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Neste domingo (18), cerca de 11 milhões de portugueses vão às urnas para eleger o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa. A eleição presidencial de 2026 é marcada por um cenário de fragmentação e o provável fim de 40 anos sem segundo turno no país.
Segundo as últimas sondagens, André Ventura, do partido Chega, e o liberal João Cotrim de Figueiredo ditam o ritmo da direita, disputando voto a voto com o socialista António José Seguro.
Assista à íntegra: https://youtube.com/live/YaqDF-wIGeI
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Segundo as últimas sondagens, André Ventura, do partido Chega, e o liberal João Cotrim de Figueiredo ditam o ritmo da direita, disputando voto a voto com o socialista António José Seguro.
Assista à íntegra: https://youtube.com/live/YaqDF-wIGeI
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NotíciasTranscrição
00:00A população de Portugal vai às ruas e urnas hoje para votar no próximo presidente do país, Eliseu Caetano.
00:11Está ao vivo conosco, Eliseu. Seja bem-vindo mais uma vez aqui ao Jornal da Manhã.
00:17Oi, Marcelo. Agora sim, muito bom dia novamente para você e para a Danube e para todos que acompanham a programação da Jovem Pan este domingo.
00:23A gente volta a falar ao vivo, direto dos Estados Unidos, 6 horas da manhã, com 28 minutos na costa leste-americana.
00:28A temperatura de momento aqui no sul da Flórida, pasmem, 13 graus Celsius.
00:34Vai ser um domingo frio por aqui, mas a nossa equipe de Inter segue acompanhando de perto as principais notícias internacionais.
00:40A gente vem agora trazendo as atualizações sobre a Europa, mas precisamente Portugal, que realiza hoje sua eleição presidencial,
00:48que vai escolher, portanto, o sucessor de Marcelo Rebelo de Souza, num pleito com um recorde de 11 candidatos
00:56e com pesquisas apontando que nenhum dos concorrentes deve ultrapassar 50% dos votos,
01:02o que coloca, portanto, no horizonte uma segunda volta, um segundo turno, aliás, já com data marcada para o próximo dia 8 de fevereiro.
01:11A Agência Internacional de Notícias Reuters, inclusive, chamou esse momento de reflexo da fragmentação política no país, viu?
01:21A regra eleitoral lá em Portugal exige mais de 50% dos votos válidos para a vitória, e isso em primeiro turno.
01:28Se isso não ocorrer, os dois mais votados avançam para o segundo turno, algo que ainda, segundo a agência, não acontece em quatro décadas.
01:38O presidente em Portugal tem um papel, sobretudo, institucional, mas com poderes relevantes, principalmente durante crises, viu?
01:47O chefe de Estado pode, por exemplo, por lá, dissolver o parlamento, demitir o governo, convocar eleições antecipadas e até vetar legislações.
01:57Rebelo de Souza, por exemplo, ele é conservador, está no cargo desde 2016, ele está impedido constitucionalmente
02:06de um terceiro mandato consecutivo.
02:09O presidente, que deixa o cargo, usou, inclusive, seus poderes para convocar eleições antecipadas três vezes,
02:16em 2021, 2023 e no ano passado.
02:19Em 2025, num período em que o país atravessou instabilidade política e sucessivas idas às urnas.
02:27Entre os principais nomes lá em Portugal, a gente cita André Ventura, de 42 anos, líder do partido de direita populista Chega.
02:36Ele é um ex-comentarista esportivo da TV Por Lá, que fundou um partido há cerca de sete anos
02:41e o conduziu à posição de segunda maior força parlamentar em Portugal, com um discurso ali centrado em combate à corrupção
02:50e também à imigração.
02:52Temas, né, Marcelo e Danúbia, muito sensíveis no mundo inteiro nos dias atuais.
02:58Nada muito diferente daquilo que, por exemplo, aconteceu com as eleições americanas.
03:03Donald Trump, os mesmos pilares, né, corrupção e imigração.
03:08Também citamos João Cotrim de Figueiredo, de 64 anos.
