Durante o evento do 8 de Janeiro, o ministro Ricardo Lewandowski afirmou que "o preço da liberdade é a eterna vigilância" e defendeu que crimes contra o Estado não merecem anistia. Nesta quinta-feira (08), Lewandowski também pediu exoneração do cargo alegando motivos "pessoais e familiares". Reportagem: Julia Fermino.
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00:00Falando em pessoas da política ou do direito, e agora pessoas do direito na política,
00:04quem falou sobre isso também foi o ministro Ricardo Lewandowski.
00:07Ele também deu a opinião dele sobre o veto presidencial do presidente Lula no mesmo evento.
00:12Júlia Fermino chegando agora no nosso 3 em 1 vai nos trazer aqui, nos pontuar o que é que foi,
00:18que disse o ministro da Justiça em Júlia. Bem-vinda.
00:24Oi, Koba. Boa tarde pra você, pra quem tá contigo no estúdio
00:27e pra quem nos acompanha aqui na programação da Jovem Pan.
00:30Hoje o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse justamente que não podem ser anistiados
00:36os crimes que foram cometidos no 8 de janeiro e também reforçou que a liberdade é condicionada a uma eterna vigilância.
00:45Nós temos inclusive um trecho dessa fala do ministro que a gente acompanha agora.
00:48E aqui é necessário ressaltar que os crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito
00:57são imprescritíveis, impassíveis de indulto, graça ou anistia,
01:05sobretudo quando envolvem grupos civis e militares armados.
01:08O preço da liberdade é a eterna vigilância.
01:15A solenidade de hoje, que vem sendo repetida todos os anos, tem justamente este propósito,
01:23o de recordar a todos que é preciso permanecer unidos e vigilantes em defesa de nossa liberdade
01:31a duras penas resgatada.
01:34Lewandowski destacou ainda, Koba, sem citar nomes, que os ataques às instituições
01:44não se tratam de crimes comuns, mas que são ações que atentam diretamente contra a ordem constitucional.
01:52Além disso, o ministro ainda disse que nos dias de hoje, golpes de Estado
01:57não são aqueles tradicionais contando com as forças armadas, mas que agora isso acontece de uma outra forma.
02:03Nas palavras dele, são tratadas medidas travestidas de missões nobres,
02:09mas o verdadeiro objetivo é minar as instituições.
02:13Além de tudo isso que ele disse nesse evento, Koba,
02:16hoje o ministro Lewandowski também apresentou uma carta ao presidente Lula pedindo exoneração do cargo.
02:23E nós temos aí uma arte para mostrar o que diz então essa carta do ministro.
02:28Nesse texto, Lewandowski diz que sirvo-me do presente para respeitosamente apresentar o meu pedido de exoneração
02:35do cargo de ministro de Estado, da Justiça e Segurança Pública por razões de caráter pessoal e familiar
02:42a partir do dia 9 de janeiro de 2026, ou seja, a partir de amanhã.
02:46Outro ponto que o ministro coloca é que ele tem convicção de que exerceu as atribuições do cargo com zelo, dignidade,
02:53exigindo de si e de seus colaboradores o melhor desempenho possível em prol dos administrados,
03:00consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passaram.
03:08Um último ponto que ele coloca também é agradecendo o permanente estímulo e apoio com que foi honrado
03:14ao longo desses quase dois anos à frente da pasta.
03:16Aproveito em sejo para reiterar a minha manifestação de elevado apreço e distinta consideração.
03:22Essa demissão, então, será publicada amanhã ainda no Diário Oficial.
03:27O ministro deixa o cargo em um momento, a gente lembra, em que o assunto Segurança Pública
03:32tem ganhado cada vez mais destaque, ainda mais agora com o período eleitoral em 2026.
03:37Ele assumiu o cargo ainda em fevereiro de 2024, depois de ter se aposentado do Supremo Tribunal Federal, o STF.
03:44E por hora, quem vai assumir, quem vai ficar no cargo do ex-ministro agora, Lewandowski,
03:48Lewandowski, que é o secretário-executivo do Ministério da Justiça.
