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  • há 6 horas
Transcrição
00:00E para repercutir esse assunto agora, vamos receber ao vivo a doutora Mônica Steppetit,
00:06que é médica patologista do grupo Fleury. Vamos lá, deixa eu colocar a doutora Mônica aqui na nossa tela.
00:15Deixa eu ver por onde está aqui. Olá, boa noite, doutora Mônica, seja muito bem-vinda ao Olhar Digital News
00:22e muitíssimo obrigada pela sua participação.
00:24Eu que agradeço o convite, é um prazer estar aqui falando com vocês. Muito obrigada pelo convite.
00:32Doutora Mônica, nós acabamos de ver aí os números, não é?
00:35E nós acompanhamos na reportagem, eles revelam um avanço no número de doenças importante aqui no Brasil.
00:42Nós estamos vivendo o que poderia ser chamado de epidemia da doença no país?
00:46Eu, sinceramente, eu acho que a gente tem essa impressão, né, de epidemia,
00:55mas o que eu acredito mais é que a gente está vendo um sucesso da medicina em diagnosticar precocemente
01:04e doenças que antigamente não eram muito conhecidas ou não reconhecidas
01:11e realmente a mudança demográfica que a gente está assistindo a nossa pirâmide populacional, né,
01:18das idades das pessoas, a gente está envelhecendo.
01:22E com isso, quanto mais tempo a gente vive, mais casos de câncer a gente vai ter,
01:28porque vão se acumulando os efeitos de mutação somados à genética,
01:35somado aos hábitos alimentares e fatores modernos, né, de sedentarismo
01:41e de acesso abundante a dietas inadequadas.
01:46Então, eu acho que isso faz com que a gente tenha esse aumento do reconhecimento do número de casos, né?
01:54Eu acho que é uma somatória de fatores, com certeza.
02:00Agora, o documento, inclusive, revela, não é, um avanço do câncer de colo e reto,
02:06como até a senhora está comentando, que é mais uma evolução dos estudos.
02:10Agora, por que esse tipo de tumor está crescendo tanto no Brasil? O que se associa a isso?
02:15Eu acho que os principais fatores associados a câncer colo-retal,
02:22a maioria dos casos não são de herança genética,
02:26eles são casos que a gente chama de esporádicos.
02:29E para esses casos, a dieta rica em alimentos ultraprocessados,
02:36pobre em fibra, pobre em verduras, legumes, frescos,
02:41e excesso de carnes vermelhas, excesso de álcool.
02:46O álcool definitivamente é um fator corrosivo que provoca um processo inflamatório crônico
02:53quando se ingere regularmente em doses muito acima do mínimo ou zero,
03:01que deveria ser o ideal.
03:03Somando tudo isso, é isso que a gente acaba acreditando
03:07que está provocando essa explosão de casos.
03:10A obesidade, enfim, é o câncer da vida ocidental, vamos dizer assim.
03:18Por um outro lado, a gente sabe que aumentando a conscientização das pessoas
03:24sobre o câncer colo-retal,
03:28a qualquer sinal de dor ou qualquer fator anormal,
03:33sangue nas fezes ou, de repente, você tinha um hábito intestinal regular
03:40e, de repente, você começa a ficar com obstipação,
03:44quer dizer, o intestino preso,
03:45ou aparece uma diarreia ou sangue nas fezes.
03:49Precisa-se não deixar de procurar o médico quando tem algum sinal como esse
03:56e realmente insistir numa investigação,
03:58porque o diagnóstico precoce, no caso do câncer colo-retal,
04:03ele salva, ele cura.
04:06Então, você faz um exame de colonoscopia ou retossigmoidoscopia,
04:10você encontra a lesão precocemente,
04:14você encontra um pólipo, alguma alteração dessa forma,
04:17e você tira a lesão e cura o paciente inicialmente.
04:21Agora, se você não procura ou se a lesão é mais alta
04:24e você não faz rastreamento adequado,
04:27realmente aí a gente fica mais sujeito ao risco de ter a lesão.
