00:00Um relatório dos Estados Unidos acusa a China de operar uma rede de instalações especiais na América Latina.
00:07O Eliseu Caetano vai trazer os detalhes, até porque o Brasil, Eliseu, foi citado nesse documento, né?
00:15Boa tarde, bem-vindo.
00:18Exatamente, Márcia. Foi citado e consta lá nesse documento pelo menos duas bases chinesas operando aí no Brasil.
00:26Muito boa tarde pra você e pra todo mundo que acompanha aí em tempo real as principais notícias do Brasil
00:31e do mundo.
00:31A gente vem chegando ao vivo, direto dos Estados Unidos, atualizando aí junto com o Luca Bassano e o noticiário
00:37internacional.
00:38Bom, esse relatório, Márcia, de uma comissão do Congresso daqui dos Estados Unidos, foi divulgado ontem e acusa a China
00:45de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial para uso militar, viu?
00:55Duas dessas instalações, como eu disse, ficam aí no Brasil, segundo o documento.
01:00Uma na Bahia, outra na Paraíba.
01:02O documento afirma que os deputados americanos mostram uma, abre aspas, especial preocupação com a participação chinesa em uma estação
01:13na Bahia,
01:14feita com uma empresa de satélites e também demonstram preocupação com uma potencial perda de hegemonia militar na região,
01:23considerada, como a gente tem acompanhada na política América First, de influência, esfera de influência dos Estados Unidos.
01:32E daí essa comissão foi criada lá atrás, Márcia, em 2023, reúne deputados tanto do Partido Democrata quanto do Partido
01:39Republicano
01:40e tem ali como objetivo desenvolver estratégias para competir economicamente e também militarmente com a China.
01:48E aí, agora, eles estão num bienio sob maioria republicana.
01:54E essa comissão, portanto, acaba nesse documento também, de acordo com as pessoas que leram,
02:00deixando mais clara a visão do presidente Donald Trump de tratar a América Latina como quintal dos Estados Unidos.
02:08E essa movimentação tem ficado muito clara ao longo desse primeiro ano de Donald Trump de volta à Casa Branca,
02:15com todas essas movimentações dele na Argentina, na Venezuela, hoje no Equador.
02:21Então, nesse texto, a comissão defende que a China está desenvolvendo laços de cooperação científica
02:28e também estratégica na área espacial com diversos países da região,
02:33ao mesmo tempo em que cria uma base militar.
02:36Ou seja, um problema duplo, segundo esse relatório, para os Estados Unidos,
02:41porque Pequim estaria utilizando a infraestrutura espacial na América Latina,
02:46mas para fins militares, né?
02:49Para fortalecer, o documento usa esse termo, Márcia,
02:52futuras capacidades de combate do Exército Popular da Libertação.
02:57Ainda, segundo o documento, esses locais na América Latina
03:00são parte de essencial, de extensa rede de defesa espacial da República da China
03:07que fornece, olha isso, segundo o documento,
03:10vigilância global quase contínua, apoia operações contra espaciais
03:16e permite o sistema de orientação terminal necessário para armamentos avançados.
03:24E aí, essas duas bases...
03:26Que bases são essas, né?
03:28A gente foi procurar para tentar entender.
03:29Bom, elas ficam.
03:31Uma, a base terrestre de Tucano, na Bahia,
03:33e o outro é um laboratório radioastronomia
03:37que fica localizado na Serra do Urubu, na Paraíba.
03:40A estação do Tucano, a da Bahia, por exemplo,
03:43foi estabelecida por meio de um acordo criado lá atrás,
03:45assinado em 2020, ainda durante o governo Bolsonaro,
03:49entre uma startup brasileira e uma empresa chinesa, lá de Beijing.
03:54E aí tem essa outra, que é a de radiotelescópio,
03:58que faz parte de um projeto, Márcia, multinacional,
04:02que inclusive inclui outros países, como, por exemplo, França e Reino Unido.
04:07Resumindo, estamos entrando no olho do furacão, viu?
