Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Item essencial na mesa do brasileiro, o arroz enfrenta um cenário desafiador na safra 2025/26. Segundo dados da Conab, a produção nacional deve recuar 12,4%, totalizando cerca de 11,2 milhões de toneladas. Para analisar as condições de mercado que explicam essa queda, a pressão sobre os preços e os impactos na área plantada, o Hora H do Agro conversa com Andressa Silva, diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, que avalia as perspectivas do setor e os caminhos para garantir a sustentabilidade da produção em 2026.

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#HoraHDoAgro

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Agora a gente vai falar sobre um item essencial na mesa do brasileiro, que é o arroz.
00:06Deve ter safra, a safra brasileira de arroz 25, 26, aí a gente tá falando que tá em torno de 12,4% inferior a menos no comparativo com o ano passado.
00:18São esperadas 11 milhões e 200 mil toneladas, foi o que apontou o terceiro levantamento de safra de grãos da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento.
00:28Para analisar as perspectivas da produção de arroz para 2026, nós vamos conversar agora com a Andressa Silva, que é diretora executiva da Associação Brasileira da Indústria do Arroz, Sabe Arroz.
00:39Bem-vinda ao Hora H do Agro, obrigada pela participação Andressa.
00:43Eu queria então começar te perguntando nesse sentido de previsão, tendo em vista esses números que a Conab apresenta, quais que são as atuais condições mercadológicas no arroz,
00:57que justificam essa redução, o que que tá acontecendo no campo, o que que anda acontecendo no campo, para a gente estar olhando esses números.
01:06E aí queria entender como que a gente conversa sobre isso nesse comecinho de 2026.
01:10Mariana, primeiro, muito obrigada pelo espaço.
01:15É importante a gente falar um pouco sobre o arroz, justamente como você colocou, é um produto importante para a segurança alimentar e também é um produto tradicional do consumo do brasileiro.
01:26E eu acho que é importante contextualizar um pouco como nós chegamos até 2025, para entender depois o que nós esperamos de 2026.
01:36Nós viemos, então, de uns dois ou três anos de uma produção abaixo da média anual, que é de cerca de 11 milhões de toneladas, em função das condições climáticas.
01:48Então, sofremos com estiagem, enchentes.
01:51No ano passado, as enchentes que se abateram sobre o estado do Rio Grande do Sul, acabaram comprometendo a comercialização e a produção já era inferior à média.
02:03Então, isso fez com que os preços de arroz no mercado subissem.
02:07Com menos oferta de produtos, os preços subiram e ficaram mais atrativos para o produtor.
02:14O produtor, então, aumentou a área de produção, não só no Brasil, mas no Mercosul também.
02:19O Mercosul é um produtor de arroz, concorrente do Brasil, exporta produto para o Brasil também.
02:26E no mundo, houve, em função das condições climáticas, um aumento da produção.
02:30Isso gerou, então, um excesso de oferta no mercado interno brasileiro e os preços, então, deprimiram.
02:37Então, houve o inverso.
02:39No ano passado, nós tivemos bons preços e, esse ano, os preços ficaram muito aviltados.
02:45Essa situação acaba sinalizando ao produtor a necessidade de ajustar a área de plantio, para que possa haver uma reação nos preços.
02:55E para que, no ano de 2026, nós tenhamos preços mais remuneratórios para a cultura.
03:02Então, confirma essa estimativa da Conab de uma redução da produção de cerca de 12% ou mais, porque ainda não encerrou o plantio.
03:13E isso, provavelmente, vai trazer um cenário de mais alívio para o produtor e também para a indústria.
03:19Porque esses preços muito aviltados também não interessam à indústria, já que os custos de produção da indústria, de beneficiamento e de insumos, continuam elevados.
03:32Pois é, essa parte de beneficiamento, o pós, quando a gente está falando entre o pós-colheita, entre o campo e a indústria,
03:40existe esse local que é estratégico, que é do beneficiamento, que é até da própria logística de armazenagem.
03:49Tudo isso está nessa panela de pressão, quando a gente fala da formação dos preços.
03:55Agora, você falou de ajuste de área de plantio.