03:12Ele é um eurodeputado da Iniciativa Liberal, defende a redução de impostos, maior flexibilidade para o mercado de trabalho,
03:19a campanha dele, inclusive, enfrentou um revés quando uma ex-assessora o acusou de agressão sexual
03:25em uma publicação online, que foi posteriormente apagada.
03:29Ele negou as acusações, classificou, inclusive, como tentativa de minar a sua candidatura.
03:35Um outro nome central nessa eleição em Portugal, nesse momento, é Antônio José Seguro, de 63 anos,
03:42ex-líder do Partido Socialista, que deixou a linha de frente após perder a liderança lá atrás.
03:47Em 2014, daí ele lançou a candidatura dele em junho do ano passado, apresentando-se como
03:53representante de uma esquerda, abre aspas, moderna e moderada, fecha aspas,
04:00em oposição ao chamado avanço populista lá em Portugal.
04:04Nessa lista de candidaturas, como eu disse, são 11, tem muita gente, é um grupo muito grande,
04:10mas hoje centenas de milhares de portugueses e de cidadãos portugueses, né?
04:15A gente de outras nacionalidades, mas que se tornaram portugueses, vão às urnas para escolher o próximo presidente do Brasil.
04:22E, Marcelo, a gente vai acompanhar isso aqui ao longo da programação da Jovem Pan.
04:25Hoje, claro, a repercussão nos próximos dias também.
04:28E acordando a Flórida, né, Eliseu? Nem amanheceu ainda aí, você já falando conosco?
04:33Tá frio aí, Eliseu?
04:34Rapaz, vou te falar, tá escuro ainda, aqui é inverno, né, no Hemispério Norte,
04:40então os dias são mais curtos e as noites são mais longas.
04:43São 6h32 da manhã agora, nesse momento, aqui na costa leste do país,
04:47mas como quem nos acompanha em vídeo consegue perceber, não há sequer luz lá fora.
04:51Escuridão total.
04:53E friozinho, viu, Marcelo?
04:54Esses dias, aliás, essa semana inteira, foi muito gelada por aqui.
04:58Salvo engano, na terça-feira batemos zero, zero grau Celsius.
05:03A média tá ali 5, 7 graus Celsius.
05:07Hoje, eu ouso dizer que tá um pouco mais quentinho, com 13 graus Celsius.
05:13Atípico, né, porque a Flórida é conhecida como Sunshine State, o estado do sol,
05:18mas pelo visto o sol por aqui tá igual de novela, cenográfico, viu?
05:22Tá legal, Eliseu Caetano, daqui a pouco ele retorna conosco ao vivo,
05:25ainda dentro da programação da Jovem Pan.
05:28E pra gente conversar, né, sobre esse assunto, eleições em Portugal,
05:34a gente recebe no Jornal da Manhã o economista e doutor em Relações Internacionais,
05:38Igor Lucena.
05:39Igor, seja muito bem-vindo.
05:41Eu começo perguntando a respeito, né, dessa primeira vez em quase 40 anos,
05:46que pode ser que Portugal tenha ali segundo turno,
05:49dos cinco candidatos mais bem colocados,
05:51apenas um vem de partido centro-esquerda.
05:54Eu gostaria do seu, do seu, da sua análise, né, nesse cenário.
05:57Muito bom dia.
06:00Muito bom dia, é um prazer estar aqui com vocês.
06:03E olha, é realmente um cenário muito diferente do que a gente tá acontecendo
06:06e vendo em Portugal.
06:08Primeiro, que as últimas sondagens eleitorais,
06:11tanto os trackings de televisões,
06:13quanto as pesquisas mesmo,
06:15mostram que todos os candidatos, pelo menos,
06:19têm uma chance real.
06:20Apesar de serem divididos em dois grupos,
06:23o primeiro aí com quatro, cinco, dos onze,
06:26a diferença é entre cinco, seis pontos,
06:28que variam diariamente.
