00:00O secretário de defesa dos Estados Unidos, o Pete Hexet, afirmou que não foram os americanos que deram início à
00:06guerra, mas que vão encerrá-la dentro dos termos deles. Vamos ouvir.
00:11Nós não começamos essa guerra, mas dentro do governo de Donald Trump, nós vamos terminá-la.
00:17Nós vamos acabar com isso nas condições dos Estados Unidos primeiro, com o presidente Donald Trump mandando e ninguém mais.
00:25Bom, gente, vamos seguir o nosso 3 Eu, inclusive, com os nossos comentaristas Alangani.
00:29Eu quero te ouvir, porque hoje, um pouco mais cedo, estava lendo a sua coluna no site Jovem Pan.
00:34Eu estou te prestigiando, né? Estou dando likes.
00:36Obrigado, obrigado.
00:38Inclusive, eu gostei muito de um trecho que você diz o seguinte, em que o próprio, você faz uma análise
00:43interessante sobre o que pode acontecer a partir de agora.
00:46Porque, querendo ou não, o próprio Estados Unidos tem ali um poder de fogo, um arsenal de mísseis, pelos próximos
00:5215, 20 dias.
00:53E caso não consiga, pelo menos, derrubar o regime iraniano dentro deste prazo, Donald Trump precisa escolher o caminho que
00:59é seguir.
00:59Assumir uma derrota, que isso acaba enfraquecendo ele político e geopoliticamente, ou então dobrar a aposta.
01:06O que seria uma incursão terrestre?
01:08E para fazer uma incursão terrestre lá no Irã, precisaria gastar e muito.
01:12E é tudo que a população norte-americana não quer.
01:15Como é que você analisa esse cenário daqui para frente?
01:18Olha só, Cássio, exatamente o grande dilema de Donald Trump.
01:22Então, ele tem mais ou menos aí de 15 a 20 dias para resolver esta guerra, de acordo com uma
01:28reportagem do Financial Times,
01:30baseada no serviço de inteligência de Israel, que diz que os Estados Unidos teriam ali um estoque de mísseis para
01:38mais ou menos esse período.
01:39Duas a três semanas.
01:40Estados Unidos, muitas vezes, quando a gente pensa num país e tal, com o poder bélico dos Estados Unidos,
01:46como se fosse infinito, como se tivesse uma produção infinita.
01:50E não é assim. No mundo real, você tem estoques. Demora para você fazer um míssil.
01:56Portanto, a expectativa de Donald Trump é a queda do regime neste prazo.
02:02Então, tudo vai depender da resiliência do Irã.
02:05Se ocorrer essa queda do regime, bombardeios e aí uma dissidência interna, aí o Donald Trump sai vitorioso.
02:14Agora, se o regime não cair dentro de 15 a 20 dias, aí é um baita problema para os Estados
02:21Unidos.
02:21Por quê?
02:22Porque o Trump assume uma derrota e assumir uma derrota seria falar política e geopoliticamente para o seu eleitor que,
02:32olha, eu fracassei, eu gastei dinheiro lá, tem midterms no meio do ano.
02:37E aí é claro que o Partido Democrata vai explorar isso contra o Trump.
02:41Diga-se de passagem, membros do Partido Democrata pró-guerra, mas vão justamente utilizar isso de maneira bastante até hipócrita
02:51para pedido de impeachment, para desgastar o governo de Donald Trump.
02:56E corre um sério risco de ele perder nas midterms.
02:59Ou ele escala e fala, bom, não vou assumir a derrota e vamos para o tudo ou nada, incursão terrestre.
03:06Só que daí tem um problema.
03:07Os Estados Unidos estão hoje com déficit fiscal próximo de 6% a 7% do PIB.
03:12Um endividamento de 125% do PIB.