03:59Como que a indústria acompanha isso do ponto de vista de vocês não são os produtores rurais?
04:04Mas, certamente, tudo que o produtor rural decide no campo afeta a indústria.
04:10Então, vocês estão com uma expectativa de um amplo ajuste de área?
04:16O que está se falando dentro da indústria, quando a gente olha para essa tomada de decisão do produtor rural,
04:22se ele, de fato, vai ampliar ou não essa área?
04:26Bom, de 2024 para 2025, houve um aumento da produção de cerca de 20% em decorrência do aumento da área de plantio.
04:37E, em 2025, então, houve um excesso de oferta por conta da produção.
04:42Esse ajuste vem para 2026.
04:44A expectativa é que haja uma redução da área de plantio de cerca de 10%.
04:49Existe, no Rio Grande do Sul, o Instituto Rio Grandense do Arroz,
04:54que faz o cálculo da estimativa de produção.
04:58E, como você sabe, o Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz do país,
05:02é responsável por cerca de 70% de todo o arroz produzido.
05:06Então, o IRGA, que é o Instituto Rio Grandense do Arroz,
05:10faz esse acompanhamento para entender qual vai ser a perspectiva de produção do ano seguinte.
05:16E nós acompanhamos por aí.
05:19A CONAB faz um acompanhamento a nível nacional.
05:22Existem outros estados produtores, como Santa Catarina,
05:26que tem uma importância, produz cerca de 10% de toda a produção nacional.
05:31E também estados no Brasil Central,
05:33que no ano passado, em função dos preços atrativos,
05:36também aumentaram a produção de arroz.
05:39Então, nós trabalhamos com os números do IRGA e da CONAB
05:45para formar um entendimento em relação a como vai ser a expectativa de produção
05:50e redução diária do ano seguinte.
05:53Então, nós estamos realmente trabalhando com esse número de 10% de redução diária.
05:58Mas lembrando que, como o plantio ainda não acabou,
06:01esse número ainda pode variar para menos.
06:03Certo.
06:05E aí, eu queria entender, você falou do IRGA ali, da própria CONAB,
06:11mas que estão nessa frente de levantamento de dados dos quais vocês se utilizam.
06:16Ou a Bia Rosa, a indústria, de alguma forma, tem uma aproximação com o produtor rural?
06:22Como que é essa conversa, esse diálogo entre quem realmente está no campo?
06:28Existe alguma interlocução?
06:29Ou vocês, de alguma forma, não se aproximam tanto?
06:34Porque o lance é a indústria, é o que depois que já está colhido.
06:39Na verdade, Mariana, no ano passado, no ano de 2024,
06:44quando ocorreram as enchentes,
06:46o setor produtivo e a indústria se uniram bastante,
06:49inclusive para fazer uma interlocução em nível de cadeia com o governo federal.
06:56E, nesse momento, a relação da indústria e produção é muito positiva,
07:00muito próxima, e existe esse alinhamento em relação à necessidade
07:04do equilíbrio da oferta e demanda,
07:07o que vai acontecer a partir da redução diária, redução da produção,
07:11e, na outra ponta, um trabalho para aumentar o consumo do arroz
07:15e também o escoamento do excedente de arroz para o mercado externo.
07:19Você adiantou uma das minhas perguntas aí,
07:22porque eu ia falar sobre o consumo,
07:24porque a gente vê vários dados,
07:27ao longo dos últimos anos,
07:28que apontam que o brasileiro tem
07:30consumido menos arroz e feijão.
07:33A indústria sente isso?
07:35Como que vocês enxergam
07:38esse comportamento de consumo?
07:40Porque, de fato, é algo que reflete a decisão de compra do brasileiro,
07:47reflete o poder de compra,
07:49reflete, inclusive, muitas vezes, se ele está comendo dentro de casa
07:52ou mais fora.
07:54Então, todos esses números que a gente vem vendo
07:58de uma retração,
07:59a indústria está sentindo e está fazendo o quê?
08:03Então, eu queria entender um pouco mais na ponta
08:04se do lado do consumidor existe campanha,
08:09existe um diálogo com, não sei, nutricionistas.
