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Zügel für Portugals Rechtspopulisten – doch zu welchem Preis? Wahlduell bei The Ring

In dieser Folge von The Ring, aufgezeichnet an der Nova School of Business and Economics in Lissabon, geht es um den Ausgang der Präsidentenwahl in Portugal und was er für das Land und für Europa bedeutet.

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00:18Untertitelung des ZDF, 2020
00:30Untertitelung des ZDF, 2020
01:00Untertitelung des ZDF, 2020
01:32Untertitelung des ZDF, 2020
02:16Untertitelung des ZDF, 2020
02:16Carlos Coelho, político português e antigo membro do Parlamento Europeu pelo Partido Popular Europeu, por mais de duas décadas.
02:23Ao assinalar os 40 anos da adesão de Portugal às comunidades europeias, Coelho, que ficou conhecido como Mr. Schengen, sublingou
02:30a importância histórica desse momento para o país e para a União, afirmando que
02:33a adesão à União Europeia valeu a pena, vale a pena e continuará a valer a pena, com o empenho
02:38de todos.
02:39E defendendo que as celebrações devem lançar-se menos para o futuro, um reflexo da sua visão de um Portugal
02:45ativo e comprometido no projeto europeu.
02:47André Franqueira Rodrigues, deputado europeu português do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, representa Portugal no Parlamento Europeu
02:56desde 2024
02:57e tem dedicado uma parte significativa do seu trabalho às políticas agrícolas e ao futuro da política agrícola comum,
03:04defendendo que esta não pode perder substância nem financiamento adequado.
03:07Em janeiro de 2026, Rodrigues alertou que a agricultura não pode ser um detalhe do orçamento europeu,
03:13enfatizando a importância de um apoio orçamental robusto e regras justas para garantir a sustentabilidade do setor e a coesão
03:20territorial.
03:22Carlos Coelho, André Franqueira Rodrigues, muito obrigado, seja bem-vindos ao The Ring.
03:28Vamos começar com uma leitura dos resultados das eleições.
03:32Ora, António José Seguro foi o Presidente mais votado sempre da história da democracia portuguesa,
03:38numa candidatura unipessoal, no entanto, os partidos estão a fazer, a disputar a leitura dos resultados.
03:44André, vamos começar por si.
03:45Quem é que sai mais forte destas eleições, o PS ou o Governo?
03:50Olá Mariana, agradeço o convite, cumprimentar também o meu Carlos Coelho, cumprimentar as pessoas lá em casa que acompanham.
03:55Eu julgo que quem sai mais forte em primeiro lugar é mesmo a democracia portuguesa e as instituições democráticas
04:00que, confrontadas com perfis de candidatos muito diferentes, com projetos e visões do país também muito diferentes,
04:07escolheram a união em vez da divisão, escolheram a sobriedade em vez da berraria e escolheram responsabilidade em vez de
04:14aventura.
04:15Naturalmente, também penso que o líder do PSD errou.
04:18Errou quando escolheu um candidato que não federava o seu próprio campo político,
04:21errou mais uma vez quando equiparou António José Seguro e André Ventura como dois extremos,
04:27e errou uma última vez ao dizer que nada muda com os resultados eleitorais destas eleições.
04:33Carlos, concorda?
04:34Luís Montenegro errou.
04:36Não, eu acho que antes de mais muito boa tarde, muito obrigado pelo convite,
04:40e é um prazer estar aqui com o André.
04:44O PSD tinha um candidato próprio e na primeira volta apoiou esse candidato.
04:49Acho que isso é perfeitamente normal.
04:50Como é perfeitamente normal que na segunda volta, face às oportunidades que se apresentavam,
04:57a grande maioria dos dirigentes do PSD tivessem apoiado António José Seguro.
05:01Acho isso completamente normal.
05:03Acho, aliás, que a expressão da vitória quantitativa de António José Seguro,
05:08como disse bem o mais votado de sempre, dois terços dos portugueses,
05:14dão uma expressão de consenso nacional a esta vitória eleitoral.
05:20E também a circunstância de nós, quando temos um Parlamento,
05:23vamos ser completamente sinceros, com uma maioria sociológica à direita,
05:29termos eleito um presidente de esquerda,
05:31eu acho que faz algum sentido à tese dos ovos.
