00:00O desaparecimento dos irmãos Ágata Isabelle, de seis anos, e Alan Michel, de quatro, completou um mês.
00:07Eles sumiram em uma área de mata próxima à comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos,
00:12na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.
00:15Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil, também da Polícia Militar,
00:20Força Estadual, do Centro Tático Aéreo e do Exército Brasileiro,
00:24seguem em buscas das crianças.
00:26A partir de agora, a gente vai trazer atualizações sobre esse assunto,
00:31conversando ao vivo aqui com o Delegado-Geral Adjunto Operacional da Polícia Civil do Maranhão,
00:36Ederson Martins.
00:37Doutor, primeiramente, muito bom dia.
00:39Obrigada aqui pela atenção com a audiência da Jovem Pan.
00:42E já nos atualize quais são as novidades dessa investigação,
00:46do que dá para avançar aqui em termos de falar publicamente sobre esse caso,
00:50porque a gente sabe que situações de desaparecimento envolvendo crianças
00:53também costumam ser ali muito sigilosas e delicadas.
00:58Bom dia, bom dia a todos.
00:59Primeiramente, me peço desculpa pelo improviso,
01:02tendo em vista que estão em viagem administrativa.
01:04Imagina.
01:04Estou falando aqui do 4.
01:06Então, a gente completou 30 dias do desaparecimento dessas duas crianças,
01:11e desde lá a gente tem mantido várias equipes, em especial da Polícia Civil,
01:17no caso, na investigação paralela às buscas.
01:19Tem como há também equipes nossas ajudando no lado operacional na tentativa de localizá-los na mata.
01:27Então, da parte das investigações, inicialmente a gente tinha muitas linhas de raciocínio,
01:31tendo em vista que não tínhamos nenhuma prova, até de vida das crianças.
01:39A partir da localização do Cauã e informações colhidas através do nosso Instituto de Proteção a Criança e Adolescente,
01:48das psicólogos e psiquiatras que eu acompanhava, a gente mudou a nossa linha de investigação,
01:53tendo em vista que tudo afirmava que eles realmente teriam entrado na mata por livre e espontânea vontade
01:58e ali se perdido.
01:59Então, aí realmente a gente passou a linha principal da investigação, sem descartar nenhuma outra linha de raciocínio,
02:08ao desaparecimento deles e assim a gente iniciou a investigação na tentativa de localizá-los.
02:13E a última informação que a gente teria foi da casa onde eles teriam ficado juntos pela última vez,
02:20que foi a denominada Casa Caída, que é próxima a um quilômetro e meio aproximadamente de onde Cauã foi localizada,
02:27bem como ela é bem próxima, 200 metros do rio Mearim, né?
02:31A partir dali a gente concentrou as buscas, bem como demos continuidade aí na investigação.
02:38Delegado, quais são as condições dessa mata onde essas crianças teriam se perdido?
02:44Sim, é uma mata, tem vários locais de difícil acesso, né?
02:49É uma mata fechada, tem muita região de alagado, muita água, tipo assim, é uma área muito inóspita,
02:56muito animal silvestre, né?
02:58Então, assim, armadilhas de caçadores, então é um local, assim, bastante inóspito para um adulto,
03:05imagina para uma criança.
03:08Doutor, ainda dentro desse contexto, o que a família relata?
03:11Era comum essas crianças acessarem essa área, brincarem sozinhas ali na região?
03:16A família estava acostumada com essa rotina?
03:20Sim, é uma área de quilombo, né?
03:22Uma área afastada.
03:23Bacabal já é uma cidade já no centro do estado, bastante distante da capital,
03:29é uma cidade interior.
03:30E lá nesse povoado fica distante aproximadamente 25 quilômetros, né?
03:34Então, já é distante da sede da cidade.
03:37E lá realmente tem muita área de mata, área verde, né?
03:40E a cultura local é realmente das crianças ficarem soltas, né?
03:44Ficarem nas proximidades das residências, porém, não tão distante, né?
03:49Eles ficavam próximos aos quintais, que geralmente os quintais dão de fundo para essa área de mata.
03:55Porém, eles ficaram, andaram muito dentro da mata.
03:58Tanto é que Cauã foi localizado em linha reta do povoado,
04:03a fazenda Santa Rosa, onde foi localizado, aproximadamente 5 quilômetros, né?
04:07Isso em linha reta.
04:08Então, assim, eles entraram muito na mata.
04:10Eram acostumados, sim, ficarem soltos na comunidade, até cultural,
04:14do local, tendo em vista que lá a maioria dos moradores são familiares, né?
04:19Então, assim, eles tinham, sim, esse costume.
04:23E, delegado, eu quero entender de vocês também a parte da investigação
04:29que fala justamente sobre o primo dessas crianças, né?
04:31Houve algum tipo de testemunho que tenha sido válido
04:34para que vocês identificassem, então, que a principal linha de investigação
04:38se concentraria em possível que essas crianças teriam se perdido na mata
04:45em vez de, talvez, terem sido sequestradas, levadas para outra cidade?
04:49O quanto esse depoimento foi importante para esse desenvolvimento da polícia
04:55nessas investigações?
04:56Sim, ele é a nossa principal linha de raciocínio,
05:01a nossa principal prova, tendo em vista que ele estaria junto com as outras duas crianças.
05:06E ele possui autismo, né?
05:09E é um menino, assim, muito elétrico, mas muito inteligente, muito esperto,
05:15memória fotográfica dele espetacular.
