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O senador Ciro Nogueira afirmou não ver mais possibilidade de o governador Tarcísio de Freitas disputar a Presidência da República e classificou como irreversível a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Segundo ele, Tarcísio precisaria do aval de Jair Bolsonaro, considerado hoje improvável.


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Transcrição
00:00Mas vamos dar sequência à questão das eleições que a gente fala, estamos finalmente no ano eleitoral, né?
00:062026 chegou com tudo.
00:08E o senador Ciro Nogueira, que é o presidente nacional do PP,
00:12que foi um dos principais entusiastas da candidatura de Tarcísio de Freitas,
00:17a presidência agora afirmou não ver mais possibilidade do governador disputar o Planalto,
00:23considerando irreversível a candidatura de Flávio Bolsonaro.
00:27Segundo ele, Tarcísio precisaria obter o aval de Jair Bolsonaro para voltar à disputa
00:34e que o aval agora ficou muito improvável.
00:37Apesar do descontentamento do partido com o mandatário paulista,
00:42Ciro afirmou que ele é o melhor nome para a reeleição em São Paulo
00:46e também considerado essencial para viabilizar a campanha de Guilherme Derrite ao Senado.
00:52Mas cobrou também mais espaço na gestão do Estado.
00:56Apesar do líder do Progressistas ter dito anteriormente que a candidatura de Flávio Bolsonaro
01:01era inviável, o PP agora deve concentrar suas apostas no senador,
01:07mas cobra uma mudança de postura justamente do parlamentar.
01:12Eu quero ouvir agora o Mota começando conosco toda essa análise.
01:16Mota, me parecia o seguinte, né?
01:18O cenário mais provável na direita, a figura mais confiável até do presidente Jair Bolsonaro
01:25seria o governador Tarcísio de Freitas encabeçar essa chapa.
01:30Mas também tem esse lado, Mota, da sobrevivência política do nome Bolsonaro.
01:35Bolsonaro não pode ser candidato, evidentemente,
01:37mas procura transferir a Flávio Bolsonaro essa liderança que Bolsonaro tem na direita,
01:43Lula tem na esquerda e Bolsonaro, portanto, tem na direita.
01:47De qualquer forma, vamos imaginar um cenário que o Tarcísio sai e ganha,
01:51a disputa com o Lula.
01:53Evidentemente, ele daqui quatro anos vai ser candidato à reeleição,
01:56então não haveria espaço para essa lacuna da família Bolsonaro.
02:00Então, por isso que esse nome hoje vai se tornando mais forte,
02:03até para manter o nome Bolsonaro como liderança da direita, o Flávio.
02:07Se perder esse ano, tem a próxima eleição, Lula não pode ser candidato.
02:10E o Tarcísio fica aqui em São Paulo, não vai bater chapa com o Flávio
02:14e tem aí uma situação muito administrável para ser reeleito aqui em São Paulo.
02:18É por aí, mais ou menos, Mota?
02:21Olha, essa é uma avaliação bastante razoável, Marcelo.
02:26Mas há vários cenários, há várias formas de se interpretar esses acontecimentos.
02:34Cada um faz a sua própria avaliação e julgamento.
02:37Eu sempre acho curioso quando algumas pessoas falam sobre isso,
02:42que seria a tentativa de manter o nome Bolsonaro, a marca Bolsonaro,
02:47como se isso fosse quase um crime, como se isso não fosse o hábito.
02:53A prática corrente na política, porque na política o que tem mais valor numa eleição
03:00é a capacidade de ser reconhecido pelo eleitor.
03:05É evidente que se você tem o sobrenome Bolsonaro,
03:09você já parte de uma posição muito mais valiosa do que a maioria dos seus concorrentes.
03:16Eu acho engraçado que algumas pessoas criticam isso em relação à direita,
03:23mas olha para a esquerda, a esquerda no Brasil tem um único nome.
03:29Historicamente, a esquerda não permitiu o surgimento de nenhum outro nome.
03:34Esse é o único jogo que a esquerda tem.
03:36Quando você olha para a direita, a situação é completamente diferente.
03:40Nós temos vários nomes potenciais.