03:15Num momento em que a China reduz posições em relação aos Estados Unidos,
03:21tem comprado menos títulos da dívida norte-americana, pelo contrário, tem comprado ouro,
03:26tem falado para os bancos não comprarem títulos da dívida norte-americana
03:30e o Japão está numa crise econômica, que também reduz a compra,
03:34que são os principais financiadores da dívida norte-americana,
03:36reduz a compra de títulos nos Estados Unidos.
03:38Só que daí uma guerra, o que vai acontecer?
03:40Você gasta muito numa guerra.
03:42Como é que você vai justificar para a sua população que, olha,
03:45eu estou numa incursão terrestre, gastando horrores,
03:50e a população reclamando que o custo de vida está elevado,
03:53que é o principal problema hoje lá nos Estados Unidos.
03:56Com uma crise do petróleo, que poderia vir uma crise do petróleo,
04:00ao meio do preço do petróleo, que pega ainda na inflação.
04:02Então vai ser muito difícil você justificar isso para a população norte-americana
04:05e com um agravante.
04:08Foi promessa de campanha do Trump não se meter em nenhum conflito no Oriente Médio.
04:13Ogani, até a gente indo além em relação a isso,
04:15o próprio presidente Donald Trump, quando assumiu novamente a Casa Branca,
04:19ele falou, quero ser um resolvedor de guerras,
04:21e sim acabar com essa despesa que ele estava criticando,
04:24o governo antigo de Joe Biden, que despejava muito dinheiro na Ucrânia,
04:29em outros conflitos, que isso tinha que ser revertido para a população norte-americana.
04:33Então ele acaba, de certa forma, fazendo um contrassenso
04:35às próprias promessas de campanha.
04:37E ele mesmo, ali, acabou reivindicando o Nobel da Paz
04:41como um grande solunciador de conflitos,
04:43mas, na verdade, ele acaba entrando em outros.
04:45A gente viu há pouco o que aconteceu, né?
04:46A invasão na Venezuela, agora os ataques no Irã
04:50e essa promessa dele de resolvedor de conflitos
04:52ficou bastante no passado.
04:55Zé Maria Trindade, eu quero te ouvir em relação a isso,
04:57porque todas essas estratégias, ou pelo menos essa leitura
05:00que o Alan Gani trouxe, tem um custo político muito grande
05:03para Donald Trump, inclusive internamente,
05:07onde ele, de certa forma, acaba se enfraquecendo
05:09perante aquele eleitor que votou nele
05:11e que é contra os Estados Unidos, além de despejar dinheiro,
05:15e sim, forças militares em conflitos em outras regiões.
05:20Todos os analistas falam sobre a dificuldade
05:24de um governante entrar em guerra,
05:26porque ele sabe exatamente das dificuldades que enfrentará
05:29e sabe muito bem que não é fácil um retorno, né?
05:35E o Alan fala muito bem sobre a economia da guerra.
05:39Os Estados Unidos sempre estão em guerra
05:42e é uma cultura norte-americana.
05:45Lá existe uma indústria da guerra.
05:48A indústria bélica norte-americana fatura muito, né?
05:51Então é um país que sempre tem que privilegiar a guerra
05:55e um dos poucos que tem o Ministério da Guerra
05:57em vez do Ministério da Defesa.
05:59Se você anda pelas cidades norte-americanas,
06:03Washington, por exemplo, você vê um culto à guerra, né?
06:07Agora, só que a novidade desse processo
06:10é que o presidente dos Estados Unidos
06:13está de uma forma muito mais, digamos assim,
06:16agressiva nesse processo.
06:18E todas as guerras norte-americanas
06:21são guerras fora do seu território.
06:25Isto, de certa forma, é mais confortável.
06:28Sempre é assim.
06:29Você faz uma guerra, vocês têm guerra com vários países, né?
06:33Mas fora do seu território.
06:35Hoje, entrar nos Estados Unidos está muito complicado.
06:38Há um alerta máximo sobre a possibilidade
06:41de ataques terroristas e assim por diante.
06:44Isso tem um custo interno.