05:35Houve uma noção de equilíbrio que os portugueses quiseram escolher,
05:39e não foram os portugueses por uma escassa maioria,
05:42foram mais de dois terços dos portugueses que encontraram essa solução.
05:45Eu acho que isso é positivo para o país.
05:47Mas, de qualquer forma, o Governo sai enfraquecido destas eleições,
05:51é que Luís Montenegro apelou ao voto em Luís Marco Pernantes na primeira volta
05:56e não apoiou António José Seguro.
05:59Não, o que apoiasse Luís Marco Pernantes era o normal,
06:02era o candidato que saía do PSD, assim como teria sido normal que mais cedo
06:06o Partido Socialista tivesse apoiado António José Seguro e não o tivesse feito tão tarde.
06:10Agora, o que eu acho sinceramente é que aquilo que distingue António José Seguro
06:16do seu adversário na segunda volta é o apreço pelas instituições
06:19e o valor da estabilidade política.
06:22E, sob esse ponto de vista, o Governo não tem nada a que recear,
06:25porque António José Seguro, se estou certo, vai ser o campeão
06:29da estabilidade e de respeito pelas instituições.
06:31No entanto, é inegável do crescimento, a democracia ficou a ganhar,
06:37mas no entanto é inegável do crescimento da extrema-direita em Portugal.
06:41Qual dos dois partidos, o PS ou o PSD, tem mais responsabilidade neste cenário?
06:47A esquerda, que não respondeu ao descontentamento social,
06:50ou a direita, que não ofereceu uma alternativa convincente?
06:53Carlos.
06:54Não sei agora, é muito fácil fazer o passa-culpas.
06:58Mas, no Governo do Partido Socialista, que antecedeu estes governos da AD,
07:03houve, algumas vezes, uma atitude, eu digo, de comprometimento com o Chega,
07:08na medida em que, ao escolherem o Chega como principal adversário,
07:13deram-lhe um destaque mediático, viu-se isso na Assembleia da República,
07:16viu-se no debate político, que eu acho que não foi muito inteligente.
07:20Agora, concordo, no fundo, com a razão que estava subjacente à sua pergunta.
07:24Eu acho que aquilo que permite o espaço do crescimento da revolta nos descontentes
07:30à volta de projetos como a extrema-direita ou a extrema-esquerda,
07:33é a circunstância dos partidos do regime não terem respostas para os cidadãos.
07:37Se resolvemos os problemas das pessoas, há menos espaço de crescimento para os extremos.
07:41Concordo, André.
07:42Concordo que se resolvermos e tivermos soluções para o problema da maioria das pessoas,
07:46há menos espaço para ressentimento e para descontentamento eleitoral.
07:50Agora, eu julgo também importante que não haja qualquer equívoco relativamente
07:54à posição das diferentes forças políticas.
07:56O Partido Socialista, no Governo e fora dele, está nos antípodas dos valores que defende o Chega.
08:02E julgo que o próprio PSD, na componente social-democrata que ainda tem no Partido,
08:06também se encontra nos antípodas.
08:08O que é um bocadinho um infortunio é nós verificarmos que atualmente nós temos
08:13um chefe do Governo e um líder do PSD que não é, nesse sentido, muito fiel à história
08:18e à matriz social-democrata que nós estávamos habituados a ver neste Partido Fundacional da Democracia.
08:23E é por isso que nós temos também de atender aquilo que foi a resposta das pessoas.
08:27E as pessoas têm alguma razão em estar descontentes porque não encontram um conjunto de respostas
08:33para problemas como a habitação, para problemas que se sentem na área da saúde,
08:37mas é preciso também não deixar passar a mensagem de que os 50 anos,
08:40a narrativa de que os últimos 50 anos foram negativos e representam um retrocesso no nosso país,
08:45tem que ser combatida porque não representa minimamente a verdade histórica.
08:49Montenegro devia ter apoiado António Jair Segura nesta segunda volta.
08:54O líder do PSD achou que, não estando o PSD ou um candidato seu presente na segunda volta,
09:02devia ter uma atitude de neutralidade.