03:44Então, você tem o nome de Flávio, tem o nome do Tarcísio,
03:48numa eventual circunstância em que nenhum dos dois estivesse interessado em se candidatar à presidência,
03:55há pelo menos mais três ou quatro nomes muito bons.
04:01Então, eu acho isso excelente.
04:03Uma fartura de nomes bons do lado da direita,
04:08enquanto do lado da esquerda não há absolutamente nenhuma novidade.
04:13Diego Tavares, assim como disse o Mota,
04:16de fato, então, esse capital político é muito forte, evidentemente.
04:19Claro que a direita não ganha sozinha, como também a esquerda, o Lula, não vai ganhar sozinha.
04:23Aquele eleitor de centro é que vai fazer a definição da eleição,
04:27mas, de qualquer forma, então, a família aposta no Flávio
04:29para manter, de fato, todo esse potencial político.
04:32Sem dúvida nenhuma, Marcelo.
04:36Essa foi a grande aposta quando o Bolsonaro opta por Flávio Bolsonaro.
04:40Até então, nós tínhamos muitos levantamentos apontando
04:43que Tarcísio de Freitas era um candidato muito competitivo,
04:48considerando a sua baixa rejeição,
04:50considerando que ele ainda era praticamente um desconhecido no território nacional,
04:55tinha muito espaço para crescer.
04:57Quando o Bolsonaro lança Flávio como o seu candidato,
05:02lança sua bênção sobre Flávio Bolsonaro,
05:05o sinal claríssimo dado é esse,
05:07de que não importa a vitória nesse momento.
05:10O que importa nesse momento é manter o protagonismo bolsonarista
05:15no campo da direita,
05:16ainda que, para isso, nós tenhamos que sacrificar a vitória da direita nas eleições.
05:22Então, aí é uma opção a ser feita.
05:24Ou você é protagonista de uma derrota,
05:27ou você é coadjuvante de uma vitória.
05:29Bolsonaro fez a primeira opção.
05:32E aí fica para a nossa audiência o julgamento,
05:35se isso é moral ou imoral,
05:37se isso é bom para o Brasil ou ruim para o Brasil.
05:39Agora, o fato é que não foi um movimento pensando na vitória,
05:42pensando na possibilidade de que Flávio pudesse superar Lula.
05:46Porque a caminhada de Flávio,
05:49e aí até mesmo desconsiderando todas essas derrapadas
05:51que nós estamos noticiando aqui,
05:53é uma caminhada muito árdua.
05:55A rejeição de Flávio Bolsonaro,
05:57mostrada pela maioria dos levantamentos,
05:59é muito grande, muito maior do que a de Lula.
06:01E, historicamente, é muito difícil
06:04que a rejeição de um candidato recue.
06:07Isso porque o comportamento do eleitor brasileiro
06:09é aquele comportamento de tomada de decisão
06:11às vésperas do processo.
06:13Quando um eleitor diz, já nesse momento,
06:16que não votaria em um candidato,
06:18dificilmente essa opinião será alterada.
06:20Eu até tenho dito que a grande aposta
06:23da campanha de Flávio Bolsonaro
06:24teria que se aumentar a rejeição de Lula,
06:27para ver se o Lula ultrapassa a rejeição de Flávio,
06:29e aí Flávio tem um segundo turno
06:30um pouco mais competitivo.
06:32Mas essa escolha nos modos em que foi feita,
06:35principalmente considerando, como o Mota lembrou bem,
06:37a grande disponibilidade de quadros
06:39com rejeição bem menor no espectro da direita,
06:42nos mostra que foi, de fato,
06:43uma decisão tomada visando o protagonismo
06:45e não a vitória da direita nas eleições.
06:47O Davi, o Tarcísio seria, então,
06:49um representante da direita, assim,
06:52mais moderado e poderia haver um diálogo muito maior com o centro
06:55e aí a utilização de desgaste possível do governo Lula?
07:00É verdade.
07:01Esse é o perfil bem descrito do governador Tarcísio.
07:04O problema é que ele entrou na alça de tiro da família Bolsonaro.
07:10A família Bolsonaro passou a ver o Tarcísio,
07:13que sempre mostrou lealdade ao Jair Bolsonaro,
07:16como o candidato do centrão e não mais do bolsonarismo e da direita.