08:12O que a indústria está fazendo para fomentar
08:15a importância do consumo de arroz pela população?
08:20Marina, se você olhar em um período de tempo
08:22de 40, 50 anos,
08:24que foi a análise feita pela Embrapa
08:27que levou a essa conclusão de uma redução de consumo,
08:29realmente houve essa redução.
08:33Porém, a Biarroas trabalha com os números da Conab
08:35e, de acordo com o levantamento de safras,
08:38nos últimos cinco anos,
08:39houve uma estabilidade no consumo.
08:41O consumo, na verdade, oscilou
08:43de 10 milhões e 500 mil toneladas
08:45para 11 milhões de toneladas.
08:48Em 2025, foram 11 milhões de toneladas
08:51e, para 2026, se confirma a mesma perspectiva.
08:54Então, nós trabalhamos com a estabilidade.
08:57Mas é claro que a pandemia acabou levando
08:59a novos hábitos de consumo.
09:01Então, o consumidor passou a consumir mais fast food
09:05e ultraprocessados
09:07e isso despertou um alerta na indústria
09:11no sentido de que é preciso dialogar melhor
09:13com o consumidor,
09:15levar informações com credibilidade
09:17para que ele possa fazer uma tomada
09:20de decisão mais esclarecida,
09:22mais consciente.
09:24E, nesse sentido, é que nós pensamos, então,
09:27no desenho de uma campanha de valorização do arroz,
09:30que é justamente para que o consumidor
09:33resgate essa referência da importância do arroz
09:36na alimentação,
09:38tanto em questão de saudabilidade,
09:40mas também a importância do arroz para o Brasil,
09:42porque nós somos autossuficientes
09:43na produção de arroz.
09:45E isso é motivo de celebração,
09:47porque é um alimento amplamente consumido
09:51e que, se nós não tivéssemos essa produção autossuficiente,
09:56nós teríamos que importar esse produto
09:57e aí ficar sujeito a alterações de câmbio
10:00e mesmo de qualidade.
10:02Então, trazer para o consumidor essa ideia
10:05de que o arroz também tem uma importância
10:07econômica e social para o Brasil,
10:09nesse sentido de gerar renda,
10:12desenvolvimento social, emprego,
10:14é interessante para que crie uma identidade
10:18entre o consumidor e o produto.
10:21E aí, nós estamos explorando essa questão
10:23de levar informação
10:24e desenvolvemos, então, a campanha Arroz Combina.
10:28Essa campanha foi lançada no dia 31 de outubro,
10:31que, coincidentemente, é o Dia Internacional do Arroz,
10:34e nós estamos trabalhando num formato digital.
10:38Então, identificamos ali alguns influenciadores
10:41que têm conhecimento do arroz,
10:44seja na área de gastronomia, de saúde,
10:46de bem-estar e de ciência também,
10:50e eles vão ser os nossos interlocutores
10:52para alcançar diversos nichos de público.
10:56Então, uma questão interessante, Mariana,
10:58é que nos primeiros conteúdos que foram divulgados
11:02foram ensinando a fazer arroz.
11:04E tivemos um acesso bem interessante.
11:07Ou seja, falta até essa informação básica
11:09para o consumidor.
11:11E o público alcançado ficou ali abaixo dos 30 anos.
11:15Então, são potenciais consumidores
11:18que não têm informação com relação
11:20à facilidade do preparo,
11:21à versatilidade do arroz,
11:24e que, por isso, acabam procurando alternativas.
11:26Então, é nosso dever, enquanto indústria,
11:29tentar trabalhar essa informação de qualidade
11:32com o consumidor e para que ele possa, então,
11:36fazer uso do arroz em todas as suas formas.
11:38Não só o arroz no prato, mas arroz doce
11:41e outras combinações também.
11:42Interessante, interessante, inclusive, olhar para essa faixa etária, né?
11:47Que recorre à internet para absolutamente tudo.
11:51E, muitas vezes, em vez de perguntar dentro de casa
11:53como é que faz o arroz, vai ver na internet.
11:56É por isso que, é isso,
11:57se o setor não ocupar esse espaço,
11:59talvez alguém ocupe, né?
