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O presidente Donald Trump afirmou que "ninguém é páreo" para os Estados Unidos após a captura e prisão de Nicolás Maduro. Apesar da demonstração de força, o republicano negou que o país esteja em guerra com a Venezuela. Reportagem: Fabrizio Neitzke.

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Transcrição
00:00Muito bem, a gente segue falando ainda de assuntos internacionais, porque em discurso dirigido a deputados do Partido Republicano,
00:06hoje Donald Trump exaltou a força militar dos Estados Unidos e disse que nenhuma outra nação é páreo.
00:12Fabrício Nights, que é nosso editor de internacional, já conosco aqui nos nossos estúdios. Bem-vindo, Fabrício.
00:17Você também não para, hein, meu amigo Fabrício? Tá com tudo aqui na nossa programação, repercutindo tudo que tá acontecendo lá fora, inclusive isso, Fabrício.
00:24Bob, eu apareço, né, Coba? Boa tarde pra você, boa tarde a todos que acompanham o 3 em 1.
00:29Presidente Donald Trump conversou com esses deputados democratas hoje, um discurso, mas um discurso forte, bastante enfático de Donald Trump,
00:36onde ele até destacou a importância das midterms desse ano, onde parte do legislativo norte-americano será renovado, conforme indica a lei eleitoral.
00:47E ele disse até o seguinte, que se a gente não vencer essas eleições legislativas, eu vou ser empichado.
00:54Palavras de Donald Trump.
00:56Bom, independentemente de um partido ter maioria no Congresso, o impeachment, ele passa também, né, Coba, por um...
01:02Ele precisa de uma razão legal, né, não adianta só...
01:04De um fato.
01:05É, tem que ter um fato.
01:06Então, se Donald Trump tá dizendo isso, é porque ele deve sentir ali que alguma coisa tem por trás pra gerar esse caso.
01:12Mas, voltando a falar sobre Venezuela, esse foi, claro, um dos temas que o presidente norte-americano destacou,
01:19em meio a várias declarações polêmicas que têm repercutido nos últimos dias, por exemplo, sobre a necessidade de anexação da Groenlândia
01:29por contra a segurança nacional, tal qual a Venezuela, sobre a governabilidade, a administração, melhor dizendo, da Venezuela.
01:38Ontem, ele conversou com a rede NBC, disse que é ele quem está em cá, a cargo da Venezuela, neste momento.
01:44E aí, a gente separou um trecho onde o presidente dos Estados Unidos fala também sobre o país sul-americano pra trazer aqui.
01:54Foi uma façanha militar incrível que aconteceu ontem.
01:57Uma façanha militar incrível.
01:59As pessoas estavam agradecendo.
02:01Sabe, as pessoas estão dizendo que foi uma das mais incríveis, foi tão complexo, 152 aviões, muitos soldados em terra, muitos soldados em terra, amigo.
02:12Foi incrível.
02:13Ninguém morreu.
02:14E, do outro lado, muitas pessoas morreram.
02:17Infelizmente, soldados cubanos.
02:19A maioria cubanos.
02:20Muitos, muitos mortos.
02:23Eles sabiam que estávamos chegando.
02:25E estávamos protegidos.
02:26Nossos soldados não estavam, coitados.
02:29Pularam dos helicópteros.
02:30Eles não estavam protegidos, mas foi brilhante.
02:34A eletricidade de quase todo o país foi cortada.
02:36Foi quando eles perceberam que havia um problema.
02:39Sem eletricidade.
02:40As únicas pessoas com luz eram aquelas que tinham velas, o que é difícil.
02:45Então, eles foram pegos de surpresa.
02:47Mas foi brilhante, na verdade.
02:48E, estrategicamente, foi algo incrível.
02:51Quando o Donald Trump disse que os soldados norte-americanos não estavam seguros ali,
02:56é uma pequena contradição.