04:10Porque se esse documento chega na Casa Branca,
04:14se esse documento chega nas mãos de Donald Trump,
04:16e conhecendo bem a maneira de Donald Trump lidar com o mundo
04:19de maneira imprevisível, porque é assim que ele é mesmo,
04:23ai, ai, ai, ai, ai, Márcia.
04:25Obrigada, Eliseu Caetano, pelas informações.
04:28Vamos chamar os nossos analistas do dia, então,
04:30o Mano Ferreira e o Fernando Capês.
04:32Capês, você acredita que os Estados Unidos podem intervir de alguma forma,
04:36já que o principal alvo ali dos embates é a China, né?
04:41Sempre foi, declaradamente, o inimigo maior dos Estados Unidos.
04:44Como é que você enxerga o nome do Brasil aí no meio disso tudo?
04:47Intervenção militar, não.
04:49Isso está completamente fora de propósito.
04:51Mas sanções econômicas, sanções severas, sim,
04:55é bem possível que ocorra o caso os Estados Unidos se sintam
04:59ameaçados por uma inclinação do Brasil
05:02em direção ao seu maior inimigo geopolítico, que é a China.
05:07A Rússia não é a principal adversária dos Estados Unidos.
05:11É a China.
05:12O ataque dos Estados Unidos contra o Irã tem várias motivações.
05:17Alteração do regime, estabilidade no Oriente Médio,
05:20mas também, com o mesmo grau de importância,
05:25prejudicar os interesses da China,
05:27que é a maior compradora do petróleo iraniano.
05:31A China depende, fundamentalmente,
05:33dos barris de petróleo produzidos pelo Irã,
05:36que tem a terceira maior reserva do mundo,
05:38para manter a sua economia ativa.
05:41Tanto que a China já esperava um ataque americano ao Irã,
05:45ou um tipo de boicote com relação ao seu abastecimento de óleo,
05:49que ela vem aumentando a sua compra, o seu estoque.
05:53Ela costumava comprar 14 a 16 milhões de barris por ano.
05:57Em 2024 e 2025, adquiriu, em cada ano, mais de 50 milhões de barris.
06:03Ela sabe que os Estados Unidos estão colocando-a na mira.
06:05E como a doutrina Morroy, atualizada agora,
06:09que vem do século XIX, agora atualizada para o século XXI,
06:12a América para os americanos do norte.
06:15É claro que o Brasil vai ter que ficar muito atento
06:18para manter-se equilibrado nos seus interesses econômicos,
06:22sem nenhuma inclinação geopolítica em relação a esse país.
06:25Porque consequências, se não militares,
06:28mas certamente econômicas, podem vir.
06:31Mano Ferreira, eu acho que esse encontro de Lula e de Trump,
06:36que estava meio que marcado, não estava para daqui a 15 dias,
06:40não sei se vai acontecer, não.
06:41Pois é, Márcia.
06:42Há muita incerteza a respeito da agenda,
06:45especialmente das prioridades de política externa,
06:49do presidente Trump nesse momento.
06:51Não sabemos se ele vai encontrar espaço na agenda
06:54para encontrar o presidente Lula nesse contexto.
06:58Mas a gente precisa, nessa situação,
07:00sempre pensar em qual é o interesse brasileiro.
07:04E o interesse brasileiro precisa estar acima do interesse
07:07de um governo ou de outro.
07:09Nesse caso, nós precisamos manter uma situação de equilíbrio
07:13na relação com China e com os Estados Unidos,
07:16porque ambos são parceiros comerciais muito importantes
07:20para o nosso país e para o interesse nacional.
07:24E aí, no cenário geopolítico, vale lembrar,
07:27nós já participamos de um bloco econômico junto da China,
07:31o que nos dá uma proximidade com os chineses,
07:34às vezes, incômoda, por meio dos BRICS.
07:38Agora, a pergunta é,
07:39será que vale a pena ter instalações militares de chineses aqui?
07:45Precisamos apurar essa história,
07:47porque, na minha perspectiva,
07:49o nosso interesse não é comprar nem um lado nem outro,
07:53e sim manter um equilíbrio
07:54e ter relações com todo mundo.
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