12:00E nada contra o pessoal da gastronomia.
12:02Mas é importante ensinar desde a indústria
12:08e, de preferência, incluir o produtor rural nisso aí também,
12:11para o pessoal ver o valor do produtor rural
12:14nessa cadeia toda, né?
12:16Agora, você também tinha falado
12:17dessa importância da valorização do brasileiro,
12:23valorizar o arroz
12:24por uma questão da nossa autossuficiência, né?
12:28Do que a gente planta e abastece o país.
12:34Agora, o que a indústria tem olhado para exportação?
12:36Porque é importante a gente também trazer
12:38para a audiência aqui
12:40que também arroz, tem diferentes tipos de arroz, né?
12:43Tem arrozes no mundo, né?
12:46E os países ali também trabalham com importação e exportação
12:50por essa variedade.
12:52Como que a indústria se posiciona?
12:54Como que está a performance de exportação?
12:57Queria entender um pouco como que vocês olham isso
13:00dentro aqui desse fim de 25, começo de 26.
13:06Esse cenário de oscilação entre excesso de produção
13:09e uma redução na produção é cíclico na história do arroz.
13:15E em 2009, quando a Bia Arroz foi criada,
13:18nós olhamos para essa questão,
13:19a necessidade de haver um maior ajuste
13:22entre produção e oferta.
13:24e então focamos nesse trabalho de exportação do arroz
13:28para enxugar o mercado
13:29e exportar os excedentes, não só do Brasil,
13:32mas nós também absorvemos os excedentes do Mercosul.
13:36Então, havia essa necessidade de fazer um ajuste
13:39e passava pela exportação.
13:42Em 2012, nós fizemos então um convênio com a Apex Brasil,
13:46que é uma agência de exportação,
13:47de promoção à exportação e investimento do governo.
13:50E, a partir desse convênio, nós mapeamos alguns mercados-alvo
13:54e começamos a desenvolver ações de capacitação das empresas,
13:58porque muito do arroz exportado era feito por intermédio de tradings.
14:03Então, nós começamos a capacitar as empresas
14:05para acessarem o mercado externo
14:07e trabalhando com diversos níveis de maturidade exportadora.
14:11Havia empresas que já exportavam,
14:13outras que nós temos um histórico de que não exportavam
14:16e hoje estão bem posicionadas no mercado externo.
14:19Participamos também de feiras internacionais,
14:22de missões, inclusive com o governo federal,
14:25a convite do governo.
14:27Esse ano nós estivemos na China,
14:29perdão, em 2025 nós estivemos na China,
14:32no México e também na Nigéria.
14:36E também houve uma visita do presidente da Angola ao Brasil,
14:40nós também estivemos junto ao governo
14:42para trabalhar nesse mercado.
14:44e além da participação em feiras e missões,
14:47promovemos também rodadas de negócios
14:49e trazemos formadores de opinião de outros países
14:52para conhecerem a nossa estrutura.
14:54Nós temos uma indústria muito avançada,
14:56uma produção altamente tecnológica,
15:00que respeita os padrões rigorosos,
15:03sanitários, ambientais e sustentabilidade,
15:07que é um ativo que também nós precisamos comunicar melhor.
15:10E daí, esse ano, em 2025,
15:13trouxemos exportadores e formadores de opinião do México,
15:17que é um importante mercado para o arroz brasileiro.
15:20Essas são as ações do Brazilian Rice,
15:23que é o projeto que foi criado em parceria com a Apex Brasil.
15:28E nós, então, mapeamos para esse ano de 2026
15:32novos destinos, novas ações, participações em feiras,
15:36proposições de abertura de mercado para o governo federal.
15:40Nós estamos trabalhando bastante para a abertura do mercado chinês.
15:44Você imagina que é o segundo maior produtor e consumidor
15:47de arroz no mundo, atrás da Índia.
15:50E estamos focando nesse mercado,
15:53para além das ações que já fazemos tradicionalmente
15:56junto às nossas associadas e aos mercados consolidados.
16:00Então, vamos lá, vamos lá, vamos lá, vamos lá.
Seja a primeira pessoa a comentar
Adicionar seu comentário

Recomendado