00:00E aí o primeiro assunto já é economia, porque o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
00:05ao lado dos diretores, eles se reuniram nesta terça-feira no Comitê de Política Monetária, o COPOM,
00:11já para definir a taxa básica de juros aqui no país, a Selic, que atualmente, vocês sabem, está em 15% ao ano,
00:19que é o maior patamar em 19 anos.
00:22Na etapa inicial vai ser realizada aí uma apresentação de técnicas sobre as perspectivas da economia
00:28e o comportamento do mercado financeiro.
00:31Já amanhã, no segundo dia da reunião do COPOM, vamos ter projeções macroeconômicas
00:37e o veredito sobre o nível da taxa Selic.
00:40Então essa definição vai ser estabelecida amanhã, a reunião começou hoje,
00:45os diretores do Banco Central só voltam agora a estabelecer o patamar da taxa de juros no dia 10 de dezembro.
00:53Então a nova reunião só é em dezembro e a gente, claro, está acompanhando desde hoje, amanhã,
00:58e vamos trazer também essas análises, inclusive a partir de agora,
01:02chamando os nossos comentaristas do dia, Priscila Silveira e Diego Tavares.
01:08Muito bem-vindos aqui em Tempo Real com a gente.
01:11Começo pelo Diego.
01:12Diego, existe uma perspectiva do governo de que essa taxa de juros de 15% a Selic
01:18caia pelo menos para 12,5% no ano que vem.
01:22Você acredita que isso é possível e é benéfico, claro, para a nossa economia?
01:26Bom, Márcia, vamos lá. Uma boa tarde a você, boa tarde a todos que nos acompanham aqui em Tempo Real.
01:32E é possível sim, tudo vai depender da conduta do governo até lá.
01:36É sempre importante a gente lembrar, a taxa de juros, a taxa Selic,
01:40ela não é escolhida ao arbítrio do presidente, do Banco Central e nem mesmo do colegiado, do Copom.
01:47Ela reflete o preço do dinheiro, ela reflete as nuances da nossa economia.
01:53Evidentemente, se o presidente do Banco Central e o Copom agirem de forma pragmática,
01:57agirem de acordo com aquilo que preconiza as regras básicas de uma boa gestão econômica.
02:03Com base nisso, levando em conta que o governo,
02:06diante das derrotas que sofreu no Congresso em relação à medida da MP do IOF, por exemplo,
02:12e tem um problema de arrecadação para o ano que vem,
02:15pode ser que, diante disso, o governo passe a cogitar o corte de despesas agora.
02:19Já repercutimos aqui, inclusive, que o governo tem ensaiado alguns cortes de despesas.
02:24Isso pode gerar um certo alívio na pressão inflacionária
02:28e fazer com que a taxa de juros possa começar a recuar desse patamar histórico, patamar de 15%.
02:34O que não pode ser feito de nenhuma maneira é essa movimentação pelo arbítrio político,
02:40levando em conta não as nuances da economia, mas o interesse político de ocasião.
02:44Nós já conhecemos essa receita desastrosa e isso gera nada mais do que crise econômica,
02:49gera mais inflação no rebote que vem a partir dessa redução artificial da taxa de juros.
02:55Pois é, Priscila Silveira, sabendo que ano que vem, ano eleitoral,
02:59pode ser uma estratégia também para angariar mais votos e atrair realmente essa população
03:06que quer fazer um empréstimo por um juros menor, quer entrar no financiamento da casa própria.
03:11Tudo isso a gente tem que pensar, né?
03:13Boa tarde, Márcia, a toda a nossa qualificada audiência, o Diego e todos que nos assistem e nos escutam.
03:18Márcia, primeiro a gente tem que entender que o mercado, de forma unânime,
03:22projeta essa manutenção da taxa Selic de 15%, pelo menos até o final do ano, de 2025.
03:28E claro que isso reverbera em todas as questões de juros e todas as consequências do nosso bolso.
03:34E é uma pauta cara para o governo, tendo em vista que, falando de economia,
03:38hoje em dia, economia e segurança pública são pautas que vão levar, sim, ali, ao ano eleitoral.
03:45Então, é possível que, como o Diego aqui disse, haja o corte desses gastos,
03:50já pensando, evidentemente, no ano de 2026, que é um ano eleitoral.
03:53Lembrando que a gente vem percebendo essa taxa, principalmente em questões de alimentos,
04:00coisas que têm mexido no bolso do brasileiro.
04:02E eu acho que, nessa altura do campeonato, muito embora mexa, de fato,
04:07em outras coisas que são de igual forma relevantes,
04:09o governo não quer ficar para trás e ter mais isso para se preocupar,
04:13já que não adianta nada cortar ali ou acolar e não mexer, evidentemente, nos gastos,
04:20além de arrecadar, não mexendo nos gastos, não vai ter ali grande diferença.
04:25Verdade. Obrigada, Priscila Silveira também e Diego Tavares.
04:28Já, já, a gente volta com mais análise.
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