Skip to playerSkip to main content
  • 23 hours ago
Transcript
00:00:00A CIDADE NO BRASIL
00:00:30A CIDADE NO BRASIL
00:01:00A Ordem dos Caracolários Descalços
00:01:03Hoje, a minha predileção vai ser acerca da palavra do Senhor
00:01:13Eu vi a luz
00:01:23E a luz não era apenas um farol numa motorizada
00:01:28Também não era o Senhor
00:01:31O Senhor não precisa de faróis nem de pitromaxers
00:01:35No reino do Senhor não há noite nem dia
00:01:40É sempre meio-dia e está sempre tudo a usar
00:01:44E esse ordinário do Demo está a um canto
00:01:47A levar pedras no fozinho e a comer os restos
00:01:51E Deus nos livre
00:01:54Dos bielorussos que andam a fazer obras na nossa igreja
00:01:58Que deixam as telhas todas mal postas e a cair
00:02:00Como lá na Lapónia, o Camandro, o Catano
00:02:04Ou o Canedo
00:02:07E este governo de incompetentes
00:02:10Que acabo já com a corrupção
00:02:12Nem que para isso seja preciso
00:02:14Meter algum por fora
00:02:15Que é para isso que servem os impostos
00:02:17E que haja transportes coletivos de jeito
00:02:44Neste país da treta
00:02:47Onde nem sequer deve haver estradas
00:02:49Que são todos os assassinos
00:02:51Como os médicos nos hospitais
00:02:53Que fazem greves
00:02:54Como um gajo já está
00:02:55De bandulho aberto
00:02:57E com o apendicito aos saltos
00:02:59E já agora
00:03:01Era de deitar fogo aos tribunais
00:03:03E às escolas que assinam os advogados
00:03:05Assim queira o Senhor
00:03:08Amém
00:03:14Eu lhes disse amém, Catano
00:03:19Amém, Catano
00:03:20Amém, Catano
00:03:21É ele
00:03:30É o meu Tony Momile
00:03:32Isto é que é uma máquina, man
00:03:35Isto sobreviveu a freiras enraicebadas
00:03:38Estou a bater na chapa
00:03:39Descobriu o caminho marítimo para a Espanha
00:03:42Isto é uma nave espacial
00:03:44Doar a guerra lá para as estrelas
00:03:46Espetáculo
00:03:50A minha coleção de multas
00:03:56Que cheirinho
00:03:58Todas por pagar
00:03:59Se não desvalorizava a coleção, não é?
00:04:02Um baulito destes
00:04:04Aqui num descampado alagardero
00:04:07E ninguém veio arrombar-lhe
00:04:08Para gambar-lhe
00:04:10É milagre
00:04:11Não foi isto, exatamente
00:04:14Descobriu os disse
00:04:15Que aconteça já aquele milagre
00:04:17Amém
00:04:19Tony
00:04:25Depois de tanto tempo
00:04:29Estás o mesmo
00:04:29Os Camarqueão
00:04:34Construíram esta bodega
00:04:35No Quinto dos Infernos
00:04:37No Quinto dos Infernos
00:05:07Tchau, tchau.
00:05:37Tchau, tchau.
00:06:07Tchau.
00:06:37Tchau.
00:07:37Tchau.
00:07:39Tchau, tchau.
00:07:41Tu queres entrar para a ordem dos caracolários descalços.
00:07:46Irmão, descalço aos botinhos.
00:07:52Não, não, não, deixa estar.
00:07:54Isto é muito antigo e pode ruir.
00:07:57Não, deixa estar assim.
00:07:58É melhor.
00:07:58Bom, se calhar vou andando, não é?
00:08:01Olha, gostei muito de rever-te assim, bom de saúde e risco nem o cepo e tchau aí, ó, camandro, ó, catano, ó.
00:08:07Torni, Torni, eu sinto que tu não te abristes comigo.
00:08:11Podes desabafar.
00:08:14Eu sou um padre.
00:08:15Eu estou aqui para te ouvir.
00:08:17Estás aqui para me ouvir?
00:08:18Tu estás mesmo mudado.
00:08:20Eu se soubesse que tinha trazido a minha viola.
00:08:22Não, deixa estar, não vale a pena.
00:08:24Eu posso tralitar-te uma canção.
00:08:26Não vale a pena.
00:08:28Não custa nada.
00:08:29Mas custa-me a mim.
00:08:32Não, é melhor tu contares-me o motivo da tua visita.
00:08:35César, tu antes de vir para aqui pregar serméns aos peixes, tu disseste-me uma coisa que ficam-me a macerar macaquinhos no sótão.
00:08:45Oh, mas tu podes desabafar comigo à vontade, porque eu sou um padre e um padre é como um pai.
00:08:52Acertaste-te.
00:08:53É mesmo sobre o meu pai que eu te quero falar.
00:08:55Vês?
00:08:56Eu não te disse que sabia?
00:08:58Pois claro, ouve, eu sou um iluminado.
00:09:00Eu quando vou para a montanha, lá em cima, eu falo com Deus, em sonhos, e depois venho a rebolar por aí abaixo e espalhar a verdade.
00:09:09Mosga-se, tu estás, mas é pior.
00:09:12Eu vou-me embora.
00:09:14Deslargue-me, deslargue-me, deslargue-me.
00:09:18Faz-me a porta, Tony.
00:09:19Tu estás o mesmo em palha-brasas de sempre.
00:09:22Em palha-brasas eu estou, Catano.
00:09:25Calma, Aranhe, esse cachero.
00:09:26Não queres ir buscar outra rodada bem?
00:09:28Vai-se a mal, tiramos a sorte.
00:09:30Caras, vais tu, coroas, vais um de nós ou calha?
00:09:33E se ficar empinada?
00:09:35Empinada?
00:09:35Ah, aconteceu.
00:09:37Se ficar empinada, chama-se o empregado à mesa e resolve-se o problema.
00:09:41A teçadela?
00:09:42Offshore.
00:09:52O que é isso?
00:09:53Depende.
00:09:54Como é de essa?
00:09:56É um euro.
00:09:57Um euro?
00:09:58Então é cara.
00:10:00Troca lá isso por grãos.
00:10:02Quanto é que te vale um euro?
00:10:03Dizendo de paus, não é?
00:10:04É cara como o caraças.
00:10:12Ai, José, porquê que tu me bateste, irmão?
00:10:15Porquê que eu te batetei?
00:10:16Sim.
00:10:17Porquê que eu te batetei?
00:10:18Ou por acá sou surdo?
00:10:20Porquê que a terra é redonda?
00:10:21Porquê que a soma dos carretos é igual ao cardeal da hipotenusa?
00:10:25Porquê que as bússolas indicam sempre para a frente?
00:10:28A terra é redonda?
00:10:29Ah, de onde?
00:10:32Nas bordas.
00:10:33E de onde é que ficam as bordas?
00:10:35Sei lá, mas eu tenho cara de tipógrafo.
00:10:37Não sei, deixa-me lá ver.
00:10:39Eu vou-me sair embora, pá.
00:10:40Não é que é todo o grão.
00:10:41E eu?
00:10:42Senhora Aníbal Silva.
00:10:43Salve, pasto.
00:10:44Ah, tu estás todo escafiado, Tony.
00:10:46Se o médico te apanha, o gajo enrosca-te para dentro de um frasco de formol
00:10:50para fazer experiências contigo.
00:10:53Tony, a aberração mutante, brevemente numa surgência esperto de si.
00:10:59Espetáculo.
00:11:00Senhora Aníbal Silva.
00:11:01José, preciso-me uma ideia.
00:11:03Ai.
00:11:04Eu vou pedir a este senhor para guardar-me a minha vez.
00:11:08Oh, desculpe.
00:11:09O senhor, por acaso, não se importa se me chamarem o meu nome
00:11:13e ir-me chamar-me a mim.
00:11:16Não se preocupe.
00:11:17Se o chamarem assim, eu chamo a ele para ele me chamar assim.
00:11:20Ok?
00:11:21Senhora Aníbal Silva.
00:11:23Sala 4.
00:11:28Então não ouviu?
00:11:31Oh, Gaita.
00:11:33O que é que foi agora?
00:11:34Oh, Gaita.
00:11:35Eu esqueci de dizer o meu nome ao Songa Monga.
00:11:38Tony!
00:11:43Tchau lá, pá, não te preocupes, pá.
00:11:45O gajo não sabe o teu nome, mas tu mandas um profilo à base de franja.
00:11:48Não esquece as pessoas.
00:11:57O que é que marcha, é?
00:11:59Então isso pergunta-se.
00:12:01Uma bifina e um palhete, faz favor.
00:12:05Tô e tu?
00:12:05Não comes nada?
00:12:06Ele veio para mim.
00:12:07Mas tô e eu?
00:12:08Eu prometi-te o que é que tu querias, te ficaste todo enxufrado.
00:12:12Se esforna o que é neste indivíduo, faz favor.
00:12:14São dois bifanas e dois palhetes.
00:12:16A minha pode ser com molho de barbecue, faz favor.
00:12:19A toa.
00:12:20Mas tu já pedisteis.
00:12:21Não, pediste tu?
00:12:22Eu pedi para mim.
00:12:23Tu queres comer, pedes tu.
00:12:24Eu pedi para mim.
00:12:25Tu cancelaste o meu pedido.
00:12:26Por que tu não pediste isso para mim?
00:12:28Ai, olha isso.
00:12:30Vingança, é?
00:12:31E depois a dormir, se o Zezé, se a comer às três e às quatro bifanas por dia,
00:12:36apanhar um emplastro no miocarpio.
00:12:38Ei, show para lá, butro da fome.
00:12:41Vai rogar pragas para o catano mais velho.
00:12:42Não gostas de ouvir as verdades, não é?
00:12:45Pois, és como os restos.
00:12:47Quais restos?
00:12:48Os restos da humanidade.
00:12:50Anda todo gordo, que nem charcalotes.
00:12:52E tu relado, não acabei de dizer?
00:12:54Tu, quando te dá um bocadinho de vento mais forte,
00:12:56a tua mulher que tem que ter de buscar aos capanazos da igreja
00:13:00porque tu andas lá no meio dos sinos, tanim, tanim, tanim.
00:13:03Ah, que exagero.
00:13:05Isso só aconteceu uma vez.
00:13:07Então, o que é que vai sair?
00:13:08Tchau, meu homem, quando um burro fala, o outro a cachapa às orelhas.
00:13:13E pouca força no fagote se não queres engolir um fresco pickle.
00:13:16Desculpa.
00:13:18Desta vez está desculpado.
00:13:20Para a próxima enfilte os coratos a assar um espeto de azeite a choarme.
00:13:26Olá, até aí tu agora alinhaste-me nessa bocaria do tutelighting?
00:13:31Tem de serra.
00:13:31Não be ao farto, não é?
00:13:32Tem de serra.
00:13:33É um cardio-bifo ativo.
00:13:35Tem de ser, Zezé.
