No Direto ao Ponto, Marcos Troyjo, ex-presidente do Banco dos Brics, analisa o impacto das sanções internacionais impostas à Venezuela. Segundo ele, medidas adotadas pelos Estados Unidos historicamente aumentam dificuldades econômicas, mas raramente provocam mudanças de regime.
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00:00Vamos acionar o Eliseu Caetano, falando ao vivo, diretamente dos Estados Unidos, que vai te fazer a próxima pergunta, presidente.
00:07Olá, muito boa noite a todos que nos acompanham aqui na programação da Jovem Pan e também aos nossos colegas debatedores.
00:15Boa noite especialmente para o senhor, Troirro.
00:18Indo nesse caminho de tentar vislumbrar um futuro para a Venezuela, independente, deixando um pouco de lado a questão do julgamento de Nicolás Maduro,
00:29diante de toda a sua trajetória e carreira política, o senhor passou por diversos momentos diferentes do mundo.
00:36E o senhor tem uma visão de análise crítica, tanto da diplomacia quanto da geopolítica.
00:42O senhor acredita que, por exemplo, as sanções internacionais que foram impostas pelos Estados Unidos e que ainda continuam impostas à Venezuela,
00:50ela, de uma certa maneira, pode enfraquecer a continuidade do regime, levando em consideração que a ex-vice-presidente foi impostada hoje como presidente da Venezuela,
01:03Delci Rodrigues. O senhor acredita que esse tipo de sanção afeta mais esses regimes autoritários ou a população em si também?
01:13Veja, Eliseu, eu queria... você está aí nos Estados Unidos, eu queria comentar com você que ontem eu assisti com muita atenção
01:21aquilo que é uma tradição na televisão americana, que são esses programas de entrevistas políticos na manhã de domingo.
01:29Face the Nation, Meet the Press, aquele programa de entrevista do George Stephanopoulos.
01:33E o Marco Rubio, secretário de Estado, dedicou tempo, se predispôs em cada um deles e participou longamente de entrevistas.
01:45O que eu percebo, para tentar um pouco elucidar aquilo que você está levantando?
01:51Me parece que ele fez um esforço muito grande de tentar caracterizar essa operação
01:56como uma operação, claro, que militarmente complexa e com grande emprego de tecnologia e poder militar dos Estados Unidos,
02:06mas como uma operação de cumprimento de uma ordem judicial.
02:11Não se falou, pelo menos nessas entrevistas do Marco Rubio, em mudança de regime,
02:16não se falou em convocação de novas eleições,
02:19não se falou em outra coisa que não lidar com um ciclo razoavelmente curto
02:26daqueles que estão no poder e que, me parece,
02:30tem de lidar de maneira mais cooperativa com aquilo que, nesse momento, parece ser o interesse dos Estados Unidos.
02:38Eu assisti também, como nós todos aqui,
02:40à entrevista coletiva do presidente Trump na manhã de sábado na Costa Leste dos Estados Unidos.
02:45Uma das coisas, por exemplo, que ele disse, que me parece que pouca gente percebeu,
02:50é aquela ideia de que ele quer recuperar ativos americanos.
02:54Ao longo desse período extenso Chaves-Maduro,
03:00você teve expropriação de ativos de empresas americanas
03:04que trabalhavam no setor de energia da Venezuela.
03:07Foram forçados a entrar em acordos como sócios minoritários.
03:12Muitos desses casos acabaram indo a cortes de arbitragem.
03:16A única empresa americana que decidiu permanecer lá foi a Chevron.
03:20E, numa situação, mais uma vez, de sócio júnior,
03:23ela praticamente não fez novos investimentos,
03:26o que ajudou a contribuir para essa situação decrépita,
03:31hoje, da infraestrutura de produção de petróleo na Venezuela,
03:34o que é um absurdo.
03:35De vez em quando eu fico pensando, né?
03:37Supor que a gente entrasse numa máquina do tempo e voltasse 50 anos atrás.
03:40Tá certo? Nós estamos lá em 1976.
03:43Você junta 100 vencedores do Prêmio Nobel, 100 futurologos,
03:47e você diz o seguinte, olha, em 2026,
03:49um país terá um dos mais modernos aeroportos do mundo,
03:54uma das mais eficientes empresas aéreas do mundo,
03:57será um grande hub de logística internacional,
04:00terá um programa espacial,
04:02terá um mercado financeiro de última geração.
04:05Que país vai ser?
04:05Vai ser a Venezuela ou os Emirados Árabes Unidos?
04:08Eu tenho certeza que muita gente diria que esse hub seria a Venezuela,
04:11seria a Caracas e não os Emirados Árabes e Dubai.
04:15Então, muito disso se fez por conta de falta de investimento ao longo desses anos.
04:21Agora, se você pegar outros exemplos históricos de países sancionados,
04:25vamos ser realistas,
04:27as sanções têm operado de maneira muito pouco produtiva
04:31para mudanças significativas.
04:33Vejo o caso de Cuba desde 1959,
04:36vejo o caso do Irã em seguimento à Revolução Islâmica de 1979,
04:42vejo o caso da Rússia,
04:43que de certa forma foi sancionada depois da anexação da Crimea em 2014,
04:47e mais pesadamente depois do 24 de fevereiro de 2022,
04:51com o seu ingresso na Ucrânia.
04:54Então, me parece que sanções, elas ajudam,
04:58elas contribuem para o aumento das dificuldades econômicas,
05:03mas têm sido muito pouco eficientes
05:05na mudança de um status quo,
05:08que é indesejável aquele que está implementando,
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