- há 11 horas
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Em meio ao aumento das tensões em condomínios pelo país, o podcast Direito Simples Assim falou sobre poder do síndico, assembleia e limites da autoridade no prédio. A convidada foi a professora Cláudia Viegas, especialista em Direito Civil.
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NotíciasTranscrição
00:00Oba! Estamos aqui de novo com o nosso Direito Simples Assim.
00:05Hoje a mesa aqui toda bonitinha, repleta, né?
00:09Nós estamos aqui com a Tamara.
00:11Oi!
00:12Com o Vini.
00:13Estamos aqui.
00:15O Leozinho está lá no fundo, nosso parceirinho,
00:18e recebendo aqui a nossa queridíssima Cláudia Viegas.
00:25Bom, como vocês já sabem, porque Cláudia já veio aqui,
00:30é uma parceirinha nossa, estamos sempre constantes,
00:36vocês vão vê-la aqui muitas vezes.
00:38Ela é professora universitária, pós-doutora em Direito pela Federal da Bahia,
00:44doutora e mestre pela PUC Minas,
00:47e é assessora jurídica, assessora jurídica da Presidência do Tribunal Regional do Trabalho,
00:54aqui da Terceira Região, autora de obras literárias
00:58e pesquisadora da área do Direito.
01:01E hoje a gente vai conversar sobre um assunto que todo mundo gosta,
01:08condomínio.
01:09Deus me livre.
01:11Quem nunca, né?
01:13Só quem nunca morou em condomínio, em apartamento,
01:18que não sabe o que é viver em condomínio.
01:22Então, Cláudia, é uma delícia receber você aqui de novo.
01:25Ah, o prazer é meu.
01:27Muito obrigada pelo convite.
01:29É um prazer novamente estar aqui no Direito Simples Assim.
01:32Espero contribuir e, com certeza, parceira para sempre.
01:36Pode contar comigo, viu, Rosane?
01:38A Cláudia sempre escreve lá, também,
01:40para a nossa coluna do Direito Simples Assim,
01:42lá do EM Digital.
01:44Então, ela é parceira mesmo.
01:47Então, vamos lá.
01:48Vamos falar sobre direito de propriedade em condomínio?
01:54Falar isso, o que isso significa juridicamente?
01:58Sim.
02:00Podemos falar, sim, é um tema maravilhoso.
02:03Eu gosto muito.
02:04Muitas pessoas ficam assim,
02:06ah, condomínio é algo chato.
02:08Eu entendo que não.
02:09Para falar de condomínio,
02:10nós temos que falar de propriedade privada.
02:13E, para falar de propriedade privada,
02:15eu tenho que falar que o direito civil,
02:16ele é dividido em uma dicotomia,
02:19em duas partes.
02:21Ele tem o direito obrigacional,
02:23o direito pessoal e o direito real.
02:25E a propriedade é um direito real por excelência
02:28e um dos mais complexos.
02:30Nós temos aí a tradição brasileira
02:33de ser proprietário de forma exclusiva.
02:36Então, você pode ser proprietário de um bem,
02:38sendo um único dono.
02:39No caso do condomínio,
02:41nós temos uma propriedade
02:43que tem mais de um dono.
02:45E, neste caso aqui nosso,
02:47nós vamos falar do condomínio especial,
02:49do condomínio edilício,
02:51da vida em coletividade,
02:53num prédio, num condomínio
02:55em que há vários apartamentos.
02:57A pessoa, ela é proprietária exclusiva
03:00da sua unidade,
03:01da sua sala,
03:02do seu apartamento,
03:03da sua vaga de garagem.
03:05E, também,
03:06ela tem a comunhão,
03:08uma comunhão forçada pela lei,
03:10em relação às áreas comuns
03:12daquele edifício.
03:14E é neste momento que surgem aí
03:16os conflitos.
03:17Eu ia falar isso.
03:18A gente vai falar, na verdade,
03:19de BO.
03:20Quando fala condomínio,
03:22é BO.
03:23Exatamente.
03:24Nós vamos falar de alguns BOs
03:26que acontecem aí diariamente
03:28na vida cotidiana.
03:30Exatamente.
03:31A gente sabe que,
03:33num condomínio,
03:35existe ali a convenção do condomínio,
03:39que é aquele documento
03:41que rege o condomínio.
03:44Às vezes, tem o regimento interno
03:45do condomínio,
03:46que vai também estabelecer ali
03:49essas regras.
03:51Depois da convenção,
03:52é o regimento interno.
03:54Mas a gente sabe que
03:56a autoridade maior
03:58num condomínio
03:59é da Assembleia
04:00de moradores
04:01de condôminos.
04:03Sim.
04:06Aí, eu te pergunto,
04:08Cláudia,
04:09a Assembleia,
04:10ela pode impor
04:17regras
04:17que limitem
04:20o uso
04:23do imóvel
04:24que é de propriedade
04:25daquele condomínio?
04:28Sim.
04:29Nós temos ali,
04:30até poderia falar assim,
04:31depende da restrição.
04:33Nem todas as restrições
04:35são aceitáveis
04:36por Assembleia.
04:37Nós sabemos que a Assembleia,
04:39ela é o órgão máximo
04:40ali do condomínio.
04:41O síndico
04:42é o representante
04:44do ente despersonalizado.
04:45O condomínio
04:46é considerado
04:47um ente despersonalizado.
04:49E ele tem
04:50algumas prerrogativas
04:51que vêm
04:52da própria Assembleia,
04:53que vêm
04:54da convenção
04:55de condomínio
04:55ou do regimento interno,
04:57como você disse.
04:58Tem prédios
04:59que há apenas
05:00a convenção
05:00de condomínio
05:01e outros,
05:02nós temos prédios
05:03maiores
05:04que têm
05:04os dois documentos,
05:06a convenção
05:06de condomínio
05:07e o regimento interno.
05:08O fato é
05:09que,
05:10a partir dessa Assembleia,
05:11resolvem-se os B.O.s.
05:13Aqueles B.O.s cotidianos
05:15são levados ali
05:16à Assembleia
05:17para que se faça ali
05:18uma deliberação
05:19de uma restrição
05:21ou não.
05:21Qual que é o limite
05:23dessa restrição?
05:24Eu posso restringir
05:25direitos fundamentais?
05:27Não.
05:27Nós temos aí
05:28um caso
05:29que surgiu agora
05:30na mídia
05:31em setembro
05:32do ano passado,
05:33não sei se vocês
05:33tiveram oportunidade
05:34de ver,
05:35de um condomínio
05:36que impôs
05:39impôs uma norma
05:39de que o morador
05:41não poderia fazer sexo
05:43a partir das 22 horas.