00:13:35Nós temos que ter muito cuidado com as porcarias que mandam cá para dentro.
00:13:39Mas o meu corpo é um templo consagrado.
00:13:42Ai, que talichapa.
00:13:44O meu avô cresceu a comer sete malgas de xis para o pequeno almoço.
00:13:47Com que riscudo daquilo que vai às postas para o copo.
00:13:51E fumava barbas de milho aos seis e aos sete maços por dia.
00:13:55Todos os dias, duas vezes por dia.
00:13:57Dos três, aos noventa e sete anos.
00:13:59E aos noventa e quatro, ainda cede um pulmão a um puto de vinte anos.
00:14:03Olha, aquele que depois mais tarde vem a ser o guarda-regos do barreirenço.
00:14:08O Eddie Nielsen.
00:14:09Aquele que morreu entre as postas com um ataque de falta de asma.
00:14:14Exatamente, Zezé.
00:14:15Então, já escolheram?
00:14:17Olha, pode ser uma bifana e um palheto.
00:14:20Faz sabor.
00:14:21Oi, esse pedido fica já em stand-byer, né?
00:14:24Até tu dás-me a dar lições de moral alimentar e agora vais pedir uma bifana?
00:14:29Ah, eu...
00:14:30Tens razão.
00:14:32Olha, ponha na bifana assim só uma folhinha de alface, mas fininha.
00:14:36Não mete nada, que senão vira rota ao contrário.
00:14:38Zezé, mas eu estou doente.
00:14:40Não interessa.
00:14:41Eu até estou nas urgências.
00:14:42Tu queres que eu me morra para aqui todo com uma subnitrada a vitaminose?
00:14:48Toma o quê, hein?
00:14:49Ah, a vitaminose.
00:14:52Ah, é isso que tu tens?
00:14:54É pá, estou a pé de lá uma bifana, pelo menos.
00:14:57Estava a ver que nem o pai se ria, nem a gente almoçava.
00:14:59Não sei.
00:15:15Agora, se calhar, perdeu a vez.
00:15:17Eu aqui a salgar o feito presunto.
00:15:19Não percebo, esta bocaria está estragada.
00:15:22Não quero batatas.
00:15:23Já!
00:15:24Então, vamos.
00:15:25Então, estás despachado.
00:15:27Já passou a minha vez.
00:15:28Já ganho o Dias, Zezé.
00:15:30Rejo-me a parte, a pessoa percebo o raciocínio deste molusco.
00:15:34Então, passou a tua vez, ganhaste o D.
00:15:36Nem mais, nem ontem.
00:15:38Zezé, adivinha lá quem é este polio-traumatizado.
00:15:41Eis, isso parece àquela aliã do E.D.
00:15:44É, não é?
00:15:45Sou eu.
00:15:47E este é aquele teu cabide, que é uma vez em Glílio.
00:15:50Pois é.
00:15:52Muita chapada me lhe costuna-se, Dê.
00:15:55Pois não queria abrir a boca, não era?
00:15:57Era.
00:15:58Mas, espera lá.
00:16:00Já foi para aí há mais de 20 anos.
00:16:02E o que é que tu queres?
00:16:02Eu nunca mais tive tempo de ficar a buscar a radiografia.
00:16:05Porque, ultimamente, a minha vida tem sido um inferno.
00:16:07Eu nem vou à cama.
00:16:09Eis, eu durmo na sala.
00:16:11Ah, e o cabide?
00:16:13Não sei, deve estar para aqui enfiado nos refegos do fígado.
00:16:16Por isso é que eu sofro muito do fígado, quando bebo, não é?
00:16:19Pois, é o cabide, oxílidrato.
00:16:22Bom, já temos a papelada, já estamos despachados, vamos embora.
00:16:25Não vamos de nada, que eu não saio daqui enquanto esta bocaria não me devolver as batatas.
00:16:29Mas, espera lá, a máquina engoliu-te a moeda?
00:16:32Mas qual a moeda?
00:16:37Como um escamartilhão, viemos-se aí mesmo na hora de ponta.
00:16:41Não há azar, vira aí à esquerda, que eu conheço um atalho.
00:16:57Veste-me ter mesmo, mesmo no meio da confusão.
00:17:00Tu é que disseste para eu virar aqui?
00:17:03É por causa das obras lá à frente.
00:17:06Está-te também a obras, ganhas-te a sociedade, a nós tragar-te tudo, pá.
00:17:11Tem, abre aí a porta.
00:17:12Está-te a batatas, fazem-me dado.
00:17:15Tu não digas a ninguém que estás de boa saúde.
00:17:18Lusga-se.
00:17:20E aí o aborto?
00:17:26Ô palhaço, anda lá com o cheveco para a frente, ou tem que ir a empurrar-te à base de ponta-pé.
00:17:31O que é que faz as pessoas virem todas para aqui à mesma hora, pá?
00:17:36Isso é o trabalho.
00:17:38É esta hora.
00:17:39Há pessoas que trabalham.
00:17:41Parece que este país não mata nem desata.
00:17:45Não, Camilo!
00:17:46Quando eu me ponho a pensar, pá, neste assunto, eu olho para esta confusão e sabes o que é que eu acho?
00:17:54Não, nem quero saber.
00:17:56Mas eu vou dizer na mesma.
00:17:57Eu acho que esta sociedade está mal organizada, pá.
00:18:01Porque estando uns a trabalhar para os outros, não é?
00:18:04E os outros a trabalhar para nós.
00:18:06A trabalhar, hein?
00:18:08A trabalhar mal, hein?
00:18:09Andam lá para a frente, cabeçudo!
00:18:12Este mundo moderno, pá, é todo feito à base de competição, pá.
00:18:16Andam tudo cegueta com o dinheiro, pá.
00:18:19E os ideais, pá!
00:18:21Quando é que há tempo para os ideais?
00:18:23Tem-me isto agora também.
00:18:27Olá, querido, o rádio não funciona?
00:18:29Tudo não funciona?
00:18:31Ei, Jane Jopes, esta sim é que sabia lá toda.
00:18:36Olha, fartou-se disto e emigrou lá para outro lado.
00:18:40O quê?
00:18:40A Jane Jopes foi viver para o Berreiro?
00:18:43Onde é que tu alistes isso?
00:18:44Para outro lado, pá, para outro lado.
00:18:46Vida para além do além.
00:18:48E mais longe ainda.
00:18:49Diz-te alguma coisa, meu Gaviru.
00:18:50Diz, sólido.
00:18:52Sól a mais que tu apanhaste nessa mona.
00:18:56Mas é, quando um gajo vai para o outro lado, não leva nada.
00:18:58Nem carro.
00:19:00Olha, a sorte deles.
00:19:01Já viste o que era?
00:19:02Tu, com estes chacos dos infernos no céu,
00:19:05a mandar com gás ao carbonizados na testa de São Pedro.
00:19:09Espera, pá.
00:19:10Eres logo querido, eu até ficava mal.
00:19:12É, pá, este gajo é tão chico.
00:19:15Vá lá.
00:19:16Vá para a cantina da cuve, ô maluca do catano.
00:19:21Pá, tu brincas com o fogo, pá.
00:19:23Tu andas a arranjar lenha para te enforcares.
00:19:26Mas tu não tens respeito para o divino?
00:19:29Tu queres levar uma galheta?
00:19:31Se há aqui alguém, dentro deste carro,
00:19:33tenha mais respeito para o divino do que tu, sou eu.
00:19:36Tu.
00:19:38Os seus exépicos já a saberem
00:19:40que eu só não fiz o crisma, pá, porque chumbei no batismo.
00:19:43Estás a ver, hein?
00:19:44Mas tenho lá em casa um terço
00:19:46e um livro de bonecada
00:19:47com a história da ressurria eleição do Judas.
00:19:51O que é? O novo testamento ou o velho?
00:19:53É lá. Tenho aquilo já lá há tanto tempo.
00:19:55Ah, então é o velho.
00:19:56Deve ser que aquilo está cheio de papos de aranha.
00:19:59Anda lá, ô mete bojo do catano.
00:20:01Anda lá para a frente com isso.
00:20:03Deve-lhe ter saído a carta
00:20:04num pacote de pedra-pomos, é o quê?
00:20:06Sabes o que é que está a fazer falta neste mundo, Zezé?
00:20:09Uma nova religião tipo o budismo.
00:20:12Ah, então como a dos árabes.
00:20:17A dos árabes não é nova.
00:20:19Então a nossa começou a ter uso de maio.
00:20:21A deles começou a 11 de setembro.
00:20:23O seu Zezé em datas é um verdadeiro municroche.
00:20:26Obrigados.
00:20:28É pá, eu estou-me a passar com este caramelo.
00:20:33Vá-te embora, ô cavalgador.
00:20:36Daqui um bocado vou aí, arranque-te um pneu
00:20:38e enfute-te para a guela abaixo.
00:20:40Ou mete nojo do catano.
00:20:42Tu tens que aprender a tratar bem o teu próximo.
00:20:47Olha que Deus mastiga.
00:20:49Deus mastiga nada, pá.
00:20:50Deus já está velhota.
00:20:52Deus, Deus, se tiver dentes é para comer aqueles
00:20:55tossitos com...
00:20:58Com chantilly.
00:20:58Com, não, com vim...
00:21:00Com ventoinhas.
00:21:01Não, com vim...
00:21:02Convém que digas qualquer coisa.
00:21:03Conventuais.
00:21:05Ah.
00:21:06Tipo o Choricito do Céu.
00:21:08Oh, o Cicita de Freire.
00:21:15Deus escreve ao endireito por entrelinhas mortas.
00:21:19Zé Zé, mas afinal o que é que ele te disse-me?
00:21:24Ele disse-me uma quantidade de coisas, o secreto do velho.
00:21:28Continua o mesmo tegarluças de sempre, não é?
00:21:31Tony, tu nunca conhecestes-lhe eu?
00:21:33Não, por isso é que eu queria saber tudo o que ele disse.
00:21:37Eu não sei se tu estás preparado.
00:21:39Chuta, eu aguento.
00:21:42Ok.
00:21:46Mas primeiro vamos rezar.
00:21:47Rezar?
00:21:48Zé Zé, eu nem sequer lavei as mãos.
00:21:50De joelhos imediatamente nestes.
00:21:52Eu não posso pôr de joelhos por causa das minhas artrosas.
00:21:55Eu vou-me sentar, que eu tenho as clavículas que eu nem me aguento.
00:21:59Tony, então fecha os olhos.
00:22:01Fecha os olhos e tu mandas-me um estaladão, que eu já topo.
00:22:04Esquece os olhos fechados.
00:22:05Chega.
00:22:07Já acabou.
00:22:08Afinal, rezar é fácil.
00:22:10Tony, tu não me digas que tu nunca aprendestes a rezar.
00:22:13Eu nunca aprendi nem a falar bem com o demais a rezar.
00:22:15Até hoje, eu nunca tinha posto os pés numa igreja.
