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Em entrevista ao Real Time, a professora de relações internacionais Denilde Oliveira Holzhacker, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (Espm), analisou os principais pontos do discurso de Donald Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos (SUI). A conversa abordou a estratégia de pressão dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, as relações com a Europa, o papel da China, os limites do uso de tarifas como instrumento de política externa e os impactos desse cenário para potências médias, como Brasil e Canadá, em meio à reorganização da ordem geopolítica global.

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Transcrição
00:00E a gente volta a repercutir o discurso do presidente americano Donald Trump.
00:10Eu vou conversar agora ao vivo com a Denilde Rosacker, professora de Relações Internacionais, DSPM,
00:17e o repórter Léo Valente vai participar da conversa.
00:20O Léo já vai se juntar a gente, professor, ele que acompanhou o discurso na íntegra e trouxe a tradução para a gente.
00:26Então, parabéns, Léo, obrigada e seja muito bem-vinda, professora.
00:31Bom dia, o prazer é meu, Natália, estar aqui com vocês.
00:36Vamos lá, professora. Vou começar com uma pergunta mais genérica, assim, qual que foi o seu balanço?
00:40Foi dentro do que você imaginava que ele traria de elementos?
00:44Tinha dito que não mencionaria Groenland e acabou ocupando uma boa parte, né, dessa mais de uma hora e vinte ali falando dela.
00:52Não, a expectativa falasse sobre a Groenlandia, também falasse sobre as relações entre os, com a Europa e com os líderes europeus, né,
01:07a grande expectativa aí é se ele vai manter as ameaças de aumento de tarifas,
01:13se vai manter a mesma lógica em termos de pressão econômica para conseguir a Groenlandia,
01:23mas acalmou os mercados e também, provavelmente, os líderes europeus
01:30em fazer, em descartar uma operação militar, uma tomada, uma invasão, como até ontem estava no discurso do Trump.
01:42O Trump tem essa tática, ele faz uma tática de aumentar a pressão e fazer ameaças,
01:50mas à medida que os seus oponentes também se posicionam, ele vai se reposicionando.
01:58E aí, hoje, deixou claro que vai estar aberto a uma negociação,
02:04mas enfatizou que Estados Unidos é o único país capaz de garantir a segurança do Ártico
02:12e garantir a segurança da Groenlandia.
02:17Do resto, ele fez um discurso que ele já tinha feito para o seu público interno,
02:22falar do seu governo, do seu primeiro ano,
02:28se comparar com o Biden e enfatizando todos o que ele coloca como avanços
02:38contra o que tinha sido de destruição durante os governos Biden.
02:44a Venezuela, que também é para reafirmar o poder americano,
02:51o Canadá entrou também como outro elemento.
02:56Então, ele trouxe os elementos que ele vem trazendo.
02:59E aí, basicamente, é reafirmar o poder americano,
03:02reafirmar que ele vai buscar os interesses,
03:06inclusive vai manter esse tipo de relação de tensão
03:10com seus aliados próximos também.
03:14E o grande tema que passou em vários momentos foi a China,
03:19e aí mostrando também no discurso dele
03:22que essa é a grande risco para os Estados Unidos,
03:27que é a presença chinesa, não só no contexto do Ártico,
03:31mas também na questão do avanço econômico.
03:36E aí ele se gabou, obviamente, de que ele tem conseguido sentar
03:41e negociar com o Xi Jinping de igual para igual,
03:45inclusive conseguindo concessões do governo chinês
03:49com investimentos nos Estados Unidos.
03:52Então, deu algumas pistas, mas repetiu muito
03:55do que a gente já tem ouvido do Trump ao longo das últimas semanas.
04:00Zé Valente, seu ponto agora, por favor.
04:03Oi, professora, boa tarde.
04:04Muito bom falar com você novamente.
04:06A gente viu ali, você estava falando agora
04:08sobre essa questão comercial,
04:09Donald Trump fez aquele papel de vizinho
04:11que é meio indesejado porque ele acabou criticando
04:15e falando mal da liderança suíça na própria casa
04:17em que ele está sendo recebido.
04:19E isso tem mostrado muito também
04:22como ele está, nesse sentido, a vontade para fazer
04:25e tomar as atitudes, mesmo tendo outras instâncias internacionais
04:29que a gente sabe que não tem conseguido muito agir
04:33e também formar qualquer tipo de dissuasão.
