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SOLUTION SESSIONS BAHIA: Activists, artists, and entrepreneurs talk about their work as an emancipation tool for Black youth.
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00:00:00Oi gente, tudo bem? Eu sou Monique Evely, estou aqui no Solution Session Bahia, uma honra estar
00:00:22participando disso porque é o nosso momento de falar sobre o passado, presente e futuro
00:00:28da nossa comunidade negra, não só no Brasil, não só na Bahia, mas em todo o mundo, por
00:00:33isso que é o Planet Afropunk e essa celebração global da comunidade negra, muito nesse lugar
00:00:40da cultura, da criatividade e também da arte como um todo, né? Então eu estou aqui com
00:00:45três pessoas incríveis, que eu não tenho literalmente nem roupa, estou muito nervosa
00:00:50de mediar, até porque são talentos brasileiros, brasileiras, que todo mundo deveria conhecer,
00:00:57então estou muito honrada de estar com vocês, Lin, Gabi e Carol, e eu sou Monique Evely,
00:01:03então assim, para a gente começar e eu não ficar aqui de papo, por favor, se apresentem
00:01:08porque nada melhor que vocês falando em primeira pessoa, porque a gente aprende com nossa querida
00:01:14e genial Lélia Gonzalez, que é uma socióloga brasileira incrível, que fala que mulheres
00:01:19negras precisam falar nome e sobrenome, senão racismo coloca o nome que quiser. Então, por
00:01:24favor, pode começar Carol Santos. Olá, gente, tudo bem? Boa tarde! Estou, primeiramente,
00:01:33estou muito honrada de fazer parte dessa mesa, enfim, né? Sou fã da Lin, sou fã de você,
00:01:38Monique, fã da Gabi, estou, assim, muito nervosa também, mas muito feliz por estar aqui com vocês.
00:01:45Eu sou a Carol Santos, eu sou produtora executiva de um coletivo chamado Globo do Pêssego, que são
00:01:52oito jovens periféricos vindos das periferias de São Paulo, né? Enfim, a gente está numa caminhada de
00:02:01cinco anos aí juntos, desenvolvendo diversos projetos, tipo, eu mesma tenho dois trabalhos, né? Eu tenho,
00:02:10além do meu coletivo, eu também sou assistente dentro de uma produtora, que é a O2, O2 Filmes, e estamos aí, né?
00:02:18Desenvolvendo projetos, tentando agregar cada vez mais pessoas pretas, pretes, LGBTs, QI+, enfim, de todos os
00:02:28jeitos, todos os gêneros, de todas as formas que a gente puder, e acho que é isso, gente.
00:02:36Ai, muito obrigada, Carol. Lin, por favor, se apresente.
00:02:41Olá a todas, a todos e a todes, eu sou Lina Pereira, também sou conhecida como Linda Quebrada, sou uma artista
00:02:50multimídia, cantora, atriz, atroz, escritora, sou uma artista inquieta, uma pessoa que acredita que
00:03:00ser artista não tem necessariamente a ver com estar na frente das câmeras, sob os holofotes, ou com um microfone
00:03:08na mão. Ser artista não tem necessariamente a ver com a passabilidade do mercado marcado, mas sim com a
00:03:17possibilidade de criar sobre a sua própria existência, sobre a minha própria existência, sobre o meu corpo,
00:03:23as minhas relações, e eu faço isso com a música, com o cinema, com a minha imagem, com a palavra, e é uma
00:03:31honra para mim estar aqui hoje com tantas pessoas, mulheres incríveis. Obrigada pelo convite e vamos nessa.
00:03:41Obrigada, Lin. Gabi, é com você.
00:03:43Olá, eu sou Gabi Oliveira, sou comunicadora social por formação e atualmente sou criadora de conteúdo
00:03:52para a internet, tenho um canal no YouTube, Instagram e nele, nesses espaços, eu busco me colocar no mundo
00:04:03e naturalizar a vivência de pessoas negras, a nossa vivência, as nossas experiências. Também sou criadora
00:04:09do podcast Afetos, que é um projeto que eu amo de paixão, que é um espaço onde eu falo sobre eu e a
00:04:19Karina, que apresenta o podcast junto comigo, nós falamos sobre as nossas subjetividades, esse espaço de
00:04:26naturalização da existência de mulheres negras e é isso, assim, estamos aí, estou muito feliz de estar aqui
00:04:33nessa mesa incrível, com mulheres maravilhosas e vamos conversar, porque eu tenho certeza que vai ser
00:04:39muito bom. Vocês entenderam, gente, que o Solution Session, o nome já diz, né? Solução, então a gente vai
00:04:46trazer muito essa perspectiva da potência, não à toa a gente está falando com jovens potentes
00:04:51brasileiros, pretos e pretas, inclusive vocês, que eu estou vendo aqui uma galerinha que está assistindo
00:04:57a gente, que é massa. Então, Gabi, eu acho que eu vou começar por você. Você falou sobre isso, do afeto, e assim, a gente está
00:05:04vivendo um momento, inclusive, bastante complexo no mundo, por conta da saúde pública, a questão da pandemia.
00:05:10Como foi a sua jornada para entender a importância de falar sobre subjetividade, de buscar a humanidade,
00:05:18diante de um cenário que toda vez nos força a não pensar sobre isso e a não recorrer a esse lugar de
00:05:23afetividade mesmo? Como foi a sua jornada, até para quem está assistindo, entender um pouco e se reconhecer em você?
00:05:31Outro dia, eu estava conversando com uma amiga, a gente estava falando que a gente estava percebendo, né,
00:05:37os movimentos que acontecem ao nosso redor, principalmente relacionado com mulheres negras,
00:05:43e aí a gente estava conversando que ou a gente está no lugar do silenciamento, ou a gente é colocado no lugar
00:05:51do ícone intocável, que não erra, que não é fado, sem defeitos, etc. Só que nenhuma das duas
00:06:01posições, elas são boas, elas são humanas, humanizáveis. A gente passou pelo período de escravidão que
00:06:08desumanizava pessoas negras, e aí agora a gente precisa entender como a gente se sente.
00:06:16A gente fez um episódio do afeto sobre sonhos, e aí um dos questionamentos que a gente trouxe foi
00:06:25as nossas mães sonharam? Qual era o sonho de vida das nossas mães? A gente às vezes não sabe, porque elas
00:06:33não tiveram essa possibilidade de entender as suas potências, entender aonde elas queriam chegar, porque
00:06:41elas eram só levadas pela vida, e aí começavam a trabalhar muito novas e tal. Então, hoje, quem tem essa
00:06:49possibilidade, nós mulheres que produzimos, que vivemos da nossa arte e que também tem uma certa autonomia
00:07:00dentro dessa estrutura, a gente precisa começar a refletir não só sobre a gente, não de forma só centrada em nós,
00:07:08mas como estimular os outros a buscarem novas soluções e novas perspectivas de vida? Como a gente pode
00:07:17ajudar as adolescentes do nosso país, as adolescentes negras, a encontrarem uma nova perspectiva mesmo?
00:07:27Sonho, eu acho que às vezes ainda é um pouco abstrato, mas entender as possibilidades da vida, entender que
00:07:34a vida não é restrita só àquele espaço que elas estão habitando, ou só aquele destino que foi imposto
00:07:42para elas, é muito, muito revolucionário, e eu acho que a gente está aqui conversando hoje, porque essa
00:07:48revolução aconteceu em algum momento nas nossas vidas. Alguém mostrou um novo caminho, alguém trouxe uma nova solução,
00:07:55falou, você pode acreditar, você pode, por mais que não seja às vezes um parente, nada disso, mas normalmente a gente tem
00:08:03pelo menos alguém que traz algum tipo de apoio para que a gente crie novas soluções.
00:08:08Então, a gente tem um problema, a linha, a gente estava conversando que a gente nunca responde,
00:08:14porque pergunta, não falei nada da minha trajetória, mas enfim, resumindo assim, foi por isso que eu estou
00:08:23aqui hoje, assim, eu tive pessoas que me impulsionaram e que me mostraram novos caminhos.
00:08:29Falou muito, falou tudo.
00:08:32Não, tem tudo a ver com a sua trajetória, porque isso é reflexo, não é uma fala como essa, eu também me vejo nisso,
00:08:37e eu queria te ouvir, Lynn, também eu queria em seguida ouvir a Carol sobre esse assunto,
00:08:41qual exercício que a gente pode fazer enquanto comunidade negra de sonhar?
00:08:48Qual exercício você faz, inclusive, para esse sonho?
00:08:51Como o Gabi falou, muitas vezes a galera fala que é abstrato, mas é tangível também.
00:08:56Qual o seu exercício para continuar sonhando?
00:09:00Para sonhar primeiro é preciso dormir, e eu já confesso que eu durmo muito pouco e mal,
00:09:05mas sonhar, para mim, é um ato de realização.
00:09:11Faz algum tempo que eu estava pensando sobre isso, né?
00:09:14Sobre quais foram, quais são os meus sonhos, porque eu confesso que eu nunca sonhei
00:09:20em ocupar os espaços que eu estou ocupando, em fazer música,
00:09:26todos esses acontecimentos, de uma certa forma, foram uma grande surpresa,
00:09:33um grande ato de realização.
00:09:35Eu acredito que eu sonho acordada, assim,
00:09:39e tudo isso só foi possível, todas essas realizações,
00:09:44porque, assim eu acho, como a Gabi também,
00:09:49A Linda Quebrada, ela não é necessariamente uma ficção minha,
00:09:54ela é uma obra de fricção.
00:09:56E eu invento A Linda Quebrada justamente para inventar forças,
00:10:00para que eu conseguisse também acreditar na minha própria existência.
00:10:05E isso, desde com a minha música, inventando realidades possivelmente impossíveis.
00:10:14Todas aquelas coisas que me foram negadas, inclusive,
00:10:18a sonhar e a que eu pudesse realizar,
00:10:22eu trago na minha música, na palavra, nas imagens que eu construo,
00:10:27para que eu já transformasse elas em realização.
00:10:32E isso só foi possível porque eu me conectei a pessoas,
00:10:39a pessoas que não só se identificavam com as coisas que eu estava produzindo,
00:10:45ou que eu estava inventando,
00:10:47mas que também fortaleciam e somavam com essas ideias.
00:10:53Esse eu acho que é um ponto que foi crucial para mim e fundamental.
00:10:56Era que eu tinha ideias ali que podiam ser germinadas.
00:11:02E quando eu me encontrava com outras pessoas pretas,
00:11:05quando eu me encontrava com outras pessoas trans,
00:11:07outras pessoas da nossa comunidade,
00:11:10essas ideias ficavam muito maiores.
00:11:14Maiores, inclusive, do que eu.
00:11:17Eu acho que assim que eu venho construindo a minha trajetória,
00:11:22com muita dúvida, e é assim que eu venho realizando sonhos
00:11:28que eu nem ao menos tive tempo de sonhar,
00:11:31mas que já se tornaram realidades inventadas.