09:04Eu respeito essa posição.
09:06Mas também não o impediu que vários dirigentes, eu próprio, a doutora Leona Beleza e outros,
09:13tivessem manifestado o seu apoio a António Jair Segura.
09:16E é compreensível que José Luís Carneiro tente capitalizar esta vitória para o PS?
09:21Eu julgo que é perfeitamente compreensível que o secretário-geral do Partido Socialista,
09:26aliás, como todos os socialistas, estejam satisfeitos com esta vitória,
09:29que, repito, há uma vitória, em primeiro lugar, de António Jair Segura,
09:33e é uma vitória das Forças Democráticas.
09:35Aliás, eu quero saudar todos aqueles que, à direita do PS, na segunda volta,
09:39não tiveram qualquer tipo de equívoco, nem tiveram nenhuma insegurança em manifestar,
09:43como é o caso do Carlos Coelho, em manifestar o apoio ao António Jair Segura.
09:46Eu julgo que isto é positivo, porque quando está em causa um discurso que é disruptivo
09:50relativamente às instituições democráticas, nós não podemos ter qualquer tipo de hesitação,
09:55e lamento que o líder do PSD tem equivalido, quer o António Jair Segura, quer ainda o André Ventura.
10:02Acho que isto não foi um bom serviço que o Luís Rodrigo prestou à democracia e ao PS.
10:05Houve vários outros.
10:07Recordo o Luís Marques Mendes, que apoiou claramente o António Jair Segura na segunda volta.
10:13Recordo o pessoal que estava a receber, o doutor Paulo Portas.
10:15Por isso, não sei exatamente por saudar as personalidades de direita que o fizeram.
10:19Várias pessoas de áreas diferentes, mas que estiveram nessa linha.
10:23E a expressão dos dois terços é o resultado disso.
10:26Concordo e absoluto.
10:27Senhores, vamos seguir em frente.
10:29António Jair Segura herda um país politicamente diferente dos seus antecessores,
10:33portanto uma Assembleia tripartida.
10:36Nós vamos ter que nos habituar a governos minoritários nos próximos tempos.
10:40Essa é uma realidade que nós estamos a ver na Europa toda.
10:43Portanto, a polarização e a fratura nos Parlamentos,
10:46a criação de más soluções que passam por coligações
10:50e menos por partidos sozinhos nos governos,
10:53já se tem notado nos últimos anos na Europa.
10:56Não é de agora.
10:57Em Portugal chegou um bocadinho mais tarde.
10:59Se calhar temos que viver com isso.
11:00Mas que são, por norma, governos mais fracos.
11:04Eu não digo que são governos mais fracos.
11:06São governos que têm mais problemas de coesão.
11:09Alguns têm mais problemas porque há tensões internas
11:13quando há vários partidos no governo.
11:15Isso é relativamente normal.
11:17Outros têm maior estabilidade.
11:19Agora, isso não me preocupa muito.
11:22O que me preocupa é que, face a essa realidade,
11:25precisamos de mais soluções nas políticas,
11:28e na política portuguesa também,
11:29que levem a consensos, levem a compromissos,
11:33levem à capacidade das pessoas de trabalharem
11:35umas com as outras e não uns contra os outros.
11:37Isso supõe que os governos sejam capazes de dialogar,
11:40mas que o Presidente da República também ajude a isso.
11:42Muito bem, nós terminamos aqui o primeiro round.
11:45Vamos agora dar início ao segundo.
11:49Agora é hora dos nossos telespectadores terem uma ideia
11:52de como é que são feitos os debates no Parlamento Europeu,
11:56onde os deputados se desafiam diretamente um ao outro
11:59e, como tal, os senhores vão poder fazer perguntas difíceis neste momento.
12:04Vamos começar pelo André.
12:05Qual que é seu?
12:06Eu gostaria de perguntar ao Carlos Coelho,
12:08que é uma pessoa consensual, moderada,
12:11se não ficou impressionado com a lógica apaziguadora
12:15de Luís Montenegro face ao líder do Chega nestas últimas eleições.
12:18Relembrando, aliás, a frase do Winston Churchill,
12:20que dizia que apaziguar alguém radical
12:23era como alimentar um crocodilo na esperança de ser o último a ser devorado.
