um fato de uma violência psicológica e logo depois um feminicídio.
13:55Mas quais sinais, né, para te responder de forma um pouco mais objetiva e conversar?
14:01Porque muitas vezes a gente, vocês falaram, né, não se reconhece como vítima
14:07ou tem vergonha de se reconhecer.
14:10Se o homem estiver cerceando o namorado, aí vamos falar para as jovens também,
14:15para as adolescentes, isso é muito fundamental.
14:19Estiver cerceando, afastando do ciclo de amizades, falando muito mal das amigas,
14:25falando muito mal da mãe, das tias,
14:27Isso é um sinal de que ele quer afastar, que existe uma violência psicológica ali.
14:32Se estiver vigiando o celular, quebrando objetos dentro de casa,
14:38dando socos em objetos,
14:40isso significa que pode acontecer uma violência física contra você.
14:46A Lei Maria da Penha, né, Grace Mery, falou aí de 2006,
14:49ela traz várias formas de violência.
14:51Violência sexual, então, praticar qualquer ato sexual
14:56depois do não, inclusive num casamento, inclusive num namoro.
15:01Se a mulher não quiser, ela não é obrigada.
15:04Então, são os sinais que a gente vai identificando,
15:07um controle muito excessivo.
15:09Geralmente, esses casos de feminicídio, depois que acontecem,
15:13surgem, né, nossa, olha, ele era controlador,
15:17ele vigiava tudo.
15:18Então, esse controle mostra que esse homem quer controlar exatamente a vida dessa mulher
15:24e muitas vezes ele vai avançar no corpo dela e interromper essa vida, esses sonhos.
15:32E a gente, né, no caso da Deise, infelizmente, está aí com mais uma órfã de feminicídio.
15:38Tantas crianças que estão pelo Brasil, que ficam órfãos todos os dias.
15:45Tem um estudo da Visível e Invisível, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
15:51que fala que quase 70% dos homens agressores são parceiros íntimos ou ex-parceiros.
15:58Então, só pra voltar naquilo que eu falei, né,
16:01são nossas pessoas, nossos homens que estão ali, parentes, companheiros,
16:07e a gente precisa olhar pra dentro e fazer esse levante dos homens.
16:14A gente se levanta, a voz da Deise vai ecoar,
16:16mas eu queria ver os homens fazendo passeatas por eles mesmos,
16:22fazendo todo dia, dizendo que eles não vão compactuar com essas violências
16:28e com essa epidemia de feminicídio que a gente está tendo.
16:32Trazer o homem pro centro dessa conversa, pro centro desse debate.
16:35Queria perguntar pra comandante Araújo também,
16:38Andressa pode falar também, que muitas vezes o corpo de bombeiros,
16:40às vezes, chega até, é o primeiro a chegar numa cena, né, de agressão, né,
16:44vocês acompanham muito de perto.
16:47O que é que vocês observam dessa vítima, né, que é agredida?
16:50Vamos falar ali da agressão e que precisa desse atendimento
16:54e que precisa desse socorro.
16:56Vocês estão na linha de frente e imagino que a cada plantão
16:59vocês se deparem com situações como essa.
17:02Quem é essa vítima?
17:03Então, hoje, a Guarda Municipal da SER, né,
17:06a gente tem a nossa equipe especializada,
17:08que é a nossa equipe Maria da Penha, a Patrulha Maria da Penha,
17:11que a gente trabalha em parceria com o CRAMBES,
17:14que é o centro de referência da mulher vítima de violência, né.
17:18Então, assim, a Guarda Municipal, como também a Polícia Militar e outras forças,
17:22é a primeira da ponta a chegar ali.
17:24Então, a gente encontra diariamente, né, vítimas, geralmente,
17:28com seus, né, maridos, familiares, irmão, pais, então, diariamente,
17:34agora, ela tem encontrado esse tipo de ocorrência.
17:36Então, são mulheres vulneráveis ali, às vezes dependentes,
17:40às vezes vivem naquele ambiente porque não tem condições de sair de casa,
17:43depende financeiramente.
17:44Então, a Guarda da SER, a gente tem atuado, né, em combate, né,
17:49à violência doméstica e familiar, através da Patrulha Maria da Penha
17:54e também o CRAMBES, o centro de referência,
17:56para que essas mulheres consigam sair desse ciclo, né,
17:59porque, às vezes, realmente é difícil, né.
18:02Então, o CRAMBES, ele tem esse apoio psicológico, né,
18:06na área da assistência também para essa mulher que deseja sair desse ciclo,
18:10que realmente denunciem, registrem, e é isso.
18:16Dependem emocionalmente, financeiramente, aí tem a questão dos filhos, né.
