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A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de ao menos três pacientes internados na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. De acordo com as investigações, os profissionais teriam aplicado medicamentos de forma irregular, diretamente na veia das vítimas, sem indicação médica adequada.
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NotíciasTranscrição
00:00Outro episódio, assim, digna de filme macabro.
00:04Três técnicos de enfermagem são suspeitos de aplicar medicamentos de forma completamente irregular
00:08na veia de pacientes da UTI, no Hospital Anchieta, em Itacoatinga, no Distrito Federal,
00:14e esses pacientes acabaram perdendo a vida por conta dessa ação.
00:18Até um deles teve ali injetado na veia desinfetante.
00:22Se tratam de um homem e duas mulheres técnicos de enfermagem,
00:27porque esse homem, então, fazia a aplicação desses medicamentos
00:31e as mulheres, as técnicas, ficavam ali de olho na porta.
00:34E quando surgia alguém para realmente ver o que eles estavam fazendo,
00:39eles ainda disfarçavam, realizando manobras,
00:42dizendo, olha, nós estamos tentando salvar a vida aqui porque o paciente parou.
00:46Pessoas jovens que acabaram perdendo a vida, uma delas tem pouco mais de 30 anos,
00:51outras duas são idosas, mas é um caso, assim, chocante,
00:55que a gente para de acreditar um pouco na humanidade, Mano Ferreira.
00:59É um caso inacreditável que a gente precisa que a investigação prossiga
01:03para ter uma elucidação sobre a motivação desses técnicos de enfermagem.
01:10Porque pessoas que, em tese, dedicam a sua vida,
01:14deveriam dedicar a sua vida a cuidar de pacientes
01:18que estão precisando no hospital se sujeitarem a injetar medicações erradas
01:25e até mesmo desinfetante na veia de um paciente
01:29é uma coisa absolutamente chocante.
01:33Não se sabe ainda se houve algum tipo de acordo com algum familiar,
01:39se havia algum objetivo de herança
01:41ou algum esquema de transplante de órgãos.
01:45Não se sabe ainda a motivação que levou
01:48três pessoas que deveriam ser profissionais de saúde
01:53a se engajarem para causar a morte de pacientes no hospital.
01:59Esse caso é muito chocante
02:01e precisa ser investigado até suas últimas consequências
02:06para que a gente possa entender, de fato,
02:08o que é que estava por trás na motivação desse crime
02:12que é absolutamente aterrador.
02:14Para quem nos acompanha por imagens,
02:16a gente está mostrando ali a foto das vítimas também.
02:19A gente está falando do João Clemente Pereira, de 63 anos,
02:22a Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos
02:26e também o Marcos Moreira, de 33 anos.
02:29Ou seja, essas pessoas que acabaram perdendo a vida,
02:32foram ali em busca de hospitalização,
02:34de cuidar dos médicos, mas acabaram recebendo o contrário,
02:38levando realmente à morte.
02:39Mariana?
02:40Me chocou muito nessa notícia
02:41que em um dos casos chegaram a injetar 10 seringas na pessoa ali.
02:45Exatamente.
02:45Até o óbito daquele paciente.
02:48E é uma situação de tanta vulnerabilidade
02:50que a gente está no hospital, que você está doente,
02:51você está confiando que vão colocar ali na sua veia
02:53para te tratar, né?
02:54E eu concordo muito com o Manu aqui,
02:56que é importantíssimo entender a motivação disso,
02:58porque senão nem no hospital a gente se sente mais seguro, né?
03:01Numa situação dessa, quando você está lá.
03:02E o que está colocando a minha veia aqui?
03:05Então, acho que realmente esse caso de ser investigado,
03:08levado muito a sério, que é chocante.
03:10Não, e claro que a polícia também precisa elucidar
03:12o que, de fato, tinha motivação por trás desses crimes, né?
03:16Porque o Manu trouxe aqui algumas possibilidades
03:18que até a polícia está investigando agora,
03:20se trata de uma ação coordenada com os familiares,
03:24em busca de herança,
03:25ou até mesmo a questão dos órgãos.
03:27Eu mesmo sempre falo para a minha família,
03:29eu quero ser doador de órgãos.
03:31Mas, por exemplo, minha mãe tem receio de se declarar doadora
03:34justamente por causa dessas ações
03:35que acabam desestimulando a prática.