12:27Não acha que Luís Montenegro corre o risco
12:29de ser devorado pelo Chega
12:31com tanto apaziguamento como foi o caso destas últimas eleições?
12:34Eu não vejo a portuguesa um pouco como o fosso dos leões
12:38no colisão na Roma Antiga.
12:39Agora, o que eu acho, em abono da coerência com aquilo que estava a dizer há pouco,
12:44eu acho que é necessário haver respeito institucional.
12:48E André Ventura é dirigente de um partido com uma expressão muito grande
12:52na Assembleia da República e, neste momento,
12:53o segundo maior partido na Assembleia.
12:56Portanto, eu creio que o Primeiro-Ministro,
12:57ao falar com o Presidente desse partido,
13:01deve ter respeito por aquilo que ele representa.
13:02Como fez António José Seguro no debate da segunda volta,
13:06quando o debate arriscava-se a resvalar,
13:09ele disse vamos respeitar,
13:11porque eu amanhã, como Presidente da República,
13:13vou ter de respeitar como Presidente o chega.
13:15Eu acho que essa atitude faz a diferença.
13:16Carlos, agora a pergunta é sua.
13:19Eu queria perguntar ao André, ao Sr. Deputado,
13:23como é que ele vê a realidade das eleições?
13:26Isto é, em Portugal nós elegemos um europeísta,
13:28António José Seguro, que sempre foi um europeísta à sua vida,
13:31e ainda é membro da direcção da nossa Europa.
13:35Vai deixar de ser quando assumiu funções como Presidente da República.
13:38Agora, noutros países não é assim.
13:40Eu pergunto como é que vê a evolução das políticas nacionais,
13:45por exemplo, na Hungria e na França.
13:48Vejo com muita preocupação, para responder diretamente,
13:51aliás, num fenómeno que tem sido cada vez mais agravado,
13:54de recuo das democracias liberais,
13:56e de aumento das figuras autocráticas.
13:58Nós temos vindo a assistir, nos últimos 15 anos,
14:01a este movimento de aumento de autocracias,
14:04diminuição das democracias liberais.
14:05E é por isso que é importante, julgo eu também, no nosso país,
14:08termos uma pedagogia que contraria aquela que é a narrativa
14:11que se procura espalhar, de que com a democracia,
14:14o Estado sai mais fragilizado,
14:15e as pessoas têm menores soluções do que aquelas que tinham.
14:19E é por isso que penso que, um pouco por toda a União Europeia,
14:22nós temos que fazer um caminho, no sentido de privilegiar o fortalecimento
14:27das instituições democráticas,
14:28e sabendo de nós que há eleições em oito países na União Europeia este ano,
14:32o que eu espero é que as forças moderadas,
14:34quer do centro-esquerda, quer do centro-direita,
14:36possam prevalecer nestes combates eleitorais,
14:38a bem da União Europeia.
14:40André, próxima pergunta também só.
14:42Eu gostaria de saber, na opinião do Carlos Coelho,
14:45que é uma figura incontornável da história do parlamentarismo português
14:50no Parlamento Europeu, se tivesse que escolher dois dossiers relevantes
14:55para o Presidente da República terem consideração
14:58nesta nova configuração e nos novos desafios que a União Europeia tem pela frente,
15:02que dossiers escolheria nos quais Portugal não pode efetivamente falhar?
15:07Carlos.
15:08O André tem mais conhecimento na matéria agora,
15:11porque está no centro do jogo político no Parlamento Europeu.
15:13Mas se eu tivesse que escolher dois dossiers,
15:16escolhia em primeiro os recursos próprios da União.
15:19A União tem um problema de subfinanciamento.
15:22Não é possível fazermos mais omeletos com menos ovos.
15:26E, portanto, encontrar novas fontes de rendimento,
15:31novas fontes de financiamento, é essencial.
15:33O discurso e a narrativa dos recursos próprios têm que estar na primeira linha.
15:37E eu sou suspeito, porque durante muitos anos acompanhei essas áreas
15:41no Parlamento Europeu, mas acho que o cerne de alma do projeto europeu
15:46está na liberdade de circulação, está na capacidade de nós sermos cidadãos
15:50em qualquer espaço da União.