06:30Diferentemente do Brasil,
06:31onde a gente tá vendo uma espécie de consolidação de votos,
06:36já nas últimas eleições,
06:37em Portugal tá sendo bem diferente.
06:39Agora, o que chama a atenção
06:40é que, de fato, André Ventura,
06:43que teve uma grande força eleitoral do Chega
06:46nas eleições parlamentares,
06:48parlamentares, tornando o partido a segunda força política,
06:52atrás apenas da força de Luiz Montenegro,
06:54com a aliança democrática, de centro-direita,
06:57que governa hoje Portugal.
06:59Se isso se torna uma realidade,
07:01André Ventura vira presidente de Portugal,
07:04isso dá um recado muito grande da sociedade portuguesa,
07:07e pode, sim, fazer com que o Chega se torne,
07:11ou o Chega pode se tornar a principal força política
07:15nas próximas eleições.
07:17Esse movimento mostra que isso não acontece só em Portugal,
07:21mas a gente vê isso repetindo na França,
07:24com Marine Le Pen,
07:25o Rassemblement Nacional,
07:26Jordan Batera,
07:28que se tornou agora um dos líderes que poderá suceder,
07:32é o mais bem cotado para suceder,
07:33Emmanuel Macron.
07:34E a mesma coisa acontece também no Reino Unido,
07:37com o Reform UK de Nigel Farage.
07:40Os partidos têm uma visão muito clara,
07:43uma direita muito mais radical,
07:46anti-migração,
07:48e com a visão de que há uma corrupção,
07:51há um sistema podre,
07:53e que esses países na Europa
07:54estão ficando para trás no resto do mundo.
07:57A mensagem é muito parecida.
07:59O grande problema é que não há uma visão clara
08:03de que, como eles vão resolver esse problema,
08:05eles conseguem, de fato,
08:07e aí eu acho que é muito claro isso,
08:09trazer para si a indignação da população.
08:12Agora, transformar essa indignação
08:15em resolução clara de problemas,
08:18aí não, eu acho que isso seria muito mais difícil.
08:20mas Portugal vai ter um segundo turno,
08:23com o Trim de Figueiredo,
08:26pode se tornar primeiro-ministro,
08:28pode se tornar presidente,
08:30que é uma pessoa muito mais centrada,
08:33da iniciativa liberal, centro-direita,
08:36mas é um ponto também importante.
08:38O presidente de Portugal,
08:39ele é chefe de Estado,
08:40não chefe de governo.
08:42Então, ele pode vetar leis,
08:44ele pode fazer complementações,
08:46mas ele não administra mesmo a máquina portuguesa.
08:50Isso vai continuar sendo ao cargo
08:52de Luiz Montenegro, da Aliança Democrática,
08:55que recentemente passou por um escândalo de corrupção,
08:59foi reeleito e mostra uma capacidade
09:02de força política, apesar de tudo.
09:04Então, pode ser uma mudança importante em Portugal,
09:09uma mudança muito simbólica,
09:11mas não afeta diretamente a administração portuguesa,
09:15mesmo que André Aventura se torne presidente.
09:19Igor, bom dia.
09:20A gente observa o seguinte,
09:21a questão da violência, né?
09:23Já marcou as eleições municipais aqui no Brasil.
09:26O tema normalmente era tratado,
09:28claro, na esfera do governo estadual,
09:30na esfera federal,
09:32e novamente nós teremos aí a repetição
09:34dessa sensação de insegurança
09:35que a gente vive no dia a dia,
09:37praticamente em todo o Brasil.
09:39E aí aparece que na Europa,
09:41esse avanço da direita tem a ver justamente
09:43contra a imigração e também reflexos
09:45no dia a dia da população,
09:47com a violência que cresce também.
09:51Claro, eu acho que isso é um pouco fundamental.
09:53E aí são estatísticas que, infelizmente,
09:56não se negam.
09:58Quando a gente olha estatísticas de assaltos,
10:02estatísticas de roubos,
10:03estatísticas de estupros,
10:07e de crimes letais,
10:09esses números são muito maiores
10:11na comunidade imigrante.
