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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma carta da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, reafirmando o compromisso da União Europeia de assinar, em janeiro de 2026, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o bloco europeu. Segundo os líderes, a formalização não ocorreu durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu, neste sábado (20), devido à conclusão pendente de procedimentos internos do Conselho Europeu, mas o compromisso político com o acordo foi mantido.

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Transcrição
00:00O encontro do Mercosul nesse sábado, em Foz do Iguaçu, foi marcado pelas reclamações do presidente Lula
00:06sobre o acordo com a União Europeia, adiado para janeiro.
00:09Sobre esse assunto, recebemos aqui o economista Gilberto Braga, professor do IBMEC do Rio de Janeiro.
00:15Sempre uma honra te receber aqui na Jovem Pan, professor. Tudo bem? Como vai? Boa noite.
00:20Boa noite, Tiago, e a todos.
00:23Bom, professor, é claro que o senhor se lembra de quando o Mercosul surgiu, né?
00:28E, de qualquer forma, eu já começo perguntando para o senhor o seguinte,
00:31qual é a relevância desse bloco hoje, apesar de todas as diferenças políticas,
00:37mas a relevância econômica e vislumbrando essa possibilidade de acordo com a União Europeia,
00:43também apesar de todas as divergências, professor?
00:47Olha, na verdade, o que se discute hoje é que o grande invalo, a grande motivação para que o acordo
00:55finalmente saia depois de 26 anos de negociação, é o fato de você poder defender, diminuir a dependência
01:03que hoje a Europa tem, a União Europeia da China, e poder ter uma alternativa a essa guerra comercial
01:13que se instaurou no mundo após esse segundo mandato de Donald Trump.
01:18Então, na prática, é um resgate e afirmação do multilateralismo contra essa predominância
01:26e aquela ordem econômica que vinha, de certa maneira, acomodada dentro de um establishment
01:33que agora foi rompido e que precisa ser redefinido.
01:38Então, em termos práticos, o acordo é uma saída comercial,
01:43tanto para que a União Europeia possa incrementar as suas vendas para o Mercosul e vice-versa
01:49e, de alguma maneira, criar uma grande variação em relação à dependência que hoje se tem da China.
01:57Ou seja, os dois países que dominam o comércio internacional, China e Estados Unidos,
02:04poderão, de alguma maneira, sofrer um pouco,
02:07se esse acordo finalmente sair e começar a ser implementado.
02:13Professor, a pergunta agora é de João Beluti, nosso comentarista.
02:16João?
02:18Professor, o que é possível dizer que foram os principais ganhos para os países do Mercosul
02:22desde a criação desse bloco?
02:25E quais seriam os principais potenciais ganhos desse acordo Mercosul-União Europeia?
02:31Na verdade, o que nós temos é que já existe hoje uma relação quase que equilibrada
02:39de vendas de um bloco para o outro.
02:42Então, existe um foco, a meu ver, um pouco deslocado em cima da questão agrícola,
02:50porque, na prática, o agro é apenas uma das pautas de relacionamento de vendas do Mercosul para a União Europeia,
02:59mas nós vendemos máquinas, vendemos equipamentos e, de alguma forma,
03:05trazemos lá da Europa para cá veículos, trazemos tecnologia,
03:09trazemos uma série de produtos que são importantes para a complementação das economias do Mercosul.
03:17Então, é uma relação que tem bastante ganho para os dois lados
03:23e, muito pouco, áreas de superposição,
03:28embora a gente saiba que, de maneira pontual,
03:31possa haver uma ou outra questão, como a questão da agricultura na França e na Itália.
03:37Professor, num eventual acordo fechado nesse Mercosul e a União Europeia,
03:42quem mais ganha? O bloco do Cone Sul ou o bloco europeu?
03:48Eu acho que é uma operação ganha-ganha.
03:52Não tem alguém que ganha ou alguém que perde.
03:55Os dois blocos vão ganhar em igualdade de condições.
04:00Hoje, a relação de troca entre esses dois blocos é relativamente parelha,
04:06ou seja, não existe uma diferença muito grande, ano a ano,
04:12em favor de um decremento do outro e que o que existe hoje é uma questão
04:19muito mais de sensibilidade política do que econômica.
04:23Ou seja, o acordo, neste momento, do ponto de vista econômico,
04:28é com o senso de que ele é importante para os 27 membros do bloco
04:35que formam a União Europeia e para as nações do Mercosul,
04:40principalmente as de maior destaque, que seriam Brasil, Uruguai, Paraguai e Argentina,
04:46sendo que nós ainda podemos discutir alguns efeitos periféricos
04:51e isso não avança, apesar do consenso econômico,
04:56uma questão interna, principalmente de natureza política na França
05:01e na Itália, com menor grau de importância.
05:06João?
05:08É possível dizer que a estrutura da União Europeia,
05:12hoje, ela tem servido como um dificultador,
05:15na medida em que é uma instância burocrática a mais,
05:17já que você precisa ratificar na União Europeia
05:19e depois ratificar em cada parlamento.
05:22Hoje, ela estaria funcionando como uma espécie de burocracia excessiva?
05:25Na verdade, o que a União Europeia determina no seu módulo operando,
05:33ou seja, dentro da sua maneira de funcionar,
05:36é que você precisa de uma aprovação de uma maioria qualificada.
05:40Isso significa 65% de aprovação dos seus membros,
05:44o que significa que 15 países dos 27 precisam aprovar e assinar o acordo,
05:52ou seja, além da aprovação no bloco,
05:55depois isso tem que passar internamente dentro dos seus parlamentos individuais.