15:52Podemos viajar, podemos estabelecer, podemos estudar, podemos fazer aquilo que quisermos
15:58e sermos tratados como cidadãos e não como imigrantes.
16:01Olha, a análise...
16:02O Carlos teve um papel relevante.
16:05Fui o Sr. Schengen durante alguns anos.
16:07A análise dos desafios do espaço Schengen hoje, salvar o espaço Schengen que está ameaçado,
16:14creio que é outra prioridade que deveríamos eleger na Europa.
16:17Muito bem, Carlos.
16:18A próxima pergunta é sua.
16:21O André é membro de duas comissões muito importantes na agricultura e nas pescas
16:26e acompanhou aquilo que aconteceu com o Mercosul.
16:29O Parlamento Europeu adiou na prática a ratificação do Mercosul.
16:33E a pergunta que lhe faço é como é que vê isso?
16:35Qual é a razão que leva uma maioria parlamentar a afirmar-se
16:39quando aquilo que seria lógico seria a Europa diversificar as suas pontos comerciais?
16:44Mas, face à situação geostratégica que vivemos até com aliados,
16:48nossos aliados há muitos anos,
16:50não faz nenhum sentido, em meu ver,
16:53estarmos a prejudicar o acordo com o Mercosul.
16:55Como é que vê esta equação e como é que justifica a decisão do Parlamento?
16:58Vejo com muita preocupação, como o Carlos certamente sabrá,
17:01sou um defensor da necessidade da União Europeia
17:05redesenhar as suas políticas de aliança,
17:07de reforçar a sua presença noutras geografias
17:09e um acordo que está há 25 anos a ser negociado,
17:12a União Europeia, sobretudo numa fase em que temos uma tensão
17:16cada vez mais latente nas relações transatlânticas,
17:19só tem a ganhar e assinar acordos como o Mercosul
17:21e como aquele que assinou quer com a Índia
17:23e aqueles que estão em preparação agora no futuro com a Tailândia e com a Austrália.
17:27Julgo por isso que a União Europeia está numa situação difícil,
17:30por um lado, com esta pressão geopolítica,
17:32mas, por outro lado, isto significa que temos aqui uma oportunidade
17:35e uma oportunidade que o Parlamento, no meu entendimento,
17:39não aproveitou ao adiar a decisão relativamente
17:42ao Mercosul, parece-me que não faz justiça
17:45ao trabalho que tinha sido realizado ao longo do tempo,
17:48é negativo para a União Europeia,
17:50é negativo para a União Europeia
17:51e também é fruto de muita desinformação.
17:54Aqui também se nota a importância da desinformação
17:57na influência que tem nas decisões políticas.
17:59Mas eu gostava agora de introduzir uma nova voz
18:01a este debate, até porque estas eleições não acontecem
18:04num vazio e o que se passa em Portugal
18:06é importante para a Europa
18:08e, como tal, os sinais internos são seguidos com atenção em Bruxelas.
18:17Foram vários os líderes europeus que enviaram os parabéns
18:20a António José Seguro pela vitória.
18:22Um deles foi António Costa,
18:24Presidente do Conselho Europeu e passo a ler
18:26Felicito António José Seguro pela sua eleição
18:29como Presidente da República Portuguesa
18:31e desejo-lhe os maiores sucessos
18:33no exercício do seu mandato.
18:34Os portugueses demonstraram hoje
18:36o seu apreço pela democracia,
18:38reafirmando Portugal como um pilar
18:40do humanismo europeu.
18:42Carlos, António Costa fala do apreço
18:44dos portugueses pela democracia.
18:46A democracia esteve, de facto, em causa
18:48nestas eleições?
18:49Olhando para aquilo que estava em causa,
18:51parece-me evidente que o candidato que ganhou
18:54é mais portador dos valores democráticos,
18:58do pluralismo, do consenso, do respeito,
19:02do que o outro.
19:03E, portanto, só esse ponto de vista
19:04pode-se dizer que ganhou a democracia.
19:06André, durante anos Portugal foi citado
19:08como uma exceção à vaga populista na Europa.
19:12Ainda continuamos a ser essa exceção?