00:11:36Genial. E você, Carol?
00:11:37O exercício que você tem feito para sonhar,
00:11:42e esse sonho ser essa realidade inventada,
00:11:45essa realidade criada, que a gente pode tocar,
00:11:48porque é tangível.
00:11:49Nossa, com certeza.
00:11:51E eu acho que dá até um bom gancho isso que a Lynn falou,
00:11:54de que é isso, a gente tem um sonho,
00:11:57eu acho que também sonho é sobre um tipo de resistência,
00:12:00porque nós que somos negros,
00:12:03ou qualquer outra questão que já tire a gente
00:12:06dessa caixinha da sociedade,
00:12:09automaticamente a gente já não tem o lugar do sonho.
00:12:12A gente acaba tendo o lugar do que dá para ter.
00:12:16E eu já, com a trajetória do coletivo,
00:12:20isso é uma coisa que realmente,
00:12:22para mim, me conecta muito.
00:12:24Eu sempre tive muita vontade de fazer coisas artísticas,
00:12:28de movimentar, enfim,
00:12:31comunicar para as pessoas o que é importante, de fato.
00:12:35E com o coletivo a gente começou a ter muito esse input,
00:12:39essa iniciativa de, beleza, um tem um sonho,
00:12:42e aí, de repente, a gente se vê num grupo de sete pessoas
00:12:46que, no início, não tinha dinheiro nenhum,
00:12:50só tinha um sonho mesmo de fazer cinema,
00:12:52de comunicar, de poder pegar uma câmera
00:12:56e poder passar uma mensagem.
00:12:59E hoje em dia a gente entende,
00:13:01com o passar dos anos,
00:13:02a gente foi compreendendo de como isso tem muito poder.
00:13:05Então, acho que na mesma hora que a gente tem a perspectiva
00:13:10desses sonhos virarem realidade com o futuro,
00:13:14eu também acho que é importante você também
00:13:16compartilhar esse sonho que você tem
00:13:19com pessoas próximas de você,
00:13:21da sua comunidade,
00:13:22que podem ouvir você e, quem sabe,
00:13:24também te levar para que esse sonho vire realidade.
00:13:27Então, eu imagino que a gente tem pegado isso
00:13:33e transformado, seja nos nossos trabalhos,
00:13:38seja nas divulgações pela internet,
00:13:41ou coisas do tipo,
00:13:42mas sempre tentando passar um tipo de informação
00:13:45de que é isso,
00:13:46todo mundo tem o direito de sonhar,
00:13:48acho que é isso, né,
00:13:49passar essa informação de que hoje eu consigo realizar
00:13:52o meu sonho,
00:13:53mas eu também quero mostrar para as pessoas
00:13:54que elas também conseguem realizar o sonho delas,
00:13:58por mais que pareça impossível, né,
00:14:01por mais que a gente tenha muito essa caminhada
00:14:03de que, às vezes, as coisas parecem não palpáveis,
00:14:07mas tudo é palpável, né,
00:14:09acho que realmente o sonho, para mim,
00:14:13ele serve também como além de eu individual,
00:14:16também para puxar as gerações que estão vindo
00:14:18para também incentivarem esse sonho, né.
00:14:22Maravilha, se eu só dar um recado, gente,
00:14:25eu sei que vocês estão assistindo,
00:14:27estou vendo uma galerinha,
00:14:28só que liguem as câmeras,
00:14:30porque daqui a pouco são vocês
00:14:32que vão fazer perguntas
00:14:34para essas pessoas incríveis que estão aqui,
00:14:36não sou eu apenas,
00:14:37então facilitem,
00:14:38abram a câmera e a gente continua aqui
00:14:40trocando ideia,
00:14:42e só puxando só mais um gancho
00:14:44sobre esse sonho,
00:14:46quero ouvir você, Lynn,
00:14:48qual ferramenta,
00:14:49ou quais ferramentas,
00:14:50acho que é melhor quais mesmo,
00:14:52a gente consegue utilizar
00:14:53para contagiar positivamente
00:14:55uma galera,
00:14:57nossa galera,
00:14:57que por vários motivos que a gente sabe,
00:15:00não consegue exercer
00:15:01essa possibilidade de sonhar,
00:15:04porque parece que é muito longe,
00:15:05é muito longe,
00:15:05Linda Quebrada,
00:15:07é muito longe,
00:15:08tá perto de Gabi,
00:15:08é muito longe a Carol,
00:15:09é muito longe,
00:15:10Monique,
00:15:10é muito longe o Afropunk,
00:15:12mas como é que a gente consegue
00:15:14contagiar positivamente
00:15:15uma galera que está descrente,
00:15:17porque a sociedade é perversa o suficiente
00:15:19para querer fazer,
00:15:21porque a gente desista mesmo.
00:15:22Exato.
00:15:24Eu, pensando nisso,
00:15:26eu acho que são várias ferramentas
00:15:28e várias tecnologias
00:15:29que não são possíveis,
00:15:30e depende principalmente
00:15:31de quais ferramentas
00:15:33e tecnologias estão
00:15:34às suas mãos,
00:15:36porque foi isso que aconteceu
00:15:37comigo também,
00:15:38eu tive que estar no presente,
00:15:42colocar e ficar os meus pés no chão,
00:15:44olhar a minha volta
00:15:46e perceber,
00:15:47tá,
00:15:48o que que eu consigo fazer
00:15:49com essas coisas
00:15:50que eu tenho em mãos?
00:15:51No que que era
00:15:52que eu tinha em mãos?
00:15:53O meu próprio corpo.
00:15:54Eu tinha o meu corpo
00:15:56como canal
00:15:57e como principal tecnologia
00:16:00de comunicação,
00:16:02de informação.
00:16:04A partir do meu corpo,
00:16:06eu fui me movendo,
00:16:08criando sobre mim mesma,
00:16:11com as minhas performances,
00:16:12com a palavra,
00:16:13utilizando então
00:16:15da internet
00:16:16como meio de propagação
00:16:19das coisas
00:16:20que eu estava criando,
00:16:22percebendo que as coisas
00:16:23que eu não sabia,
00:16:24porque eu não sabia fazer música,
00:16:26eu não sabia
00:16:27muitas das coisas
00:16:29das tecnologias
00:16:30que eram necessárias
00:16:32para me comunicar,
00:16:34mas eu tinha uma amiga
00:16:35que conhecia,
00:16:36eu tinha um amigo
00:16:37que sabia fazer
00:16:38uma outra coisa,
00:16:39então eu acho
00:16:40que uma das principais
00:16:43tecnologias
00:16:44são as nossas redes.
00:16:47Fugir das redes
00:16:48e dos anzóis,
00:16:50mas ainda assim
00:16:51para que a gente consiga
00:16:52nos conectar
00:16:54e formar
00:16:55uma nova trama
00:16:56a partir das pessoas
00:16:57que nós temos
00:16:58à nossa volta,
00:17:00a partir
00:17:00daquilo que a gente
00:17:02tem em mãos,
00:17:03porque sim,
00:17:04eu acho extremamente cruel,
00:17:06enquanto a gente
00:17:06estava conversando,
00:17:07o que eu fiquei pensando?
00:17:10Na verdade,
00:17:11isso pode parecer
00:17:12muito cruel,
00:17:13mas eu não acredito
00:17:14que é possível
00:17:16para todo mundo,
00:17:17na verdade,
00:17:18o sistema,
00:17:19como ele está dado,
00:17:20o sistema capital
00:17:23e esse lugar
00:17:24de que a gente fala,
00:17:26de que todas
00:17:26podem sonhar,
00:17:27de que se eu conseguir,
00:17:29todas conseguem,
00:17:30é mentira,
00:17:31eu sou uma exceção.
00:17:33Quantas outras
00:17:34travestis
00:17:35e pessoas pretas
00:17:36continuam à margem
00:17:38sem ter um mínimo
00:17:39de dignidade,
00:17:41sem conseguir
00:17:41acessar o mercado
00:17:42de trabalho,
00:17:43a escola,
00:17:45o seio familiar,
00:17:46sem ter uma família,
00:17:47uma casa,
00:17:48onde morar.
00:17:49Então,
00:17:50eu acho que uma
00:17:50das principais coisas,
00:17:51e é isso que eu tenho
00:17:52me engajado muito
00:17:54a pensar,
00:17:55porque, sinceramente,
00:17:56também,
00:17:58esse mercado
00:17:58me adoece.
00:18:00Eu tenho percebido
00:18:01o quanto,
00:18:02nesses quatro anos
00:18:03que eu venho trabalhando,
00:18:04nessa minha trajetória,
00:18:06esse mercado
00:18:07tem nos adoecido
00:18:08e tem me adoecido
00:18:09também.
00:18:10E agora,
00:18:11que eu tenho cada vez
00:18:12mais ampliado
00:18:13essa rede
00:18:14e realizado os sonhos
00:18:16que eu nem,
00:18:17ao menos,
00:18:18sonhei,
00:18:19eu tenho agora
00:18:20me perguntado
00:18:22como que a gente
00:18:22pode criar
00:18:23outros mercados,
00:18:25outras redes,
00:18:27como que a gente
00:18:28pode criar
00:18:29fissuras
00:18:30entre nós,
00:18:31porque até agora,
00:18:32eu sinto que,
00:18:32de alguma forma,
00:18:33nós somos
00:18:34cerceirizadas.
00:18:36O mercado,
00:18:37ele se apropria
00:18:38da nossa produção
00:18:38criativa e intelectual
00:18:40e utiliza
00:18:41para que a gente dance
00:18:43sobre os seus
00:18:44algoritmos,
00:18:45os seus
00:18:46algoritmos.
00:18:47Mas agora,
00:18:48eu acho que a gente
00:18:48chega num ponto
00:18:49que a gente tem
00:18:50um domínio da tecnologia,
00:18:51de informação,
00:18:53em um alcance,
00:18:54que agora,
00:18:55a gente tem que
00:18:57criar novas tecnologias,
00:18:59Monique,
00:19:00criar novas,
00:19:02novas redes
00:19:03e novas fissuras
00:19:04nesse mercado
00:19:06para que a gente
00:19:07possa ir além
00:19:08dos algoritmos
00:19:10e desse engajamento
00:19:11todo,
00:19:12sabe?
00:19:13Sei
00:19:13e concordo
00:19:14totalmente.
00:19:15Eu tenho
00:19:16mergulhado
00:19:17nesse universo
00:19:18desabafo social,
00:19:19para quem não conhece,
00:19:20é um laboratório
00:19:21de tecnologias sociais
00:19:22que eu faço parte
00:19:23junto com o time
00:19:23massa
00:19:24e a gente está
00:19:25mergulhando nesse lugar
00:19:26e muito assim,
00:19:28como remunerar
00:19:29o que as pessoas
00:19:30já produzem
00:19:31em escala,
00:19:33porque a gente
00:19:33fica postando
00:19:34em todas essas
00:19:34redes sociais
00:19:35que tem essas temáticas
00:19:36que a gente já sabe
00:19:37do algoritmo racista,
00:19:39se vai ou não vai
00:19:40ter alcance ou não,
00:19:41que isso também é papo
00:19:42para outro momento,
00:19:43mas aqui a gente
00:19:44quer falar de solução.
