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Em 2025, o Brasil repetiu sua pior nota no Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional. O país ficou na centésima sétima colocação entre 182 nações avaliadas.

O diretor-executivo da TI Brasil, Bruno Brandão, analisou o novo relatório.

Madeleine Lacsko e Duda Teixeira comentam:

#CorrupçãoNoBrasil #Politica #Brasil2026

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Transcrição
00:00Olha, gente, o Brasil repetiu a pior nota no índice de percepção da corrupção que é elaborado pela Transparência Internacional.
00:11É a centésima sétima colocação entre 182 países avaliados.
00:19Vamos dar uma olhadinha nessa imagem que a gente tem aqui sobre o ranking.
00:23Olha lá, o ranking da Transparência Internacional, a gente tem essa primeira imagem, mostra os que estão bem, ali ao
00:32lado esquerdo, olha lá, Finlândia, Singapura, muita gente não pensa em Singapura, hein, Noruega, Nova Zelândia, vejam só, Suíça, Suécia,
00:45Luxemburgo, Holanda e Islândia.
00:49O Brasil tirou a nota 35 de 100, está na posição 107 de 180 e nós vamos receber, para tratar
01:03desse assunto, o diretor executivo da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão.
01:09Bruno, seja muito bem-vindo aqui, uma boa noite para você.
01:14Boa noite, Madeleine, boa noite, Duda, é um prazer falar com vocês.
01:19Olha, Bruno, vou começar pela pergunta que é o básico do básico.
01:24Explica para a gente como é que mede corrupção.
01:28Porque para o cidadão comum parece corrupção, é corrupção e ponto.
01:32Aqui vocês têm um ranking, como é que mede, que medição que é feita?
01:38É um desafio enorme, né, por uma razão muito simples, a corrupção é um fenômeno invisível, né, então a corrupção
01:46que a gente pode medir empiricamente, né, que a gente pode ver e contar os casos, contando casos, é a
01:55corrupção que deu errado, a que apareceu.
01:59Mas a gente não pode contar só a que apareceu.
02:02Então, a corrupção que deu errado, ela está acontecendo, ninguém está vendo, ninguém pode contar.
02:07Então, para enfrentar esse desafio de medir algo invisível, a gente tem que ter algum tipo de aproximador, um proxy,
02:16né, que se chama no linguajar de pesquisa.
02:19E esse proxy que nós utilizamos é justamente o que está no nome do índice, é um índice de percepção
02:26da corrupção, né.
02:28Só que não é a percepção do cidadão nas ruas, né, a pesquisa do Ibope vai lá nas cidades e
02:35pergunta para as pessoas nas ruas.
02:37Não são amostras representativas dos países, até porque a escala que nós medimos são 182 países e territórios, né.
02:46Então, não tem como você fazer a amostragem representativa desses países todos.
02:53Também por outras razões, você pegar as pessoas nas ruas, dependendo do momento, se foi no dia seguinte de um
02:59grande evento,
03:00algum grande escândalo que apareceu, pode ter uma sensibilidade exacerbada ali.
03:05Então, o que nós fazemos desde 1995 com esse índice é entrevistar públicos especializados.
03:13Em geral, são investidores, pessoas de negócios, que fazem negócios com o país, são juristas, muitos da área jurídica,
03:23e principalmente analistas e estudiosos acadêmicos que estudam os países.
03:31Então, é uma composição de fontes primárias que nós utilizamos,
03:36são até 13 institutos de pesquisas, de agências internacionais, muito respeitadas,
03:43todas elas com metodologias publicadas, totalmente transparentes,
03:49e que nós fazemos a extração das respostas desses institutos,
03:54fazemos um tratamento estatístico, normalizamos os dados e produzimos o ranking de 0 a 100,
04:01onde 0 é a pior percepção da corrupção, ou seja, pior as condições do país, e 100 as melhores.
04:11Bruno, como é que tem sido a reação do governo brasileiro quando vocês divulgam um novo relatório?
04:21Porque o Brasil tem caído há muito tempo nesse ranking, né?
04:25Eu vi também que a CGU chegou a publicar uma notinha, mas no governo Lula, como é que tem sido
04:30a reação?
04:33Olha, é uma questão variada, mas digamos que teve até certa evolução.
04:42Em 2022, não quero falar aqui, eu acho que em 2022 ou em 2023, me desculpa,
04:49mas nós publicamos o ranking e uma semana depois foi aberta uma investigação contra a transparência internacional.
