00:00do Estado de Minas Gerais, que também então celebrou essa aprovação do Conselho para a assinatura do acordo.
00:07Direto da Jovem Pan de Poços de Caldas, o Rodrigo Costa conta pra gente.
00:11A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a FIEM, avalia de forma positiva o avanço do acordo de parceria
00:19entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado nesta sexta-feira, após mais de duas décadas de negociações.
00:25No entanto, a entidade ressalta que o acordo deve ser analisado com cautela e atenção aos seus impactos sobre a indústria.
00:34Para a entidade, o entendimento representa um marco relevante no comércio internacional
00:40e tem efeitos diretos para a economia mineira, exigindo acompanhamento cuidadoso de sua implementação.
00:47O Estado de Minas Gerais mantém relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu,
00:53o que reforça a importância estratégica do acordo para Minas Gerais.
00:58Segundo a FIEM, entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para a União Europeia somaram cerca de 31 bilhões de dólares,
01:08enquanto as importações alcançaram 13,38 bilhões de dólares, um saldo positivo de 17,62 bilhões de dólares.
01:18Dados divulgados também pela entidade mostram que a pauta exportadora mineira para a União Europeia
01:24é concentrada principalmente em café, minério de ferro e ferroligas,
01:30além de insumos e bens industriais de média e média-alta intensidade tecnológica.
01:37Já as importações do bloco europeu envolvem majoritariamente máquinas e equipamentos,
01:43produtos farmacêuticos e itens do setor automotivo, sobretudo partes e peças,
01:49fundamentais para a modernização da indústria instalada aqui no Estado.
01:54A FIEM, em nota, reforça a importância de períodos de adaptação e de políticas de apoio à competitividade,
02:02para que a abertura comercial fortaleça a indústria mineira, preserve empregos e amplie a capacidade exportadora do Estado.
02:11De Minas Gerais, Rodrigo Costa.
02:15A gente continua nesse assunto, eu tinha contado para vocês aqui no início dessa edição do Fast News
02:20que falaríamos mais sobre o acordo, inclusive com especialistas na área,
02:24para a gente entender ainda o que é que falta realmente para assinatura,
02:27para a efetivação, então, do acordo entre Mercosul e União Europeia e os detalhes, os pormenores.
02:33Sobre isso, eu recebo agora, então, o Velber Barral, que é consultor em comércio internacional
02:38e também doutor em direito internacional pela USP.
02:42Oi, Velber, boa tarde. Muito obrigada por nos atender aqui na Jovem Pan.
02:46Boa tarde, obrigado pelo convite.
02:49Doutor, já queria começar, então, perguntando, efetivamente, os próximos passos.
02:54A gente tem falado muito ainda que essa assinatura tem sido muito comemorada,
02:58mas ainda não foi efetivada.
03:00Há algum risco muito grande ainda, então, do acordo dar para trás?
03:06Nós temos vários passos ainda.
03:08Esse momento foi extremamente relevante,
03:11porque era muito difícil passar pela Comissão Europeia,
03:14principalmente porque alguns países, como a França, a Polônia, a Irlanda,
03:18continuam em oposição ao acordo.
03:21A próxima fase agora vai ser a assinatura, propriamente dita,
03:25que deve acontecer nesta próxima semana.
03:27A partir daí, do lado europeu, eles vão ter que submeter a parte comercial
03:32ao Parlamento Europeu e o resto do acordo aos parlamentos nacionais.
03:38No caso, no nosso lado, ou seja, do lado do Mercosul,
03:41eles vão ter que ser ratificados de acordo com as regras de cada país.
03:45No caso do Brasil e dos demais países também,
03:47ele terá que ser enviado pelo presidente da República
03:51para o Congresso Nacional, tem que ser aprovado na Câmara, no Senado,
03:55volta ao presidente para a ratificação.
03:57Então, nós temos um processo ainda adiante.
04:00Um processo bastante grande, né, doutor?
04:03Então, existe essa possibilidade, ou de muita demora ainda para a efetivação,
04:08ou de, dependendo desse projeto, ir e voltar algumas vezes?
04:12É, o que acontece na prática é que, em média, você leva de dois a quatro anos
04:18para aprovar um acordo no Brasil, depois que ele está assinado.
04:23Então, eu vi o governo falando que aprovaria este ano,
04:26eu acho, é possível, mas é muito improvável,
04:29principalmente considerando que nós vamos estar no ano eleitoral.
04:32Então, provavelmente vai levar mais tempo para que ele seja aprovado.
04:35do lado europeu, a grande, o grande desafio é passar no parlamento europeu,
04:41já que esses países que foram contra vão continuar trabalhando
04:44para que o acordo não seja aprovado.
04:46Então, o jogo ainda não terminou.
04:48Na verdade, nós ainda temos todas essas fases
04:50para que depois ele possa entrar em vigência, que também será faseado.
04:56Doutor Weber, vou colocar o Elias Tavares, nosso comentarista,
05:00na conversa, para também te fazer uma pergunta. Elias, por favor.
05:03Doutor, um prazer falar com o senhor.
05:05Doutor, eu queria entender um pouco, se o senhor puder nos explicar aqui,
05:09sobre essa questão dessa abertura de mercado.
05:11Evidentemente que o Brasil tem aí a sua condição de exportar muito mais,
05:15de ter grandes relações comerciais.
05:18Isso pode gerar algum impacto inflacionário no nosso mercado local?
05:22Qual seria, na verdade, o antítodo?