00:19:45Gabi,
00:19:46você consegue visualizar
00:19:47até pegando isso
00:19:49de criar novos mercados
00:19:50ou se tem,
00:19:52pode indicar pessoas
00:19:54que estão indo
00:19:54num caminho diferente
00:19:56de criar essas fissuras,
00:19:58essas novas possibilidades,
00:20:00essas comunidades
00:20:01para a galera preta?
00:20:04Nossa, Monique,
00:20:05pergunta difícil.
00:20:09Dessa vez,
00:20:10todo mundo pode responder,
00:20:11eu aceito.
00:20:12Vamos começar por você.
00:20:13Muito obrigada,
00:20:14porque principalmente
00:20:16nesse campo
00:20:17da tecnologia,
00:20:19eu sou uma pessoa
00:20:19muito desesperançosa
00:20:21no sentido de migração,
00:20:26eu acho que a gente
00:20:26desacredita muito
00:20:28nos nossos próprios
00:20:30potenciais
00:20:31e por isso a gente
00:20:32não abraça
00:20:32tanto as novas ideias,
00:20:34mas sim só segue
00:20:35as ideias que já
00:20:36estão estabelecidas,
00:20:38principalmente nesse campo.
00:20:39Claro que como
00:20:40eu sou uma pessoa
00:20:41que trabalha
00:20:42com redes sociais,
00:20:44então é sempre
00:20:45um mecanismo de trabalho
00:20:47que precisa ser
00:20:48muito bem pensado,
00:20:49porque outro dia
00:20:51um youtuber
00:20:53que eu seguia,
00:20:54por exemplo,
00:20:55o canal dele
00:20:55foi apagado,
00:20:56simplesmente foi apagado
00:20:58e não voltou.
00:20:59Então,
00:21:00como a gente pensar,
00:21:03como estruturar
00:21:04a sua profissão
00:21:05e a sua vida
00:21:06num mecanismo
00:21:08que não te garante nada?
00:21:10Porque as redes sociais,
00:21:11se elas quiserem
00:21:11bloquear você
00:21:13e você sumir,
00:21:14é isso,
00:21:15você vai sumir
00:21:16se, sei lá,
00:21:19Facebook,
00:21:20YouTube,
00:21:20não sei o que,
00:21:21acabou para você,
00:21:22acabou o seu trabalho.
00:21:23Então,
00:21:24ao mesmo tempo
00:21:25que eu percebo
00:21:27o quão perigoso
00:21:28é a gente se estruturar
00:21:29nessas redes,
00:21:31eu falo de tudo,
00:21:32assim,
00:21:33do setor da música,
00:21:34das grandes indústrias,
00:21:35etc.,
00:21:36mas,
00:21:37quando eu olho
00:21:39para a nossa realidade,
00:21:41eu não sei,
00:21:42assim,
00:21:42eu vejo você
00:21:43discutindo muito
00:21:44sobre isso,
00:21:45sobre novos espaços
00:21:47e tal,
00:21:48nesse espaço
00:21:48tecnológico,
00:21:50mas,
00:21:51a minha esperança,
00:21:52na verdade,
00:21:53vai muito mais
00:21:54no sentido
00:21:55de quem está
00:21:56construindo na rua,
00:21:57porque eu acho
00:21:59que existe um potencial
00:22:00gigantesco
00:22:01de quem,
00:22:03eu acho que
00:22:04o grande exemplo
00:22:05que a gente tem
00:22:05no Brasil
00:22:06é o exemplo
00:22:07da igreja.
00:22:08Eu era uma pessoa
00:22:09cristã
00:22:09na adolescência
00:22:11e eu vi
00:22:12toda a estrutura
00:22:13que foi formada
00:22:15e levantada
00:22:16para que
00:22:16hoje a gente
00:22:17tivesse,
00:22:18por exemplo,
00:22:18governantes,
00:22:19os governantes
00:22:20que a gente tem.
00:22:21Era um discurso
00:22:22muito bem traçado
00:22:23e uma estratégia
00:22:24muito bem estabelecida
00:22:25de como
00:22:26alcançar mais pessoas
00:22:28e trazer essas pessoas
00:22:29para as ideias
00:22:31que você acredita.
00:22:32E isso foi feito
00:22:33muito na rua também,
00:22:35muito com o povo mesmo
00:22:37que às vezes
00:22:38não conversa
00:22:38com as nossas redes,
00:22:40nas nossas bolhas.
00:22:42Quando eu criei
00:22:42um podcast,
00:22:44eu fiz uma enquete
00:22:45no meu perfil
00:22:48e eu perguntei
00:22:50quem sabe
00:22:50o que é podcast?
00:22:51E eu acho
00:22:52que 82% das pessoas
00:22:53responderam
00:22:54que não sabiam.
00:22:56Então, assim,
00:22:58a gente tem que entender
00:22:59quem estamos falando.
00:23:01Foi no meu sentido.
00:23:02Exato,
00:23:03que já é uma bolha
00:23:04da bolha,
00:23:05entendeu?
00:23:06E as pessoas
00:23:06não sabem.
00:23:07Sim, sim.
00:23:08Eu acho desse pressuposto
00:23:09que todo mundo
00:23:10que já nos segue
00:23:11automaticamente
00:23:12já sabe
00:23:12o que a gente está falando,
00:23:13a gente está pregando
00:23:14para convertido,
00:23:15enfim,
00:23:15mas pode continuar.
00:23:17Não, é basicamente isso.
00:23:19Eu vejo muitas potências
00:23:20na rua,
00:23:21conversando com a população
00:23:24e não,
00:23:25de forma alguma,
00:23:26não estou descartando
00:23:27o meu próprio trabalho.
00:23:28Eu acho que existe
00:23:29muita potência
00:23:30no online também,
00:23:31mas são complementares.
00:23:34São complementares.
00:23:35E pensando em Brasil,
00:23:37onde boa parte
00:23:37da população
00:23:38ainda não tem acesso
00:23:39à internet,
00:23:41eu acho que
00:23:42muitas soluções
00:23:45já estão sendo
00:23:46desenhadas
00:23:47e desenvolvidas
00:23:48e a gente não está,
00:23:50a gente nem sabe
00:23:51porque
00:23:51não chega até a gente.
00:23:54Exato,
00:23:54também concordo.
00:23:54Sabe, eu posso pegar
00:23:55só um ganchinho
00:23:56e falar uma coisa?
00:23:57Porque eu gostei muito
00:23:58de quando você falou,
00:24:00Gabi,
00:24:01que você está
00:24:01desesperançosa,
00:24:03porque eu
00:24:04não tenho esperanças.
00:24:07Eu acredito
00:24:08que a esperança
00:24:09nos mantém esperando
00:24:11e esperando
00:24:12e esperando.
00:24:14Eu acho
00:24:14que é importante,
00:24:16crucial,
00:24:16que a gente
00:24:17perca as esperanças,
00:24:19inclusive para que a gente
00:24:20consiga elaborar
00:24:21novas soluções,
00:24:22porque as soluções
00:24:24hoje,
00:24:25a maioria das vezes,
00:24:26elas são seleções.
00:24:28As soluções,
00:24:29elas são selecionadas
00:24:31para grupos de pessoas.
00:24:33Enfim,
00:24:33eu acho que
00:24:34muito isso
00:24:35de que você falou
00:24:35quando você trouxe
00:24:36da igreja,
00:24:37eu acho que é um lugar
00:24:38interessante
00:24:39da gente pensar
00:24:40como que a gente
00:24:41constrói novas egrégoras,
00:24:43como que a gente
00:24:44amplia
00:24:45as nossas egrégoras.
00:24:47Quando eu penso,
00:24:48por exemplo,
00:24:48na aparelha Luzia,
00:24:50como um espaço
00:24:52físico
00:24:54de encontro.
00:24:54Fala onde fica
00:24:55o aparelho Luzia,
00:24:56por favor.
00:24:57O aparelho Luzia
00:24:58que existe
00:25:00em São Paulo,
00:25:02eu acho que ele só existe
00:25:03aqui em São Paulo,
00:25:04no centro de São Paulo,
00:25:06e é uma egrégora
00:25:07de encontros,
00:25:10inclusive,
00:25:11ir além
00:25:12da ficção
00:25:13da raça,
00:25:14ir além
00:25:15só das identidades,
00:25:17para que a gente
00:25:18possa construir
00:25:19com os nossos
00:25:21corpos
00:25:23narrativas
00:25:25para além
00:25:25apenas do previsto
00:25:27para a negritude.
00:25:28Outros encontros,
00:25:30já está dado
00:25:31que somos negras,
00:25:32já está dado
00:25:33muitas coisas
00:25:34quando a gente
00:25:35ocupa aqueles lugares
00:25:36que a gente se vê,
00:25:37que a gente se reconhece
00:25:38e se reconhece,
00:25:39inclusive,
00:25:40na diferença.
00:25:41Mas quando eu olho
00:25:42no olho,
00:25:43quando eu estou perto,
00:25:44quando a gente
00:25:45dança junto,
00:25:46quando a gente
00:25:47se move,
00:25:49o que me faz
00:25:50pensar é o que
00:25:51nós podemos fazer
00:25:52a partir daqui.
00:25:54Aonde estamos
00:25:54indo?
00:25:55É da onde estamos
00:25:56vindo,
00:25:57nos vemos
00:25:58e para onde
00:25:59nós estávamos indo
00:26:00mesmo.
00:26:01Eu acho que isso
00:26:02também conversa um pouco
00:26:03até com toda
00:26:04essa temática
00:26:05do
00:26:05do Solutions,
00:26:08que é
00:26:09presente,
00:26:10passado e futuro,
00:26:11né?
00:26:12Da onde viemos,
00:26:13onde estamos
00:26:14e para onde
00:26:14nós estamos
00:26:15indo mesmo.
00:26:16E Carol,
00:26:18sobre isso,
00:26:19de para onde vamos,
00:26:19presente,
00:26:20passado,
00:26:20futuro,
00:26:21o que um coletivo
00:26:22de audiovisual
00:26:23com integrantes pretos
00:26:25e LGBTQI+,
00:26:26pode fazer
00:26:28pela nossa comunidade
00:26:30preta?
00:26:31Cara,
00:26:32estava ouvindo
00:26:33vocês falando,
00:26:35burbulhou de várias
00:26:36ideias.
00:26:38Eu acho
00:26:39que o nosso
00:26:39trabalho,
00:26:41ele vem muito
00:26:42também às vezes
00:26:42nesse,
00:26:44concordo super
00:26:45com tudo que vocês
00:26:46falaram,
00:26:47e acho que a gente
00:26:47vem muito desse processo
00:26:50dos passos
00:26:51de formiga,
00:26:52né?
