00:00Depois de um encontro inesperado entre Lula e Hugo Mota, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que corta isenções tributárias e aumenta a taxação sobre fintechs e casas de apostas.
00:11O resultado é uma liberação de 22 bilhões de reais no orçamento de 2026.
00:16A reconciliação entre Lula e Mota vinha sendo defendida por interlocutores políticos dos dois lados e foi selada graças a uma articulação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
00:27O Senado confirmou a votação e garantiu esse alívio bilionário aos cofres públicos em 2026.
00:35Antes da gente voltar a falar da parte econômica, vou chamar a Deise para falar um pouquinho dessa reconciliação.
00:42Ela me olhou assim de ladinho, já deu uma risadinha.
00:45Essa reconciliação pode não durar muito, Deise?
00:48Ah, não vai durar muito não, Bia.
00:50Essa reconciliação não vai durar.
00:51Assim, o primeiro ponto dessa informação foi essa tributação de 20 bilhões aí que causou a confusão lá na madrugada na Câmara dos Deputados,
00:59no Senado em relação à pele da dosimetria, tá?
01:03Então a confusão começou por causa dessa tributação.
01:06E aí vocês estavam falando de necessidades de reformas, a reforma administrativa.
01:11Daí o governo arrecadando mais, 20 bilhões em cima das bets, ok.
01:15E eu lembro que aqui na Jovem Pan a gente discutiu muito sobre a questão das bets,
01:21se houvesse uma arrecadação maior em cima delas,
01:24se o governo iria utilizar essa arrecadação para tratar os problemas que advêm justamente das bets.
01:31Então aquelas pessoas que são viciadas em apostas, se isso traria um tratamento de saúde,
01:37se o governo iria devolver isso para a população, iria fazer campanhas de conscientização.
01:42Isso só para começar a conversa.
01:46Aí vamos para a parte do Hugo Mota e do presidente Lula, ano que vem é ano eleitoral.
01:51O Hugo Mota até agora não conseguiu mostrar a força que um presidente da Câmara dos Deputados
01:56deveria mostrar ou que outros mostraram, como o Arthur Lira, que foi seu predecessor,
02:02o próprio Rodrigo Maia, enfim.
02:05Então essa é uma pausa momentânea.
02:08Ano que vem é um ano eleitoral em que o Hugo Mota ainda deixou muito a desejar para o presidente Lula.
02:13Então assim, Bia, eu aposto que essa pausa vai até voltar do recesso.
02:17Quando voltar o recesso, zerou tudo, começa o jogo de novo e eles vão literalmente se engalfinhar.
02:24Estamos salvando esse trechinho aqui para a gente recuperar a volta do recesso,
02:28para a gente ver o que aconteceu.
02:30Nátaly, vou voltar para você.
02:31Você, a Deise, falava, se esses valores, esse alívio, volta de alguma forma para políticas,
02:37para a população, isso seria uma boa saída, mas não deve acontecer.
02:42Como é que você vê?
02:43Bom, primeiro, basicamente, é um desenho ali que a gente precisa cuidar desse enforcement,
02:48que a gente chama.
02:49Então precisa avaliar a questão do apostador, qual é a característica desse apostador,
02:53se ele é viciado ou não.
02:55Então tudo isso demanda uma estrutura, como bem colocado aqui,
02:58que precisa de uma reforma administrativa, da estrutura do Estado para poder prover isso.
03:04A gente sabe que custo com saúde é muito elevado, é um custo obrigatório dentro do orçamento.
03:09E não sei se dentro dessa margem, apesar de significativa, tentando buscar ali aumentar a base fiscal,
03:15ainda ela é suficiente para resolver o problema fiscal e ainda conseguir ali mitigar os problemas de saúde
03:21que a gente tem no país.
03:23E o primeiro aumento, acredito que isso não vai ser possível,
03:25dentro dessa estrutura que nós temos e dentro do volume que isso vai ser arrecadado.
03:31Então acredito que não é muito bem por aí a solução em um primeiro momento.
