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  • há 13 horas
Gerente de Proteção à Mulher da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo (Sesp), Michele Meira diz que morte da comandante da Guarda de Vitória deixa um sentimento de indignação e tristeza.
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Transcrição
00:00Não tem como a morte da comandante Deise não gerar revolta, não gerar comoção, principalmente pelas pessoas que trabalhavam com
00:12ela.
00:13Vocês ouviram ali o próprio prefeito falando das características, do perfil da Deise.
00:18Uma mulher extremamente profissional, uma mulher extremamente preparada para ter ocupado o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória.
00:31Ela que combatia a criminalidade e acabou vítima dessa mesma violência que ela combatia.
00:37E ela era uma pessoa muito respeitada e querida no meio da segurança pública.
00:45Guardas Municipais, olha, eu vou confidenciar para vocês algo que eu vi hoje, hoje no trânsito aqui em Vitória.
00:53Vi uma moça dentro de um carro vindo aqui para Vitória chorando.
00:59Eu vi pelo meu, ela estava no carro na frente, eu percebi que tinha uma mulher chorando no carro da
01:05frente que eu estava no meu.
01:07Quando eu passei do lado, que eu acabei cortando o veículo, eu passei do lado, era uma guarda municipal, estava
01:14fardada, dentro do carro dela chorando.
01:18Depois, no sinal de trânsito, nós paramos, eu buzinei para ela e falei para ela, força!
01:24Ela virou para mim e falou, tá difícil.
01:26Então, assim, você veja, e era uma guarda de Vila Velha.
01:29Era uma guarda de Vila Velha que eu vi pelo brasão que estava ali no uniforme dela.
01:35Ou seja, uma comoção que não é apenas para quem trabalhava com ela aqui em Vitória,
01:41mas de pessoas que conheciam ela da lida do dia a dia.
01:45Um dia de luto, um dia de tristeza para todas as mulheres do Estado do Espírito Santo.
01:51Vanusa, aproveitando que nós estamos falando sobre essa questão da proximidade e da Deise ser tão querida no meio dos
02:02agentes de segurança,
02:05você teve a oportunidade de conversar com pessoas que trabalharam e trabalhavam diretamente com ela, né?
02:12Boa tarde.
02:15E Camargão, boa tarde para você, pessoal de casa.
02:18Se é que a gente consegue dar um boa tarde, diante de uma notícia dessa,
02:24tive sim a oportunidade de conversar com algumas autoridades públicas, né?
02:30Que trabalham aí com a segurança pública no Espírito Santo.
02:34E todas unânimes em afirmar o compromisso que a comandante tinha perante o combate da violência contra a mulher.
02:44Ela, durante esse mês de março, inclusive, teria participado de vários eventos ligados à violência contra a mulher,
02:52o combate da violência contra a mulher.
02:55Nas redes sociais, para se ter ideia, ela vivia postando, fazendo postagens, né?
03:02Que incentivavam o empoderamento da mulher, né?
03:05Que baniam essa coisa do homem opressor, do homem agressor.
03:12Cerca de seis horas antes de ser assassinada, a comandante fez uma postagem aí,
03:18fazendo todo um incentivo ao empoderamento, à importância da liberdade financeira das mulheres
03:25para o empoderamento de fato.
03:27Então, isso realmente fez com que muita gente que trabalhou com ela durante todo esse tempo na carreira na Guarda
03:36Municipal,
03:37cerca de 12 anos, o tempo que ela entrou, uma vez que ela começou como pedagoga, né?
03:44Chegou a trabalhar na área da educação, mas resolveu mudar.
03:47E aí fez o concurso há cerca de 12 anos.
03:50Desde então, ela dedicava o tempo à segurança pública e há três anos como comandante,
03:56por conta do trabalho que ela se destacou ali no meio, entre os colegas,
04:02uma vez que somente 20% do corpo da guarda hoje é composto aí de mulheres.
04:08E ela estava entre essas mulheres e, em 20 anos, ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória
04:15era realmente um exemplo, uma mulher que dava exemplo para todo mundo.
04:20A gente fala ao vivo, viu Camargão, aqui no Departamento de Homicídios de Vitória,
04:24para onde essa investigação foi concentrada.
04:30Agora há pouco a gente teve a informação de que a delegada Rafaela, que é da DHPM,
04:37que é a Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher, já começou a ouvir algumas testemunhas.