05:18E a gente tem aproveitado muito isso, né?
05:20Dessa memória fotográfica dele, a gente mesmo não tem contato direto com ele,
05:24o contato é feito através da psicóloga, da psiquiatra,
05:27que já tratava dele antes do desaparecimento,
05:31bem como foram utilizados os peritos do Instituto,
05:34da criança e adolescente que temos na nossa perícia oficial.
05:38E ele foi de fundamental importância para comprovar
05:40que realmente entraram na mata.
05:43Por livre e espontânea vontade, os três,
05:45eles quiseram despistar um tio que teria reprimido-os
05:49no momento que eles estariam indo para a sua residência,
05:52junto com os dois primos,
05:53e eles deram a volta, a volta pela mata,
05:55na tentativa de dar a volta e chegar no fundo da sua residência.
05:59Aí que eles começaram a se perder.
06:01Então foi bastante importante,
06:03e está sendo muito importante a participação do menor,
06:08inclusive foi feito no local, por autorização da justiça,
06:12uma espécie de reconstituição.
06:14ele foi levado a essa casa caída,
06:17onde foi o último local que ele teria dito
06:19que teriam ficado, bem como reconhecido
06:22através de vídeo e fotografias.
06:24E lá ele confirmou, inclusive, os locais
06:27onde as crianças ficaram pela última vez
06:29que eles estiveram junto na mata.
06:32São crianças muito pequenas, né,
06:34de seis e quatro anos,
06:36que percorreram, como o delegado trouxe aqui na informação,
06:38pelo menos cinco quilômetros mata dentro
06:42nessa região quilombola no Maranhão.
06:44O doutor Ederson Martins, que está conosco aqui ao vivo,
06:48nos atualizando sobre esse um mês de desaparecimento dos irmãos.
06:52Doutor, pra gente até já ir concluindo, né, essa conversa,
06:56quais são os próximos passos,
06:58qual que é o ritmo das buscas nesse momento,
07:00e também as suas recomendações,
07:02que é muito importante aqui,
07:03enquanto autoridade policial,
07:05pra tantas outras famílias que nos assistem,
07:07que nos escutam e que estão acostumadas com esse contexto
07:12das crianças, seja na área rural ou na cidade,
07:15e muitas vezes acabam ali entrando nessa zona de conforto,
07:19acreditando que sempre vai ficar tudo bem.
07:20Sim, as buscas continuam, né,
07:24ainda equipes do bombeiro, da polícia militar, exército,
07:28bem como equipes da polícia civil na ajuda,
07:32ajudando também nas buscas do local,
07:34ou seja, a base não foi desmobilizada,
07:36lá haviam duas bases,
07:38tanto uma no povoado como uma na fazenda,
07:40a da fazenda foi desmobilizada,
07:42mas a do povoado continua,
07:44então há diuturnamente 20 a 25 policiais,
07:47de várias instituições,
07:49na continuidade das buscas.
07:51A investigação continua também, como eu falei,
07:53desde o início do desaparecimento,
07:55a comunicação formal,
07:57foi montada uma comissão,
08:00a gente possui três delegados,
08:02mais três equipes, né,
08:03dando suporte diuturnamente nessas investigações,
08:07pra gente tentar finalizar esse inquérito
08:10o mais rápido possível,
08:11e a nossa esperança é sempre localizá-las com vida.
08:14E a gente orienta, né,
08:16que é um caso que foi emblemático pra gente,
08:18está sendo emblemático pra gente,
08:20trata-se de crianças,
08:21a comoção é muito grande,
08:22a gente pede, né,
08:23aos pais, aos responsáveis,
08:25que sempre tenham muita atenção com seus filhos,
08:28independente de estarem num local,
08:30que é costume, que é cultural,
08:32que é estar no meio de familiar,
08:33tem que ter muita atenção com nossas crianças,
08:36por casos como esse,
08:37o desaparecimento,
08:38ou outros crimes que podem ocorrer,
08:39a gente não sabe o que passa na cabeça
08:41de outro ser humano,
08:42então a gente tem que sim tomar conta,
08:45se preocupar muito com a nossa prole,
08:47pra que isso aí não aconteça.
08:49Eu queria também pedir,
08:50é,
08:51que pessoas, né,
08:53que estão repassando muita informação,
08:55informações inverídicas,
08:56informações desencontradas,
08:58pra que parem com isso,
08:59porque isso,
09:00além de aumentar o sofrimento e a dor dos familiares,
09:03atrapalha muito a nossa investigação,
09:05a gente já checou informação em mais de cinco estados,
09:09do provável paradeiro dessas crianças,
09:11mesmo indo de encontro ao que a gente tem investigado,
09:13a gente não tem descartado nada,
09:15e tem checado,
09:16porém,
09:17isso demanda tempo,
09:18demanda,
09:19é,
09:19é,
09:19pessoal,
09:20e atrapalha muito a,
09:22a nossa,
09:22no andamento das nossas investigações.
09:25Delegado,
09:25obrigado pela tua participação,
09:26e boa sorte pra vocês,
09:27a gente espera que,
09:29essa operação termina,
09:30com,
09:31essas crianças,
09:32nos braços de suas famílias.
09:35Eu que agradeço,
09:36a Polícia Civil que agradece,
09:37e continuaremos aqui,
09:38incessantemente,
09:39até a conclusão desse caso.
09:42Até mais,
09:42um grande abraço.
Comentários