05:45E, a partir disso,
05:46ele também
05:47impôs uma norma,
05:49uma multa
05:49de R$ 237,00
05:51por ato sexual.
05:53Como assim?
05:54É.
05:54Isso eu não vi, não.
05:55Esta norma,
05:56se você procurar
05:57na internet,
05:58vai vir
05:59em vários veículos
06:00de imprensa
06:01que noticiaram
06:02de tão absurda
06:03que era a coisa.
06:04E essa situação
06:06chegou ao judiciário.
06:07O condomínio
06:08pode restringir
06:10o direito fundamental
06:11daquela pessoa
06:12de um ato íntimo,
06:15privacidade,
06:15intimidade,
06:16ou não?
06:17Ele pode restringir
06:18o barulho?
06:20Neste caso...
06:21Eu ia falar isso,
06:22porque o problema aí
06:22é o barulho, né?
06:23Porque tem gente, né, gente,
06:25que exagera um pouco.
06:25E, neste caso, gente,
06:26o constrangimento
06:27foi tão grande
06:28que foram 18 reclamações
06:30dos condôminos
06:31em relação a gemidos
06:33barulhos de móveis.
06:35Meu Deus!
06:36Houve algumas situações
06:38a mais íntimas
06:39que estavam incomodando.
06:40Alguns condôminos gravaram
06:42e queriam colocar
06:43essa intimidade ali
06:44na Assembleia.
06:45Nem isso
06:46o síntico pode deixar.
06:48Porque pode ser
06:49que o próprio condomínio
06:50seja condenado
06:52a pagar danos morais, né?
06:54E rateado ali
06:55aquela despesa
06:56em relação
06:57a todos os condôminos.
06:58Os que estão reclamando
06:59vão pagar por aquilo.
07:00Exatamente.
07:01Então, assim,
07:02esse tipo de constrangimento,
07:04o que a gente quer evitar?
07:05O barulho, né?
07:07Nós temos os direitos
07:08de vizinhança,
07:08que são os três S's.
07:11Sossego,
07:11saúde e segurança.
07:13Todos nós merecemos
07:15respeito ao sossego,
07:17saúde e segurança
07:18para viver em comunidade.
07:20E no condomínio também.
07:21Então, o que eu digo?
07:23Pode ter restrição
07:24por Assembleia?
07:25Depende da restrição,
07:27desde que ela não
07:28desrespeite direitos fundamentais.
07:31E, neste caso aí,
07:33essa norma óbvia
07:34que ela caiu.
07:35Por quê?
07:36Porque ela era abusiva.
07:38Ela desrespeitava
07:39uma norma constitucional,
07:42que é o nosso direito
07:43íntimo, né?
07:44De ter, por exemplo,
07:46uma relação sexual.
07:47O que a gente não pode
07:48é ter uma relação sexual
07:51que atrapalhe toda a comunidade.
07:53Então,
07:53o que deveria ter sido?
07:55O barulho,
07:56após as 22 horas,
07:59terá uma multa.
08:00O condomínio cogitou,
08:01inclusive,
08:02a possibilidade de colocar
08:06situações para captar ruídos
08:08nos corredores.
08:10Eles queriam mais.
08:11Eles queriam Big Brother,
08:13na verdade.
08:13Eles abusaram do direito.
08:15Então,
08:15eu acredito que viver em comunidade
08:17é respeitar o próximo
08:19para que o próximo
08:20também te respeite,
08:21sem abusar do direito.
08:23Então,
08:24a Assembleia pode restringir?
08:25Pode.
08:26Mas,
08:27ela deve respeitar
08:28a lei,
08:29a Constituição
08:30e as normas gerais
08:33que envolvem
08:34toda aquela situação
08:35que eles querem proibir.
08:36Exatamente.
08:37Porque, na verdade,
08:38antes da convenção,
08:39antes da deliberação
08:40em Assembleia,
08:42existe a Constituição Federal
08:44e existe a lei ordinária,
08:46que é ali a lei
08:47que trata...
08:48O Código Civil, né?
08:49É,
08:49que trata da vida
08:51em condomínio, né?
08:52Que está no Código Civil
08:53e também tem a 4591,
08:55que ainda muita coisa
08:57funciona ali
08:57através dessa lei, né?
08:59Exatamente.
09:00Bom,
09:01e proibição de cachorro?
09:03E essa proibição de cachorro
09:05é algo bem polêmico, né?
09:06Ou se é,
09:07no meu prédio dá confusão.
09:08Dá confusão.
09:09Dá.
09:09Então,
09:10essa polêmica
09:11já chegou ao STJ.
09:13E o STJ
09:13definiu o seguinte,
09:14que a proibição
09:15genérica de cachorro,
09:17ela não é aceita.
09:19Não é proibir cachorro,
09:21não é o porte do cachorro
09:22que interessa,
09:23e sim o incômodo
09:24que aquele cachorro
09:25causa ali
09:26para toda a comunidade
09:28do prédio.
09:28Então,
09:29ficou definido o seguinte
09:30pelo STJ,
09:32pode haver a proibição
09:34se for comprovado
09:36no caso concreto
09:37um prejuízo.
09:38Então,
09:39que tipo de prejuízo?
09:40O prejuízo
09:41que também afete
09:42os três S,
09:43o sossego,
09:43a saúde
09:44ou a segurança.
09:45Se aquele cachorro,
09:46ele está gerando,
09:47ele é agressivo,
09:49ele é um cachorro
09:50que late a noite inteira.
09:51Eu tive uma amiga
09:52que ela teve que voltar
09:53de viagem,
09:54porque a síntica
09:54ligou para ela
09:55e disse,
09:55olha,
09:56o seu cachorro
09:56não para de latir.
09:58Ninguém no prédio
09:59está conseguindo dormir.
10:01Ela teve que sair lá
10:02da viagem dela
10:03para o interior,
10:04voltar.
10:05Por quê?
10:05Porque o cachorro
10:06estava incomodando.
10:07Então,
10:08aqui nós temos um problema
10:09no caso concreto.
10:10E tem cachorro
10:11que é desse tamaninho,
10:12assim, ó.
10:13Normalmente os latidores
10:14são.
10:15Lá tem muito, né?
10:17É.
10:17Então,
10:18assim,
10:18inclusive falando
10:19da restrição
10:20por assembleia,
10:21uma restrição
10:22que tem sido
10:23flexibilizada
10:24pelo STJ
10:25é aquela
10:26de que você
10:27só pode
10:28andar com o seu cachorro,
10:29com o seu pet
10:30nas áreas
10:31comuns,
10:32no colo.
10:33Então, o STJ
10:34tem entendido
10:35que isso é abusivo,
10:37tá?
10:37Por quê?
10:37Porque se ele andar
10:38no chão
10:39e se ele,
10:40por exemplo,
10:41sujar,
10:42aquele morador
10:43deverá limpar.