06:01Mas essa questão dos parlamentos individuais,
06:04depois que existe a aprovação qualificada dentro do fórum global,
06:10ela é meramente protocolar.
06:11Então, se acredita que, havendo a aprovação geral,
06:15isso vai passar dentro de cada um dos países membros.
06:19É uma burocracia, está dentro do escopo.
06:24O Brasil, ele, de alguma forma, se sentiu, eu diria, frustrado,
06:29porque entrega agora a presidência para o Paraguai,
06:33e ele pretendia que o acordo fosse fechado ainda em dezembro,
06:38nesse encontro que ocorre em Foz do Iguaçu,
06:41para coroar esse semestre de presidência brasileira.
06:45Então, como a gente sabe, no Iguaçu, a presidência é rotativa e semestral,
06:52então vai demorar para o Brasil voltar a presidir,
06:54e muito provavelmente, se sair agora em janeiro,
06:57como tudo indica, em função desse adiamento,
07:00vai ser na presidência do Paraguai.
07:03Professor Gilberto, o senhor me permite mudar um pouco de assunto,
07:05falar um pouco sobre a economia brasileira,
07:07e as perspectivas já para 2026.
07:09Tivemos, nessa sexta-feira, aprovação do orçamento,
07:14e toda a preocupação em relação ao governo com as contas públicas.
07:18O senhor é especialista em contas públicas também,
07:20sobre inflação também, a gente fala muito aqui,
07:22preocupação com os juros.
07:24Para 2026, quais devem ser as dificuldades que o governo vai ter
07:28para cumprir metas fiscais, o próprio arcabouço,
07:32e apesar da inflação, o senhor pode falar melhor,
07:35estando domada ou não, para o Brasil começar a pensar na redução dos juros?
07:42Bom, vamos por partes, né, Tiago?
07:45Então, nós temos um 2026 que promete,
07:49precisamos sempre contextualizar que é um ano eleitoral,
07:53porque é um ano de forte pressão de gastos,
07:56e o orçamento que foi aprovado,
07:58ele é um orçamento que, de alguma maneira,
08:00ele traz, na minha visão, duas características que se destacam.
08:06A primeira delas é que vai precisar de recursos extras,
08:10e esses recursos não estão bem definidos.
08:13Então, é um orçamento que joga com aumento de arrecadação
08:17dentro de um momento em que você tem parte de uma reforma tributária
08:23sendo implementada, sem ainda uma perspectiva completamente clara
08:30de como é que isso tudo vai funcionar.
08:33A outra questão é que, do ponto de vista da contabilidade,
08:37você tem uma contabilidade supostamente organizada,
08:41equilibrada entre receitas e despesas,
08:44na medida em que uma parte das despesas
08:46ficam fora desse arcabouço fiscal.
08:49Então, nesse sentido, é um equilíbrio tênue,
08:55o que mostra que, ano a ano, o governo tem cumprido a meta
08:59através de uma grande ginástica contábil, por assim dizer,
09:03e 2026 não vai ser diferente.
09:07Não obstante, dentro desse cenário de bastante despesas,
09:13gastos públicos crescentes,
09:14de um governo que efetivamente tem uma orientação de incrementar despesas
09:24e que é pouco afeto,
09:28não tem muito carinho em querer controlar e equilibrar o seu orçamento,
09:34então ele quer gastar e faz de alguma forma criativa
09:38geração de receitas para fechar as contas.
09:41O que a gente pode dizer é que a manutenção de taxas de juros elevadas
09:46ela se torna, dentro do manual da economia que se conhece,
09:51que é dentro do liberalismo praticado no Brasil,
09:55a única receita possível.
09:57Então, apesar disso, já com esses meses recentes de taxa de juros
10:03a 15% na Selic, que tendencia para o resto do mercado privado
10:08taxas de juros ainda mais elevadas,
10:11a gente já percebe uma queda na inflação.
10:15Então, a inflação ela tende a ser decrescente,
10:18nós deveremos ter um PIB mais magro, um PIB menor,
10:22então o que a gente espera é uma inflação
10:24que tende a ficar cada vez mais próximo de 2%,
10:29tendendo em 2027 apenas ir para o centro da meta,
10:35e nesse sentido que nós temos,
10:40desculpa, a inflação vai cair para perto de 3%,
10:43e não para 2%,
10:45e a tendência é que o 2,5% a gente só atinja daqui a algum tempo.
10:50O que nós estamos vendo nesse momento
10:52é que, muito provavelmente, a partir de março,
10:56ou seja, da segunda reunião do Comitê de Política Monetária,
11:00nós poderemos ter o início do ciclo de baixa
11:03da taxa Selic em 2026.
11:06Então, ela deve cair 2 pontos percentuais.
11:10Então, significa que ela vai para 13%,
11:12e se o cenário permitir,
11:14ela pode cair para 2,5%,
11:1612,5% e num cenário muito otimista para 12%.
11:20Entretanto, uma taxa de juros no melhor cenário de 12%,
11:25uma taxa básica, ainda é muito elevada
11:28para um país que já teve taxas de 2,5%,
11:31de 3%,
11:32abaixo de 5% ao ano.
11:35Professor Gilberto Braga, do IBMEC, do Rio de Janeiro,
11:39como sempre, muito obrigado por atender a Jovem Pan.
11:41Boas festas ao senhor, volte sempre.
11:44Grande abraço.
11:45Um abraço a todos.
11:47Muito obrigado.
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