03:53E, isso porque ainda não temos um nome para esse substituto, tá?
03:58É isso, Koba.
03:59Muito obrigado, viu, Júlia?
04:00Só para a gente fechar aqui, enquanto você falava, a gente ouviu aí umas trovejadas, trovões.
04:06Você está em que região de São Paulo e como é que está o tempo por aí?
04:08Está fechando, né?
04:12Está fechando, viu, Koba?
04:13Aqui a gente olha bem pertinho de onde nós estamos, região central aqui, perto da Avenida Paulista.
04:19A chuva não está muito forte, mas tem chovido com intensidade e, como você disse, o barulho é de trovoadas e raios,
04:28que a gente já veio aqui para esse local já sentindo, vendo os raios de longe e a chuva está engrossando, viu?
04:34Aí, muito obrigado, Júlia Fermina, falando ao vivo aqui de São Paulo.
04:38Você viu que time o nosso, nosso diretor de TV, o Kaique Negeba, já colocou ali a imagem da Avenida Paulista na hora, em cima do lance...
04:46Barcelona de 2011.
04:47É isso aí, o time joga junto, né?
04:49Joga junto, gira muito.
04:50Só tapa, isso mesmo.
04:52Ô, Gani, e o Lewandowski deixando a pasta como último ato, ele fazendo esse discurso aí?
04:57É, o Lewandowski foi um ministro que não deixou a sua marca no governo, ao contrário, né?
05:05E aí, quando eu falo da sua marca, né?
05:09É algo mais do ponto de vista de marketing, um grande projeto, um barulho, algo do tipo.
05:16Diferentemente do seu antecessor, né?
05:18Que foi o ministro Flávio Dino, esse sim, né?
05:22E aqui não estou entrando no mérito da marca deixada pelo Flávio Dino, mas era alguém que gerava muita notícia.
05:29O ministro Lewandowski sai do governo deixando a PEC da segurança.
05:35Foi um projeto que diz muito pouco sobre segurança pública, muito mais uma divisão se a polícia deve obedecer as regras do poder federal ou do poder estadual.
05:50Uma questão muito mais jurídica, Coba.
05:53E que, no final das contas, a PEC anti-crime organizado ficou para o derrite, né?
06:01E que era uma PEC do governo.
06:03Então, mostra que o ministro Lewandowski, enfim, ele vai sair, mas a sua cadeira vai ser ocupada por alguém e não é que saiu um craque do ministério.
06:18Vai entrar alguém ali no lugar dele e vai continuar o trabalho.
06:21E sua análise, hein, Kriegner, do mandato aí da gestão, dois anos do ministro Lewandowski à frente do Ministério da Justiça e Segurança, qual que é o legado e por que ele estaria saindo agora na reta final, no último ano?
06:32É, Coba, eu concordo com o que o Gani falou, faltou essa marca e essa entrega, né?
06:37Vamos dizer que a gente precisa lembrar que segurança pública nunca foi uma pauta forte do PT.
06:43nunca foi uma vitória que o PT conseguiu trazer e também nunca esteve tão presente nos discursos do presidente Lula.
06:52Aliás, quando esteve foi desastroso, né?
06:55Porque aí saem aquelas falas lá de roubar celular da cervejinha, assalto aqui, o vítima é o assaltante, essas coisas assim que só sai pérola.
07:05Acho que por isso, talvez a equipe que o próprio Perno aqui falou que tá mandando muito mal, falou pra ele, ó, para, não fala mais.
07:12Mas realmente nunca esteve tão presente esse discurso de segurança pública.
07:16Então, um ministro assim, ainda mais com viés ideológico que o próprio Lewandowski demonstra,
07:23a fidelidade partidária que ele demonstra desde a época do STF, realmente traz ali um vácuo, né?
07:31E é uma das prioridades, na verdade, saiu um estudo recente agora, ontem mesmo, que foi publicada a pesquisa,
07:37que 47,5% da população do Brasil, não é só de São Paulo, do Estado, aqui do Sudeste, não, do Brasil,
07:44reconhece que segurança pública é o principal problema a ser resolvido.