00:22:18Calha bem.
00:22:19Tu nunca entrastes numa igreja, Herégio?
00:22:23Não quinha.
00:22:24Não me deixavam, não é?
00:22:26Assim que eu entrava, começavam logo os sacristas dos sacristãs, pá.
00:22:30Os gritos.
00:22:31Larga a caixa das molas, larápio.
00:22:34E não laves os pés na água benta.
00:22:38Tony.
00:22:38Pobre diabo, pá.
00:22:41Tu metes-me nojo.
00:22:44Obrigados.
00:22:45Anda lá a conversar-te.
00:22:46Não sei, hesito.
00:22:48É preciso pôr dos joelhos.
00:22:54Zé, Zé.
00:22:55Abençoa-me que eu peguei-me para aqui tudo.
00:22:57Pichói.
00:22:58Eu é que sou o padre, eu é que começo.
00:23:00Perdão.
00:23:01Isso é no fim.
00:23:02No fim é que pedes perdão.
00:23:04A quem?
00:23:05A mim.
00:23:06A ti?
00:23:07Mas eu fiz-te algum mal para ter que pedir perdão.
00:23:09Tony, fizeste-te.
00:23:10Tu cada vez que abres essa mandíbula, fazes mal danado a toda a gente que tu ouve.
00:23:15Portanto, cala-te.
00:23:16Pronto, não é preciso ficar tão irritadinho.
00:23:20Eu fico aqui, caladito que nem o rato, a esfumaçar um cigarrito.
00:23:24É proibido fumar num confessionário.
00:23:27Onde é que está o sinal?
00:23:28Não há aqui nenhum sinal.
00:23:30Na casa do senhor não há sinais.
00:23:31Sinais, a casa do senhor é um sinal na grande estrada nacional que é a vida.
00:23:40Bom, portanto, Zé, sim.
00:23:42Tu contas-me os teus pecados e eu fico aqui a ouvir e a rir-me.
00:23:47Pecados em que sentido?
00:23:48Tipo fumar às escondidas.
00:23:51Assim.
00:23:53Boa.
00:23:55Diz-me, alguma vez tu fumaste já às escondidas?
00:23:58E eu sempre disse...
00:24:02Estás a ver?
00:24:03Já estamos a avançar.
00:24:06E quando é que isso foi, criatura de Deus?
00:24:10Agora.
00:24:11Estás a ver?
00:24:13Já estamos a dar mais um passo.
00:24:14Agora.
00:24:15Pois.
00:24:16E onde é que isso foi?
00:24:19Aqui.
00:24:21Estás a ver?
00:24:22Aqui e agora.
00:24:23Tony, tu estás a fumar no confessionário?
00:24:28Estou, mas às escondidas.
00:24:30Tu disseste que isto havia para aqui muitos sinais e eu não quero desrespeitar as regras.
00:24:34Tony, é só fumar se tu queres deitar fogo isto tudo.
00:24:38A raça da porta agora empenou.
00:24:40Olha, se estivesses aqui deste lado, estavas safo.
00:24:43Isto aqui é só uma cortininha.
00:24:44Olha, fostou que compraste este tecido.
00:24:46É fofinho.
00:24:48Tony, é só fumarada isto.
00:24:50Estás a dizer?
00:24:52Chega uns bobeiros.
00:24:54Força aérea, marinha.
00:24:56Não posso.
00:24:56Fico a dizer rede.
00:24:58Sabes o que é?
00:24:58Mosteiros.
00:24:59É calhau sobre calhau.
00:25:00Depois dá nisto, não é?
00:25:01E eu até tenho um telemóvel da terceira degeneração.
00:25:05Não é que há nenhum penico com antena.
00:25:06Safa-te.
00:25:07Safa-te.
00:25:08Tira-te tu.
00:25:09Vete embora e diz que eu morrei como um herói.
00:25:12Cala aí, ó quem mandrou o catano, ou o cané.
00:25:17Não, espera.
00:25:18Não dei ideia.
00:25:19Sabe-me que estou a se trafegar-me.
00:25:24Sefe, se tu me contasses o que é que o meu pai te disse, mam, talvez o senhor te recompensasse.
00:25:31Eu conto, eu conto tudo.
00:25:33Prometes?
00:25:34Eu desejo um saquinho.
00:25:36Do mole ou dos dois?
00:25:37Do...
00:25:38Do quê?
00:25:40Dos dois.
00:25:40Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:41Do...
00:25:42Do...
00:25:42Do...
00:25:43Do...
00:25:43Do...
00:25:43Do...
00:25:44Do...
00:25:45Do...
00:25:45Do...
00:25:45Do...
00:25:46Do...
00:25:46Do...
00:25:47Do...
00:25:48Do...
00:25:48Do...
00:25:48Daqui de fora até se abre com muita facilidade.
00:25:51Deve ser das dobradiças.
00:25:53Tens posto azeite ultimamente na dobradiça.
00:25:56É que este tipo de dobradiça é muita azeiteira.
00:25:58O que é que o meu pai te disse, mam?
00:26:13Eu conto.
00:26:15Rejo-me uma porta se eu não te conto.
00:26:17O que é que tenta?
00:26:18Do...
00:26:18O que é que tenta?
00:26:18Do...
00:26:18Do...
00:26:19Tchau, tchau, tchau.
00:26:49Bifinhos, Bifinhos, já tens a carne para a feijoada?
00:26:52É que tu acabes tudo com uma larica, não tarda nada a cabeça toda esta befe.
00:26:57Já vai.
00:27:19Bifinhos, Bifinhos, Bifinhos...
00:27:26Muitos times...
00:27:29O que foi?
00:27:31Estava-me a evacuar, irmão.
00:27:33Galhetas, galhetas, está toda a gente à espera do feijão, pá.
00:27:37Qual o problema? Já tenho o feijão?
00:27:39E é do voo?
00:27:41É do melhor. Experimentei ontem ao jantar.
00:27:43Eu só saí da casa de banho para fumar um cigarrinho.
00:27:45É boa!
00:27:59Não vai nem.
00:28:12O que é o remolho?
00:28:14Isto é que é o remolho.
00:28:22O que é o remolho?
00:28:24Não há rioveja.
00:28:26Preciso fechar o bairro ao trânsito. Se não, não há feijoada.
00:28:36Isso aqui é cortando o bigode.
00:28:38Sim, amor?
00:28:39Não ouvi as pessoas que vão falar contigo.
00:28:42Dê-los que já dei.
00:28:44Diz tu que aqui não há criados. Mas os que estão ao Hotel Biarritz, não?
00:28:49Sim, amor. Era só um favorzinho que eu te estava a pedir.
00:28:52Queres favor? Paga-se-os.
00:28:54E ai, pedido, vais-te para a rembolha se lavasse a oiça.
00:28:58Sim, amor.
00:29:00Ainda não acabei?
00:29:02Oh, que cheirudo, que eu agora vou-me depilar-me.
00:29:10Dá, chove, dê-lhe para fora.
00:29:12Estão a brincar para a dispensa. Estão lá mais à vontade.
00:29:16Estão aí vocês, meu bando de forregaitas. O que é que se passa?
00:29:19Estão prontos. Isto é a Scissors.
00:29:21A gente estamos aqui para causa da feijoada.
00:29:24Ouve, estamos a precisar do teu dedo mágico para o tempero.
00:29:28Não vou. Comam saladas. Este ano eu não ponho lá os cotos.
00:29:33Oh, Zezé, sem ter a feijoada eu não tenho a mesma piada.
00:29:36O ano passado não me deixaram catar o fado.
00:29:38Portanto, se eu não sou digno de um feijão,
00:29:40que exija a minha presença à base do tempero da feijoada.
00:29:43Oh, Zezé, o Presidente deixou-te até colocou lá os alto-falantes
00:29:53para tu descaganizares todos.
00:29:55Olha que aquilo foi para cima de um mau morde, pá.
00:29:58E fosse bem, nem?
00:29:59Estás doido? Aquele é a palhagem do garcinho de poias.
00:30:01O quê? O fodiste?
00:30:02Não, o irmão.
00:30:03Ah, aquele que é trolha.
00:30:05Esse.
00:30:05E músicos?
00:30:07Então, olha, tens o Manel Maneta na viola
00:30:10e o Zé Guix na guitarra portuguesa.
00:30:21Ei lá, com artistas desses no manejo do bacalhau
00:30:25é difícil de recusar, é?
00:30:28Então, e cachê?
00:30:29Quem?
00:30:31O Guito.
00:30:33O Pelém.
00:30:34Sim, o que eu ofereço para compensar um desgaste artístico.
00:30:40O papel vai todo para ajudar os aleijadinhos.
00:30:45Para os aleijadinhos?
00:30:47Não.
00:30:47Sim.
00:30:48Não.
00:30:49Sim.
00:30:50Sim.
00:30:52Bom, então, pronto, eu cedo o meu talento aos aleijadinhos.
00:30:57Agora, não dispense a grade-mine,
00:30:59sem a qual a própria grade-mine não fique afinada.
00:31:02Ah, uma grade-mine não foda.
00:31:04Tem-se a este grande.
00:31:05É grande, é.
00:31:07Mas é quando acabar de raspar os tachos,
00:31:09senão não há galder isso para ninguém.
00:31:12Amor, então, mas eu já estou aqui com o palhadácio e o hiper-pop nas unhas.
00:31:16Está armado em cão com pulgas.
00:31:19Quando vocês saírem, leva tantas naquele lombo,
00:31:22só lhe deixo os dentes para ela chorar.
00:31:24Eu ouvi, José.
00:31:27Estava a brincar, amor.
00:31:28Amor, já fui um chavalo russo, armadote em gingão,
00:31:37e a minha mãe dizia que um dia me vendia, como fez ao meu irmão.
00:31:44Era o chavalo mais lindo, que nasceu num barco da Transtejo.
00:31:51Nunca houve outro assim, tão bonito como a mim,
00:31:55que um bem aos planos.
00:31:58Ele também era um amor, um amor seguido, cheio de graça.
00:32:05Meu pai, quando me viu, virou costas e fugiu.
00:32:09Abandonou-me no meio da praça.
00:32:12Desgraça.
00:32:13A minha mãe deu o desgordo, até hoje não me fala-me.
00:32:19Evita-me os becos escuros, esconde-se atrás dos muros,
00:32:24mas a mim não me rende.
00:32:25Vai procurar-me o seu pai, seu bebedolo!
00:32:27Sou filho aqui do bairro,
00:32:30muito novo no bar da ladroa.
00:32:33Não tenho medo de ninguém.
00:32:36Vai-te lá a minha frente, até o que sei.
00:32:38Ai que vem a minha patroa!
00:32:41Cantas mal e não me alegras,
00:32:44tens roupinha para passar.
00:32:48Larga-me um pouco, filho,
00:32:51que é tudo encumadinho,
00:32:53senão vais alancar.
00:32:55Zé, Zé, tu estás feito ao vivo,
00:32:59diz-te aquilo, Tony.