00:26:52De tipo,
00:26:53às vezes você também
00:26:54tem que entrar
00:26:55numa quebrada,
00:26:56às vezes você tem que
00:26:57se dispor para eventos
00:26:58que não sejam,
00:26:59sei lá,
00:27:00que não tenham
00:27:00tipo uma remuneração,
00:27:02por exemplo,
00:27:02o coletivo
00:27:03vira e mexe
00:27:04e faz ações
00:27:05ou exibições
00:27:07dos nossos filmes
00:27:08que são autorais
00:27:09dentro desses espaços,
00:27:11exatamente porque
00:27:12a gente acredita
00:27:13que é isso,
00:27:15assim, né?
00:27:15Tipo,
00:27:16a sociedade
00:27:17mostra que realmente
00:27:19sonhar não é
00:27:20para todos
00:27:20e de fato não é,
00:27:22porque nem todo mundo
00:27:22consegue chegar lá,
00:27:25né?
00:27:25E eu acho
00:27:26que trazer
00:27:28essa perspectiva
00:27:29para os espaços,
00:27:30para as comunidades
00:27:31onde a gente está,
00:27:32por mais pequeno
00:27:34que seja,
00:27:35por mais devagarzinho
00:27:37que ele seja,
00:27:38ele tem um poder,
00:27:40né?
00:27:40Então a gente também
00:27:40tem muita essa dualidade
00:27:42de, na mesma moeda
00:27:43com os nossos projetos,
00:27:44tentar levar
00:27:45de uma forma
00:27:45em que as pessoas
00:27:47se interajam,
00:27:49se sintam
00:27:49interessadas
00:27:50do porquê
00:27:52que um grupo
00:27:53de oito jovens
00:27:54periféricos
00:27:55conseguiu fazer um filme,
00:27:57por exemplo.
00:27:57Por como
00:27:58um grupo
00:27:59de oito pessoas
00:28:01que vieram
00:28:02de lugares diferentes
00:28:03de São Paulo
00:28:03conseguiram
00:28:05ter o poder
00:28:05de pegar uma câmera
00:28:07e querer comunicar
00:28:07sobre racismo,
00:28:09sobre gordofobia,
00:28:10sobre
00:28:11sobre
00:28:12homofobia,
00:28:13sobre
00:28:13absolutamente
00:28:14qualquer repressão
00:28:16que a gente
00:28:17sofre, né?
00:28:18diretamente.
00:28:20Então eu acho
00:28:20que tem
00:28:20essas duas nuances,
00:28:22né?
00:28:22Tanto de
00:28:23ir nos espaços
00:28:25quanto
00:28:26o que a gente
00:28:28vai comunicar
00:28:29e como vai comunicar.
00:28:31Tanto que os nossos
00:28:31processos dentro,
00:28:33seja publicidade,
00:28:34seja um filme
00:28:36que a gente
00:28:36está fazendo
00:28:37por editar
00:28:38absolutamente
00:28:40qualquer vídeo,
00:28:41a gente sempre
00:28:42tem essa preocupação
00:28:43de quem está fazendo,
00:28:46quem está transmitindo,
00:28:48até mesmo
00:28:49porque a gente
00:28:50quer que essa
00:28:51informação
00:28:52seja verdadeira,
00:28:53a gente quer
00:28:53que ela tenha
00:28:54uma relevância
00:28:55muito
00:28:55impactante.
00:28:59Óbvio que assim,
00:29:00pega cada pessoa
00:29:01de uma forma
00:29:01diferente, né?
00:29:02Tipo, a gente
00:29:03não tem,
00:29:03não consegue ter
00:29:04o poder de como
00:29:05vai chegar em cada
00:29:06pessoa,
00:29:07mas a gente
00:29:07sempre tenta
00:29:08ter esse carinho
00:29:09de conversar
00:29:11com elas exatamente,
00:29:12abrir esses espaços
00:29:13para a gente
00:29:14ter essa troca,
00:29:15de entender
00:29:16o que pode ser mudado,
00:29:17o que pode,
00:29:19o que é legal
00:29:20nos filmes,
00:29:20quais são as
00:29:22melhorizações
00:29:23que a gente
00:29:23pode ter
00:29:24nos nossos
00:29:24processos,
00:29:26então,
00:29:26eu acho que a gente
00:29:28também tem
00:29:28muita essa
00:29:29preocupação,
00:29:30assim,
00:29:30de não só
00:29:32do transmitir,
00:29:34mas como
00:29:34que a gente
00:29:35vai transmitir
00:29:36e abrir
00:29:36espaços
00:29:37para essas
00:29:38pessoas,
00:29:39né?
00:29:39Então,
00:29:41a gente vive
00:29:41com equipes
00:29:42formadas por
00:29:43mulheres negras,
00:29:44por pessoas
00:29:44pretas,
00:29:45por pessoas LGBTs,
00:29:46tipo,
00:29:47muito raramente
00:29:48a gente tem
00:29:48uma pessoa
00:29:49cis,
00:29:51branca,
00:29:51nos nossos
00:29:52projetos,
00:29:54então,
00:29:55acho que também
00:29:55tem essa
00:29:56coisa da revolução,
00:29:57né?
00:29:57Da gente
00:29:57trazer essas
00:29:58pessoas cada vez
00:29:59mais,
00:30:00porque os corpos
00:30:00delas são
00:30:01importantes
00:30:01estarem ali,
00:30:03porque quanto
00:30:03mais esses
00:30:04corpos
00:30:04estiverem ali,
00:30:06tanto por trás,
00:30:06quanto por frente,
00:30:07por todos os jeitos,
00:30:09e elas entenderem
00:30:10que o espaço
00:30:10delas é aquele,
00:30:12eu acho que
00:30:12a gente também
00:30:13dá esse poder,
00:30:15né?
00:30:15De que,
00:30:16tipo,
00:30:16a informação
00:30:17que está chegando
00:30:17nelas é importante
00:30:19e elas podem
00:30:20usufruir dessa
00:30:20informação,
00:30:21que elas podem
00:30:22seguir em frente
00:30:23com essa informação,
00:30:24porque eu sinto
00:30:24que às vezes
00:30:25as informações,
00:30:26por mais importantes
00:30:27que elas cheguem,
00:30:27seja no espaço
00:30:28mais oprimido
00:30:29que seja,
00:30:30às vezes elas chegam
00:30:31de uma forma
00:30:31tão complicada,
00:30:32tão difícil
00:30:33de você assim lá,
00:30:34que ela só entra
00:30:35e ela sai,
00:30:36tipo,
00:30:36você não agrega
00:30:37isso de uma forma
00:30:38que realmente
00:30:39você tenta
00:30:39dialogar com as
00:30:41pessoas que realmente
00:30:42precisam dessa informação,
00:30:43então acho que
00:30:44o nosso projeto
00:30:46ele tem muito
00:30:47esse cunho,
00:30:48por mais que a gente
00:30:49vá,
00:30:49tipo,
00:30:50vender um carro,
00:30:51tá,
00:30:51vamos vender um carro,
00:30:52então vamos vender um carro
00:30:53com a pessoa preta ali,
00:30:54vamos vender um carro
00:30:55com todo mundo
00:30:56da equipe
00:30:57formado por pessoas
00:30:58minimamente periféricas
00:31:00e que elas consigam
00:31:01e mostrar pra elas
00:31:03que elas conseguem
00:31:04também vender um carro,
00:31:05sabe?
00:31:06Tipo,
00:31:06esse processo de,
00:31:07tipo,
00:31:07você pode,
00:31:09a sociedade mostrou
00:31:10pra você que você não pode,
00:31:11mas eu estou te trazendo
00:31:13pra cá
00:31:14pra te mostrar
00:31:14que você pode fazer isso
00:31:15junto comigo
00:31:16e a partir daí
00:31:17você segue em frente,
00:31:19assim,
00:31:20pelo menos foi isso
00:31:21muito o processo
00:31:21que aconteceu comigo
00:31:22referente ao coletivo,
00:31:23né,
00:31:24tipo,
00:31:24todos me agregaram
00:31:26e eu tive a oportunidade
00:31:27de junto com eles
00:31:29também crescer,
00:31:30então acho que a gente
00:31:31também tenta,
00:31:32por mais que seja
00:31:32pequenininho,
00:31:33né,
00:31:34uma,
00:31:34duas,
00:31:34três,
00:31:34quatro pessoas,
00:31:36eu acho que
00:31:36já faz uma diferença,
00:31:39né,
00:31:39que aí essas pessoas
00:31:39se inspiram
00:31:41ou elas sentem vontade
00:31:42de produzir também
00:31:43suas próprias coisas.
00:31:45Eu quero continuar
00:31:46com você,
00:31:47mas eu gostaria
00:31:47de ouvir as três,
00:31:48tá bom?
00:31:49Pensando nisso
00:31:50de inspiração,
00:31:51você falou inspiram,
00:31:52vamos pensar em semear,
00:31:54assim,
00:31:54como é que a gente consegue
00:31:55semear,
00:31:57popularizar,
00:31:58disseminar
00:31:59a perspectiva
00:32:00da abundância
00:32:01em relação
00:32:02aos nossos corpos,
00:32:03nossas intelectualidades,
00:32:05ao invés de ser
00:32:06só escassez,
00:32:07como é que a gente
00:32:08semeia esse lugar,
00:32:10essa perspectiva
00:32:11de abundância,
00:32:11de potência?