19:14Eu julgo que os números desmentem
19:15o carácter de excepcionalidade que Portugal
19:17teve nos últimos anos, infelizmente.
19:19Agora, o que me parece importante
19:20é que nós consigamos encontrar soluções
19:23dentro das instituições democráticas,
19:25dentro do espaço político da moderação,
19:28para responder às inquietudes
19:29e às preocupações dos portugueses.
19:31E também julgo que o Estado tem aqui
19:33um papel importante,
19:34que é um papel de combater a desinformação
19:36e impedir que ela mine por completo
19:38o debate público.
19:39E julgo que esta é uma das causas
19:41e feito relativamente ao declínio
19:44que nós temos assistido na democracia
19:45um pouco por toda a União Europeia.
19:47Muito bem, muito obrigada, meus senhores.
19:48Nós vamos ter que fazer um pequeno intervalo,
19:50mas voltamos já a seguir
19:51com mais um duelo político.
20:02Olá e sejam bem-vindos ao The Ring,
20:05o programa de Euronews,
20:06onde os vozes mais influentes
20:07da política europeia
20:08debatem as grandes questões da atualidade.
20:11Desta vez, numa edição especial,
20:13gravada a partir da nova
20:14School of Business and Economics
20:16em Lisboa.
20:17Com a participação de Carlos Coelho
20:19e André Franqueiro Rodrigues,
20:20a quem eu agradeço já a participação.
20:23Ora, meus senhores,
20:24António José Seguro herda um país
20:26que, apesar de um desempenho macroeconómico,
20:29vive a braços com uma grave crise da habitação.
20:32Por isso, pedi agora a vossa ajuda
20:34na leitura deste próximo gráfico
20:36que vamos passar.
20:37Segundo o Eurostat,
20:38os preços da habitação em Portugal
20:40registaram uma das subidas
20:41mais acentuadas da última década.
20:43Entre 2015 e 2024,
20:47o preço das casas aumentou 143%,
20:50enquanto o salário médio bruto
20:52queixou apenas em 36%.
20:54Ora, o tempo não atenuou esta tendência,
20:56os preços voltaram a subir em 17,2%
20:59no segundo trimestre de 2025.
21:02Por isso, resumindo,
21:04Portugal foi o país que liderou
21:05a subida dos preços da habitação
21:07na União Europeia,
21:08seguido da Bulgária e da Hungria.
21:11Ora, Carlos,
21:11que leitura é que faz destes números?
21:12Bem, faço duas leituras.
21:14Primeiro, uma leitura de urgência.
21:17Nós temos realmente
21:18um problema de habitação em Portugal,
21:19isso é sabido,
21:21não tem novidade nenhuma,
21:22o que obriga os poderes públicos
21:23a ter respostas.
21:24É necessário aumentar
21:25a resposta pública da habitação,
21:27é necessário facilitar a aquisição,
21:29é necessário facilitar o mercado
21:30de arrendimento,
21:31mas temos que ter soluções concretas
21:33que envolvam o Estado Central
21:35e que envolvam as autarquias locais.
21:37Mas a segunda questão,
21:39para mim é clara,
21:40creio que o André concordará,
21:41é que hoje o problema da habitação
21:43não é apenas um problema nacional,
21:45isto é,
21:45não há só um problema de habitação em Portugal,
21:47há na França,
21:48há na Espanha,
21:49há na Estónia,
21:50há na Alemanha,
21:51ele é diferente
21:53em função de cada país,
21:55mas pode-se dizer
21:56que todos os países da Europa
21:57estão confrontados
21:58com o problema de habitação,
21:59ou seja,
22:00há espaço para uma resposta
22:02ao nível europeu,
22:03à escala europeia,
22:04que ajuda os governos nacionais,
22:07às vezes as autarquias locais,
22:08a dar resposta a este problema.
22:10André, mas eu gostava de ouvir
22:11a sua opinião
22:12sobre se o crescimento
22:13dos votos em André Ventura
22:14nestas eleições
22:16for um reflexo
22:17da satisfação
22:17da franja mais jovem
22:19da população.