07:20Então, o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro
07:22foi justamente para dar um checkmate
07:25à candidatura presidencial de Tarcísio.
07:28Esse é o movimento no tabuleiro do xadrez político,
07:32como bem lembrou o Diego.
07:33Então, no momento que você tira Tarcísio
07:35do jogo da sucessão presidencial,
07:39soba para ele o governo do estado de São Paulo.
07:41Agora, é preocupante o Tarcísio aqui em São Paulo,
07:45que tem uma vitória praticamente garantida aqui em São Paulo,
07:49porque está fazendo um bom governo,
07:50é reconhecido pela população brasileira
07:53e pela população paulista como um bom gestor,
07:57mas começa a ter essas rusgas.
07:59Ciro Nogueira dizendo que o Tarcísio não cuida dos prefeitos,
08:03que não está tão engajado na campanha do derrite ao Senado.
08:08Então, isso é muito ruim.
08:09Não é que isso vai trazer prejuízos,
08:12mas a manifestação dessa insatisfação
08:16numa aliança que vem sendo consolidada já há muito tempo,
08:21mostra que também não é um mar de rosas
08:24a candidatura de Tarcísio à reeleição em São Paulo.
08:28E isso, sim, é ruim, porque isso cria uma divergência
08:31aqui no estado de São Paulo,
08:33que Tarcísio permanecendo em São Paulo disputando a reeleição
08:36significa que a direita tem um grande cabo eleitoral
08:40no maior colégio eleitoral.
08:42E isso é muito importante para a eleição da direita.
08:45Agora, um outro ponto que eu gostaria de trazer aqui,
08:47bem mencionado para o Diego,
08:48mas eu gostaria de estender um pouco essa reflexão,
08:51é que a eleição de 26,
08:53se alguém da direita vencer a eleição,
08:57será um novo líder da direita.
08:59Esse é o ponto.
09:00Então, não é só manter o cacife da família Bolsonaro.
09:05Significa que se qualquer candidato da direita vencer o pleito,
09:09ele vai se tornar o grande líder da direita,
09:11a despeito da família Bolsonaro.
09:14Esse é o ponto.
09:15Então, o que está em jogo não é só a eleição presidencial,
09:19é o futuro da liderança da direita.
09:22Porque se vencer a eleição Zema, o Ratinho Júnior, o Caiado,
09:27esse será o novo líder da direita.
09:29Não há dúvida por ser presidente da república.
09:32Então, é algo um pouco mais complexo
09:36do que apenas manter a hegemonia da família no lado da direita.
09:41Significa que se o presidente da direita vencer a eleição,
09:44ele é o novo líder dessa direita.
09:46Sem dúvida, né, Davi?
09:47Até por isso, né, que essa questão que envolve o Tarcísio,
09:50ele vencendo as eleições, ele passa evidentemente a ter essa liderança
09:56e não vai abrir mão de, na próxima, ele ser reeleito.
10:00Até porque não vai ter o Lula também.
10:02E a esquerda vai estar muito fragilizada,
10:04porque é a última do Lula, né, segundo ele garantiu.
10:06Então, é por isso que toda essa situação enrosca, né?
10:09A família vai abrir mão disso.
10:11Como o Diego falou, vai abrir mão para uma vitória
10:13ou vai ficar numa derrota.
10:15Claro que ainda é muito cedo, né?
10:17A gente está começando, o ano está começando cheio de novidades aí também.
10:21Então, tem um longo caminho para chegar ao período eleitoral,
10:24os candidatos que vão deixar seus cargos para poder competir agora em 26.
10:28Mas, de qualquer forma, é essa leitura que a gente fez mesmo.
10:30Quer dizer, o vencedor agora vai ser o candidato da direita
10:34e vai ser, pode, evidentemente, aquela história do criador e criatura, né?
10:38Quem criou o Tarcísio foi justamente o Bolsonaro,
10:41mas, realmente, a criatura pode ficar maior, né, Mota?
10:46É, eu tenho uma visão um pouco diferente.
10:48Eu vejo presidência da República e liderança da direita
10:53como duas coisas completamente distintas.
10:56É lógico, elas podem caminhar juntas,
11:00mas o fenômeno de liderança
11:02é um fenômeno absolutamente orgânico, excepcional.