10:13Isso tem diversos motivos, né?
10:15O primeiro,
10:16é uma dificuldade de integração
10:18dessa comunidade imigrante,
10:20uma falta de triagem,
10:22em muitos casos,
10:23dessa comunidade imigrante,
10:24que veio muitas vezes fugida
10:26de conflitos no Oriente Médio
10:28ou na África,
10:30e uma falta de oportunidades reais.
10:32Ou seja,
10:33muitos países europeus
10:35abriram suas portas
10:37para imigrantes
10:38sem qualquer tipo de controle.
10:40E é isso
10:41que esses líderes estão criticando,
10:44dizendo, olha,
10:44a falta de controle na imigração
10:46torna a situação
10:47mais violenta,
10:49torna
10:50as oportunidades difíceis.
10:52E quando você tem
10:53uma população
10:54que não consegue
10:55enxergar oportunidades,
10:57abre espaços
10:58para um aumento de roubos,
11:00um aumento da violência.
11:01Esse é
11:01o cartaz
11:03que está escrito
11:04dentro
11:05dessa população.
11:06eu mesmo vi abertamente
11:07uma discussão
11:08de André Ventura
11:09com uma manifestante
11:11angolana
11:12legalizada
11:13e ela
11:14dizendo
11:14que veio
11:15com a família
11:16legalizada,
11:17que não tem problemas,
11:17mas ela reconhecia
11:19que tinha uma comunidade
11:20até mesmo
11:21da cidade dela
11:22que estava
11:23extremamente
11:23inclinada
11:24em atos violentos.
11:25E André Ventura
11:26usou isso como efeito,
11:28dizendo, olha,
11:28nós temos aqui
11:29imigrantes
11:29que fazem parte
11:30da nossa sociedade,
11:31que se integram,
11:32que respeitam
11:33nossas leis
11:34e nossos costumes
11:34e tem aqueles
11:35que não
11:36têm
11:37respeito algum
11:38pela organização
11:39social de Portugal.
11:40E isso está
11:41ressonando muito
11:42dentro da sociedade.
11:43Então,
11:44obviamente,
11:45isso provavelmente
11:46devem ser já
11:47em leis mais
11:48duras de imigração,
11:50em penas
11:51mais radicais
11:52e a ideia
11:53é que isso
11:53poderia melhorar
11:54a questão
11:55da violência,
11:58ou seja,
11:58tornar o país
11:59menos aprazível
12:01para a imigração
12:03e isso se tornaria
12:04de uma certa maneira
12:05diminuiria
12:06os índices
12:06de violência.
12:07Mas é interessante
12:08porque Portugal
12:09é um dos países
12:10que menos sofre.
12:11Primeiro,
12:11está na periferia
12:12da Europa.
12:13Segundo,
12:14a língua portuguesa
12:14não é uma língua
12:15tão comum assim
12:16em relação ao inglês
12:17ou francês,
12:18mas,
12:19obviamente,
12:20se tornou uma pauta
12:22e uma bandeira
12:22que vai sim
12:23ser levada a cabo
12:24até o segundo turno
12:25das eleições.
12:26Provavelmente,
12:27ela não vai ser resolvida
12:28agora,
12:28então a gente vai ter
12:29que aguardar.
12:30mas sim,
12:31violência e imigração
12:33se tornaram temas
12:34extremamente interligados.
12:37E outra pessoa
12:38que começou
12:39como favorito
12:40mas caiu radicalmente
12:41foi o comentarista político
12:43Luiz Marques Mendes,
12:44a gente está vendo aí
12:45fotos dele,
12:46que tem uma ligação
12:47muito grande
12:47com Luiz Montenegro
12:48e o Aliança Democrática,
12:50mas caiu muito
12:52depois de acusações
12:53de que seria
12:54um lobista
12:55dentro da presidência
12:57da República.
12:58Ele mesmo
12:58abriu
12:59os seus negócios,
13:01disse quem seriam
13:01seus clientes,
13:02mas mesmo assim
13:03teve uma queda
13:04vertiginosa.