03:37Então, olha que nível a gente chegou.
03:39A gente não acredita mais na humanidade,
03:40e às vezes aquele momento
03:42onde a gente perde a vida,
03:44mas pode salvar uma outra vida,
03:46acaba descredibilizando essa ação, Maninha.
03:48Não, e tem duas questões, na verdade,
03:51que eu acho que são bastante importantes.
03:53A primeira é,
03:54como que essas três pessoas se associaram?
03:58Qual foi o papo?
04:00Quem sugeriu para os outros dois de
04:03Oi, pessoal, vamos aqui injetar desinfetante
04:06na veia de um paciente doente?
04:08Porque tem um outro aspecto.
04:09A gente já noticiou algumas vezes
04:11profissionais que não são da área da saúde,
04:14que se passam muitas vezes por médicos,
04:16por enfermeiros,
04:17sabe-se lá por qual motivo.
04:19É, recentemente a gente trouxe um caso aqui do litoral,
04:21de um cara que se passava por médico.
04:22Nesse caso específico,
04:24a gente não tem conhecimento
04:25de que eles não sejam efetivamente profissionais da saúde.
04:29Ou seja, em algum momento da vida deles,
04:32eles estudaram, eles se especializaram,
04:35eles conseguiram empregos reais,
04:37e de repente eles decidiram acabar com a vida das pessoas.
04:42O que não entra na minha cabeça,
04:43e que eu acho que é escandaloso,
04:46é em que momento essas pessoas
04:48se desvirtuaram do seu propósito profissional,
04:52que é de salvar vidas,
04:53que é ajudar,
04:54que é fazer o bem,
04:56pra injetar desinfetante na veia de alguém que tá doente.
04:59Não é só qual o motivo,
05:01mas é em que momento,
05:03em quais circunstâncias,
05:04porque a gente não tá falando de uma pessoa só.
05:06Quando a gente fala de uma pessoa só,
05:08até pode ser que a pessoa tenha uma sociopatia,
05:10que ela possa ser doente da cabeça.
05:11Porque, ao meu ver,
05:12nada justifica tamanha crueldade com pessoas que estão doentes.
05:16Mas a gente tá falando de três.
05:17É uma associação.
05:19É um grupo.
05:21Em que momento essas pessoas se associaram pra fazer isso?
05:24Não, é.
05:25Claro que a polícia vai ter que investigar,
05:27e muito a sério.
05:28Mas um aspecto também que me chama a atenção,
05:30e acho que o Gustavo Mesquita pode responder pra gente,
05:32sobre a autópsia desses corpos.
05:34Ou seja, o que levou à morte?
05:35Porque, normalmente, tem uma detecção também.
05:38Então, a perícia também falhou
05:39ao detectar a morte dessas pessoas
05:41que tomaram substâncias que não estavam
05:43ali de acordo com o prontuário médico?
05:45Então, justamente, pelo que eu tava me informando
05:48sobre o caso, David,
05:50foi justamente a diferença de padrão
05:53tanto em relação ao atendimento
05:54quanto ao mau súbito
05:57que todas as vítimas passaram a apresentar
06:01logo após a administração desses medicamentos
06:04por esses mesmos enfermeiros
06:06que levantou a suspeita
06:08e, dessa maneira, o exame de corpo de delito
06:12pôde detectar que, de fato, ela tinha sido...
06:15Essas pessoas foram vítimas
06:16da injeção, da administração de venenos,
06:20desinfetantes, né?
06:22Venenos que se pode chamar,
06:24sem dúvida alguma.
06:25E no artigo 121,
06:28que define o crime de homicídio,
06:29você tem lá as qualificadoras.
06:31Uma das qualificadoras
06:32é justamente em relação ao homicídio
06:35praticado por meio insidioso,
06:38por dissimulação, traição, emboscada
06:40ou outro recurso
06:42que torne difícil ou impossível
06:45a defesa da vítima.
06:47E esse caso, ele representa
06:48de maneira mais direta e clara
06:51o que é essa qualificadora.
06:53Porque não tem forma de você estar mais indefeso,
06:56uma vítima está mais indefesa
06:57do que no momento em que ela se encontra
06:59num hospital, ali,
07:00pra ser tratada de uma doença já debilitada
07:03e confiando,
07:05porque não tem outra alternativa.