10:44É isso aí,
10:44aqui é o certo.
10:46É,
10:46algo normal.
10:47E que o morador
10:48deveria controlar
10:49aquele cachorro
10:50nas áreas comuns
10:51para que não trouxesse
10:52prejuízo
10:53para nenhum dos condôminos.
10:55Porque muitas vezes
10:55desce com o cachorrinho
10:56exatamente para ele
10:56poder andar
10:57numa área aberta.
10:58Isso,
10:59para ele poder...
10:59Aí vai ter que andar
11:00com ele no colo.
11:00É,
11:01exatamente.
11:02Então, o STJ
11:02tem considerado
11:03que essa proibição
11:04é abusiva.
11:06Nesse caso
11:06dos animais,
11:08quando que pode
11:08gerar uma multa?
11:09Quando ele desrespeita
11:10esses três S's?
11:12Isso,
11:12porque a multa...
11:13Que é validada,
11:14por exemplo.
11:15A multa,
11:16você entende
11:16que houve um dano,
11:18né?
11:18Então,
11:18para provar o dano,
11:20você vai ter que falar
11:20o que foi?
11:21Ah,
11:21o cachorro é agressivo.
11:22Ele está sem a focinheira,
11:25por exemplo.
11:25Quase mudeu alguém.
11:26Ele avançou
11:27numa pessoa.
11:29Ou...
11:30Não,
11:30o cachorro,
11:31ele suja tudo.
11:32Inclusive,
11:32o cachorro tem ali
11:33um problema sanitário.
11:35Nós podemos falar
11:36que existe uma doença
11:37que ele poderá transmitir
11:39para outras pessoas.
11:40Então,
11:41o latido do cachorro
11:42ninguém controla.
11:43Mas aí é complicado
11:44porque se a gente
11:44está num prédio
11:45com muitas unidades,
11:47como é que você vai provar
11:48que determinado cachorro
11:50é que tem esse problema
11:52que deixou lá.
11:53Perfeita a sua colocação
11:55porque nem sempre
11:56você vai conseguir
11:57identificar.
11:58Não tem câmera,
11:59não tem...
12:00Como é que vai regular isso?
12:01Embora,
12:02né?
12:02Nós sabemos bem
12:03que quem é incomodado
12:05pesquisa.
12:07E ele vai atrás
12:08para saber exatamente
12:10a quem apontar,
12:11para dizer,
12:12olha,
12:12é o cachorro do 301,
12:14é o cachorro do 402.
12:16O que é importante
12:17é que essa multa
12:18ela tem que ser prevista
12:20antes na convenção
12:22de condomínio
12:22ou no regimento interno.
12:24Então,
12:24não pode sair da cabeça
12:25do síntico,
12:26ah,
12:26eu estou com antipatia
12:27do cachorro do 301
12:29e eu vou multá-lo.
12:30Se não tiver descrito
12:32aquela possibilidade
12:34na convenção
12:34de condomínio,
12:35essa multa
12:36ela é indevida.
12:37Então,
12:38assim,
12:38é algo também
12:39que dá muita confusão
12:40porque a gente
12:41tem visto aí
12:42muitos sínticos
12:43autoritários
12:44que se sentem
12:46proprietários
12:46do prédio inteiro.
12:47Eles se sentem
12:48donos do condomínio.
12:49Exatamente.
12:50Inclusive,
12:51tivemos casos graves
12:52de síndico aí
12:55que se sentia
12:56dono do condomínio
12:57lá em Caldas Novas
12:58que vocês lembram,
12:59né?
12:59E chegou a matar,
13:00né?
13:01É.
13:01A condomina.
13:02A condomina.
13:03Outra coisa que,
13:04um tema que eu queria
13:05te perguntar
13:06que eu acho
13:07que está muito
13:07na moda hoje
13:08e a gente já viu
13:09várias discussões
13:10é o aluguel
13:11por temporada
13:12do Airbnb,
13:13né?
13:13Isso.
13:14A pergunta é muito simples.
13:15Pode,
13:16ou seja,
13:16a Assembleia
13:18pode,
13:18por exemplo,
13:19proibir a Assembleia
13:20ou a Convenção
13:21do Condomínio,
13:22pode proibir
13:23aluguel por temporada,
13:24Airbnb ou outra
13:25plataforma?
13:26Olha,
13:26esse tema está sendo
13:27espinhoso.
13:29E espinhoso
13:30por quê?
13:30Existem pessoas
13:31que querem
13:32que seja proibido
13:34e outras
13:34que querem
13:35simplesmente
13:36explorar
13:37o seu direito
13:38de propriedade.
13:39quando você
13:40compra
13:40uma propriedade
13:41que é algo
13:42difícil
13:42num país
13:43como o nosso,
13:44em que não
13:45há propriedade
13:46para todos,
13:47nós sabemos disso,
13:48nem as pessoas
13:48têm condições
13:49de comprar,
13:51muitas pessoas
13:51compram
13:52como investimento
13:53e o Airbnb
13:54é uma forma
13:55muito interessante
13:56de você
13:57oferir rendas,
13:58né?
13:59Inclusive,
14:00aqui no Carnaval,
14:00não sei se vocês
14:01ficaram sabendo
14:02desse fenômeno
14:03aqui em Belo Horizonte,
14:04várias pessoas
14:05saíram de suas casas,
14:07foram para casas
14:08de seus parentes
14:09para alugar
14:10o seu imóvel
14:11por temporada
14:12aqui para ganhar
14:13um dinheiro,
14:14até mesmo
14:15para sobreviver
14:16por meio
14:17da sua propriedade.
14:18Então,
14:19qual é
14:19a parte espinhosa
14:21atualmente
14:21do Airbnb?
14:23Como o Código Civil
14:24não tem
14:25nenhuma norma
14:26relacionada
14:27ao Airbnb,
14:28que é uma novidade
14:29de economia compartilhada,
14:30surgiu com a Uber
14:32e vem aí,
14:33para mim,
14:34é um caminho
14:35sem volta
14:35à economia compartilhada,
14:38nós temos
14:38uma dúvida
14:39em relação
14:39à natureza jurídica
14:40dessa transação.
14:42Seria um contrato
14:43atípico de hospedagem
14:44comparado ali
14:45a uma hotelaria?
14:47Ou não?
14:48Seria um contrato
14:49por temporada,
14:50de aluguel por temporada,
14:52regido ali
14:52pela lei do inquilinato?
14:54Então,
14:55hoje nós temos
14:55essa discussão jurídica
14:57nos tribunais.
14:58Qual seria
14:59a regra
15:00que se aplica
15:01atualmente?
15:02Eu vou explicar
15:02qual é
15:03o interesse
15:04de cada pessoa.