07:49Antes, no pleito de 2022, até antes, até em 2018, falava-se de educação, saúde, são os tradicionais.
07:57Esse ano estão falando. É segurança pública o grande problema.
08:00Agora, quando são 16 horas, 31 minutos, aquele rápido intervalo, pra você que está na nossa rede de rádios.
08:06Por aqui, seguimos com a análise e a opinião do Fábio Piperno.
08:09Piperno, agora se abre uma expectativa sobre quem será o ministro da Justiça e Segurança Pública.
08:16Alguns nomes já cotados aí. Andrei Rodrigues, que é do Polícia Federal, tem a linguagem policial, né?
08:21Carreira, enfim, poderia ser um dos escolhidos.
08:24Um outro nome aí, mais da confiança e menos da pasta, seria o Camilo Santana, que é outro que está sendo cotado também.
08:32Quem você acha que pode assumir essa pasta e com que critério escolherá o presidente?
08:38Bom, o delegado Andrei Rodrigues, que faz, aliás, um excepcional trabalho à frente da Polícia Federal,
08:43ele tem, como talvez grande obstáculo, o próprio Fogo Amigo, porque uma parte do parlamento
08:53sente-se extremamente incomodada aí com as muitas ações da Polícia Federal
08:59que tem como personagens, deputados e senadores, principalmente aqueles que, de alguma forma,
09:07são apontados aí como beneficiários do mau uso das emendas parlamentares.
09:12Então, ele teria essa dificuldade caso seja, de fato, o escolhido.
09:19Em relação aos demais nomes, a gente também tem que ver o que vai acontecer com o próprio Ministério,
09:26porque há gente do governo, há quadros do governo que defendem a divisão do Ministério
09:31entre Justiça e um outro de Segurança Pública.
09:35Fala-se, inclusive, no nome do Rodrigo Pacheco também.
09:37Fala-se, exatamente, do Pacheco, que, aliás, seria o nome, inclusive, da preferência do presidente da República.
09:43O ministro Lewandowski, ele herda uma pasta, né?
09:48Herda uma pasta, encarregada aí da Segurança Pública, que sempre foi, sim, um calcanhar de Aquiles
09:54dos governos de esquerda e, diga-se, de todo mundo que governou o Brasil até hoje,
09:59que sempre a Segurança Pública nos governos federais acabou sendo negligenciada.
10:05No primeiro ano do Moro, a criminalidade caiu em 20%, o assassinato caiu em 20% enquanto ele era ministro da Justiça
10:13e ele tomou uma medida de endurecimento nos presídios de segurança máxima.
10:18Perfeito.
10:19Sobre isso, tem praticamente todo ano o número de homicídios caem.
10:25Não, mas 20%, Piperno, não é uma queda de 5%, não é marginal, é 20%.
10:31E justamente num ano que ele endurece contra o crime organizado nos presídios de segurança máxima,
10:37colocando ali uma série de restrições, inclusive o crime organizado reagiu porque não gostou nada disso.
10:42E no outro ano ele ficou até abril e os vintos não foram mais os vintos.
10:46É, mas aí foi porque a briga política, a briga política, finalmente ele saiu.
10:51Era o mesmo governo, aí mudou.
10:53É, mas é pandemia também.
10:55É verdade.
10:56O fato é que os índices caem também porque mudou o modo desoperante do próprio crime.
11:02Ao crime organizado não interessa, mas, por exemplo, sair matando gente na rua, assalto a banco,
11:08as ações deles se concentram inclusive na economia formal.
11:12Em São Paulo o cenário é diferente.
11:13Em São Paulo você tem, por exemplo, uma queda profunda na questão de assaltos
11:18e um aumento na questão de homicídios.
11:20Esse é o cenário de segurança pública na cidade de São Paulo.
11:23Diminuiu o homicídio também aqui no estado de São Paulo.