07:06A pessoa tem que confiar
07:07no enfermeiro,
07:08no médico que está lá atendendo.
07:09Imagine você.
07:10Então, o grau de covardia
07:11de uma pessoa capaz,
07:13um enfermeiro,
07:14utilizando da sua função,
07:15da sua profissão,
07:16da confiança
07:17que as pessoas depositam nele
07:19e na sua profissão
07:20pra cometer um crime bárbaro como esse.
07:23Tem que investigar
07:24e até o fim,
07:25saber a motivação,
07:26pode ser, inclusive,
07:27um caso de psicopatia.
07:29Não sei,
07:29mas precisa investigar
07:31e, a partir daí,
07:32também criar elementos,
07:34criar travas
07:35pra gente melhorar
07:36o nosso sistema de saúde
07:38e impedir
07:39que casos como esse
07:40aconteçam novamente.
07:41É, de acordo com as investigações,
07:42até esse técnico de enfermagem
07:44se passou
07:44por um dos médicos,
07:46prescreveu
07:47a medicação errada
07:48pra provocar
07:49a morte de pacientes.
07:50Isso que é o mais impressionante.
07:51Pra entrar no sistema, né?
07:53Feige usou a senha
07:55de um médico
07:56pra entrar no sistema.
07:57Ou seja,
07:58aí é um crime de falsidade ideológica,
07:59eu imagino, né?
08:00Pro pessoal que nos acompanha
08:01pelo rádio,
08:02nós vamos para um rápido intervalo,
08:03voltamos daqui a pouquinho
08:04pra vocês.
08:05Nas outras plataformas,
08:06seguimos aqui.
08:07A pergunta foi direcionada
08:07pro Gustavo, né?
08:09É um outro crime esse, né?
08:11De fraudar a identidade
08:13do médico
08:14pra entrar no sistema
08:15e prescrever a medicação.
08:15É, pode haver
08:16uma acumulação
08:18de um concurso material
08:19de crimes aí,
08:20uma falsidade ideológica
08:23com o homicídio,
08:25entre outros crimes
08:26que possam ser apurados,
08:27porque, infelizmente,
08:29é razoável a gente imaginar
08:31que esses enfermeiros
08:32talvez não tenham praticado
08:33somente esses crimes.
08:34Sim.
08:35Então, dá importância também
08:36da polícia,
08:38administração hospitalar,
08:39procurar identificar
08:40outros casos
08:41com o mesmo padrão
08:42pra talvez
08:43não concluir
08:44que tenham sido praticados
08:45pelo mesmo grupo, né?
08:47Então, é um caso...
08:47É isso que é o mais absurdo, né?
08:49De quem perdeu realmente
08:50algum parente nesse hospital,
08:51o Chieta,
08:51lá em Taguatinga,
08:52no Distrito Federal,
08:53de ficar na dúvida agora
08:55se a morte foi realmente
08:57por circunstâncias naturais
08:58ou se ela foi provocada
09:00por esses profissionais, né?
09:01Esses...
09:02Enfim,
09:02essas pessoas
09:03que estavam praticando isso.
09:04Mariana?
09:05Sim, acho que o próprio hospital
09:06também,
09:06ele precisa revisitar
09:07todo o sistema de segurança
09:09que ele tem ali,
09:10porque...
09:10Como é que isso aconteceu, né?
09:11Teve uma falha na senha
09:13que acessou ali
09:14o sistema do médico,
09:15a pessoa encheu
09:1610 seringas
09:16com desinfetante
09:17pra aplicar na pessoa,
09:18então existem diversos protocolos aí
09:20que me parece
09:21que não foram respeitados
09:22pra chegar a essa situação
09:23de vulnerabilidade
09:25das vítimas ali,
09:25então é super importante
09:26que o hospital também
09:27traga esclarecimento
09:28sobre isso depois.
09:29Bom, a gente tá falando
09:30tanto de maus profissionais, né?
09:32Teve um episódio também
09:33que aconteceu em Bauru,
09:34no interior de São Paulo,
09:35porque uma mulher
09:36de 29 anos
09:37foi atropelada
09:37na rodovia Comodante
09:38João Ribeiro de Barros,
09:40aí o SAMU foi acionado.
09:41Quando o SAMU chegou,
09:42a médica, então,
09:43que estava ali na equipe,
09:45constatou que
09:45essa vítima tinha morrido.