00:33:01Que devias ter vergonha
00:33:05de seres um pai honha,
00:33:07a tua mulher manda em ti.
00:33:10Não te estigues,
00:33:11só que tenho um recabando,
00:33:13um recabando, um recabando,
00:33:14verás que és uma joelhada.
00:33:16E tu, morro da minha vida,
00:33:19não fiques enraquecida,
00:33:21vá-me a malguinha feijoada.
00:33:23O meu nome é Tony,
00:33:28e a mim chamam Zé, Zé.
00:33:31Este é o barulho que vivemos,
00:33:34por ele sofremos,
00:33:36tua rasca do meu pé.
00:33:38Seremos dois belos compixas,
00:33:42que bonita amizade.
00:33:45Que caia aqui um joelho
00:33:48e nos faça a cara no bolo,
00:33:50se isto não é verdade.
00:33:52Que caia aqui um joelho
00:33:55e nos faça a cara no bolo,
00:33:57se isto não é verdade.
00:33:59Muito obrigado.
00:34:05Eu queria também agradecer à minha noquinhas
00:34:08que não pôde vir-me ver-me.
00:34:09Parvalhão!
00:34:11Fecha tu também a tramel,
00:34:13ó espantalho!
00:34:29E aí
00:34:42E aí
00:34:45E aí
00:34:49E aí
00:34:52E aí
00:34:55E aí
00:34:57Tenho sede
00:35:04Oh pequeno réptil febril
00:35:08Vinho
00:35:09Que fizeste tu
00:35:12Para mereceres uma malga de bom palheto
00:35:15Deste teu irmão
00:35:17Das calças de cabedal
00:35:18Que isso?
00:35:21Sou mesmo de cabedal?
00:35:22Coiso de calor?
00:35:24Fónix?
00:35:26Dá-me vinho
00:35:27Tu não percebes
00:35:29Eu podia dar-te banho com a água dos catos
00:35:33Podia alagar-te o casganete todo
00:35:36Com leite de camela fresco
00:35:38Podia afogar-te no chá dos babuínos
00:35:42Mas tu não mereces
00:35:43Esquece o chá de camela
00:35:45Fale-me sim os cambozinos
00:35:47Eu quero a vinho
00:35:50Mesmo que seja de pacote
00:35:52Beba areia, meu lacral enrugado
00:35:56Tu não mexeste o minho dele
00:35:58Para ajudar o próximo
00:36:00Tu és um comanche invejoso
00:36:02Mata o pai à mecha dada
00:36:05Comanche?
00:36:06Eu nem sequer passei de cabo raso na tropa
00:36:09Quem és tu, caramelo?
00:36:12Tu não me reconheces, bigodaças
00:36:14Eu sou o Jimmy Morse
00:36:17Jimmy!
00:36:21Morse
00:36:21Há que tempos que eu tenho para fazer uma pergunta
00:36:25Já sei
00:36:26É o que toda a gente quer saber
00:36:28Como é que era depois dos concertos
00:36:31Com as garinas, não é?
00:36:33Elas e o Mordafoca
00:36:35E eu all night long
00:36:37Não
00:36:38Eu quero saber
00:36:40Se não tens aí um bocado de vinho?
00:36:43Pouco charuto
00:36:44Que eu estou tentado a deixar-te
00:36:46Ao bico do condor faminto
00:36:48Oi, passarelo
00:36:50Se tu me arranjares uma caçarola
00:36:53E dois dentes de alho
00:36:55Eu faço-te um petisco
00:36:56Estalo
00:36:57Mas primeiro quero vinho
00:36:59Vinho
00:37:01Vinho!
00:37:03Não, peste
00:37:04Tu mereces a segura do cascalho no céu da boca
00:37:08Ajudo aos outros a ajudar-te
00:37:10E ajudarás a ti próprio
00:37:12Mas deste vinho não bebes que é pouco
00:37:14E é para mim
00:37:15Eu estou com uma sede
00:37:16Já não vejo boi
00:37:17Vinho!
00:37:27É animal
00:37:28Até parece que viestes do deserto
00:37:30Eu tive uma visão
00:37:34Logo ao primeiro golo
00:37:35A missão dá-lá para o quinto
00:37:37Quinto pacote
00:37:38E foi aí
00:37:41Aqui neste sítio?
00:37:43Não, Tânia
00:37:44Aí é uma maneira de disser
00:37:45Então porquê que não disseste logo?
00:37:47E foi então
00:37:48Ah
00:37:49Que eu percebi
00:37:50Que eu tinha de andar pelo mundo
00:37:52A ajudar as pessoas
00:37:53E os aleijadinhos
00:37:54Tipo a ajudar a atravessar as passadeiras?
00:37:56Não, Tânia
00:37:57Então não estás a perceber
00:37:58Vamos ver
00:37:58Para os aleijadinhos o mundo inteiro é uma passadeira
00:38:01Deste caixa de semáforos, não é?
00:38:03Que é para não variar uma panada
00:38:04Pois, mas o problema é esse
00:38:06É que os aleijadinhos fartam-se de levar panadas
00:38:09E não há ninguém que levante um mindelo que seja
00:38:12Para ajudar-lhe-os
00:38:14Tu sabes o que é que faz falta neste mundo?
00:38:17Sodeleariedade
00:38:17Sodeleariedade
00:38:19Sodeleariedade
00:38:22Pois, também só faltam três coisas
00:38:24Também já não falta tudo, não é?
00:38:26Mas é
00:38:26E dentro desse estilo de género
00:38:29De pessoas que ajudem os outros
00:38:30O que eu gostava de ser
00:38:32Era para aquelas pessoas que ajudam
00:38:34A salvar as paleias e os pinguins
00:38:36E aí
00:38:37Green Pizer
00:38:37Exatamente
00:38:39Quem é esse gajo?
00:38:40Está a dizer
00:38:40Green Pizer
00:38:41É uma barcaça
00:38:42Comandada por um hippie
00:38:43Mais a mulher que é maluca, não é?
00:38:45E que andam lá para o Paulo Norte
00:38:46A vaguear para os caídos
00:38:48Ah, um hippie no Paulo Norte
00:38:49Estou a ver
00:38:51E a fazer o quê?
00:38:52A salvar a becharada
00:38:53Está para lá congelada
00:38:55Nas estepes
00:38:56À espera de ser salva, não é?
00:38:57Tu sabes
00:38:58Quantas focas é que eles matam por ano
00:39:00Só para fazerem óleo de fígado
00:39:02Bacalhau
00:39:02E banha
00:39:03Para engraxar os sapatos
00:39:05Olha lá
00:39:05Mas eles matem-nos
00:39:07Ou salvem-nos
00:39:08Ou veio a um sítio qualquer
00:39:09Em como perdê-me
00:39:10Os caçadores
00:39:11Matem-nos
00:39:12Os Green Pizer
00:39:14Salvem-nos
00:39:15Salvem-nos
00:39:17Depois de estarem mortes
00:39:18Está bem visto?
00:39:19Porque estão congeladas
00:39:21Tu nunca viste o Rick Aubrey Channel
00:39:23Aquele canal
00:39:24É que tem sempre os bichos lá
00:39:26Ou os pulos lá
00:39:26Para os confins do Caraças
00:39:28Não
00:39:28Se tu veres esse canal
00:39:30Tu vês que há muito bicho
00:39:31Que não serve para nada
00:39:32Então e eles comem o quê?
00:39:35Palha
00:39:35Mosquedo
00:39:36Três partes dos hipiscos
00:39:38São piores que os porcos
00:39:39Comem tudo
00:39:40Então está a falar das focas
00:39:41Zezé
00:39:42Uns hipiscos seriam vegetariais
00:39:44Não é?
00:39:45Eles só comem assim raízes
00:39:46Sultanas
00:39:48São os piscos a comer
00:39:49Aquilo é uma espécie de religião
00:39:51Eles não podem comer cadáveres
00:39:53Então mas e se cadáveres
00:39:54Eu também não como
00:39:55Ah
00:39:55E bifanas
00:39:56É o quê?
00:39:58É frango
00:39:59E tu quando comes o frango
00:40:00O frango não vai já morto
00:40:01Para o prato
00:40:02Ah pois o quê?
00:40:03Agora querias comer frangos vivos
00:40:05Ah vai
00:40:05De onde está lixada?
00:40:07Eu sou uma pessoa simples
00:40:08Eu a mim não me interessa
00:40:10Como é que eu como o frango
00:40:11Não é?
00:40:11Olha por acaso eu
00:40:12Eu até era capaz de alinhar
00:40:14Nisso da barcaça
00:40:14Do Greenpeace
00:40:15Mas era se eles atirassem
00:40:17Os hipis todos bordo afora
00:40:18E fizessem uma desinfestação naquilo
00:40:20Vai dar bem ao hipi
00:40:21Mas eu nem era
00:40:23Nem era por causa das focas
00:40:24Ah não?
00:40:25Não
00:40:25Não
00:40:25O que é que as focas se lixem?
00:40:26Também eu
00:40:27Ah pois
00:40:27Eu era mas era
00:40:28Para acabar com aquela bucaria
00:40:30Dos petroleiros
00:40:31Que andam a espalhar gasóil
00:40:33No oceano
00:40:34Ah pá
00:40:35O perícia que está o gasóil
00:40:37E eles a darem beira
00:40:39Às sardinhas
00:40:39Né?
00:40:42Tu já ouviste aquela frase
00:40:44Do
00:40:44Save the wealth
00:40:45Fox the planet
00:40:46Zezé
00:40:47Eu quando vi esse filme
00:40:48
00:40:48Eu chorei tanto
00:40:50Naquela parte em que
00:40:51Ele vai lá para a guerra
00:40:52E depois volta todo
00:40:53Estrançalhadito
00:40:54Chegou o filme
00:40:55Estou-te a falar do Greenpeace
00:40:57
00:40:57E do gasóil
00:40:58Zezé
00:41:01A propósito de filmes
00:41:03De aleijadinhos
00:41:04Em que parte do filme
00:41:06É que entrou o meu pai?
00:41:08Muito mais tarde
00:41:09Depois do intervalo
00:41:10Muito mais tarde
00:41:13Ah
00:41:13Tony
00:41:17Mas eu gosto daqueles filmes de índios
00:41:28Em que os cobóis matam os índios todos
00:41:30E o que eu gostei mais foi o último morango tango em Paris
00:41:34Espetáculo
00:41:38Espetáculo
00:41:39Que de coboiada
00:41:40Era com quem?
00:41:41Oh
00:41:41Estava cruza
00:41:43E a mulher
00:41:44A outra mulata toda gira
00:41:45A gíria for lápis
00:41:47Onde?
00:41:47Onde?
00:41:47Onde?