04:35Até mesmo ele fez críticas às Nações Unidas.
04:38Ou seja, um primeiro ano que a gente teve muita ação,
04:42a gente pode esperar, então, coisas ainda mais surpreendentes,
04:47digamos assim, nesse próximo ano,
04:49já que ele percebeu que muitos dos movimentos
04:51não encontram nenhum tipo de barreira?
04:54Ele está se colocando mesmo como o grande líder capaz
05:03de pressionar e conseguir resultados.
05:07Acho que essa é a grande pressão.
05:11E, ao mesmo tempo, ele tem sido, em alguns casos,
05:18agressivos no discurso, como a gente viu agora com a Suíça,
05:25mas também com o Macron ontem fazendo,
05:32inclusive divulgando a conversa entre os dois
05:35que eles tiveram pelas redes sociais, pelo WhatsApp.
05:41Então, mostra exatamente o nível de tensão
05:47que o Trump vai deixar ao longo desse ano.
05:52Mas ele tem limitações.
05:55Eu acho que essa atuação é muito do que a gente viu também no ano passado.
05:59O discurso de força, de imposição,
06:04de imposição via a coerção a partir das tarifas e do econômico
06:12e quando ele tem as condições do uso de força militar.
06:17O uso de força militar com relação à Venezuela
06:20é muito diferente de usar força militar contra os países europeus.
06:25As implicações dos países europeus têm armamentos atômicos também,
06:32a Grã-Bretanha e a França.
06:35Então, ele equilibra as suas posições
06:39nessa lógica sempre conflitiva.
06:44E acho que isso a gente vai continuar vendo.
06:46Mas ele tem limitações internas.
06:47Ele falou para o seu público,
06:51mas também mostrando que ele domina a lógica política interna,
06:56porque isso é importante para os investidores também.
07:00Vai ter eleições nos Estados Unidos esse ano,
07:03as eleições de meio de mandato para a renovação do legislativo.
07:10Tem uma pressão crescente da opinião pública
07:14contra as medidas, principalmente nos Estados democratas.
07:19Então, ele enfatizou que ele é capaz de mudar o cenário interno
07:23e mudar a situação.
07:25Trouxe o exemplo de Washington, de Nova Orleans,
07:29que é a diminuição das questões de segurança.
07:32Então, ele tem pressões internas também muito grandes.
07:38E na questão de política internacional,
07:43há uma discussão na Suprema Corte americana
07:47que pode ser um elemento que diminua a capacidade do uso das tarifas
07:54como estratégia de coerção na sua política externa.
07:59Então, esse é também um outro elemento.
08:02E o que se espera de 2026 é que o Trump vai ser mais incisivo
08:07com relação aos países que têm minerais raros.
08:12Esse é o ponto-chave para o governo dele ter acesso a minerais raros.
08:21E aí, a Groenlândia, o Canadá, possivelmente o Brasil também,
08:28tem aí uma pressão ou uma abertura de negociação,
08:33porque são países que vão ter um papel importante
08:37no acesso americano a minerais raros.
08:41E aí, esse é também um jogo que vai estar presente em 2026.
08:47E aí, eu acho que tem uma coisa que é importante
08:51dele estar no fórum,
08:54que é um fórum que olha para o século XXI,
08:56mas com todos os argumentos dele, são do século XIX.
09:00Então, há uma dissonância e uma diferença
09:04entre o que se espera no fórum como o de Davos
09:08e o que o Trump falou para a audiência nessa manhã.
09:13Professora Denilde, estava até pesquisando,
09:15se eu não ouvi bem,
09:16mas os aplausos parecem ter sido mais contidos, né?
09:20Hoje ali, sem muito entusiasmo por parte da plateia,
09:25bem diferente do que a gente viu ontem,
09:27depois do discurso de McCartney, do Canadá,
09:30que chegou a ser ovacionado pela plateia.
09:33E hoje, Donald Trump fez questão de se dirigir a ele
09:36em vários momentos, bem pessoalmente ali,
09:40ao Mark.
09:42Espero que você se lembre disso,
09:43da dependência do Canadá em relação aos Estados Unidos,
09:46quando fizer as suas falas, seus pronunciamentos.
