00:00O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declara que se ele fosse diretor do Banco Central,
00:06votaria para reduzir os juros.
00:09Assunto para o repórter Misael Mainete chegando com as informações.
00:13Ele ainda afirmou que o Brasil está numa situação melhor do que os analistas supõem.
00:18Lembrando, né, Misael, que a reunião do Copom começou hoje, terça-feira,
00:21e tem o desfecho amanhã, quarta-feira.
00:24Boa noite, bem-vindo, Misael.
00:28Oi, Tiago, muito boa noite para você.
00:30Para todo mundo que acompanha o jornal Jovem Pan,
00:32o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que tem alergia à inflação
00:38e que se ele fosse o presidente do BC, ele estaria baixando a taxa Selic,
00:44a taxa básica de juros, que está em 15%.
00:48Ele cita que tem vários elementos positivos para fazer essa queda
00:53e culpou os bancos por fazerem uma certa pressão em relação ao Banco Central.
01:00E aí o Banco Central não consegue fazer a baixa da taxa Selic.
01:05A gente tem a declaração do ministro, declaração essa,
01:08que aconteceu durante um evento em São Paulo.
01:11Acompanhe.
01:11Eu não sei quando, eu não sou diretor do Banco Central.
01:15Se eu fosse, eu votava pela queda.
01:17Porque não sustenta.
01:1910% de juros real.
01:23Não faz sentido.
01:24Agora, eu tenho alergia de inflação.
01:28Eu sei o que a inflação provoca na vida das pessoas.
01:32Agora, tem razoabilidade.
01:34É, ele fala em razoabilidade.
01:40Também disse que os acionistas, ou melhor, os investidores e agentes do mercado financeiro
01:46têm que tomar cuidado, porque às vezes o remédio vira veneno.
01:51Ele também criticou a utilização do boletim Focus,
01:55boletim que é usado para fazer o número da inflação,
02:00para aumentar ou diminuir a inflação.
02:02Boletim esse também defendido inúmeras vezes pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.
02:08Conversei agora há pouco com o economista, Thiago,
02:11o economista Maurício Nacarrodo, sobre essa situação.
02:14Se ele acha que vão baixar os juros ou não.
02:17Ele diz o seguinte, que o Copom deve manter a Selic em 15% na reunião de novembro,
02:24reforçando um tom conservador para ancorar as expectativas de inflação
02:29e preservar a credibilidade diante dos riscos, especialmente riscos fiscais e eleitorais.
02:36E é essa a expectativa da maior parte dos especialistas em economia pela manutenção da taxa Selic.
02:45Outra fonte, que eu não vou revelar o nome, fez um comentário interessante,
02:49disse que seria um tiro no pé do Banco Central se a instituição tivesse a intenção
02:57de reduzir a Selic agora com essa declaração do Haddad, que aí não faria sentido.
03:03E, relembrando o que ele disse, ele tem alergia à inflação,
03:09então realmente é necessário buscar um remédio não só por parte do governo federal,
03:14mas de um trabalho em conjunto, porque a alergia disso todo mundo tem, né?
03:18É isso, a discussão da inflação e a taxa Selic amanhã teremos, claro,
03:23com essa aposta quase unânime do mercado na manutenção de 15% ao ano.
03:28Misael Manetti, com as informações aqui de São Paulo, até daqui a pouquinho,
03:31Cristiano Vilela e Nelson Kobayashi.
03:34Kobayashi, começo por você agora essa nossa rodada aqui.
03:38Parece que a fase de namoro com Gabriel Galípolo já se foi,
03:42e claro que o ministro da Fazenda foi questionado nesse evento em que ele esteve,
03:47falando sobre a taxa básica de juros.
03:48Agora, tem também aquela discussão sobre a Faria Lima,
03:53a Faria Lima que tem a ver com as questões das ações,
03:58de que forma o governo trava esse embate com o Banco Central,
04:02mesmo com o Gabriel Galípolo sendo nome de escolha do presidente Lula?
04:07Dá a impressão que a Faria Lima é o bicho-papão, né, Tiago?
04:10Essa fala do ministro Fernando Haddad tem razão.
04:14Eleições 2026, aí não importa se é o Gabriel Galípolo,
04:18não importa se foi indicado do próprio presidente Lula.
04:21Está chegando o momento do discurso ser afiado para colocar a culpa nos outros
04:25por qualquer coisa negativa.
04:27A taxa de juros está alta, isso é culpa do Banco Central.
04:29Se eu estivesse lá, Faria, diferente.
04:32Quando há pouquíssimos dias o ministro Fernando Haddad falou,
04:35e nós repercutimos aqui no jornal Jovem Pan que ele quer deixar o legado.
04:38Um dos legados dele, a taxa baixa de inflação na sua gestão,
04:45que não é fruto do seu trabalho, é fruto dessa taxa alta de juros do Banco Central
04:51que ele tanto critica.
04:53Desde 2022 nós estamos com a taxa básica de juros,
04:56a taxa Selic, nos dois dígitos, superando os 10%.
05:00E em razão disso é que ao longo do tempo nós fomos conseguindo diminuir
05:07a pressão inflacionária e a inflação e ainda assim não atingimos a meta,
05:12porque o meio da meta é muito baixo na faixa dos 3%.
05:15Mas ele celebra o resultado, critica a causa do resultado,
05:20que é o Banco Central.
05:21Isso aí em ciência de psiquiatria se chama bipolaridade.
05:26Olha, mas essa discussão é velha aqui no Brasil.
05:28Eu lembro no governo Fernando Henrique, ouvi Lela,
05:31essa discussão, remédio amargo, taxa de juros mais alta.
05:36De qualquer forma, fica esse embate que vai se propagar para o ano eleitoral também,
05:42porque é o que tudo indica, o Banco Central não vai reduzir,
05:44se reduzir vai reduzir muito pouco.
05:46Com certeza, Tiago.
05:47O fato é que todo mundo quer taxa de juros menor.
05:50Quem não quer?
05:51Claro que todo mundo quer.
05:52Agora, precisa de condições objetivas para que isso aconteça.
05:56A taxa de juros alta não está nessa posição à toa.
06:00Ela está nessa posição por uma série de fatores econômicos
06:03que obrigam o Banco Central, por responsabilidade,
06:07à manutenção desses patamares.
06:09Ora, enquanto o governo não fizer a lição de casa,
06:12e aí especialmente o próprio ministro Haddad,
06:14enquanto chefe da pasta econômica,
06:17nós não vamos ter uma mudança nesse quadro.
06:20E aí, Tiago, o que chama muito a atenção
06:22é a mudança de discurso do ministro Haddad.
06:26Fernando Haddad, que começou o terceiro mandato do presidente Lula,
06:30sendo talvez o adulto na sala,
06:32aquele que tinha uma voz ponderada,
06:34dialogava com diferentes setores,
06:37e que, ao longo especialmente desse ano,
06:40passou a adotar um discurso extremamente politizado,
06:43um discurso muito na linha das polêmicas
06:46trazidas pelo presidente Lula,
06:48e que fez com que Haddad se afastasse do centro político
06:52e se afastasse especialmente desse segmento do mercado
06:56que ele, na condição de ministro,
06:58deveria ser o primeiro a ter um bom diálogo,
07:01a manter uma boa conversa com um setor
07:04que é importante para a economia do país.
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