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Tiago Santos, presidente da Danone no Brasil, é o convidado do Show Business. Ele conta a trajetória que transformou a companhia em uma das maiores empresas de alimentos do mundo e detalha os 55 anos de história da marca em solo brasileiro.

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00:00Bom, deixa eu trazer um pouco a história da Danone.
00:04Como é que a Danone, que começou, saiu de produtos, principalmente iogurtes, vendidos em farmácias,
00:14ela saiu desse background para se tornar uma das maiores companhias de alimentos e bebidas do mundo?
00:23A Danone começa em Barcelona, exatamente, vendendo iogurte em potes de vidro em farmácias.
00:30E depois foi crescendo até se tornar no que é hoje.
00:34No Brasil, a gente está há 55 anos, como eu falei para você.
00:38Acho que o nosso papel é um papel de... a nossa missão é levar a saúde através da alimentação para o maior número possível de pessoas.
00:46Então a gente começou na farmácia porque o fundador Danone tinha uma convicção de que o iogurte tinha um efeito benéfico na saúde, principalmente das crianças.
00:58E a gente continuou essa trajetória, né?
01:01E hoje, em vez de a gente ser só especialista em iogurte, a gente fala que é especialista em proteína, em fermentação, em saúde digestiva.
01:09E no lado da nutrição especializada, em vez de acompanhar só os primeiros anos de vida, o bebê, hoje a gente acompanha todos os ciclos da vida, né?
01:17E lá atrás você me perguntou, os carro-chefes, as marcas, eu falei as loticínias, mas a gente tem Aptamil, tem Aptanutri, tem Nutridrink, tem nutrição, tem marcas que acompanham, que são vendas em farmácia, que estão no hospital.
01:32Então tem a saúde, a saúde e a ciência estão no centro de tudo o que a Danone faz.
01:40Sempre estiveram.
01:41E como é, a gente está falando de história da companhia, né?
01:43Porque a gente aqui no Show Business, a gente gosta de saber, sobretudo, da história de companhias relevantes e conhecidas no mundo todo, como é o seu caso.
01:55Como é o caso da companhia que você lidera aqui no país.
01:58Agora, como é que foi a chegada no Brasil?
02:00A chegada no Brasil foi, eu diria que foi um caso de êxito para nós a nível global, porque a gente democratiza o acesso ao iogurte, depois a gente cria a categoria do Petit Suisse com Danoninho,
02:15a gente criou o Activia, o segmento do Activia, ultimamente o Yopro.
02:19Então tem sido um mercado que historicamente exporta muitas ideias pro global, tanto a nível de criação de produto, criação de comunicação, a criatividade no Brasil, o Brasil é um dos países de ponta em criatividade, e ultimamente criação de modelos diferentes de relação com o consumidor.
02:37Você falou que teve um bom ano.
02:41Agora, como é que a economia brasileira, com juros, sobretudo, 15% ao ano, tem impactado nos negócios da companhia?
02:52Olha, a economia, enquanto a economia crescer num nível razoável, produto interno bruto principalmente crescer razoavelmente, a inflação continuar descendo, e como a gente falou, tiver uma certa situação de quase pleno emprego,
03:11a gente funciona bem, pra nós funciona bem, pro consumo funciona bem, porque tem o cenário macro, a gente acaba não sofrendo tanto com as taxas de juros, e os nossos consumidores, eles têm uma renda disponível razoável.
03:28Agora, se você me perguntar se médio e longo prazo, uma Selic duplo dígito é um tema sustentável, acho que não, acho que vai ter que descer à medida que a inflação for controlada.
03:41Mas, no geral, o cenário macro brasileiro é positivo.
03:45Você pode falar, porque como eu apresentei você no início do programa, você é formado em economia, né?
03:50Sou sim, sou sim.
03:52Sua formação é em economia em Portugal, em Coimbra?
03:55Em Portugal, em Coimbra.