00:32:14Cara,
00:32:14eu acho que
00:32:15esse espaço,
00:32:16ele é meio
00:32:17complexo,
00:32:18né,
00:32:18assim,
00:32:19porque é isso,
00:32:20quando eu comecei
00:32:20a mexer com
00:32:21audiovisual,
00:32:22né,
00:32:22junto com o
00:32:23politico,
00:32:24quando a gente
00:32:24começou a produzir,
00:32:25a gente tinha
00:32:26muito essa coisa
00:32:27do,
00:32:27vendo outros grupos,
00:32:29outras pessoas
00:32:30querendo falar
00:32:30sobre quebrada,
00:32:31querendo falar
00:32:32sobre opressões,
00:32:33querendo falar
00:32:34sobre esses espaços,
00:32:35mas sempre querendo
00:32:36mostrar da perspectiva
00:32:38da violência,
00:32:39de uma forma
00:32:40que chega
00:32:42na comunidade,
00:32:44tipo,
00:32:44por mais que seja
00:32:45necessário,
00:32:46eu acho que esse tipo
00:32:46de obra é necessário,
00:32:48mas eu acho também
00:32:49que a gente pode
00:32:50tentar falar disso
00:32:51de uma forma
00:32:52bonita,
00:32:53de uma forma
00:32:54com uma imagem
00:32:54bonita,
00:32:55com uma performance,
00:32:57com arte,
00:32:57sabe,
00:32:58eu acho que
00:32:59isso tem
00:33:01essa potência,
00:33:02sabe,
00:33:02de mostrar que
00:33:03às vezes as coisas
00:33:04não precisam ser
00:33:05preto no branco,
00:33:07você consegue ter
00:33:08uma infinidade
00:33:09de formas
00:33:09para você
00:33:10comunicar
00:33:11a sua informação,
00:33:12que nem a gente
00:33:13tem um filme,
00:33:14nosso último filme,
00:33:15aliás,
00:33:15assistam,
00:33:16se chama Bond,
00:33:17lindíssimo,
00:33:18adoro esse filme,
00:33:20a gente tem
00:33:22cenas cômicas
00:33:23no meio
00:33:24e fala muito
00:33:25sobre a negritude,
00:33:26sobre
00:33:27sobre
00:33:28a comunidade
00:33:30queer,
00:33:30como ela
00:33:31se agrega
00:33:32entre si,
00:33:32como às vezes
00:33:33você se torna
00:33:34a sua família,
00:33:35a sua família
00:33:37em si
00:33:38a gente apoia,
00:33:38mas você tem
00:33:39uma família
00:33:39que você pode
00:33:40escolher,
00:33:42e é isso,
00:33:43a gente tentou
00:33:43colocar,
00:33:44por exemplo,
00:33:44nesse filme
00:33:44tons cômicos,
00:33:46mas falando
00:33:46de um assunto
00:33:47que pega,
00:33:49sabe,
00:33:49que é um gatilho,
00:33:51então eu acho
00:33:52que a gente
00:33:52tenta ter
00:33:53também
00:33:54essa sensibilidade,
00:33:56né,
00:33:56Dudu,
00:33:56eu vou comunicar,
00:33:57eu vou te mostrar,
00:33:59por mais que isso
00:34:01possa ser penoso,
00:34:02mas eu preciso
00:34:02que você tenha
00:34:03essa informação,
00:34:04que você agregue
00:34:04essa informação
00:34:05e que consiga
00:34:06levar ela
00:34:06pra frente,
00:34:07mas como eu disse,
00:34:08né,
00:34:08a gente não tem
00:34:09muito controle
00:34:10sobre como isso
00:34:11vai se suceder,
00:34:14mas eu acho
00:34:14que,
00:34:16acho também
00:34:17que eu fiz a mesma
00:34:17coisa com as meninas,
00:34:18não respondi a sua
00:34:19pergunta,
00:34:19mas...
00:34:20Tá tudo bem,
00:34:21a melhor maneira
00:34:21de responder,
00:34:22a melhor maneira,
00:34:24eu vou fazer aqui
00:34:25agora,
00:34:26quer ver o que eu vou fazer?
00:34:26Mas eu acho que é isso.
00:34:31Então pode,
00:34:32vai continuar?
00:34:33Pode falar,
00:34:33pode falar,
00:34:34já acabei.
00:34:35Eu tive,
00:34:36quando você perguntou,
00:34:38isso me fez pensar
00:34:39o quanto
00:34:41a abundância
00:34:43envolve sacrifício,
00:34:47ser abundante
00:34:48é também
00:34:49um sacrifício,
00:34:51um sacro
00:34:52ofício
00:34:54de centro
00:34:55e descentralização.
00:34:58Para ser abundante,
00:34:59eu acho que é preciso
00:35:00ir além de si.
00:35:02Para ser abundante,
00:35:03é preciso sair
00:35:04da frente do espelho
00:35:05e abrir a janela
00:35:07e ver que tem
00:35:08o mundo inteiro
00:35:09lá fora.
00:35:11Não tem como
00:35:11ser abundante
00:35:13se for só eu.
00:35:15Se for só eu
00:35:17sendo abundante.
00:35:19Então,
00:35:20se a gente for falar
00:35:21das nossas referências
00:35:22e de inspiração
00:35:24para que isso,
00:35:25para gerar,
00:35:26olha que lugar
00:35:27que a gente está.
00:35:28Ainda e que bom,
00:35:30mas é o lugar
00:35:31de inventar
00:35:33novos imaginários.
00:35:35Novos imaginários.
00:35:37A gente ainda precisa
00:35:37nos imaginar
00:35:39em outros lugares,
00:35:41em lugares
00:35:42de abundância.
00:35:44Mas essas referências,
00:35:47essas representações
00:35:48ou essa tal
00:35:50e tão falada
00:35:51e mal falada
00:35:52representatividade,
00:35:55ela não pode ser
00:35:56una,
00:35:56como você mesma diz.
00:35:58Ela não pode ser
00:35:59só eu
00:35:59ser abundante.
00:36:02Não pode ser
00:36:02só eu no topo.
00:36:04Porque existir
00:36:06um topo
00:36:06significa
00:36:07que há uma base
00:36:09que ainda
00:36:09se distancia
00:36:10desse topo,
00:36:12dessa mesma forma.
00:36:13Então eu acho
00:36:14que para ser abundante
00:36:16é preciso
00:36:16que a gente
00:36:17se sacrifique
00:36:20de alguma forma.
00:36:21E é muito doloroso também.
00:36:23A gente está chegando
00:36:24nesses lugares agora,
00:36:24já tem que falar
00:36:25em sacrifício,
00:36:25mas sacrificar
00:36:27o show do eu,
00:36:30sabe?
00:36:30E entender
00:36:31que é preciso
00:36:32contrassenar,
00:36:34que é preciso
00:36:34dividir
00:36:36e multiplicar,
00:36:37que essas duas equações
00:36:39fazem parte
00:36:41de um mesmo cálculo,
00:36:43assim,
00:36:43de um cálculo
00:36:44que também
00:36:44que é isso,
00:36:45que pode dar errado.
00:36:47Mas que
00:36:47eu acho que isso
00:36:49talvez possa ser
00:36:51abundante.
00:36:52O erro é abundante,
00:36:53né?
00:36:53A falha é abundante.
00:36:55E o fracasso,
00:36:56eu sou apaixonada
00:36:57pelo fracasso,
00:36:57vou finalizar a minha fala.
00:36:58O fracasso,
00:36:59eu acho
00:37:00que o fracasso
00:37:02é abundante,
00:37:03eu adoro o fracasso,
00:37:04porque eles não contam
00:37:05com o fracasso,
00:37:07e eles contam
00:37:07com uma ideia
00:37:08pré-determinada
00:37:09de sucesso.
00:37:10E eu sou o fracasso,
00:37:12eu sou a prova viva
00:37:13de que eles
00:37:14fracassaram,
00:37:15eu sou a falha,
00:37:16eu sou o erro.
00:37:18E eu acho
00:37:18que quanto mais erros
00:37:19e mais fracassos
00:37:20e mais falhas
00:37:21para esse sistema,
00:37:23mais abundantes
00:37:24nós podemos
00:37:25nos tornar.
00:37:28Então acabou
00:37:28o Soluchão Sesto,
00:37:29gente sacanagem,
00:37:30brincadeira.
00:37:31Eu não tenho mais
00:37:32nada para falar,
00:37:33assim,
00:37:33quem está vendo
00:37:34a minha cara,
00:37:35sabe,
00:37:35que eu vou
00:37:35se parar
00:37:36nem sei,
00:37:37nem sei disso.
00:37:37Você tem isso,
00:37:38você tem isso.
00:37:40Porque é muito massa
00:37:41para quem está assistindo,
00:37:43inclusive,
00:37:43estou vendo que vocês
00:37:44estão ligando a câmera,
00:37:45por favor,
00:37:46deixem no chat
00:37:46as perguntas,
00:37:47que daqui a pouco
00:37:48vocês vão fazer
00:37:49ao vivo aqui também.
00:37:50Mas cada um
00:37:51tem uma perspectiva,
00:37:52entendeu?
00:37:52Isso é massa,
00:37:53por isso que eu quero
00:37:54te ouvir também
00:37:55falar sobre isso
00:37:55da abundância.
00:37:56Eu fiquei empilatizada,
00:37:57Monique.
00:37:58Estava aqui no...
00:37:59Só a poesia que saiu,
00:38:03mas...
00:38:05Sério mesmo,
00:38:06de verdade,
00:38:07eu esqueci um pouco
00:38:07o que eu ia falar,
00:38:08o que eu ia comentar,
00:38:09mas...
00:38:10Eu tenho conversado
00:38:12muito sobre
00:38:13como
00:38:16a gente
00:38:17foi treinado
00:38:19a pensar
00:38:20muitas vezes
00:38:21de forma
00:38:22miserável,
00:38:27mas não estou falando
00:38:28só no sentido
00:38:29de bens
00:38:30e de dinheiro.
00:38:32Estou falando
00:38:32miserável
00:38:33no sentido
00:38:33de restrição
00:38:35de vida,
00:38:36de restrição
00:38:37de possibilidades.
00:38:39E aí,
00:38:40às vezes,
00:38:41eu estou fazendo
00:38:42uma dinâmica
00:38:43no meu Instagram
00:38:43que eu presenteio
00:38:46algumas seguidoras
00:38:47e aí eu sorteio.
00:38:49E aí,
00:38:49essa dinâmica
00:38:50me fez pensar muito,
00:38:51porque eu chego
00:38:52e pergunto para a pessoa,
00:38:53você pode pedir
00:38:55o que você quiser?
00:38:56Eu sempre falo
00:38:57no jantar.
00:38:58E aí eu falo,
00:38:59você pode pedir
00:38:59o que você quiser.
00:39:01E a maior parte
00:39:03das evolutivas
00:39:04que eu tenho é,
00:39:05ah, não,
00:39:06não sei,
00:39:07ah, Gabi,
00:39:08escolhe você,
00:39:10ah, você fala,
00:39:11eu estou falando
00:39:12que você pode pedir,
00:39:13o que você quiser
00:39:14jantar hoje,
00:39:15você pode,
00:39:16eu estou falando
00:39:17com você.
00:39:18Só que a gente
00:39:18está tão
00:39:19treinado
00:39:21com o não
00:39:22e porque,
00:39:23né,
00:39:23nossa sociedade,
00:39:24uma sociedade racista,
00:39:25transfóbica,
00:39:26machista.
00:39:27Então, assim,
00:39:28a gente está tão
00:39:29nesse lugar
00:39:30do não
00:39:31que, às vezes,
00:39:32mesmo quando
00:39:33uma oportunidade
00:39:34aparece para a gente,
00:39:36a gente é tentado
00:39:37acreditar que aquela
00:39:38não é uma possibilidade
00:39:40para nós.
00:39:41E eu acho
00:39:42que quando eu penso,
00:39:43quando a gente fala
00:39:44em pensar
00:39:44de forma abundante,
00:39:46é muito nesse sentido
00:39:47de, ok,
00:39:49as coisas não foram fáceis,
00:39:51eu concordo plenamente
00:39:52com você,
00:39:52quando você fala
00:39:54que não,
00:39:56não é todo mundo
00:39:57que,
00:39:58a gente não vai
00:39:59abraçar esse discurso
00:40:00de só sonhar
00:40:01que você consegue,
00:40:02quem quer alcançar,
00:40:03quer só trabalhar
00:40:04que você consegue,
00:40:05porque a gente sabe
00:40:05que não é assim.