00:41:48No filme
00:41:49Agora para mim
00:41:53A coboiada
00:41:54Diz coboiadas
00:41:55O pico do cobo
00:41:56É o bom
00:41:57O mau
00:41:58E o balão
00:41:59O Clinton
00:42:07O Nisberg
00:42:08No papel bom
00:42:09O Amar xerife
00:42:12No papel de xerife
00:42:13Mal que mais cobre
00:42:14Esse gajo é uma autêntica cascada
00:42:16Ele não é?
00:42:17E no papel de balão
00:42:18Esse deus
00:42:19Tem uma raça
00:42:20De mão aberta nos olhos
00:42:22Que é o Bruce Spencer
00:42:23Ai o Bruce Spencer
00:42:25Mal que eu vou dizer
00:42:26Eu para mim pá
00:42:28O Bruce Link
00:42:29É pior do que o Bruce Spencer
00:42:30Para a estalada
00:42:31Mas espera aí
00:42:32Mas aí já estamos a falar do panteão
00:42:34Tu não podes meter o Bruce Link
00:42:36E o Bruce Spencer
00:42:38No mesmo saco
00:42:39Até se calhar não cabia ainda
00:42:41Claro
00:42:41Mas o Bruce Link é só clássico
00:42:44A ferida do dragão
00:42:46A cotovada do dragão
00:42:48A roxada do dragão
00:42:49O dragão vai à praia
00:42:51Com o que?
00:42:51Os filhos do dragão
00:42:53E o grande clássico
00:42:55Dos clássicos
00:42:55Que é
00:42:56A mais louca corrida
00:42:57Dos sete samurais
00:42:58À volta da muralha da China
00:43:00Então e esse não leva dragão?
00:43:03Não deixaste de acabar
00:43:04A mais louca corrida
00:43:05Dos sete samurais
00:43:06À volta da muralha da China
00:43:07A fugir do dragão
00:43:08É sobre a máfia chinesa
00:43:12A gazosa
00:43:13O mortífero
00:43:14Agora mesmo não chegam o espaço
00:43:17São as vossas apostas e o gajo
00:43:18Para aqui com a nota
00:43:19Levam a nota
00:43:20Aceitamos o
00:43:22Rampiaza africana
00:43:24Aceitamos
00:43:25Petrodólares
00:43:26Chinodólares
00:43:28O Jimori
00:43:29Repete comigo
00:43:30Eu sou uma besta assassina
00:43:32Eu sou
00:43:34Uma besta
00:43:36Assassina
00:43:38Obrigado
00:43:38Obrigado
00:43:40Obrigado
00:43:40Obrigado
00:43:41Obrigado
00:43:42Obrigado
00:43:43Obrigado
00:43:44Obrigado
00:43:45Obrigado
00:43:46Obrigado
00:43:47Obrigado
00:43:48O Samurais está rejinho
00:43:50Melhor só em vinhedalhos
00:43:52Só em vinhedalhos
00:43:54Ah Samurais
00:43:55Mostra-me esse espírito felino que há dentro de ti
00:43:59Meu galinaço
00:44:00Eu apostei tudo em ti
00:44:06Portanto já sabes
00:44:07Ou vitória
00:44:07Ou fricassé
00:44:09Um álgues
00:44:10Ovo da China
00:44:15Estamos prestes a começar o tradicional combate
00:44:19Que hoje é a sua primeira edição
00:44:20Da tradicional luta de galos chineses
00:44:23Ilegal de Cazuza
00:44:25Ilegal de Cazuza
00:44:25Ilegal de Cazuza
00:44:28Ilegal de Cazuza
00:44:30Onde passou dez anos com o seu mestre Tony
00:44:33A aperfeiçoar a técnica
00:44:35E o estilo do Saguim
00:44:37E o manejo da Ripa do Pau e do Pau da Ripa
00:44:39Um grande aplauso para Samurai
00:44:42O terror da Serafina
00:44:44Concentra
00:44:51Concentra
00:44:52E agora
00:44:53Regraçado de uma aldeia
00:44:55No supé de uma montanha
00:44:57Carrazeda de Anciéis
00:44:59Onde passou os últimos três dias
00:45:02Em voto de silêncio
00:45:03Com o seu manageiro à Trois
00:45:05Zezé
00:45:06O maior especialista
00:45:07Da técnica do morcego
00:45:09E da fuga em passo de corrida
00:45:11Palmas para Fujimori
00:45:12O bandalho da Porcaiota
00:45:14Aumenta as tuas últimas preces, Maria Alva
00:45:27O Fujimori vai esfrangalhar esse pombo-correio
00:45:31Que nem sequer a sacrista se lhe aproveita
00:45:33Mão amigo
00:45:36Só para saber
00:45:37Fique sabendo
00:45:38Que aquele Samurai
00:45:39Vem da linhagem de antigos galos guerreiros
00:45:42Do tempo do Inspector Mingi
00:45:44O três-avô deste galo alimentou
00:45:48Os operários construíram a primeira grande muralha da China
00:45:52E a Redores
00:45:53Eita já
00:45:54O Fujimori é faixa o olho negro em capoeira
00:45:58Isto galo é muito homem
00:45:59Isto galo é um Rocco Russo
00:46:02É um Fraley Mercury
00:46:04É um Neymarculo Grosso
00:46:06Neymarculo Grosso
00:46:07Olha quem tu foste escolher
00:46:09Te há dito que esse já morreu
00:46:11Me interessa
00:46:12Homem que é o homem
00:46:13É sempre homem
00:46:14Nem que seja galo
00:46:17Já sei, não é para te acabar
00:46:19Mas esse galo a cantar é um bocadinho rabiçês
00:46:24Rambiçudos
00:46:25Rambiçudo
00:46:26Mas aqueles gais que vão casar para Espanha
00:46:28Uns com os outros sem gajas
00:46:30E fé em Deus e Elton Johnny
00:46:38Ah, ah, ah
00:46:40Cezé, Cezé, Cezé
00:46:41Estás a dormir
00:46:42Cezé, vês?
00:46:43Isto é impossível, pá
00:46:44O galo pôs um ovo
00:46:45Parece-me mesmo que é cinema
00:46:47Ah, já vi isto em vídeo
00:46:49Oh, este filme estreou hoje
00:46:50Hein?
00:46:51Com este gajo
00:46:52Já vi isto uma porrada de vezes
00:46:54Ah é?
00:46:55Então o que é que ele vai fazer a seguir?
00:46:56Vá, deslá, deslá
00:46:57Vá, assuto cunco
00:46:58Perde a graça toda
00:46:59Ah, não, Cezé
00:47:00Conta-me lá como é que o filme acaba
00:47:01Que eu estou aqui carregadinho de nervos
00:47:03Vá, pá, vê o filme
00:47:04Vá, pá, vê o filme
00:47:05Vá, lá se calma
00:47:06Vá, lá se queres engolir o bilhete
00:47:09Oh, champana
00:47:10Vá, diz que não tem servilidade nenhuma
00:47:13É lói
00:47:14E diz ai, Tonys Pequinhos
00:47:16Galhetes, anda beluco
00:47:19Onde é que tu estás, mamene?
00:47:21No cinema
00:47:22Ou olha também eu
00:47:23Vá por olho, pá
00:47:25Para
00:47:26Então mas o meu amigo pode falar ao telemóvel à vontade
00:47:31Toma ou não, hein?
00:47:33Vá lá se queres covar aí
00:47:34Arranca essa fila toda à base de deteção
00:47:36Aquele filme é que tu estás a ver, Galhetes?
00:47:39Olha também eu
00:47:41Ó pá, tá calado
00:47:43Palermo
00:47:44Mas quem é que é palermo?
00:47:46Oh normal
00:47:47Hein?
00:47:50Quem é que me tirou as pipocas?
00:47:52Eu quero saber quem é que me tirou as pipocas
00:47:54Tirou as pipocas
00:48:00No fim a gente...
00:48:01Pois é, adivinha quem é que está aqui no cinema?
00:48:03Quem?
00:48:04O Galhetes
00:48:05O Galhetes?
00:48:06Sim
00:48:07Aonde?
00:48:08Ah está lá para trás
00:48:09Porque ele disse que não me estava a ouvir bem
00:48:10Porque havia um caramelo aqui à frente
00:48:11Estava a fazer um grande a cagarinho
00:48:13E ele teve que lhe mandar com um saco de pipocas no bacano
00:48:17Galhetes é um homem morto
00:48:19Onde é que tu estavas quando eu precisei de ti, pá?
00:48:21Tu viste as quatro primeiras filas a saltarem para cima de mim à morraça
00:48:25E não mexiste um sobrancelho, pá?
00:48:28Tu precisas de mim?
00:48:29Sim
00:48:30Tu não precisas de mim para nada, pá
00:48:32Tu és um ingrato
00:48:33Por tua causa eu não sei como é que o filme acaba
00:48:36Eu sei como é que o filme acaba, queres que eu te contem?
00:48:38Não
00:48:39Senão depois também não dava interesse ver o filme, né?
00:48:43Uma rentude escudo não, pá
00:48:45É uma banheira de sangue
00:48:48Mas...
00:48:49Ela casa com o gajo ou não?
00:48:51Casa, casa
00:48:52Então aquilo é como aquelas comédias románicas, não é?
00:48:56Que o mal começa a churrascar um bocadinho de alto de tudo
00:48:59A cantar e a dançar
00:49:01Como aquelas filmes do Fred Astaire e do Jean Jarelle
00:49:05Estão saílios?
00:49:07Estão saílios?
00:49:08Estão-os verem?
00:49:09Estão saílios?
00:49:10Estão saílios?
00:49:11I'm sailing in the train, I'm sailing in the train, I'm sailing in the train, I'm sailing, sailing in the train!
00:49:31Comparolhos, meus perebatos!
00:49:34Espetáculo!
00:49:41Este homem é um dos homens mais importantes da história do barro em geral e da história de Portugal em particular.
00:49:51É preciso ter muito respeitinho para este senhor.
00:49:54Elefante de pontifuas bugalho o atrofiador.
00:50:00Exatamente, este homem é que descobre o caminho marítimo para a Espanha.
00:50:06Eis! Como? De burro?
00:50:10Então para lá, mas tu não disseste que o caminho era marítimo?
00:50:13E os burros não nadam!
00:50:14Até Espanha!
00:50:15Os burros nadam até onde for preciso!
00:50:18Eis!
00:50:19Está dito!
00:50:20Sacrista do burro fartou-se dar ao remo!
00:50:23E como é que se chamava o burro?
00:50:25Oh pai!
00:50:27É!
00:50:28Sim!
00:50:29Não!
00:50:30Com85 andam!
00:50:31Com одна série dasработtões de nossa...
00:50:32Dê meus coxistas, diz que o mês que pegava o noboto do bote do Maireão Bagacedon,
00:50:34dê meus coxistas e tal meira...
00:50:35o Helena!
00:50:36Net 251 uma cabra de Serrida!
00:50:37Eu ia ter regrasca os pedacalos, dê Wrestlingia e Surprise!
00:50:38De tal maneira que compra uma nau.
00:50:41De Andesneira nasce.
