00:00O período de isenção do imposto de importação para veículos eletrificados
00:06nos formatos desmontados e semidesmontados termina no próximo dia 31 de janeiro.
00:13O incentivo, que foi concedido em julho de 2025, autorizou uma cota adicional
00:19ali em torno de 463 milhões de dólares pelo prazo de seis meses, com taxa zerada.
00:28Com a proximidade do fim do benefício, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores,
00:35a Anfávia, intensifica a pressão sobre o governo federal para que a medida não seja prorrogada.
00:42De acordo com a entidade, a prorrogação da isenção deve afetar principalmente o mercado de trabalho do setor.
00:49E para falar mais desses impactos, nós estamos aqui com o Milad Calumi Neto,
00:55que é sócio da Calumi, consultoria automobilística.
01:00Milad, seja muito bem-vindo aqui ao Fast Money.
01:03Assumo delicado, porque ele varia para quem você pergunta, né?
01:08Para quem está do lado da isenção, está ótimo.
01:12Para o lado que se vê com baixa competitividade pela vantagem do outro lado,
01:18obviamente vai tocar um sino dizendo, não está bom para mim.
01:20Vamos tentar olhar para essa parte das montadoras que já estão estabelecidas aqui secularmente, né?
01:30Ford ficou mais de um século no Brasil, a GM está comemorando um século de Brasil.
01:35Então, a gente tem aí uma relação de montadoras que criaram uma relação brasileira,
01:40geram empregos e tudo mais, secular.
01:43Não é sem nenhum exagero.
01:44Em competição com essas novas montadoras, majoritariamente chinesas, que vêm aí com esse benefício,
01:50porque os carros vêm desmontados, semidesmontados, ganham incentivo fiscal
01:53e geram pouca linha de montagem em comparação daquelas que partem do zero a partir do Brasil.
02:00Falei demais, mas deixa eu te passar a palavra para você explicar tudo isso, né?
02:04A Anfávia fazendo pressão para o governo federal,
02:07para que não se seja estendido esse benefício das montadoras.
02:10E, por outro lado, obviamente, quem vai perder o benefício está fazendo o trabalho contrário.
02:17Como é que está essa queda de braço, esse cabo de guerra?
02:20Milado, obrigado por participar aqui da nossa programação.
02:24Marcelo, é um prazer estar novamente com vocês aqui da CNBC Times, Times do Brasil.
02:30É isso, exatamente.
02:31Você, basicamente, já fez um grande resumo de tudo, né?
02:34Tem os dois lados, né?
02:36Você tem tanto das montaduras tradicionais quanto das novas,
02:39das novas entrantes que estão agora construindo fábricas aqui no mercado brasileiro.
02:45Você tem um jogo.
02:46E cada lado tem o seu copo cheio e tem o seu copo vazio.
02:49Normalmente, o copo vazio de um é o copo cheio da outra, né?
02:52Então, assim, é um ambiente complexo, um ambiente competitivo.
02:57No final, briga-se por vendas.
02:59E é justamente isso que a gente está observando.
03:02E você bem citou.
03:03As montadoras, as montadoras, as fabricantes seculares que já estão estabelecidas aqui no mercado brasileiro já há algum tempo.
03:12E digo mais, não só as quatro antigas grandes.
03:16A Ford deixou de produzir no mercado brasileiro, mas ainda tem as suas grandes centros de desenvolvimento aqui no mercado brasileiro.
03:24O seu head office, os centros de testes na pista de Tatuí.
03:27A gente nunca pode esquecer disso.
03:29Ela deixou um grande legado aqui dentro do mercado brasileiro, por mais que não tenha unidade fabril nesse momento.
03:34Mas Volkswagen, a Stellantis, a antiga Fiat, que hoje virou grupo Stellantis.
03:39E as outras mais recentes, Citroën, Peugeot, Toyota, Hyundai, Renault, Honda.
03:47Todas essas que entraram ali no final da década de 90, começo dos anos 2000.
03:52Todas essas já são consideradas tradicionais frente a essa nova indústria chinesa.
03:56E existe realmente esse jogo de empurra.
04:00Quem tem razão?
04:01Todas têm razão e todas não têm razão.
04:04Essa é a grande questão que a gente está discutindo nesse momento.
04:07Enfim, copo cheio, copo vazio para todo lado.
04:10Milad, então vamos colocar aqui algumas perspectivas, porque o cenário é muito complexo.