15:05O proprietário
15:06que quer alugar
15:07em Airbnb,
15:08ele diz assim,
15:09eu tenho meu direito
15:10de propriedade.
15:11Se eu tenho meu direito
15:12de propriedade,
15:13eu tenho os quatro poderes
15:14de usar,
15:15morar no imóvel,
15:17de gozar,
15:18então eu posso
15:19alferir rendas,
15:20eu posso arrendar,
15:22eu posso alugar,
15:23eu posso dispor,
15:25vender,
15:26doar,
15:27gravar,
15:28né,
15:28o bem,
15:29e posso reivindicar
15:31de quem justamente
15:32o detenha.
15:32Alguém que invadiu,
15:33eu posso ir lá
15:34e buscar este bem
15:36de volta,
15:36inclusive por auto-tutela.
15:38Então esses quatro
15:38poderes do proprietário
15:40é tudo que uma pessoa
15:41quer quando ela adquire
15:42um bem imóvel.
15:44Então essas pessoas
15:46proprietárias,
15:47elas defendem,
15:48isso é apenas
15:49um contrato
15:50por temporada,
15:52regido ali
15:52pela lei
15:53do inquilinato.
15:55Não há como
15:57assembleia proibir
15:58porque é a minha
16:00propriedade.
16:01É, e se você
16:01for pensar também
16:02que ao proprietário
16:04é permitido
16:05alugar aquele imóvel,
16:07a única
16:08diferente é que
16:08não vai ser pelo prazo,
16:10pelo longo período,
16:11a diferença é que vai ser
16:11pelo prazo
16:13reduzido.
16:13Isso mesmo, tá,
16:14Maria?
16:14A lei do inquilinato
16:16permite que a pessoa
16:17alugue por temporada
16:19até 90 dias.
16:20Então estaria
16:21até 90 dias,
16:23não falo mínimo.
16:24Mas nós temos
16:26o outro lado,
16:27que são os condôminos
16:28que estão alegando
16:29essa rotatividade,
16:31todo dia tem uma pessoa
16:32diferente aqui dentro.
16:33O nosso imóvel
16:36é iminentemente
16:38residencial.
16:39Logo,
16:40eu não posso ter
16:41pessoas aqui
16:42como uma hotelaria.
16:44Então, atualmente,
16:45o STJ definiu
16:46o seguinte,
16:47né,
16:48nós começamos
16:49essa guerra
16:50em 2021.
16:51O primeiro posicionamento
16:52do STJ foi o seguinte,
16:54é um contrato
16:55atípico de hospedagem.
16:57Logo,
16:58a Assembleia
16:59poderá proibir
17:01desde que
17:02ela
17:04alegue ali
17:05qual é o prejuízo.
17:06É a rotatividade?
17:08É a falta de segurança
17:09do prédio?
17:10São os incômodos
17:11de barulho?
17:13Então,
17:13tem que haver
17:14algo concreto
17:16que fale
17:17dessa proibição.
17:18Então,
17:19é algo polêmico,
17:20sabe?
17:21Nós estamos ainda
17:21no meio de uma discussão jurídica,
17:23o STJ ainda não tem
17:24pacificação
17:25em relação a isso.
17:26Então,
17:27atualmente,
17:28está valendo o seguinte,
17:29o Airbnb,
17:30ele não pode ser proibido
17:33de forma genérica
17:34por Assembleia,
17:36tá?
17:36Mas,
17:37se aquele prédio
17:38tiver destinação
17:39estritamente residencial
17:41e,
17:42se os condôminos
17:44se reuniram
17:44em Assembleia
17:45e provaram
17:46que aquele tipo
17:47de aluguel
17:48está trazendo
17:48problemas
17:50de segurança,
17:52saúde
17:52e sossego
17:53dos moradores,
17:55eles poderiam
17:56criar regras,
17:57regulamentar.
17:58Então,
17:59estamos no momento
18:00do língua jurídico,
18:02estamos naquele momento
18:03que nós precisamos
18:04de uma lei
18:04e o projeto
18:06de lei,
18:06número 4,
18:07de 2025,
18:08que fala da reforma
18:09do Código Civil,
18:10ele vem falando
18:11sobre isso,
18:12ele vem falando
18:13que a Assembleia
18:14terá o poder
18:15de proibir
18:16se aquele prédio
18:18tiver destinação
18:19exclusivamente
18:21residencial.
18:21Então,
18:22é algo espinhoso.
18:23Pois é.
18:24Não temos ainda
18:25alguma definição.
18:27A convenção,
18:28propriamente,
18:30ela é feita
18:32quando está sendo
18:33construída
18:34a edificação.
18:38Exato.
18:38Então,
18:39quem teria que
18:40colocar isso
18:41que seria um prédio
18:43específico
18:44para moradia,
18:46para residência?
18:47Então,
18:48seria lá o construtor
18:49lá atrás.
18:51Inclusive,
18:51isso em São Paulo
18:52tem ocorrido.
18:54Tem prédios,
18:55principalmente,
18:55de um quarto e tal.
18:56Eles têm feito
18:58já com a convenção
19:00prevendo que ali
19:01é um local
19:03permitido
19:04Airbnb.
19:05Então,
19:05mas você sabe
19:06que você pode
19:06alterar a convenção,
19:07Pode,
19:08mas aí é com
19:08quórum qualificado,
19:10né?
19:10Exatamente,
19:11um quórum qualificado,
19:13normalmente
19:13um quórum de dois títulos.
19:14Eu acho que
19:14não complexo
19:15porque fica também
19:16muito aberta
19:17essa cláusula,
19:19esse efeito
19:20aí de prejuízo.
19:22Porque o que pode
19:23ser prejuízo
19:23para você
19:24pode não ser
19:24para mim.
19:25Exato.
19:26Então,
19:26assim,
19:27tem que ser muito provável.
19:28Como é que você vai
19:29muito concretamente
19:31falar,
19:31sabe,
19:32da questão
19:32da segurança?
19:34Invadiram?
19:34O que fizeram
19:35para poder...
19:35Qual foi o prejuízo
19:37que aquilo realmente
19:37gerou para o condomínio?
19:39Cadê concretamente?
19:41O que foi?
19:41Eu acho muito aberto
19:42isso aí
19:43para poder
19:44ter essa cláusula,
19:46por exemplo,
19:46proibindo.
19:46Eu, particularmente,
19:48sou civilista,
19:49então defendo
19:50a autonomia privada
19:51e eu defendo
19:52a propriedade privada
19:53também,
19:53que eu acho
19:53que é algo tão difícil
19:54da gente conquistar
19:55e quando você conquista
19:57e vem esses quatro
19:58poderes para você
19:59de usar,
20:00gozar,
20:00dispor e reivindicar,
20:02a desdobrar...