00:50:44Uma nau.
00:50:45De Andesneira nasce.
00:50:48Não, uma canoa.
00:50:50Canoa...
00:50:53A Perlin-Tipeteta.
00:50:56Não, Perlin-Tipeteta.
00:50:58Em homenagem à deusa galaco-romana da Estrela de Mário.
00:51:04E do Choc-Frito.
00:51:08A Perlin-Tipeteta foi aquela santa que ficou célebre por comer rosas.
00:51:13Foi.
00:51:15Mas estava eu a dizer que então, Eldon Fuas apanhou um camadão de peste platónico.
00:51:21De onde?
00:51:22Nos ouvidos.
00:51:24E então tem de fazer uma cura para as termas.
00:51:27E é quando o gajo está a levar mangueirada pela bigodassa abaixo que toma uma decisão.
00:51:32Mas espera, ele estava a fazer um tratamento com jatos de água.
00:51:34Sim.
00:51:35Isso é horrível, pá. Antes fosse vinho.
00:51:37Se fosse vinho, decide embicar ao endireito à Índia.
00:51:41Mas porque é que ele embicou com a Índia, pá?
00:51:43Ela fez-lhe algo mal.
00:51:44Eu não estou a perceber nada desta história.
00:51:46A vosso tempo, vós perceberóis, nobre raio.
00:51:52Como todas as grandes epopeias da humanidade, a Espanha foi descoberta por acaso.
00:51:57Porque Eldon Fuas estava convencido que estava a chegar às costas da Índia.
00:52:01Ah, às cavalitas? Não, às costas.
00:52:03Foi o que eu disse?
00:52:04Às costas, tipo...
00:52:06Olha a Índia!
00:52:08A de onde?
00:52:09A de onde?
00:52:10É um sepulho!
00:52:11É um sepulho!
00:52:12É um sepulho!
00:52:13A vós trazido de bebelhos para esta longa jornada que sempre em Índia.
00:52:28Ah, bem trazido, meu brovera, senhor.
00:52:31Tendo em conta que, neste nosso percurso para a Índia, eu conto o que a tracais em Canal Taveira
00:52:37para dar-lhes de comer bifanas e umas minas aos vossos marinheiros.
00:52:41A vais pensar de mal, nós herdem-nos pela autostrada.
00:52:45Bem deslumbrado, Dom Gazulas, bugalho.
00:52:49Fugas!
00:52:50Ah, bem deslumbrado, Dom.
00:52:52Fugas! Fugas, bugalho.
00:52:54Sendo assim, atracai na estação de serviço de Grândula
00:52:56para comprar-lhes chicolatas.
00:52:59E depois, prosseguamos na perisca.
00:53:01Agora, o que falai-lhes nisso?
00:53:03Não achares que desquedos depressa demais?
00:53:05Reparai-lhe!
00:53:07O óleo!
00:53:07Na curva, vende o perigo!
00:53:11Lançai as vossas últimas pressas!
00:53:14Quero-te estar com a caixa manhã na trabeira!
00:53:16Traga!
00:53:27A expedição estava em grande perigo.
00:53:30E o esqueleto-arefante, Deldon Fugas, bugalho, estava todo espreiado no mar.
00:53:35Como se for um gato todo espargamentado no chão.
00:53:38Oh, gaita! Oh, gaita!
00:53:40Porta-lhe-me o farol!
00:53:42Tente calma, que os grandes navegadeiros dão sempre a volta por cima.
00:53:45Mesmo que sejam um bocado mais à frente.
00:53:47Tente calma!
00:53:47Eu tenho calma, mas tenho um farol partido.
00:53:49Quem é que me vai pagar o farol?
00:53:50Deixa lá o farol.
00:53:51Isto é um suponhamos.
00:53:52Eu seguro que ao vos suponhamos é farolados.
00:53:55Tu tens um seguro contra suponhamos?
00:53:57Suponhamos que sim.
00:53:59Até pronto, já está tudo tratado.
00:54:01Podemos prosseguir?
00:54:02Ou as grandes proezegas navegabilísticas da história têm de desesperar por vossa excelência?
00:54:09Vinda, vinda, D. Falcatruz-Vor do Vale.
00:54:13Fuas!
00:54:14Fuas!
00:54:15Vinda que a necessidade estica-me um engenho.
00:54:18Que hoje sou eu a ressonar nas tímpanas?
00:54:22Serão as famosas sereias da Ilha dos Namoros com os seus olhitos de besugo?
00:54:27Com pouca sorte ainda encontramos para aí os aronhitos do cabulho.
00:54:30Havês falado em sereias?
00:54:32Sim.
00:54:33Daquelas que são baleias da cintura para cima e salmão pelas pernas abaixo.
00:54:38Oh, canta!
00:54:38Mas isso é minha noquinhas.
00:54:40Fugide, fugide, que se ela me encontrar aqui atira-me com um faro de caril na testa.
00:54:48Um asno!
00:54:49Falares comigo, senhor.
00:54:50Não, falo do jerico.
00:54:52Qual cavalgadura do escoteio de D. Queijote de la Manja?
00:54:58Botai as mãos em forma de concha.
00:55:01Não sei, exito.
00:55:03Botai antes de provar-lhes a violência do meu florete.
00:55:07Botai antes de provar-lhes a violência do meu florete.
00:55:37E aí
00:55:39Chegámos?
00:55:48Já deu por isso, senhor.
00:55:50Havês trazido os espelhos para trocarmos por miçangas com os inesnes?
00:55:53Com o caita, com o mil cagalhões, eu trouxe miçangas para trocarmos espelhos.
00:55:57Também serve.
00:55:58Vamos beber um copo para limpar a limalha que atafule os nossos cascanetes.
00:56:02Tito.
00:56:03O que é que ele disse?
00:56:33Não percebi bem que ele fala por esse bíos.
00:56:37Ora, deixa cá ver.
00:56:39Tonhiz a zé.
00:56:42Quatro pires de torresmos de cebolada, três euros.
00:56:46Um alguidar caracolada com favas, cinco euros e meio.
00:56:51Onze sandos de pata de galinha, vinte e quatro euros.
00:56:56Setecentas e trinta e quatro grados de mine, quinhentos e seis euros e trezentos e quatro centímetros.
00:57:01Vede, o rei dos índios está a tentar comunicar connosco.
00:57:06Saravá, aloa, saram ala hameleque.
00:57:11Ele, donga zuas.
00:57:13Fuas.
00:57:14Fuas.
00:57:15Fuas.
00:57:16Fuas.
00:57:17Tu tarzan, mi jame.
00:57:19Total, seiscentos euros e quatro cêntimos.
00:57:33Por ser para vocês, arredondamos para oitocentos e não se fala mais nisso.
00:57:37Caramba!
00:57:38E eu que achava que ser das amistazes com os descobrideiros portugueses.
00:57:42Pagam já bem ou pagam depois a mal?
00:57:48São os grandissíssimos filhos da p***.
00:57:50Os olhos levantar-me a voz.
00:57:52Eres levar uma porrada de chibatadas nesse lombo.
00:57:55Comissarável.
00:57:56Em nome de al rei, dou-me patiço.
00:57:59Uma semana.
00:58:06Tendes uma semana para pagar-te tudo aquilo que deveres.
00:58:10Ou então...
00:58:11F***!
00:58:13Aos dois!
00:58:14Aos dois!
00:58:18Aos dois!
00:58:18Aos dois!
00:58:29Oh, que maravilha!
00:58:31Gostas de lamber porcarias, não é?
00:58:34Sá de ir, rapaz, o caneco!
00:58:36É dito o canito, tão querido.
00:58:40Olha, olha bem isto.
00:58:41Só lhe falta ladrar, é?
00:58:43Com estes olhinhos lamésques.
00:58:47Sá de ir, rapaz, o caneco!
00:58:48Não?
00:58:50Pá, vamos-vos embora.
00:58:51Agora amanhã tem que me voltar a ser.
00:58:53Para quê?
00:58:54Está daí, cão.
00:58:55Agra para aqui.
00:58:56Aquele localista é tratado de um tortulho, pá.
00:58:59Por acaso, não está a doer.
00:59:01Não.
00:59:01Também é a única coisa que não está a doer.
00:59:05Afujem, Zezé, que estaremos a tirar para lá,
00:59:07e pique-nos a calçar.
00:59:08O que é tu, mãe?
00:59:09Vai procurar o teu pai, Silvio Bedolas!
00:59:12Afujem!
00:59:13Afujem!
00:59:15Mas, António, estou a fazer só algum lixo da malcata
00:59:18para poderá tirar a pele.
00:59:19Afujem, Zezé!
00:59:21Vai!
00:59:21Com o mocho!
00:59:23Engraçado, vai!
00:59:25Silvio Bedolas!
00:59:28Vai!
00:59:29Desgraçado!
00:59:33Porque é que ela não manda-me pedras, pá?
00:59:35Para que tu procurares o teu pai.
00:59:38Não me apetece.
00:59:39Deve estar à espera que o teu pai caia do céu aos tromelhões, tu.
00:59:43Toninho, se o rato não vai ao mau-mé, vai ao mau-mé à montanha.
00:59:48Zezé, tu lembras-se quando aqui há uns tempos, pá,
00:59:50eu tive três anitos a ir ao bairro?
00:59:53Tá, só não me lembram.
00:59:54Estão foram os milhares, quinze dias da minha vida, pá.
00:59:56Zezé, nessa altura, eu andava à procura do meu pai.
01:00:00Sim, e encontraste-se, Lilo?
01:00:02Acho que não.
01:00:03Mas ao menos ninguém me pode acusar de eu não ter andado à procura dele, não é?
01:00:07Enquanto que há certas pessoas por aí que é melhor até estar calado.
01:00:10Ok, então estás a encenderá que eu não ligo o pé para a minha família, é?
01:00:14Estou.
01:00:14Para mim, se há coisa mais sagrada, são os três Fs,
01:00:17que são os pilares constitutivos da nossa nacionalidade,
01:00:21que é a família, fado e futebol.
01:00:25E Fátima.
01:00:27E fome.
01:00:28E não te falta manada?
01:00:31Falta facas.
01:00:33Hoje em dia, já ninguém liga a essas coisas.
01:00:36Os fadidões de hoje só ligam aos três P's.
01:00:39Três P's?
01:00:40Player Station,
01:00:42Pop Rock in the Nation e Pernication.
01:00:45Sacristas dos putos, pá, não respeitam as tradições nacionais, pá.
01:00:51Para agora, para o Player Station,
01:00:52tu já tens sobre o teu combate da Fakation 7?
01:00:56Tenho.
01:00:57Só que ainda não joguei, não é?
01:00:59Tu ainda não jogaste sobre o teu combate da Fakation 7?
01:01:03Estás muito alto, malfreder.
01:01:05Sério, não joguei, porque ele está em tua casa, não é?
01:01:09Olha, é isso e discos?
01:01:11A catra é foda de discos teus que eu tenho lá para casa.