06:46Não é só o armamento, mas a defesa é cara
06:50e esse alerta é muito caro também.
06:53São mais plantões, são mais gastos com profissionais
06:56e assim por diante.
06:57Se imagina o grau de segurança hoje
06:59para qualquer prédio público nos Estados Unidos.
07:04Mas é o custo da guerra, a economia da guerra.
07:07Está mudando isso.
07:09Está mudando o eixo do pensamento global
07:13e as relações internacionais.
07:15E eu, antes, eu já achava imprevisível
07:19a guerra econômica travada por Donald Trump.
07:22Eu imagino agora a imprevisibilidade
07:25do que vai acontecer daqui para frente.
07:27Isso está desencadeando um novo momento,
07:30um mundo muito mais bélico, né?
07:32Os países todos, inclusive a Europa,
07:35estão investindo mais em defesa, né?
07:41Ou guerra, do que em áreas sociais, por exemplo.
07:44Isso é uma mudança na humanidade
07:48que vinha até então deixando um pouco de lado
07:51esses investimentos aí em defesa.
07:54Ô Piper, não quero te ouvir também
07:55porque, querendo ou não,
07:57o próprio presidente dos Estados Unidos,
07:58Donald Trump, ele deu um prazo ali, né?
07:59De quatro semanas na tentativa de resolver
08:02este conflito.
08:03Mas, ao mesmo tempo, ao longo desse tempo,
08:06a gente não há uma definição
08:07de qual será o futuro do Irã.
08:09Quem vai governar o país agora?
08:10Quem vai comandar?
08:11É claro que é uma linha de sucessão.
08:13Mas, todos os nomes que foram apontados
08:15como possíveis líderes supremos
08:17têm, pelo menos, uma característica
08:19de ser ainda mais anti-Ocidente
08:21que a Lika Menei.
08:22Ou seja, teríamos aí militares radicais à frente,
08:25o que pode tensionar ainda mais
08:27esses conflitos.
08:28Você acredita que Donald Trump
08:29acabou entrando nessa batalha
08:31e agora vai ter que correr contra o tempo?
08:34Em relação a tudo que você falou, né?
08:36Como diria o filósofo Mané Garricha,
08:39é preciso combinar com os russos,
08:41no caso, os iranianos.
08:43Ou seja, se não se tem ideia
08:47de quem vai governar o país,
08:49como é que se pode prever
08:51que o conflito vai ter uma, duas ou cinco semanas
08:54caso, por exemplo, o regime caia?
08:56Ninguém sabe o que vai acontecer.
08:58É uma zona cinzenta.
09:00Porque, veja, o que o professor Gunter,
09:03o Zé Maria e o Alan disseram
09:07acabam, de certa forma,
09:08provocando muitas reflexões.
09:11Cada um abrangendo um tópico
09:14desse conflito tão complicado
09:17e que pode jogar o mundo
09:19numa enrascada danada.
09:20O Alan fala da economia da guerra.
09:23Então, nessas próximas semanas,
09:26que em algum dia,
09:27não sei se agora de março ou abril,
09:28eu vi até um anúncio em jornal,
09:30vai haver um evento aqui em São Paulo
09:32com a presença do Norial Rubini.
09:34O doutor Catástrofe.
09:37Um economista que eu adoro.
09:38O Alan sabe disso.
09:39E o Rubini insiste o seguinte.
09:42Teremos, em breve,
09:43uma nova grande crise mundial
09:45e a nova crise será
09:46a crise do endividamento.
09:48Todo mundo deve.
09:49Todos os governos devem.
09:51Uns mais, os outros muito mais.
09:53E devem muito, né?
09:55E devem muito.
09:55E as dívidas aumentam
09:59em progressão geométrica.
10:01Ora, se todo mundo está devendo,
10:03como é que todo mundo
10:05pode encontrar uma solução
10:07para dever menos com uma guerra?