09:49Queria ouvir a professora, então,
09:50sobre como que viu esse embate,
09:53o discurso de ontem de McCartney,
09:54as respostas de hoje de Donald Trump.
09:57E como é que o Brasil se insere nisso,
09:59considerando o Brasil, o Canadá e outros países
10:01como potências médias, né?
10:04Nesse contexto geopolítico atual.
10:07Ontem, o discurso do...
10:10Foi um discurso do que se espera, né?
10:12Num fórum como o de Davos, né?
10:15Alguém que dê um senso de futuro,
10:18traga uma visão,
10:20fez críticas conceituais importantes, né?
10:23Sobre o que que significa essa nova atitude americana
10:28para o reordenamento da ordem internacional.
10:32Enfatizou algo que é importante para o fórum,
10:35que é estar aberta ao diálogo,
10:38e ser essa ponte de líderes que estão pensando no futuro,
10:44e no futuro mais próspero,
10:47e não um futuro olhando para questões
10:49que são do século XIX,
10:53que é a expansão territorial,
10:55o uso da força.
10:58Então, foram dois contrastes grandes
11:01em termos de posicionamento.
11:04Mas o Canadá tem tido muita dificuldade
11:07de lidar com o Trump,
11:08especialmente porque há uma dependência
11:12do Canadá em termos econômicos,
11:15no caso, especialmente aí em função
11:19do acordo que existe.
11:22O Canadá e o México
11:23têm uma dependência muito forte de comercial,
11:28vêm tendo uma dificuldade em conseguir
11:31se equilibrar no jogo estratégico,
11:36e como o Brasil tem feito uma estratégia
11:39muito semelhante,
11:40que é buscar alternativas,
11:42diminuir a dependência com relação
11:44aos Estados Unidos,
11:48e buscar novos,
11:51fortalecer ligações,
11:53que para o governo americano é negativa.
11:56A política do Trump,
11:58ela tem fortalecido
12:01a percepção dos países aliados
12:04de que não é confiável
12:06se manter tão próximo
12:08aos Estados Unidos,
12:10e aí a China tem ganhado oportunidades.
12:14Recentemente,
12:15a visita do primeiro-ministro canadense
12:18à China para fazer
12:19acordos de cooperação.
12:22O Brasil, por estar nos BRICS,
12:24por estar em outros fóruns,
12:27já tem naturalmente
12:30essa capacidade de buscar alternativas.
12:35Então, potências médias
12:36como o Brasil, o Canadá,
12:40mesmo países como o Índia,
12:42têm buscado uma alternativa
12:45de diversificar suas dependências,
12:49e com isso,
12:50mesmo que o Trump tenha uma atitude
12:53de mais sanções
12:55ou imposições
12:57de maiores tarifas,
12:58o impacto tende a ser menor.
13:01E o Brasil tem aí
13:02uma vantagem
13:03com a assinatura
13:05do Acordo Mercosul-UE
13:06que abre um outro
13:08campo de oportunidade
13:11para as exportações brasileiras.
13:13Mas tem dilemas,
13:14e o dilema agora
13:16do governo brasileiro
13:17é se aceita ou não
13:18entrar no Conselho de Gaza.
13:20tem implicações.
13:24O Trump não deixou claro
13:26qual é o papel desse Conselho,
13:29e isso faz com que o Brasil,
13:31que tem uma tradição muito forte
13:33de apoio a organizações internacionais,
13:36tenha aí o temor
13:36de que esse Conselho
13:37possa ser um Conselho
13:39que rivalize com o Conselho,
13:41com a própria ONU.
13:43Então, esses dilemas
13:45vão ser constantes
13:46numa ordem em que
13:48os Estados Unidos
13:50vão testar
13:50as lealdades
13:52e vão testar
13:53os apoios
13:53dos países
13:54com relação
13:55às políticas
13:56e à política externa
13:58dos Estados Unidos.
13:59Vai testando
14:00e vai cobrando bastante.
14:02Eu quero agradecer
14:02Danilde Rosacker,
14:05que é professora
14:05de Relações Internacionais
14:07da ESPM,
14:08pela participação
14:08ao vivo com a gente
14:09aqui no Real Time.
14:11Muito obrigada,
14:11ótimo dia, professora.
14:13Eu que agradeço.
14:14Bom dia.
14:15Bom dia.
14:15Até já, Léo Valente.
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