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  • há 2 meses
Transcrição
00:00E uma nova descoberta ajuda a explicar por que alguns tumores evoluem muito mais rápido,
00:07tornando-se agressivos e resistem com mais facilidade aos tratamentos disponíveis.
00:13Vamos agora aos detalhes na reportagem.
00:20A cromotripsia é considerada um dos processos mais preocupantes ligados ao câncer.
00:25Ela faz com que cromossomos inteiros se fragmentem de forma abrupta, se rearranjando de maneira desordenada.
00:33Após anos de estudo, cientistas identificaram um possível gatilho para esse fenômeno.
00:38Em vez de acumular mutações ao longo do tempo, esses tumores parecem saltar etapas,
00:43sofrendo transformações profundas em curtos intervalos.
00:47Esse processo confere uma vantagem evolutiva às células cancerígenas,
00:51que passam a ter inúmeras combinações genéticas em pouco tempo,
00:55aumentando as chances de escapar de medicamentos e de continuar se multiplicando.
00:59Apesar de a cromotripsia ser conhecida há mais de uma década,
01:03o início do processo permanecia sendo um mistério.
01:06Sabia-se que ela estava ligada a falhas na divisão celular,
01:09quando um cromossomo acaba isolado dentro de um micronúcleo,
01:13uma estrutura frágil e pouco protegida.
01:15Quando esse micronúcleo se rompe, o DNA acaba exposto.
01:19Mas não se sabia qual agente que dava início a essa destruição.
01:23Ao analisar todas as nucleases humanas conhecidas,
01:26pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos,
01:30identificaram uma única enzima capaz de entrar nesses micronúcleos
01:34e causar danos extensos ao DNA, a N4BP2.
01:39Experimentos mostram que a remoção dessa enzima em células de câncer cerebral
01:43reduziu drasticamente a fragmentação cromossômica.
01:46Já a sua introdução forçada em células saudáveis levou à quebra de cromossomos intactos.
01:52A análise de mais de 10 mil genomas de diferentes tipos de câncer
01:55foi publicada na revista Science.
01:58Ela ainda revelou que tumores com altos níveis de N4BP2
02:02apresentavam mais sinais de cromotripsia e maiores quantidades de DNA extracromossômico,
02:08estruturas associadas a tumores mais agressivos e difíceis de se tratar.
02:12Ao apontar a enzima como gatilho inicial da cromotripsia,
02:16o estudo abre caminho para novas estratégias terapêuticas.
02:19A proposta não é necessariamente eliminar o câncer de imediato,
02:23mas sim reduzir a sua capacidade de evoluir rapidamente,
02:26ganhar resistência e até de reaparecer após o tratamento.
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