00:40:06A gente deixou
00:40:07muita gente para trás,
00:40:09a gente sabe,
00:40:10muita gente
00:40:10com muito potencial,
00:40:12com muito talento,
00:40:13que não conseguiu
00:40:14porque as portas
00:40:16se fecharam.
00:40:17Então,
00:40:17é,
00:40:19mas quando eu vejo,
00:40:20assim,
00:40:20quando eu participo
00:40:21dessas dinâmicas
00:40:22e outras situações
00:40:24que têm acontecido
00:40:24entre amigas e tal,
00:40:26que receberam também
00:40:27propostas e possibilidades
00:40:29e ficaram,
00:40:31e recuaram
00:40:31com possibilidades
00:40:33muito boas
00:40:33por esse pensamento
00:40:35restrito,
00:40:37que nos é imposto
00:40:38muitas vezes,
00:40:39eu penso,
00:40:40sim,
00:40:40nós precisamos falar
00:40:41sobre abundância
00:40:42e quando eu penso
00:40:44de novo em passado,
00:40:46é,
00:40:47acho que foi
00:40:48na Morena Maria
00:40:49que eu vi,
00:40:50ela falando essa frase
00:40:51que, né,
00:40:52nós somos os sonhos
00:40:52dos nossos ancestrais,
00:40:54e assim,
00:40:55é verdade,
00:40:57eles pensaram
00:40:57de alguma forma,
00:40:59é,
00:40:59é,
00:41:00eu acho que ter
00:41:01sobrevivido
00:41:02a tudo que a gente passou
00:41:04vem muito
00:41:04dessa ideia também
00:41:05de que nas próximas
00:41:07gerações,
00:41:08é,
00:41:09eles veriam
00:41:09possibilidades a mais
00:41:11e veriam situações
00:41:12melhores,
00:41:13quando a gente olha,
00:41:14quando eu penso
00:41:15na minha avó,
00:41:15eu penso nela
00:41:16sonhando com uma vida
00:41:17melhor para minha mãe,
00:41:19eu vejo minha mãe
00:41:20sonhando com uma vida
00:41:20melhor para mim,
00:41:22então,
00:41:22é,
00:41:23por mais que
00:41:24financeiramente
00:41:25elas não tenham
00:41:26prosperado,
00:41:27mas em sonho
00:41:28elas pensavam,
00:41:29assim,
00:41:29de forma abundante
00:41:30para que isso hoje,
00:41:32para que hoje
00:41:33a gente esteja
00:41:35nesse espaço aqui
00:41:35podendo falar
00:41:36e discutir
00:41:37as coisas
00:41:37que a gente está discutindo.
00:41:39E sobre discutir
00:41:40as coisas que a gente
00:41:40está discutindo,
00:41:41Gabi,
00:41:43é porque, assim,
00:41:44foi muito potente
00:41:44essas três falas
00:41:46sobre isso,
00:41:47da abundância,
00:41:48e reforço,
00:41:49minha gente,
00:41:50mandem perguntas
00:41:51porque a hora
00:41:51é agora,
00:41:52entendeu?
00:41:52Daqui a pouco
00:41:53a gente termina,
00:41:54então, por favor,
00:41:55mandem perguntas
00:41:56e, Gabi,
00:41:57você escreveu
00:41:59a apresentação
00:42:00do livro
00:42:00Por que eu não
00:42:01converso mais
00:42:02com pessoas brancas?
00:42:05Eu quero entender
00:42:06duas coisas,
00:42:07porque o povo
00:42:08chega para mim,
00:42:09fala, gente,
00:42:10pergunta para a Gabi,
00:42:11manda mensagem
00:42:12para ela,
00:42:13isso é o que
00:42:15você acredita?
00:42:18Na verdade,
00:42:18não é porque
00:42:19eu não converso
00:42:19mais com pessoas
00:42:20brancas,
00:42:20porque eu não
00:42:21converso mais
00:42:22com pessoas
00:42:22brancas sobre raça.
00:42:24Sobre raça,
00:42:25tá vendo?
00:42:26Não é?
00:42:27Monique vai falar
00:42:28Vamos cortar a conversa
00:42:29total,
00:42:30vamos cortar a conversa.
00:42:32Meu,
00:42:34mas porque eu não
00:42:36converso mais
00:42:37com pessoas brancas
00:42:38sobre raça,
00:42:39é o que você
00:42:40realmente acredita?
00:42:41É isso que você
00:42:42tem praticado?
00:42:44Então,
00:42:44eu só falei sim
00:42:46depois de ler
00:42:47o livro,
00:42:48só dei ok
00:42:50para essa introdução,
00:42:52falei ok,
00:42:53vou participar disso
00:42:53depois de ler,
00:42:54porque o título
00:42:55é muito chocante,
00:42:57mas é um livro
00:42:58que eu recomendo
00:42:58muito,
00:42:59muito,
00:43:00muito,
00:43:00principalmente no momento
00:43:01que a gente está
00:43:02no Brasil hoje,
00:43:03que é um lugar novo,
00:43:06assim,
00:43:07dos últimos dez anos,
00:43:08essa discussão
00:43:09tão aflorada
00:43:09sobre raça,
00:43:11sobre racismo,
00:43:12sobre o lugar
00:43:12do negro do Brasil,
00:43:14etc.
00:43:15E esses dias
00:43:17eu dei RT
00:43:17num tweet
00:43:21que falava
00:43:23resista
00:43:24à vontade
00:43:25de explicar
00:43:26algo
00:43:28para alguém
00:43:28que não
00:43:29quer entender.
00:43:31E eu sou
00:43:32totalmente
00:43:33a favor,
00:43:34e o livro
00:43:34fala muito
00:43:35sobre isso,
00:43:36sobre esse lugar
00:43:37de perguntas
00:43:39que
00:43:40só vem
00:43:42para
00:43:42te fazer
00:43:43perder
00:43:44o seu tempo,
00:43:45porque
00:43:45na verdade
00:43:46as pessoas
00:43:48não querem
00:43:48ouvir
00:43:48essa resposta,
00:43:50elas já
00:43:50têm
00:43:51o pensamento
00:43:52formado
00:43:53sobre aquele
00:43:54assunto,
00:43:56e
00:43:56eu acho
00:43:58que
00:43:59conversa muito
00:44:00com o meu
00:44:00pensamento
00:44:00nessa onda
00:44:02desse ano,
00:44:04onda de
00:44:05protestos,
00:44:06Black Lives Matter,
00:44:07etc.
00:44:08muita gente
00:44:09chegou
00:44:10nas nossas
00:44:10redes
00:44:11e sempre
00:44:11perguntando
00:44:12muita coisa,
00:44:14e eu sempre
00:44:14ignoro,
00:44:16na verdade,
00:44:16porque eu
00:44:17acho que
00:44:18assim como
00:44:19a gente
00:44:20pode usar o Google,
00:44:22todas as outras
00:44:22pessoas podem
00:44:23usar.
00:44:24E eu estou
00:44:24assim,
00:44:25enquanto
00:44:28na internet,
00:44:29a maior
00:44:29parte
00:44:30das perguntas
00:44:30que
00:44:30chegavam
00:44:31até
00:44:31mim
00:44:32eram
00:44:32coisas
00:44:32que
00:44:32já
00:44:32tinha
00:44:33em vídeo,
00:44:33era só
00:44:34a pessoa
00:44:34jogar
00:44:35a pergunta
00:44:36no Google,
00:44:37e ela queria
00:44:37que eu
00:44:38respondesse,
00:44:39será que elas
00:44:40querem nos esgotar?
00:44:42Será que é uma
00:44:43tentativa
00:44:43de nos esgotar?
00:44:45Eu tenho
00:44:46certeza
00:44:46que sim,
00:44:47uma tentativa
00:44:48sempre com,
00:44:50é,
00:44:50elas gastam
00:44:52energia,
00:44:52mas às vezes
00:44:53não tem os textões,
00:44:55nem,
00:44:55nem vou querer
00:44:56aceitar,
00:44:57sabe,
00:44:57aquele negócio
00:44:58que você
00:44:58não está ganhando,
00:44:59nem,
00:44:59nem,
00:44:59porque não,
00:45:01não vou perder
00:45:02o meu tempo,
00:45:02não vou gastar
00:45:03a minha energia
00:45:04que pode ser
00:45:04colocada
00:45:06em projetos,
00:45:07em roteiros,
00:45:09narrativas,
00:45:10que tem um potencial
00:45:11muito maior,
00:45:13perdendo tempo,
00:45:14né,
00:45:14com discussões
00:45:15que já estão aí,
00:45:16já estão dadas,
00:45:17as pessoas precisam
00:45:18pesquisar.
00:45:20E uma dúvida,
00:45:21assim,
00:45:21pensando até
00:45:22nas pessoas
00:45:23brancas,
00:45:25o que a gente
00:45:26faz,
00:45:26gente?
00:45:27Desiste?
00:45:29Existem aliados
00:45:30ou não existem aliados?
00:45:32E esse futuro
00:45:32vai ser como,
00:45:33Lin?
00:45:33Esse futuro
00:45:34vai ser como,
00:45:35Gabi e Carol?
00:45:36Futuro não existe,
00:45:38futuro não existe,
00:45:39o que existe
00:45:40é o presente,
00:45:41é um presente
00:45:42que a gente
00:45:43tem que se agarrar,
00:45:45eu acredito,
00:45:46é muito interessante,
00:45:48fiquei pensando
00:45:48no que a Gabi
00:45:49estava falando,
00:45:50por quê?
00:45:51É,
00:45:53recentemente
00:45:54eu estava lendo
00:45:54o livro
00:45:55do Atili,
00:45:57que é,
00:45:58um outro livro,
00:45:59além daqueles que eu falei
00:46:00para vocês,
00:46:01que é
00:46:01Crítica à Razão Negra,
00:46:03e eu tenho pensado
00:46:05quanto a razão negra,
00:46:09a existência negra,
00:46:11principalmente quando a gente
00:46:12é posta
00:46:13frequentemente,
00:46:14assiduamente,
00:46:15insistentemente
00:46:17para falar
00:46:18de nós mesmas,
00:46:19as identidades,
00:46:20as identidades se tornam
00:46:22uma prisão,
00:46:24um cárcere,
00:46:26como se nós
00:46:27só pudéssemos
00:46:28também falar
00:46:29a partir desse
00:46:30cercado,
00:46:32as identidades,
00:46:34elas,
00:46:34algumas vezes,
00:46:36principalmente,
00:46:36quando isso,
00:46:37quando nos apontam
00:46:38e nos dão o lugar
00:46:39de onde falar
00:46:40e do que falar,
00:46:42nós ficamos
00:46:43fadadas
00:46:44a representar
00:46:46as nossas
00:46:47próprias e velhas
00:46:49representações,
00:46:50representar
00:46:51a nós mesmas,
00:46:54né?
00:46:54Eu acho que
00:46:56para falar
00:46:57de futuro,
00:46:58esse futuro também
00:46:59é quebrar esse espelho,
00:47:00sabe?