04:58Não deu nem tempo para despistar um pouco no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
05:05É gravíssimo, um caso que já foi até citado em dois relatórios da Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
05:15como uma tentativa de criminalização da transparência internacional.
05:20Inclusive, esse inquérito segue aberto, apesar de duas representações, manifestações do Procurador-Geral da República,
05:28dizendo que não há absolutamente qualquer respaldo probatório sobre as alegações falsas que fizeram contra a organização,
05:35e que tampouco havia jurisdição para que o Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli,
05:41que fizesse qualquer tipo de procedimento, se houvesse alguma coisa que fosse em primeira instância,
05:46mas sequer há qualquer embasamento.
05:48Então, isso foi gravíssimo, mas há dois anos continua aberto,
05:51continua esse inquérito sem ser fechado, arquivado, apesar das manifestações,
05:59duas manifestações, até uma cobrança do BGR pedindo uma resposta,
06:02há dois anos isso continua aberto.
06:04Isso foi uma semana depois que nós lançamos o RAN.
06:06Depois, no ano passado, foi uma reação irônica do ministro, o ministro de Carvalho,
06:13classificou um dos itens do nosso estudo como conversa de boteco.
06:18É uma maneira, assim, para desqualificar um item lá da pesquisa,
06:24mas esse ano publicaram uma nota, acho até legítima, para discutir a metodologia da pesquisa.
06:32A gente está completamente à vontade para discutir uma pesquisa que há 30 anos incomoda governos
06:39e que vem fazer o escrutínio dessa metodologia.
06:42Então, ela já foi escrutinada há 30 anos por muitos governos insatisfeitos,
06:49mas também por um debate acadêmico, rigoroso, científico, construtivo,
06:54e que nós participamos agora mesmo em conferências em Nova York, Viena,
07:00sobre medição da corrupção.
07:02Então, agora a gente espera que no próximo o governo venha debater as recomendações,
07:09a implementação das recomendações.
07:11Esse seria o melhor debate, né?
07:13Esse seria a melhor maneira de receber o resultado do índice da pesquisa, né?
07:17Vamos ver se melhoramos até lá, né?
07:20Esse tipo de reação vocês enfrentam também em outros países?
07:29É uma coisa muito esquisita esse inquérito aberto,
07:32que abre o inquérito e não fecha por uma coisa...
07:35É muito esquisito.
07:36É uma entidade que tem no mundo inteiro e é reconhecida.
07:39Em outros países tem esse tipo de reação contra a transparência internacional?
07:46Tem sempre uma reação, digamos, insatisfeita, no mínimo,
07:52pelos governos que são mal qualificados no ranking, não tem a menor dúvida.
07:58Mas quanto menos democrático o país, mais agressivas são as respostas, né?
08:04Então, tem colegas que...
08:07Eu tenho colegas pelo mundo, né?
08:10Não vou citar individualmente o país,
08:13mas tem colegas que tem que andar com guarda-costas,
08:16com quatro guarda-costas, tem que ter endereços protegidos.
08:22E temos hoje, pelo menos, dois capítulos da transparência internacional
08:27operando no exílio, né?
08:29Que é a Venezuela e o capítulo russo, né?
08:32Os dois estão funcionando, os capítulos da transparência internacional,
08:36mas em exílio.
08:37Então, quanto menos democrático o país, piores são as reações mais...
08:43E aqui no Brasil, a mais grave de todas, sem dúvida nenhuma,
08:46foi esse pedido de investigação completamente abusivo,
08:51no nosso ver, no nosso modo de ver.
08:53Isso é raro, sabe?
08:55Um tribunal constitucional abriu uma investigação criminal contra a organização
09:02baseada em fake news sobre a tentativa de distorção do trabalho da organização,
09:10sem qualquer respaldo probatório e factual.
09:15Então, esse aspecto chamou muita atenção, né?
09:18Chamou atenção, foi algo fora da curva,
09:20foi algo mais próprio de ambientes como a Rússia,
09:26claramente autoritários, né?
09:28Então, isso assustou muito, tanto é que assustou os organismos multilaterais, né?
09:35Eu citei aqui a Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
09:38já citou em dois relatórios esse caso,
09:41criticamente ao Brasil.
09:42E está esperando uma resposta sobre essa situação,
09:45assim como nós.
09:47A CIDADE NO BRASIL
10:01E aí
10:01A CIDADE NO BRASIL
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