09:48Então,
09:48detectou o óbito.
09:50Só que aí,
09:50chegou o profissional
09:52da concessionária
09:52que administra a rodovia,
09:54um outro médico,
09:55e viu que ela estava,
09:57sim, com pulsação,
09:58estava com batimentos cardíacos.
09:59Ele começou o trabalho
10:01de reanimação
10:02e essa mulher
10:02foi levada para o hospital
10:04com vida,
10:05está em estado grave,
10:05ainda permanece
10:06em estado grave no hospital,
10:08mas um caso chocante
10:09de uma mulher
10:09que foi considerada morta,
10:11poderia ali, às vezes,
10:12não sofrer com consequências
10:13mais graves
10:14caso a detecção
10:15fosse correta.
10:16A gente tá falando
10:17da Fernanda Cristina Policarpo.
10:19E aí,
10:20a médica
10:21agora tá respondendo
10:22por...
10:23Foi instalado um procedimento
10:24pra ver o que de fato aconteceu.
10:26Exato.
10:26Mas assim,
10:27pode ocorrer, sim,
10:28às vezes,
10:29da pessoa não ter pulsação,
10:30são episódios raros,
10:31mas nos causam, assim,
10:34uma certa perplexidade.
10:35Imagina o que aconteceu
10:36com um familiar seu
10:37de você ali,
10:38em vez de levar o socorro,
10:40não,
10:40a pessoa estica
10:41uma espécie de papel alumínio
10:43pra manter o corpo
10:45e é dada como morta.
10:46que já tinham acionado
10:47até o IML, né?
10:49Exato.
10:50O local...
10:51Se não fosse o médico,
10:52falou,
10:52opa, calma aí.
10:54Só que aí,
10:54a rodovia era concedida
10:56e aí,
10:57o médico que é ligado
10:58à concessionária
11:00que administra a rodovia,
11:02que também foi acompanhar
11:03a ocorrência,
11:04viu que,
11:05na verdade,
11:06a paciente,
11:07dada como morta
11:08pela médica
11:08da equipe do SAMU,
11:10estava viva.
11:10E aí,
11:11ele começou
11:12a fazer os procedimentos
11:14de reanimação
11:15e de atendimento
11:15emergencial.
11:17A paciente está na UTI,
11:19ainda no hospital,
11:20convida,
11:21torcemos pra que se recupere
11:22plenamente.
11:23Mas é um caso
11:23absolutamente chocante,
11:25né?
11:25Porque também,
11:26não sei avaliar
11:28o quanto que pode ter
11:30uma influência
11:31até na recuperação,
11:33a demora
11:33de começar
11:36o atendimento
11:37emergencial,
11:38né?
11:38Porque no lugar
11:39de ter logo ali...
11:41Trabalho de reanimação,
11:42como fez esse médico
11:43da concessionária, né?
11:44Não, demorou um tempão
11:46pra ela ter detectado.
11:47O IML já estava acionado
11:48e a pessoa colocada ali,
11:50tratada como morta, né?
11:51Ora, exato,
11:52a humilhação dela
11:53estar jogada
11:54no meio de uma rodovia
11:56com um cobertor
11:57em cima,
11:59sendo que ela precisava
12:00estar recebendo
12:00atendimento médico
12:01pra, eventualmente,
12:03isso otimizar
12:04a sua recuperação,
12:06enfim.
12:06Eu acho que esse caso,
12:08assim como o caso anterior,
12:10ele faz a gente questionar
12:12que tipo de profissionais
12:14de saúde
12:15nós estamos criando
12:16e desenvolvendo
12:17no Brasil,
12:18que eu acho que é algo
12:18que a gente até vai falar
12:19aqui ao longo do programa,
12:21exatamente sobre
12:22a qualidade do ensino...
12:24Então vamos falar agora,
12:24porque, assim,
12:26acho que uma coisa
12:27complementa a outra,
12:28mais de 100 cursos
12:29foram avaliados
12:30como má qualificação
12:31dos profissionais
12:32que estão se formando
12:33no mando médico.
12:34Por que o que está acontecendo
12:36no nosso país?
12:37muitas instituições
12:38abriram os cursos
12:39de medicina,
12:40claro que pra gente
12:41ter cada vez mais profissionais,
12:43só que a qualidade
12:43desse ensino
12:44tem sido de péssima,
12:46realmente,
12:47avaliação.