00:47:01Para que a gente
00:47:01invente essas outras,
00:47:03essas outras identidades,
00:47:05essas outras narrativas,
00:47:06para que a gente fale
00:47:07de outras coisas.
00:47:08Eu quero falar
00:47:09de outras coisas também,
00:47:10sabe?
00:47:10Eu quero ir além
00:47:11de mim mesma,
00:47:13e por isso,
00:47:14eu só acredito
00:47:15em aliadas,
00:47:17em alianças,
00:47:19em pessoas
00:47:20que também
00:47:21estejam dispostas
00:47:23a olhar para mim
00:47:24como uma pessoa
00:47:25complexa
00:47:26e a lidar
00:47:28com essa situação
00:47:29como uma situação
00:47:31complexa.
00:47:32Eu acredito
00:47:32em responsabilidade,
00:47:34eu não acredito
00:47:35em culpa,
00:47:35porque a culpa
00:47:36é extremamente cristã,
00:47:37eu acredito
00:47:38que é preciso
00:47:39que a gente entenda
00:47:40que o meu corpo
00:47:41é político,
00:47:42sim,
00:47:42meu corpo é político,
00:47:43o corpo de vocês
00:47:43é político,
00:47:44o corpo de cada uma
00:47:45dessas pessoas
00:47:46aqui na sala
00:47:46é político
00:47:48e por isso
00:47:49precisamos tomar
00:47:50o quinhão
00:47:51de responsabilidade
00:47:53de cada uma
00:47:53de nós aqui,
00:47:55de cada uma
00:47:55que tem a sua
00:47:56possibilidade,
00:47:57a sua função
00:47:58de onde estiver,
00:48:00seja onde estiver
00:48:01dentro das suas relações,
00:48:03você pode tensionar
00:48:05essas relações,
00:48:06seja você branca,
00:48:07preta,
00:48:08e cada uma
00:48:09vai ter uma possibilidade
00:48:11diferente,
00:48:12mas todas nós
00:48:14vamos estar
00:48:15engajadas,
00:48:16não existe posição
00:48:17de neutralidade,
00:48:18eu não vou ensinar
00:48:19nada,
00:48:20eu não vou ensinar
00:48:21nada,
00:48:22eu estou tentando
00:48:23me lembrar,
00:48:24eu acho que
00:48:25o que eu faço
00:48:26com toda essa
00:48:27minha atuação
00:48:28é tentar me lembrar
00:48:30daquilo que me fizeram
00:48:31esquecer,
00:48:32sabe?
00:48:33E eu estou tentando
00:48:34me lembrar
00:48:35de uma possibilidade
00:48:37de futuro
00:48:37enquanto as pessoas
00:48:38estão me perguntando
00:48:41sobre,
00:48:41me perguntando
00:48:42sobre quem eu sou,
00:48:43me perguntando
00:48:44de onde eu venho,
00:48:45pedindo para que
00:48:46eu me prove,
00:48:47prove que a minha
00:48:48existência é verdadeira
00:48:49e legítima,
00:48:51né?
00:48:51Eu acho que eu não posso
00:48:52prometer isso,
00:48:53não prometo salvação,
00:48:54eu só acredito
00:48:55no presente
00:48:57por isso.
00:48:59Nossa,
00:48:59a gente poderia
00:49:00fechar,
00:49:01gente,
00:49:01não é?
00:49:03Né?
00:49:03Isso é o vinhozinho,
00:49:08vocês tinham que
00:49:08tomar o vinhozinho.
00:49:11Estava certa
00:49:12desde o início
00:49:13dos bastidores.
00:49:15Mas temos
00:49:15três perguntas aqui,
00:49:17por favor,
00:49:18Inês Ferreira,
00:49:20está aí,
00:49:20Inês Ferreira,
00:49:21apareça em vídeo
00:49:22para a gente,
00:49:24abre o microfone
00:49:25e pode fazer
00:49:26a pergunta.
00:49:28Está aí,
00:49:29Inês?
00:49:30Inês?
00:49:31Caso não,
00:49:32enquanto Inês não aparece,
00:49:34tem Jordão Farias,
00:49:36que inclusive,
00:49:37Inês apareceu,
00:49:37minha gente?
00:49:38Só dá um salve aqui.
00:49:42Inês?
00:49:45Só que o som está...
00:49:46Estou vendo o sinal
00:49:47de joia.
00:49:49O seu microfone.
00:49:53Deixa eu só passar
00:49:54para outra pessoa
00:49:54enquanto você resolve
00:49:56o microfone.
00:49:56Pode ser?
00:49:57Jordão Farias.
00:49:59Já estou te vendo,
00:50:00inclusive,
00:50:01Jordão,
00:50:01por favor.
00:50:02Veja isso
00:50:03do microfone
00:50:04e pode fazer
00:50:05a sua pergunta.
00:50:08Eu vou falando aqui
00:50:09e vou passando,
00:50:10gente,
00:50:10porque eu vi
00:50:10que vocês deram
00:50:11um sinal aqui.
00:50:13Será que é um problema
00:50:13das pessoas mesmo
00:50:15ou é da nossa rede?
00:50:16Exato.
00:50:18Produção,
00:50:18ajuda com o microfone.
00:50:19Só mais um
00:50:20para testar.
00:50:21Dani Siqueira,
00:50:22tenta ver
00:50:23esse microfone
00:50:24e falar.
00:50:26Senão,
00:50:26a gente vai seguindo aqui
00:50:27e vai ser escrito.
00:50:28Vamos tentar
00:50:29uma cacofonia.
00:50:29Todo mundo
00:50:30liga os microfones.
00:50:33Produção me mandou
00:50:34aqui.
00:50:37Pronto.
00:50:38Inês,
00:50:38como Inês,
00:50:40Dani Siqueira
00:50:40e Jordão,
00:50:41a gente não está
00:50:41conseguindo ouvir,
00:50:42eu vou ler as perguntas.
00:50:43Tudo bem,
00:50:44podem dar o sinal
00:50:44aí que eu estou vendo vocês.
00:50:46Massa.
00:50:47Fechou.
00:50:48Vamos lá.
00:50:49Inês Ferreira
00:50:49para vocês.
00:50:50O quanto a autossabotagem
00:50:52atrapalha
00:50:54o aproveito
00:50:55de oportunidades.
00:50:56Eu vou direcionar a pergunta
00:50:57para dar tempo
00:50:58para todo mundo responder
00:50:59cada uma.
00:51:00Vai, Gabi,
00:51:01você,
00:51:02que eu acho que você falou
00:51:02sobre isso também
00:51:03nos afetos,
00:51:04no podcast Afeto.
00:51:06Sim, sim.
00:51:08A gente tem conversado
00:51:09bastante sobre autossabotagem,
00:51:11sobre síndrome
00:51:11da impostora,
00:51:13porque
00:51:14a gente,
00:51:17na verdade,
00:51:18eu acho que a gente
00:51:19já conversou um pouco
00:51:20sobre isso
00:51:20na outra resposta
00:51:22da coisa
00:51:23de não se ver
00:51:25digna
00:51:26de certas oportunidades
00:51:27ou não se entender
00:51:29como uma pessoa
00:51:30que merece
00:51:33coisas boas
00:51:34e que merece
00:51:35boas notícias.
00:51:36E, às vezes,
00:51:37quando essas coisas
00:51:39chegam,
00:51:39você acha que
00:51:40você não consegue entender,
00:51:42você não consegue perceber
00:51:43o seu esforço.
00:51:46Ah, isso daqui
00:51:46eu acho que vale a pena
00:51:47a gente conversar
00:51:48aqui rapidinho
00:51:49é que
00:51:50em uma conversa
00:51:51com a minha terapeuta,
00:51:52a gente estava falando
00:51:53muito sobre
00:51:53esse lugar
00:51:54de alcançar coisas
00:51:56e tal,
00:51:56que a gente fica
00:51:57até incomodado
00:51:57muitas vezes
00:51:58de alcançar
00:51:59algumas coisas
00:52:00porque você fica,
00:52:01meu Deus,
00:52:02ninguém aqui é alienado,
00:52:04então você olha
00:52:05a realidade do mundo,
00:52:06aí você pensa
00:52:06no meio de uma pandemia,
00:52:07estou recebendo
00:52:08uma proposta tal,
00:52:09eu consegui desenvolver
00:52:11certas coisas
00:52:11quando está tudo
00:52:12num caos,
00:52:13Brasil e tal.
00:52:14E pensando nessa coisa
00:52:17do mérito,
00:52:18que a gente não
00:52:19abraça esse discurso
00:52:20e tal,
00:52:22eu sempre fiquei
00:52:23muito incomodada
00:52:24em algumas situações
00:52:26e aí a meteora
00:52:27falou da importância
00:52:29de a gente fazer
00:52:29um exercício
00:52:30de listar
00:52:32as coisas
00:52:33que a gente fez
00:52:35que necessitaram
00:52:37do nosso esforço
00:52:38e as coisas
00:52:39que chegaram
00:52:40até a gente,
00:52:42as portas
00:52:42que se abriram,
00:52:44as oportunidades
00:52:45que vieram
00:52:46sem esse esforço,
00:52:48porque aí você consegue
00:52:48encontrar um equilíbrio
00:52:50e você não chega
00:52:51naquele lugar
00:52:52de
00:52:52é só você
00:52:54querer que você consegue,
00:52:55eu sei,
00:52:56eu cheguei,
00:52:56você chega,
00:52:57porque você tem
00:52:58uma lista lá
00:52:59das coisas
00:52:59que chegaram
00:52:59até você,
00:53:00das possibilidades
00:53:02que facilitaram
00:53:04o seu caminho,
00:53:05mas você também
00:53:05consegue enxergar
00:53:07o seu esforço
00:53:08para você não chegar
00:53:09lá no ponto
00:53:10de pensar
00:53:11eu só estou aqui
00:53:12por sorte,
00:53:13porque nós não estamos
00:53:14aqui só por sorte,
00:53:17né?
00:53:17Todo mundo sabe
00:53:18que não está
00:53:18só por sorte,
00:53:20mas também
00:53:20a gente sabe
00:53:22que também não é
00:53:23só esforço
00:53:23e não é só talento,
00:53:25algumas coisas
00:53:25facilitaram
00:53:26a nossa caminhada,
00:53:28então fazer
00:53:29esse exercício
00:53:29eu acho que
00:53:30é muito importante
00:53:31para nós pessoas negras
00:53:33que estamos
00:53:33nesse processo
00:53:34de auto
00:53:35análise,
00:53:37assim.
