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  • há 10 horas

VARIEDADES: A explosão de conteúdo espetacular que você precisa! 💥💯✨
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Transcrição
00:00Abertura
00:30Coração com coração
00:34Ela é um anjo
00:38Uma esmeralda
00:54Por que você gosta de ir no cemitério de noite?
00:58Porque tem mais silêncio
01:00Ah, mas a noite foi feita pra dormir, minha linda
01:04É tão bom você fechar os olhos e no dia seguinte
01:09Abre eles assim, com a luz da manhã
01:14Pra mim é igual, Sabiá
01:16É, mas de noite no cemitério
01:19O povo Sabiá não vai nem de brincadeira
01:23Você tem medo?
01:25Eu tenho
01:27Eu não
01:29Eu gosto de ficar lá sentadinha
01:31Rezando pelas almas dos mortos
01:33E sentindo o perfume de tantas flores
01:35Que que foi, Sabiá?
01:41Não, não, não, não
01:43Sabiá, espera, Sabiá
01:45Espera, Sabiá
01:47Acho que eu encontrei a ladra dos morangos
01:57O que que você tá fazendo aqui? Quem é você?
02:01Espera aí, espera aí
02:03Não me toca
02:05Calma, só quero saber quem é você
02:07Eu? Eu sou filha do bruxo Nagual
02:09E se você me tocar, ele me transforma em cobra
02:11E eu morto você e você vai morrer envenenado
02:13O que que você tá dizendo?
02:15É, eu também tenho o poder de me transformar em rio
02:19Eu vivo ali na nascente do rio entre essas pedras
02:21E se você tentar me fazer mal, eu vou saltar sobre você
02:23E te arrastar até lá embaixo, onde o resto se perde na montanha
02:27Você tá louca?
02:29Você é mal
02:31Você tem cheiro de pólvora
02:33Você veio aqui pra semear a morte
02:35Vai embora daqui
02:37Vai embora da montanha, vai embora
02:39Não volta nunca mais
02:41Espera aí, espera aí, espera aí
02:43Ah, ah
02:45Nunca
02:59Que momentos tão difíceis pra mim, babá
03:03Eu sei, menina
03:05Pra mim também
03:07Não foi só pra você, não
03:09E eu tive que mentir pro Rodolfo
03:11Dizer que os brincos talvez tivessem ficado na cidade só pra ganhar tempo
03:16Ele adorava aqueles brincos de esmeraldas
03:18Não pelo valor
03:20Mas porque pertenceram a avó dele, a mãe
03:24Sabe que foi o primeiro presente que o vovô deu pra vovó Carolina?
03:31Oh meu Deus
03:33Aqueles brincos
03:35Era uma joia de família
03:42Talvez pudéssemos ter recuperado os brincos
03:45Na verdade a parteira não queria nem a joia nem o dinheiro
03:50Esse lugar é tão lindo
03:53E durante anos evitei voltar aqui
03:56Porque aqui ficou escondido o meu segredo
04:02Esqueça isso, menina
04:05Lembre-se que seu marido já esteve aqui outras vezes
04:07Nunca conseguiu descobrir nada
04:10Não tem importância a isso
04:14Eu tenho medo, babá
04:16Eu tenho medo
04:18Nós nem sabemos se aquela mulher ainda está viva
04:23Deve estar lá pela montanha
04:29Deve estar lá pela montanha
04:31Já disse
04:33Já disse para não deixá-la sair sozinha
04:35Quem é que controla essa menina?
04:37Só se eu amarrar a perna dela
04:39Fui criada com leite de cabra
04:41E anda igual a cabra saltando por aí
04:43Até que um dia aconteça um acidente
04:44Só não precisa ter medo não
04:47Ela tem garra nos pés para se agarrar bem pelas pedras
04:51De qualquer modo é muito perigoso ela andar sozinha pela montanha
04:55O Esmeralda não tem perigo
04:57Parece até que ela tem olho na ponta dos dedos
05:00Vai por onde quer, seja de dia, de noite, no meio da escuridão
05:03Sabe muito facilmente encontrar todos os lugares
05:07Menos o que leva a minha casa
05:09Há dois dias que ela não aparece
05:11Ela é dona das pernas dela, né?
05:13Eu não posso obrigar
05:15É melhor ter cuidado, Rosália
05:17Sabe que eu poderia tirá-la de você
05:19O que o senhor quer que eu faça?
05:21Diga a Esmeralda para ir a minha casa essa tarde
05:24Eu a espero, sem falta
05:25Sem falta
05:40Imaculado Conceição, afasta esse homem daqui
05:44Só de olhar para ele eu não tenho medo
05:47Não tenho mais medo dele do que aquele espantado que fica lá no meio do campo
05:50Cruz credo
05:55Bom, dá um abraço
06:02Ah, você está aqui
06:04Como é, meu amor? Tudo bem?