04:33E junta tudo isso.
04:35A gente vive sentado, trabalhando, você sai de pé,
04:39mas a gente, a maioria das pessoas trabalha sentada,
04:43não se alimenta direito, tem hábitos que são prejudiciais,
04:48então tabagismo, álcool, dieta inadequada,
04:53soma-se tudo isso e obesidade, por consequência,
04:56porque a gente faz pouco exercício,
04:58com isso aumenta a incidência desse tumor.
05:02Claro que a gente tem também algumas famílias
05:05que têm a mutação de alguns genes que podem predispor,
05:11mas aí são casos menos frequentes.
05:13A maioria é mais essa outra categoria, vamos dizer,
05:18de fatores de risco.
05:20Agora, doutora Mônica, esses estudos, números assim,
05:23são sempre importantes para um planejamento, por exemplo,
05:26para sistemas como o SUS?
05:28São fundamentais.
05:33Eu falo que é o mapa, é o nosso GPS para a gente orientar a saúde populacional,
05:40porque sem saber o número de casos que a gente tem,
05:44a gente fica perdido sem saber orientar direito aonde investir,
05:48aonde promover medidas de prevenção, de rastreamento adequado,
05:56de diagnóstico adequado, e a gente,
06:00se conseguir utilizar o máximo de conhecimento,
06:04você otimiza o investimento que a gente tem para a saúde.
06:08Você identifica onde estão os principais problemas,
06:13então, se a gente for olhar, a nossa população,
06:16é uma população de pessoas, por exemplo,
06:20o número um, câncer de pele.
06:22A gente tem que conscientizar as pessoas que o sol realmente provoca câncer de pele.
06:28Por isso, a gente tem o câncer de pele não melanoma como o número um.
06:33Depois, mulheres, câncer de mama,
06:35isso é tão estabelecido que você precisa,
06:38isso entra nos nossos programas de rastreamento
06:41para fazer a mamografia a partir dos 40 ou 50 anos,
06:46ou eventualmente antes,
06:48para as mulheres que têm mutação conhecida,
06:51o efeito Angelina Jolie, vamos dizer assim,
06:54conhecimento e evolução tecnológica
06:57trazem avanços para a gente conseguir combater
07:01com muito mais eficiência essas doenças.
07:04Então, a gente sabendo quais são os principais tipos de tumor,
07:08a gente tenta agir para evitar que as pessoas tenham
07:12essas lesões, essas doenças,
07:14e estimula o diagnóstico precoce,
07:19porque não dá para evitar 100% dos casos,
07:23algumas pessoas realmente vão desenvolver o câncer.
07:26Então, se você identifica precocemente,
07:29você atua com muito mais eficiência,
07:32com métodos modernos, moleculares,
07:35testes desenvolvidos com muito mais precisão,
07:39e você pode tratar muito mais individualizadamente
07:43para cada paciente ter o seu diagnóstico.
07:47Então, para o câncer de mama,
07:49hoje, por exemplo, a gente tem exames
07:52que evitam fazer quimioterapia
07:54em pacientes que não precisam fazer quimioterapia,
07:57porque o trabalho de acompanhamento
08:00de mais de 10 mil pacientes,
08:01ao longo de 10 anos praticamente,
08:04mostraram que 70% das mulheres com tumores
08:08hormônio positivo, HER2 negativo,
08:13e com menores do que 5 centímetros, por exemplo,
08:16não precisam fazer quimioterapia.
08:18Então, o dinheiro que você investiria na quimioterapia,
08:23além de trazer efeitos colaterais super indesejados,
08:27você pode direcionar esse recurso
08:31para fazer mamografia para mais mulheres,
08:33fazer cirurgias mais eficientes
08:36para as pacientes que precisam,
08:38e para aquelas pacientes que eventualmente
08:40precisam de terapias específicas,
08:43você vai ter mais disponibilidade de recurso.
