00:00Muito bem, em dezembro do ano passado, a cesta básica ficou mais cara em 17 capitais brasileiras.
00:08Conclusão é da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo DIESE.
00:14A maior elevação ocorreu na capital do Alagoas, Maceió, onde o custo médio variou mais de 3%.
00:21A única capital que o preço não variou foi João Pessoa.
00:24Um dos fatores do aumento da cesta foi a carne bovina de primeira, que subiu em 25 das 27 capitais do país.
00:35Aí nós temos o mundo real, Dávila, que é o dia a dia que o brasileiro vai lá, pega o seu carrinho no supermercado, traz menos e paga mais, né Dávila?
00:45É isso aí, a tal da picanha e cervejinha desapareceram. Aquilo que era promessa de campanha virou pó.
00:53Por quê? Porque a inflação está aí. E inflação mostra duas coisas fundamentais.
01:00Primeiro, o governo está imprimindo mais dinheiro, por quê? Porque está gastando mais.
01:03Esse é o ponto, está gastando mais, está ajudando a impulsionar a inflação.
01:07E esse ano mesmo, se o governo agora está celebrando que atingiu a meta da inflação, não atingiu a meta não, a meta era 3,
01:13atingiu 4 mil, que é o topo da meta, que é bem diferente do que atingir a meta.
01:16Então mostra, de novo, contas públicas em desarranjo.
01:21Mostra outra coisa muito importante no Brasil.
01:25O brasileiro, o poder aquisitivo cai com o tempo, mesmo com todos esses benefícios e reajustes do Brasil,
01:33porque os produtos estão subindo mais.
01:34Esses produtos todos são cotados internacionalmente, Marcelo Matos.
01:37Você não consegue escapar do mercado.
01:39Então, o único jeito de você tentar derrubar o preço artificialmente é subsidiando.
01:45E subsidiar significa mais gasto do governo para subsidiar.
01:48Esse é o ponto.
01:49O governo tira imposto de alguns produtos da cesta básica.
01:52É isso que cria esta ilusão de que os preços não estão subindo.
01:56Mas onde surgem, onde tem imposto, não tem como.
02:02O preço dos alimentos estão subindo muito.
02:05É só ir ao supermercado.
02:07Eu convidaria, então, o presidente da República, ao invés de passear só na praça,
02:11vai um dia no supermercado, faz uma anotação na caderneta do que acontece com os preços de alimentos
02:17e aí vai ver se a inflação subiu ou não subiu.
02:20Ou seja, a cesta básica tem, sim, um mecanismo para fazer com que o preço não suba.
02:27Retirar imposto de produtos básicos.
02:29E isso segura um pouco a pressão inflacionária.
02:32Mota, você falava há pouco ainda nessa edição da questão do que aquele número,
02:38mas o que representa a vida real do brasileiro.
02:43Você sempre faz o data-mota aí.
02:45O que você pode falar em relação a essa questão da inflação?
02:49Esses índices de inflação são uma piada, Marcelo.
02:52Eu imagino o pai de família ouvindo dizer que a inflação foi 4,36%.
02:59Eu adoro esse ponto alguma coisa.
03:02Aí você vai ver a mensalidade escolar do seu filho, subiu mais de 10%.
03:07A van, o transporte escolar, subiu não sei quanto.
03:10Você vai ver a comida no supermercado, o aumento do IPTU, o aumento do IPVA,
03:15o aumento do seguro do carro.
03:17Tudo aumentou muito.
03:19Eu acho que não há nenhuma única coisa que tenha aumentado só 4%.
03:23Então, é importante a gente sempre lembrar isso.
03:27Essa inflação oficial é uma fantasia.
03:30Isso só serve para o pessoal do mercado financeiro, para reajustar contratos,
03:35para retroalimentar o aumento de preço.
03:38E vamos explicar de novo.
03:40O governo gasta como se não houvesse amanhã.
03:43Essa é a principal causa do aumento de preços, os gastos do governo.
03:50Por quê?
03:51Porque o governo tem que imprimir dinheiro para pagar pelos seus gastos
03:56e pela dívida que ele acaba fazendo por causa do déficit.
04:01Quando o governo imprime dinheiro, isso desvaloriza o dinheiro.
04:05Então, não são os preços que estão subindo.
04:09É o dinheiro que está perdendo valor.
04:11E esse processo, Marcelo, parece que a gente comemora,
04:17tem gente que comemora, não, 4 pontos, alguma coisa,
04:21está no meio da meta.
04:23O cidadão comum olha para esse troço como se fosse um papo de maluco.
04:27O que isso significa é o seguinte.
04:30Daqui a 5 ou 10 anos, os preços de tudo que a gente consome
04:34vão ter triplicado, multiplicado por 10.
04:37Tudo aumenta.
04:40Quando você compara os preços de 10, 15 anos atrás,
04:45quem tiver essa curiosidade, entra na internet, pesquisa,
04:47procura um jornal de 10 anos atrás, olha os anúncios.
04:52É um absurdo a quantidade, o tamanho do aumento dos preços.
04:58É um absurdo como o nosso dinheiro perde valor.
05:01E esse, Marcelo, é o imposto mais nefasto que o governo cobra da gente.
05:08O imposto da inflação.
05:10Diego Tavares, a gente vai lá no supermercado, passa o carrinho,
05:13olha os itens que foram colocados ali,
05:16quando vem a conta, você começa a olhar,
05:19será que é verdade isso?
05:21É mais ou menos por aí, né, Diego?