11:08A pessoa é ou não é um líder.
11:10Ela não se torna um líder porque ganhou a eleição.
11:13Nós temos vários casos no Brasil, aqui, inclusive, recentes,
11:16de pessoas que ganharam a eleição presidencial e nunca foram líderes.
11:21E temos um caso, em 2018,
11:25de Jair Bolsonaro, que ele se criou como líder primeiro
11:29antes de ganhar a eleição.
11:32Nesse processo de afirmar sua liderança,
11:36ele virou um fenômeno eleitoral.
11:37Mas é fácil fazer uma lista de ex-presidentes brasileiros
11:42que nunca foram líderes de coisa nenhuma.
11:44Eu acho que, nessa eleição,
11:47se o candidato for Tarcísio de Freitas,
11:50ele já vem com um histórico impressionante.
11:55Tarcísio era um técnico altamente respeitado
11:58que se tornou ministro em um governo submetido a todo tipo de ataques.
12:05Desde o seu primeiro dia, fez um trabalho brilhante.
12:09Depois recebeu um desafio que, para a maioria dos técnicos,
12:14seria impossível entrar numa disputa eleitoral.
12:17O São Paulo ganhou essa eleição.
12:21Está tendo um desempenho brilhante como governador,
12:24abraçando a pauta mais crítica do Brasil,
12:28que é a segurança pública,
12:29com uma coragem quase inédita
12:33entre a história de governadores do Estado.
12:37Colocou Guilherme Deite como secretário de Segurança.
12:40Então, o Tarcísio, me parece,
12:43já caminhou bastante na consolidação da sua liderança.
12:47Eu acho que uma besteira,
12:49essa história de ficar dizendo que a direita
12:52precisa de um líder, de um grande líder,
12:54que é o líder...
12:55A direita está cheia de líderes.
12:57A direita tem uma diversidade enorme
13:00de visões, de pensamentos,
13:03e essas visões e pensamentos
13:04são representadas por políticos diferentes.
13:07Não adianta você criar um molde e dizer
13:10este é o político de direita,
13:12tem que se encaixar 100% nesse molde,
13:14porque isso não vai acontecer.
13:15Então, eu acho que nesse cenário,
13:19nós vamos ter uma eleição muito disputada
13:23esse ano,
13:24e é uma eleição onde tem muita coisa em jogo.
13:29Por isso, é importante que o candidato
13:32que ganhe essa eleição
13:35esteja muito bem preparado,
13:37não só do ponto de vista moral,
13:40mas também do ponto de vista de competência.
13:44Diego Tavares, eu quero ouvi-lo.
13:47Diego, o que vai determinar, de fato?
13:49A gente sabe que as pesquisas hoje vão...
13:51As que são antes do período eleitoral
13:54vão sinalizando, evidentemente,
13:56vários cenários.
13:59E aí, o que fazer?
14:00Vai levar em conta a pesquisa?
14:02Vai esperar um pouco mais?
14:04A pesquisa é determinante mesmo?
14:06Como é que você avalia?
14:07Olha, Marcelo, eu não sou daqueles que demoniza
14:11ou desconfia excessivamente dos institutos de pesquisa,
14:14até porque nós sabemos que as pesquisas são feitas
14:16não pelo interesse do povo brasileiro,
14:18mas muitas vezes por interesse do mercado,
14:20por interesse do setor empresarial,
14:21que dispõe, que utiliza essas informações
14:24para tomadas de decisões críticas.
14:27Então, eu particularmente me filio muito
14:30ao que alguns institutos de pesquisa,
14:32institutos de pesquisa que são tidos como institutos sérios,
14:35revelam em seus levantamentos.
14:38E o que nós temos hoje,
14:39definitivamente não é um cenário bom
14:41para o campo da direita.
14:43Está acontecendo hoje exatamente
14:44aquilo que Lula quis que acontecesse.
14:48Tenho certeza, já disse isso aqui algumas vezes,
14:50que se fosse ofertado ao presidente Lula
14:52uma cartilha de possíveis rivais
14:55nas próximas eleições no campo da direita,
14:58entre Flávio Bolsonaro e todos os demais nomes,
15:01ele teria escolhido justamente
15:02o nome de Flávio Bolsonaro
15:04por aquilo que nós já dissemos algumas vezes aqui hoje,
15:06o duelo de rejeições no segundo turno,
15:09que também é algo praticamente cultural no Brasil.