02:59Porque, no caso, no sábado, no discurso em Mar-a-Lago, na entrevista coletiva após a captura de Nicolás Maduro,
03:05ele detalhou um pouquinho, ele e também, líderes das Forças Armadas norte-americanas,
03:10detalharam um pouco de como foi essa operação, sem entrar, claro, muito em detalhes,
03:15para não entregar ali o caminho das pedras do exército norte-americano.
03:20Mas eles disseram que havia reforço, que havia todo um operacional,
03:24mas que, de fato, era uma operação delicada, por vários motivos.
03:28Primeiro, a possibilidade de encontrar resistência no caminho.
03:31Segundo, a geografia acidentada da Venezuela, que envolve a capital Caracas, cercada por montanhas.
03:38Então, a entrada aérea, com helicópteros ali, não é exatamente muito fácil de ser realizada,
03:45sem que haja algum tipo de contra-ataque, algum tipo de manifestação da defesa venezuelana.
03:51Ainda assim, os soldados norte-americanos conseguiram capturar Nicolás Maduro e sair da Venezuela,
03:57sem que um soldado, um militar norte-americano, ficasse nem mesmo ferido.
04:01Ou seja, desse aspecto, foi, de fato, um sucesso para os Estados Unidos.
04:06Essa operação, conseguir retirar Nicolás Maduro, extrair, como eles têm dito, sem que houvesse perda de vidas.
04:12Donald Trump também mencionou a questão de armamentos envolvendo os Estados Unidos e o seu exército.
04:18Outro trecho que a gente separou aqui.
04:21Ninguém conseguiria fazer isso. Ninguém tem as armas.
04:24Ninguém tem nossas armas. Ninguém tem a qualidade das nossas armas.
04:29O problema é que não produzimos rápido o suficiente.
04:31Vamos começar a produzir muito mais rápido e seremos muito rigorosos com as empresas.
04:37Temos as melhores armas do mundo, mas leva muito tempo para consegui-las, inclusive nossos aliados.
04:43Quando os aliados querem comprar, eles têm que esperar quatro anos por um avião, cinco anos por um helicóptero.
04:49Não vamos mais deixar isso acontecer.
04:51Que os Estados Unidos têm armas fortes, potentes, todo mundo sabe.
04:58E eles não precisam das armas mais avançadas do planeta para superar a defesa venezuelana.
05:03Esse recado não é para a Venezuela, não é para nenhum país aqui da América Latina.
05:09Esse recado é para outras potências mundiais, por exemplo, a Rússia e a China.
05:14Ano passado, a China fez um grande desfile militar ali, mais ou menos na metade do ano, aproximadamente.
05:21Me fugiu agora o mês, mas que Xi Jinping comemorou com a presença de vários líderes estrangeiros,
05:28incluindo Kim Jong-un da Coreia do Norte, incluindo Vladimir Putin da Rússia, Narendra Modi, da Índia.
05:35E nesse desfile ficou muito claro que a China é um país que tem aumentado muito essa capacidade militar,
05:42com a construção de novos mísseis, incluindo produtos nucleares no exército chinês,
05:49que segundo especialistas, fontes ligadas ao Pentágono, deixou muita gente do governo norte-americano de cabelo em pé.
05:57Porque a China tem construído um arsenal muito forte, não é de hoje que Donald Trump fala isso.
06:02Não à toa, ele autorizou que os Estados Unidos retomem os testes com armas nucleares,
06:07isso há aproximadamente dois meses, três meses, afirmando que a China correu atrás e ainda tem uma certa distância,
06:15mas já se aproximou muito dos Estados Unidos e principalmente da Rússia,
06:19que até então era vista como a segunda mais forte potência militar do mundo.
06:24Hoje em dia já tem um equilíbrio maior.
06:26Mas há um recado de que os Estados Unidos estão preparados,
06:29e como disse o secretário de defesa, Pete Hegseth, lá no sábado ainda,
06:33Coba, o braço longo da justiça norte-americana está preparado para ir onde for preciso
06:40e quando quiser, sem medo algum de qualquer adversário.
06:44Tá aí. Muito obrigado, Fabrizio Knight, que está trazendo todas essas informações.