10:09É óbvio que isso não vai acontecer.
10:10A guerra implica em custos.
10:13Outra coisa,
10:13se a guerra dura, por exemplo,
10:15um mês,
10:16como o presidente Trump estimou,
10:18veja,
10:19um mês é o tempo suficiente
10:20para as cotações do petróleo
10:22fazerem assim,
10:23100 dólares.
10:24Que é o que tem muita gente
10:25prevendo hoje.
10:26Aí, até cair ao patamar,
10:29ao nível da semana passada,
10:31não vai bastar só mais um mês.
10:33Demora para subir de elevador
10:35e para descer de escada.
10:37Resultado,
10:38inflação para todo mundo.
10:40E depois não vem o BC
10:41dizendo que,
10:42vá, vamos controlar a inflação
10:43com taxa de juros.
10:44Não.
10:45Esse é o tipo da inflação
10:46exportada e que,
10:48aliás, importada
10:49e que não tem jeito.
10:50Outra coisa,
10:52o que eu abordava
10:54com o professor
10:55e ele se mostrou
10:57um crítico dos iranianos
10:58e tal,
10:59mas ele implicitamente
11:01admite uma coisa.
11:02Em 2010,
11:03quando o Irã já tinha
11:04bastante urânio enriquecido,
11:07então,
11:07portanto,
11:08a luz amarela
11:09foi acesa,
11:10aí houve a negociação
11:11que depois foi abandonada
11:13lá com o Brasil e a Turquia,
11:15mas cinco anos depois
11:16fechada por Obama
11:17e naquele momento
11:19o que se convencionou
11:21que o enriquecimento
11:24do urânio iraniano
11:25seria fora do país.
11:27E o acordo foi desfeito.
11:29Então,
11:29quando o acordo foi desfeito
11:30depois da primeira administração,
11:32Trump,
11:33é óbvio que dá margem
11:35para que se aumentem
11:36as desconfianças,
11:37mas quebrou
11:38aquela garantia anterior
11:39de que isso seria feito
11:41fora do Irã.
11:42portanto,
11:43não em níveis
11:44para se fazer
11:45artefatos nucleares.
11:47Agora,
11:47a outra
11:51fibravata
11:51sobre isso aí
11:52é de que o Irã
11:53está há um mês,
11:54há 15 dias,
11:55há seis meses
11:56de fazer a bomba.
11:57Ora,
11:57se o Irã,
11:58em 2010,
11:59ele estava na iminência
12:00de fabricar a bomba,
12:01como é que ele não fabricou
12:03até hoje?
12:03Porque não tinha
12:04um programa
12:05tão desenvolvido assim.
12:06Ele tem um programa
12:08muito desenvolvido
12:09de mísseis
12:10e os mísseis do Irã
12:11já estão fazendo
12:12alguns estragos
12:14lá pela região
12:14e vejam,
12:15é o Irã sozinho.
12:16O Irã sozinho
12:17já acertou Israel,
12:19já acertou Embarcação,
12:21Doha,
12:21quer dizer,
12:22então é preciso realmente
12:23tomar cuidado com isso.
12:24Mas olha só
12:26a enrascada
12:26que colocaram o mundo.
12:28Exatamente,
12:29inclusive,
12:29Piperno,
12:29uma das justificativas
12:31por parte
12:31do próprio governo
12:33Donald Trump
12:33foi isso,
12:34a questão de um ataque
12:35preventivo
12:36devido a um risco
12:38iminente
12:38de ameaça do Irã.
12:40Ou seja,
12:40algo concreto
12:41mesmo ali
12:42não foi,
12:43tanto que não foi
12:43consultado o Congresso
12:44dos Estados Unidos,
12:45não obtiveram
12:46uma autorização
12:47por meio do Congresso
12:47e amanhã o Congresso
12:49vai discutir esse assunto
12:50na tentativa
12:51de limitar
12:51os poderes de guerra
12:52de Donald Trump.
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