06:06Ei, já descesaram as malas?
06:07Já, já está tudo no lugar
06:09Ótimo
06:12Estou dando uma verificada nesses livros aqui
06:15Quero acabar o mais rápido possível
06:17Para poder aproveitar bem o nosso estado aqui
06:19Mas não é o Dionísio que toma conta disso há tantos anos?
06:22Ah, eu sei, meu bem
06:23Eu tenho total confiança no Dionísio, ele é muito honesto
06:27Mas ele insiste para que eu continue examinando essa contabilidade
06:31Nosso filho? Onde é que está?
06:33Ah, fui dar uma volta pelas redondezas
06:41Meu amor, não se preocupe
06:43Nessa altura seria ridículo, ele já é um homem
06:44Aham, aham
06:47Aham, aham
06:50Pois já voltou
06:53Olha só que figura
06:57Monta perfeitamente um cavalo
06:59Parece que tem isso no sangue
07:00Ainda bem que você chegou
07:02Aquele homem esteve aqui
07:03Procurando por você
07:04Diz que tem muitos dias que você não aparece
07:06Ainda bem que você chegou
07:07Aquele homem esteve aqui
07:08Procurando por você
07:09Diz que tem muitos dias que você não aparece
07:10Eu não quero mais ir
07:11Eu fico entediada, Rosário
07:12Ele me tranca lá o dia inteiro
07:13Me mantém horas e horas trancada
07:14Tem que agradar
07:15Sabe o tanto que deve a ele
07:18Sabe o que você deve a ele
07:20Eu sei
07:21Ainda bem que você chegou
07:23Aquele homem esteve aqui
07:25Ainda bem que você chegou
07:26Aquele homem esteve aqui
07:27Procurando por você
07:28Diz que tem muitos dias que você não aparece
07:32Não quero mais ir
07:34Eu fico entediada, Rosário
07:35Ele me tranca lá o dia inteiro
07:36Me mantém horas e horas trancada
07:39Tem que agradar
07:42Sabe o tanto que deve a ele
07:43Eu sei. Ele é muito bom comigo.
07:47Tá te esperando hoje à tarde.
07:49E eu não tenho saída.
07:51Eu tenho que ir.
07:54Olá.
07:55Oi, filho.
07:56Oi, filhão. Tudo bom?
07:57Vamos olhar o que eu trouxe pra você.
07:58Ai, mas que beleza.
08:02Ah, Rodolfo, olha, as mais bonitas que eu já vi.
08:05É, eu encontrei lá na montanha.
08:06Obrigada, filho.
08:09Aliás, pai, adorei o passeio aqui.
08:13A paisagem é linda.
08:14Eu encontrei flores, pássaros, uma gruta.
08:19Tive um encontro também muito interessante.
08:21Onde?
08:22Então, perto dessa gruta, eu atirei numas codornas.
08:27Depois, quando eu fui buscá-las, eu cheguei numa cachoeira onde desce um rio.
08:30Sabe onde é?
08:31Sei, sei. É perto dos limites da casa grande.
08:34Pois é.
08:35Ai, lá eu encontrei com uma moça.
08:38Uma moça?
08:40É. Uma moça muito bonita.
08:42Sabia que aquele medroso do Sabiá me deixou sozinha?
08:46Onde?
08:47Lá na cachoeira.
08:49Ele tinha me levado uns morangos.
08:51Por sinal, uns morangos bem grandes e suculentos.
08:54Eu ia trazer pra você, mas com o susto que eu levei, deixei eles caírem todinhos.
08:59Que susto.
09:02Qual aquele homem que chegou?
09:04Que homem?
09:06Ah, é um desconhecido.
09:10Diz que o pai dele é o dono da fazenda, dona Carolina.
09:12Quando eu cheguei lá, ela tava comendo alguns morangos.
09:19Que eu aposto que eram morangos aqui da nossa fazenda, né?
09:24Aí eu cheguei perto pra reclamar.
09:27Ela ficou furiosa.
09:28Começou a falar um monte de coisas sem sentidos.
09:32Aí eu fui segurar no braço dela pra perguntar qual era o seu nome.
09:36Ela me mordeu.
09:37Mas será possível?
09:40Eu vou mandar o Dionísio investigar pra saber quem é ela.
09:43Papai, não vale a pena.
09:45Não foi nada.
09:47Imagina, eu acho que ela reagiu muito mais por medo do que por qualquer outra coisa.
09:52E ela me olhava de uma maneira estranha.
09:55Tinha um olhar vago, impreciso.
09:58Eu sou filha do bruxo Nagual.
10:00E se você me tocar, ele me transforma em cobra.