08:47Então, integrar evolução e tecnologia mesmo
08:53para o diagnóstico do câncer
08:55também faz a custo-efetividade da medicina
08:59ser muito maior.
09:01Então, realmente é um desafio grande
09:04para o governo conseguir fazer isso
09:06de uma forma que tenha cobertor
09:08para todo mundo.
09:10Então, se a gente otimiza os gastos,
09:13a gente consegue ir sabendo do problema.
09:17Daí a importância desse relatório do Inca.
09:20Se a gente conhece o número de pacientes,
09:23então eu sei que para 2026, 2025,
09:262026, 2026, 2027, eu vou ter quase 80 mil mulheres
09:30com diagnóstico de câncer de mama,
09:3270 mil homens com câncer de próstata,
09:35câncer de pulmão, mais milhares de casos,
09:38cânceres de colo retal, colo de útero.
09:42Então, a gente,
09:44incorporando tecnologia,
09:48incorporando vacinas,
09:49vacina para o HPV, por exemplo,
09:51a gente consegue otimizar.
09:54Em vez de eu gastar dinheiro
09:55para tratar uma mulher com câncer de colo de útero,
09:58que é uma doença evitável,
10:00eu consigo fazer rastramento
10:02em muito mais mulheres,
10:03fazer outros procedimentos
10:06e gastar o pouco dinheiro que a gente tem
10:08de uma forma muito mais eficiente.
10:10Então, é realmente,
10:14com assombro e com uma tranquilidade,
10:18vamos dizer assim,
10:19de quem faz medicina,
10:20um pouco de ciência
10:21e estuda o assunto há muitos anos,
10:25a gente vê que hoje
10:26pacientes graves de câncer de mama,
10:29por exemplo,
10:30ou mesmo câncer de pulmão,
10:31que é quase uma sentença,
10:33que era uma sentença de morte,
10:36hoje a gente se encontrar
10:37uma mutação específica no câncer de pulmão,
10:40ou algumas outras no câncer de mama,
10:42existem medicamentos
10:44que você consegue fazer o paciente,
10:46em vez de viver três, seis meses,
10:48hoje eles vivem anos.
10:50Tem pacientes que a gente fala
10:51que câncer de mama
10:53virou uma doença crônica.
10:55Pacientes com metástases ósseas,
10:57metástases em outros órgãos,
11:01ficam vivendo há 10 anos,
11:0415 anos, 17 anos em tratamento.
11:07Então, faz uma diferença enorme
11:10para a vida daquela pessoa,
11:13para aquela família que tem,
11:15no caso do câncer de mama,
11:16uma mulher acometida,
11:18você não perde uma pessoa
11:21que é fundamental no seio
11:22de cada família.
11:24E assim por diante.
11:25Então,
11:26o relatório do Inca,
11:29para nós,
11:29é uma guia,
11:31é o GPS que mostra para a gente,
11:34nessa floresta de dados,
11:36aonde eu preciso investir,
11:38aonde eu preciso investigar,
11:39aonde eu tenho que fazer mais pesquisas,
11:42aonde eu posso custear exames mais caros,
11:47porque eu vou gastar mais imediatamente,
11:50mas eu vou economizar num todo
11:52que vou fazer com que isso
11:55permita realmente
11:57que a gente tenha um uso muito melhor
11:59do dinheiro da saúde no Brasil.
12:01Com certeza.
12:03Está aí informações importantíssimas
12:05com a doutora Mônica Steptit,
12:07participando aqui conosco
12:09do Olhar Digital News.
12:10Muitíssimo obrigada,
12:11doutora Mônica,
12:12espero poder encontrá-la em outros momentos.
12:15Com certeza.
12:16Foi um prazer, viu?
12:18Boa noite.
12:19Boa noite.
12:20Está aí, pessoal,
12:21informações importantíssimas
12:23e dicas também,
12:25muito importantes,
12:26da doutora Mônica Steptit,
12:27que é médica patologista
12:29do grupo Fleury.
12:30Obrigado.
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