05:24Pois é, Marcelo Matos.
05:25Eu fico aqui me perguntando como vivem os mais de 75% de brasileiros
05:29que ganham apenas um salário mínimo.
05:32Realmente está muito aquém daquilo que é necessário para o mínimo existencial.
05:37Agora, os meus colegas abordaram muito bem as questões econômicas a respeito disso,
05:42concordo integralmente com o que foi dito,
05:44só que isso tem um impacto político também muito grande,
05:46porque há um comportamento tradicional do eleitor brasileiro
05:50de atribuir fragilidades econômicas ao governo de ocasião,
05:55independentemente se é culpa ou não do governo.
05:58Nesse caso, deixo aqui registrado, é culpa do governo.
06:00Então, pagará, o governo atual pagará a conta por esse desarranjo econômico.
06:06Isso vai ser um problema, principalmente, porque o Dávila lembrou muito bem.
06:10Esse governo se elegeu numa plataforma com uma frase muito simples.
06:14O brasileiro voltará a ter acesso a uma picanha e cervejinha no final de semana.
06:19Parece uma frase boba, parece, enfim, uma frase simples, como eu disse,
06:22mas isso é um verdadeiro pacto com as classes mais pobres do país,
06:26que no pós-pandemia estavam encontrando dificuldades para consumir itens básicos.
06:31E ao final do mandato desse governo, o que o brasileiro teve?
06:34Dificuldade até mesmo para consumir o cafezinho preto todo dia pela manhã.
06:39Então, certamente, isso vai gerar uma fatura eleitoral,
06:43que caso não seja resolvida até a época das eleições,
06:47e nós sabemos, já até falamos sobre isso hoje,
06:50que em ano eleitoral é ano de vale tudo,
06:52vem aqueles muitos pacotes de bondades,
06:55que parece que está melhorando a vida das pessoas,
06:57mas no longo prazo nós sabemos que está causando mais fragilidade econômica ainda
07:01e deteriorando mais ainda o poder de compra.
07:04Nós sabemos que isso pode gerar aí um passivo eleitoral ao governo Lula.
07:09Vamos ver como que isso se desenrola até outubro.
07:12Mas o fato é que a dificuldade do brasileiro em fazer as compras no supermercado,
07:17ao lado de temas como segurança pública, enfim,
07:20e outros temas que serão debatidos nas eleições,
07:23certamente trarão dificuldades para as narrativas do atual governo no projeto de reeleição.
07:28E aí, Davila, o Banco Central, que já está tomando pressão,
07:31atrás de pressão, vai ser no ano eleitoral,
07:34ser também pressionado para começar o início da queda de juros.
07:38Quer dizer, havia uma sintonia entre o discurso do ministro da Fazenda, Fernando Haddad,
07:44Gabriel Galípolo, presidente do BC,
07:46mas na virada do ano o Haddad já começou a falar que já havia condições aí propícias
07:51para o início da queda de juros, ou seja, ele se pronunciou nesse assunto,
07:55vice-presidente da República também.
07:57Então, o Gabriel Galípolo vai ter mais pressão do que já está tendo, evidentemente, em 26.
08:02Ainda bem que Gabriel Galípolo, que o Banco Central,
08:05é um órgão técnico que não dá muita importância para a pressão política
08:09e já passou nesse teste ao longo da sua presidência.
08:14Porque quais são os dois fatos importantes que o Banco Central olha para calcular a taxa de juros?
08:21Primeiro é a inflação.
08:22Inflação, o governo agora comemora pela primeira vez, olha só,
08:26ele comemora que pela primeira vez, desde o governo começou,
08:30ele atingiu o topo da meta, não a meta, o topo da meta.
08:34Então, está contente que atingiu o topo da meta.
08:36Só que o outro número é o tamanho do crescimento da dívida pública em relação ao PIB.
08:43E esse vem acelerando numa velocidade extraordinária.
08:47O Brasil vai atingir mais de 80% de dívida em relação ao PIB.
08:52Isso é uma dívida impagável para um país emergente.
08:56É a maior dívida PIB de todos os países emergentes.
09:01E isso põe muita pressão, coloca muita pressão no Banco Central para aumentar a taxa de juros.
09:06Por quê?
09:07Porque mostra que você é mal pagador.
09:09Você não está fazendo nada para estancar o crescimento da dívida.
09:12Não é só o tamanho da dívida.
09:14É a velocidade que essa dívida cresce.
09:17Porque, por exemplo, o que o Brasil deveria fazer para começar a dar sinal
09:22de que tem condição de honrar as suas dívidas é começar a ter superávit primário.
09:27Superávit primário de pelo menos 2%.
09:30Nós estamos longe disso.
09:32Então, não tem superávit.
09:34O gasto público cresce.
09:36Todas as declarações do presidente da República, como lembrou o Mota,
09:40é para gastar como não tivesse amanhã.
09:42E isso dificulta a missão do Banco Central em reduzir a taxa de juros.
09:47Então, provavelmente, o que vai acontecer é parar primeiro de aumentar a taxa de juros.
09:53E se houver algum outro sinal importante, o Banco Central pode começar a reduzir um pouquinho a taxa de juros.
10:01Mas vai continuar sendo a taxa de juros mais alta do mundo.
10:06Por quê?
10:06Porque o governo continua gastando mais do que arrecada e o governo não cria mecanismos,
10:12por exemplo, como a criação do superávit primário, para poder aliviar o Banco Central
10:17e fazer com que o Banco Central reduza a taxa de juros de maneira responsável.
Comentários