10:02E eu morto você e você vai morrer envenenado.
10:03E começou a falar um monte de bobagens.
10:07Um monte de absurdos.
10:09Eu acho que ela não bate muito bem na cabeça, não.
10:14Quem pode ser, Rodolfo?
10:15Tem ideia?
10:17Ela pertencia a alguma dessas famílias da redondeza.
10:20Uma gente miserável que entra na propriedade pra roubar coisas.
10:23É uma pena.
10:24Porque era uma mulher muito bonita e não merecia esse destino, não.
10:32E aí, de repente, Rosário, ele tentou me segurar pelo braço.
10:35Eu o assustei.
10:36Falei que era filha do Nagual.
10:38Aí ele tentou me segurar outra vez e eu dei uma mordida nele e saí correndo.
10:42E ele acreditou, Rosário.
10:43Ele deve ter acreditado, porque ele não teve coragem de me seguir.
10:46Eu acho que ele acreditou.
10:47Isso tinha que acontecer.
10:59Eles tinham que se encontrar.
11:00Ela é um anjo, Esmeralda
11:07Ela é um anjo, Esmeralda
11:17Esmeralda
11:31Esmeralda
11:36Esmeralda
11:41Com licença, desculpe eu não bater, é que a porta estava aberta.
11:54Eu deixei aberta pra entrar um pouco de sol, de ar puro, né?
11:58Quer alguma coisa, Dionísio?
11:59Eu quero falar com o patrão.
12:00Ah, está no escritório.
12:01Ah, obrigado.
12:03Dionísio.
12:04Sim?
12:05Você lembra daquela mulher que assistiu a patroa quando ela deu a luz?
12:11Ah, lembro, sim. A Rosário.
12:13Essa mesma.
12:15Eu gostaria de saber se ela ainda está viva.
12:17Ah, está.
12:18Quer dizer, pode-se dizer que por um milagre, né?
12:22Por quê?
12:23Porque aconteceu uma tragédia com ela.
12:26Tragédia?
12:27É.
12:28A Chopin, onde ela vivia, pegou fogo.
12:30E pode-se dizer que ela escapou por obra de Deus, né?
12:35Oi, Dionísio. Você estava aqui?
12:37É. Eu ia procurá-lo, patrão.
12:39É que eu fiquei conversando aqui com a dona Margarida sobre os velhos tempos.
12:43Ah, vamos ao escritório.
12:45Pois não.
12:45Eu quero que você me explique um lançamento que eu não entendi.
12:48Ah, bom, não. Com licença.
12:52Pensei que aquela mulher tivesse morrido e levado o segredo com ela pro túmulo.
12:57Mas está viva.
13:00Viva.
13:05Você não vai, filha? Ele está te esperando.
13:17Uhum.
13:18Eu já vou.
13:22Está pensando em quê?
13:25Nada.
13:26E por que que está suspirando?
13:35É que...
13:37Aquela voz...
13:41Me deixa triste ouvir uma voz nova e não saber como é a pessoa.
13:47Você pode me dizer que voz é essa que você está ouvindo?
13:50Rosário, por que que eu sou cega?
13:56Por que que eu nunca pude ver?
13:59Oh, minha filha...
14:01É porque as coisas são como são.
14:04Uns dá-se preto, outros brancos.
14:06Uns com a cara bonita, outros com a cara feia.
14:09Uns que podem ver e outros com os olhos sem luz.
14:12E por que que tinha que ser eu?
14:15Por que que foi acontecer comigo?
14:17Porque Deus quis assim.
14:19E com Deus não se discute.
14:23Para que que me deixou viver se me tirou a alegria de poder ver?
14:26Cala a boca, menina.
14:28Não blasfema.
14:30Você não ia viver.
14:31Você estava morta quando chegou a esse mundo.
14:33Faltou um tiquinho assim para eu poder fazer um velório de anjinho e aí você ressuscitou.
14:37Olha aqui, olha aqui.
14:41Se aquele que está lá em cima resolveu devolver sua alma, algum motivo ele deve ter.
14:48Deve ser verdade o que dizem.
14:50Que cada um tem o seu destino.
14:55Mas você pode me dizer qual vai ser o meu?
15:00E por que tanta pergunta agora?
15:02Por que tanta aflição, tanta coisa estranha?
15:05Você nunca se queixou de não poder ver?
15:09Você anda com muito mais segurança pela montanha do que muitas pessoas que enxergam.
15:13E apesar desse seu problema, você sempre foi uma pessoa alegre, contente.
15:17Por que isso agora, menina?
15:21Eu não sei.
15:25Não sei.
15:29Essa cela daqui é de primeira, hein?
15:32Amanhã eu quero que coloquem essa montanha no meu cavalo.