04:42Entre elas está o padrasto aí da comandante e também alguns agentes da guarda,
04:51que chegaram agora há pouco, todo mundo muito consternado, muito tristes e sem palavras para poder até conversar com a
04:59imprensa.
05:00Confesso a você, Camargão, que hoje pela manhã, quando eu vinha, estava em direção à rede, tribuna,
05:09eu custei a acreditar que realmente isso havia acontecido.
05:13Eu que praticamente, como outros colegas, noticiamos diariamente, infelizmente ainda,
05:19a violência contra a mulher e muitos feminicídios.
05:23Se deparar com essa notícia de que uma mulher que trabalha na segurança pública
05:27e que defendia as mulheres foi vítima de um feminicídio, realmente é difícil de acreditar.
05:33A gente conversou com algumas autoridades, vocês conferem agora a fala da delegada Michele Meire.
05:40Ela falou com a gente, muito emocionada. Vamos acompanhar.
05:44Essa entrevista é a mais difícil, né?
05:47Que eu acho que eu já fiz em toda a minha carreira.
05:51Um dia triste, né? Para a gente aqui no Estado.
05:55A gente recebe essa notícia da morte da comandante Daisy, né?
05:59Com muita indignação, tristeza, né?
06:06E a gente manifesta aí nossos sentimentos aos familiares, aos amigos, aos colegas de trabalho.
06:14Eu tive a oportunidade, né? De conviver um pouco com a comandante Daisy.
06:19A gente participou de algumas ações juntas, voltado ao enfrentamento à violência contra a mulher.
06:28Olha, posso chamar? Ah, tá. Beleza.
06:37Ok. Olha só, Camargão.
06:39Uma trajetória brilhante, curta, mas brilhante, assim que os colegas resumem a trajetória profissional da comandante Daisy.
06:52Ela, que há três anos, como eu disse, ocupava o cargo de comandante, infelizmente, já estava vivendo há algum tempo
07:00uma relação abusiva com o namorado.
07:03Ela tentou dar o basta, né? Acabou terminando com ele, mas, infelizmente, ele não se contentava, ele não aceitava o
07:11fim do relacionamento.
07:13A gente preparou uma reportagem agora, para vocês de casa entenderem quem era a comandante Daisy Barbosa.
07:21Vamos acompanhar agora.
07:23Entre as autoridades de segurança pública, o clima é de comoção.
07:27Essa entrevista é a mais difícil, né? Que eu acho que eu já fiz em toda a minha carreira.
07:35Um dia triste, né? Para a gente aqui no Estado.
07:38A gente recebe essa notícia da morte da comandante Daisy, né?
07:43Com muita indignação, tristeza, né?
07:50E a gente manifesta aí nossos sentimentos aos familiares, aos amigos, aos colegas de trabalho.
07:57Eu tive a oportunidade, né? De conviver um pouco com a comandante Daisy.
08:03A gente participou de algumas ações juntas, voltado ao enfrentamento à violência contra a mulher.
08:08Estamos todos consternados com essa situação, mais um feminicídio em Vitória, no Estado, abalando a guarda de Vitória.
08:17O que a gente pode sentir nesse momento é abraçar a família, cuidar da família, cuidar dos guardas.
08:22Estou recebendo telefonema dos guardas do Estado inteiro, Linhares, Guarapari, Cachoeiro, todos querendo saber a situação.
08:31E a gente está confortando a nossa categoria.
08:34Daisy Barbosa tinha 38 anos, a 12, havia ingressado na Guarda Municipal de Vitória.
08:41Devido ao bom desempenho como agente, assumiu há três anos o mais alto cargo da corporação,
08:47o de comandante da Guarda Municipal de Vitória.
08:50Cargo que durante 20 anos de história da instituição sempre foi ocupado por homens.
08:57Infelizmente não, a gente não tinha conhecimento disso, a gente não falava nada.
09:01Daisy era uma pessoa muito alegre, e ela era muito resolutiva, ela resolvia os problemas dela, ela tinha essa capacidade.
09:08Infelizmente ela não falou isso pra gente, pra que a gente pudesse tomar uma atitude, poder salvar a vida dela.
09:12Era uma pessoa que vivia pra salvar a vida, sobretudo das mulheres.
09:15Vitória com 650 dias, seis feminicídios até ontem.
09:19Então a gente estava trabalhando nesse sentido, com o objetivo de tentar motivar as pessoas que delatassem esses agressores.