06:47Meu amigo, a gente se vê a qualquer momento na nossa programação.
06:49Com certeza.
06:50É isso?
06:50É isso.
06:51Deixa eu chamar aqui o senhor Fábio Piperno,
06:52esse recado aí do Donald Trump para o mundo, para não só o povo da América Latina,
06:59para essas outras potências, como nos trouxe aqui o Fabrizio, né?
07:02Falando do poderio bélico americano, ninguém tem as armas que eles têm,
07:06ninguém tem o poder que eles têm.
07:08E agora, além disso, ele vai aumentar ainda a produção, a velocidade da produção.
07:14Para quem está falando o Donald Trump?
07:17É para a China mesmo ou para algum outro?
07:19Bom, primeiro, ele tem que combinar tudo isso com os russos, mas também com os chineses, com os europeus.
07:25É claro que ele fala para o público interno e ele fala também para uma plateia com um claro objetivo intimidatório.
07:34Ou seja, eu sou o xerife, nós hoje vamos impor a nossa vantagem, vamos fazer o que a gente bem entende.
07:39Então, veja, quando se fala em invadir, por exemplo, a Groenlândia,
07:45é como se alguém, como se um americano chegasse e falasse assim, olha, eu vou tomar Paris.
07:51Porque, veja, a Groenlândia pertence à Dinamarca, que é um país da União Europeia e também da OTAN,
07:58o bloco militar do qual os Estados Unidos fazem parte.
08:02É como se o Brasil, por exemplo, falasse, puxa vida, eu vou invadir Assunciono.
08:06Não, mas você não pode fazer isso.
08:07Uai, eu quero.
08:08Não, mas, enfim, o Paraguai é do, enfim, é do Mercosul também.
08:11Dane-se, eu tenho interesses lá, tá cheio de brasiguaio e eles são maltratados, né?
08:17Não, vem o caso, mas, enfim, hipoteticamente alguém poderia fazer esse tipo de alegação.
08:22O mundo não pode ser assim.
08:24Por mais que o multilateralismo não esteja em grande fase,
08:30é necessário que exista algum tipo de regramento.
08:33exatamente pra impedir esse, é, ao Deus dará.
08:40Ou se não, aí a gente volta às outras questões.
08:45Da Rússia com a Ucrânia e da China com Taiwan.
08:48Ou seja, a Rússia vai fazer o que bem entende na Ucrânia e a China com Taiwan.
08:53Alangani.
08:55Olha só, né, pegando aí um gancho no que o Piperno falou,
08:58uma invasão da Groenlândia seria absolutamente injustificável.
09:03Agora, eu só tenho minhas dúvidas se seria, de fato, o fim da OTAN.
09:09E por que que eu toco neste ponto, Koba?
09:11Pelo seguinte, a Europa, desde a invasão do Iraque,
09:16aliás, a invasão do Iraque foi a última vez que países europeus
09:21se opuseram aos Estados Unidos.
09:23Condenaram, com exceção da Inglaterra,
09:25condenaram a invasão do Iraque porque não havia motivos suficientes.
09:31Não havia arma de destruição em massa, né,
09:33o relatório da ONU apontava isso,
09:36e depois veio a público que o relatório da CIA era mentiroso
09:40e não houve essa, em nenhum momento, armas de destruição em massa.
09:44Muito bem, mas esse foi o argumento para invadir o Iraque
09:46e tirar ele do poder, Saddam Hussein.
09:48Ali a Europa foi contra.
09:49A partir daquele momento, a Europa baixou a cabeça
09:54para todas as decisões norte-americanas.
09:57Mesmo aquelas decisões que prejudicariam mais os europeus
10:02do que os Estados Unidos.
10:03Por exemplo, endossaram fortemente a guerra por procuração
10:07e escalaram essa guerra, né, botaram fogo nessa guerra
10:12e não fizeram nada para evitar entre Rússia e Ucrânia.
10:15Em nenhum momento fizeram nada para evitar.