15:34Coisa não, doutora.
15:36Essa cela é minha.
15:50Eu nunca me senti assim, Rosário.
15:54Será que eu fico assustada ao encontrar uma coisa que eu não conheço?
15:57Desde que eu me lembro, enquanto eu fui crescendo nesse mundo de sombras que me cercam, nesse mundo
16:05de escuridão, cada coisa estava no seu lugar.
16:09Cada voz tinha um nome, cada ruído, cada cheiro era familiar.
16:16E quando eu encontrava uma coisa que eu não conhecia, era só estender a minha mão e tocar.
16:21Assim eu podia ver a minha maneira.
16:29Você lembra, Rosário?
16:32Lembra daquele coelho que o Adrin prendeu só para que eu pudesse tocá-lo?
16:36Eu perguntava como é que é um coelho.
16:39Aí ele me dizia, tem patas longas, orelhas grandes, um pelo macio, macio.
16:44Coitadinho, ele tremia tanto, mas com o meu carinho ele foi se acalmando.
16:53Ele deve ter sentido o mesmo medo que eu senti na montanha quando eu ouvi aquele caçador chegar.
16:58Filha, escuta o que eu vou te dizer.
17:02Não deixe ele te perturbar.
17:05Se afasta dele.
17:06Desculpe, desculpe, eu não sabia que a sala era sua.
17:14Daqui a sala que me deram hoje não era muito boa.
17:17Aí eu pensei, como meu pai é dono da fazenda, eu acho que eu posso usar tudo que tem dentro dela.
17:23Não, nem tudo.
17:25Como foi o seu passeio, doutor?
17:27Ô Dionísio, acho que você chegou numa hora muito oportuna, porque...
17:31me parece que não ensinaram esse rapaz a respeitar os seus patrões.
17:36Esse rapaz é o meu filho, o Adrian, doutor.
17:46Eu não sei porquê, eu me angustio toda vez que eu lembro da voz dele.
17:52Eu sinto uma coisa estranha.
17:55Acho que eu encontrei a lada dos moranos.
17:58O que você está fazendo aqui? Quem é você?
18:01É melhor esquecer tudo.
18:03Logo, logo, esse rapaz vai embora daqui.
18:11Seu filho? Aquele garoto?
18:15Eu não sabia.
18:17A gente brincou muito da última vez que eu vim aqui.
18:19Mas éramos crianças, não te reconheci.
18:21É, mas se o...
18:23Se o Adrian falou alguma coisa que aborreceu o senhor, doutor, é só dizer.
18:29Não, não tem problema, é só uma cela de montar.
18:32Depois eu compro uma que me agrade e pronto, assunto encerrado.
18:35Não, senhor, eu li cedo a minha.
18:37Não, não, não, de maneira alguma.
18:40Essa cela eu comprei com o meu dinheiro, mas se gostou dela, eu lhe dou com o maior prazer.
18:44Mas você acabou de...
18:45Não, por favor.
18:47Aceite.
18:48Faça essa gentileza, aceite.
18:52Então tá bom.
18:53Muito obrigado.
18:55Ô Adrian, eu gostaria muito que você me levasse pra passear por aí.
18:58O que você acha?
19:00Quando o senhor quiser.
19:01Não, não, não, não, não.
19:02Quando você puder.
19:04É só me avisar.
19:07Com licença.
19:08Simpático, né?
19:15É, o filho do patrão.
19:17Olha, Adrian, eu quero que você tenha muito cuidado, viu?
19:20Desde o pai do meu pai que nós trabalhamos pra essa família.
19:24E sempre fomos muito fiéis.
19:28E eu não gostaria que, por causa de um mal entendido,
19:32a gente deixasse de trabalhar aqui, viu?
19:38Acho que já acabei de fazer a lista das compras na cidade.
19:47Você quer mais alguma coisa, Branca?
19:50Nem sei mais o que que tá faltando.
19:53Olá, olá.
19:54Olá.
19:54Acabei de conhecer o filho do Dionísio.
19:56Agora vou ter alguém com quem passear por aí.
19:59Você adora essa fazenda, não é, filho?
20:01Esse lugar é maravilhoso.
20:03Eu quero aproveitar ao máximo.
20:05Depois eu volto pra cidade pra cumprir com as minhas obrigações.
20:07Adoro ver você assim, animado.
20:10Também tô com fome.
20:11Vamos comer?
20:12Quando quiser, mando a Jacinta servir.
20:14Ô, pai, então vou tomar um banho, trocar de roupa e não demora.
20:18Ele está tão alegre.
20:22Já você me parece bem preocupada.
20:26Eu estou preocupada, babá.
20:27Desde que eu botei o pé nesse lugar.
20:30Meu coração, ai, que angústia.
20:32Não deve ficar assim.