05:25Porque a gente sabe muito bem que existe essa comemoração muito grande,
05:29mas isso pode, de repente, talvez inflacionar o mercado local, não?
05:33Elias, o que acontece?
05:35Quando você faz acordos comerciais, primeiro, você não ganha sempre.
05:39Você vai abrir mais para aquilo que você é mais competitivo
05:44e tentar proteger alguns setores.
05:46Isso aconteceu nesse acordo.
05:48Ou seja, o acesso ao mercado agrícola europeu, por exemplo,
05:51não é totalmente livre.
05:53Ele vai estar limitado para algumas cotas,
05:55principalmente no caso de carne, de frango.
05:59Você vai ter alguma limitação.
06:00Por outro lado, alguns produtos, como é o caso de café,
06:03que hoje enfrentam, de café processado principalmente,
06:06que enfrentam uma tarifa maior, vai se tornar mais competitivo.
06:09Então, em primeiro lugar, não é o mesmo efeito para todos os setores.
06:14Em segundo lugar, ele não será imediato.
06:17Então, por exemplo, a abertura para vinhos brasileiros
06:21é um processo que vai levar mais de dez anos,
06:23para que o vinho europeu chegue ao Brasil,
06:25vai chegar mais barato,
06:26mas vai ser um processo bastante longo,
06:29porque a desgravação pode levar até quinze anos.
06:32Então, é um processo bastante lento.
06:34Isso, inclusive, foi um motivo de protesto pelos agricultores europeus,
06:38mas na prática é um processo bastante lento
06:40e o mercado deve se adaptar.
06:43Contando também que o Brasil tem uma capacidade muito grande
06:46de aumentar a sua produção.
06:47Não só para abastecer a Europa,
06:49mas já abastece hoje boa parte do mundo.
06:51Doutor, ainda falando sobre, então, esses próximos passos
06:57e esse processo todo,
07:00eu queria entender, algumas entidades se manifestaram
07:03dizendo, inclusive, que o acordo é muito benéfico para o Brasil,
07:05se não o país que mais se beneficia.
07:07O senhor também vê dessa forma?
07:10É interessante isso, porque muitas vezes as entidades
07:13olham só o seu mercado, ou só as suas associadas.
07:17E muitas vezes, olham, tem uma visão muito parcial.
07:19A vantagem do acordo, ele é comercial
07:22e o Brasil vai ganhar acesso em alguns produtos que são relevantes,
07:25principalmente produtos agrícolas,
07:27em que o Brasil é muito competitivo.
07:29Isso é verdade.
07:30Mas, além disso, o acordo tem outras implicações importantes
07:33que muitas vezes não são mesuráveis imediatamente.
07:36É o caso, por exemplo, de investimento.
07:38Regras mais estáveis vão atrair mais investimento europeu
07:42para a região.
07:44Da mesma forma, as questões de padrões regulatórios.
07:46A harmonização de padrões regulatórios diminui as barreiras
07:50ao comércio bilateral.
07:52Então, você tem outras vantagens, além do comércio, propriamente dito,
07:56que eu acho que vão ser importantes
07:58e que, de novo, vão fazer parte de uma longa transição.
08:02Doutor Velber, mais uma pergunta de Elias Tavares.
08:06Doutor, a minha pergunta agora vai no sentido
08:08que a gente estava comentando aqui ainda há pouco.
08:11A gente tem essa questão do tarifácio,
08:13que tem gerado algum certo impacto aqui.
08:15O senhor acha que, à medida que esse acordo for se fortalecendo,
08:19a gente tem aí dois lados, né?
08:21Você tem os Estados Unidos muito trabalhando para o protencionismo
08:24e você tem esse outro movimento com muitos países, etc.
08:27O senhor acha que isso fará uma frente aos Estados Unidos,
08:30que vai precisar reaver algumas posições relacionadas,
08:33principalmente à questão do tarifácio?
08:36Elias, sabe que um colega de escritório me disse
08:38que o Trump acabou sendo o culpido desse acordo, né?
08:42E, na verdade, não é só nesse acordo.
08:45Os Estados Unidos, as ações americanas têm feito vários países do mundo
08:49procurarem mais acordos comerciais.
08:51O próprio Mercosul fechou acordo com o Singapura,
08:54fechou acordo com o EFTA no ano passado,
08:56está buscando novos acordos.
08:58A União Europeia está fazendo vários acordos novos,
09:00inclusive com a Índia.
09:02A Indonésia, este ano, fechou vários acordos novos de livre comércio.
09:06Então, vários países estão tentando diminuir a dependência
09:10em relação ao mercado americano,
09:12abrir novas fronteiras comerciais
09:14e ter regras mais claras que sejam obedecidas ao plano bilateral,
09:19já que os Estados Unidos acabaram desmontando boa parte
09:24das regras multilaterais.
09:26Então, essa é uma tendência que já estava acontecendo,
09:30mas que acabou sendo acelerada pelo protecionismo norte-americano.
09:33Olha, nós conversamos com o Velber Barral,
09:37que é consultor em comércio internacional
09:38e também doutor em Direito Internacional
09:41pela Universidade de São Paulo, a USP.
09:43Dr. Velber, muito obrigada pelo tempo para conversar com a gente.
09:46Volte sempre aqui à Jovem Pan.
09:49Muito obrigado. Boa tarde.
09:50Boa tarde. Até mais.
09:52Bom, a gente ainda vai falar bastante de cenário internacional,
09:55economia e política até uma e meia da tarde,
09:57mas antes vamos fazer um rápido intervalo.
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