15:12O primeiro turno sempre é aquele desabafo do eleitor,
15:15o voto naquele candidato de preferência,
15:17que muitas vezes até nos traz algumas surpresas.
15:20Por exemplo, ninguém apostava que Simone Tebet
15:22sairia das últimas eleições
15:24com o percentual de votação que obteve.
15:27Tanto que sua decisão de depois aderir
15:29ao projeto do presidente Lula
15:30e posteriormente tornar-se ministra
15:32foi muito criticada por muitos estrategistas políticos
15:35porque ela tinha um potencial muito grande
15:37a ser explorado em pleitos futuros.
15:40E o que nós temos no segundo turno,
15:42geralmente no Brasil,
15:43principalmente nos últimos ciclos eleitorais,
15:45é um duelo de rejeições.
15:47Quem tem a menor rejeição leva,
15:49porque quem tem a menor rejeição
15:51consegue absorver o voto do eleitor de centro.
15:55Aquele eleitor que o Dávila chama aqui,
15:58e eu adorei esse termo,
15:59swing voter.
16:00Aquele que vezes vota na esquerda,
16:02vezes vota na direita,
16:04sempre pautado pela rejeição.
16:06A rejeição de Flávio Bolsonaro
16:08se encontra num patamar muito alto.
16:10Isso tira dele a competitividade.
16:13Por isso que,
16:15filiado aos levantamentos que eram feitos até então,
16:18muitas pessoas depositavam sua confiança
16:21na candidatura de Tarcísio,
16:22ou, em última análise,
16:23na candidatura de Michele Bolsonaro,
16:26que dentre os candidatos,
16:27os pré-candidatos que carregam o sobrenome
16:29do ex-presidente,
16:30tinha uma rejeição um pouco menor,
16:33tinha a possibilidade de diálogo
16:35com alguns setores do eleitorado,
16:37que tanto Lula quanto Flávio
16:39têm certa dificuldade,
16:40como é o eleitorado evangélico,
16:42o eleitorado feminino,
16:44que é cada vez mais importante
16:46nas eleições, já é a maior parcela
16:48do eleitorado brasileiro.
16:50Então, dentre as possibilidades competitivas
16:53que a direita teve,
16:54foi escolhido o menos competitivo.
16:57E isso vai muito ao encontro
16:58de uma estratégia empregada pela esquerda,
17:02principalmente pelo presidente Lula,
17:04que é o sufocamento de novas lideranças.
17:07Nas eleições de 2018, por exemplo,
17:10Ciro Gomes, do campo da esquerda,
17:12pontuava muito bem.
17:13Mesmo assim, Lula optou pelo lançamento
17:15da candidatura de Fernando Haddad
17:17para substituí-lo.
17:18Para quê?
17:19Para que não nascesse uma nova liderança
17:21no campo da esquerda,
17:22para que fosse preservada
17:23a hegemonia do PT no processo.
17:26Agora, a família Bolsonaro
17:28repete essa mesma estratégia.
17:30Diante da possibilidade
17:31do nascimento de uma nova liderança
17:33muito forte,
17:34como o Tarcísio de Freitas
17:36ou o Ratinho Júnior,
17:37eles sufocam essas candidaturas
17:39lançando uma candidatura própria,
17:41que é a candidatura de Flávio Bolsonaro.
17:44Mais uma vez,
17:45o jogo é pela hegemonia e poder
17:47dentro do campo
17:48e não pela vitória nas eleições.
17:50Para fechar esse tema com o Dávila,
17:52né, Dávila,
17:52a gente não pode menosprezar também
17:54a máquina,
17:54o discurso que está sendo feito
17:56já há muito tempo.
17:57Então, vai ter a luz para todos,
17:5917 milhões de famílias de graça,
18:01botijão de gás,
18:0217 milhões de família,
18:03carteira de motorista agora
18:05baixou o custo,
18:06isenção do imposto de renda
18:09para 5 mil reais,
18:107.350,
18:11os outros benefícios,
18:13Bolsa Família,
18:13Loas,
18:14BPC.