20:34Não tem nada com o que se preocupar.
20:36Se o Rodolfo souber.
20:40Ele queria um filho, eu não queria?
20:43Já tem.
20:45Ninguém pode esconder uma mentira a vida inteira, babá.
20:50Mais cedo ou mais tarde, a verdade vem à tona.
20:52...
21:04...
21:16Perdão, doutor.
21:30Eu já disse pra não entrar sem bater.
21:32Mas é que estão procurando o senhor.
21:35Quem é?
21:36Um doente, trazido por um familiar.
21:38Não posso.
21:39Mas é urgente, doutor. Muito urgente.
21:42Sim, eu sei.
21:44Só vem me procurar quando se trata de um caso de emergência.
21:46Quando já estão morrendo e não tem nenhum lugar no hospital da cidade.
21:50Diga que eu não posso.
21:51Mas doutor...
21:52Não me importa como está.
21:53Mande-os embora e não me incomode mais.
22:08Eu mandei ir embora.
22:10Eu não quero ver ninguém. Eu não vou deixar ninguém entrar aqui.
22:13Lúcio?
22:16Ah, é você?
22:18Uhum.
22:20Me desculpe.
22:20Minhas palavras não eram pra você.
22:23Sabe o quanto é importante pra mim?
22:26Obrigada.
22:28E por que você não veio mais?
22:30Eu senti muito a sua falta.
22:32Ah, Lúcio.
22:34É que eu gosto de andar o dia todo pelas montanhas.
22:37Pela nascente do rio.
22:39Gosto de sentir o sol, o ar.
22:41De ficar ouvindo o canto dos pássaros, o barulho da água.
22:47Tudo bem que gosto de sentir essas coisas, Esmeralda.
22:52Mas você tem que se acostumar com a ideia de que um dia vai perder tudo isso.
22:55Porque você sabe muito bem que me pertence.
22:59Ela é um anjo, Esmeralda.
23:07Ela é um anjo, Esmeralda.
23:17O sabiá saiu correndo assim.
23:32Saiu correndo e se jogou de barriga no chão e tampou a cabeça assim com as mãos,
23:39pedindo a Deus, Nosso Senhor, que não desse em outro tiro de espingarda.
23:46Você é um ingênuo, Sabiá.
23:48Tomou um susto danado só porque o filho do patrão estava caçando.
23:53Então, então, ela não teve nada?
23:56Não aconteceu nada com a minha rainha?
24:00Onde é que ela está?
24:02Foi a cidade.
24:03Eu esqueci dela.
24:08Eu esqueci da minha Esmeralda.
24:13Eu sabia que barulho era aquele, Rosário.
24:16E fiquei com medo.
24:18Eu vi essa gente.
24:19Eu vi essa gente que chegou na fazenda.
24:22Eu estava na horta lá da Casa Grande.
24:24E vi quando eles chegaram.
24:26Eles...
24:27Eles devem ser muito ricos, não é, Rosário?
24:31É, são sim.
24:35E comem comida boa.
24:38Enquanto a gente aqui está comendo o pão que o diabo amassou para matar a fome.
24:42É, eles são os donos da fazenda,
24:46dos bichos que correm no pasto
24:49e toda a plantação de morangos
24:54e tudo, tudo, tudo que a gente puder ver.
24:58Até onde a vista alcança.
25:06É, é tudo deles.
25:08Deus te tem um bom lugar, Aparecida.
25:25Você tem sorte, menino.
25:28Vai ter papai e mamãe.
25:30Mas se eu quisesse,
25:37a minha mesa estava farta, que nem a do patrão.
25:43Se aquela mulher ainda estiver viva,
25:45pode saber que tem gravado na memória o momento exato
25:48que levou minha filha morta
25:49e trocou pelo José Rorto.
25:51Ah, afaste esses pensamentos tristes, menino.
25:58Andei perguntando por aí.
26:01Rosário morreu.
26:05Morreu.
26:07Morreu.
26:08Não temos mais nada a temer.
26:10Agora você só tem que pensar
26:13que tem um filho que a adora
26:14e uma família maravilhosa.
26:20Eu queria tanto esquecer o passado, Barra.
26:23Tanto, tanto.
26:27Saber que existe nesse lugar
26:29um túmulo
26:31onde estão os restos da minha filha.
26:35Eu não sei nem onde é.
26:38Não posso nem levar flores.
26:40Por que você me evita?
26:45Não, Lúcia, eu não te evito.
26:48É que está muito abafado aqui.
26:49Eu não consigo respirar.
26:51É como uma jaula para você, não é?
26:54O colibri em uma gaiola morre.
26:56Não importa a mão que lhe oferece comida.
26:58Prefere a montanha e os perigos que existem lá.