04:14Geração de empregos.
04:16Estes benefícios para os carros semidesmontados, que vêm em parte já bastante completas, e eles são só agregados.
04:26Aqui é aquela coisa do assembling, a montagem aqui, tem gerado menos emprego.
04:32Essa preocupação, que essas vantagens, isso pode impactar como o mercado de trabalho.
04:37Claro, isso, vamos analisar o cenário sem a explicação.
04:43É claro que se a gente tiver um cenário só de montagem no Brasil, sem qualquer tipo de valor agregado,
04:50a gente vai perder emprego.
04:52Se não tiver uma competição clara com alíquotas que impeçam esse tipo de montagem.
04:59Entretanto, a gente não pode esquecer que todas as fabricantes atual passaram por esse processo.
05:06Ou seja, começaram importando, passaram pelo processo de SKD, CKD,
05:11e depois, analisando o mercado, começaram a montar suas fábricas.
05:16Então, sim, esse é um processo constante, e que todas, novamente o saliento, passaram por esse processo.
05:22A Volkswagen, lá atrás, começou importando seus fuscas e combis, antes de 1957,
05:31que foi o ano que se estabeleceu a indústria automobilística nacional.
05:34Depois, montou a fábrica, montou inicialmente em regime de SKD, e depois de CKD,
05:41e depois montou a fábrica, de fato, localizando as operações.
05:45Isso não é um demérito para a Volkswagen, absolutamente.
05:47Isso é parte da história de uma Volkswagen, é parte de uma história de uma GM,
05:52que está, como você bem disse, completando 100 anos.
05:55É parte de um processo dentro de uma evolução da indústria.
05:58Você não pode começar atuando no mercado qualquer, hoje, falando que vai fabricar.
06:03Você tem que entender se o seu produto vai ser competitivo naquele mercado,
06:07se vai ser adequado para o público, se o público vai ser...
06:10Se o consumidor final vai ser atrativo.
06:12Você pode ter um produto perfeito, com preço bem posicionado,
06:16mas o público não comprar, aí você não vai conseguir produzir,
06:18por mais que no primeiro dia você tenha falado que vai iniciar,
06:22vai fazer uma fábrica dentro do mercado.
06:24Não é qualquer, e a gente está falando de mercado brasileiro.
06:27Então, todas essas questões devem ser analisadas no respectivo momento
06:32e enquadramento da situação da empresa.
06:34Greedoall e Bioadic, que são as duas que a gente está tratando nesse exato momento,
06:38são duas empresas que estão já com processo construtivo das suas plantas,
06:43das suas unidades fabris, uma aqui no interior de São Paulo, a Greedoall,
06:47e a outra no interior da Bahia, que é a Bioadic.
06:50Então, essas duas empresas, em momentos distintos, com projetos distintos,
06:55em fases industriais distintas, elas estão se estabelecendo no mercado brasileiro.
07:00Ah, mas elas estão simplesmente montando veículos.
07:04Mais ou menos, novamente, como eu falei, cada uma dentro da tua fase industrial,
07:08mas uma montando mais veículo e a outra fabricando um pouco mais.
07:14Mas ambas ainda produzindo pouco localmente.
07:17A ideia é que as duas produzam muito mais localmente.
07:22Muitas empresas, só finalizando, você falou que você estava falando bastante,
07:26quem está falando bastante sou eu agora, mas é importante.
07:29Você tem muita empresa dessas tradicionais que também trazem elementos de fora.
07:36E, novamente, isso não é nenhum tipo de questionamento contra essas empresas.
07:42Empresas que têm hoje produção local, que têm processos de eletrificação,
07:48baterias vindo lá de fora e sendo montadas aqui.
07:52Não é absolutamente nenhum tipo de questionamento ou problema esse para a indústria.
07:57O que a gente não pode pensar em fazer, novamente,
08:00e muito bem dito isso pela Anfávia, é que a gente não pode ter simplesmente processos de montagem
08:08sem troca tecnológica para o mercado brasileiro.
08:12No fim, a gente tem que proteger a nossa indústria.
08:14Milady, você falou de indústria.
08:17Deixa eu olhar este lado do muro, que é do consumidor.
08:21Obviamente, quando a gente fala de carga tributária e vantagens para um setor,
08:25isso impacta em custo de produção.
08:27Custo de produção impacta em custo final que vai para o consumidor.
