00:00Lela, obrigado pelo seu comentário, já já a gente volta a conversar sobre outros destaques da nossa política,
00:06porque olha só, gente, entrevista exclusiva à Jovem Pan, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema,
00:10elogiou outros governadores da direita e afirmou que vão se unir para o segundo turno das eleições presidenciais. Vamos ouvir.
00:19Nós somos governadores bem avaliados, cada um no seu estado vai trazer mais votos do que qualquer outro traria
00:30e vamos transferi-los no segundo turno. Então a direita está unida, ela tem um diferencial com relação à esquerda,
00:40tem vários bons candidatos e a esquerda, nós sabemos, só tem um candidato há 40 anos que já passou da
00:48hora de aposentar.
00:49E olha, o governador de Minas Gerais negou o enfraquecimento da direita nas eleições deste ano. Vamos ouvir.
00:58Está muito indefinido ainda o que vai acontecer em Minas. O que nós temos já de concreto é o meu
01:07vice-governador, o Matheus Simões.
01:10Bom, gente, o próprio Romeu Zema trouxe essa questão envolvendo a direita em relação também aos votos
01:19da própria candidatura dele, apoiando o Flávio Bolsonaro no segundo turno.
01:24Por isso a gente vai conversar com o Vilela agora para repercutir essas falas de Romeu Zema.
01:28Ô, Vilela, o próprio Zema deixou claro que ele vai permanecer com a sua candidatura, pelo menos a presidência da
01:34República
01:35e em caso de um segundo turno ele estará ao lado de Flávio Bolsonaro.
01:39Como é que você avalia também essa questão que o Zema falou?
01:42Olha, a esquerda só tem um candidato há 40 anos, não há um outro, pelo menos Lula acabou, de certa
01:48forma, monopolizando esse cenário
01:50e à direita há uma pulverização muito grande.
01:53Você vê isso como um fator positivo ou até mesmo negativo, já que os eleitores também podem se pulverizar?
01:59Olha, é um fator positivo à medida que nós temos um processo eleitoral de dois turnos
02:05e que absolutamente nenhum dos candidatos, pelo cenário que se desenha e que todas as pesquisas demonstram,
02:13terá condições de ganhar no primeiro turno.
02:14Então, se nós tivermos um cenário onde surge uma candidatura Zema, uma candidatura do PSD, uma candidatura do PL,
02:22a tendência é que esses nomes estejam juntos num segundo turno
02:27para poder juntos se confrontar à candidatura mais forte que existe hoje, que é a do presidente Lula.
02:33Então, nesse sentido, me parece que a fala de Zema é bastante adequada.
02:37Por outro lado, não se pode deixar de lado a fortaleza que é o presidente Lula do ponto de vista
02:42eleitoral.
02:43O presidente Lula, ele realmente é o político com maior força, com maior densidade política.
02:50Ele tinha a figura de Jair Bolsonaro, que talvez fosse o único nome que se aproximasse,
02:55que rivalizasse do ponto de vista eleitoral.
02:58Agora, o presidente Lula, de fato, ele tem essa capacidade, esse carisma, essa capacidade de angariar votos
03:05e que realmente qualquer tarefa que for feita para suplantar o atual presidente tem que ser feito com bastante estratégia,
03:13pensando nos pontos fracos e pensando em construir, especialmente pontos de apoio ao centro.
03:20Não adianta olhar apenas para os eleitores do lado direito ou do lado esquerdo
03:25e deixar de lado o verdadeiro pêndulo que vai decidir a eleição, que é o eleitor de centro.
03:31Virela, inclusive quando a gente fala de Minas Gerais e também em relação às eleições presidenciais,
03:37sempre tivemos grandes candidatos no nível, numa capilaridade, numa popularidade muito grande,
03:44mas há um vácuo muito grande, se eu não me engano, desde Aécio Neves,
03:47de um candidato que tivesse uma força muito grande.
03:50O Romeu Zema vai fazer agora oito anos à frente do governo de Minas Gerais,
03:54mas não ganhou essa projeção que ele imaginava, ou até mesmo que todos nós imaginávamos.
04:00Tanto que ele aparece nas pesquisas ali como um candidato na NICO, um, dois, três por cento.
04:05Você também vê esse vácuo muito grande de um Estado que sempre foi muito importante para a política nacional?
04:11Pois é, é uma questão de perfil, né?
04:13Talvez Zema, ele não tenha esse perfil de uma liderança, de uma figura carismática,
04:19de uma figura que tenha essa força, especialmente no segmento político.
04:24Nesse sentido, dá para a gente até fazer uma comparação com Cláudio Castro,
04:27que nós falamos há pouco em relação ao Rio de Janeiro.
04:30Zema, ele é um nome que vem do segmento empresarial,
04:33e ele veio com um discurso de antipolítico, com um discurso de não política.
04:38E acabou, naturalmente, sendo eleito, sendo reeleito,
04:42permanecendo aí quase oito anos como governador do Estado,
04:46mas em momento algum ele construiu esse leque de liderança.
04:49E, com isso, acaba realmente fazendo com que haja um certo vácuo na política local.
04:56O Aécio Neves se enfraqueceu nos últimos anos,
04:59nós temos candidatos do próprio PT que se enfraqueceram também,
05:03Pimentel, outros nomes acabaram perdendo força,
05:06e com isso abre o espaço para candidaturas novas.
05:09Nomes como de Cleitinho, por exemplo, que é um nome novo,
05:12Rodrigo Pacheco, que é um nome novo também,
05:15ainda não se candidatou para uma eleição de governador do Estado.
05:19Então, se percebe que talvez haja uma troca de gerações,
05:22uma mudança geracional na política de Minas Gerais.
Comentários