13:05Era,
13:06até o início
13:06da campanha,
13:07um dos principais
13:08frontrunners,
13:11mas a sua queda
13:12abriu espaço
13:13para outros
13:13competidores
13:14e que de fato
13:15a gente ainda
13:16não sabe o resultado.
13:18Porém,
13:18é importante dizer
13:19eleições presidenciais
13:20em Portugal
13:21tão,
13:22não diria preciosas,
13:24mas tão surpreendentes
13:26como estão sendo agora,
13:27pode ser também
13:28a surpresa
13:29de quem seriam
13:30os dois líderes
13:32para irem
13:32para o segundo turno.
13:33Apesar da visão
13:34de Ventura,
13:35de estar sim
13:36com um bloco
13:38econômico e social
13:39pré-estabelecido,
13:41a gente ainda pode
13:41ter reviravoltas
13:42agora,
13:43nos 45 do segundo tempo.
13:45Igor,
13:46a Mônica Rosenberg
13:46nos acompanha
13:47nesse Jornal da Manhã
13:48e ela também tem
13:48uma pergunta
13:49para você.
13:50Mônica.
13:50Igor,
13:51bom dia.
13:51Você falou aí
13:52dessa ida
13:54para a direita,
13:55dessa tendência
13:55de partidos
13:56de extrema direita
13:58que estão ganhando força,
13:59tem também
13:59a Georgia Meloni
14:00na Itália,
14:01isso é muito claro,
14:02inclusive o contraponto
14:05a eles tem sido
14:05uma centro-esquerda,
14:07aquela extrema esquerda
14:09mais comunista,
14:10países como
14:11Coreia do Norte,
14:12Cuba,
14:12só se mantém pela força,
14:14não há possibilidade
14:15de democracia,
14:16os fatos mostram isso,
14:17então está havendo
14:18essa guinada direita.
14:20Você acredita,
14:21você falou aí
14:22que a corrupção
14:23continua sendo
14:23um grande problema
14:24e a corrupção
14:25não é uma pauta
14:26só da direita,
14:27nós sabemos
14:28que existem muitos
14:28políticos na direita,
14:30inclusive no Brasil,
14:31que estão envolvidos
14:32em escândalos de corrupção,
14:33você citou mesmo,
14:35lá em Portugal
14:36teve escândalos,
14:37então o que vai acontecer
14:38com o mundo
14:39a hora que as pessoas
14:40enxergarem que mesmo
14:41na extrema direita
14:41há corrupção,
14:43você acredita
14:44que vai ter um movimento
14:45pondular e vai voltar
14:46para a esquerda
14:47ou a gente pode ter
14:48uma esperança
14:48de que finalmente
14:49volte para o meio
14:50e comece a haver
14:51uma conversa
14:52de políticos
14:53de centro-esquerda
14:54com políticos
14:54de centro-direita
14:55buscando soluções
14:57para esses países
14:58com menos lacração,
14:59menos gritaria
15:00e menos polarização
15:01ou vai pender
15:02de novo para a esquerda
15:03e aí vão achar
15:04que se a direita
15:05não resolveu
15:05vamos para a esquerda
15:06que a esquerda resolve.
15:10Olha,
15:10eu acho que
15:11essa terceira via
15:12ela ainda existe,
15:14mas ela precisa
15:15ser trabalhada.
15:16A gente vê isso
15:18no Brasil,
15:19que basicamente
15:20não existe mais
15:21a terceira via
15:21de centro-direita,
15:22mas eu concordo
15:23com você,
15:23eu acho que
15:24o mundo inteiro
15:25está olhando
15:26para uma,
15:27até mesmo a eleição
15:27de Donald Trump
15:28foi isso também,
15:29né?
15:29Uma,
15:31como é que eu posso dizer,
15:32uma direita
15:34e extrema-direita,
15:35eu acho que são
15:35dois polos diferentes,
15:37eu queria dizer até
15:37a situação de Georgia
15:39Meloni, né?