27:01É que a liberdade é bonita.
27:04E se a tirarem desse colibri,
27:05ele não poderia continuar vivendo.
27:08Mas também é verdade
27:09que na montanha tem muitos perigos
27:10que poderiam acabar com ele.
27:13Aprenda a viver em sua gaiola de ouro, Esmeralda.
27:16Aprenda a cantar nela.
27:19E você, Lúcio?
27:21Por que não aprende a correr comigo nas trilhas?
27:25A subir até o topo da montanha?
27:26A ficar embaixo da cachoeira
27:27para ouvir o som do rio?
27:29Por que você está sempre trancado nessa casa?
27:32Por que você nunca sai daqui?
27:33Por que eu não preciso?
27:36Eu me irrito com gente imbecil.
27:39Eu prefiro estar sozinho.
27:41E depois você deve saber
27:42que uma pessoa inteligente nunca sente tédio.
27:45Eu tenho os meus livros.
27:47E a única companhia que eu desejo é a sua.
27:51Então eu sou inteligente,
27:52porque eu também nunca sinto tédio.
27:55E eu também gosto dos livros,
27:56só que alguém tem que ler para mim.
27:58Sou eu.
27:59Sou eu que leio para você.
28:01Sem minha ajuda,
28:01você não saberia nada do que sabe.
28:03É.
28:04Você é muito bom comigo.
28:06Se não fosse pelas suas aulas,
28:08eu estaria dizendo besteiras,
28:09como a coitada da Rosário,
28:11como o bobo de Sabiá.
28:14Mas eu conheço essas palavras bonitas
28:16que tem dentro dos livros.
28:18Você realmente tem muita paciência comigo.
28:21É porque você não nasceu
28:22para viver nesse ambiente de miséria,
28:24ignorância, Esmeralda.
28:25Você é muito diferente deles.
28:28Eu terei que arrancá-la
28:29de uma vez por todas de lá.
28:31Porque um dia nós teremos que morar
28:33definitivamente juntos.
28:37Você é muito bonita.
28:41Muito bonita.
28:44O meu sacrifício foi grande,
28:46mas valeu a pena.
28:47Porque a sua enorme beleza
28:48você também deve a mim.
28:51Eu sei, Lúcio.
28:53Porque essa beleza toda
28:54poderia não existir.
28:56Poderia ter sido destruída.
28:58mas resplandece em seu rosto por mim.
29:01Eu não me importo
29:02de ter destruído a minha vida
29:03porque eu sei que você é minha.
29:08Só minha.
29:28Meu filho, você já ligou para a Graziella?
29:54Olha que ela fica chateada, hein?
29:56Mamãe, eu já tentei falar com ela,
29:58mas eu não consegui encontrá-la.
29:59Eu ainda não entendi
30:00por que você veio para a fazenda.
30:01Pensei que não quisesse separar
30:03da sua namorada
30:03nas suas férias.
30:06E eu e a Graziella
30:06já estamos acostumados
30:07a ficar separados.
30:08Eu não passei um tempão no exterior?
30:10Eu acho o namoro de vocês
30:11tão esquisito.
30:13Eu não acho não.
30:14Pelo contrário,
30:14eu acho muito natural.
30:15Eu não acho não.
30:17Namorados não costumam agir
30:18assim tão friamente.
30:19E como é que deveríamos agir?
30:24Fazendo loucuras,
30:25não se separando de jeito nenhum.
30:27Eu sei lá.
30:28Mamãe,
30:30isso era no seu tempo.
30:31Agora é diferente.
30:33No meu tempo?
30:35Mas é aqui, rapazinho.
30:36Se tem uma coisa
30:37que nunca mudou
30:38desde que o mundo é mundo,
30:39é o amor.
30:40Quando é verdadeiro,
30:41é o mesmo.
30:43Com as coisas que você disse antes,
30:45eu acho que você está envelhecendo
30:46sua mãe, José Armando.
30:47Isso eu não aceito.
30:49Está vendo?
30:51O papai tem muito orgulho de você.
30:52E eu também.
30:54E nós temos de você,
30:55meu filho.
30:56É por isso que a gente
30:57fica preocupado
30:58com a sua felicidade.
30:59Bom,
31:00quando voltarmos à cidade,
31:02eu vou pedir a mão da Graziella
31:03e marcaremos a data do casamento.
31:05Mas isso é magnífico.
31:07Vocês formam um casal maravilhoso
31:08e assim a fortuna
31:09dos Alvores Real
31:10fique em família.
31:19Prometi a Branca
31:24dar uma passada
31:24pela casa dela
31:25para ver se está tudo bem.
31:29E fez tudo com muito prazer,
31:31não foi, mãe?
31:32Assim você pode sentir
31:33como essa é a dona
31:34da mansão Alvores Real.