22:20Eu gostaria de acrescentar
22:21a este dado que referiu
22:22um outro dado,
22:23é que os jovens portugueses
22:25são também,
22:25no cúmputo da União Europeia,
22:27daqueles que saem
22:28mais tarde de casa,
22:29exatamente porque têm
22:30essa dificuldade
22:31de encontrar habitação acessível,
22:33o que dificulta
22:33é muito a emancipação jovem,
22:35a constituição da família,
22:36enfim,
22:37o seu projeto de vida.
22:38E por isso julgo
22:39que esta é uma matéria
22:40que é urgente
22:41no nosso país,
22:42mas como disse
22:42e bem o Carlos,
22:43não se circunscreve
22:44ao nosso país.
22:45Razão pela qual
22:46no Parlamento Europeu
22:47estamos mesmo
22:48a avançar
22:49com um programa
22:50para habitação acessível,
22:52apesar da habitação
22:53não ser competência
22:54exclusiva
22:55da União Europeia,
22:55há uma percepção clara
22:57de que a União Europeia
22:58tem que fazer mais
22:59e tem que fazer mais depressa
23:01no sentido
23:01de ter soluções
23:03complementares
23:03para apoiar
23:04e resolver
23:05uma crise
23:06que se está a espalhar
23:07pelo continente
23:07e que depois tem
23:08um impacto social
23:09e eleitoral
23:10muito profundo
23:11porque há um descontentamento
23:12cada vez mais generalizado
23:13e se nós olharmos
23:14para aquilo que tem sido
23:15o resultado eleitoral
23:16um pouco de todos os países
23:17da União Europeia,
23:17verificamos que os mais jovens
23:19são aqueles que se deixam
23:20seduzir mais facilmente
23:21pela crítica
23:22e pelo ressentimento
23:23porque também
23:24se percebe que não têm
23:25visto soluções
23:26para os problemas
23:26com os quais estão confrontados.
23:28Mas neste tema
23:29para a resolução
23:29destes problemas
23:30PSD e PS
23:33não estão de acordo, certo?
23:35Em que sentido?
23:35Não estão de acordo
23:36nas medidas a serem tomadas,
23:38por exemplo,
23:38a liberalização do mercado.
23:39Há um conjunto de medidas
23:41que é preciso também
23:42ter noção,
23:42não há uma varinha mágica,
23:44não há soluções instantâneas
23:46que possam resolver
23:47de imediato o problema.
23:49Agora, esta é uma área
23:50que tem que ter soluções
23:51que são,
23:52em certa medida,
23:53mistas,
23:53quer na lógica
23:54do mercado de arrendamento,
23:55quer na lógica
23:56do incentivo à habitação,
23:58na questão relacionada
24:00com a bonificação dos juros,
24:02na melhoria de oferta
24:04do parque público habitacional,
24:05no qual o nosso país
24:06é dos países
24:07que têm um parque
24:08habitacional público
24:09mais reduzido
24:10no contexto europeu.
24:11Portanto,
24:12nós temos que fazer
24:12mais para responder
24:13aos problemas
24:14das pessoas,
24:15mas também temos que falar
24:15a verdade aos portugueses
24:17e perceber que,
24:18por mais que se faça,
24:19não se vai conseguir
24:20resolver um problema
24:21que foi-se acumulando
24:22ao longo de anos
24:23num curto espaço de tempo.
24:24Concorda com estas propostas
24:26feitas pelo PS?
24:28Não, eu acho que
24:29é desejável
24:31que, sobretudo
24:31no plano de ação
24:32da República,
24:33haja a capacidade
24:34de aproximar posições
24:35entre os diversos partidos,
24:37incluindo entre o PS
24:38e o PSD,
24:38e o mesmo
24:39no Parlamento Europeu.
24:40Ou seja,
24:40quer na resposta nacional,
24:42quer na resposta
24:43ao nível europeu,
24:44é essencial
24:45que haja
24:45um consenso alargado.
24:46Porquê?
24:47Porque o ciclo político
24:48das legislaturas,
24:49seja a legislatura nacional,
24:51seja a legislatura europeia,
24:52é mais curto
24:53do que a eficácia
24:55destas medidas.
24:55Ou seja,
24:56estamos a falar
24:56de medidas
24:57com alcance temporal
24:58que ultrapassam a legislatura.
