00:00O Rio de Janeiro viveu nessa semana um dia de caos em meio a uma mega operação policial que deixou 121 mortos, entre eles 4 policiais.
00:10A população no complexo do Alemão ficou no fogo cruzado entre agentes da lei e membros do Comando Vermelho, facção que comanda a região.
00:19Famílias tiveram as casas metralhadas, comércios e escolas fecharam, a cidade toda teve um dia de medo.
00:26No dia seguinte, dezenas de corpos foram encontrados pelos populares em uma região de mata, provocando mais uma cena de terror, com cadáveres enfileirados.
00:37A polícia do Rio alega que a investigação que culminou na ação de terça-feira levou um ano.
00:44A operação envolveu cerca de 2.500 policiais civis e militares e foi considerada um sucesso pelas autoridades fluminenses.
00:55Além das mortes, 113 suspeitos foram presos, sendo 33 de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco.
01:04No fim das contas, foi a operação policial mais letal da história do Brasil, superando até o massacre do Carandiru,
01:11que teve 111 mortos em São Paulo, em outubro de 1992.
01:17A gente vê agora um quadro na tela, para quem nos ouve, eu conto das operações mais letais no Rio de Janeiro.
01:27A gente tem, então, o Complexo da Penha e do Alemão, que a gente fala agora, 28 de outubro de 2025.
01:33Cerca de 120 mortos, quatro policiais e outras operações para a gente comparar o tamanho.
01:42Eu vou começar, então, esse debate de hoje, dessa semana tão complicada e já pensando na agenda de como será a nossa próxima semana com a Jaqueline.
01:52Jaqueline, boa tarde.
01:53Boa tarde.
01:54Eu queria que a gente fizesse mesmo, tivesse uma ideia do que está por vir a partir de uma operação como essa.
02:02O que a gente pode esperar do cenário do país a partir de agora?
02:05Toda vez que nós vemos uma operação dessa, que, me perdoe, eu achei um tanto quanto desastrosa.
02:13Falar que a operação foi uma operação boa, foi uma operação de grande benefício, eu não entendo assim.
02:20Quando nós temos centenas de mortos, não tem como dizer isso.
02:25Então, isso, quando você pergunta para mim, Bia, isso traz uma fragilidade, uma insegurança para a população muito grande.
02:32E, às vezes, essa insegurança causa, no lado legislativo, uma euforia para começar a entrar com vários projetos de leis,
02:44aprovar vários projetos de leis que não necessariamente são projetos de leis que irão inibir a criminalidade.
02:51Que irão desde...
02:52Ah, a partir desse momento, depois não há mais um crime da facção.
02:56Eu consigo eliminar a facção que eu vou com esse projeto, que é lançado, que é aprovado na euforia da sociedade,
03:06de querer uma resposta, de querer algo de seguro para si.
03:10Porque quando você vê familiares verificando na rua dezenas de corpos, que você não tem nem sequer estrutura como reconhecer o seu familiar,
03:24seja ele, eu não sei, não foi feita nenhuma investigação, seja ele um criminoso, seja ele uma pessoa inocente, não se tem lá.
03:31Mas ele está lá, os familiares tendo, sem nenhum apoio do Estado, sem nenhum apoio do Estado, tem que identificar o seu ente.
03:42Então, diante disso, não foi somente no tiroteio, foi o pós, e nós teremos mais ainda agressão contra essa sociedade tão massacrada,
03:53que são essas pessoas que são esquecidas pelo poder público, esquecidas, tá?
04:01Então, o que eu espero é que não tenha, mas eu acho que vai ser difícil, essa euforia legal de fazer leis para, a partir de agora,
04:10vamos eliminar e não se pensa numa outra situação a não ser endurecer o crime, endurecer as leis penais.
04:18E a gente vai falar ponto a ponto, né, de todos esses projetos que vão surgindo, projetos que estavam esquecidos e agora voltam à tona.
04:26A gente fala muito desse tipo de debate aqui no Linha de Frente.
04:30Eu me lembro que a gente estava falando recentemente sobre a adultização e como esses projetos de leis foram surgindo um em cima do outro.
04:37A gente vive mais ou menos uma situação parecida.
04:40E aí até já peço um comentário geral também para a Lisiane sobre isso, né, Lisiane?