31:36Minha filha,
31:37na realidade,
31:38eu saberia desempenhar
31:39esse papel muito melhor
31:40que a Branca.
31:42A coitada não tem qualidade,
31:44não tem força,
31:45nem personalidade.
31:46Mas teve a sorte
31:47de ter um filho homem
31:48e foi aí que ela ganhou, mãe.
31:50Você mal ou bem
31:51teve que se conformar comigo.
31:53Que isso, minha filha?
31:55Quem ao ouvir isso
31:56pensaria que eu não a amo o suficiente?
31:59Graziella,
32:00estou muito orgulhosa de você
32:03porque você é muito linda
32:05e com sua beleza
32:07fará que seja possível
32:08tudo o que eu sempre sonhei.
32:11Já imagino você dona
32:12de toda essa fortuna
32:13quando se tornar
32:14a esposa de José Armando.
32:16Eu já estou com vontade
32:18de estar casada com ele.
32:20Só pra te ver tranquila, mãe.
32:23Mas você tem que ligar
32:24mais vezes pra ele.
32:26Não se esqueça, minha filha,
32:27a ausência
32:28é a pior conselheira
32:29para o amor.
32:31É preciso que você
32:31mantenha vivo
32:32o carinho que há
32:33entre vocês.
32:35Sim, mãe,
32:36não se preocupe.
32:38Graziella,
32:39às vezes você fala
32:39de um jeito
32:40tão indiferente
32:41que parece que não
32:42o ama o suficiente.
32:43Que isso, mãe?
32:45O José Armando
32:47é muito bonito
32:48e eu gosto dele.
32:49Você está apaixonada
32:50de verdade
32:51pelo José Armando?
32:52Sim, mãe,
32:53claro que sim.
32:54E ele está por você?
32:57Também, mãe,
32:58é óbvio.
32:59Ele disse isso?
33:01O José Armando
33:02é pouco expressivo,
33:03mas ele demonstra.
33:04e nós dois sabemos
33:06que fomos feitos
33:07um para o outro.
33:09Você devia exigir
33:10que ele fosse
33:10mais carinhoso.
33:12Mãe,
33:13nós vamos ser
33:15muito felizes.
33:17Nós nos gostamos
33:18muito e já está decidido
33:19quando ele voltar
33:20vai pedir minha mão
33:21oficialmente.
33:22Vamos nos casar
33:23em um ou dois meses.
33:25Que bom, minha filha.
33:27Que bom.
33:29Tomara que seja
33:30realmente assim.
33:31E será?
33:33Desde que eu conheço
33:34o José Armando
33:35nós somos namorados.
33:37Vamos ser muito felizes.
33:40Formamos um casal perfeito.
33:42Eu vou te amar
33:45até
33:47a última rosa
33:54se abrir.
33:56Bom, com licença,
33:57vou dar uma volta.
33:58Ah, não acredito.
33:59Você não está cansado?
34:01Ah, deixa ele, meu bem.
34:02A noite está linda,
34:03estrelada.
34:05Até logo.
34:06Tchau, filho.
34:06Tchau, filho.
34:09Sabe, meu amor,
34:10eu fico muito feliz
34:12em ver o nosso filho
34:12arraigado a essas terras
34:14que pertencem
34:14a nossa família
34:15e a gerações.
34:16É.
34:18Está no sangue.
34:21Ele tem raízes
34:22nessa terra.
34:23É.
34:31Quem está aí?
34:40Não é eu, Firmino?
34:42Claro.
34:44Claro que só podia ser você, né, Esmeralda?
34:47Onde é que eu estou com a cabeça?
34:48Os difuntos não fazem barulho?
34:50E depois, para vir ao cemitério,
34:52trazer flores para os difuntos
34:53a esta hora
34:54só podia ser você.
34:55Você já sabe, né, Firmino?
34:58E como sempre,
34:59eu trouxe flores
34:59para os nossos mortos esquecidos.
35:02Você acertou em cheio.
35:04Este aqui
35:05é um dos mortos
35:06mais velhos
35:07que tem aqui no cemitério.
35:09Este aqui tem mais de 40 anos
35:10embaixo desta terra.
35:11Ah, coitada.
35:13Nem devem se lembrar mais dele, né, Firmino?
35:15É, isso mesmo.
35:17Pronto.
35:18Vamos?
35:19Vamos.
35:19Aqui.
35:30Você está na sacadinha, Esmeralda.
35:32Isso.
35:37Deixa eu apagar este lampião.
35:41Porque você não precisa de luz.
35:44E o cemitério fica muito mais bonito
35:46sob a luz do luar.
35:47Como é que é a lua, Firmino?
35:48Ah, eu já te falei
35:49uma porção de vezes, Esmeralda.