03:35Agora, Lia, esse corte, essa isenção, era um pedido já de algum tempo, né?
03:41Sim, era um pedido de alguns setores.
03:43Inclusive o presidente Hugo Mota falou que isso era uma forma de enxugar possíveis desperdícios
03:50do âmbito fiscal, mas veio logo depois de um discurso em que o Haddad, o ministro da Fazenda,
03:57se posicionou dizendo que precisava de 20 mil para fechar o orçamento para o ano seguinte.
04:00Aí de uma hora para outra, na madrugada, eles arranjam um projeto de lei e conseguem esse recurso.
04:06Então, novamente, como que está sendo feito um processo de transparência por parte do Congresso,
04:12ouvindo todas as partes, sobre os interesses que estão sendo colocados?
04:15A quem que vai reduzir e a quem que vai tributar?
04:19Independente de ser BETs ou outros setores, eu acho muito importante que essa discussão
04:23seja explícita para a sociedade.
04:27A favor ou contra, não importa qual é a posição, se de repente, de uma hora para outra,
04:31você não tem a sua voz ouvida sobre um determinado projeto, isso por si só já é muito complexo.
04:37E, novamente, essa decisão econômica veio para suprir também uma demanda da LDO de superávit
04:45para eles conseguirem ter uma meta fiscal de 32 bilhões de reais no ano que vem,
04:51suprindo essa meta de 0,25% a mais ou a menos, podem chegar a déficit zero,
04:58mas também cobrindo ali os interesses de liberar o valor das emendas parlamentares
05:04até 65% das emendas no primeiro semestre do ano que vem.
05:08Então, novamente, de onde está vindo o dinheiro?
05:10Será que está vindo para esses interesses?
05:12Nesse projeto, inclusive, da tributação das BETs, eles colocam que ela vai ser gradual
05:16de 13% em 2026 até 15% até 2028.
05:21E que parte desses recursos vão para assistência social e para saúde.
05:24Mas, ainda assim, ela foi atribuída, por exemplo, à PL da antifacção,
05:30ela está sendo disputada, esse recurso está sendo disputado por outros setores também.
05:33Então, o cobertor está curto, a gente não consegue enxugar a estrutura
05:37e a gente continua gastando, tendo artifícios assim para seguir com o Estado inflado.
05:42Então, esse é o grande desafio que, ao meu ver, economicamente falando,
05:47a gente precisa olhar com mais atenção e cobrar, não só nas eleições e dos nossos parlamentares,
05:52mas cobrar um compromisso político, social, para um Estado mais enxuto e eficaz.
05:57Olha, e a época de cobrar, ela está sempre em vigor, mas a época de escolher está chegando,
06:04mas nem tanto.
06:04A gente antecipou bastante o debate eleitoral aqui no país.
06:08A gente ainda tem cerca de 10 meses até, efetivamente, a eleição presidencial,
06:13mas os cenários já estão sendo desenhados, então, há algum tempo.
06:16A pesquisa Quest dessa semana indicou também que o presidente Lula segue como favorito
06:22e é o primeiro em todos os quadros analisados, variando de 34% a 41%.
06:28Da mesma forma, Flávio Bolsonaro é sempre o segundo, mostrando, como a gente falava há pouco,
06:34que o sobrenome da família ainda tem força.
06:37Por outro lado, Ratinho Júnior aparece com 13% e Tarcísio de Freitas tem apenas 10%.
06:44Essa foi uma pesquisa que caiu como uma bomba aqui em São Paulo, nessa semana, inclusive.
06:49Mas antes da gente debater essa parte mais política, eu queria chamar a Alessandra
06:53para a gente falar sobre uma coisa que muito se discute toda eleição,
06:57que as pessoas sempre têm aqueles indecisos, tem uma grande parcela que decide o voto ali na hora, na urna.
07:02É isso mesmo? A pessoa vai até lá sem meio que saber o que fazer.
07:06É um fenômeno que acontece bastante.
07:08Por isso que é proibido a boca de urna.
07:11Mas nós sabemos que ainda existe.