25:00Portanto,
25:00tem que haver um compromisso
25:01entre partidos diferentes.
25:02Meus senhores,
25:03estamos quase no final
25:04do nosso programa,
25:05mas não vamos embora
25:07sem passar
25:08ao nosso quinto
25:09e último round.
25:13Ora,
25:14neste round
25:15nós vamos introduzir aqui
25:16mais rapidez
25:18nas perguntas,
25:18vão ser perguntas
25:19de resposta
25:21sim ou não,
25:22sem qualquer justificação.
25:24É possível?
25:24Muito bem,
25:25vamos a isso.
25:26A mesma pergunta
25:26para os dois,
25:27vamos a isto.
25:28Começamos com o Carlos.
25:29Carlos,
25:30estas eleições
25:30são um ponto de viragem
25:31para Portugal,
25:32sim ou não?
25:33Todas as eleições
25:34são, sim.
25:35André?
25:35Sim.
25:36André,
25:37André Ventura
25:38é o líder da direita?
25:39Não.
25:40Não.
25:41O bipartidarismo acabou?
25:43Não.
25:44Não.
25:44Os portugueses
25:46usaram estas eleições
25:47para castigar
25:47os partidos
25:48de centro-direita
25:49e de centro-esquerda?
25:51Talvez.
25:52Não.
25:54Há hoje
25:55maior distância
25:56entre os eleitores
25:56e os partidos tradicionais?
26:00Talvez.
26:01Sim.
26:02Os partidos
26:03têm de repensar
26:03a forma como fazem política?
26:05Sim.
26:06Sim.
26:06O primeiro-ministro
26:08devia ter apoiado
26:09António José Seguro
26:10na segunda volta?
26:11Só depende dele.
26:12Sim.
26:13José Luís Carneiro
26:15deve apoiar o Governo
26:16até o final da legislatura?
26:18Depende das circunstâncias.
26:19Vamos a ver.
26:21Era desejável
26:21que o fizesse.
26:22Com este resultado
26:23o Presidente eleito
26:24tem um mandato
26:24mais forte
26:25do que o próprio Governo?
26:27São legitimidades diferentes.
26:29Sim.
26:31O crescimento
26:31das forças populistas
26:32em Portugal
26:33preocupa bocheadas?
26:34Muito.
26:35Bastante.
26:36O contexto de guerra
26:38na Europa
26:38exige um Presidente
26:39mais interventivo?
26:40Sim.
26:42Sim.
26:43Portugal deve alinhar
26:44100 reservas
26:45com a estratégia
26:45de defesa europeia?
26:49Talvez.
26:50É mais complexo
26:51que um senhor ou não.
26:51Eu subscrevo,
26:53talvez.
26:54Última pergunta.
26:56Algum dos senhores
26:57mudou de opinião
26:58ao ouvir
26:59o seu adversário?
27:01André.
27:02Carlos Coelho
27:03é uma pessoa
27:03do campo moderado,
27:04portanto,
27:05não me dei de opinião.
27:06Temos pontos de convergência
27:07que são bastante maiores
27:08do que aquele
27:09que muitas vezes
27:09acontece mediaticamente
27:11entre as nossas
27:11forças políticas.
27:12Eu acho que quem sabe
27:13ouvir aprende sempre
27:14quando fala com pessoas
27:16inteligentes.
27:16É seguramente o caso.
27:18Meus senhores,
27:18muito obrigada.
27:19Isto era um round
27:21de sim ou não.
27:22Tivemos aqui vários,
27:23talvez,
27:24mas de qualquer forma
27:25não posso deixar
27:26de agradecer
27:27a vossa análise.
27:29Obrigada a si
27:29por nos que esteve
27:30desse lado
27:30e nos fez companhia.
27:32Se quiser deixar
27:32as suas sugestões
27:33ou comentários,
27:34inscreva-nos
27:34para
27:35thering
27:35arroba
27:36euronews.com
27:38Da nossa parte
27:38é tudo.
27:39Fique bem,
27:40tenha uma ótima semana.
27:43Tchau, tchau.
27:44Tchau, tchau.
27:47Tchau.
27:53Tchau, tchau.
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