11:25Diminuiu, mas ela não acompanhou a queda de assaltos e furtos que você tem registrado na cidade.
11:31Então, aí, Crignor, tem uma explicação.
11:34O de homicídios ele vai continuar caindo, ele tá em uma queda importante de ano pra ano,
11:39mas, em relação a alguns crimes, e você tem razão, no caso de furtos,
11:45no caso de furtos, por exemplo, tem a ver com um crime desorganizado.
11:49Essa não é mais o, enfim, o PCC, ele não quer saber de bater carteira, de roubar, enfim, de roubar celular.
11:56Mas ele quer saber de entrar na sua conta.
11:58Ou então de abrir um posto de gasolina e tal.
12:03Mas eu acho que o fato é que o ministro, pelo menos, ele deixa dois legados.
12:07O ministério dele foi quem concebeu a PEC da segurança.
12:11Tá sendo discutida, vai acabar sendo modificada, é verdade, mas tá lá, a discussão tá lá.
12:16E o PL, antifacção.
12:19Ô, Gani, agora eu quero entender o seguinte.
12:21Rodrigo Pacheco, que era o presidente do Senado, pode ser ministro do Lula no último ano,
12:27um ano que não tem aquela popularidade toda.
12:30O presidente Lula fica sempre ali no meio a meio.
12:32A gente vê os resultados de aprovação, desaprovação, se parecem muito com o resultado das últimas eleições.
12:38A gente trouxe aqui nos últimos dias também.
12:40Ele estaria abrindo mão de concorrer ao governo de Minas Gerais,
12:44já que qualquer que seja o ministro a ser escolhido, em março, abril, tem que sair
12:48pra descompatibilizar e disputar qualquer tipo de cargo.
12:52Como é que você vê?
12:53Bom, primeiro, eu acredito que a entrada do Rodrigo Pacheco no lugar do Lewandowski
12:58seria basicamente trocar seis por meia dúzia.
13:01É o mesmo perfil, um perfil mais jurídico e menos de segurança pública.
13:07Segundo, talvez, o Rodrigo Pacheco esteja fazendo o seguinte cálculo.
13:11Olha, eu vou assumir o ministério apostando na reeleição do Lula ou de outro candidato do PT,
13:18provavelmente vai ser o Lula mesmo,
13:20e caso o PT ganhe novamente, o Rodrigo Pacheco ficaria neste ministério
13:27num eventual segundo mandato do Lula.
13:29E na fila, e de uma maneira mais próxima do presidente, pra ganhar confiança,
13:34de uma vaga no Supremo também, lembrando que ele foi cotadíssimo aí pra vaga
13:39que agora está sendo ali analisada no Senado do Jorge Messias, né?
13:44Você acha que também é uma estratégia do Pacheco, de estar perto do presidente,
13:48demonstrar pra ele confiança, enfim, entrar no ciclo ali do Lula pra ser um próximo indicado,
13:55ou, Krigner, é uma aposta?
13:56Com certeza, com certeza, eu creio que esse é o objetivo a longo prazo que ele mais deseja,
14:01mais até do que o próprio governo do Estado,
14:03até porque a gente precisa considerar uma movimentação que foi muito estratégica.
14:08O atual vice-governador do Estado de Minas Gerais, que é o Matheus Simões,
14:12que pertencia também ao Partido Novo, que é o mesmo partido do atual governador,
14:17Romeu Zema, foi pro PSD, que é o partido de Rodrigo Pacheco,
14:22ou seja, ele vai ser candidato pelo PSD, tendo a palavra aí do time,
14:27e ele é o atual vice-governador, e isso deixa o Rodrigo Pacheco com muito pouco espaço,
14:32porque o Rodrigo Pacheco, apesar de ser da centro-esquerda,
14:35não é alguém reconhecido pela militância do PT como um petista puro-sangue,
14:41que poderia concorrer e representar o partido.
14:43Então, por qual partido ele sairia candidato?
14:46Essa conta realmente não fecha pra ele, eu acho que o foco mesmo é o STF.
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