09:28Infelizmente ela não conseguiu poder salvar a própria vida.
09:31Os policiais e investigadores tiveram o local, fizeram a coleta de todos os indícios, todos os vestígios,
09:38para que possa repassar todas essas informações para a doutora Rafaela, que vai ser a presidente, que vai tocar o
09:48inquérito policial,
09:49para que a gente possa apresentar a vocês o resultado de um dia triste, porque nós estamos falando...
10:01Eu realmente estou muito triste, porque nos toca mesmo, estamos à frente dos homicídios muitos anos,
10:10um fato como esse deixa a gente bastante emocionado.
10:15A comandante Deise sempre lutou em prol das mulheres, ela defendia penas mais duras para agressores,
10:22incentivava o empoderamento feminino.
10:26Apesar disso, em casa ela vivia uma relação abusiva.
10:29O caso reacende a discussão, a importância da mulher denunciar.
10:35A comandante nunca tinha relatado para os companheiros dela, da guarda municipal,
10:43bem como não tem nenhum registro junto à polícia civil.
10:46E o caso é tão emblemático, porque ele mostra muito que não é quem é a vítima,
10:54porque ela é uma mulher forte, uma autoridade,
10:56mas sim a violência de gênero, é sobre quem é o homem.
11:01Então, você vê que uma postura daquela, uma comandante da guarda municipal,
11:05e ela sofrer essa violência mais gravosa que é o feminicídio.
11:09Então, diz sobre quem é ele, sobre ela não querer mais aquele relacionamento,
11:14sobre ele falar, não, você é minha e agora você vai pagar até mesmo com a sua vida,
11:20porque, a partir do momento que eu enxergo que você é meu objeto,
11:24você é um instrumento da minha dominação, que ele foi e seifou a vida dela.
11:29O suspeito do crime, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza,
11:34de 39 anos, já havia dado sinais do temperamento abusivo.
11:38Chegou a arrombar e invadir a residência da comandante em outra situação.
11:44Para a polícia, o PRF foi à residência da comandante, com a intenção de matá-la.
11:51Diversos objetos foram apreendidos na mochila dele.
11:54A polícia, ela identificou, na verdade, ela coletou os projetis,
11:58que foram cinco projetis no quarto,
12:01e também tem ali o registro realmente de uma bolsa que ele levou.
12:07Nessa bolsa tinha diversas ferramentas,
12:09então tinha alicate, chave de corte, tinha faca, tinha também álcool,
12:15que ele levou realmente para esse espaço do crime.
12:18Ele não aceitava o fim do relacionamento, não tinha nada formalizado.
12:22Agora, depois que aconteceu o crime, propriamente dito,
12:26que começaram as pessoas a comentar que ele era um homem que era ciumento,
12:31que era possessivo, que era extremamente controlador,
12:35mas isso também é importante para que outras mulheres percebam que
12:39a violência, ela não começa naquele momento que houve aquele primeiro disparo,
12:44que seifou a vida dela.
12:45Sim, a violência começa naquele primeiro controle,
12:48naquela hora que ele vai falar assim,
12:50essa roupa não é adequada, você não vai conversar com fulano.
12:53Então, você tem que perceber que aquele ato de você perceber essa violência
12:58e de procurar ajuda, não é um ato de fraqueza, mas sim de coragem.
13:04Pessoal, esse assunto é tema ainda do nosso Tribuna Notícias.
13:08Ainda hoje nós vamos continuar falando desse assunto lamentável, tá?
13:13E hoje ainda nós vamos conversar com uma especialista
13:18para a gente poder repercutir esse caso que chocou e choca o Estado do Espírito Santo.
13:23Nós vamos discutir justamente o que o secretário de Segurança de Vitória disse,
13:30o que a delegada disse também da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher aqui de Vitória.
13:37Vamos falar justamente sobre os sinais, as formas de prevenção,
13:41os caminhos para enfrentar a violência contra a mulher, que é uma realidade,
13:46que é uma realidade que segue fazendo vítimas e realidade que precisa ser combatida.
13:53Veja que a Deise, a comandante da guarda de Vitória,
13:58ela não tinha comentado com ninguém.
14:00Salvo engano, o pai sabia de alguma coisa, uma amiga sabia de algo,
14:05mas nada profundamente que poderia vir a realmente pensar
14:09que esse cara pudesse fazer algo contra a vida da comandante da guarda.
14:14se...
14:15se...
14:15se...
14:16se...
14:18se...
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