00:53:38Total,
00:53:38valeu Gabi,
00:53:39vou direcionar uma
00:53:40para a Carol
00:53:40e por fim já tem
00:53:42uma bem direcionada
00:53:43para a Lynn,
00:53:44Jordão Farias,
00:53:46parabéns pelo trabalho
00:53:47de todas,
00:53:47muito obrigada aí Jordão,
00:53:49eu gostaria que falasse
00:53:50um pouco sobre o potencial
00:53:52da consciência
00:53:52de grupo
00:53:53de quilombismo
00:53:54para falarmos
00:53:55sobre dores
00:53:56e sucessos
00:53:57e como vem
00:53:58a importância
00:53:59disso
00:54:00para ter
00:54:00melhores
00:54:01perspectivas
00:54:02de futuro.
00:54:04É com você,
00:54:05Carol,
00:54:05qual a importância
00:54:06da gente se aquilombar
00:54:07para a gente ter
00:54:07melhores perspectivas
00:54:08de futuro?
00:54:11Ah,
00:54:11eu acho que
00:54:12é isso, né?
00:54:13A gente se sente
00:54:14como uma potência,
00:54:15porque quando você
00:54:16toma,
00:54:17como a própria Gabi
00:54:18estava falando
00:54:19sobre essa questão
00:54:20da síndrome
00:54:21da impostora,
00:54:22eu acho que isso,
00:54:23a gente acaba entrando
00:54:24muito facilmente
00:54:25nesse buraco
00:54:26de conseguir
00:54:27ganhar as coisas
00:54:28ou de conseguir
00:54:30chegar em oportunidades
00:54:31que a gente
00:54:32meio que desacredita.
00:54:34E eu imagino
00:54:35que o coletivo
00:54:36em si, né,
00:54:37ele funciona muito
00:54:38nesse processo
00:54:39de, além de ele ser
00:54:40de uma forma,
00:54:41ele funciona
00:54:41de uma forma horizontal,
00:54:43que é como se fosse assim,
00:54:44ninguém tem hierarquia,
00:54:46a gente discute
00:54:47absolutamente tudo
00:54:49de uma maneira
00:54:50em que ninguém
00:54:51tem uma voz
00:54:52maior do que o outro.
00:54:54Então, eu acho que
00:54:54durante todos esses anos,
00:54:56né, esses cinco anos
00:54:57que a gente tem
00:54:57ficado junto,
00:54:59isso também ajudou
00:55:00exatamente para a gente
00:55:01entender o que era
00:55:02o indivíduo
00:55:03e a sua abundância
00:55:04e o que era
00:55:05você em coletivo
00:55:06ter a sua abundância,
00:55:08né,
00:55:09você ter o poder
00:55:10de informação,
00:55:12de comunicação
00:55:13e como,
00:55:14no meu caso,
00:55:15né,
00:55:15em oito pessoas,
00:55:16o quanto isso
00:55:17era poderoso,
00:55:18o quanto isso
00:55:19era persistente,
00:55:22assim, sabe?
00:55:22Tipo, eu sei que
00:55:23o meu trabalho
00:55:24junto com o coletivo,
00:55:26tipo,
00:55:27não tem tantos grupos
00:55:28assim ainda
00:55:29com esse mesmo modelo,
00:55:32mas a gente sempre
00:55:33tenta trocar umas ideias
00:55:35ou ver novas formas,
00:55:37né,
00:55:37tipo,
00:55:37do mercado,
00:55:38então,
00:55:39vira e mexe,
00:55:39a gente acaba
00:55:40se modificando
00:55:42dentro desses espaços,
00:55:44mas eu acho que
00:55:46é isso, assim,
00:55:46o coletivo,
00:55:47ele serve exatamente
00:55:48pra gente ter
00:55:49uma dominação
00:55:50do que a gente faz,
00:55:51de quem nós somos
00:55:52e no primeiro momento
00:55:54que tiver
00:55:55essa nuance
00:55:57de cair no buraco
00:55:59da impostora,
00:56:00a gente tem
00:56:01uma pessoa
00:56:01do nosso lado
00:56:02que consegue virar
00:56:03e falar assim,
00:56:03para aí,
00:56:04você pode parar aqui agora
00:56:05e aqui você,
00:56:06você é maravilhosa,
00:56:07você consegue fazer
00:56:08absolutamente
00:56:09tudo que você quiser
00:56:10e é isso,
00:56:12né,
00:56:12por mais que,
00:56:14também,
00:56:15conforme vocês disseram,
00:56:16tipo,
00:56:16eu também não acredito
00:56:17nessa questão
00:56:17do você faz
00:56:19e você consegue,
00:56:21né,
00:56:21porque é uma meritocracia
00:56:22que realmente,
00:56:23quando a gente vê,
00:56:24exige muito mais
00:56:25outras questões,
00:56:26exige muito,
00:56:27muitas nuances
00:56:28pra gente chegar
00:56:29onde a gente está
00:56:30hoje em dia,
00:56:31mas eu acredito
00:56:32que se você tem
00:56:33um grupo forte,
00:56:35pode ser amigo,
00:56:36pode ser família,
00:56:37pode ser seu namorado,
00:56:38sua namorada,
00:56:39sua namorada,
00:56:40absolutamente qualquer coisa,
00:56:42eu acho que se você
00:56:42tem uma rede de pessoas
00:56:44do seu lado
00:56:44que você,
00:56:47né,
00:56:48deposita coisas
00:56:50em cima desse espaço,
00:56:52né,
00:56:52tipo,
00:56:53sejam suas alegrias,
00:56:54sejam suas tristezas,
00:56:55suas angústias,
00:56:56também é entender
00:56:57que esse espaço
00:56:59unido,
00:57:00ele serve pra isso,
00:57:02né,
00:57:02tipo,
00:57:02na mesma moeda
00:57:03que pra te acolher,
00:57:04ele também é pra te escutar
00:57:05e pra te reerguer,
00:57:07que eu acho que
00:57:08coletivo pra gente,
00:57:10pelo menos,
00:57:10ele funciona muito assim,
00:57:12não é à toa
00:57:12que a gente está
00:57:13em oito pessoas,
00:57:14que já é um grupo
00:57:14muito difícil
00:57:15de administrar,
00:57:18imagino que cada um
00:57:19de vocês já deve ter
00:57:20trabalhado com muitas pessoas
00:57:22e sabem disso,
00:57:23mas, assim,
00:57:24tenho muito privilégio
00:57:25de estar junto
00:57:26com essas sete pessoas
00:57:27que são maravilhosas
00:57:28e eu acredito
00:57:29muito nisso,
00:57:30assim,
00:57:30de que,
00:57:31enfim,
00:57:32depois quiserem trocar
00:57:33uma ideia
00:57:34pra entender melhor,
00:57:35né,
00:57:35quem estiver assistindo
00:57:36a gente
00:57:37sobre como a gente
00:57:39se ensalou,
00:57:40né,
00:57:40infelizmente,
00:57:42finalizando,
00:57:43já vai deixar os contatos,
00:57:45só que,
00:57:45assim,
00:57:45duas coisas
00:57:46antes da gente ser rápida,
00:57:47a gente só tem um minuto
00:57:48e meio,
00:57:49minha gente,
00:57:50tem uma pessoa
00:57:51muito incrível
00:57:51que a gente não falou aqui,
00:57:53que é a Letícia Araújo,
00:57:54produtora e tradutora,
00:57:55ela que está aqui
00:57:56nos ajudando
00:57:56desde o início
00:57:57pra esse
00:57:58Solution Session
00:57:59acontecer,
00:58:00e também vamos pedir desculpas
00:58:02aqui para as perguntas
00:58:03da galera que não conseguiu
00:58:04abrir o microfone,
00:58:05já ajeitamos
00:58:06para os próximos
00:58:07Solution,
00:58:08para os próximos eventos
00:58:09que a programação
00:58:10que vai ter,
00:58:10né,
00:58:11não é só essa,
00:58:11está tendo várias
00:58:12ao mesmo tempo
00:58:13aqui no Planet Afropunk,
00:58:14e para a gente finalizar também,
00:58:16Lin,
00:58:17você vai responder
00:58:18e já vai dar um tchau,
00:58:19tá bom?
00:58:19Mas tem que ser um tweet,
00:58:20Lin,
00:58:20promete.
00:58:21Então,
00:58:22ok,
00:58:22é um pedido de casamento.
00:58:25Uma pergunta da Dani Siqueira
00:58:27que é muito rápida,
00:58:28já que você não tem esperança,
00:58:30o que você gostaria
00:58:31que jovens negras
00:58:32alimentassem,
00:58:34já que você também
00:58:34não acredita no futuro,
00:58:35para o presente?
00:58:37A raiva.
00:58:38É isso?
00:58:39A raiva.
00:58:41A raiva
00:58:41é o motor principal.
00:58:43Eu sinto raiva
00:58:45e a raiva
00:58:46é uma das principais coisas
00:58:48que me move,
00:58:48que pode nos mover
00:58:49e nos conectar.
00:58:51Somos todas impostoras,
00:58:53falsas, fingidas
00:58:53e forjadas,
00:58:55mas a gente tem que fingir
00:58:56tão bem
00:58:56que a gente mesmo acredite
00:58:57e engane eles.
00:59:00É isso.
00:59:01Onde a gente se encontra ali?
00:59:02Onde a gente se encontra
00:59:04nas redes?
00:59:05Ai,
00:59:05vou passar meu endereço.
00:59:06Eu moro aqui na rua.
00:59:11LindaQuebrada,
00:59:11arroba L-I-N-N
00:59:13da Quebrada.
00:59:15Linda Quebrada.
00:59:17E você,
00:59:18Gabi,
00:59:18onde a gente
00:59:19te encontra?
00:59:21E como,
00:59:21gente?
00:59:21Canal Gabi Oliveira
00:59:23no YouTube,
00:59:24Twitter,
00:59:24arroba D-Pretas,
00:59:26Instagram,
00:59:27arroba Gabi D-Pretas.
00:59:29E você,
00:59:29Carol,
00:59:30e seu coletivo também?
00:59:32Bem,
00:59:32no Instagram,
00:59:33a gente está como
00:59:34coletivo,
00:59:35no caso,
00:59:36Gleba do Pêssego,
00:59:37arroba Gleba do Pêssego,
00:59:38e o meu é
00:59:39caroldoodle,
00:59:40D-U-D-O-U.
00:59:42E,
00:59:42enfim,
00:59:43por lá vocês encontram
00:59:44todas as nossas redes,
00:59:45e-mails,
00:59:45enfim.
00:59:47E vamos se encontrar,
00:59:48gente,
00:59:48eu amei.
00:59:49Vamos,
00:59:49vamos se encontrar.
00:59:50Aqui é só o início,
00:59:52Linha,
00:59:52aqui é só o início.
00:59:53Isso é se aquilombar,
00:59:54isso é que é se aquilombar.
00:59:56Muito obrigada
00:59:57para você que está aí
00:59:58assistindo a gente,
00:59:59eu sou Monique Evelyn,
01:00:00nós somos o Afropunk,
01:00:02e esse foi o
01:00:03Solution Session Bahia,
01:00:06o primeiro,
01:00:07e vão ter outros.
01:00:08Valeu.
01:00:10Beijos,
01:00:11tchau, tchau.
01:00:12Beijos.
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