08:31O carro, seja esse de outras montadoras mais novas ou das tradicionais,
08:37que estão aqui há bastante tempo no Brasil,
08:39eles vão ficar mais caros para o consumidor final?
08:43Depende.
08:44Recentemente, um presidente de uma fabricante local comentou
08:48que era mais barato você estar trazendo veículos de fora
08:51do que fabricando aqui no mercado brasileiro.
08:54A gente tem uma situação muito prática,
08:57que a gente tem os tributos muito elevados dentro do mercado brasileiro,
09:01que é uma discussão que a gente tende a resolver no médio prazo,
09:05com as aplicações.
09:08É uma discussão tanto quanto ampla e burocrática essa,
09:12porque, enfim, em 2032 a gente vai ter um novo regime 100% aplicado,
09:16mas existe uma discussão de que o veículo automotor
09:19está dentre aqueles impostos que vão ter uma sobretaxa.
09:26É um questionamento isso um tanto quanto grave,
09:29mas, enfim, de qualquer forma, é uma discussão.
09:32Eu acredito que tenha que haver um tipo de discussão um pouco maior
09:35para mitigar esse problema para o consumidor final.
09:38A indústria brasileira tem uma capacidade produtiva
09:41próximo entre 4,80 e 5 milhões.
09:44A gente hoje produz 2,5 milhões, arredondando os números.
09:49Ou seja, a gente tem uma capacidade ociosa de 50%.
09:52Ou seja, a gente tem que fazer com que a nossa indústria
09:54suba essa capacidade para números muito superiores a esse,
09:59para que a nossa indústria tenha mais tranquilidade.
10:04Ou seja, números ideais para a nossa indústria seriam de 3 milhões,
10:073,5 milhões, 3,2 milhões seriam números ideais aqui
10:11para a gente estar falando de uma boa indústria
10:13para o Brasil conseguir respirar.
10:15Ou seja, alimentar o mercado interno, alimentar a América do Sul
10:18e, quem sabe, o restante a gente exportar para outros mercados,
10:21que não é definitivamente, nesse momento,
10:24a grande prioridade do Brasil.
10:26Mas, para isso acontecer, a gente precisa ter melhores produtos,
10:29adequar as definições de emissões de poluentes.
10:33Tudo isso que o veículo brasileiro já vem fazendo
10:37desde o Inovar Alto, lá no início dos anos 2010, 2011,
10:43e sendo aplicado a partir de 2012.
10:45E isso onera o veículo.
10:47Eu sempre convido o nosso consumidor a fazer uma reflexão,
10:50de fechar os olhos e lembrar o painel, simplesmente,
10:53de um veículo do começo dos anos 2000
10:56para um veículo agora.
10:58É um outro veículo.
10:58Só falando do painel, nem falando da tecnologia que existe por trás,
11:03de motor, de eficiência energética, que muitas vezes não aparece.
11:06Então, tudo isso é claro que é um gasto que acaba ocasionando
11:10para o consumidor que ele acaba tendo que pagar a conta no final.
11:16Entretanto, a partir do momento que você tem maiores competidores,
11:19mais competidores acuando no mesmo mercado,
11:22a tendência que você tem é de uma redução desse preço
11:27para o consumidor final.
11:28É isso que a gente aguarda com relação a esse implemento
11:34de novas fabricantes, não só chinesas,
11:36dentro do mercado brasileiro.
11:38Milagro, agora eu vou falar como consumidor.
11:40Estou torcendo para que isso aconteça,
11:43para eu realizar o sonho de trocar de carro em 2026.
11:47Todos nós, Marcelo.
11:48Não só vocês.
11:49Milagro de Calumi Neto, que é sócio da Calumi Consultoria Automobilística.
11:54Pode anotar, Calumi, a gente vai voltar nesse papo ainda,
11:57porque isso interessa muito ao brasileiro,
11:59que é apaixonado por carro.
12:01Isso é uma frase padrão que resume muito a conexão do brasileiro
12:06com a indústria automotiva, com o veículo de um modo geral.
12:09Calumi, obrigado mais uma vez.
12:10Até uma próxima.
12:11Marcelo, eu que agradeço.
12:12Obrigado a todos os seus autospectadores,
12:15que são aqueles que gostam de veículo,
12:17mas os seus autospectadores em geral.
12:19Agradeço bastante a sua atenção.
12:21Obrigado mais uma vez.
12:22Até breve.
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