04:45A gente vai de novo focar em cada um dos projetos daqui a pouco para frente, mas, como dizia a Jaqueline,
04:52soluciona quando a gente coloca um monte de projeto de lei, pode ser uma saída?
04:58Eu acho importante para a democracia, né?
05:00Eu acredito que com esses movimentos que ocorrem, a gente consegue perceber também o que é de mais imediato para a sociedade.
05:08E a gente está vendo uma sociedade que ela está sendo sufocada pelo crime organizado, né?
05:16A gente observa cada vez mais que o crime organizado, ele tem tomado espaço, um espaço interno, um espaço transnacional.
05:25E isso também tem que ser combatido.
05:27A gente também tem que elevar a legislação para um âmbito internacional, né?
05:31A partir do momento que a gente reconhece como um crime de terrorismo, que a gente verifica a questão do narcotráfico,
05:38a gente abre mais a possibilidade de instrumentalizar a discussão, de judicializar a discussão também, né?
05:46O ponto da questão da violência aqui no Brasil.
05:48Eu vejo como um bom caminho aí a legislação, o movimento do poder legislativo, que infelizmente ele se movimenta nos momentos de crise.
06:00Não deveria ser assim, né?
06:01Deveria ser antes, mas eu observo como um ponto positivo essas leis que estão vindo, essas discussões, principalmente as discussões da sociedade.
06:10A sociedade voltando a falar sobre o assunto, porque assim, o crime organizado, ele é falado, mas assim, ninguém faz nada.
06:19Então ficava tudo muito quieto, muito abafado.
06:21Aí o governador do Rio de Janeiro fez a mega operação, a discussão voltou para a tona de novo, né?
06:27Mas por quanto tempo a gente vai deixar esses assuntos abafados, sem discussão, sem audiências públicas, sem conversa de congresso, de judiciário, do executivo?
06:39Acho importante, sim, a discussão.
06:41Agora, a Carla, acho que pode trazer um ponto que a gente falava, que conversa um pouco com a Lisiane, que a gente falava no começo, agora na entrada, né?
06:49Até que ponto a gente vai deixar a população, assim, só retomar esse debate quando algo do tipo acontece?
06:55Até porque esse é um problema, Carla, econômico também, né?
06:58Não é um problema exatamente só de segurança, é muito mais embaixo o buraco.
07:01Bem, aqui eu colocaria aqui alguns pontos até para a gente poder ampliar e conversarmos aqui entre nós, que é o seguinte.
07:09O que dá lucro?
07:10Essa era a minha primeira pergunta.
07:12O tráfico dá lucro?
07:14Dá.
07:14Tem muita gente que consome.
07:15Então, esse também é outro ponto a ser importante.
07:18Quais são as políticas públicas feitas para reduzir o consumo de drogas?
07:22Esse é um ponto.
07:24O que mais dá lucro para as facções?
07:26Não é mais só o tráfico de drogas.
07:29A gente precisa atualizar um pouco a questão.
07:32O que dá a receita é a exploração do território.
07:36As barricadas, elas delimitam espaços de cobrança dentro da comunidade, separado por facções.
07:45É o botijão de gás, é a luz, é a internet, a exploração do território.
07:51Ela é muito mais ampla, ela acabou se expandindo.
07:55Então, as fontes de receita são gigantescas em torno disso.
07:58E esse movimento que se expandiu, a questão que ficaria para a gente pensar é a seguinte.
08:06A conjunção precisa ser a união junto com o Estado e os Estados.
08:13A gente não pode deixar isso em separado.
08:15Teríamos que fazer um raciocínio com os Estados, porque as facções, elas migram entre os Estados.
08:23Então, não adianta ter uma operação num e não ter no outro.
08:25E a gente precisa também lembrar o seguinte.
08:28A Receita Federal, junto com a Febraban, porque todas essas operações precisam de contas e instituições financeiras.
08:37O dinheiro é movimentado no mercado financeiro.
08:40Então, a junção entre Banco Central, Febraban, Receita Federal, Ministério Público, mais as outras entidades.
08:48Se nós pararmos para pensar nisso num campo macroeconômico, nós vamos continuar enfileirando corpos e fazendo política em cima dos corpos enfileirados.
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