03:56E você usa diariamente o seu conhecimento de economia por todos esses lugares que você passou?
04:03Eu, pra falar a verdade pra você, eu falaria que uso mais o conhecimento de matemática, de estatística, economia um pouco também, porque é bom você entender as forças da oferta, da demanda, né?
04:18Ajuda bastante, mas eu diria mais, o lado da matemática e da estatística ajudam mais, depois a experiência, do que propriamente a economia.
04:25Eu faço essa pergunta porque, evidentemente, você não começou a sua vida profissional e muito ao longo da sua trajetória como CEO.
04:34Não.
04:35Mas, ao longo do tempo, você atuou muito na área de marketing, né?
04:40Ou seja, um economista nessa área de marketing.
04:45Como é que você caiu na área de marketing?
04:47Como é que você caiu?
04:48Você já tá rindo, deve ter alguma história boa.
04:50Por engano, por acaso, por acaso, não por engano, por acaso, eu fui, eu fui fazer, eu fui acompanhar um amigo que queria fazer provas na Procter & Gamble em Portugal.
05:01Esse é o início da sua trajetória?
05:02É, e eu fui com ele, fiz as provas, eles me selecionaram e, por coincidência, eu comecei como estagiário em marketing.
05:10Ah, fica aí.
05:11Eu nunca tinha estudado marketing e eu comecei como estagiário em marketing e em trade e eu descobri que era a minha vocação, eu adorei.
05:17E daí eu comecei por aí e fiquei, eu sempre soube que queria ter uma chance.
05:24Se você me perguntar se eu tinha a ambição de ser CEO ou general manager, quando comecei, tinha.
05:29Obviamente, quando você começa, você não entende o que é que isso significa.
05:33Então, eu comecei no marketing, trabalhei na área do marketing nos primeiros 15 anos.
05:38Nesse início que você conta pra gente, ou seja, você acompanhou um amigo numa prova de estágio, ele não passou, você passou.
05:50Isso mesmo.
05:50Por que você acha que você foi o escolhido?
05:55Olha, é assim, primeiro você tem que passar uma série de testes, tem que ter um mínimo nos testes.
05:59Se eu passei, depois eu lembro, o que eu posso falar pra você, eu lembro que na última pergunta, o cara me perguntou, por que eu deveria escolher você e não outro?
06:10Eu falei, olha, a única coisa que eu posso falar pra você é, eu não acredito que ninguém vá pôr mais energia, mais indicação, mais ganas do que eu.
06:22De repente pode ter alguém que põe o mesmo, mas mais, não.
06:26Vontade, vontade só depende de você.
06:28Então, mais vontade do que eu, não.
06:31E aí você levou o emprego.
06:34É.
06:36Muito bem, muito bem.
06:38Olha só, vocês tiveram um papel, uma participação relevante na última COP, na COP30, em Belém, do Pará.
06:48Na sua avaliação, foi uma boa COP?
06:49Eu escutei tantas versões, Tiago, que é importante você, aliás, você português, que lidera uma companhia extremamente relevante há 18 meses, é importante ter a sua visão.
07:01Olha, eu vou ser bem honesto com você, foi a minha primeira COP.
07:04O que eu posso falar pra você foi, quando eu perguntei pra minha equipe em Belém, o que eles achavam da COP, eles falaram, a COP é ótima pra cidade e pra região.
07:13Cada vez que eu viajo no Brasil, eu tento encontrar a equipe local.
07:15É um tema importante.
07:18Depois, quando eu perguntei pras pessoas e íamos pros profissionais da COP, eles falaram, foi uma das COPs melhor organizadas.
07:26Então, se a gente pegar esse lado, se a gente pegar uma série de compromissos que saíram da COP, apesar das ausências que teve na COP, eu acho que foi uma boa COP pro Brasil.
07:38E pro planeta, mas foi uma boa COP pro Brasil mostrar como organização, se você quiser.