12:47Então,
12:48de que forma que a gente
12:49pode ver uma luz
12:50no fim do túnel,
12:50cerca de 30%
12:52dos cursos aí
12:53avaliados como ruins?
12:54Então...
12:55107 graduações
12:56de medicina
12:57avaliadas
12:58como desempenho
12:59insuficiente
13:01pela prova
13:02que foi feita
13:03pelo MEC,
13:03que é o Enamed,
13:05que é a espécie de Enad,
13:06aquele exame
13:07que avalia
13:08a qualidade
13:09dos cursos superiores,
13:10mas esse é o específico
13:12pra cursos de medicina.
13:14107 cursos de medicina
13:16avaliados
13:17como desempenho
13:18insuficiente
13:19na formação
13:20dos profissionais
13:21de saúde.
13:21É algo
13:22absolutamente
13:23chocante, né?
13:24E aí o MEC
13:26tomou algumas
13:27medidas diferentes
13:29a partir
13:30do grau
13:31da nota
13:32de cada curso, né?
13:33Então tem cursos
13:34que estão proibidos
13:35de ter novas turmas,
13:36tem cursos
13:37que estão proibidos
13:37de ter a expansão
13:39do número
13:40de alunos
13:41até que tenham
13:42uma nota melhor
13:44nas próximas turmas.
13:46É realmente
13:47algo chocante,
13:48assim,
13:48que precisa
13:49desse acompanhamento
13:50mais próximo
13:51do MEC.
13:52Já se falava
13:53sobre a baixa
13:55qualidade
13:55de curso de medicina
13:56há bastante tempo,
13:57pelo menos agora
13:59a gente tem
14:00o MEC
14:00tomando
14:01algum tipo
14:02de providência.
14:03Não sei se suficiente, né?
14:04Não, e se eu perguntar
14:05aqui no chat do YouTube,
14:06inclusive faço esse convite
14:07aqui pra vocês,
14:08deixem a mensagem,
14:09se conhecem alguém
14:10ou se vocês já foram
14:11vítima,
14:12às vezes,
14:13de um diagnóstico
14:14errado de um médico
14:15ou de uma prestação
14:16que não foi adequada.
14:17Eu tenho certeza
14:18que alguém
14:19já tem,
14:20já teve
14:21alguma complicação
14:22como essa
14:22ao longo da vida
14:23ou conhece alguém
14:24pelo menos.
14:24Nossa,
14:25eu tive um episódio
14:27bem traumático
14:28que até
14:30eu lembro,
14:31dou risada hoje,
14:32mas foi terrível
14:32porque
14:33eu quebrei o dedão
14:34e aí
14:36me engessaram
14:37o braço inteiro
14:38e deixaram
14:39só o dedão
14:39de fora.
14:40Ué?
14:41Sendo que o dedão
14:41que era o problema.
14:42Eu falei assim,
14:43mas eu quebrei o dedão.
14:44Aí a pessoa pegou
14:46um taco de gesso
14:47assim
14:47e só
14:48remendou.
14:49Aí eu cheguei
14:49na minha casa,
14:50eu tava no colegial
14:51ainda, né?
14:51Sendo que uma tala
14:52ia resolver.
14:53Não, é,
14:53daí eu cheguei
14:54porque os meus pais
14:55estavam bravos,
14:56quebravam muito os dedos
14:57e eles falaram
14:58que dessa vez
14:58eu tinha que ir sozinha
14:59no hospital.
15:00Aí eu cheguei em casa
15:01e eles,
15:02não, filha,
15:02a gente vai te levar
15:03no médico de novo
15:04porque tava um negócio
15:05grotesco assim,
15:07sabe?
15:07Muito grosseiro.
15:08Mas o que eu ia falar,
15:10trazendo um pouco
15:11do assunto de volta,
15:12é a complexidade
15:14do nosso acesso
15:15à educação.
15:16Porque a gente pode ver
15:17a abertura de uma série
15:18de cursos superiores
15:19de ensino
15:20como algo bom, né?
15:21Com relação
15:22à universalização.
15:23Você dá mais oportunidade
15:25pra que pessoas
15:25que anteriormente
15:26não tinham
15:27como fazer ensino superior
15:29que hoje tem.
15:30Existem faculdades
15:31que tem preço,
15:32valor mais baixo
15:33de mensalidade.