01:01:14Eu qualquer dia fui naquela bocaria toda, não é?
01:01:16Que agora já nem quero discos, eu agora saco tudo da neto.
01:01:18Tu sacas tudo da neto, hein?
01:01:20Tu devias ter vergonha, pá.
01:01:21É por causa de gajos como tu é que dão cabo das carreiras das Pitney Beers, pá, desse mundo, não é?
01:01:27Uma miúda que até podia ser a tua filha, pá.
01:01:29Podia nada, é?
01:01:31Olha-lhe bem para mim.
01:01:32Sexy, mana, branda, faca.
01:01:38Mas é, tu vai-mas é devolver as músicas lá à neto, que é onde elas estavam, hein?
01:01:42Ora, eu devolvo as músicas à neto quando tu devolves as gajas.
01:01:45As gajas, pá.
01:01:47As gajas és tu que me pedes para sacar-lhes, pá.
01:01:49É pá, tu estás a ver como tu és, pá.
01:01:51Estes gajos tens uma lata, tu és muito atrozido.
01:01:54Eu nem sequer tenho computador e...
01:01:56Tinha eu um computador com ligação à internet, por banda gástrica, pá.
01:02:01E tu o levaste para a tua casa, não é?
01:02:03Está em minha casa, mas é teu.
01:02:06Portanto, quem anda a sacar as músicas da neto és tu.
01:02:09E é isso que eu vou dizer à báfia.
01:02:10Não metas a polícia.
01:02:12Vamos resolver isto com alguma civilidade.
01:02:15Tu és um sem-vergonha, pá.
01:02:17Tu devias era devolver já essas pecarias todas à neto, antes que venha a Ramona.
01:02:22Polícia!
01:02:24Ora, Zezé, estás a ver?
01:02:25Estás a ver o que eu te dizia?
01:02:27É isto que os putos hoje em dia curtem.
01:02:29Porra e queixem-me.
01:02:30Então, mas isto era uma retrosaria, não era?
01:02:34Pois era.
01:02:35Mas eles dão cabo tudo o que é típico.
01:02:38É típico?
01:02:38Pois.
01:02:39Quer dizer, em vez de uma referência histórica, temos um templo de boche.
01:02:44Que vergonhe!
01:02:46Está mal!
01:02:50Bora.
01:02:51Bora.
01:03:00Agora, Zezé, aquela maluca que está ali naquela molhada, é a Lázio, não é?
01:03:13Não.
01:03:14É a Terra Patricks.
01:03:16Mas se quiser um colácio, é ali.
01:03:18Na prateleira dos tarados.
01:03:20O tarado é o camarão mais velho, é o catano.
01:03:23Por lá se queres engolir esta baixa hora.
01:03:26Na tua casa ou na minha?
01:03:28Fofura.
01:03:30Tanê!
01:03:32Tanê!
01:03:34Tanê!
01:03:35Espera aí que eu já te atendo.
01:03:37Apricado, api!
01:03:37Api!
01:03:38Olha para isto!
01:03:40Eis!
01:03:41Que grandes malucas!
01:03:43Nem conhecem o gajo.
01:03:44Por favor, Reste.
01:03:46Tanê!
01:03:46És tu que estás aí?
01:03:48Não, é um outro gajo qualquer.
01:03:50Ah, olha que pena.
01:03:51É que estão ali umas gajas que vão pôr o Tanê maluco.
01:03:54Oh, gaita!
01:03:55Oh, gaita!
01:03:56Hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi, hi.
01:04:00Estás aí, moededo.
01:04:04Moedama?
01:04:05Sim, moedoledo.
01:04:07Tê?
01:04:08Tê!
01:04:09Eu não mexo nisso, moedentulho, que eu não estou vacinado contra a febre poliendome eletrica.
01:04:14Tê-o tu e mete a moeda ali na ranheta.
01:04:16Tê-as é?
01:04:17Eu tenho a certeza que ali dentro está assim, carregadinho de gajas boas.
01:04:21Ouve lá.
01:04:22Mete lá.
01:04:31Espetáculo.
01:04:32Isto é do que era, às vezes.
01:04:34Moças, e como é que eles vêm em seu palco a andar à roda?
01:04:38É a mão de obra escrava.
01:04:40Lá embaixo está tudo cheio de nões, uranianos, crustáceos, moldébos, tudo a empurrar a roda.
01:04:47E este país está carregadinho de africanos, não é?
01:04:50Está-tito.
01:04:52Também deve fazer mal às costas andar assim para a duas matelones.
01:04:55Silêncio, que se estão a ver gajas.
01:05:00Pessoal.
01:05:02Betão, dá-lhe uma moeda.
01:05:05Para quê?
01:05:05Para as gajas.
01:05:06E achas que as gajas te deixam ver alguma coisa com uma moeda?
01:05:09Dá-se uma moeda ou queres enfardar?
01:05:12Pronto.
01:05:13Palma.
01:05:15Bom proveito.
01:05:19E agora eu gostava de estar ali no meio delas, a apiar cartucho.
01:05:23Toma lá a minha galefona.
01:05:28Querias conversa, não é?
01:05:30Mas eu estou aqui de rede e solta.
01:05:33Arrafei, foi a minha pardalhoca.
01:05:36Querias miminhas?
01:05:38Também.
01:05:39Eixa.
01:05:40Quer saber, também?
01:05:42Assim é que se mete as galefonas na ordem.
01:05:45Está a ver ou não está?
01:05:47Também.
01:05:48Não faz a mesa, não sei que está aqui.
01:05:51Claro.
01:05:52Salmo 69
01:06:06Embora caminhe pelas vielas da morte, não temerei nenhum perigo, pois o Senhor caminha comigo.
01:06:14Não se vê, mas caminha, que eu sei.
01:06:17Portantes, cavaialho!
01:06:19Ele é galefonas, ele é palmado no nalguedo.
01:06:39Ah, ah, mas quando o Tony salta para cima das malucas, é que o Senhor Zezé resolve achar que aquele lugar é imundo.
01:06:47A luz.
01:06:48A luz.
01:06:49A luz.
01:06:49Ai, luz.
01:06:50Queres luz?
01:06:51Então já vais levar com o rosto.
01:06:53Vais levar aqui com cem mil amperes nos queixos, que é para ver se queres luz.
01:07:00Achas bem?
01:07:01Porque o Senhor Zezé pode estar ali, armado em casa branca, a refinfar nas bardalhocas que nem um marujo, não é?
01:07:08Mas quando toca aos outros, desata a mandar coisas que nem uma mula, hein?
01:07:13Tu não estás a perceber.
01:07:15Eu vi a luz.
01:07:18Eu vi Deus e o Senhor.
01:07:20E onde há fumo, há fogo.
01:07:22Em fogo estavam as malucas com o meu caparro.
01:07:25Que uma delas até disse, é o típico caparro de fumador.
01:07:28Mas o Senhor Zezé não, não sabe ficar creladito e sugadito, quando os outros estão no regabof sem ele.
01:07:36Eu sou o enviado de um Messias e eu não me vou calar com a palavra do Senhor.
01:07:41Já te digo se te calas ou não, vais levar com meia litrada de Prózoc com brufina, que é para ver se não te calas.
01:07:48Quem fala aqui sou eu.
01:07:53Tu não estás a perceber, Tony.
01:07:56Eu sou um homem novo.
01:07:58Eu dei uma reviravalta de 380 graus na minha vida.
01:08:03E agora parece que voltei ao princípio.
01:08:06Puxoi!
01:08:07Que eu fui estropeleado.
01:08:08Eu fui virilipendiado.
01:08:10E fui até inserilho-gado.
01:08:12Puxou, Zezé!
01:08:13O ponto de piada.
01:08:14Isto agora vai ser o grito do Ipiranha.
01:08:18Jerónimo!
01:08:21Lembras-te quando eu fiz jumping-jumping com os suspensórios?
01:08:24E depois dei confronto de espício num calhau que estava a boiar no rio?
01:08:27Jerónimo!
01:08:28Onde é que estavas tu?
01:08:29Tu que dizes, meu amigo?
01:08:31Estava a afogar-me.
01:08:33Assaltei a testi.
01:08:36Jerónimo!
01:08:39E onde é que estava essa peida gadocha?
01:08:43Quando eu entreplei o meu cão.
01:08:46Estava agarrado à roda.
01:08:47Eu estava a fazer festas ao farrasco quando tu me atropelaste.
01:08:52Jerónimo!
01:08:53Jerónimo!
01:09:03Tchau, tchau.
01:09:33Tchau.
01:10:03Tchau, tchau.
01:10:33Tchau.
01:11:03Tchau.
01:11:33Tchau.
01:12:03Tchau.
01:13:03Tchau.
01:13:33Tchau.
01:14:03Tchau.
01:14:33Tchau.
01:15:03Tchau.
01:15:33Tchau.
01:15:35Tchau.
01:15:37Tchau.
01:15:39Tchau.
01:15:41Tchau.
01:15:43Tchau.
01:15:45Tchau.
01:15:47Tchau.
01:15:55Tchau.
01:15:57Tchau.
01:15:59Tchau.
01:16:01Tchau.
01:16:03Tchau.
01:16:05Tchau.
01:16:07Tchau.
01:16:09Tchau.
01:16:11Tchau.
01:16:13Tchau.
01:16:15Tchau.
01:16:17Tchau.
01:16:19Tchau.
01:16:21Tchau.
01:16:23Tchau.
01:16:25Tchau.
01:16:27Tchau.
01:16:29Tchau.
01:16:31Tchau.
01:16:33Tchau.
01:16:35Tchau.
01:16:37Tchau.
01:16:39Tchau.
01:16:41Tchau.
01:16:43Tchau.
01:16:45Tchau.
01:16:47Tchau.
01:16:49Tchau.
01:16:51Tchau.
01:16:53Tchau.
01:16:55Tchau.
01:16:57Tchau.
01:16:59Tchau.
01:17:01Já vais ser um grande homem, porque tu irás salvar-te!
01:17:09O que é que estás para lhe dizer?
01:17:11O quê?
01:17:12Nos dou a despenar!
01:17:17Não despi nada, oh camandra, oh catana, oh café!
01:17:31Zezé, onde é que está o meu pai? O que é que ele te disse?
01:17:36Se tu queres encontrar o teu pai, tens de procurá-lo dentro de ti.
01:17:42Mas depois procura também cá fora.
01:17:44O mais certo é ele estar cá fora.
01:17:46Zezé, para com os provérbios chineses ao camandro.
01:17:49Zezé, mas o que é que tu queres?
01:17:51Tu se calhar preferias ler os escritos que o teu pai deixou para ti, não é?
01:17:55Se eles existissem, não é?
01:17:57Existir, existem.
01:17:58Ah, claro que não existem.
01:18:01Então, que desparate!
01:18:03No tempo do teu pai nem sequer havia papel.
01:18:05Então eles escreviam, eram nos penhascos das cavernas.