07:43Bom, a gente tá falando de uma companhia, volto a falar, com várias marcas, marcas extremamente conhecidas no mundo e no Brasil.
07:53Eu fico imaginando uma companhia do porte de vocês, Tiago, o quanto existe de pesquisa.
07:59Você relatou aí a pesquisa pra fazer, pra chegar ao ponto certo, por exemplo, de um iogurte com menos açúcar, pra atingir ali o gosto que caia nas graças dos brasileiros.
08:14É isso, exatamente isso.
08:16Só que vocês têm um ou dois centros mundiais de pesquisa e desenvolvimento da companhia no mundo. É um ou dois?
08:26Dois, dois.
08:27Onde eles ficam?
08:28Um na França, perto de Paris, chama Paris-Saclet, e um na Holanda, em Utrecht.
08:32Como é que funciona esse centro de pesquisa?
08:34Olha, a gente tem uns dois...
08:35É muita gente trabalhando?
08:36Dois mil cientistas, mais ou menos.
08:38A gente publica trabalho todos os anos, trabalho com nível científico todos os anos.
08:47A gente acaba de inaugurar o laboratório One Beyond, porque cada vez mais nós sabemos que tem uma ligação entre o intestino e a saúde geral da pessoa e o cérebro.
08:57Então, a gente trabalha muito essa área, a gente trabalha tudo que tem a ver com envelhecimento e produtos pra uma população mais idosa.
09:08A gente tem o centro de mais D em Utrecht, é de nutrição especializada, então tem produtos pra bebês, produtos pra pessoa doente, produtos pra pessoa com câncer, produtos pra pessoas mais idosas, né, que perderam uma parte do seu músculo, precisam de recuperar.
09:22Então, a gente tem um... A Danone sempre se baseou em ciência.
09:25Na verdade, a Danone, se a gente pensar, o que é que faz a Danone Única?
09:29A Danone tem um portfólio baseado em ciência, com o consumidor, o paciente e o cliente no centro.
09:37Sempre teve um projeto duplo, performance e sustentabilidade, ou resultado de sustentabilidade.
09:42E a Danone trabalha por e por, para e com pessoas.
09:47Então, acaba sendo uma companhia um pouquinho diferente, grande, como você falou, né, 27B já é grande, mas que tem essa dualidade, né.
09:56Você falou desses dois centros de pesquisa e desenvolvimento, que são os maiores da companhia, a companhia que está presente em mais de 100 países.
10:06No Brasil, existe um centro de pesquisa e desenvolvimento?
10:09Existe uma equipe de pesquisa e desenvolvimento com umas dezenas de pessoas, exatamente porque a gente tem que desenvolver os produtos no Brasil, pro Brasil.
10:17Pro gosto brasileiro, pra regulação brasileira, pro varejo brasileiro, pra logística brasileira, né.
10:23Não é a mesma coisa a logística que você vai ter num país na Europa, ou a logística que você vai ter, que eu tinha no Cazaquistão, que eu tenho hoje, pra mandar produtos da fábrica de poços pro norte ou pro nordeste.
10:35Então, a gente tem que se adaptar.
10:37Então, tem umas dezenas de pessoas trabalhando aqui e, eu posso falar pra você, que a diretora de P&D do Brasil anterior foi promovida e hoje é a diretora da IBER.
10:46Então, a gente exporta muito talento.
10:48Você exporta. Muita gente do Brasil vai pra outros lugares.
10:52Sim, sim, sim.
10:52Como é o seu caso, né? São quantos anos de companhia?
10:5718.
10:5718 anos.
10:5817, 18, vai, tá, por aí.
11:00E você veio, você tá 18 meses no Brasil, volto a repetir, a primeira entrevista na televisão do Tiago.
11:07Tá saindo muito bem, viu?
11:09Obrigado.
11:09Você é bom comunicador, você é bom comunicador.
11:11Você veio do Cazaquistão.
11:14Isso mesmo.