18:19Como é que vai sair de casa com os filhos, para onde vai?
18:22E esse primeiro atendimento, é importante a gente falar da questão do acolhimento,
18:26é acolher essa mulher, porque ao acolher, ela vai falar,
18:30ela vai se sentir segura para poder falar, para poder se abrir,
18:33e nós, profissionais da segurança pública, indicar os caminhos, né.
18:38Então, se é uma viatura do Corpo de Bombeiros também,
18:40fazer esse acionamento da polícia militar, da guarda,
18:43para que seja encaminhada e para que ela tenha esse acolhimento humanizado.
18:47Com certeza.
18:48Meninas, a gente está quase perto do encerramento,
18:50mas dá tempo da gente deixar uma orientação,
18:54e aí, vou deixar para quem quiser falar,
18:57a gente está falando diretamente para a mulher que é vítima,
18:59mas tem muita gente em volta que pode salvar essa mulher,
19:02que percebe os sinais.
19:03Vizinho, um parente dentro de casa, uma colega de trabalho.
19:08Como que essa pessoa hoje, ela pode fazer uma denúncia,
19:11de que, por exemplo, ela está escutando que o casal,
19:14do lado da casa dela, a mulher está sendo vítima de agressão.
19:18Qual que é esse caminho hoje?
19:20Bruna, é assim, é importante, a gente estava falando dos homens,
19:23mas a gente está falando também do acolhimento das mulheres,
19:25e delas entenderem o que está acontecendo com elas.
19:27Muitas vezes, a mulher, antes de ir na delegacia,
19:29porque ela não quer que o seu agressor seja preso,
19:31ela tem uma rede de apoio à disposição.
19:34Então, para as mulheres da Serra,
19:36a gente tem o Centro de Referência de Atendimento
19:38às Mulheres Vítimas de Violência,
19:40no Canal Nacional, a gente tem o 180,
19:43a gente tem atendimento psicossocial, jurídico,
19:46para acompanhar essa mulher,
19:47no Estado, a gente tem a Casa Abrigo,
19:50que também é, né?
19:52E a Defensoria, Ministério Público.
19:55Exatamente.
19:56Então, nós temos toda uma rede de apoio
19:58para acolher essa mulher.
19:59O que nós precisamos, né?
20:01E aí, todos nós temos que estar imbuídos nisso,
20:04os nossos governantes,
20:05na nossa Serra, a gente tem o nosso prefeito Everson,
20:07que nos deu essa missão de criar a Patrulha Maria da Penha
20:12na Guarda Municipal,
20:13para fortalecer a Patrulha Maria da Penha também,
20:16da Polícia Militar.
20:18Então, a gente tem uma rede de apoio
20:19para ofertar essa mulher,
20:22e também temos uma rede de apoio
20:24para esses homens agressores,
20:26para que eles mudem esse comportamento, né?
20:28E o que nós precisamos
20:31é não nos calarmos.
20:33Se antes a gente falava que em briga de marido
20:35a mulher não metia a colher,
20:36hoje a gente mete a colher,
20:37mete a concha, mete a escumadeira,
20:39os utensílios todos,
20:40mas a gente precisa salvar essa mulher,
20:41esse homem,
20:42essa família,
20:43e principalmente os órfãos do feminicídio,
20:47e a gente também precisa apelar
20:51por uma coisa que a gente fica meio amarrada.
20:55infelizmente,
20:55ameaça no Brasil,
20:57a gente não tem como enfrentar isso, né,
21:00doutora Renata?
21:01Se uma pessoa ameaça que vai matar esta mulher
21:04ou qualquer outra pessoa,
21:05a pena é pequena,
21:06a gente sequer consegue uma medida cautelar.
21:08Então, esse é um ponto
21:09que a gente precisa enfrentar
21:11para poder salvar essas pessoas.
21:12Com certeza.
21:13E reposição.
21:13Violência acontecendo,
21:15aciona os contatos das guardas municipais,
21:17ou 190, Polícia Militar.
21:19E também tem a denúncia anônima.
21:21Então, se a pessoa não quer se identificar,
21:23a mulher não quer se identificar,
21:25ou briga de marido e mulher,
21:27se mete a colher, sim.
21:28Então, o vizinho,
21:29liga,
21:30181 é totalmente anônimo,
21:32ninguém vai conseguir saber
21:34quem está fazendo por telefone 181
21:36ou pelo site.
21:37Então, importante também.
21:38Essa é a denúncia.
21:39Meninas,
21:39obrigada pela presença.
21:41Nosso tempo acabou.
21:42Força na luta
21:43para a gente continuar.
21:44Obrigada mesmo,
21:45mais uma vez,
21:46pela presença.
21:46Estamos à disposição para outro bate-papo.
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