35:51Ah, mas eu gosto de ouvir.
35:53Vai, por favor,
35:53só mais uma vez.
35:54Está bem, está bem, está bem.
35:55Bom, tem vezes
35:56em que a lua
35:57está assim, redonda,
36:01como uma laranja.
36:02Assim?
36:03Ah, você sabe.
36:05E tem outras vezes
36:06em que ela está
36:07como meia laranja.
36:10Mas sempre
36:11brilha como a prata.
36:14E a prata tem cheiro?
36:16Não, não tem cheiro.
36:17Ah, não?
36:18Não.
36:20Mas brilha
36:21e é branca, branca.
36:29Quando olhei a terra ardendo
36:32com a fogueira de São João
36:36eu perguntei
36:38a Deus do céu
36:40ai, por que tamanha
36:42a judiação?
36:44Eu perguntei
36:46a Deus do céu
36:47ai, por que tamanha
36:50a judiação?
36:51Você canta muito bem, hein?
36:54Faço o que eu posso, doutor?
36:55Não sabia que conhecia
36:56essa canção.
36:57Conheço, gosto muito.
36:59Quem dera eu conseguir
37:01cantar, tocar um instrumento,
37:03trabalhar aqui no campo
37:04como vocês.
37:06Não me diga que o doutor
37:07vai querer trocar roupa branca
37:08pela camisa de fazendeira.
37:09Não, não exatamente.
37:12Mas eu gosto dessa vida.
37:14E você, já foi à cidade?
37:15Só de visita.
37:16Por uns dias, mas foi o bastante.
37:18Mas depois de tantas casas juntas
37:20e de tanto barulho
37:21eu me cansei.
37:22A gente vai se dar bem.
37:25Você tem que me levar
37:26para conhecer os lugares daqui
37:28e as pessoas.
37:29As pessoas daqui
37:30são muito humildes.
37:31Não sei se serão do seu agrado.
37:32Por que não?
37:34Os árvores real
37:35nunca se juntaram
37:36com os de baixo.
37:37Isso depende das circunstâncias.
37:39Eu quero me divertir.
37:40Eu quero passar
37:41umas férias incríveis.
37:42Incríveis aqui, doutor?
37:46Você tem que me apresentar
37:47as mulheres daqui.
37:50Pois fico sabendo, doutor.
37:51que as mulheres daqui
37:52não são para se divertir.
37:56Vai para a sua casa, Esmeralda, vai?
37:58Ai, daqui a pouco, Firmino.
37:59Continue me falando mais do céu.
38:01O que mais tem?
38:02Ah, uma estrela cadente.
38:04E o que é isso?
38:05É uma estrela que atravessa o céu
38:07assim, de um lado para o outro.
38:09Dizem que a gente pode fazer
38:10três desejos,
38:11mas tem que fazer
38:12antes que ela se apague.
38:13Ah, que pena, né?
38:14Eu nunca vou poder pedir.
38:16Eu não posso vê-la.
38:18E o que você pediria, Esmeralda?
38:20Que a Rosário sempre
38:21tivesse comida,
38:23a luz para os meus olhos
38:24e que alguém me amasse
38:26e eu amasse também.
38:28Ah, eu vi só.
38:31Espera aí, rapaz.
38:32Espera aí, não se ofenda.
38:34Você entendeu com outro sentido.
38:35Eu também gosto
38:36de respeitar as mulheres,
38:37sejam elas de onde forem.
38:39É que os homens daqui
38:40não permitem que ninguém
38:41falte com respeito às moças.
38:42Por falar em moças,
38:45você sabe que hoje
38:45eu conheci
38:46uma verdadeira princesa?
38:49Você deve saber quem é.
38:52É possível.
38:53Olha,
38:54eu encontrei com ela
38:55numa clareira distante
38:57onde tem uma cachoeira.
38:58ela era linda.
39:11Não, você deve saber quem é,
39:12porque uma moça bonita dessas
39:13não passa despercebida.
39:16Me diz, Adri,
39:17quem é ela?
39:18Onde é que ela mora?
39:19Como é que ela se chama?
39:19Ela é um anjo,
39:38ela é o amor
39:40que eu tanto quero
39:42Me fez viver um sonho lindo
39:45Sentimento verdadeiro
39:49Ela é um anjo
39:52E no seu beijo
39:54Me deu todo o seu amor
39:58Eu entreguei meu coração
40:01E junto ao seu
40:03Ela guardou o ir
40:06Nós fomos caminhando
40:09Pelas ruas
40:11Coração com coração
40:13Ela é um anjo
40:17Uma esmeralda
40:21Ela é um anjo
40:23E junto ao seu
40:25Ela é um anjo
40:27Transcrição e Legendas Pedro Negri
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