20:02desdobrar...
20:03Você desdobrar a posse,
20:06por exemplo,
20:06é o seu direito
20:07de alugar,
20:08de fazer um contrato
20:09de aluguel
20:10com outra pessoa
20:11passando para ela
20:12um dos poderes,
20:13o de uso.
20:13Olha, você me paga
20:15e você usa.
20:16E o aluguel...
20:18Não é verdade?
20:19Então, eu sou adepta
20:21da teoria
20:21que seria
20:22um aluguel
20:23por temporada
20:24e que cabe
20:25ao condomínio
20:26regulamentar,
20:27criar uma segurança
20:29específica...
20:30Pode colocar normas
20:31de convivência lá dentro.
20:32Falar do mínimo,
20:33por exemplo,
20:34da rotatividade.
20:35Ó, aqui nesse condomínio
20:36vai ser um mínimo
20:37de cinco dias
20:38de aluguel
20:38por mês,
20:40sei lá,
20:40ou que cada contrato
20:41tem um mínimo ali
20:43de dias de aluguel
20:45para você ter
20:45uma rotatividade menor.
20:47As unidades alugadas
20:49terão que obedecer
20:50as regras.
20:52Isso.
20:52Eu acho que dá
20:53para conciliar
20:54os direitos de propriedade
20:55de todos.
20:56Afinal de contas,
20:56o condomínio faz isso
20:57o tempo todo.
20:58E é muito engraçado
20:59porque, por exemplo,
21:02o regulamento interno
21:03do meu prédio
21:04ele é extremamente antigo.
21:05Ele não prevê
21:06essas questões
21:07do cachorro,
21:08ele não prevê
21:08essa questão
21:09do aluguel por temporada,
21:11não fala nada disso.
21:12Inclusive lá,
21:13por exemplo,
21:14fala que eu não posso
21:15alterar a estrutura
21:16externa do imóvel,
21:18do prédio como um todo.
21:19Então eu não poderia,
21:20por exemplo,
21:21colocar ar-condicionado
21:22porque aí eu vou
21:23prejudicar a fachada.
21:24Exatamente.
21:25A fachada
21:26é um bem comum.
21:27Telhado,
21:28a fachada,
21:28o revestimento,
21:30a piscina.
21:31Tudo que é bem comum
21:33nós temos que negociar.
21:34E a fachada,
21:35por exemplo,
21:36é algo que não é negociável.
21:38Inclusive tem prédios
21:40que estão determinando
21:41cor de cortinas.
21:43Então assim,
21:44veja bem,
21:45é uma polêmica enorme.
21:47Porque vai falar
21:47a cor que eu coloco
21:49no vidro,
21:50a esquadria,
21:51tudo mais.
21:51Não,
21:52mas a cortina
21:52de dentro da minha casa,
21:54não seria invasivo
21:56esse tipo de norma?
21:57Aí todo mundo vai ser
21:58obrigado a fazer
21:59a cortina com forro
22:03idêntico
22:03para que a cortina
22:04do lado de fora apareça.
22:05Eu vi uma,
22:08ele na verdade
22:09não era nem condômino,
22:10eu acho que ele tinha
22:10acabado de alugar
22:12o imóvel
22:13e aí foi informado
22:14para ele que ele teria
22:15que colocar tal cortina.
22:17Aí ele estava lá
22:17revoltado,
22:18ele,
22:18mas por que eu tenho
22:19que colocar tal cortina?
22:20A casa é minha,
22:20eu aluguei,
22:21eu vou pôr o que eu quiser.
22:22Exatamente,
22:23a gente tem essa ideia
22:25daquilo que é nosso
22:26é absoluto,
22:28mas a propriedade privada,
22:29a gente,
22:30depois da Constituição,
22:31ela tem a função social
22:33e essa convivência
22:35em condomínio,
22:36ela tem tudo a ver
22:38com a função social
22:39do condomínio edilício,
22:41em que muitas pessoas
22:42têm que conciliar
22:44interesse comum
22:44com o interesse individual.
22:46E o locatário,
22:48quando ele está ali,
22:49como o locatário
22:50está ali na posse do imóvel,
22:52ele é condomínio.
22:53É,
22:54ele estava revoltado
22:55por essa questão
22:56de cortina mesmo.
22:57Exatamente.
22:58Podendo,
22:59inclusive,
22:59ser síndico,
23:01podendo votar
23:02se tiver com procuração
23:03do dono,
23:06então ele é um condomínio.
23:07Não,
23:08ele é um condomínio,
23:09ele está ali
23:09completamente legitimado.
23:11Exatamente.
23:12Até se ele estiver ali
23:13emprestado,
23:14porque todo o contrato
23:15de aluguel
23:16tem que ser escrito,
23:17tem que ser formal,
23:17então o contrato
23:19de aluguel,
23:20ele vem do desdobramento
23:22da propriedade,
23:23do direito do proprietário
23:25de ceder um dos poderes
23:27para outra pessoa.
23:29Mas é interessante,
23:30porque eu acho que
23:31hoje em dia
23:32o que falta é consenso.
23:34Que não tem.
23:35É,
23:35é o consenso
23:36versus a tecnologia.
23:37Por quê?
23:39Porque a minha próxima
23:39pergunta é justamente
23:40sobre um desdobramento
23:42de tecnologia.
23:42como eu acho que
23:45essa questão de propriedade
23:46é muito tradicional
23:47e de vez em quando
23:48a sociedade,
23:49sempre a sociedade
23:50às vezes é mais rápida
23:51do que essas convenções.
23:53Então eu perguntei
23:54sobre a questão
23:57especificamente
23:57de Airbnb
23:58e tem outro problema
23:59inclusive moderno
24:00nosso,
24:01que eu queria saber
24:01sua opinião.
24:02A instalação
24:05do carregador elétrico,
24:07dos carros elétricos
24:08na sua vaga
24:09de garagem,
24:11que é uma tendência
24:12na modificação
24:13para os carros elétricos.
24:14Como é que fica isso?
24:15Outro problema
24:16da tecnologia.
24:18um problema gigante.
24:19Eu fui dar uma palestra
24:21em São Paulo
24:22e veio esse questionamento.
24:25Essa pergunta.
24:25É.
24:26E por quê?
24:27Porque lá em São Paulo
24:27acabou de ser sancionada
24:29uma lei
24:30que diz o seguinte,
24:32que o condomínio pode
24:34instalar o carregador
24:35na sua vaga,
24:37mas ele tem que se preocupar
24:39com a coletividade.
24:40Então, para isso,
24:41ele precisa de um laudo técnico
24:44assinado por uma autoridade
24:46ali competente,
24:48normalmente um engenheiro.