15:40Porque Meloni
15:40ganhou as eleições
15:42como extrema-direita,
15:43recuou
15:44para um campo
15:45mais de direita,
15:46tradicional,
15:47e hoje é a principal
15:48líder da Europa
15:49com resultados
15:51impressionantes
15:52na Itália,
15:52a Itália se tornou
15:53mais respeitada,
15:55economicamente
15:55mais pujante
15:56e estável,
15:58ela trouxe
15:59uma instabilidade
16:00que a política italiana
16:01não via há bastante
16:02tempo,
16:03e eu acho
16:03que isso é importante.
16:04Agora,
16:05eu acho sim
16:05que existe
16:05uma espécie
16:06de movimento pendular,
16:08esses países
16:08estão olhando
16:09na extrema-direita
16:10e na direita
16:10uma possibilidade
16:12de renovação,
16:13mas esse é o ponto,
16:14quais desses países
16:15vão conseguir entregar?
16:17A Itália está entregando,
16:17eu não acho que a Itália
16:18vai voltar para o centro
16:20ou para a esquerda
16:20tão cedo,
16:21eu acho que a Itália
16:22vai ficar muito tempo
16:23na direita
16:24porque está entregando
16:25resultados.
16:26Agora,
16:27não sei
16:28cada um dos países,
16:30eu acho que isso vai ser,
16:31como é que eu posso dizer,
16:33específico
16:33em cada situação.
16:34A própria Argentina
16:35aqui,
16:36acho que Milley
16:37está conseguindo resultados
16:38e pode ser que continue
16:40dentro desse foco
16:41da sua própria direita.
16:43A Europa
16:43é mais complicado,
16:45a gente tem eleições
16:45parlamentaristas
16:47na sua maioria
16:48e que o humor
16:50da população
16:51rapidamente
16:52se altera,
16:53eles não esperam
16:54cinco, seis anos
16:55para poder ter resoluções.
16:57Ou a resolução
16:57vem rápida
16:58ou o governo cai.
17:00Então,
17:00eu acho que tem
17:01uma visão mais ou menos aí.
17:02A grande parte
17:03da população
17:04está apostando
17:05em soluções políticas
17:06de direita
17:07e de extrema-direita,
17:08mas eu não acho
17:09que voltaria para a esquerda,
17:10eu acho que sim
17:11teria uma tentativa
17:12de encontrar
17:13um caminho de centro.
17:14Acho que mais
17:15chamar a atenção
17:16talvez seja
17:17o Reino Unido,
17:18já que
17:19depois do Brexit,
17:20tanto conservadores
17:22quanto
17:22o Partido Trabalhista
17:24falharam
17:25miseravelmente,
17:26nenhum teve a coragem
17:27de dizer
17:27que o Brexit
17:28não deu certo
17:29e Nigel Farage
17:30surge
17:31num terceiro partido
17:33que virou
17:33hoje nas pesquisas
17:35a principal força
17:35política
17:36no Reino Unido,
17:37que não é nem
17:38o centro,
17:39é muito mais
17:39uma ultradireita,
17:41que a gente não sabe
17:41bem o que vai acontecer.
17:42Então, de fato,
17:43acho que tá,
17:44as pessoas e as democracias
17:45estão procurando
17:46novas soluções.
17:48Mas o problema aí,
17:49eu não acho que tá
17:50em resoluções
17:51de direita
17:51ou de esquerda,
17:52mas sim
17:53numa necessidade
17:54de reorganizar
17:55o pacto político.
17:57Ou seja,
17:57os governos
17:58têm que trabalhar
17:59para as suas populações,
18:01não a população
18:01trabalhar para os seus governos.
18:03A gente vê muito isso
18:04no Brasil.
18:05Eu gosto de dizer
18:05que ou a gente tem
18:07uma mudança radical
18:08de como os impostos
18:09e a maneira
18:10como as pessoas
18:10se sentem representadas
18:12e resolutivas
18:13nos seus problemas
18:14sociais mudam
18:15ou nenhum país
18:16consegue ter
18:17estabilidade política.