15:34Existe uma série
15:35de financiamentos
15:35governamentais
15:36e até financiamentos
15:37privados nesse sentido.
15:39Mas a gente não pode
15:40simplesmente achar
15:41que a abertura
15:41do curso de ensino superior
15:42resolve todo o problema.
15:45Porque a gente
15:45está vendo isso
15:46e isso não é
15:47uma exclusividade
15:47da medicina.
15:48Eu que sou da área
15:49do direito,
15:50vejo muitas vezes
15:51a qualidade das pessoas
15:52que saem da faculdade
15:53de direito
15:53sem saber o que é
15:54uma petição inicial.
15:55Sem saber o que é
15:56a Constituição.
15:58Então, assim,
15:59o MEC,
16:00além de viabilizar
16:01o acesso à educação,
16:03ele precisa garantir
16:04os padrões
16:05de educação
16:06que nós, como país,
16:07precisamos
16:08e exigimos.
16:09Sem dúvida alguma.
16:10Porque a gente
16:11não está falando
16:12de qualquer profissão também, né?
16:13A gente está falando
16:14de profissionais médicos
16:15que servem ali
16:16para salvar a vida,
16:17que tem um amplo
16:19período de estudo,
16:20são seis anos
16:20só de faculdade,
16:21mais dois ou três,
16:22às vezes até quatro
16:23de residência,
16:25que ficam anos
16:26durante a faculdade
16:28e até mesmo
16:28o complemento
16:29para que possam
16:30servir a população
16:31e um erro pode ser fatal.
16:33Então, assim,
16:34como o episódio
16:35dessa mulher
16:35de 29 anos aí
16:36que foi dada como morta
16:37sendo que não estava morta.
16:39Então, é um erro primário
16:39também, básico.
16:40Pois é.
16:41Eu acho que vale, David,
16:42a gente detalhar
16:43o que são as medidas
16:45tomadas pelo MEC
16:47para esses 107 cursos.
16:49Oito faculdades
16:50não vão mais poder
16:51receber alunos
16:52e estão suspensas
16:53do FIES
16:54e de outros programas
16:55federais de financiamento.
16:57Outras 13
16:58vão ter que reduzir
16:59pela metade
17:00o número de alunos
17:01até que aumentem
17:02a nota
17:04nesse exame.
17:05É, porque tem curso
17:05que coloca lá
17:06100 pessoas
17:07numa sala de aula
17:07e é como se fosse
17:08uma palestra.
17:09O professor também
17:10não consegue dar atenção
17:10para todo mundo, né?
17:11E ainda mais
17:12num curso de saúde
17:13que precisa ter
17:14todo o acompanhamento
17:15também da parte prática
17:16da formação
17:17do aluno, né?
17:1933 faculdades
17:20vão ter que reduzir
17:21o número de vagas
17:22em 25%
17:23e também estão
17:25suspensas de FIES
17:26e outros programas
17:27federais
17:28como o ProUni.
17:2945 faculdades
17:30não podem mais
17:31aumentar o número
17:32de vagas
17:33e oito
17:34não podem ser
17:36sancionadas
17:36pelo MEC
17:37porque são
17:38faculdades
17:39estaduais
17:40e aí
17:41a lei
17:41prevê o tratamento
17:43que os governos
17:44estaduais
17:44é que tem que tomar
17:45providências.
17:46Agora, veja só,
17:47você ter oito
17:49graduações
17:50em medicina
17:50mantidas
17:51em faculdades
17:52públicas
17:53estaduais
17:54que tem o desempenho
17:55considerado
17:56insuficiente
17:57pelo MEC
17:58pra mim
17:59é um escândalo
18:00porque muitas vezes
18:01quando a gente fala
18:02da baixa qualidade
18:03de curso de medicina
18:04se coloca
18:05como se fossem
18:06faculdades privadas
18:07caça-níqueis
18:08a gente tá falando
18:09aí também
18:10de faculdades
18:11públicas
18:12é muito chocante
18:13e as piores avaliadas
18:14são as instituições
18:15municipais
18:16então
18:17precisa realmente
18:18haver essa fiscalização
18:19pra que a gente
18:20não tenha profissionais
18:21de má qualidade
18:22prestando serviço
18:24que a gente
18:25100B
18:25eles
18:26o
18:26o