24:49Ele precisa avisar
24:51o condomínio
24:52que ele vai fazer isso,
24:53porque outro dia eu vi
24:53na janela
24:54a pessoa pegando
24:56um carregador
24:57da janela
24:58do primeiro andar
24:59jogando
25:01para carregar
25:02o seu carro
25:03ali do lado de fora.
25:04Ainda criou caso
25:04com o síndico
25:05dizendo
25:05é a minha energia.
25:08É o meu.
25:10É individualizado.
25:11É, mas está passando
25:12aquele fio
25:12na frente de todo mundo.
25:14Mas o que ele não
25:14levou em consideração...
25:16Pela janela é muito.
25:16Já vi muitos carros.
25:17Está tendo muito direto.
25:18Não pode colocar na vaga
25:20e aí ele coloca
25:21e está lá dentro de casa
25:22e joga o fio.
25:23Às vezes ele está,
25:24por exemplo,
25:24no primeiro andar
25:25e o carro está
25:26estacionado embaixo
25:27ele liga lá
25:28na tomada dele
25:29e joga.
25:30E joga o carregador
25:32para a pessoa.
25:34O problema disso
25:35é que pode acontecer
25:37um problema
25:38na estrutura elétrica
25:40daquele prédio.
25:40Era isso que eu ia te perguntar
25:42até eu finalizar
25:43essa parte minha aqui.
25:44A sobrecarga elétrica
25:46se tiver,
25:46porque a energia
25:49apesar de...
25:50ser individualizada
25:51cada um
25:52e seu relógio.
25:53A alimentação do prédio
25:55é conjunta.
25:56Então, se alguém
25:56fizer alguma coisa
25:57dentro do apartamento
25:58que não...
25:58Pode explodir o prédio.
25:59Exatamente.
26:00E pode ser uma explosão
26:02em questão de segundos.
26:04Eu pesquisei sobre isso.
26:05Então, o que está
26:06sendo falado agora?
26:08Eu posso ser proibida?
26:10Eu, condomínio,
26:11posso ser proibida
26:12de instalar um carregador
26:13na minha vaga?
26:13Não.
26:14Eu não posso.
26:15Mas, eu devo comunicar
26:17ao síndico?
26:18Sim.
26:19Eu devo comunicar
26:19ao síndico.
26:20Eu devo apresentar
26:22um laudo técnico
26:23sobre a construção.
26:25Se eu não tiver
26:26que mexer em nada
26:27na área comum,
26:28todo aquele custo
26:29é do condomínio
26:31interessado.
26:32Mas, se não,
26:33se tiver que fazer uma...
26:35Se, por exemplo,
26:36o condomínio falar
26:37não, eu quero
26:38fazer um investimento,
26:39porque várias pessoas
26:40estão comprando
26:41carros elétricos
26:42e eu vou colocar
26:44vários carregadores.
26:45Aí, seria uma despesa
26:46rateada.
26:47Seria até mais interessante, né?
26:49Sim.
26:50É mais fácil
26:50de ser fiscalizado.
26:51Para os prédios antigos,
26:52como Tamara disse,
26:53tem uma certa dificuldade nisso.
26:55Tem que chamar
26:56a companhia elétrica
26:58para dar uma vistoria
26:59e verificar
27:00se aquele prédio
27:01é compatível,
27:02se aquela rede elétrica
27:04naquele momento
27:04está preparada.
27:06Caso não,
27:06nós temos ali
27:07uma diligência
27:08da companhia elétrica.
27:10Então, assim,
27:11é um procedimento
27:13que é complexo.
27:15E a gente tem
27:16que pensar também,
27:17por exemplo,
27:17igual se for colocar
27:19para o condomínio
27:19e ratear para os condôminos,
27:21tem que ver direitinho,
27:22porque, por exemplo,
27:23nem todo mundo
27:24vai ser adepto
27:24a esse carregamento.
27:26E aí, eles vão pagar
27:27por algo que não vão usar?
27:29E aí, tem...
27:29É outro B.O.
27:31É outro B.O.
27:32Mas aí,
27:33eu tenho ali
27:34uma justificativa.
27:35Quem faz isso hoje
27:37em um condomínio,
27:38o que é que ele está fazendo?
27:39Ele está valorizando
27:40a propriedade
27:41de todos.
27:41Que é uma tendência.
27:42Não é irreversível.
27:45É uma tendência
27:46e, queira ou não,
27:47você está valorizando.
27:48Aqui neste prédio,
27:50nós já temos
27:50carregadores elétricos
27:52para...
27:53Na garagem, por exemplo.
27:55Eu acho que fica
27:55mais ou menos igual, assim.
27:56Eu moro no primeiro andar
27:58e o prédio tem elevador.
27:59É.
28:00Ou piscina, por exemplo.
28:01Você nunca vai na piscina.
28:02Eu não vou usar o elevador,
28:03mas e aí?
28:05Ninguém escolhe, né?
28:06Dividir o elevador,
28:07dividir piscina.
28:08Não tinha pensado
28:08no elevador, não.
28:09É.
28:10Exatamente.
28:11Então, assim,
28:12essa história
28:12do carregador elétrico
28:14ainda precisa,
28:15ainda demanda lei.
28:17E nós estamos vendo isso aí,
28:18leis estaduais
28:20estão sendo criadas.
28:21Até o momento,
28:22eu só sei
28:23da lei de São Paulo,
28:24mas os estados
28:26estão aí
28:26se movimentando
28:27para regulamentar.
28:29Você falou uma coisa
28:29muito certa.
28:30Primeiro vem os fatos,
28:32depois vem a norma jurídica,
28:34para regulamentar
28:35a vida em sociedade.
28:37Eu acho que o único problema
28:37no Brasil é que
28:40quase,
28:40a maioria das vezes,
28:42primeiro vem os fatos,
28:44mas é a demora
28:45a lidar com aqueles fatos.
28:46Parece que quando o negócio
28:47chega num nível insuportável,
28:49onde que o judiciário
28:50é obrigado a decidir,
28:51aí você já começa
28:52a ter decisões.
28:53Não era,
28:55eu acho que de vez em quando...
28:56Não é natural, né?
28:57Eu sempre falo com meus alunos,
28:58de vez em quando,
28:58um dos poderes
28:59que mais nos falta
29:00é o poder legislativo.
29:01Uma lei sempre é muito melhor
29:04que uma decisão judicial.
29:05Eu sempre falo.
29:06A lei, ela...
29:07Bom, assim,
29:08fazendo o que...
29:08Uma lei pensada,
29:09trabalhar, discutir.
29:11Uma lei, ela é pensada,
29:13ela trabalha todas as questões
29:15e ela...
29:16Pelo menos deveria ser sim.
