00:00O Acácio Miranda vai continuar conosco pra trazer análise sobre esse e também outros assuntos com essa missão neste sábado de levar até você o que existe por trás da notícia nos bastidores e também na análise.
00:13E olha só, no programa Visão Crítica, o vice-presidente Geraldo Alckmin manteve o mistério com relação a ser candidato ao governo do estado de São Paulo.
00:24Vamos conferir o que ele disse.
00:26Sobre São Paulo, nós vamos ter um bom candidato.
00:32Então, bom candidato com seriedade, com espírito público, com bom programa.
00:38O senhor?
00:39Não, não sou eu.
00:41Mas nós vamos ter no momento adequado, nós vamos ter um bom candidato pra poder colocar pra servir a população do estado.
00:50O Márcio França, que quer ser candidato do meu partido, foi prefeito, deputado federal, secretário de estado, vice-governador, me substituiu o governador, é um bom candidato.
01:02A Cássio Miranda, historicamente, a esquerda, gostem ou não, é mais organizada nesse sentido de articular os grupos, de expor os nomes e subir em palanques do que a gente tem visto na direita,
01:17que muito frequentemente usamos aquela palavra, né?
01:21O nome de Alckmin, esse vai e vende, sai ou não pra candidato, seria um princípio de desorganização histórica que a gente é acostumado a ver?
01:41Ou, na verdade, é mais aquele jogo mesmo de deixar mais pra frente, guarda o mistério, porque não temos outros nomes?
01:49Eu não acho que seja propriamente desorganização, Bia.
01:52Eu acho que seja desgaste.
01:54Desgaste no sentido de a esquerda, nas últimas duas décadas, três décadas, ficou muito centralizada na figura do Lula.
02:03E não surgiram novas lideranças.
02:07E não surgiram novas lideranças, especialmente no estado de São Paulo.
02:11Até porque, se nós olharmos pro cenário eleitoral aqui, há um caminho muito bem consolidado à reeleição do atual governador, Tarcísio de Freitas.
02:21Então, ninguém, em sã consciência, quer disputar uma eleição sabendo que as chances de perdê-la são muito grandes.
02:31Hoje, Lula força pra que haja uma candidatura forte no estado de São Paulo, muito pra que ele tenha um palanque forte aqui,
02:40e pra que ele não permita que a diferença entre ele e Flávio Bolsonaro no estado seja superior a 20%.
02:47Então, é difícil você convencer alguém que vá disputar uma eleição pra perder.
02:53Não é algo fácil, especialmente pra Geraldo Alckmin, que hoje é vice-presidente da República e já foi governador do estado quatro vezes.
03:02Fique imaginando a conversa entre Lula e Alckmin.
03:05Lula olhando pra Alckmin dizendo, companheiro, vá até São Paulo, um estado onde você é, historicamente, a pessoa que mais governou o estado,
03:16e vai lá perder eleição, que é um fim de carreira digno pra você.
03:20É óbvio que Alckmin não quer.
03:23E também Alckmin quer ficar onde está, como vice-presidente da República.
03:28A partir daí surge Fernando Haddad, que já perdeu duas eleições aqui, não quer a pecha de derrotado,
03:36e aí sobram Márcio França, e tem surgido com muita contundência o nome de Simone Tebet.
03:44Repito, hoje é muito mais achar alguém que esteja disposto a vir perder, provavelmente, uma eleição, do que uma desorganização.
03:54Eu acho que essa desorganização, Bia, surgirá quando Lula encerrar a sua carreira.
04:01Não sei se agora em 2026 ou em 2030.
04:05Porque aí a grande liderança, aquele que centralizou esse papel de liderança na esquerda nos últimos 30 anos,
04:14não estará mais cumprindo esse papel.
04:16E aí nós teremos diversos atores brigando para ser essa figura.
04:21E a gente sabe que essa sucessão, quando não é natural, não é tão fácil.
04:28O vice-presidente também contestou a decisão do Banco Central de manutenção da taxa de Selic em 15%.
04:33Acompanhe.
04:34Precisa baixar os juros, né?
04:36Porque não tem sentido.
04:38Com o dólar a 5,21, com a inflação em queda, inflação de comida 2,5, você tem 15% de taxa de juros.
04:46Juros real de 11%, quase.
04:50Isso não existe no mundo.
04:51Então é uma anomalia.
04:53E isso tem um efeito na dívida pública brutal.
04:58Cassio Miranda, o governo tem atacado frequentemente a manutenção da taxa básica de juros em 15%, né?
05:04Principalmente num ano que é bastante importante.
05:06Mas eu quero saber de você se ele oferece condições ao Banco Central e até o mercado financeiro
05:12para uma interpretação de possibilidade de redução da taxa aqui no país.
05:16Evandro, você tocou no ponto essencial dessa discussão.
05:21A taxa de juros está elevada porque há uma desconfiança do mercado em relação ao governo federal.
05:31Primeiro porque, e principalmente porque, nós precisamos do superávit fiscal.
05:38O governo precisaria gastar menos do que arrecada.
05:42E não é isso que nós temos acompanhado nos últimos anos.
05:45O que se tem é o déficit fiscal.
05:47O governo gasta mais do que arrecada.
05:51O governo estourou o teto fiscal.
05:54E isso gera uma desconfiança do mercado.
05:57A partir do momento em que há uma desconfiança do mercado,
06:01menos dinheiro é inserido no mercado brasileiro,
06:04seja o dinheiro vindo de fora, seja o dinheiro dos próprios brasileiros.
06:09E isso vai gerando essa bolha que nós estamos acompanhando da taxa de juros.
06:16A nossa inflação é extremamente elevada,
06:20apesar da taxa de desemprego ser a menor dos últimos anos.
06:24Se a gente pensar que a economia é composta por três pilares,
06:29taxa de juros, inflação e teto fiscal,
06:33hoje o governo brasileiro estoura um desses pilares
06:37e ele não observar este pilar acaba influenciando nos dois outros.
06:43Acaba influenciando na inflação, que o governo não tem muito controle,
06:48e acaba influenciando na taxa de juros.
06:51Não adianta o governo federal pressionar o Banco Central
06:55se o próprio governo federal não faz a sua parte.
07:00No momento que nós tivermos o superávit fiscal,
07:04a inflação e a taxa de juros diminuirão quase que automaticamente.
07:10Meu avô tinha um ditado que era
07:14em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão.
07:20É um pouco isso.
07:21Banco Central joga para o governo, o governo joga para o Banco Central.
07:24Mas a falha neste contexto é do governo federal.
Comentários