10:17Sendo que eles seriam os maiores prejudicados,
10:20muito mais do que os Estados Unidos.
10:22Por quê?
10:23Bom, primeiro porque a Rússia está ali.
10:24Segundo ponto, por conta do gás natural.
10:28Quem viu o preço da energia disparar não foram os americanos,
10:31e sim os europeus.
10:33Novamente, lideranças europeias endossando que os Estados Unidos, né,
10:38a ação norte-americana na Venezuela, com exceção da Marina Le Pen,
10:43mas ela não é governo.
10:45Então, eu tenho até minhas dúvidas.
10:47Aliás, outro ponto.
10:49Tarifaço.
10:49Quem fez o pior acordo com os Estados Unidos foi a Europa,
10:53que aceitou de cabeça baixa as tarifas protecionistas contra os europeus.
10:58Os demais países falaram não, brigaram.
11:00A Índia falou não.
11:01A Índia falou, eu vou continuar comprando o petróleo da Rússia.
11:04A gente está falando de um país aliado histórico dos Estados Unidos.
11:07E falou não.
11:08A China dobrou a porta.
11:10O Brasil falou não, negociou também.
11:12Então, veja, eu tenho minhas dúvidas se daqui a pouco,
11:17se invadirem a Groenlândia, sob qualquer pretexto,
11:20os europeus vão falar, não, está certo, viu, Piperno?
11:23A Groenlândia é sua mesmo, pode levar.
11:25O Acasso Miranda, eu quero também a sua análise,
11:28diante dessa linha do tempo, desse histórico trazido aí pelo Alan Gani,
11:32da relevância da Europa, da União Europeia, dos líderes europeus,
11:37em relação a todos esses conflitos mundiais.
11:39O Gani bem disse, a Europa não faz jus ao tamanho que já teve historicamente.
11:49Para que eu não diga que está sendo irrelevante neste contexto todo.
11:54Se nós olharmos, nas últimas décadas eles se uniram em bloco,
11:59é um bloco que, a rigor, numa análise fria,
12:02tem relevância política e tem relevância econômica.
12:06Contudo, as próprias dificuldades internas, as dificuldades políticas
12:14e, nos últimos anos, o processo de polarização
12:17contribuiu para que a União Europeia fosse um fragmento de países.
12:23E quando nós olhamos para esse fragmento de países
12:26que vai perdendo relevância econômica,
12:29é, obviamente, que sob o prisma geopolítico,
12:33eles acabam enfraquecidos.
12:36Eu vou dar um exemplo, que é o acordo Mercosul-União Europeia.
12:42Nós temos quase todos os países da União Europeia
12:46querendo a assinatura desse acordo,
12:48com exceção da França, da Espanha e da Polônia,
12:52porque querem manter um protecionismo
12:55em relação, especialmente, ao agronegócio brasileiro.
12:59E a atuação destes três países, em detrimento aos demais,
13:04inviabiliza esse tipo de acordo.
13:06Agora, se eles precisarem se unir
13:10para defender o seu território
13:12ou defender o território de algum país
13:15vinculado à União Europeia,
13:18estas mesmas razões políticas
13:20muito provavelmente vão inviabilizar essa ação.
13:25E eu vou dar para terminar um exemplo prático.
13:27A própria Ucrânia.
13:29Se a União Europeia tivesse toda a musculatura que já teve,
13:33se os principais países da Europa
13:35tivessem a relevância que já tiveram,
13:38a Rússia não teria tido toda essa facilidade
13:41para atacar a Ucrânia
13:43e a Rússia não teria,
13:45ao final de alguns anos de batalha,
13:47alcançado o seu objetivo.
13:49Porque hoje, quando nós olhamos para a situação da Ucrânia,
13:53nós não falamos mais se a Rússia vai alcançar o seu objetivo.
13:57O que nós falamos é
13:58quando a Rússia vai alcançar o seu objetivo.
14:03E repito, muito por conta da fragilidade,
14:07da fragmentação da União Europeia.
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