Na retrospectiva de 2025, a palavra que marcou o ano foi emenda. O governo federal pagou mais de R$ 31 bilhões em emendas impositivas e discricionárias ao longo do ano. O Congresso ainda espera receber mais de R$ 61 bilhões, mantendo o tema no centro do debate político e fiscal. Igor Damasceno traz os dados e a análise no Jornal Jovem Pan.
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00:00Bom, mas eu quero voltar para o telão, que a gente estava falando com o Igor Damasceno sobre as emendas parlamentares.
00:07Tinha dado um probleminha, Igor, já vejo ele aqui de novo na sua entrada ao vivo.
00:10Agora então a gente retoma.
00:12Quer dizer que no ano passado foram mais de 31 bilhões pagos em emendas só pelo governo federal, é isso mesmo?
00:19Exatamente, Bia. 31 bilhões 500 milhões de reais pagos pelo governo federal em emendas parlamentares é o maior valor da história.
00:33Nunca antes o Palácio do Planalto pagou tanto dinheiro destinado a emendas parlamentares.
00:39As emendas, tanto as impositivas, que são aquelas obrigatórias, aquele que o governo já estava previsto para pagar e tem que pagar,
00:47quanto as discricionárias, cujo gasto é não obrigatório.
00:51Mas as emendas parlamentares são um recurso a qual os deputados e senadores indicam ao governo federal
00:58uma parte do dinheiro público destinada a projetos sociais ou obras públicas nas cidades, principalmente nos redutos eleitorais.
01:07Por exemplo, um deputado lá do interior da Bahia vai indicar ao Palácio do Planalto o asfaltamento em uma determinada cidade.
01:16E para isso ele precisa do dinheiro público.
01:19As emendas servem exatamente para essa situação.
01:22E o governo federal pagou mais de 31 bilhões e 500 milhões de reais em emendas parlamentares no ano passado.
01:30Alguns críticos, eles afirmam que essa fatia maior, essa participação maior do Congresso Nacional no orçamento público
01:39é bastante prejudicial e aponta que o Congresso cada vez mais tem participação nas decisões do Palácio do Planalto.
01:48As emendas parlamentares, elas estão no centro ali de uma discussão que envolve os três poderes brasileiros.
01:54Em relação ao poder legislativo, as emendas são utilizadas no reduto eleitoral justamente para que deputados e senadores consigam ali ganhar mais capital político.
02:04Aqui no Palácio do Planalto, representando o poder executivo, as emendas, elas também são utilizadas como uma forma de barganhar,
02:13de conseguir alguma negociação com o Congresso em pautas consideradas muito importantes para o governo.
02:18E no STF, representando o poder judiciário, a polêmica em torno das emendas parlamentares é em torno da transparência.
02:26Muitas vezes, quando o senador ou o deputado destina, então, o recurso, aí se perde.
02:32Não sabemos se, de fato, esse dinheiro foi aplicado para aquele devido fim apontado pelo parlamentar.
02:38Então, é um assunto polêmico que envolve os três poderes brasileiros.
02:42E olha, quando a gente fala que o governo pagou quase 32 bilhões de reais em emendas,
02:47na verdade, estava previsto para gastar algo em torno de 47 bilhões.
02:53Sobraram ali 14 bilhões e pouquinho.
02:56E esse dinheiro ainda pode ser pago no resta a pagar.
03:00Quando não dá tempo de pagar toda a emenda no ano, então, o dinheiro excedente, o que faltou ser pago, pode ser fatiado nos demais anos.
03:08Então, esse valor pago em 2025 pode ficar ainda mais alto, viu, Bia?
03:14Pois é, a gente monitora daqui esses valores, então.
03:17E para ano que vem, já vi que a expectativa, então, está acima dos 60 bilhões.
03:22Muito dinheiro também, né, Igor?
03:23Obrigada pelas suas informações.
03:25Aproveito para chamar a Dora Cramer de volta.
03:28Dora, esse número mesmo que me chamou a atenção.
03:31Então, quase o dobro de emendas já esperadas pelos parlamentares agora em 2026.
03:37Pois é, Bia, você vê como é, né?
03:40O presidente Lula ontem voltou a falar que considera um erro histórico esse volume de emendas nas mãos dos parlamentares.
03:50Ele já havia tido isso, acho que há umas duas semanas agora.
03:55A questão é que ele não dá um passo, não usa nada da habilidade política dele para tentar mudar essa situação.
04:02Isso vai ficar, já está na mão do ministro Cláudio Dino e agora vai ficar na mão do colegiado do Supremo.
04:08Porque a gente tem já marcado, eu acho que é para marco, o julgamento de três casos de deputados acusados de desvio do dinheiro dessas emendas.
04:20E a partir daí vai se puxar um fio da meada que vai questionar até a constitucionalidade das emendas impositivas.
04:32Então, esse assunto vai ser super quente logo no primeiro semestre.
04:37Mas eu queria também, Bia, falar sobre essa questão dos governadores, né?
04:44E essa questão que o Bruno traz sobre a corrida dos governadores para o Senado.
04:49Isso sempre foi muito comum.
04:52Tanto é que se a gente olhar a composição do Senado, ela sempre foi com muita presença de ex-governadores.
05:01Até por isso que o Senado é considerado uma casa de mais experiência, maior ponderação.
05:07Agora, esse ano não vai ser diferente.
05:10Mas a disputa vai estar mais difícil para os governadores.
05:15Antes era quase que uma vaga garantida.
05:19Agora não, porque o Senado virou um foco de atenção.
05:25Tanto da direita quanto da esquerda.
05:27Então, vai ter muita gente fora esse plantel, esse cardápio de governadores,
05:34de olho numa vaga neste espaço, neste ambiente,
05:39que o saudosíssimo Darcy Ribeiro dizia que é melhor que ir para o paraíso,
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