01:18:09Como aqueles gatafunhos do Foscoa, estás a ver?
01:18:12Só que, portanto, isso não tem interesse nenhum.
01:18:14Eles até costumam alagar aquilo para a gente não ler.
01:18:17Já, eu sei muito bem que havia papéis,
01:18:20porque a minha mãe até me costumava dizer
01:18:22que o meu pai gastava sete penheiros de papel higiênico
01:18:25cada vez que ia sentar-se na sanita.
01:18:28Papel higiênico não é papel.
01:18:30Zezé, Zezé, dá-me aí esses papéis.
01:18:33Eu dou tudo.
01:18:34Eu dou tudo o que tu quiseres.
01:18:36Eu não estou à venda.
01:18:38Estou de tudo?
01:18:40O que é que tu queres?
01:18:41Joias, ametizas, enrobias, safisgas?
01:18:44Não, eu não quero esses bens imateriais.
01:18:47Eu contento-me com uma manta e uma malga de sopa.
01:18:50Dois gafanhotos do deserto, é?
01:18:53Queres lingarotos de ouro?
01:18:55Eu agarro já no meu carro e espeto no muro do Banco de Portugal
01:18:57e saco uma data delas.
01:18:59Já sei.
01:19:00Queres carros topo de escama?
01:19:02Não.
01:19:03Já sei.
01:19:04E moradias?
01:19:05Daquelas com os portões que têm maçanetas em ouro
01:19:08de 14 kilowatts de lei?
01:19:10Não, não.
01:19:12Tony, eu quero algo.
01:19:15Algo mais simples.
01:19:18Mais...
01:19:19Mais algo...
01:19:22Quase simbólico.
01:19:23Hombrósico, isto até parece um daqueles jogos de adivinhações e charadas
01:19:27tipo o trivial Sansonite.
01:19:29Tony, eu apenas quero...
01:19:35a tua amizade.
01:19:38Amigão.
01:19:43E pouco mais.
01:19:49Tony, tu lembras-te daquela dívida que temos ao Lambretas?
01:19:53Vargamente.
01:19:55Eu sou um homem santo.
01:19:57Eu não posso contrair dívidas.
01:19:59É-me marzia.
01:20:01Se tu pagares a dívida, ficamos tiques.
01:20:04E assim eu fico a saber toda a mensagem do meu pai?
01:20:07Isso também.
01:20:08Não.
01:20:10José, tu não vais acreditar.
01:20:12Pois não.
01:20:13Mas eu já paguei essa dívida ao Lambretas.
01:20:15Portanto, se o teu problema era esse, já está despeixado.
01:20:18Pronto.
01:20:19Vamos lá ver a papelada do meu pai.
01:20:20Pode ser?
01:20:21Espera lá.
01:20:22Como é que tu pagastes a dívida ao Lambretas?
01:20:24Tu não tens dinheiro para me mandar a marchar um cego?
01:20:27Com a minha coleção de garrafas antigas de whisky e de esmalte?
01:20:30Não.
01:20:31Sim.
01:20:32Não.
01:20:33Sim.
01:20:34Com a tua coleção de garrafas antigas de whisky e de esmalte?
01:20:37Mas tu não estavas a guardar isso para o casamento da mãe nova?
01:20:40Deixa-te ar.
01:20:41A miúda é feia que nem um pneu regaustado.
01:20:44Ninguém pega nela.
01:20:45E além disso, eu não quero que tu fiques a dever nada a ninguém.
01:20:50Principalmente a mim.
01:20:51O que é que tu queres?
01:20:52Eu sou um monge livre.
01:20:54Eu tenho um coração de ovos moles.
01:20:56Tu és um bom homem.
01:20:58Não desfazendo-te.
01:21:00Se eu soubesse, tinha pedido outra coisa.
01:21:02Já está, já está.
01:21:04Vamos lá ver a papelada do meu pai.
01:21:06O caixote é aquele, Zezé?
01:21:17Aquele não é um caixote.
01:21:19É uma arca.
01:21:21Então vá lá ver se tem paradinhos com os lados.
01:21:24Acho que parta o arxote.
01:21:26Está sempre para respingar pocaria.
01:21:27Estou farto disto.
01:21:36O que é que tu comestes?
01:21:37Oh!
01:21:38Tony, esta arca contém aquilo que tu andas à procura há tanto tempo.
01:21:44A minha caderneta duvido?
01:21:46Não!
01:21:47O bigor morneu.
01:21:48Os meus crámos para a camota.
01:21:50Não!
01:21:51Os escritos do senhor teu pai.
01:21:53Ai!
01:21:54A última mensagem dele para ti está aqui.
01:21:57Espera-te.
01:21:58Tony, tu descuidaste-te.
01:22:01Agora não.
01:22:02Cheira-me aqui a mofo queimado.
01:22:04O que é que tu comestes?
01:22:05Oh!
01:22:06Um termocito e uma imperial.
01:22:07Para dizer a verdade, até quem comeu o termocito todo foi o Popeye.
01:22:10O sacrista do burro é danadinho de preço de Pipes.
01:22:13Tony, há aqui qualquer coisa esquece.
01:22:16Tu não sentes nada.
01:22:19Zé, Zé, eu não quero estar a levantar falsos testemunhos.
01:22:23Mas tu, por acaso, não tens para aí um extintor.
01:22:26Ou...
01:22:27Água!
01:22:28Mas agora estás com sede?
01:22:29Não é sede.
01:22:30Sinto falta de umidade.
01:22:31Ah, tão sequer de umidade.
01:22:33Vais lá acima ao cucuruto da montanha e atires-te para dentro do poço.
01:22:37Talvez haja lá um bocadinho de umidade para o pé dos Caracuei.
01:22:40Portanto, a água nada.
01:22:41Nada?
01:22:42Estás tramado.
01:22:43E agora?
01:22:44Agora, olha, deixa arder e seja o que Deus quiser.
01:22:46Mas deixa arder o quê?
01:22:47Estou fraco.
01:22:50Tony!
01:22:51Eu estou mais ero!
01:22:54Por isso que não desista!
01:22:55Eu tive receio que tu ficasse um bocadinho irritadinho.
01:22:58Água!
01:22:59Estás a ver?
01:23:00Cuidado, estás todo irritado.
01:23:01Água!
01:23:02Tony, apaga-me de uma maneira qualquer!
01:23:04Espera, só se for assim.
01:23:05Isso!
01:23:06É isso mesmo!
01:23:07Boa ideia!
01:23:08Vai!
01:23:09Vai para isso aí!
01:23:10Ô, Kaita!
01:23:11A arca também está em combustão!
01:23:13Eu não sei se tenho nenhum vídeo para isto tudo!
01:23:14Eu não sou nenhum homem externo!
01:23:16Tony!
01:23:17Que não te atreves?
01:23:18Mexa-te para cima imediatamente mesmo se não és do longo de morraças!
01:23:22Não sei!
01:23:23Easy e tu?
01:23:24É que sempre se vão os queridos do meu pai para sempre, não é?
01:23:27Tony!
01:23:29Ok, ok!
01:23:30Rápido!
01:23:31Rápido!
01:23:32Tom!
01:23:33Tom!
01:23:34Tom!
01:23:35Tom!
01:23:36Tom!
01:23:37Tom!
01:23:38Tom!
01:23:39Tom!
01:23:40Tom!
01:23:41Tom!
01:23:42Tom!
01:23:43Que alívio!
01:23:48Obrigado amigão!
01:23:49Amigão, o que tu fizeste é uma prova de grande amizade.
01:23:58Eu não sei se farei o mesmo por ti, mas eu não há esse sócio.
01:24:01Mas não me abraços, canojo.
01:24:03O que é que é melhor a gente tirar-se daqui?
01:24:05Sim, eu sei.
01:24:07Podes abrir o volante?
01:24:09Olha lá.
01:24:19Vamos, Tony Movil, vamos, salva o teu bando assim como ele salvou muitas vezes de disparar a escada.
01:24:26Vamos!
01:24:39Já sei.
01:24:41O que é?
01:24:42Já sei o que o teu pai me disse.
01:24:45Então ia à arca?
01:24:46Deixa lá a arca, não ia trazer nada a arca, porque traz é o que o teu pai me tem esse tempo.
01:24:50O teu pai disse-me que tu irias provar que és um grande homem.
01:24:55Não!
01:24:56Sim, e que irias salvar o momento teu da morte certa, largando tudo o que era mais importante por ti.
01:25:06Zé, Zé!
01:25:07Tony!
01:25:12Que alegria!
01:25:13Agora só me falta saber quem é esse amigo que eu vou salvar da morte certa, deixando-me para trás tudo o que é importante.
01:25:22Quem será o gajo?
01:25:24Zé, eu vou ter que partir, amigão.
01:25:27Porque se o meu pai disse que é esse o meu destino, eu vou ter de correr o mundo à procura desse homem que eu vou salvar,
01:25:34porque ele deve estar à rasquinha, à minha espera.
01:25:36Tony!
01:25:37Tony!
01:25:37A tua filha, pois!
01:25:39Tony!
01:25:39E a tua casa?
01:25:43E o bairro?
01:25:45Está toda a gente à nossa espera para comemorar o meu regresso.
01:25:49Zé, Zé, se não vou ao bairro há mais de um mês, eu agora aproveito a embalagem e estou para aí três ou cinco anitos e ir lá para os betins.
01:25:56Tu não vais ao bairro há mais de um mês?
01:25:58Bruxo!
01:25:59Já passou um mês e ainda não pagámos a conta do Lambretas, hein?
01:26:04São uns pães para torres em cima.
01:26:07Ai, tu estás lixado, Zé.
01:26:08A conta?
01:26:09Mas tu desejas-me porque tinhas paga a conta?
01:26:11Eu pregava muitas petas antes da mensagem que me transformou num homem sério, não é?
01:26:16Tchau aí, o Comandro, o Catano, o Caneco.
01:26:20Amigo, quem quer que tu sejas?
01:26:22E por mais longe que tu estiveras,
01:26:25na Samá, que é luz, barca-arena, rinjoa,
01:26:29prepara-te que aqui vai o Tony todo a resquio.
01:26:35Ai, oh!
01:26:36Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau!
01:27:06Tchau, tchau, tchau!
01:27:36Tchau, tchau, tchau!
01:28:06Tchau, tchau, tchau!
01:28:36Tchau, tchau!
01:28:38Tchau, tchau!
01:28:40Tchau, tchau, tchau!
01:28:42Tchau, tchau!
01:28:44Tchau, tchau, tchau!
01:28:46Tchau, tchau, tchau!
01:28:48Tchau, tchau, tchau!
01:28:50Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:28:52Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:28:54Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:28:56Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:28:58Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:29:00Tchau, tchau, tchau!
01:29:02Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau!
01:29:04Tchau, tchau!
01:29:06Tchau, tchau, tchau, tchau!
01:29:08Tchau, tchau, tchau!
01:29:38Tchau, tchau, tchau!
Comments

Recommended