18:15Então, quer dizer,
18:15existe todo um diálogo,
18:17de fato,
18:18com uma faixa
18:19que o PT caminha sempre
18:20nas eleições.
18:21Então, a gente tem que observar também
18:22qual vai ser o diálogo.
18:24E, no final das contas,
18:25é aquilo que o Diego falou,
18:26vai ser Bolsonaro contra Lula de novo?
18:27Vai ser um repeteco?
18:29Eu não acho que é isso
18:30que vai acontecer,
18:31mas veja só,
18:33com todos esses benefícios
18:34que você bem descreveu,
18:36Marcelo Matos,
18:37Lula terminou o ano
18:38com 52% de rejeição.
18:41Ou seja,
18:41ele deve estar preocupado,
18:42falou,
18:42olha,
18:42nós vamos entrar no ano.
18:44Crescimento econômico
18:45de 1,5%.
18:46A situação,
18:47a maré virando
18:49com questões
18:50extremamente relevantes,
18:52criando constrangimento
18:53com a questão da Venezuela,
18:54criando constrangimento
18:55com essa incapacidade
18:57de combater
18:57a segurança pública
18:58que é o principal assunto,
19:00não tendo resposta
19:01para quase 80 milhões
19:03de brasileiros
19:04que estão inadimplentes,
19:06aumentando o rombo
19:07da conta pública
19:08e, portanto,
19:08fazendo com que a taxa de juros
19:09no Brasil seja a mais alta
19:10do mundo.
19:11Tem um monte de problema.
19:13Então,
19:13se você parte
19:14de um patamar
19:15com uma rejeição
19:16dessas,
19:1652%,
19:17depois de despejar
19:18tantas benesses,
19:20o Lula deve estar
19:21muito preocupado
19:22com uma coisa.
19:23Bom,
19:23se for Flávio Bolsonaro
19:24o candidato,
19:25é mais fácil,
19:26porque,
19:26como o Diego Tavares
19:27mencionou aqui,
19:28é uma guerra de rejeição.
19:30Mas,
19:30se surge um candidato
19:32com o perfil
19:33de Tarcísio de Freitas,
19:34o Ratinho Júnior,
19:35o Zema,
19:35qualquer um desses
19:36que decola,
19:38não tem como controlar.
19:39Porque o que mudou
19:40na eleição passada
19:42para essa eleição,
19:44esse voto
19:44que eu chamo
19:45do voto pendular,
19:46do swing vote,
19:47que foi para o Lula
19:48na última eleição,
19:50ficou claro
19:51que ele não irá
19:52para o Lula
19:52nessa eleição.
19:54Porque o Lula
19:55radicalizou.
19:57O Lula
19:57mostra cada vez
19:58mais ressentimento,
20:00rancor,
20:01cada vez mais
20:02com a camisa
20:04e as bandeiras
20:05da esquerda.
20:06Portanto,
20:06esse voto
20:07ele perdeu.
20:08Agora,
20:08para onde esse voto vai?
20:10Se esse voto
20:11vai para um candidato
20:12mais de centro-direita,
20:13como questão
20:14de Tarcísio
20:14ou Ratinho,
20:16e o que vai acontecer
20:17num eventual
20:18segundo turno?
20:19Quem será
20:20o candidato?
20:21Porque,
20:22com a alta rejeição
20:23de Flávio,
20:24a minha impressão
20:25é que esse outro
20:26candidato que for lançado
20:28aí,
20:28seja o Tarcísio
20:29ou Ratinho,
20:30Júnior ou Zema,
20:31tem mais chance
20:31de pegar tração.
20:33Então,
20:33acho que vai ser
20:33uma disputa dura
20:35na direita,
20:36mas o que precisa
20:36é ter um pacto
20:37na direita,
20:38que aquele que
20:39for para o segundo turno
20:40terá o apoio
20:41de todo mundo.
20:42Foi exatamente assim
20:44que Castro
20:45acabou de vencer
20:46a eleição presidencial
20:47no Chile.
20:48Esse deve ser
20:48um pacto
20:49para orientar
20:51a direita.
20:51Apesar da pluralidade
20:53no primeiro turno,
20:54é preciso ter união
20:55no segundo turno
20:56para tirar o PT.
20:57e Lula do Poder.
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