07:14Então, existe sim os indecisos, mas acredito que não seja a grande maioria, como foi mostrado aí.
07:21Os indecisos não é a maioria.
07:24Que bom.
07:25Então, a gente percebe também que a família Bolsonaro tem um nome forte aí,
07:31mas qual que é o nível de identificação das pessoas com esse sobrenome, né?
07:39Algumas rejeitam, outras gostam, né?
07:42Então, a gente tem uma divisão, uma polarização aí.
07:45Então, como essas pessoas que não têm realmente o candidato, estão indecisas, vão se comportar?
07:54Aí a gente não sabe, porque vai depender de como que esses 10 meses aí vai prosseguir em relação a toda essa política.
08:04E tem, Deise, muita água pra rolar nesses 10 meses?
08:06Ou, por exemplo, o Tarcísio com essa bomba dessa semana já tá descartado?
08:11Olha, Bia, eu não sei se o Tarcísio tá descartado, mas tem tantos elementos aí no meio disso.
08:17Vamos lá, o primeiro deles, né?
08:19O sobrenome, ele carrega um simbolismo muito forte, né?
08:23Então, é a família Bolsonaro, o eleitor ele já associa.
08:27E a gente tem vários exemplos disso no mundo inteiro, né?
08:30Os Kirchner, os Le Pen, Kennedy nos Estados Unidos.
08:34E aqui no Brasil a gente tem Sarney, Calheiros.
08:37E tem a família Bolsonaro, né?
08:39Então, num primeiro momento, o Flávio carrega pra uma arrancada o sobrenome Bolsonaro é muito positivo.
08:46Mas todos os analistas, e eu concordo, num segundo turno só o sobrenome não segura.
08:53Então, precisa de uma coalizão em torno do nome Flávio Bolsonaro, né?
08:57E ele precisa se apresentar como alguém que não é só o filho do ex-presidente, né?
09:02Porque ainda mais se ele for disputar com o presidente Lula, né?
09:05Então, precisa de uma construção.
09:07Segundo ponto que a Bia, que faz as apurações aqui, conhece o bastidor muito melhor do que eu.
09:11Mas tem um elemento em eleição, de bastidor, que é fundamental, que se chama Gilberto Kassab.
09:19Então, o Kassab, ele desejou, acho que foi na semana que passou, ele desejou boa sorte ao Flávio.
09:26Só pra gente lembrar, na última eleição municipal, o Kassab fez o número de prefeituras que era o ideal do Valdemar Costa Neto.
09:31Então, a gente sempre tem que prestar atenção nas movimentações dele.
09:35Se o PSD e o União Brasil, o União Brasil tá dividido, um pé lá, outro pé cá,
09:40mas se o PSD do Gilberto Kassab não encampar essa candidatura do Flávio,
09:46a gente pode ter um deslize aí pra um outro nome.
09:50O Tarcísio, até as últimas manifestações dele, tem demonstrado que ele tá observando o jogo, né?
09:55Ele não agride o Flávio Bolsonaro, ele não destrata, muito pelo contrário.
10:00Ele também não se impõe mais como nome pra 22, até porque se ele tentar a reeleição pra São Paulo,
10:04tá ótimo pra ele, ele se cacifa, vai com mais força ainda na próxima eleição presidencial.
10:10Fato é, Bia, que nada tá dito.
10:13Eu acredito que essa candidatura do Flávio, ela não se sustenta até o final por falta de coalizão.
10:19Num primeiro momento, pra pesquisa, funciona super bem, porque é da família Bolsonaro.
10:22Mas, assim, o presidente Lula, ele já tem montado uma coalizão.
10:27A gente tem que lembrar que na última campanha ele fez um bloco muito forte em torno do nome dele.
10:31Isso é fundamental numa campanha presidencial.
10:33E o Flávio precisa construir isso, né?
10:35Então, por enquanto, ele é o filho do ex-presidente.
10:38Mas a gente sabe que campanha presidencial envolve muito mais, fora o elemento Gilberto Kassab.