29:17Deveria ser sim, né?
29:19Mas ela ainda é melhor
29:20com a decisão,
29:20porque cada...
29:21Cada um vai ter...
29:22É igual o STJ, né?
29:23Eles brigam lá
29:24entre as turmas.
29:26A terceira turma
29:27e a quarta turma
29:28sempre ali estão divergindo,
29:29que é algo saudável também.
29:31Mas o que você disse
29:32é muito pertinente,
29:33porque num país civil law
29:35em que a lei
29:36é a principal fonte do direito,
29:38nós somos acostumados
29:39à lei, né?
29:40Ao respeito da lei.
29:41Embora os princípios
29:42sejam normatizados hoje,
29:44mas nós verificamos
29:45que quando há uma lei,
29:47as pessoas tendem
29:48a respeitar
29:50de uma forma mais, assim,
29:51Ela traz...
29:52Na minha opinião,
29:53ela traz mais paz
29:54do que as decisões,
29:55muitas vezes.
29:56Verdade.
29:57E, Cláudia,
29:58e seguindo mais ou menos
29:59nessa linha,
30:00a gente tem a questão, né?
30:02Um dos S's,
30:04que é a questão da segurança,
30:05e a implementação,
30:07muitas vezes,
30:07forçada da questão
30:09da biometria, né?
30:10Muitas vezes,
30:11às vezes,
30:11facial,
30:12às vezes,
30:12a digital,
30:14inclusive das visitas.
30:16Exatamente.
30:16E aí,
30:16como é que faz?
30:19É obrigatório?
30:20Eu sou obrigada
30:20a acatar
30:21se o condomínio
30:21estabelece
30:22que é necessário
30:23a biometria?
30:25Eu sou obrigada a acatar?
30:26Você não é obrigada
30:27a acatar.
30:28E por quê?
30:29Porque os nossos dados,
30:32principalmente biometria,
30:34de controle facial,
30:36de íris,
30:37são dados sensíveis
30:39pela LGPD,
30:41a Lei Geral
30:41de Proteção de Dados.
30:43Eu ia falar,
30:43era a minha próxima pergunta,
30:45se não afrontava isso.
30:46Nós temos o direito
30:47de propriedade.
30:48Imagine bem,
30:49você, Tamara,
30:49você é a proprietária,
30:51você vai ser impedida
30:53de entrar na sua propriedade
30:55porque você não forneceu
30:57os seus dados sensíveis?
30:59Então, assim,
30:59não faz o menor sentido.
31:01Então, o que o condomínio
31:02tem que fazer?
31:03Ele tem que trazer
31:04alternativas.
31:06Então, tokens
31:06no condomínio
31:07da minha mãe,
31:08por exemplo,
31:08existem pessoas
31:09que se opuseram
31:11a liberar os seus dados.
31:13E aí,
31:13o que eles fizeram?
31:15Eles fizeram tokens
31:16e também senhas
31:18porque lá não tem porteiro.
31:20Então, não tem a identificação
31:21por meio de um funcionário.
31:23Então, neste caso,
31:24também seria uma nova opção.
31:26Então, você não é obrigado.
31:28Hoje em dia,
31:29com esses dados,
31:29eles podem acessar
31:30as nossas contas bancárias,
31:33podem fazer transações,
31:36podem entrar no seu EGOV,
31:38podem fazer uma série
31:39de situações não desejáveis.
31:41Então, os nossos dados sensíveis,
31:44para que eles sejam liberados,
31:45eles têm que ter
31:46o consentimento prévio,
31:49esclarecido,
31:50transparente
31:51e temos que saber exatamente
31:53se aqueles dados
31:54estão sendo seguros,
31:56tratados com toda a segurança
31:57da informação.
31:59É isso aí
32:00da pau para a manga
32:01dentro do condomínio.
32:02Sim.
32:04E outra coisa, né,
32:05que a gente já começou
32:06a levantar aqui,
32:07é a questão,
32:08porque você falou
32:09que o síndico,
32:10ele é o representante
32:12aí dessa assembleia.
32:14Mas ele não é dono, né?
32:15Ele não é dono do prédio.
32:17Então, qual que é o limite
32:18do síndico?
32:19Vai ser estabelecido ali
32:20por assembleia?
32:21Como é que funciona?
32:22Até onde o síndico pode ir?
32:25O síndico,
32:26como representante
32:27do condomínio,
32:29ele tem prerrogativas,
32:31deveres e também
32:33obrigações.
32:34Então, ele tem o dever
32:35de administrar o prédio,
32:37então ele pode, né,
32:39ele pode fazer despesas
32:40que são de conservação,
32:42que nós chamamos ali
32:43de benfeitorias necessárias,
32:45sem nenhuma autorização,
32:47afinal de contas,
32:48ele está ali para isso,
32:49para cuidar do condomínio,
32:50mas, para que ele faça
32:52benfeitorias úteis
32:54e voluptuárias,
32:55aquelas de mero deleite,
32:57de luxo,
32:58ele tem que pedir
32:59autorização da assembleia.
33:01Então, é até justificável, né?
33:03Para que ele não tenha
33:04essa liberdade,
33:05não se sinta tão proprietário
33:07do prédio assim.
33:09Então, ele pode aplicar multas,
33:11desde que as multas
33:12estejam previstas ali
33:14na convenção de condomínio
33:16ou no regimento interno.
33:17Então, ele tem ali
33:18um poder de ação
33:20previsto pelo Código Civil
33:21para ter a manutenção
33:23da vida em coletividade,
33:25mas nada que extrapole ali
33:27essa condição.
33:29Então, ele não pode
33:30criar normas,
33:31ele não pode inventar
33:33da cabeça dele,
33:34ele não pode ter
33:34aquele viés autoritário.
33:36Caso ele tenha,
33:37inclusive,
33:37ele pode ser destituído
33:39dessa função de síndico
33:42pelos demais moradores.
33:43O síndico representa.
33:46Exato.
33:47Ele não é dono
33:48da vida de ninguém.
33:49O síndico tem que ser
33:51um mediador, né, gente?
33:52É.
33:52Eu entendo que hoje,
33:54no momento que nós estamos
33:55vivendo aí de tanto ódio,
33:57de tantas pessoas
33:58que querem impor
34:00os seus interesses,
34:01a sua vontade individual
34:04em relação à coletividade,
34:05o síndico, eu acho que
34:07no primeiro momento,
34:07ele tem que ser mediador.
34:09E só depois que ele tem
34:11que agir com mais energia,
34:14firmeza,
34:15mas tudo de acordo
34:16com a conversa.
34:16É por isso que é bom
34:17que o condomínio tenha ali
34:19o síndico,
34:20mas tenha também ali
34:21os membros do conselho fiscal
34:23que vão ajudar
34:24a pôr essas limitações.