11:14Primeiro lugar, como é que é viver no Cazaquistão?
11:18Primeiro, é super legal.
11:20Eu não conhecia o Cazaquistão antes de ir pra lá, não sabia se que eu não tava no mapa.
11:24Como eu ia gerir, eu fui nessa fase da minha carreira, eu geria dois negócios.
11:30A Ásia Central, que é baseada no Cazaquistão, e a Bielorússia.
11:32Como a minha esposa é ucraniana e a Bielorússia, eu fiquei perto da Europa, e tudo isso foi antes dos últimos desenvolvimentos geopolíticos,
11:39eu perguntei se eu podia viver na Bielorússia.
11:41Eles falaram, não, tem que ir pra Ásia Central.
11:43Então eu fui, o Cazaquistão é um país do tamanho da Austrália, com a população mais ou menos com a Austrália,
11:49muçulmano, asiático e ex-comunista.
11:53Então, e outra coisa, tem uma cidade com dois milhões de habitantes, uma cidade com um milhão de habitantes,
12:01duas com meio milhão e o resto, nômada.
12:04Sempre foi um país nômada, então as pessoas espalhadas, né?
12:07Quando eu cheguei, eu encontrei um país tolerante, aberto, com uma paisagem lindíssima, né?
12:14Eu vivia na montanha, mas você tem montanha, tem deserto, tem estepa, tem tudo.
12:17Tem, tem, é isso, aberto, tolerante, bonito, bem desenvolvido já e pessoas muito interessantes,
12:28muito, muito, muito abertas ao exterior, muito orgulhosas da cultura nômada do país.
12:36Um melting pot muito interessante, você encontra indígenas, você encontra étnicos russos, ucranianos,
12:45da Crimeia, da Coreia, uigures, da China, então é muito, muito interessante.
12:51E aí você chega ao Brasil, uma cultura completamente diferente.
12:56Eu lembrei agora que faz edições passadas, eu acho que faz mais de um ano,
13:04eu entrevistei aqui na cadeira do Show Business o Miguel Setas, que é presidente da Motiva,
13:10a ex-CCR, ele é português, está há mais tempo no Brasil e está apaixonado pelo Brasil.
13:18Inclusive ele lançou um livro, trouxe aqui no programa o livro.
13:22Você está apaixonado pelo país?
13:23Olha, quando as pessoas me perguntavam qual é o seu sonho de carreira,
13:28o meu sonho sempre foi ser presidente da Anónia no Brasil.
13:31É mesmo? Por quê?
13:33Porque eu adoro o país, então eu venho, eu visito o Brasil há 25 anos,
13:39acho que é um país, quando você olha no Brasil de 2000 para o Brasil de hoje,
13:42é um país que se desenvolveu de uma forma muito acelerada, né?
13:46Um país continental, com todo tipo de paisagem fantástica,
13:50com uma população super interessante também, né?
13:55Pessoas muito abertas a quem vem de fora.
13:58Receptivas.
13:58Muito receptivas, com culturas muito diferentes dentro do Brasil, né?
14:05Influências muito diferentes, portugueses, italianos, alemães, tudo que é indígena.
14:10Então, tem uma mistura aqui super interessante e, acima de tudo, eu me sinto bem,
14:16sempre me senti bem, sempre me senti bem-vindo quando vinha no Brasil.
14:20Agora que eu giro o negócio aqui, acho que tem um potencial enorme.
14:24Quando você olha a população do Brasil, o tamanho do Brasil, o tamanho do produto interno do Brasil,
14:30quando você vê, não tem muitos países no mundo com essa dimensão, com esse potencial.
14:36Tem quatro ou cinco, eu estava vendo no outro dia, tem Estados Unidos, China, Rússia, Índia e Brasil.
14:42Quando você cruza território, população, produto interno, sabe?
14:47O Brasil é... e depois é assim, o Brasil é gostoso, não tem...
14:51O Brasil é... e depois é assim, o Brasil é...
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