34:27Exato.
34:27O subsíndico, né?
34:29Normalmente,
34:30tem que ser escolhidos ali
34:31pessoas que têm
34:33esse viés da conversa,
34:35que não têm
34:36comunicação violenta,
34:37que não têm antipatias, né,
34:39com o homem mais morador.
34:41Para que ele consiga ali
34:43ter uma liderança perfeita.
34:45Ai, Claudinha,
34:46você acredita que o nosso tempo
34:46já está acabando?
34:47Oh, que pena.
34:48Esse tempo é tão bom.
34:50Só para finalizar aqui,
34:53Sim.
34:56Por exemplo,
34:57pode-se
35:00excluir judicialmente
35:02um morador?
35:03O famoso condomínio
35:05antissocial.
35:08O dificultoso.
35:09todo mundo ingrato.
35:10É, exatamente.
35:11Aquele que todo mundo
35:12no condomínio odeia.
35:14Inclusive,
35:14várias situações
35:15que nós citamos aqui
35:16pode levar
35:17a essa característica
35:19de condomínio antissocial.
35:21Por exemplo,
35:22existe aquela proibição
35:24do Airbnb.
35:25E aí,
35:26aquele morador,
35:27ele insiste, né,
35:29e fala,
35:29a propriedade é minha
35:30e eu vou alugar.
35:31Em vez de ir ao justiça
35:32para tentar, né,
35:33afastar aquela norma,
35:35não, ele vai na mar,
35:36ele pode ser tratado
35:37como condomínio antissocial.
35:39Então,
35:40o condomínio antissocial
35:42é aquele que reiteradamente
35:44prejudica a saúde,
35:45o sossego
35:46e a segurança
35:46dos demais condôminos.
35:48Então,
35:49como que ocorre
35:49essa situação?
35:50Primeiro,
35:51o condomínio
35:52pode se utilizar
35:53da multa progressiva.
35:55Então,
35:55ele começa
35:56com uma multa
35:56de cinco
35:58até cinco
35:59condomínios,
36:00depois ele pode chegar
36:01a dez condomínios,
36:03valores de condomínio,
36:04de multa,
36:05e pode chegar, sim,
36:07a levar a situação
36:09para a assembleia
36:10e por três quartos,
36:12um quórum de três quartos,
36:14aquela assembleia
36:14pode definir
36:16por entrar na justiça
36:17para afastar o condomínio
36:20antissocial
36:21de sua propriedade.
36:22Mas que fique claro,
36:23ele não perde
36:24a propriedade dele,
36:25ele simplesmente perde
36:26o direito de uso,
36:28ele precisa mudar dali.
36:30Ele pode alugar,
36:31ele pode arrendar,
36:33ele pode fazer
36:34o uso da propriedade
36:35de outra forma,
36:36mas ele pode ser afastado,
36:38sim.
36:39E nós temos o PL4
36:41que vem falando
36:43muito sobre isso,
36:44sobre o afastamento
36:45do condomínio
36:46antissocial.
36:48Mas ainda que seja,
36:50por exemplo,
36:50o único bem dele,
36:52a única moradia dele,
36:53a única moradia dele.
36:55O que se afasta ali, Tamara,
36:57é a convivência.
36:59Então, ele pode,
36:59por exemplo,
37:00alugar aquele imóvel
37:01e ir perturbar as pessoas
37:04em outro condomínio.
37:06Até se retirar,
37:07seja,
37:08até se retirar
37:09de volta
37:09um antissocial.
37:11E só por uma curiosidade,
37:12uma vez,
37:12um aluno me perguntou,
37:13professora,
37:14condomínio,
37:14condomínio antissocial,
37:16quer dizer que se ele
37:17não conversar com ninguém,
37:18ele será punido?
37:20Eu falei,
37:20não, não, querido,
37:22não é isso.
37:23O antissocial,
37:24aquele que não gosta
37:25de pessoas,
37:26não é essa característica
37:28de condomínio,
37:28esse que não gosta
37:29de regra,
37:30é aquele que desrespeita
37:34reiteradamente as regras,
37:36a ponto de se tornar
37:37uma pessoa não grata
37:39ali naquele,
37:39que não gosta das regras.
37:41Ai, Cláudia,
37:42se deixasse a gente
37:43ficava aqui.
37:44Pois é.
37:44Mais e mais e mais,
37:45mas o Léo já está de lá
37:46me dando sinal,
37:48sinais,
37:49sinais e sinais.
37:50O Léo corta o nosso barato.
37:51Ele corta o nosso barato.
37:52É bom que vocês
37:53terão que me convidar novamente.
37:55Lógico.
37:56Lógico.
37:57É uma conversa
37:57que nunca acaba.
37:58Nunca acaba.
37:59Muito obrigada.
38:00Muito obrigada.
38:01Eu que agradeço.
38:02E contamos com você.
38:03Foi um prazer
38:04revê-los.
38:05Gente,
38:06Tamara,
38:07fala aí das nossas redes sociais
38:08e depois,
38:08primeiro você fala
38:09da sua,
38:10como é que as pessoas
38:11fazem contato com você?
38:13Ah, sim.
38:13A minha rede social
38:14é
38:15Cláudia
38:16Underline
38:16Viegas
38:1777.
38:18Será um prazer
38:19que vocês venham me seguir.
38:21Aí.
38:22E aí, pessoal,
38:24aproveitando,
38:24vocês têm que seguir a gente
38:25no Instagram lá,
38:28no arroba
38:28direitos simples assim
38:29ADV,
38:30a nossa coluna
38:31aqui no EM Digital
38:32e a gente tem
38:34a nossa página
38:34lá no Facebook,
38:36embora em desuso,
38:37o Facebook
38:38cada dia que passa
38:38mais em desuso,
38:39mas a gente tem lá também.
38:41Então,
38:41venha participar com a gente
38:43aqui também,
38:44no portal UI,
38:45através do YouTube.
38:47Venha
38:48consumir o nosso conteúdo
38:49que é um conteúdo.
38:50E dá joinha.
38:51E dá joinha, né, gente?
38:52Por favor.
38:53Compartilhar.
38:54Porque é um conteúdo
38:55de relevância.
38:56E hoje,
38:57por exemplo,
38:58é de relevância
38:59pra você aí
39:00que mora em condomínio.
39:01Então,
39:02fica de olho
39:02que a gente tem
39:03muita informação bacana
39:04por aqui.
39:05Então,
39:05ficamos por aqui, pessoal.
39:07Tchau, tchau.
39:08Tchau, tchau.
39:09Tchau, tchau.
39:11Tchau, tchau.
39:13Tchau, tchau.
39:14Tchau, tchau.
39:16Tchau, tchau.
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